‘Temos de educar nossas crianças para uma democracia melhor’

Nome forte do grupo de Marina Silva, a educadora Neca Setubal afirma que a participação social nas eleições foi grande, porém, é preciso melhorar o nível

Neca Setubal: educação é a única forma de tornar a democracia mais participativa (Reprodução/Facebook)
Neca Setubal: educação é a única forma de tornar a democracia mais participativa (Reprodução/Facebook)

Talita Fernandes, na Veja on-line

Coordenadora do programa de governo de Marina Silva na disputa pelo Palácio do Planalto, a educadora Maria Alice Setubal, mais conhecida por Neca, promete continuar empenhada no campo político após o fim das eleições. Em entrevista ao site de VEJA, ela disse que a prioridade é retomar, junto com Marina, o projeto de criação da Rede Sustentabilidade, partido idealizado pela ex-senadora que não conseguiu aprovação da Justiça Eleitoral para ser criado. Alvo de fortes ataques da campanha de Dilma Rousseff por ser uma das herdeiras do banco Itaú, Neca defende ainda a melhora da educação no país. Segundo a educadora, apesar dos investimentos, houve retrocesso na área nos últimos quatro anos. Neca argumenta que é preciso pensar numa “nova escola” que, entre outras coisas, estimule a qualificação do debate político. Depois de uma campanha marcada por ataques, a aliada de Marina avalia que, embora tenha havido forte participação popular no processo eleitoral, isso se deu “com baixíssima qualidade. Neca evitou falar sobre questões econômicas, mas fez críticas ao governo de Dilma Rousseff, classificando de incoerentes as primeiras ações do governo após a reeleição. “Era previsível que muito do que a Dilma criticava em nossa campanha, ela iria fazer. Mas o que acho mais inacreditável é que, depois de três dias de reeleita, os juros já subiram”, afirma. Leia trechos da entrevista.

A senhora ganhou bastante destaque na campanha de Marina Silva, tanto por ter coordenado o programa de governo do PSB quanto por ter sido alvo de ataques do PT. Como pretende atuar na política a partir de agora?
Eu pretendo continuar dentro da esfera política, mas não dentro do sistema político propriamente dito. Permanecerei com a Marina e com o grupo no campo socioambiental. Vamos pensar em como vamos agir, pois ainda estamos discutindo e amadurecendo uma proposta com passos concretos. Mas, sem dúvida, num primeiro momento, e isso é consenso, vamos retomar a institucionalização oficial da Rede. Esse é o ponto principal. Vamos canalizar nossas energias nessa direção. Depois, temos de pensar qual o timing exato de entrar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a revalidação da Rede.

Quais são seus projetos para melhorar o futuro da educação no país?
Esse tema é alvo de muitas discussões que venho tendo com pessoas e partidos. Tivemos um retrocesso na educação nesses quatro anos e os indicadores mostram isso. Como país, nós não alcançamos as metas, mesmo sendo elas bastante brandas. Nós estamos muito atrasados. Eu tenho a convicção de que a educação tem de ter um olhar suprapartidário. Nós já amadurecemos, temos um Plano Nacional de Educação, ainda que com problemas, mas ele aponta para uma direção. O problema é que muito dessa direção se dá olhando para o retrovisor, para o que não fizemos. Nós temos de olhar para frente, resolver muitos desses problemas pensando na Nova Escola. Temos que pensar em uma escola mais aberta à comunidade, uma escola que repense o seu currículo. Nós temos que educar nossas crianças para uma democracia melhor, mais participativa. Essa campanha foi um exemplo de participação de baixíssima qualidade. Muito participativa, mas de baixíssima qualidade. Nós fizemos uma participação do “nós contra eles” dos dois lados. Houve pouquíssima discussão de país, do que se quer para o país, de programa, de ideias. Temos um papel fundamental que é olhar para frente e saber qualificar esse debate.

De que forma a educação pode ajudar na melhora do processo político e eleitoral?
O que precisa ser debatido é qual o papel do Executivo, do Legislativo, do Judiciário. Qual é a visão de país, o que significam as propostas. É preciso que haja um foco na leitura, na discussão de texto, na argumentação. A educação tem de ter um papel muito forte na questão da diversidade, do respeito aos direitos humanos, das diferenças, dos grupos. Tudo isso passa pela educação, tanto dentro das escolas, quanto fora, como em centros culturais, museus e teatros. Precisamos de um trabalho do respeito ao outro. Além disso, a educação tem de atuar na sustentabilidade. São três eixos para se trabalhar na escola. São três pontos que personificam o “olhar para frente”.

Um dos principais ataques da campanha do PT contra Marina Silva foi em relação a propostas econômicas, entre elas, a de independência do Banco Central. Além disso, a senhora foi criticada por ser de uma família de banqueiros. Como vê os sinais que Dilma tem dado para a economia? 
Era previsível que Dilma fizesse muito do que criticava na nossa campanha. Mas, o mais inacreditável é que depois de três dias de reeleita, os juros já subiram. Outra coisa impressionante é ter na lista dos possíveis ocupantes do Ministério da Fazenda duas pessoas do mercado financeiro. Uma delas é o Trabuco (Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco), que parece que não aceitou, e o Henrique Meirelles. Ambos são representantes do setor financeiro. O Trabuco é presidente de um dos maiores bancos privados do país e o Henrique Meirelles veio de um banco internacional. Acho que são as incongruências do PT. Durante a campanha, eles falaram uma coisa. Agora, tudo mudou. Independentemente de esses nomes serem ótimos, já que são pessoas reconhecidamente competentes, não sei como ela vai conduzir a política econômica e evitar a recessão.

Qual o maior legado dessas eleições, que foram tão apertadas e contaram com fatores tão inesperados?
O fato de a sociedade ter despertado para a participação é um ganho. Agora, resta ver se o governo e as oposições conseguem direcionar essa disposição para uma participação mais propositiva, mais afirmativa do que esta guerra de dois lados. Esse é um potencial possível de ser desenvolvido e aprofundado pela sociedade. Esse é um ponto importante. Outro é pensar que a oposição do país tem de achar seu papel. Não basta aparecer na época das eleições. Esse papel ficou muito fragilizado nesses anos de governo do PT. O PT tinha uma posição de oposição por oposição. E acho que daremos um salto se conseguirmos construir um campo de oposição responsável.

Em 2010, Marina entregou uma carta a Dilma apresentando pontos que considerava importantes. Haverá alguma sinalização parecida agora?
Em 2010 era outro o contexto. A Marina apresentou para a Dilma e para o Serra, que eram então candidatos, uma lista com os pontos que eram parte do nosso programa. A Dilma assinou esses pontos se comprometendo com eles. Porém, não cumpriu. Em 2014, a Marina não quis repetir isso justamente por não ter tido efetividade (nas eleições passadas). O apoio dela ao Aécio estava condicionado aos compromissos programáticos. Se ele tivesse sido eleito, seria outra história, pois ela estaria acompanhando o desenvolvimento desses outros compromissos. Não é o caso da Dilma. Por isso nosso primeiro passo será a Rede. Nós temos de pensar no que queremos e, dentro da Rede, nos fortalecermos como oposição. Nós não queremos ser engolidos ou identificados diretamente com o PSDB, embora o partido possa ser um parceiro. Mas o PSDB tem o seu campo, tem as suas ideologias, tem os seus filiados e a Rede tem um outro campo de atuação;

Em que aspectos a proposta da Rede Sustentabilidade, de participação popular, se aproxima do decreto 8.243/2014, alvo de fortes críticas e um dos primeiros reveses tomados por Dilma na volta do Congresso?
A Marina afirmou, no passado, que concordava com a concepção (do projeto), no sentido da maior participação. Na verdade, muito do que está neste decreto da presidente são conselhos que já existem, mas que precisam ser retomados. O que nós discutimos é que muitos desses conselhos estão desarticulados ou aparelhados. Além disso, falar de uma maior participação da sociedade por meio de um decreto já é uma coisa estranha. Isso vai um pouco de cima para baixo, é contra o conceito (de participação). Outra discordância é quanto à forma de preencher esses conselhos que, como está proposto, fica muito na mão do governo. Então, a gente discorda da forma, embora concorde com a ideia de maior participação.

Como fica a relação do PSB e da Rede?
A Marina já disse que deve deixar a sigla para se dedicar à criação da Rede. Mas não conversamos ainda sobre isso. Não sei quando será essa saída do PSB. Ela ainda está e deve continuar na sigla até a Rede existir. Mas como será essa saída está em aberto. Eu acho que a gente tem que determinar os campos também. No segundo turno, foi uma aliança. Agora, cada um tem o seu espaço. Cada partido vai ter que se rever. Está se falando muito em fusões de partido. Acho que tudo isso vai ficar mais claro no início do ano. Sobre a relação da Marina com o PSB, nesse momento ela continua. A Marina sempre falou desde 2010 e repetiu em 2014 que não faz sentido ser oposição por oposição. A oposição tem de ser, como o termo usado pelo PSB, “responsável”.  Se acreditarmos que está correto um projeto do governo, nós vamos apoiá-lo.

Leia Mais

Marina afirma não se sentir pressionada por Malafaia

Stefânia Akel, no Estadão [via A Tarde]

"Nenhum setor teve seu documento publicado ipsis litteris", disse Marina
“Nenhum setor teve seu documento publicado ipsis litteris”, disse Marina

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, afirmou, em entrevista à Rádio Gaúcha, que não se sente pressionada pelo pastor Silas Malafaia “nem por ninguém”. Segundo ela, as mudanças feitas em seu programa de governo no trecho que trata do casamento gay se deu para cumprir o que foi acordado com os representantes da comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais).

Marina afirmou que os coordenadores do programa publicaram a contribuição do movimento LGBT da forma em que ela foi enviada. “Nenhum setor, nem o agronegócio, nem ambientalistas, nem movimento indígena, teve seu documento publicado ipsis litteris“, disse, acrescentando que, em seu programa, os direitos da comunidade LGBT estão melhor contemplados do que nos de Dilma Rousseff (PT), Luciana Genro (PSOL) e Aécio Neves (PSDB).

“O que aconteceu foi uma mudança porque não era o que havia sido acordado. Para ser sincera, eu nem li os tweets do Silas Malafaia”, acrescentou. No último sábado (30), Malafaia usou o microblog Twitter para criticar a proposta de Marina. “Aguardo até segunda uma posição de Marina. Se isso não acontecer, na terça será a mais dura fala que já dei até hoje sobre um presidenciável”, publicou.

Segundo Marina, as pessoas acreditam que foi ela quem fez a mudança no texto, por ser evangélica. “Eu não me sinto pressionada por ele e nem por ninguém. Vou agir de acordo com a Constituição e com o princípio do Estado laico”, garantiu.

Durante a entrevista, Marina defendeu uma reforma tributária e a ampliação de fontes renováveis de energia. A ex-senadora também criticou a reeleição, “porque não se governa para resolver os problemas, mas para garantir mais quatro anos de poder”.

Em relação à política externa, a candidata afirmou que vai priorizar os interesses estratégicos do Brasil e que seu compromisso com a democracia e os direitos humanos será “inarredável”. “Não se coloca o interesse econômico e o interesse ideológico acima dos princípios”, disse.

Leia Mais

Deus e o “diabo” no mesmo espaço

O bispo Denis Almeida "ungiu" o lugar e orou por sete dias
O bispo Denis Almeida “ungiu” o lugar e orou por sete dias

Publicado na Carta Capital

A rua ilha da juventude já abrigou um “inferninho” daqueles. Aos domingos, o salão reunia até 1,5 mil funkeiros para o pancadão mais famoso do Jardim Paulistano, na zona norte de São Paulo. Os carros e motos turbinados, os rapazes com cueca à mostra e correntes no pescoço, as moças no rebolado até o chão, a truculência policial para dispersar a multidão… Nada disso existe mais. Hoje, quem passa pela Ilha da Juventude ouve outro som: os gritos dos fiéis e os cânticos da Igreja Evangélica Obra Vida com Deus – Conhecereis a Verdade e Ela Vos Libertará. O funk ostentação cedeu lugar à teologia da prosperidade.

Antes de abrir as portas do templo, o bispo Denis Almeida “ungiu” o lugar e orou durante sete dias. Elson Pereira de Souza, promotor dos antigos bailes funk e dono do galpão agora alugado ao pastor, brinca: “Vai demorar um ano para exorcizar. Era um ambiente tenso”.

Almeida, que antes de pregar no Jardim Paulistano atuava no Jaraguá, na zona oeste, define-se como um “soldado de Cristo”. Sério, embora entusiasmado, gesticula intensamente, enquanto conta a própria história. Perdeu os pais cedo. À época morava em Campo Grande (MS) e sofria de depressão. Oprimido, carente, sonhava em ser jogador de futebol. Aos 19 anos, garante, foi curado da doença por Jesus e descobriu a vida dedicada à fé. Mudou-se para São Paulo e atuou em outras congregações até chegar ao seu destino atual e empenhar-se em uma cruzada contra o funk. “Ele destrói as famílias, é o eixo do mal, o próprio diabo. A jovem de 10, 12 anos sai escondida da mãe. Isso veio causar a divisão familiar. O mal veio para promover esses tipos de eventos. As letras vulgares, uma baixaria.

O bispo afirma ter “salvado” vários jovens do funk, entre eles uma ex-interna da Fundação Casa frequentadora de seus cultos. “Quero falar para os jovens que Jesus liberta, dá uma vida de paz. Quantas mães não perderam seus filhos? A igreja trouxe paz para a comunidade.” Segundo ele, um dia o funk chegará ao fim, pela graça divina. E cita seu próprio exemplo. “Os moradores esperavam tudo aqui neste lugar, menos uma igreja.”

Deus o colocou nessa missão, prossegue, para trazer paz à comunidade. “Eu acredito que São Paulo vai mudar muito sem o funk, os pais veem os filhos com problemas de drogas porque estão no funk, que também atrai a sensualidade.” Se as meninas não estiverem “sensuais”, afirma, não são bem-vistas. “Elas precisam ser vulgares e isso tem atraído muita destruição.”

Os moradores jovens da região têm opiniões diferentes sobre o fim do baile. Bruno Gabriel Adamczuk, de 16 anos, é indiferente à igreja, mas deixou de frequentar bailes e não procurou outra opção. “É melhor ficar em casa. Muita violência, polícia jogando bomba.” Segundo Milena de Souza Raimundo, 20 anos, o funk era bom, mas rolava muita coisa ruim. “A igreja é boa também.”

O fiscal de lotação Pedro Henrique dos Santos, de 29 anos, diz sentir raiva da transformação, pois gosta da “bagunça”. “Não gosto de lugar queto (sic), gosto de ver tumulto e fechar a rua e já era, tio.” Mayra Tainá de Souza, 21 anos, concorda: “O funk vai deixar saudades. Agora é uma igreja, fazer o quê?” Ela passou a frequentar um baile no Jaraguá. O motoboy Jonas Moisés da Silva, 25 anos, descreve a mudança na “balada” provocada pela igreja. A alternativa é o pistão, um espaço ao longo da rua no qual diversos carros mantêm o som ligado até o último volume. “Num lugar onde era um funk virar igreja não acho certo, muita coisa ruim aconteceu ali.”

O pastor não se abala: “Me sinto um predestinado por estar aqui”. Ele acredita que a igreja vai fazer bem. “Não cumpri nem um terço da minha missão. Vou fazer um trabalho benfeito nesse bairro. Oro pelo dono para ele vender o salão. Que ele seja tocado por Deus.” Como foi a escolha do lugar? “O Espírito Santo me tocou quando passei em frente.” Ele insiste: “Por todas as igrejas onde congreguei, esta é a mais marcante. Louvar onde era um funk. Oh, glória meu Deus! É um privilégio. Todos querem saber quem é o pastor que congrega onde era o baile funk”.

Souza, o antigo promotor do baile, reflete: “É interessante. De repente, você vê um pessoal de alma tão boa para limpar o ambiente. O baile funk é pesado. No dia que a vizinhança queria descansar, eu abria as portas. Mas não me arrependo. Financeiramente foi muito bom e gerei emprego para muita gente”. Souza não pode reclamar. No seu caso, Deus ou o “diabo” tanto faz. O milagre da multiplicação de dinheiro está garantido.

Leia Mais

Você ainda acredita na instituição igreja?

UN GOSPEL W ASSAFAriovaldo Ramos

Há muitas críticas sobre a dimensão institucional da Igreja Evangélica. Você ainda acredita na instituição igreja? Se sim, como salvá-la?

A igreja é criação de Jesus. Em Mt 16.18, Jesus disse que edificaria a sua Igreja. Naquele tempo, Igreja significava um grupo de pessoas em torno de alguém, ou de ideias, ou de ambas.

Jesus falava de um grupo de pessoas que cressem ser ele Deus, que viera em carne e osso, para libertar a humanidade. Disse que trabalharia nessa Igreja, de tal maneira, que esta atacaria as portas da morte, libertando seres humanos que, por ele, seriam ressuscitados no último dia.

Estas pessoas, membros da Igreja, seriam trazidos ao Filho pelo Pai, por meio de uma revelação sobre a natureza divina e libertadora do Filho. Portanto, gente que adoraria ao Filho como Deus.

A Igreja é a consolidação desse grupo de Jesus, pelo Espírito Santo, por seu batismo e habitação, desde o Pentecostes.

O Espírito Santo disse que a Igreja é o corpo do Senhor, por meio do qual Jesus exerce a seu governo sobre todas as coisas. Que a Igreja é a casa de Deus, e o santuário onde Deus é adorado.

Nas palavras de Jesus, a Igreja assume um perfil relacional: onde dois ou três estiverem reunidos em nome de Jesus, ele estará entre eles; e sacerdotal: se dois concordarem na terra será feito no céu.

Na ação do Espírito Santo, a Igreja assume um perfil operacional: todos os seus membros são cumulados de dons, de capacidades especiais para operar prodígios, assim, há, também, membros dessa comunidade que são destacados pelo Espírito Santo para prestar serviço para a Igreja, sem, com isso, ganhar qualquer posição hierárquica; todos continuariam a se ver e a se tratar, apenas, como irmãos.

Na voz do Cristo, essa Igreja assume uma característica missional, ela tem de levar o conhecimento do Cristo e dos seus ensinos a todos os povos, tem de batizar os que, a exemplo do que aconteceu com os primeiros, forem recebendo a mesma revelação sobre Jesus de Nazaré.

E, nessa missionalidade, a Igreja tem de manifestar a presença do Reino, na história, por meio do serviço aos demais, através de obras boas, que provoquem transformações nas circunstâncias, e dêem direção para a sociedade.

Na perspectiva dos apóstolos, a Igreja passa a necessitar de estrutura mínima, que garanta as condições para que está se organize em função de sua missão. Daí, presbíteros, para que as pessoas, no exercício de seus dons, não percam o foco missiológico, transformando as capacidades que receberam em fim em si mesmas.

Não pode, outrossim, a Igreja se permitir a ser uma confraria fechada, um refúgio. Ela tem de se manter uma comunidade para a humanidade, sonhando com o dia em que toda humanidade seja Igreja. Daí, diáconos que garantam a igualdade entre irmãos e que promovam o senso de comunidade pela partilha e pelo acolhimento.

E como essa comunidade é um contingente geográfico, para além de ser uma comunidade virtual pelo Espírito Santo, ela tem de se reunir, e essas reuniões precisam manter-se relacionadas umas às outras.

Com o passar dos séculos esta estrutura deixou de ser mínima, e de manter a igualdade, passando á privilegiar a hierarquia, e a reconhecer apenas poucos como sacerdotes, embora, o sacerdócio seja universal. E a estrutura acabou por sequestrar a Igreja.

Nossa tarefa, hoje, é fazer que a estrutura volte aos moldes originais, que volte a ser o mínimo necessário para que a Igreja, a comunidade, seja o máximo possível.

fonte: Facebook

Leia Mais

Jovem transforma vida de moradores de comunidade carente com ONG

Voluntários atendem crianças, adolescentes e adultos com dança, teatro, alfabetização, reforço escolar, cursos profissionalizantes e vários outros

Publicado no Bom Dia Brasil

O Bom Dia Brasil foi conhecer a ONG Mundo Novo, que funciona em um dos bairros mais carentes e violentos da Baixada Fluminense. O projeto existe há onze anos com o objetivo de oferecer alternativas para a comunidade.

Os voluntários atendem crianças, adolescentes e adultos com vários cursos: dança, teatro, alfabetização de adultos, reforço escolar, cursos profissionalizantes e vários outros. Tudo isso foi ideia da Bianca. Ela percebeu que o bairro precisava de ajuda e decidiu fazer alguma coisa para mudar a vida das pessoas.

“Eu sempre me deparei, desde muito nova com as desigualdades. Por que não tinham muitas coisas aqui onde eu moro e em outros locais tinham?”, conta Bianca Simãozinho.

Desde pequena Bianca é uma transformadora. “Tudo começou na casa da minha mãe, quando eu tinha 16 anos e tive um sonho de trazer um projeto cultural para a Chatuba. A gente tinha uma cortina no meio, metade era sala e metade era o quarto dos meus irmãos. Minha mãe desmontou tudo, nós passamos a morar no quarto dela e tudo virou um projeto social. Só que a maior surpresa é que na primeira semana foram mais de 150 inscritos. Nós éramos os maiores investidores, cada um com o que tinha. Um amigo comprava um pão, no outro dia outro comprava, a gente pedia material escolar e todo mundo juntava o que tinha em casa. Era tudo improvisado”, lembra.

A sede da ONG Mundo Novo foi inaugurada há três anos e tem três andares. Foi com muito esforço. É como se fosse um oásis, um sonho na Chatuba, um dos bairros com o maior índice de criminalidade na cidade de Mesquita, que fica na Baixada Fluminense.

“Isso aqui era um terreno abandonado, onde a comunidade costumava jogar lixo. A gente rejuntou, colocou piso, pinta. Todo início de ano a gente reúne nossos alunos, reúne a equipe de voluntariado e a gente mesmo vai fazendo a obra, dando um jeito”, afirma Bianca.

“Eu consegui colocar todos eles na ONG através do Leonardo. Na época eu tinha me separado do pai dele, ele não queria estudar, estava ficando rebelde e eu não queria perder o meu filho. Fizeram um bom trabalho com ele, ele começou a gostar de estudar. Fiquei feliz da vida”, conta Maria Lucia Jacinto, mãe e aluna da ONG.

“Hoje em dia se eu não tivesse aqui, não sei nem o que seria de mim. Quero ser marinheiro. Fiz uma prova, passei para fuzileiro naval, eu passei. Basta a gente querer. Quando a gente quer, a gente consegue”, diz Leonardo.

“Já estou aprendendo a ler e escrever. Em vista do que eu era antes, eu falo para ela que agora eu estou bem melhor. Me esforçando, falta muito, mas estou vindo”, brinca Maria Lucia.

“Lorraine entrou na instituição com 12 anos de idade como aluna. Veio de um relacionamento familiar difícil”, conta Bianca.

“Passei minha vida toda com a minha avó e meu avô. Eles que de me deram a criação. Meu pai era alcoólatra e agressivo. Quando eu chegava na ONG era diferente, parecia que tudo que eu passava lá fora, com os meus pais, eu esquecia”, lembra Lorraine Gonzaga.

“Quando ela se deparou com a arte, com a educação, isso transformou a vida dela. Hoje ela é uma professora contratada pela instituição, faz faculdade de pedagogia”, conta Bianca.

“Quero continuar este trabalho de transformação. Assim como um dia transformaram a minha vida, quero transformar a vida de outras pessoas”, diz Lorraine.

“É muito significativo para a instituição. Não só ela, mas hoje temos outras ex-alunas que são contratadas e atuam no projeto como monitores”, lembra Bianca.

“Meu sonho é me profissionalizar na dança, ser professora e mostrar o que eu sei para as outras crianças também. Quando eu entrei aqui eu era uma delas, e hoje eu passo para elas o que eu aprendi com a Bianca”, diz Julia Fernandes da Silva.

“A gente não quer fazer um depósito de criancinhas, a gente quer transformar vidas. Vamos cada um fazer a sua parte. Enquanto a gente fica reclamando a gente perde tempo. Existem muitas pessoas querendo transformar o mundo”, completa Bianca.

Leia Mais