Silas Malafaia: “Marina levará 80% dos votos evangélicos”

Visto como pivô da mudança no programa de governo do PSB, o pastor diz que as questões de costumes devem ser decididas no Congresso e defende a alternância de poder

Silas Malafaia diz que nunca disputará uma eleição. “Eu? Político? Não fui chamado para isso” (foto: Nidin Sanches/Nitro/Época)
Silas Malafaia diz que nunca disputará uma eleição. “Eu? Político? Não fui chamado para isso” (foto: Nidin Sanches/Nitro/Época)

Felipe Patury e Teresa Perosa, na Época

O líder evangélico Silas Malafaia é o pastor brasileiro mais influente das redes sociais. Campeão de seguidores, ele promove todos os dias o que chama de “tuitaços”. São quatro mensagens lançadas ao meio-dia no Twitter. “Só boto bomba atômica.” Por que adotou essa estratégia? “Ninguém usa as redes sociais como os evangélicos.” Malafaia provou o que diz. Na semana passada, usou o “tuitaço” para condenar o programa de governo da presidenciável Marina Silva (PSB), que defendia o casamento gay e a criminalização da homofobia. No dia seguinte, Marina tirou esses pontos do programa. Agora, Malafaia diz que votará no Pastor Everaldo (PSC) no primeiro turno e em Marina no segundo.

ÉPOCA – O senhor condenou no Twitter a primeira versão do programa de Marina Silva, que defendia o casamento gay e a punição da homofobia. Marina voltou atrás por sua causa?
Silas Malafaia –
Claro que não. Entender isso é simples. Nem Marina, nem (a presidente) Dilma Rousseff, nem (o presidenciável tucano) Aécio Neves leram seus programas de governo. Entregam o texto a equipes especializadas. O programa de Marina tinha dois erros graves. A turma do LGBT (Lésbicas, Gays, Bi e Transgêneros), intransigente e exagerada, ressuscitou o Projeto de Lei 122 (que criminalizava a homofobia), já derrotado no Senado. Em relação ao ativismo gay, o programa de Marina é mais avançado que o de Dilma, levando em conta que o governo do PT tem financiado a causa gay. Estão reclamando de quê? Meus tuítes só acenderam a lâmpada na equipe da Marina para mudar o que estava escrito. Mesmo assim, não me agradou em tudo. Tem muitos pontos lá contrários à ideologia cristã.

ÉPOCA – O recuo de Marina levou o senhor a apoiá-la?
Malafaia –
Claro. Ela teve coerência. Tem coisa que o candidato promete e não dá para fugir. Marina disse uma coisa como isso: “Se for eleita presidente, não disputarei a reeleição porque não quero estar no poder pensando na continuidade do poder. Quero estar no Planalto para deixar um legado para as próximas gerações”. Quando ouvi isso, pensei: essa serva está fazendo uma colocação extraordinária. É uma declaração mais importante que a sobre o casamento gay. Marina não é candidata dos evangélicos, é candidata do povo brasileiro, que está de paciência esgotada com o PT e a corrupção deslavada. Ela interpreta essa mudança. Não me venham com “evangeliquês” nem tentem colocar nela a pecha de fanática, porque Marina contraria muita coisa que pastor evangélico pensa.

ÉPOCA – Homofobia, casamento gay e aborto devem ser tratados nas eleições presidenciais?
Malafaia –
Devem ser tratados no Congresso. Lá, onde os segmentos da sociedade se fazem representar, é o lugar de discutir esses temas. Se os ativistas gays querem algum direito, mandem seus representantes para o Parlamento. Não foram os evangélicos que botaram essa agenda na campanha presidencial. Foram eles.

ÉPOCA – Por que o senhor acredita que essas questões não devem fazer parte do debate presidencial?
Malafaia –
Um dos maiores filósofos da atualidade, Michael Sandel, um doutor em Harvard que já deu entrevista para ÉPOCA, diz que a moral, os princípios e as questões da fé são fundamentais no debate político. Atenção: não é pastor que está falando isso, não. É um dos maiores pensadores do nosso tempo. Esta eleição tem de ser moral. Não vale tratar do maior escândalo de roubalheira da história do Brasil, o mensalão? E a roubalheira na Petrobras? A corrupção é um câncer na sociedade. A discussão tem de ser moral mesmo. Por que (a presidente) Dilma (Rousseff) e (o ex-presidente Luiz Inácio) Lula (da Silva) nunca condenaram os mensaleiros, que estão na prisão? Estão com medo de eles abrirem a boca e os colocarem na roda?

ÉPOCA – Onde o governo Dilma acertou e onde errou nas questões que interessam aos evangélicos?
Malafaia –
Dizer que o PT só errou seria incoerência e imbecilidade. O PT acertou na ampliação dos programas sociais. Mas o que seria do investimento social do PT se não houvesse a estabilidade econômica? Podem chorar à vontade, mas esse foi ou não um mérito de Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco (ex-presidentes)? A alternância de poder é fundamental para o fortalecimento da democracia. O PT precisa perder a eleição para o bem do Brasil.

ÉPOCA – O que os evangélicos esperam do próximo governo?
Malafaia –
O que está na Bíblia: dias melhores para os brasileiros, que haja paz no país e nas casas, que haja prosperidade. Sabe o que os evangélicos fazem? Aprendemos, com a Bíblia, a orar pelos nossos governantes. Cada um vota em quem quiser. Em 2010, votei em José Serra (PSDB) para presidente. Dilma venceu. Perdi a conta de quantas orações fiz por ela na minha igreja. Quando o mandatário assume, entendemos que é a vontade de Deus.

ÉPOCA – O Pastor Everaldo (PSC), seu amigo, é candidato a presidente e pretendia capturar o voto evangélico. Marina Silva, também evangélica, pode tomar-lhe esse eleitorado?
Malafaia –
Quando Everaldo lançou sua candidatura, marcou 4% nas pesquisas eleitorais. Pensávamos que, se os líderes evangélicos se engajassem na campanha, Everaldo chegaria a 10% e teríamos uma agenda no segundo turno. A lamentável morte de Eduardo Campos mudou o panorama. Marina também é evangélica e tem um histórico político no Brasil. Everaldo, não. O trator da Marina passou por tudo. Passou por Everaldo, Aécio e Dilma. Everaldo sofreu mais com isso, por causa do voto evangélico.

ÉPOCA – Há líderes evangélicos que apoiam o Pastor Everaldo. Outros estão com Marina Silva, Dilma Rousseff ou Aécio Neves. Por que esse segmento é tão fragmentado?
Malafaia –
Isso mostra que os evangélicos não têm unanimidade em pensamento político. Cada um é livre para fazer suas escolhas. Por isso, sempre fui contra a criação de um partido evangélico. Baixo o bambu quando alguém vem com essa ideia. Temos de estar em tudo que é partido. Mas não tenho dúvidas: Marina levará de 80% a 90% do voto evangélico. A candidatura dela, o acirramento da propaganda e as redes sociais mudaram tudo. O evangélico tem interação social, porque vai à igreja pelo menos uma vez por semana. Ninguém usa as redes sociais como os evangélicos, e somos entre 25% e 27% da população. Somem a nós os católicos praticantes, também uns 25% a 27% e que, em muitos pontos, pensam igual. Já deu a maioria da população.

ÉPOCA – Que presidenciável está mais preparado para atender às demandas evangélicas?
Malafaia –
Em primeiro lugar, Everaldo. Depois, Marina e Aécio. Dilma começou a falar agora, mas, no Congresso Nacional, nos quatro anos de seu governo, o PT votou contra nossos princípios. As demandas evangélicas são: casamento entre homem e mulher, proibição do aborto, liberdade de religião e imprensa livre, mesmo falando mal de nós. Não queremos impor ideologia. Queremos que o Brasil seja democrático, cresça, crie emprego e prospere para todos.

ÉPOCA – Dilma prometeu apressar a tramitação da Lei Geral das Religiões, que dá benefícios fiscais às igrejas evangélicas.
Malafaia –
Vou mandar a Dilma uma caixa de óleo de peroba, porque uma garrafa só não dá. Ela pensa que nós, evangélicos, somos idiotas e otários. Doze anos de PT… só agora essa conversa? Na caneta, ela não pode decidir isso. Tem de ser o Congresso. É hipocrisia eleitoral. Estão tão desesperados que prometem o que não podem entregar.

ÉPOCA – O senhor afirmou que o PT o ataca.
Malafaia –
Em junho do ano passado, fizemos uma manifestação em Brasília com 70 mil pessoas. Lá, eu disse que o povo queria os mensaleiros na cadeia. Um mês depois, a Receita Federal abriu fiscalização na igreja em que sou pastor e na Associação Vitória em Cristo, entidade com que levanto recursos para obras sociais e programas de TV. Coincidência? Em julho, os procedimentos foram encerrados. Não descobriram nada, porque não sou ladrão nem bandido. Tem evangélico em todos os lugares. Um passarinho me contou: a ordem veio de cima para me detonar e calar minha voz. Eles têm medo de certa liderança que tenho entre os evangélicos.

ÉPOCA – O senhor pretende se candidatar algum dia?
Malafaia –
Nunca. O que são partidos políticos? Partes da sociedade. Não sou de partes. Sou do todo. Eu, que trabalho para Deus todo-poderoso, direi que Ele é um mau patrão e, agora, serei empregado dos homens? Uma das coisas mais fantásticas do ser humano é conhecer seus limites, reconhecer erros e corrigir rotas. Eu? Político? Não fui chamado nem tenho competência para isso. Onde estou, falo com todos, teço minha ideologia. Lá, seria só mais um.

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Ideia de renúncia, para apoiar Marina, ronda Aécio Neves

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Raymundo Costa, no Valor Econômico

SÃO PAULO  –  A ideia da renúncia seguida do apoio a Marina Silva ronda o candidato Aécio Neves, segundo reportagem exclusiva publicada no Valor Pro, serviço de notícias em tempo real do Valor. Seria a maneira de despachar o PT já no primeiro turno das eleições, sem correr o risco de uma eventual virada no segundo turno, algo que até hoje não ocorreu nas eleições, desde 1989, quando foi restabelecida a eleição direta para presidente da República.

Aécio tem prazos. Assim como o PT, o candidato do PSDB apostou na polarização e se deu mal. Contra a maioria das apostas no PSDB, Aécio ainda acredita numa resposta positiva do eleitorado, em meados de setembro, quando aposta que sua propaganda eleitoral começará a apresentar resultados. De qualquer forma, o programa de Aécio, cada vez mais, fala para Minas Gerais.

Mal na disputa presidencial, Aécio também enfrenta problemas em Minas, onde seu candidato ao governo do Estado, Pimenta da Veiga, está comendo poeira no rastro de Fernando Pimentel, o único petista a liderar a corrida para o governo do Estado, nos quatro maiores colégios eleitorais. O próprio Aécio não tem o desempenho esperado em Minas. Em algum momento da campanha, o candidato terá de se concentrar na campanha mineira, de modo a assegurar sua base de apoio mineira para as próximas eleições.

Também não é certo, a esta altura, que se Aécio desistir e apoiar Marina a fatura será liquidada no primeiro turno. Hoje a presidente está consolidada no segundo turno, graças sobretudo ao forte apelo que seu nome mantém nas regiões Norte e Nordeste. O problema de Dilma é que ela não amplia nem para o primeiro nem para o segundo turno, conforme demonstram as últimas pesquisas.

É improvável que Aécio aceite algum tipo de acordo com Marina já no primeiro turno, mas o simples f ato de a proposta circular nas áreas afins ao candidato, eleitores fiéis que agora pensam no voto útil em Marina, dá uma ideia do tamanho do apoio que se delineia em torno da candidata do PSB. Na hora em que o PT perder a eleição, a disponibilidade dos outros partidos para se aproximar será grande.

No segundo turno, a tendência do PSDB é apoiar Marina Silva e ajudá-la a governar, se ela for eleita, como apontam as pesquisas. Ao contrário do que aconteceu em 1992, quando era oposição e se recusou a compor com o governo Itamar Franco, o PT tem muitos interesses em jogo e deve  pensar com mais receptividade a ideia de dar apoio congressual a Marina. O problema é que Marina se tornou a primeira opção ao PT.  O mercado financeiro é parceiro de Marina porque não quer o PT no governo.

Nos cálculos dos políticos mais experientes, Marina não precisará compor com o PT. Ela pode fazer maioria tranquila com partidos médios e apoios nos maiores, mas, sobretudo, vai jogar luz sobre o Congresso. Marina terá uma agenda dura, para trazer as pessoas da rua, os manifestantes de junho. É evidente que haverá gente no Congresso tentando esconder com mão de gato, mas será muito mais difícil com uma relação transparente.

Dilma, no momento, tem maioria instável no Congresso. Pode-se afirmar que Marina deve ter uma minoria estável. Ela também vai contar com o apoio da mais tradicional sigla brasileira, o PG, o Partido do Governo, aquele que está com qualquer que seja o presidente no Palácio do Planalto. Mas a candidata do PSB também quer  inverter a lógica adotada pela presidente para a nomeação dos ministros.

Assim, não será o PSDB, por exemplo, que vai dizer “eu quero fulano”. Marina vai escolher, até porque poderá dizer que não tem interesse na reeleição. É uma negociação que não está sobre a mesa. E quando fala que não quer disputar um segundo mandato, Marina Silva desarma os partidos e seus eventuais candidatos em relação a ela. Pode montar um ministério de melhor qualidade. Eduardo Campos, o candidato cuja morte virou de ponta cabeça a  sucessão presidencial, era mais gestor e menos equipe. Marina, que o sucedeu, é menos gestora mas tem mais equipe

O PSDB deve declarar apoio a Marina Silva no segundo turno da eleição, se as pesquisas atuais forem confirmadas em 5 de outubro. A dúvida no entorno da candidata do PSB é sobre o apoio do PT. Afinal, Lula é candidato declarado em 2018. O fato de Marina não querer disputar um novo mandato ajuda um entendimento, se houver convencimento de que ela não cederá a pressões para permanecer, caso faça um bom governo.

A situação do PT hoje é muito diferente daquela vivida quando o partido teve de decidir se apoiava ou não Itamar Franco, após o impeachment de Fernando Collor. Não se trata simplesmente de uma questão de manter cargos, isso também existe, mas de projetos e políticas em andamento que são muito caras ao partido. Diz um integrante da coordenação da campanha de Dilma: “Na época do governo Itamar nós éramos oposição. Agora, com um monte de gente no governo, nós vamos ficar”.

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PSC deseja tirar aborto legal da tabela do SUS

Publicado por Josias de SouzaGravidaAgSenaDivulgacao3

O PSC, partido do presidenciável-pastor Everaldo Pereira, quarto colocado nas pesquisas eleitorais, declarou guerra à Portaria 415. Anunciou por meio de nota que recorrerá à Justiça para tentar anular a novidade. Editada pelo Ministério da Saúde e publicada no Diário Oficial de quinta-feira (22), a portaria alterou a forma de registro dos casos de aborto previstos na Constituição. E elevou de R$ 170 para R$ 443 o valor que o SUS paga aos hospitais pelo procedimento.

Na visão fundamentalista do PSC, a portaria “oficializa o aborto no nosso país”. E o recurso ao Judiciário “atende o clamor dos brasileiros que vêem na medida do governo uma brecha para a oficialização da interrupção da vida.” Em verdade, o que a pasta da Saúde fez foi aperfeiçoar o que já era oficial por força da Constituição aprovada pelo Congresso constituinte de 1998.

O texto constitucional autoriza o aborto em situações muito específicas: quando a gravidez decorre de estupro, quando a mãe corre risco de morrer ou quando o feto é diagnosticado com anencefalia. São esses os casos que têm as despesas cobertas pelo SUS. Coisa já discutida e avalizada em julgamento do STF.

O problema é que o aborto legal vinha sendo lançado nos registros oficiais como “curetagem”, um tipo de procedimento usado noutras situações além do aborto. A portaria criou uma categoria mais específica: “interrupção da gestação ou antecipação do parto”. O que tornará as estatísticas da Saúde mais precisas.

Quanto ao reajuste da tabela de preços, visa sanar uma anomalia. Os R$ 170 que o SUS vinha pagando pela “curetagem” não cobriam as despesas de um aborto, procedimento mais complexo. Em consequência, muitos hospitais recusavam-se realizar os abortos previstos em lei.

Inconformado, o PSC escreveu em sua nota que “não apenas rejeita veementemente esta proposição, como também denuncia e conclama todos os brasileiros a se posicionarem contra esta iniciativa nefasta.” A legenda acusa a gestão de Dilma Rousseff de permitir que “os mais caros valores da vida sejam ultrajados e desrespeitados por posições adversas ao seu povo.”

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Com direito a peeling de ouro, Marco Feliciano faz tratamento estético antes de congresso evangélico

Marco Feliciano também usou um gel redutor de medidas (foto: Divulgação)
Marco Feliciano também usou um gel redutor de medidas (foto: Divulgação)

Publicado no F5

O polêmico deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) aproveitou sua estadia no Balneário Camboriú (SC) para fazer um tratamento estético.

O ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara participou do congresso evangélico Gideões Missionários nesta segunda-feira (5).

Segundo a assessoria do centro estético Linda Sempre, Feliciano foi ao local na sexta-feira (2) e “aplicou ergalintox, um peeling para diminuir rugas e linhas de expressão, um luxuoso peeling de ouro, para reduzir manchas no rosto e gel lipo pimenta na região do abdome, para diminuir medidas”.

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Quatro deputados tiveram mais faltas que presenças

Marcelo Aguiar, Márcio Bittar, Paulo Maluf e Newton Cardoso faltaram a mais da metade das sessões em 2013. Ao todo, 41 deputados deixaram de comparecer a mais de um terço dos dias de votação

Deputado Marcelo Aguiar (SP) - Foto: Cláudio Araújo.
Deputado Marcelo Aguiar (SP) – Foto: Cláudio Araújo.

Cristiano Zaia, no Congresso em Foco

Em 2013, o deputado Marcelo Aguiar (SP) fez o caminho inverso da maioria de seus colegas: trocou um partido da base governista, o PSC, por um da oposição, o DEM. Mas não foi por isso que ele se destacou. No terceiro ano de seu primeiro mandato na Câmara, Marcelo Aguiar foi o deputado que mais faltou às sessões da Casa, somadas as ausências justificadas e aquelas que ficaram sem justificativa. Assim como ele, outros três deputados mais faltaram do que compareceram ao plenário, revela levantamento da Revista Congresso em Foco: Márcio Bittar (PSDB-AC), Newton Cardoso (PMDB-MG) e Paulo Maluf (PP-SP).

Maluf registrou presença em apenas 55 dos 113 dias com votação na Câmara. Foi o quarto mais faltoso entre os deputados
Maluf registrou presença em apenas 55 dos 113 dias com votação na Câmara. Foi o quarto mais faltoso entre os deputados

Em tese, pela Constituição, faltar a mais de um terço dos dias com votação sem justificar pode resultar na perda do mandato. Ao todo, 41 deputados superaram esse número de ausências no ano passado. Mas eles não correm o risco de cassação, pois justificaram a quase totalidade das faltas. É o caso também dos quatro mais faltosos.

Dos 113 dias em que deveria ter comparecido ao plenário, Marcelo Aguiar registrou presença em apenas 45. O parlamentar faltou a mais de 60% das sessões. Mas abonou 61 das 68 faltas que acumulou. Nenhuma delas por problema de saúde. Nos registros da Câmara, todas foram atribuídas a “obrigações político-partidárias”.

Em nota, a assessoria de imprensa do parlamentar do DEM paulista respondeu que “o deputado divide, da melhor forma possível, seu tempo entre as diversas atividades em Brasília e as demandas em seu gabinete e bases em São Paulo” e que ele “acompanha ativamente as agendas e chamadas de seu partido, sempre em missões oficiais devidamente justificadas na Câmara”.

Artista

Aos 40 anos, Marcelo Aguiar concilia a carreira política com a artística. Começou como cantor sertanejo e, após se converter à Igreja Renascer em Cristo, do casal Estevam e Sônia Hernandes, em 2000, faz sucesso na música gospel. Antes da conversão, chegou a interpretar um peão na novela Estrela de Fogo, exibida pela TV Record entre 1998 e 1999. Em 2008, o cantor se elegeu vereador em São Paulo pelo PSC, partido que deixou no ano passado. O deputado também compareceu pouco às reuniões da Comissão de Ciência e Tecnologia, da qual é titular. Esteve em apenas 25 das 67 reuniões realizadas pelo colegiado.

O segundo colocado em faltas na Casa é o atual primeiro-secretário, Márcio Bittar, que acumulou 67 ausências em 2013. Integrante da Mesa Diretora, Bittar só registrou presença em 46 (40,7%) dos 113 dias com sessão deliberativa. O primeiro-secretário, no entanto, justificou todas as suas ausências como “missão autorizada” para representar a Câmara.

Dupla do barulho

 

Na sequência da lista dos deputados que mais colecionaram ausências no plenário estão duas figuras tradicionais e controversas da política brasileira, Newton Cardoso, ex-governador de Minas Gerais, e Paulo Maluf, ex-governador e ex-prefeito de São Paulo.

Newton acumulou 60 faltas e 53 presenças em 2013. O deputado justificou 58 ausências. Oito por licença médica e 50 por compromissos partidários. Dono do quarto maior patrimônio declarado no Congresso (R$ 78 milhões), ele responde a uma ação penal por falsidade ideológica e crimes contra a flora, e a um inquérito por lavagem de dinheiro no Supremo Tribunal Federal (STF).

Quarto deputado mais ausente, Paulo Maluf compareceu a apenas 55 dos 113 dias em que deveria ter registrado presença. Maluf atribuiu todas as suas 58 ausências a obrigações político-partidárias. O ex-prefeito de São Paulo integra a lista dos procurados pela Interpol e não pode deixar o país, sob o risco de ser preso. Em 2005, esteve preso por 40 dias, acusado de intimidar uma testemunha.

No Supremo, o deputado responde a duas ações penais (461 e 477) e três inquéritos (2471, 3545, 3601), por crimes contra o sistema financeiro, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e crimes eleitorais. No Inquérito 2471, os ministros aceitaram a denúncia segundo a qual o grupo de Maluf desviou o equivalente a US$ 1 bilhão da prefeitura por meio de obras. Procurados, Bittar, Newton e Maluf não retornaram o contato da reportagem para comentar suas ausências. (mais…)

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