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Pessoas menos inteligentes tendem a ser mais conservadoras e preconceituosas

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publicado no Livre Pensamento

Não é nova a idéia de que o conservadorismo e o preconceito estão ligados umbilicalmente. Vários estudos já realizados chegaram a essa conclusão. A novidade é que o posicionamento conservador e o preconceito podem estar ligados à baixa inteligência.

Um estudo feito por pesquisadores de uma universidade de Ontario, no Canadá, chegou a conclusões bastante interessantes: adultos de baixo QI ou com dificuldades cognitivas tendem a ter atitudes conservadoras e preconceituosas (racismo, homofobia, machismo etc).

 

O estudo foi dirigido pelos pesquisadores Gordon Hodson e Michael A. Busseri, do departamento de Psicologia da Universidade Brock, de Ontario, e foi publicado pela revista Psychological Science.

Os dados levam a crer que as pessoas menos inteligentes se sentem atraídas por ideologias conservadoras porque estas exigem menos esforço intelectual, pois oferecem estruturas ordenadas e hierarquizadas, onde o indivíduo pode se sentir mais confortável.

É bom deixar claro que inteligência nada tem a ver com escolaridade. Há vários exemplos históricos (como a Comuna de Paris ou a Revolução Russa) em que as classes mais baixas e com menos escolaridade se mostraram as únicas capazes de pensar de maneira progressista.

Hodson afirma que “menor capacidade cognitiva pode levar a várias formas simples de representar o mundo e uma delas pode ser incorporada em uma ideologia de direita, onde ‘pessoas que eu não conheço são ameaças’ e ‘o mundo é um lugar perigoso ‘…”.

A grande contribuição dessa pesquisa pode ser a criação de novas formas de combater o racismo e outras formas de preconceito. “Pode haver limites cognitivos na capacidade de assumir a perspectiva dos outros, particularmente estrangeiros”, entende Hodson, já que a crença corrente é que o preconceito tem origens emocionais, não cognitivas.

O que será que Marco Feliciano e Silas Malafaia têm a dizer sobre isso?

Semelhança entre diabo de série religiosa e Obama causa polêmica

O ator Mohamen Mehdi Ouazanni caracterizado em The Bible e o presidente dos EUA (Foto: Reuters / Divulgação)

O ator Mohamen Mehdi Ouazanni caracterizado em The Bible e o presidente dos EUA                                     (Foto: Reuters / Divulgação)

Pulicado por EFE [via Terra]

O semelhança física entre o personagem satã da série de TV The Bible, interpretado pelo ator marroquino Mohamen Mehdi Ouazanni, e o presidente dos EUA, Barack Obama, gerou uma grande polêmica no país nesta segunda-feira (18), segundo a qual algumas pessoas passaram a questionar se a coincidência não poderia também esconder uma suposta mensagem política.

A discussão em torno da semelhança física entre satã e Obama foi repercutida nas redes sociais pelo comentarista conservador cristão Glenn Beck, que, no domingo (17), perguntou aos seus mais de 640 mil seguidores do Twitter se o personagem da série do History Channel era como “esse tipo”, em alusão ao presidente dos EUA.

Junto com a mensagem, Beck também postou uma imagem do personagem interpretado por Ouzanni – encapuzado e com semblante de seriedade -, reproduzida na imprensa local e comparada com outras fotos de Obama.

Ouzanni já havia participado de outras séries de conteúdo religioso antes de The Bible, como Bíblia Sagrada – Davi, Jeremiah, No Começo e Os Dez Mandamentos.

O History Channel ainda não se pronunciou em relação à polêmica, que certamente despertará mais interesse na série. Com apenas dez capítulos, The Bible se transformou rapidamente em grande êxito nos EUA - sua estréia, no início do mês, registrou audiência de 13 milhões de espectadores.

De acordo com o site The Hollywood Reporter, a série conta com produtores que contribuíram financeiramente na campanha presidencial de Obama de 2008, assim como na Convenção Nacional Democrata de 2009 e em outros candidatos do mesmo partido.

Mas não é a primeira vez que uma série de televisão se vê envolvida em uma polêmica deste tipo. No ano passado, os criadores de Game of Thrones tiveram de pedir desculpas pela utilização indevida de cabeças similares à do ex-presidente George W. Bush em sequências de pessoas decapitadas.

Na ocasião, David Benioff e D.B. Weiss admitiram ter usado um modelo de rosto similar ao de Bush por motivos de orçamento.

“A cabeça de George Bush aparece em algumas cenas. Não foi uma escolha e não se trata de uma mensagem de conteúdo político, já que tivemos que usar todas as cabeças que tínhamos ao nosso alcance”, justificaram.

Por que cristãos conservadores frequentam um bar gay de Chicago?

Andrew Marin

Agência Pavanews, com informações de BBC

Construir pontes entre os cristãos evangélicos e a comunidade gay é o desejo do pastor Andrew Marin. Com esse objetivo, ele passou os últimos 10 anos em Boystown, bairro de Chicago conhecido como reduto de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros (GLBT). Andew trabalha para tentar fazer com que cristãos e gays se reúnam para ter uma conversa franca sobre sexualidade e espiritualidade.

Isso inclui uma grande reunião quatro vezes por ano em Roscoe, um dos bares gays mais famosos dos EUA. Essa não é uma conquista pequena em uma cultura na qual durante muito tempo gays e cristãos evangélicos têm visto uns aos outros com desconfiança. No entanto, a determinação de Andrew Marin em trazer para mais perto lados tão opostos e propor diálogo tem crescido de uma maneira que ele jamais imaginou. De um começo pequeno, hoje ele leva sua mensagem por todo o mundo e tem trabalhado com diferentes governos e também com igrejas. Ele está se tornando uma figura bem conhecida e tem colaborado com uma das maiores editoras cristãs do mundo na produção de um curso voltado para igrejas que desejam abordar questões de sexualidade.

Um abraços homem gay membros da Fundação Marin em Chicago desfile do Orgulho Gay Boystown (Crédito da foto: Michelle Gantner, Mal de mídia ajustado)Ele acredita que muitos cristãos não entendem a complexidade dos versículos da Bíblia que mencionam a homossexualidade, mas reconhece que os gays muitas vezes são rápidos ao tentar desvalorizar o cristianismo.

Andrew sentiu a necessidade de responder a essas questões depois de uma série de conversas que teve com três amigos muito próximos. Ao longo de de três meses, esses amigos lhe disseram que eram gays, uma surpresa completa. O pastor cresceu em um lar cristão conservador, e diz que ele era “o maior homofóbico que já conheceu”. Para ele, estava muito claro que cristianismo e homossexualidade eram incompatíveis. ”Não sabia o que fazer. Pensava que não havia maneira alguma do meu sistema de crenças teológicas aceitar o estilo de vida dos meus amigos, por isso acabei cortando os laços com eles.” Algum tempo depois, Andrew sentiu que Deus estava pedindo para voltar a ter contato com seus amigos e pedir perdão a eles. Em seguida, ele se mudou para Boystown junto com dois desses amigos. Os primeiros anos foram extremamente difíceis, enquanto lutava para descobrir se poderia conciliar a sexualidade de seus amigos com suas convicções cristãs.

“Quando ia a bares ou eventos gays junto com os meus amigos, me sentia mal, porque achava que devia dizer às pessoas ali: ‘Você está errado e precisa mudar’”. Contudo, em vez de condenar, decidiu que deveria mostrar o espírito cristão. Essa decisão trouxe alguns resultados inesperados. “Nos três primeiros anos, eu era literalmente o único homem hétero da redondeza. As pessoas começaram a falar comigo sobre Deus, a igreja e a Bíblia. As pessoas faziam muitas perguntas sobre isso para mim.”

Essas conversas deram origem ao que hoje é uma organização que trabalha em todos os Estados Unidos. Um dos aspectos mais incomuns do trabalho da Fundação Marin são os encontros onde pessoas de diferentes ponto de vista se reúnem para debater questões referentes a fé cristã e sexualidade. Alguns participantes são pessoas que abandonaram a igreja por causa de sua atitude em relação à homossexualidade. Há casos interessantes, como o de dois cristãos gays que chegaram a conclusões muito diferentes sobre a fé e sexualidade.

Will é abertamente gay e serve como pastor da Igreja Metodista Unida. Ele disse ter resolvido uma “tensão criativa” que sentiu inicialmente entre sua vocação para o ministério e sua sexualidade. Enquanto isso, Brian mesmo sabendo que é gay, deixou que sua teologia tradicional o fizesse escolher uma mulher para casar. A Fundação Marin acredita que a conversa educada e franca entre pessoas de todas as perspectivas é essencial para que os cristãos tratem essas e outras questões sobre a sexualidade de uma forma mais eficaz.

Nem todo mundo está convencido de que os evangélicos estão prontos (nem preparados)  para ter essas discussões. O professor Mark Jordan, teólogo da Universidade de Harvard especialista no entendimento cristão da sexualidade, convocou um grupo internacional de estudiosos para tentar resolver o que ele chama de “impasse” nos debates atuais sobre religião e sexualidade. Ele sugere que pode ser hora de “uma espécie de cessar-fogo, em que podemos parar de gastar todas as nossas energias criticando uns aos outros o tempo todo”.

Andrew Marin admite que algumas igrejas continuarão a se concentrar apenas na “cura” dos gays, enquanto outras simplesmente darão boas-vindas aos homossexuais. Embora seja essa a crítica que ele mais ouve, o pastor Andrew insiste que seu foco está em permitir que os gays que desejam conhecer o cristianismo tenham essa oportunidade.

Religião sustentável

Texto de Luiz Felipe Pondé publicado originalmente na Folha de S.Paulo

Recebemos, recentemente, a visita do líder religioso budista tibetano Dalai Lama. Os iniciados tiveram surtos místicos?

Nada contra ele. De fato, o líder budista tem uma imagem positiva no Ocidente, ao contrário do papa Bento 16, que é visto como conservador.

O Dalai Lama defende tudo que gente legal defende: o verde, a tolerância com o “outro”, um capitalismo do bem, enfim, uma religião sustentável nos termos que ocidentais que migram pra religiões orientais costumam gostar, ou seja, de baixo comprometimento religioso. Além de, nela, não ter nenhum parente chato.

Uma religião sustentável é uma religião na qual ninguém tem de sustentar nada além de uma dieta balanceada, uma bike legal e um pouco de meditação durante a semana. De empresários “do bem” aos falantes da língua tibetana, muita gente correu pra ouvir essa sabedoria “estrangeira”.

Religiões são sistemas de sentido. A vida, aparentemente sem muito sentido, precisa de tais sistemas. A profissão pode ser um. A dedicação aos filhos, outro.

A história, a natureza, grana também serve. Enfim, muita coisa pode dar sentido a uma existência precária como a nossa, mas nada se compara a uma religião.

Para funcionar, as religiões têm de garantir crenças e constranger comportamentos a partir de liturgias, mitos, exercícios de poder sacerdotais e regras cotidianas munidas de “sentido cósmico”.

Você não “acessa” o sentido oferecido sem “pagar”, com a própria adesão, o pacote completo. Isso serve para o catolicismo e para o budismo, ao contrário do que pensa nossa vã filosofia “nova era”. No Oriente, o budismo é uma religião como qualquer outra, cheia de vícios e abusos.

A crítica à religião no Ocidente passou pela mão de grandes pensadores. Freud disse que religiosos são obsessivos que não sobreviveram bem à falta de amor incondicional da mãe e à miserável castração do pai verdadeiro, daí creem num Deus todo-poderoso que os ama.

Nietzsche identificou o ressentimento como marca dos religiosos que são todos uns covardes. Feuerbach sacou que Jesus é a projeção alienante de nosso próprio potencial.

Marx acrescentou que essa alienação é concreta e que se ganha dinheiro com isso. Enfim: o religioso é um retardado, ressentido, alienado e pobre, porque gasta dinheiro com o que não deve, a saber, os “profissionais de Deus”.

O que eu acho hilário é como muito “inteligentinho” acha que o budismo seja uma religião diferente das “nossas”.

Ela seria sem “vícios” e “imposições”. Pensam, em sua visão infantil das religiões orientais, que dramas sexuais só afetam celibatários de Jesus e não os de Buda, e que o budismo, por exemplo, é “legal”, porque não tem a noção de pecado.

O budismo ocidental que cultua o Dalai Lama é o que eu chamo de budismo light. O perfil desse budista light é basicamente o seguinte.

Vem de classe social elevada, fala línguas estrangeiras, é cosmopolita, se acha melhor do que os outros (apesar de mentir que não se acha melhor, claro), tem formação superior, mora na zona oeste ou na zona de sul de São Paulo, come alimentos orgânicos (caríssimos) e é altamente orientado para assuntos de saúde do corpo (um ganancioso com a vida, claro).

E, acima de tudo, acha sua religião de origem (judaísmo ou catolicismo, grosso modo) “medieval”, dominada pelo interesse econômico, e sempre muito autoritária.

Na realidade, as causas da migração para o budismo light costumam ser um avô judeu opressivo, uma freira chata e feia na escola e uma revolta básica contra os pais.

Em extremos, a recusa em arrumar o quarto quando adolescente ou um escândalo de pedofilia na Igreja Católica. Além da preguiça de frequentar cultos e de ter obrigações religiosas.

Enfim, essas são a bases reais mais comuns da adesão ao budismo light, claro, associadas à dificuldade de ser simplesmente ateu.

A busca por uma espiritualidade light é como a busca por uma marca de jeans, uma pousadinha numa praia deserta no Nordeste ou um restaurante de comida étnica da moda.

A espiritualidade do budismo light é semelhante a uma Louis Vuitton falsa. Brega.

foto: Malufeitor