Campanha utiliza vermes para mostrar efeitos do crack

A campanha tem por objetivo a prevenção da experimentação e do uso do crack

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Uma iniciativa da “Parceria Contra Drogas”, com criação da agência Talent, o case apresenta dois grandes anúncios da campanha, localizados na Galeria do Rock, ponto de encontro para jovens formadores de opinião e também vizinho de uma região que concentra o tráfico e o consumo de drogas em São Paulo.

Surpreendentemente, os cartazes, que foram impressos em uma massa de trigo, são comidos ao vivo por vermes, impactando os visitantes da galeria. Um trabalho que somente foi possível após meses de estudos por pesquisadores e biólogos. A campanha tem por objetivo a prevenção da experimentação e do uso do crack.

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Drogas: por que a igreja pode pensar na descriminalização?

Drogas: por que a igreja pode pensar na descriminalização?Ronilso Pacheco, na Novos DiálogosA dependência química é um terreno que a igreja sempre soube pisar. Aprendemos com a Comunidade S8 e com o Desafio Jovem, já nos fins dos anos 1960 e início dos 1970, que esse tema era sério, e que o sujeito que enveredava por este caminho, continuava sendo sujeito, continuava sendo o alvo onde o amor de Cristo quer de fato chegar.Mas eis que mais de quatro décadas depois um desafio muito maior perturba o sono de todos nós. As drogas se tornaram um dilema, epidemia amedrontadora, celeuma sem solução e resposta eficiente da sociedade, que se encontra cada vez mais acuada, e do poder público, que depositou toda sua confiança na força da proibição e na repressão policial com sua “guerra às drogas” e vê, com demasiada frustração, que não chegou a lugar nenhum e que não há um único mísero dado que ajude a acreditar que alguma coisa dessa política deu certo. É fato, não há o que comemorar.

Diante deste dilema, uma alternativa ganha força e discussão: a descriminalização do consumo de drogas. No Brasil, o dilema gira em torno de proposta enviada ao congresso, para alteração da Lei 11.343, de 2006. Tinha ela a intenção de separar o usuário e dependente (aquele que apenas consome, por curtição ou por doença/dependência química) do traficante (aquele que vende e quer lucrar e enriquecer com isso, ligado ao crime organizado).

Mas algo saiu errado. A falta de critérios objetivos nesta lei não ajudou a distinguir quem era usuário e quem era traficante, e assim sendo, prevaleceu muitas injustiças, o estigma como uma categoria a priori. Negros e pobres (muitos sem antecedentes criminais e sem nenhuma associação direta com o crime organizado) lotaram penitenciárias; jovens brancos da Zona Sul se livraram da cadeia, mas permaneceram carregando a alcunha de viciados, maconheiros que sustentam o tráfico. Então uma nova campanha busca corrigir este detalhe, e pede, convoca a sociedade para reconhecer que esta lei de drogas precisa mudar, tendo como exemplo maior, a política de drogas empreendida em Portugal há cerca de dez anos. E a igreja, não vai dizer nada?

É verdade que alguns equívocos confundem a compreensão da proposta da descriminalização, e tais equívocos é que muitas vezes fazem anoitecer a claridade da compreensão do que estamos lidando e buscando conversar.
Um deles é pensar que a ideia da descriminalização se apresenta como uma solução para acabar com o consumo e com o tráfico: não vai. Há quem pense no interesse das indústrias que querem descriminalizar a maconha para comercializá-la em paz e faturar muito: não faz sentido. E há ainda quem pense que a igreja está sendo um “inocente útil” nessa história, e que estaria sendo usada para legitimar a liberação da maconha: é um risco, mas é também subestimar a capacidade de avaliação e discernimento da igreja. Porque o que a Bíblia nos diz é que aquele que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado. A omissão expõe o pecado que escolhemos.

Mas ainda há quem diga: “o Brasil não é a Holanda nem Portugal”. É verdade, mas mesmo não sendo também os Estados Unidos, adotamos a política de repressão e “guerra às drogas” como se lá fosse um sucesso, e o que os fatos nos evidenciam é que só colhemos fracasso, estigmas, violência e morte.

Portanto, se a descriminalização não vai resolver o problema do tráfico, o que ela quer e por que a igreja deveria se meter nisso? Deseja abrir espaço para os cuidadores, e, sabendo que o estado não pode dar conta disso sozinho — a igreja se apresenta, pois é cuidadora por excelência. Deseja que os bilhões de recursos gastos com a manutenção de presos indevidamente nas penitenciárias abarrotadas e do aparato militar da guerra às drogas, sejam repensados para o tratamento e a saúde — e aí a igreja se apresenta para mostrar o que sempre fez, pois é uma aliada que o estado não deve ignorar. Deseja tratamento mais humano, sobretudo para o sujeito das comunidades periféricas, cuja entrada no mundo do tráfico ou a chegada ao consumo e dependência não pode ser tratada de uma maneira tão simplista e estigmatizante — e aí a igreja se apresenta, pois sabe ressignificar sujeitos segundo o olhar de Cristo.

Eu lembraria a pensadora Judith Butler que diz que uma das formas de dominação é a construção de sujeitos. Portanto esse sujeito construído a partir da perspectiva da desigualdade, pelo viés da droga (o traficante, o viciado, o dependente, o doente, o drogado, o maconheiro, o marginal), não é o sujeito onde Jesus para, porque Deus não para no sujeito construído, Deus quer chegar ao sujeito como foi criado. Talvez o grande papel da igreja seja esse. Ajudar a emergência do sujeito como fora criado.

O fato é que ninguém tem uma saída pronta e definitiva. Tudo precisa ser construído, repensado. Vale sim observar o que deu certo em outros lugares, pois precisamos de ajuda, de ouvir e aprender. Precisamos de uma alternativa. Eu creio que “é preciso mudar”, e que, neste momento, o único pecado que não podemos cometer é a omissão de discutir.

Ronilso Pacheco é de São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Estuda Teologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio, integra a RENAS-Rio, afiliada da Rede Evangélica Nacional de Ação Social, o Congresso Nacional Underground Cristão (CNUC). É pesquisador no Programa de Iniciação Científica da PUC-Rio (Ética e Alteridade) e congrega na Comunidade Cristã S8 Rio. Interlocutor para as igrejas na Ong Viva Rio.

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