Carta da Incoerência

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Yago Licarião, no Retalhos e Frestas

Ando preocupado com o crescimento de minorias que querem enfiar, goela abaixo, todas as suas ideias como se fossem as únicas certas. O que vem ocorrendo é uma inversão completa de valores, a quebra de todos os nossos princípios mais fortes, a completa derrocada da sociedade tradicional. Vejamos, por exemplo, o caso dos evangélicos. Esse movimento, surgido há pouco mais de um século, tenta agora se colocar como único detentor da verdade universal suprema.

Seu projeto é declaradamente o de unificar toda a população em uma só crença, um só comportamento, uma única forma de pensar. Essa minoria, que vem crescendo cada vez mais no país, quer mesmo é regalias e privilégios ao ponto de que todos nós que não concordamos seremos encurralados na parede, sem direito a criticar. Eles querem invalidar a liberdade de expressão, ao ponto de que não poderemos mais dizer que esse deus não existe e que sua crença é uma farsa.

Que fique bem claro que eu amo o evangélico, só odeio o evangelicalismo. Não podemos aceitar que eles se casem ou que tenham filhos, afinal, ninguém nasce evangélico, e com certeza fazem lavagem cerebral em seus filhos para que também se tornem evangélicos; o que sempre acontece. O caso é realmente de tratamento psicológico, só pode se tratar de um delírio acreditar que um livro de dois mil anos contém a verdade do mundo, com histórias de gigantes, plantas que falam, mares se abrindo, monstros que saem do mar. Só pode ser patológico crer que um pastor receba uma revelação divina, e assim aliene toda uma congregação ao que ele próprio pensa. É altamente prejudicial que essas pessoas deem todos os seus bens em prol de um punhado de gente que enriquece às suas custas.

Mas não só evangélicos me preocupam. Tenho me incomodado profundamente com a pequena parcela de ricos, uma das menores minorias (percebam que redundante) presentes na nossa organização social. Isso pois, o que se percebe nesse pessoal é que são todos vagabundos. Se há tanto tempo construímos o ideal da dignificação do homem através do trabalho, e que só com ele teremos uma sociedade mais justa e igualitária, esse pessoal agora largou mão do labor para ficar apenas no repouso.

O que acontece é que os ricos não querem mais trabalhar, pois agora só mamam nas tetas do governo. Seja com os cargos comissionados que conseguem sem ter que pisar na repartição pública, seja nos esquemas fraudulentos em licitações, ou até mesmo através de um concurso público que, depois de alguns anos, descobrem que podem colocar assessores para fazer todo trabalho. Todo rico é preguiçoso, e se vale para o pai, o filho do rico é o pior veneno encontrado em um povo. Nele se encontram todas as características da inércia.

Pais ensinam os filhos a serem vagabundos pois dão o peixe ao invés de ensinar a pescar. Filho é reprovado na escola mas ganha carro. Nunca precisa ajudar em casa pois já tem empregada para fazê-lo. Se não passar no vestibular, papai paga pra entrar. E o curso é só pra ganhar canudo, afinal, vão herdar o negócio da família que já está todo pronto. Esse antro se tornou um curral eleitoreiro, que para manter essas regalias infindáveis, políticos aprisionam os ricos para que sempre votem neles. E nós, maioria pobre, que sustentamos esses salafrários com nossos impostos, os quais eles sonegam.

Sim, amigos, o mundo está de pernas pro ar. Coisa mais comum, hoje em dia, é vermos homens que praticamente pedem para serem agredidos. Apesar de todas as estatísticas apontarem para o alto índice de ofensas físicas em bares, continuam frequentando esses lugares, se embebedando e discutindo política e futebol. Um homem que sai de casa com a camisa de seu time tem sua parcela de culpa na surra que leva na rua, afinal, essa roupa estimula o agressor e é a principal responsável por gerar a violência.

Se alguém ignora toda essa verdade, tão cristalina, é porque está assumindo para si o risco de suportar os ônus de sua atitude irresponsável. Temos que nos impor contra toda essa perversão de valores que querem nos incutir. Precisamos regressar ao modelo de família tradicional, que sempre se mostrou tão perfeita e amorosa. Necessitamos, urgentemente, fazer valer as leis da meritocracia, sempre justa e igualitária. Carecemos de pessoas mais responsáveis pelos seus atos, que parem de querer jogar toda a culpa para os outros, que deixem de tanto melindre. Esperamos pela subversão.

Ass.: Incoerência.

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Chris Brown diz que Ebola é forma de controle da população

Rapper usou o Twitter para expressar suas opiniões sobre o vírus letal

Publicado no Terra

 Chris Brown acredita que o vírus do Ebola foi fabricado (foto: Getty Images)
Chris Brown acredita que o vírus do Ebola foi fabricado
(foto: Getty Images)

Chris Brown vem iluminando o mundo com seus pensamentos a respeito do Ebola. O rapper disse que o vírus letal, que matou mais de 4 mil pessoas na Liberia, Serra Leoa e Guiné, não é uma doença natural. Com informações do site do jornal Independent.

Ele compartilhou sua própria teoria da conspiração, sugerindo que a pandemia foi deliberadamente fabricada para combater o crescimento da população mundial. “Eu não sei…mas eu acho que a epidemia de Ebola é a uma forma de controle da população”, twittou.

Na sequência, ele inseriu mais um post, talvez após ter percebido que anterior havia sido mal recebido. “Deixe eu calar minha b**** preta”.

O rapper foi libertado da prisão no último mês de junho, depois de atacar sua então namorada, a cantora Rihanna, antes do Grammy Awards 2009.

O governo britânico já anunciou a triagem a partir da próxima semana em alguns aeroportos e terminais. “Temos que nos preparar para uma situação cada vez pior”, disse o secretário da Saúde, Jeremy Hunt.

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Bancada evangélica não cresceu como foi propagado na campanha

Retórica do terror sobre família e comunismo não foi suficiente para ampliar apoios

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Magali do Nascimento Cunha, no blog Mídia, Religião e Política

O resultado do primeiro turno das eleições 2014, pelo menos no que diz respeito ao Congresso Nacional, chama a atenção pelo caráter em torno dos resultados. Parlamentares com posições conservadoras em relação a causas sociais se consolidaram como maioria na eleição da Câmara, de acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), consolidada e respeitada organização que há 31 anos monitora e estuda ações dos poderes da República, especialmente o Congresso Nacional. Houve aumento do número de militares (incluindo policiais), de empresários, de ruralistas e de outros segmentos mais identificados com o conservadorismo (o termo conservadorismo é usado aqui no sentido da ciência política referente a posições alinhadas com a manutenção – contrária a mudanças – de determinada ordem sociopolítica, econômica, institucional, ou de crenças, usos e costumes de uma sociedade).

Um balanço mais definitivo do número dos evangélicos eleitos (considerada a dificuldade de identificação dos novatos que não têm títulos religiosos atrelados ao nome) já pode ser apresentado, depois de contatos com vários pesquisadores e especialistas, e acesso à lista divulgada pela assessoria da Frente Parlamentar Evangélica, publicada no jornal O Globo. Fica nítido que este grupo, por conta do perfil dos reeleitos e seus partidos, certamente “engrossará” o cordão conservador na Câmara, mas não alcançou o patamar numérico almejado/propagado.

Evangélicos na Câmara: número não mudou expressivamente

As estimativas analíticas indicavam a denominada “bancada evangélica” chegaria a 100 parlamentares, mantidos os 20% de aumento que se concretizaram nos últimos pleitos. A Frente Parlamentar Evangélica apregoava um crescimento de 30%. Era parte da campanha de lideranças mais destacadas desse segmento de que os evangélicos ganhariam mais poder com mais vagas no congresso. Nomes como deputado Marco Feliciano (PSC-SP) eram propagados com vistas ao alcance de um milhão de votos. Um de seus apoiadores, o Pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo Silas Malafaia, chegou a afirmar ao jornal Folha de S. Paulo: “Se o Feliciano tiver menos de 400 mil votos na próxima eleição, eu estou mudando de nome”. Ele ironizava, em 2013, as ações de movimentos sociais contra a presença do deputado na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (CDHM). E acrescentou: “Quero agradecer ao movimento gay. Quanto mais tempo perderem com o Feliciano, maior será a bancada evangélica em 2014”.

Esta também foi a aposta do partido do deputado Feliciano, o PSC, que decidiu lançar o Pastor Everaldo como candidato à Presidência da República na esteira do sucesso alavancado ao partido com as polêmicas em torno do caso da presidência da CDHM. Essa candidatura revelou-se fracassada, como será abordado adiante.

Já com a divulgação das primeiras listas de deputados evangélicos, ficava claro que as estimativas de 20 a 30% de aumento da bancada não seriam alcançadas. Números se apresentavam, nas mídias religiosas e não-religiosas, ou bem abaixo dos cerca de 100 parlamentares previstos (57 ou 66, entre os mais “realistas”) ou mais próximos da previsão, porém ainda abaixo dos 100 (80 a 82, entre os mais otimistas).

O DIAP divulgou uma primeira lista, em 6 de outubro, com 53 nomes, indicada como “preliminar”. Depois veio “lista provisória” divulgada para a imprensa pela Frente Parlamentar Evangélica (FPE), com 80 nomes (corrigida depois para menos, 79 parlamentares). A relação do DIAP foi publicada em sites evangélicos como o Gospel+ (que atualizou para 57 eleitos, mas destacou a diminuição) e o Gospel Prime (que atualizou para 66, apesar de ter evitado registrar o número total, que, segundo o site, resultou em 66). A primeira relação da FPE, não corrigida, foi publicada pelo jornal O Globo, que destacou o crescimento de 14%.  Esta matéria foi reproduzida pelo site Verdade Gospel, que celebrou os números como crescimento expressivo de 14%, com 80 indicados). O DIAP publicou. em 8 de outubro, uma segunda lista baseada na primeira lista provisória, não corrigida, da FPE, e acrescentou mais três nomes, apresentando um total de 82 parlamentares evangélicos.

Com base nestas listas, em checagem de material de divulgação dos candidatos, bases de dados, contatos locais, e ouvidos analistas e especialistas, foi possível chegar a uma lista mais próxima do definitivo, com 72 nomes. Em comparação com o grupo de 70 eleitos/as na atual legislatura, houve 3% de aumento de deputados identificados como evangélicos na Câmara. Um número muito abaixo dos 20% ou 30% apregoados, e ainda bem inferior aos 14% celebrados pela FPE. Pode-se inferir que a retórica do terror sobre as “ameaças à família” e do “comunismo” não tiveram o efeito numérico almejado.

A relação da FPE, que, inicialmente, chegava a 80 nomes, parece ter sido resultado de uma “caça a nomes” para ampliar a porcentagem de aumento a ser divulgada e evitar divulgar o fracasso numérico, já que, também, sete deputados/as não foram reeleitos/as. Isto pode ser assim entendido porque nove deles não foram identificados, por meio de pesquisa e consultas, como evangélicos: ou declararam filiação católica-romana; ou dizem “se considerar cristãos” e foram apenas apoiados por lideranças de igrejas; ou concorreram por partidos identificados com igrejas, PRB (identificado com a Igreja Universal do Reino de Deus), e PSC (identificado várias denominações) mas não são evangélicos. Um deles, eleito pelo PSC-RJ, foi retirado de uma segunda lista divulgada pela FPE. A relação atualizada do DIAP tem a lista da FPE acrescida de três nomes. Um deles é evangélico, de fato. Os outros dois não são evangélicos: um é católico e o outro não revela identidade religiosa.

Clique aqui para ver a versão final, com revisão das relações apresentadas pelo DIAP e pela FPE (descarte de nomes, correções na situação do/a candidato/a e nas igrejas respectivas). Neste levantamento de MÍDIA, RELIGIÃO E POLÍTICA, o número de deputados/as evangélicos/as eleitos/as é 72, o que equivale a 3% de aumento desta represent­­­­ação na Câmara Federal.

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Aécio dispara e abre 17 pontos de vantagem sobre Dilma, mostra pesquisa Istoé/Sensus

Primeiro levantamento após divulgação de áudios da Petrobrás mostra que escândalo atingiu em cheio campanha da petista

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Mário Simas Filho, na IstoÉ

Primeira pesquisa ISTOÉ\Sensus realizada depois do primeiro turno da sucessão presidencial mostra o candidato Aécio Neves (PSDB) com 58,8% dos votos válidos e a petista Dilma Rousseff com 41,2%. Uma diferença de 17,6 pontos percentuais.

O levantamento feito entre a quarta-feira 7 e o sábado 10 é o primeiro a captar parte dos efeitos provocados pelas revelações feitas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa sobre o detalhamento do esquema de corrupção na estatal. “Além do crescimento da candidatura de Aécio Neves, observa-se um forte aumento na rejeição da presidenta Dilma Rousseff”, afirma Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus.

Segundo a pesquisa, o índice de eleitores que afirmam não votar em Dilma de forma alguma é de 46,3%. A rejeição de Aécio Neves é de 29,2%. “O tamanho da rejeição à candidatura de Dilma, torna praticamente impossível a reeleição da presidenta”, diz Guedes. A pesquisa também capta, segundo o diretor do Sensus, os apoios políticos que Aécio recebeu durante a semana, entre eles o do PSB, PV e PPS.

As 2000 entrevistas feitas em 24 Estados e 136 municípios mostra que houve uma migração do eleitorado à candidatura tucana mais rápida do que as manifestações oficiais dos líderes políticos. No levantamento sobre o total dos votos, Aécio soma 52,4%, Dilma 36,7% e os indecisos, brancos e nulos são 11%, tudo com margem de erro de 2,2% e índice de confiança de 95%. Nos votos espontâneos, quando nenhum nome é apresentado ao eleitor, Aécio soma 52,1%, Dilma fica 35,4% e os indecisos são 12,6%. “A análise de todos esses dados permite afirmar que onda a favor de Aécio detectada nas duas semanas que antecederam o primeiro turno continua muito forte”, diz Guedes.

O tucano, segundo a pesquisa ISTOÉ\Sensus, vence em todas as regiões do País, menos no Nordeste. No PSDB, a expectativa é a de que a diferença a favor de Dilma no Nordeste caia nas próximas pesquisas, principalmente em Pernambuco, na Bahia e no Ceará. Em Pernambuco devido o engajamento da família de Eduardo Campos na campanha, oficializado na manhã do sábado 10. Na Bahia em função da presença mais forte do prefeito de Salvador, ACM Neto, no palanque tucano. E, no Ceará, com a participação do senador eleito Tasso Jereissati.

Além da vantagem regional, Aécio, de acordo com o levantamento, supera Dilma em todas as categorias socioeconômicas, o que, segundo a análise de Guedes, indica que a estratégia petista de apostar na divisão do País entre pobres e ricos não tem dado resultado.

PESQUISA ISTOÉ|Sensus

Realização – Sensus

Registro na Justiça Eleitoral – BR-01076/2014

Entrevistas – 2.000, em cinco regiões, 24 Estados e 136 municípios do País

Metodologia – Cotas para sexo, idade, escolaridade, renda e urbano e rural

Campo – de 07 a 10 de Outubro de 2014

Margem de erro – +/- 2,2%

Confiança – 95%

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Com Marina, intenções de voto no PSB sobem 300% entre jovens e pentecostais

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Wellington Ramalhoso, na Folha de S.Paulo

A pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (18) mostra que a possibilidade de a ex-senadora Marina Silva encabeçar a chapa do PSB faz crescer as intenções de voto no partido e que o aumento é ainda mais expressivo entre os evangélicos pentecostais e os jovens. Nos dois segmentos, o salto é de 300%.

No total da amostra de 2.843 entrevistados, Marina aparece com 21% das intenções de voto, quase o triplo dos 8% que o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos tinha no levantamento anterior do instituto, divulgado em 17 de julho.

A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, permaneceu na liderança com 36%. O senador Aécio Neves (MG), candidato a presidente pelo PSDB, se manteve com 20%.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo, mas ela sobe nos estratos por causa do número menor de entrevistas feitas dentro de cada um deles.

Entre os evangélicos pentecostais, Campos estava com 6% em julho e Marina obtém agora 24%, o que a coloca em empate técnico com Dilma no primeiro lugar.

A petista tem 32% entre os pentecostais, mas o empate com Marina acontece porque a margem de erro no segmento é de quatro pontos para mais ou para menos.

Neste estrato religioso, Aécio aparece em terceiro lugar, com 15%, e a soma de indecisos e eleitores dispostos a votar em branco ou nulo despencou de 31% em julho para 17% em agosto.

Entre os eleitores de 16 a 24 anos, Campos possuía 7% no mês passado e Marina angaria o apoio de 28% em agosto. Neste segmento, a margem de erro é de cinco pontos. Dessa forma, a ex-senadora fica em empate técnico com Dilma, que soma 32%, mas também com Aécio, que tem 18%.

Com a hipótese de Marina ser candidata a presidente, a proporção de eleitores indecisos ou dispostos a votar em branco ou nulo caiu praticamente pela metade nesta faixa etária: de 29% para 15%.

Mesmo com a margem de erro mais elevada, o resultado indica o potencial de Marina nos dois segmentos. Candidata a vice, a ex-senadora deve ser elevada à condição de candidata a presidente depois da morte de Eduardo Campos em um acidente de avião na semana passada em Santos (SP).

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