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Crianças reagem horrorizadas a Walkman e fitas cassetes

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Publicado na Rolling Stone

Para a maioria dos adultos de hoje em dia, a era antes dos iPhones, Shazam e Spotify traz um sentimento de nostalgia. Para as crianças de 2014, soa como um tempo cruel com punições estranhas. Em seu último vídeo da série “Kids React” [Crianças reagem], os irmãos Benny e Rafi Fine, do canal TheFineBros no YouTube, juntaram sua gangue de meninos e meninas para apresentar a eles uma relíquia estranha, o Walkman – prepare-se para reações hilárias.

Depois de se deparar com o objeto, Krischelle, de 9 anos, achou que se tratava de um telefone. Depois, percebeu que estava errada: “O que é essa coisa?”. Enquanto isso, Jayka, de onze anos, pegou o aparelho e começou a apertar botões aleatórios – provavelmente, esperando que Siri se manifestasse para ajudá-la. Outra excelente reação veio de Derek, de 13 anos, que manuseou o Walkman como um cubo mágico.

Os entrevistadores fizeram algumas perguntas às crianças, começando com a mais óbvia. Quando tentaram adivinhar o que era o tocador de música antiquado, chutaram “walkie-talkie” e “boombox”. “São que nem os dos filmes?”, pergunta Krischelle. A partir daí, elas tentaram ligar o aparelho, levando a uma série de tentativas diferentes para colocar a fita cassete. Além disso, as crianças também ficaram horrorizadas com os fones dos anos 1980, a ideia de correr com um objeto tão pesado e o conceito de rebobinar e “fast-foward”.

“Eu não consigo me imaginar vivendo na época de vocês”, confessou uma das crianças chocadas, examinando o Walkman como se fosse um ovo de dinossauro.

Jornalista dinamarquês se decepciona com Fortaleza e desiste de cobrir Copa

Mikkel Jensen desistiu da Copa do Mundo no Brasil

Mikkel Jensen desistiu da Copa do Mundo no Brasil

Hayanne Narlla, na Tribuna do Ceará [via UOL]

Até aonde você iria por um sonho? O jornalista dinamarquês Mikkel Jensen desejava cobrir a Copa do Mundo no Brasil, o “país do futebol”. Preparou-se bem: estudou português, pesquisou sobre o país e veio para cá em setembro de 2013.

Em meio a uma onda de críticas e análises de fora sobre os problemas sociais do Brasil, Mikkel quis registrar a realidade daqui e divulgar depois. A missão era, além de mostrar o lado belo, conhecer o ruim do país que sediará a Copa do Mundo. Tendo em vista isso, entrevistou várias crianças que moram em comunidades ou nas ruas.

Em março de 2014, ele veio para Fortaleza, a cidade-sede mais violenta, com base em estatísticas da Organização das Nações Unidas (ONU). Ao conhecer a realidade local, o jornalista se decepcionou. “Eu descobri que todos os projetos e mudanças são por causa de pessoas como eu – um gringo – e também uma parte da imprensa internacional. Eu sou um cara usado para impressionar”.

Descobriu a corrupção, a remoção de pessoas, o fechamento de projetos sociais nas comunidades. E ainda fez acusações sérias. “Falei com algumas pessoas que me colocaram em contato com crianças da rua e fiquei sabendo que algumas estão desaparecidas. Muitas vezes, são mortas quando estão dormindo à noite em área com muitos turistas”.

Desistiu das belas praias e do sol o ano inteiro. Voltou para a Dinamarca na segunda-feira (14). O medo foi notícia em seu país, tendo grande repercussão. Acredita que somente com educação e respeito é que as coisas vão mudar. “Assim, talvez, em 20 anos [os ricos] não precisem colocar vidro à prova de balas nas janelas”. E para Fortaleza, ou para o Brasil, talvez não volte mais. Quem sabe?

Confira na íntegra o depoimento:

A Copa – uma grande ilusão preparada para os gringos

Quase dois anos e meio atrás eu estava sonhando em cobrir a Copa do Mundo no Brasil. O melhor esporte do mundo em um país maravilhoso. Eu fiz um plano e fui estudar no Brasil, aprendi português e estava preparado para voltar.

Voltei em setembro de 2013. O sonho seria cumprido. Mas hoje, dois meses antes da festa da Copa, eu decidi que não vou continuar aqui. O sonho se transformou em um pesadelo.

Durante cinco meses fiquei documentando as consequências da Copa. Existem várias: remoções, forças armadas e PMs nas comunidades, corrupção, projetos sociais fechando. Eu descobri que todos os projetos e mudanças são por causa de pessoas como eu – um gringo – e também uma parte da imprensa internacional. Eu sou um cara usado para impressionar.

Em março, eu estive em Fortaleza para conhecer a cidade mais violenta a receber um jogo de Copa do Mundo até hoje. Falei com algumas pessoas que me colocaram em contato com crianças da rua, e fiquei sabendo que algumas estão desaparecidas. Muitas vezes, são mortas quando estão dormindo à noite em área com muitos turistas. Por quê? Para deixar a cidade limpa para os gringos e a imprensa internacional? Por causa de mim?

Em Fortaleza eu encontrei com Allison, 13 anos, que vive nas ruas da cidade. Um cara com uma vida muito difícil. Ele não tinha nada – só um pacote de amendoins. Quando nos encontramos ele me ofereceu tudo o que tinha, ou seja, os amendoins. Esse cara, que não tem nada, ofereceu a única coisa de valor que tinha para um gringo que carregava equipamentos de filmagem no valor de R$ 10.000 e um Master Card no bolso. Inacreditável.

Mas a vida dele está em perigo por causa de pessoas como eu. Ele corre o risco de se tornar a próxima vítima da limpeza que acontece na cidade de Fortaleza.

Eu não posso cobrir esse evento depois de saber que o preço da Copa não só é o mais alto da história em reais – também é um preço que eu estou convencido incluindo vidas das crianças.

Hoje, vou voltar para Dinamarca e não voltarei para o Brasil. Minha presença só está contribuindo para um desagradável show do Brasil. Um show, que eu dois anos e meio atrás estava sonhando em participar, mas hoje eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para criticar e focar no preço real da Copa do Mundo do Brasil.

Alguém quer dois ingressos para França x Equador no dia 25 de junho?

Mikkel Jensen – Jornalista independente da Dinamarca

O Tribuna do Ceará entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) para comentar acerca da possível “matança” comentada pelo jornalista dinamarquês, mas até a publicação desta matéria não foi enviada a resposta.

(*) A pedido de Mikkel, este artigo foi publicado com o jornalista já na Dinamarca

Ursinho de brinquedo leva mensagem da família para crianças internadas

Elielson Ferreira Matos, 5, ouve mensagem em seu ursinho

Elielson Ferreira Matos, 5, ouve mensagem em seu ursinho

Cláudia Collucci, na Folha de S.Paulo

Ao apertar a mão do ursinho, Elielson, 5, sorri: dali sai a voz carinhosa da madrinha Imia dizendo que sente saudade e que deseja que ele melhore e volte logo para casa.

Diagnosticado com leucemia aos 47 dias de nascimento, o menino já passou por várias internações. Ele recebeu transplante de medula óssea em fevereiro, contraiu infecção e segue internado.

Elielson é uma das crianças internadas no Hospital Amaral Carvalho, em Jaú (SP), referência em oncologia infantil, que ganharam ursinhos especiais. Eles receberam um equipamento que recebe mensagens de áudio, mandadas via WhatsApp, e caixas de som. Um mecanismo liga a mão dos bichinhos ao dispositivo, liberando as mensagens armazenadas.

Cada criança tem um número, passado aos familiares. Foi por meio dele que Elielson conversou com a madrinha, que mora em São Luís.

“Ele adora o ursinho, não larga por nada. Toda hora ouve as mensagens”, diz a mãe, Cleudiana Ferreira, 33, que deixou outros dois filhos, de 7 e 14 anos, no Maranhão aos cuidados de familiares.

Segundo a oncologista pediátrica Claudia Teresa de Oliveira, chefe da pediatria do hospital, a ideia do ursinho “high tech” surgiu como forma de diminuir a solidão das crianças internadas, que ficam isoladas do resto da família durante o tratamento.

“Recebemos muitas crianças de outros Estados. São famílias carentes, que não têm acesso à tecnologia. Para elas, o ursinho alegra o dia, ameniza o efeito hospital.”

Com o projeto, o hospital incentiva que familiares e amigos enviem mensagens. “O carinho faz uma enorme diferença na recuperação da criança. Não conseguimos medir em números, mas a melhoria do bem-estar delas é visível”, diz a médica.

No Instituto da Criança do HC da USP, as crianças se conectam com os familiares por meio do Facebook, nos computadores existentes nas cinco brinquedotecas.

O instituto ainda ampliou o horário de visitas até a noite. “Nos próximos meses, vamos liberar para que o familiar venha a hora que quiser”, diz a coordenadora de humanização, Jaqueline Lara.

Duas vezes por mês, as crianças recebem a visita de cães. “Uma criança viu pela primeira vez um cão aqui. Ela nasceu na maternidade e ficou quatro anos internada.”

No Hospital de Câncer de Barretos também há várias ações para amenizar o sofrimento dos pequenos, como a quimioteca, que oferece jogos e brinquedos durante as sessões de quimioterapia.

O hospital também é pioneiro no modelo de atender a criança e acolher a família. “O paciente fica no apartamento com um parente e a família se hospeda nos alojamentos no entorno do hospital”, afirma Henrique Prata, presidente da instituição.

No caso de crianças em fase de cuidados paliativos, toda a família fica hospedada em apartamentos na unidade infanto-juvenil. “Não importa se a família é grande ou pequena. Hospedamos todos, pai, mãe e filhos”, afirma.

Junto com a mãe, Andreia Aparecida Silva Rocha, Francisco, grava mensagem para o irmão que está internado

Junto com a mãe, Andreia Aparecida Silva Rocha, Francisco, grava mensagem para o irmão que está internado

LIGA, RONILDO
O ursinho distribuído a 30 crianças no Hospital Amaral Carvalho foi criado em parceria com a FOM, fabricante de travesseiros, almofadas e brinquedos antialérgicos.

Ele recebeu o nome de “Elo”–por ter a função de ligar as crianças às pessoas que mais amam. Mas nem sempre atinge esse objetivo.

Ao final da entrevista, Cleudiana, mãe de Elielson, manda um recado para o pai do garoto: “Ronildo, liga para saber do teu filho. Ele está com saudade, pergunta onde você está”. Ela não tem notícias do ex-marido desde fevereiro.

Veja o vídeo das crianças com o urso Elo:

Procon-RJ recolhe ovo Bis Xtra+ por incitar bullying

Ação é motivada por frase para personalizar embalagem e sacanear o amigo

Frase na embalagem para sacanear amigo levou a ação do Procon-RJ (foto: Divulgação Procon-RJ)

Frase na embalagem para sacanear amigo levou a ação do Procon-RJ (foto: Divulgação Procon-RJ)

Andrea Freitas, em O Globo

O Procon-RJ está retirando das prateleiras de supermercados e lojas de departamento ovos de páscoa Bis Xtra + Chocolate, da Lacta, por que a frase “personalize a embalagem com adesivos e sacaneie seu amigo” incita adolescentes e crianças à prática de bullying. O órgão também instaurou um processo administrativo nesta quarta-feira contra a fabricante do produto, a Mondelez Brasil, suspende a comercialização e determinando a apreensão dos chocolates que estejam à venda.

De acordo com o Procon-RJ, a campanha publicitária do produto e a mensagem transmitida em sua embalagem estão em desacordo com o artigo 37, parágrafo 2°, do Código de Defesa do Consumidor, por incentivar a discriminação entre crianças e adolescentes. O processo determina que as vendas do ovo Bis Xtra + Chocolate estarão suspensas até que a mensagem em sua embalagem seja alterada e deixe de conter os textos de incitação à prática de bullying.

Entre os adesivos que podem ser utilizados por quem adquiriu o ovo de Páscoa estão expressões como “morto de fome”, “nerd” e “nervosinho”. No processo administrativo, o órgão estadual considera que, num momento em que o bullying vem sendo discutido pela sociedade, é inadmissível que um produto direcionado a crianças e adolescentes incite qualquer tipo de violência, inclusive a verbal, entre eles.

- A Páscoa possui uma mensagem de paz e confraternização e esta campanha manda sacanear os outros? – disse a secretária de Estado de Proteção e Defesa do Consumidor, Cidinha Campos.

A ação foi motivada por relatos nas redes sociais e na mídia, não tendo havido reclamação formal junto ao órgão. Segundo o Procon-RJ, os gerentes dos estabelecimentos que forem visitados pelos fiscais do órgão serão responsáveis por informar a todas as filiais das redes em que trabalham sobre a suspensão da venda do produto.

Procurada pelo GLOBO, a Mondelēz Brasil informou que não foi notificada pelo Procon-RJ, até o presente momento, sobre qualquer questionamento oficial envolvendo o ovo de Páscoa Bis Xtra e, por esse motivo, não pode comentar o caso.

dica do Ailsom Heringer

Voo vontra o câncer

É impossível não derramar uma lágrima…

Publicado por Marili Ribeiro

Manoela, quatro anos e meio, acordou levemente mal-humorada e disse para a mãe, Gisela Moreira Martins Campolina, que sua perna estava quebrada. Estranhando o comentário, já que a menina não tinha nada visível ou palpável e nem havia tomando qualquer tombo, a mãe acariciou-lhe a cabeça e aconselhou que fosse brincar. Começava ali, faz alguns meses, uma fase dura na vida das duas. Bem dura. A sensação de “perna quebrada” tinha nome: sarcoma de Ewing, um tumor ósseo maligno que atinge principalmente crianças na primeira década de vida. Uma doença com alto risco de metástase e, nesse quadro, chances mais limitadas de sobrevida. Quando Manoela foi diagnosticada, um dos pulmões também estava comprometido.

No vídeo acima, produzido pela agência WMcCann, Manoela havia chegado há menos de um mês para tratamento no Hospital de Câncer de Barretos (HCB), vinda de Belo Horizonte (MG). Tinha ainda seus longos cabeços pretos, como pode ser visto nos créditos finais da filmagem com esse simpático avião da solidariedade, confeccionado em papelão e graça num hangar do velho Aeroporto Chafei Amsei, em Barretos, a 440 km da capital.

A cidade foi escolhida pela mãe de Manoela – agora carequinha, frágil e abatida – para tentar fazê-la superar o pesado tratamento que se dá com remoção cirúrgica, quimioterapia e radioterapia. “Era o único hospital no Brasil que oferecia um tratamento gratuito com médicos intensivistas, o que é essencial, porque o paciente infantil fica muito debilitado”, explica Gisele, sem qualquer expressão no olhar. Eu, engolindo em seco, pergunto sobre as expectativas. Ela se limita a acrescentar: “Larguei tudo em Belô e me mudei para cá. Sempre vivi do meu trabalho como fotógrafa e designer… Então, minha vida parou. Não quero imaginar como seria sem esse hospital”.

Os dramas individuais dos pequenos pacientes do HCB, que agradecem à criação de uma linha aérea para Barretos em mais uma etapa da campanha desenvolvida há quase um ano pela WMcCann, interferiram muito pouco no dia gravação. Eles encararam a tarefa com afinco e até como diversão. Afinal, tudo rolou em clima de brincadeira e deixou-os longe da difícil rotina hospitalar, ainda que por algumas horas.

A dupla de publicitários da agência, Rodrigo Guimarães e Bruno Guimarães Silva, que respondeu pela criação da campanha não esconde que se emocionou. E muito. “Um dia antes, uma equipe treinou as falas com as crianças selecionadas entre as que apresentaram mais condições de colaborar”, conta Rodrigo. “ Chegamos para gravar e eles foram fantásticos! Erraram pouquíssimo, e, por isso mesmo, resolvemos deixar os pequenos deslizes. Foi um dia gratificante. O Ricardo ‘Gordo’ Carvalho (diretor especializado em filmes publicitários com crianças da produtora Conspiração Filmes) ficou tão sensibilizado que disse querer empreender uma ajuda mais efetiva para crianças com câncer”. O HCB atende 300 novos casos de cânceres infantis por ano. No Brasil, eles somam 12 mil.

voo-barretos-cc3a2ncer-wNo último sábado (22/03/2014), Washington Olivetto, chairman da WMcCann e responsável por encampar a campanha de criação de um voo regular para a cidade de Barretos para atender a demanda de todos pacientes do HCB (além das crianças há adultos), levou o filho Theo para visitar as instalações do hospital. Não é exatamente um passeio agradável, mas o menino de menos de dez anos acompanhou atento e em silêncio.

O lado bom da visita é que o que o diretor-geral do hospital Henrique Prata apresenta é bom de ver. É um Brasil que dá certo. Um hospital oncológico moderno que dispõe do maior banco de células cancerígenas do País. Faz quase quatro mil atendimentos por dia, de gente que vem de 1.541 municípios de 27 estados. Quase a totalidade dos atendimentos é via SUS. O governo entra com R$ 15 milhões por mês. O hospital gasta R$ 23 milhões para manter a sofisticada estrutura com 260 médicos que trabalham em tempo integral, além de mais de três mil colaboradores. A diferença, de R$ 8 milhões para fechar a conta, depende de doações. Prata não tem vergonha de correr atrás. Foi assim que chegou em Olivetto e contou com a contribuição para a campanha pela modernização do aeroporto e autorização para liberação de linha aérea regular no município.

A campanha http://www.voocontraocancer.com.br fez com que mais de 252 mil pessoas reservassem assentos num avião virtual. Ação que causou impacto com milhões de compartilhamentos nas redes sociais. Tanto que o governo federal se comprometeu a investir no abandonado aeroporto de Barretos. E, melhor, a Passaredo Linhas Aéreas, que levou Olivetto e seus convidados para a visita ao HCB, já entregou sua carta de intenção para operar voos regulares para a cidade. A doença é cruel e a solidariedade alivia. Que seja constante.