Arquivo da tag: crianças

O dia em que visitei o Egito

patriarca coptaRicardo Gondim

Há 4 anos visitei o Egito. Andei pelas ruas de Cairo. Tudo me chamou a atenção. As mulheres, escondidas sob véus negros, pareciam monjas reclusas. Os homens, magros em sua grande maioria, caminhavam pela ruas de mãos dadas.

Rodopiei. Um tornado cultural me deixou tonto. Tentei decifrar uma história milenar, que jamais entenderei completamente. Islam, quase onipresente, prevalece por todo o Egito. Notei que era minoria – de novo. Eu não conseguia me esconder, destaquei no meio da multidão. Me senti frágil. Tive medo. Nas alamedas estreitas de Cairo, notei a força da paranóia que a mídia ocidental passa. A propaganda imperial de que o Oriente médio é inimigo gruda na gente. Eu pressentia – erroneamente – que uma bomba estava prestes a explodir na próxima esquina. Cheguei a ver terroristas onde não existia nenhum.

Me perdi no árabe. Eu simplesmente não conseguia decifrar duas letras de um alfabeto que poderia ajudar a saber em que esquina eu estava. Em outra cultura vemos como somos provincianos. É difícil lidar com cheiros, paladares e paisagens novos. Em uma cultura em que tudo espanta, tudo choca, tudo fascina, a gente consegue avaliar a estreiteza da própria mente.

Compareci a uma Igreja Ortodoxa Copta. O padre era um velhinho, mistura de Frei Damião com pastor evangélico.  A igreja, iniciada no aterro de lixo da cidade, virou centro de romaria. O padre copta conduz uma paróquia que luta para mudar a sorte de centenas de milhares que vivem nos arredores do lixão de Cairo. Seu trabalho visa aliviar a miséria mais abjeta. Seu ministério oferece espaço de esperança e reconstrução para mulheres e crianças. No Brasil, entretanto, uma igreja que atrai tantos pobres e sincretiza vários perfis religiosos jamais seria tolerada pelo status quo evangélico. No Egito, aquela igreja é tida como uma renovação dentro da ortodoxia copta.

Fui ao Egito para participar de uma reunião de pastores e líderes evangélicos de países do sul do Equador. Éramos 40. Por acontecer no Egito, a reunião ganhou ares de conspiração. Como há muito abandonei a ambição de ganhar o mundo, eu me senti fora das aspirações do grupo. Querer ganhar o mundo desestabiliza a alma. Megalomania mina o dia a dia despretensioso e sufoca as relações desinteressadas. Me preocupei sobremaneira em notar um ambiente belicoso e intolerante entre os pastores. Em determinado momento ouvi de um deles: o islamismo é o último gigante a ser abatido antes da volta de Cristo. Minha reação imediata foi: em que essa atitude difere dos terroristas que odeiam os ocidentais, e os tratam como irmãos de satanás?

Anos depois da viagem, medito. O que significa ser cristão no mundo atual? Quem poderia amenizar tanta hostilidade? Um neo-ateísmo destila rancor contra a religião. Religiosos se estapeiam em nome da verdade que acreditam possuir. Palestinos sofrem horrores, acossados pela miséria e por um poder militar portentoso. O Islam cresce com taxas vertiginosas em diferentes regiões do mundo. Séculos depois, os mouros retomam a Europa. A França impactada pelo Iluminismo não se conforma em conviver com tanta burca, mesquista monumental e tapete estendido para reza.

Noto os líderes evangélicos assustados. Com todo o planejamento gerencial, com todo o discurso triunfalista de que Deus é por nós, pastores não entendem como os seguidores de Maomé se multiplicam como cogumelo. Enquanto os evangélicos se perdem com cultos ensimesmados e tentam provar a autenticidade da mensagem com milagre, o fenômeno religioso islâmico continua forte. Ficam as perguntas: até quando a brecha entre cristianismo e islamismo favorecerá interesses geopolíticos? Quando ortodoxos russos, gregos, coptas, armênios, católicos romanos e protestantes – junto com os longínquos evangélicos – começam a dialogar?

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

10 ideias “faça você mesmo” de Páscoa que deram totalmente errado

Publicado no BuzzFeed

1. A ideia: fazer esses lindos pãezinhos em formato de coelho.

enhanced-21704-1397772669-27

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O resultado: bolotas disformes.

enhanced-9792-1397772671-3

(Gostaria de acrescentar que eu comeria assim mesmo).

O resultado parte 2: um cruzamento de coelhinhos e Jabba the Hutt.

enhanced-27316-1397772674-8

2. A ideia: uma simpática panqueca com cara de coelho. 

enhanced-10309-1397772675-16

O resultado: tirem as crianças da sala.

enhanced-21965-1397772681-2

 3. A ideia: rosquinhas estilizadas de coelho.

enhanced-15275-1397832514-2

 

 

 

 

 

 

 

 

O resultado: A Coisa, aquela massa que se expandia e matava pessoas no filme dos anos 80.

edit-14726-1397831504-3

4. A ideia: cake pops em formato de pintinhos.

enhanced-2912-1397830600-7

 

O resultado: um pintinho atropelado.

enhanced-29848-1397830617-9

5. A ideia: cestinhas de cupcake com miniovinhos de confeito.

enhanced-16857-1397830945-4

O resultado: caos.

enhanced-14205-1397830970-11

6. A ideia: morangos decorados como cenouras.

enhanced-10693-1397772681-8

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O resultado: bom, deixa pra lá.

edit-26850-1397832664-3

7. A ideia: docinhos decorados com coelhinhos.

enhanced-10345-1397772683-9

O resultado: melhor sorte da próxima vez, ok.

enhanced-21906-1397772684-16

8. A ideia: ovos cozidos recheados com decoração de pintinhos.

enhanced-10433-1397772685-3

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O resultado: fantasminhas com chapéu de ovo.

enhanced-9597-1397772686-13

9. A ideia: biscoitinhos em formato de galinha.

enhanced-11586-1397831045-21

 

 

 

 

 

 

O resultado: pintinhos transgênicos.

enhanced-14038-1397831064-6

10. A ideia: nail art de coelho, ovinho e pintinho.

enhanced-10197-1397772689-16

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O resultado: arte abstrata.  

edit-31755-1397832627-3

Crianças reagem horrorizadas a Walkman e fitas cassetes

img-1022621-kids-react

Publicado na Rolling Stone

Para a maioria dos adultos de hoje em dia, a era antes dos iPhones, Shazam e Spotify traz um sentimento de nostalgia. Para as crianças de 2014, soa como um tempo cruel com punições estranhas. Em seu último vídeo da série “Kids React” [Crianças reagem], os irmãos Benny e Rafi Fine, do canal TheFineBros no YouTube, juntaram sua gangue de meninos e meninas para apresentar a eles uma relíquia estranha, o Walkman – prepare-se para reações hilárias.

Depois de se deparar com o objeto, Krischelle, de 9 anos, achou que se tratava de um telefone. Depois, percebeu que estava errada: “O que é essa coisa?”. Enquanto isso, Jayka, de onze anos, pegou o aparelho e começou a apertar botões aleatórios – provavelmente, esperando que Siri se manifestasse para ajudá-la. Outra excelente reação veio de Derek, de 13 anos, que manuseou o Walkman como um cubo mágico.

Os entrevistadores fizeram algumas perguntas às crianças, começando com a mais óbvia. Quando tentaram adivinhar o que era o tocador de música antiquado, chutaram “walkie-talkie” e “boombox”. “São que nem os dos filmes?”, pergunta Krischelle. A partir daí, elas tentaram ligar o aparelho, levando a uma série de tentativas diferentes para colocar a fita cassete. Além disso, as crianças também ficaram horrorizadas com os fones dos anos 1980, a ideia de correr com um objeto tão pesado e o conceito de rebobinar e “fast-foward”.

“Eu não consigo me imaginar vivendo na época de vocês”, confessou uma das crianças chocadas, examinando o Walkman como se fosse um ovo de dinossauro.

Jornalista dinamarquês se decepciona com Fortaleza e desiste de cobrir Copa

Mikkel Jensen desistiu da Copa do Mundo no Brasil

Mikkel Jensen desistiu da Copa do Mundo no Brasil

Hayanne Narlla, na Tribuna do Ceará [via UOL]

Até aonde você iria por um sonho? O jornalista dinamarquês Mikkel Jensen desejava cobrir a Copa do Mundo no Brasil, o “país do futebol”. Preparou-se bem: estudou português, pesquisou sobre o país e veio para cá em setembro de 2013.

Em meio a uma onda de críticas e análises de fora sobre os problemas sociais do Brasil, Mikkel quis registrar a realidade daqui e divulgar depois. A missão era, além de mostrar o lado belo, conhecer o ruim do país que sediará a Copa do Mundo. Tendo em vista isso, entrevistou várias crianças que moram em comunidades ou nas ruas.

Em março de 2014, ele veio para Fortaleza, a cidade-sede mais violenta, com base em estatísticas da Organização das Nações Unidas (ONU). Ao conhecer a realidade local, o jornalista se decepcionou. “Eu descobri que todos os projetos e mudanças são por causa de pessoas como eu – um gringo – e também uma parte da imprensa internacional. Eu sou um cara usado para impressionar”.

Descobriu a corrupção, a remoção de pessoas, o fechamento de projetos sociais nas comunidades. E ainda fez acusações sérias. “Falei com algumas pessoas que me colocaram em contato com crianças da rua e fiquei sabendo que algumas estão desaparecidas. Muitas vezes, são mortas quando estão dormindo à noite em área com muitos turistas”.

Desistiu das belas praias e do sol o ano inteiro. Voltou para a Dinamarca na segunda-feira (14). O medo foi notícia em seu país, tendo grande repercussão. Acredita que somente com educação e respeito é que as coisas vão mudar. “Assim, talvez, em 20 anos [os ricos] não precisem colocar vidro à prova de balas nas janelas”. E para Fortaleza, ou para o Brasil, talvez não volte mais. Quem sabe?

Confira na íntegra o depoimento:

A Copa – uma grande ilusão preparada para os gringos

Quase dois anos e meio atrás eu estava sonhando em cobrir a Copa do Mundo no Brasil. O melhor esporte do mundo em um país maravilhoso. Eu fiz um plano e fui estudar no Brasil, aprendi português e estava preparado para voltar.

Voltei em setembro de 2013. O sonho seria cumprido. Mas hoje, dois meses antes da festa da Copa, eu decidi que não vou continuar aqui. O sonho se transformou em um pesadelo.

Durante cinco meses fiquei documentando as consequências da Copa. Existem várias: remoções, forças armadas e PMs nas comunidades, corrupção, projetos sociais fechando. Eu descobri que todos os projetos e mudanças são por causa de pessoas como eu – um gringo – e também uma parte da imprensa internacional. Eu sou um cara usado para impressionar.

Em março, eu estive em Fortaleza para conhecer a cidade mais violenta a receber um jogo de Copa do Mundo até hoje. Falei com algumas pessoas que me colocaram em contato com crianças da rua, e fiquei sabendo que algumas estão desaparecidas. Muitas vezes, são mortas quando estão dormindo à noite em área com muitos turistas. Por quê? Para deixar a cidade limpa para os gringos e a imprensa internacional? Por causa de mim?

Em Fortaleza eu encontrei com Allison, 13 anos, que vive nas ruas da cidade. Um cara com uma vida muito difícil. Ele não tinha nada – só um pacote de amendoins. Quando nos encontramos ele me ofereceu tudo o que tinha, ou seja, os amendoins. Esse cara, que não tem nada, ofereceu a única coisa de valor que tinha para um gringo que carregava equipamentos de filmagem no valor de R$ 10.000 e um Master Card no bolso. Inacreditável.

Mas a vida dele está em perigo por causa de pessoas como eu. Ele corre o risco de se tornar a próxima vítima da limpeza que acontece na cidade de Fortaleza.

Eu não posso cobrir esse evento depois de saber que o preço da Copa não só é o mais alto da história em reais – também é um preço que eu estou convencido incluindo vidas das crianças.

Hoje, vou voltar para Dinamarca e não voltarei para o Brasil. Minha presença só está contribuindo para um desagradável show do Brasil. Um show, que eu dois anos e meio atrás estava sonhando em participar, mas hoje eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para criticar e focar no preço real da Copa do Mundo do Brasil.

Alguém quer dois ingressos para França x Equador no dia 25 de junho?

Mikkel Jensen – Jornalista independente da Dinamarca

O Tribuna do Ceará entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) para comentar acerca da possível “matança” comentada pelo jornalista dinamarquês, mas até a publicação desta matéria não foi enviada a resposta.

(*) A pedido de Mikkel, este artigo foi publicado com o jornalista já na Dinamarca

Ursinho de brinquedo leva mensagem da família para crianças internadas

Elielson Ferreira Matos, 5, ouve mensagem em seu ursinho

Elielson Ferreira Matos, 5, ouve mensagem em seu ursinho

Cláudia Collucci, na Folha de S.Paulo

Ao apertar a mão do ursinho, Elielson, 5, sorri: dali sai a voz carinhosa da madrinha Imia dizendo que sente saudade e que deseja que ele melhore e volte logo para casa.

Diagnosticado com leucemia aos 47 dias de nascimento, o menino já passou por várias internações. Ele recebeu transplante de medula óssea em fevereiro, contraiu infecção e segue internado.

Elielson é uma das crianças internadas no Hospital Amaral Carvalho, em Jaú (SP), referência em oncologia infantil, que ganharam ursinhos especiais. Eles receberam um equipamento que recebe mensagens de áudio, mandadas via WhatsApp, e caixas de som. Um mecanismo liga a mão dos bichinhos ao dispositivo, liberando as mensagens armazenadas.

Cada criança tem um número, passado aos familiares. Foi por meio dele que Elielson conversou com a madrinha, que mora em São Luís.

“Ele adora o ursinho, não larga por nada. Toda hora ouve as mensagens”, diz a mãe, Cleudiana Ferreira, 33, que deixou outros dois filhos, de 7 e 14 anos, no Maranhão aos cuidados de familiares.

Segundo a oncologista pediátrica Claudia Teresa de Oliveira, chefe da pediatria do hospital, a ideia do ursinho “high tech” surgiu como forma de diminuir a solidão das crianças internadas, que ficam isoladas do resto da família durante o tratamento.

“Recebemos muitas crianças de outros Estados. São famílias carentes, que não têm acesso à tecnologia. Para elas, o ursinho alegra o dia, ameniza o efeito hospital.”

Com o projeto, o hospital incentiva que familiares e amigos enviem mensagens. “O carinho faz uma enorme diferença na recuperação da criança. Não conseguimos medir em números, mas a melhoria do bem-estar delas é visível”, diz a médica.

No Instituto da Criança do HC da USP, as crianças se conectam com os familiares por meio do Facebook, nos computadores existentes nas cinco brinquedotecas.

O instituto ainda ampliou o horário de visitas até a noite. “Nos próximos meses, vamos liberar para que o familiar venha a hora que quiser”, diz a coordenadora de humanização, Jaqueline Lara.

Duas vezes por mês, as crianças recebem a visita de cães. “Uma criança viu pela primeira vez um cão aqui. Ela nasceu na maternidade e ficou quatro anos internada.”

No Hospital de Câncer de Barretos também há várias ações para amenizar o sofrimento dos pequenos, como a quimioteca, que oferece jogos e brinquedos durante as sessões de quimioterapia.

O hospital também é pioneiro no modelo de atender a criança e acolher a família. “O paciente fica no apartamento com um parente e a família se hospeda nos alojamentos no entorno do hospital”, afirma Henrique Prata, presidente da instituição.

No caso de crianças em fase de cuidados paliativos, toda a família fica hospedada em apartamentos na unidade infanto-juvenil. “Não importa se a família é grande ou pequena. Hospedamos todos, pai, mãe e filhos”, afirma.

Junto com a mãe, Andreia Aparecida Silva Rocha, Francisco, grava mensagem para o irmão que está internado

Junto com a mãe, Andreia Aparecida Silva Rocha, Francisco, grava mensagem para o irmão que está internado

LIGA, RONILDO
O ursinho distribuído a 30 crianças no Hospital Amaral Carvalho foi criado em parceria com a FOM, fabricante de travesseiros, almofadas e brinquedos antialérgicos.

Ele recebeu o nome de “Elo”–por ter a função de ligar as crianças às pessoas que mais amam. Mas nem sempre atinge esse objetivo.

Ao final da entrevista, Cleudiana, mãe de Elielson, manda um recado para o pai do garoto: “Ronildo, liga para saber do teu filho. Ele está com saudade, pergunta onde você está”. Ela não tem notícias do ex-marido desde fevereiro.

Veja o vídeo das crianças com o urso Elo: