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Três mil trabalhadores foram resgatados do trabalho escravo em 2012

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Guilherme Zocchio, no MST

Números divulgados nesta segunda-feira (13) pela Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae), órgão do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), indicam que no Brasil 2.849 trabalhadores foram resgatados de condições análogas às de escravo no ano de 2012.

Os resgates decorreram de 255 ações de fiscalização, ao todo, realizadas pelo MTE. O total representa aumento de quase 15% na quantidade de casos de escravidão contemporânea no ano de 2011, quando houve o flagrante de 2.491vítimas. O ano passado também superou a marca de 2010, que contabilizou 2.628 pessoas resgatadas.

“O importante é observar o número de pessoas resgatadas em relação à quantidade de fiscalizações”, considera o coordenador do Projeto de Combate ao Trabalho Escravo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Luís Machado.

“É possível perceber uma mudança principalmente no meio rural, onde o foco das situações de trabalho escravo não mais está associado à restrição de liberdade, mas aparece nas condições degradantes ou na jornada exaustiva de serviço”, explica.

O representante da OIT atribui essa alteração no cenário aos quase 18 anos de combate à escravidão. As ações de inspeção sobre a escravidão contemporânea no país começaram em 1995.

Libertação recorde

A Detrae também dá destaque, no levantamento sobre o ano de 2012, à libertação de 150 trabalhadores de condições análogas às de escravo durante uma fiscalização na região de Marabá, no Pará. Essa foi a ação fiscal em que mais pessoas foram resgatadas no ano passado.

O Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo encontrou não apenas pessoas submetidas à escravidão na produção de carvão vegetal, como também crimes ambientais e emissão de notas fiscais falsas. Na ocasião, a equipe formada por auditores fiscais do MTE, procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), relatou até ameaças de morte.

Os 150 resgatados estavam em condições degradantes, trabalhando em 185 fornos irregulares em duas carvoarias, em local isolado de difícil acesso em Goianésia do Pará, a cerca de 185 km de Marabá.

O caso levou a Siderúrgica do Pará (Sidepar), que, de acordo com a fiscalização, estaria interceptando a produção de carvão realizada com trabalho escravo junto das siderúrgicas Cosipar e Ibérica, a ser suspensa do Pacto Nacional Pela Erradicação do Trabalho Escravo – acordo que reúne algumas das principais empresas do país.

‘Minha reação foi de orgulho e felicidade’, diz José Júnior sobre prisão de pastor Marcos

Coordenador do Grupo AfroReggae foi responsável por denúncias que levaram a investigações

Antônio Werneck, em O Globo

José Júnior, o coordenador do AfroReggae: “Parabéns aos delegados” (foto: Marcelo Piu / O Globo)

José Júnior, o coordenador do AfroReggae: “Parabéns aos delegados” (foto: Marcelo Piu / O Globo)

RIO — Responsável pelas denúncias que levaram à prisão o pastor Marcos Pereira, José Júnior, coordenador do Grupo AfroReggae, disse que estava viajando quando a notícia chegou: “Estava em Salamanca, na Espanha, quando o telefone tocou às 4h”.

Você foi o responsável pelas denúncias que levaram a polícia e o Ministério Público a investigarem os supostos crimes cometidos pelos pastor Marcos. Como você reagiu à prisão dele?

Estava na Espanha, quando o meu telefone tocou e uma pessoa me deu a notícia. Minha reação foi de orgulho e felicidade. Fiquei muito orgulhoso. Não de ter tomado a iniciativa de denunciar suas ligações com o crime, mas pelo trabalho realizado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. Também pela coragem de dezenas de pessoas que procuraram os policiais para prestar depoimento, correndo riscos. Fiquei feliz. Parabéns aos delegados Márcio Mendonça, titular da Dcod (Delegacia de Combate às Drogas), e Martha Rocha, chefe de Polícia do Rio.

Por que você está dando parabéns aos dois delegados?

Muito antes dessas investigações, policiais me procuraram confidenciando que todas as investigações instauradas contra o Marcos Pereira eram arquivadas, não andavam. Eles contavam que sofriam muitas pressões de pessoas poderosas quando tentavam confirmar denúncias de abuso ou da ligação dele com o tráfico.

Como os policiais sofriam pressões de poderosos?

O Marcos Pereira tinha muito poder por suas relações políticas. Relações, aliás, que ele ainda tem, que ainda são mantidas. Laços com o poder, com outros líderes religiosos. Ou seja: o delegado Márcio Mendonça deve ter sofrido pressões, mas foi em frente. Levou as denúncias adiante. A Martha Rocha, num encontro que tivemos, garantiu que iria investigar as denúncias, chegando às últimas consequências. Prometeu e cumpriu. O MP também foi eficiente, corajoso. Então, eles merecem meus parabéns.

Você sofreu ameaças de morte do pastor Marcos?

Primeiro, eu gostaria de dizer que o Marcos Pereira não é pastor, não merece ser chamado de pastor pela imprensa. Ele não é nada. Ele se intitulava pastor, se autodenominava pastor. Chamá-lo de pastor é um grande desrespeito com os verdadeiros pastores, com os verdadeiros evangélicos, com as igrejas protestantes de um modo geral. Então, ele não pode continuar sendo chamado de pastor.

Mas você chegou a ser ameaçado por ele?

Não sofri ameaças diretamente, eu descobri planos. Fui informado de que pistoleiros, matadores de aluguel, tinham sido contratados por ele para me matar. Pelas relações com políticos que o Marcos tem e pelas ligações com o crime organizado, ele era considerado intocável. Quando resolvi denunciar, buscar provas de seus crimes, passei a ser uma ameaça. E ele contratou pessoas que me eliminar.

Vocês eram amigos. Quando você descobriu essa outra face do Marcos?

Eu fui vítima, acreditei nele. Falava bem dele aos meus amigos, sem saber que, enquanto isso, ele praticava crimes, se associava aos políticos e criava um círculo nefasto e bem organizado. Em 2009 e 2010, passei a ser procurado por pessoas que passaram a contar histórias de seus crimes.

E o que aconteceu?

As pessoas resolveram romper o silêncio e também procuraram a polícia para denunciar.

Com a prisão de Marcos Pereira, vários crimes estão surgindo…

Isso que apareceu até agora não é nada. Tem muito mais por trás do Marcos, e vai aparecer. Uma vez eu falei que só pararia de denunciar o Marcos, que eu só iria sossegar, quando ele vestisse a camisa verde da Seap (Secretaria estadual de Administração Penitenciária) e aparecesse de cabeça raspada. Então agora vou parar e deixar nas mãos da polícia e do MP

dica do Leandro Miranda da Gloria

Estupros seriam para santificar vítimas, diz delegado sobre pastor preso no Rio

A polícia ainda investiga a ligação do pastor com crimes de homicídio, associação ao tráfico e lavagem de dinheiro (Reprodução/ADUD)

A polícia ainda investiga a ligação do pastor com crimes de homicídio, associação ao tráfico e lavagem de dinheiro (Reprodução/ADUD)

Julia Affonso, no UOL

O delegado Márcio Mendonça, titular da DCOD (Delegacia de Combate às Drogas), afirmou nesta quarta-feira (8), que o pastor Marcos Pereira, da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, preso na noite de terça-feira (7) acusado de estupro, fazia orgias com homens, mulheres e menores dentro de uma igreja em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O pastor alegaria que as pessoas estavam possuídas por demônios e precisavam ter relações sexuais com ele, que era uma pessoa santa.

Pereira teve a prisão preventiva decretada em dois processos e responde a mais três inquéritos na Justiça, também por estupro. A polícia ainda investiga a ligação do pastor com crimes de homicídio, associação ao tráfico e lavagem de dinheiro. Em nome da igreja, há um apartamento de luxo em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, a avaliado em R$ 8 milhões.

“Ele tem uma oratória fantástica e abusava de fiéis que trabalhavam como voluntários da igreja. Usava o poder do convencimento. Quando não dava certo, ele usava a força bruta. Jogava a mulher na cama e atacava”, explicou o delegado.

Pereira foi preso na rodovia Presidente Dutra, quando ia para o apartamento de Copacabana, saindo da igreja em São João de Meriti. Segundo o delegado, as investigações começaram há pouco mais de um ano, a partir de acusações que o coordenador da ONG AfroReggae, José Júnior, fez sobre o suposto envolvimento de Pereira com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Ao longo das investigações, a polícia descobriu que o pastor teria estuprado seis fiéis, entre elas três menores de idade.

Os inquéritos que investigam os outros crimes estão baseados em 30 depoimentos e citam os estupros das meninas. Ouvido informalmente, Pereira disse que é inocente. Segundo o delegado, ele será ouvido apenas em juízo. De acordo com a polícia, pode haver mais 20 estupros de mulheres, que foram citadas em depoimentos.

Uma delas chegou à igreja aos 12 anos e teria começado a ser estuprada aos 14, em 1998. A relações só teriam terminado oito anos depois. A ex-mulher tem dois filhos com ele e disse em depoimento que foi forçada a ter relações sexuais.

Comando Vermelho

O delegado afirmou também que Pereira visitou o traficante Marcinho VP, apontado pela polícia como um dos principais líderes da facção criminosa Comando Vermelho, por duas vezes em um presídio federal.

O pastor está sendo investigado também por ter  participado do homicídio de uma mulher em São João de Meriti. Segundo o depoimento da mãe da mulher, o pastor tentou abusar da filha, que antes de morrer, começou a investigar os supostos estupros. Três pessoas foram condenadas pela morte da mulher, entre elas, um sobrinho do pastor.

“Perseguição”

No site da igreja, a prisão do pastor é comparada à perseguição sofrida por personagens bíblicos, incluindo Jesus Cristo. “Daniel, Paulo, Pedro, Thiago, João Batista, o próprio Jesus e outros profetas foram presos, caluniados, não tiveram chance de uma ampla defesa sendo condenados por poderosos perseguidores políticos. A igreja Assembléia de Deus dos Últimos Dias declara estar confiante no agir de Deus na vida do pastor Marcos Pereira”, afirma a nota da assembleia. Foi através de uma prisão injusta que Deus colocou o plano de salvação, pelo Amor e pelo Perdão, em prática.”

O texto ainda agradece o “apoio que chega de todas as partes do Brasil e do mundo” e ressalta que a prisão foi “injusta”. “A despeito de todos os sinais de cura e libertação, foi exatamente assim, através de uma prisão injusta, perseguições e calunias que Jesus alcançou o mais necessitados.”

Apoio de fiéis

Após a prisão do pastor, cerca de 30 fiéis da igreja de Marcos Pereira fizeram plantão em frente à sede da DCOD, no Andaraí, na zona norte. Mulheres e crianças trajavam vestidos longos, que cobrem o corpo do pescoço aos pés. O traje é comum entre fiéis da Assembleia de Deus dos Últimos Dias. Entre os fiéis, estava o ex- pagodeiro Waguinho, que é missionário da Assembleia de Deus dos Últimos Dias há nove anos. Ao sair da delegacia, Waguinho criticou a ação da polícia e as denúncias de José Júnior. O ex-pagodeiro concorreu à Prefeitura de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, nas eleições do ano passado, mas não passou para o segundo turno.

Pelo twitter, o coordenador do AfroReggae comemorou a prisão do pastor: “Quero agradecer a nova gestão da DCOD pelo excepcional trabalho nessa prisão. Dr. Marcio Mendonça num curto espaço de tempo arrebentou!”.

dica do Sidnei Carvalho de Souza e do Tom Fernandes

certamente muitos ñ curtiram a foto escolhida p/ estampar esta matéria. mensagem nada subliminar, mas nem adianta reclamar pq marco f. recentemente saiu em defesa do colega de ministério.

outros preferiram usar a área de comentários dos posts e as redes sociais p/ hipotecar solidariedade ao pastor. os argumentos pra lá de esquisitos vão de “se estuprou, certamente foi após algum sinal de Deus” a “armação gayzista”. as 6 fiéis que o acusam (inclusive a ex-esposa) foram contratadas pela globo? socorro, ionesco!

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Pastor Marcos Pereira é preso acusado de estupro

Ainda há acusações por homicídio, envolvimento com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O pastor Marcos nega as acusações (foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo)

O pastor Marcos nega as acusações (foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo)

Leonardo Barros, em O Globo

RIO – Com dois mandados de prisão preventiva expedidos com base em acusações de estupros, o pastor Marcos Pereira da Silva, da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, foi preso na Rodovia Presidente Dutra, em São João de Meriti, Baixada Fluminense, na noite de terça-feira. Policiais da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) realizaram a prisão quando o pastor estava em seu carro, um Passat branco, indo para o seu apartamento, na Avenida Atlântica, em Copacabana. A investigação, que durou um ano, ainda aponta a participação de Marcos Pereira em mais quatro estupros, quatro homicídios, além de envolvimento com tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Esses últimos três crimes baseados em denúncias do coordenador do Afroreggae, José Júnior.

Os mandados foram decretados pelos juízes Richard Fairclough, da 1ª Vara Criminal de São João de Meriti, e Ana Helena Mota Lima, da 2ª Vara Criminal da mesma comarca, na última quinta-feira. De acordo com informações da DCOD, o pastor realizaria ‘orgias’ no apartamento de Copacabana, avaliado em R$ 8 milhões. A maior parte das vítimas seria fiéis da igreja, chamadas até o local para a realização de cultos, em que Marcos Pereira, com ações violentas, obrigava as mulheres a fazerem sexo com ele e com outros homens da igreja. Também haveria sexo de mulheres com mulheres e homens com homens.

Das seis vítimas, três teriam sido atacadas quando eram menores de idade. Os crimes foram denunciados na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de São João de Meriti. Uma jovem relatou que foi estuprada pelo pastor dos 14 aos 22 anos. Em um dos seis casos de estupro, a vítima seria a sua própria ex-mulher, Ana Madureira da Silva, que também revelou ter sofrido abuso sexual. Os dois ficaram casados até 1998.

Um dos homicídios que o pastor está sendo acusado seria de uma jovem que descobriu as ‘orgias’ e teria tentado fazer denúncias. De acordo com o delegado da da DCOD, Márcio Mendonça, um sobrinho de Marcos Pereira também está envolvido no assassinato.

O pastor não possui formação em teologia e, por isso, deverá ser encaminhado, nesta quarta-feira, para uma prisão comum no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste. A Polícia Civil vai conceder uma entrevista coletiva para apresentar mais informações do caso.

Seguido por fiéis

O pastor Marcos Pereira no momento em que foi fichado pelos policiais (Foto: Divulgação / Polícia Civil)

O pastor Marcos Pereira no momento em que foi fichado pelos policiais (Foto: Divulgação / Polícia Civil)

Na sede da delegacia, o pastor Marcos Pereira não quis falar com a imprensa. Porém, atendendo ao seu chamado, cerca de 30 dos seus seguidores foram até o local, além de seis advogados. Entre os fiéis, o ex-cantor de pagode, Waguinho, que é missionário da Assembleia de Deus dos Últimos Dias há nove anos. Ao sair da delegacia, Waguinho fez críticas a ação da polícia e as denúncias de José Júnior.

— Ficamos surpresos com a forma em que foi feita a prisão contra uma pessoa que comparece toda vez que é convocada para explicar essas acusações. Foi uma ação, em via pública. São acusações antigas que não há provas. Porém, todos nós aqui sabemos que existe uma guerra pública que foi declarada há cerca de dois anos, pelo José Júnior. O Afroreggae faz as suas ações e gasta milhões. O pastor Marcos Pereira faz o seu trabalho com o amor, sem receber nenhum dinheiro por isso. Quero ver o José Júnior explicar isso — disse Waguinho, defendendo Marcos Pereira.

— Todos que convivem com o pastor sabem que ele é uma pessoa que só faz o bem. O trabalho dele já tirou oito mil pessoas das drogas. Na história, várias pessoas que fizeram o bem já sofreram esse tipo de injustiça. Quem é do bem, conhece quem é do bem — encerrou o missionário, que disputou a prefeitura de Nova Iguaçu, nas eleições do ano passado.

José Júnior, do Afroreggae, elogia polícia por prisão do pastor Marcos: ‘Arrebentou’

Publicado no Extra [via O Globo]

O coordenador do Afroreggae, José Júnior, elogiou no Twitter a Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) pela prisão do pastor Marcos Pereira da Silva, da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, na noite desta terça-feira.

A prisão do pastor Marcos, acusado de seis estupros, é resultado de uma investigação que começou após uma denúncia de José Júnior sobre o suposto envolvimento do pastor com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, há cerca de um ano.

“Quero agradecer a NOVA GESTÃO da DCOD pelo excepcional trabalho nessa prisão. Dr. Márcio Mendonça num curto espaço de tempo arrebentou”, afirmou o coordenador no microblog.