Porque não voto em Marina

Rogério Brandão Ferreira, no site da Ultimato

Não voto nela e digo porque:

Marina, todos sabemos, não tem nada de semelhante com o PSDB de FHC e Aécio que trouxe em dado tempo boas melhorias para a economia do Brasil.

Marina que se distanciou do PT, também se assemelha pouco a Lula. Que também contribuiu bastante para a sociedade brasileira, especialmente na questão de redistribuição de renda.

Marina é cristã confessa, evangélica, crente.

A ênfase de seu programa está na sustentabilidade. Ou seja a conjugação harmônica e quase impossível do trinômio economia, ecologia e social, visando a segurança das futuras gerações.

Para atingir esse fim, ela se mostra não somente programática, mas também pragmática.

Marina é poço de contradições. Uma mulher de fibra, humilde na origem e no caráter, foi alfabetizada no Mobral. Tem um tom de voz agradável, um olhar intrigante de alguém que já foi candidata à freira, companheira de Chico Mendes e o pessoal das CEBs e depois chegou a ministra do meio ambiente, já foi tanto empregada doméstica como senadora do Brasil.

Temo que os que não votam nela, não o fazem por desejarem o pior para o Brasil, mas por ignorarem as riquezas contidas no coração dessa pessoa da Amazônia brasileira.

Não voto em Marina porque na cidade onde moro, na Alemanha, não tem local de votação. Porque se tivesse, eu iria lá correndo votar.

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Sudanesa condenada à morte por conversão ao cristianismo é libertada

Publicado na Folha de S.Paulo

Um tribunal de Cartum, a capital do Sudão (norte da África), anulou a condenação à morte de Meriam Ibrahim, 27, por apostasia –renúncia a uma fé, no caso dela o islamismo. Ibrahim foi libertada nesta segunda-feira (23), segundo seu advogado e a mídia estatal sudanesa.

Segundo a agência de notícias Suna, a Corte de Apelações anulou a sentença contra a jovem depois de os advogados dela apresentarem sua defesa. Um dos defensores de Ibrahim, Eman Abdul-Rahim, declarou à agência Associated Press que ela já deixou a prisão e está na companhia do marido e de seus dois filhos pequenos, que estavam com ela na cadeia.

AFP
Meriam Ibrahim na prisão em maio, após o nascimento da filha
Meriam Ibrahim na prisão em maio, após o nascimento da filha

De pai muçulmano, mas criada pela mãe cristã, Ibrahim foi condenada por se casar com um cristão do Sudão do Sul numa cerimônia em 2011. Desde 1983, o Código Penal sudanês criminaliza a conversão de islamitas a outras religiões, que é punível com a pena capital. No país, homens seguidores do islamismo podem se casar com mulheres de outras religiões, mas o casamento entre mulheres muçulmanas e homens não muçulmanos é proibido.

O caso de Ibrahim gerou comoção internacional e provocou pressão diplomática sobre o governo sudanês -países como o Reino Unido instaram o Sudão a cumprir obrigações internacionais no que diz respeito à liberdade de religião. No final de maio, a jovem, que estava grávida ao ser sentenciada à morte, deu à luz seu segundo filho –uma menina– na prisão.

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‘Psicóloga cristã’ na mira

Marisa, que já disse preferir ‘meu filho machinho, que nem a Claudia Leitte’ (foto: Gabriel Cabral/Projetor)
Marisa, que já disse preferir ‘meu filho machinho, que nem a Claudia Leitte’ (foto: Gabriel Cabral/Projetor)

Anna Virginia Balloussier, no blog Religiosamente

Marisa Lobo, a “psicóloga cristã”, deve abandonar a primeira metade dessa autodenominação.

Assim concluiu o Conselho Regional de Psicologia do Paraná. A entidade, que representa os profissionais do Estado, decidiu cassar o registro de Marisa na sexta passada (16).

A fiel da Igreja Batista e psicóloga formada pela Universidade Tuiuti do Paraná  é acusada de infringir o Código de Ética da categoria ao oferecer “cura gay” a seus pacientes –a cartilha proíbe “qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas”.

Marisa nega. É, afirma, um crime sem corpo: falta “achar o gay que curei”.

Diz-se vítima de “maquiavélica perseguição religiosa”. Um de seus escudeiros é o amigo e deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), a quem já recebeu em sessões informais de terapia, por internet e telefone.

Feliciano assinou um artigo no site Gospel Prime culpando o “sindicalismo gay” pela decisão.

O processo remonta a 2012. Na época, Marisa disse à Folha compartilhar a opinião da cantora Claudia Leitte: “Amo [gays], mas prefiro meu filho machinho”.

Segundo a ré, os conselheiros foram unânimes na condenação. A entidade paranaense afirma que não se pronunciará até o resultado do julgamento, pois o processo corre em sigilo. Marisa afirma que já recorreu ao Conselho Federal de Psicologia.

‘EX-GAYS’

A cartilha dos psicólogos diz que a psicologia é laica, fim de papo. Marisa pensa o contrário. E afirma não estar só. “Muitos estudantes [evangélicos] de psicologia estão me procurando, reclamando que são humilhados nas faculdades.”

Para Marisa, homossexuais arrependidos não são nenhum unicórnio. Eles existem, sim, e a (ainda) psicóloga diz estar disposta a reunir vários deles, junto com suas famílias, num evento em agosto. Quer convidar os presidentes do Conselho Regional do Paraná e de grupos LGBTT para “mostrar ao mundo essa hipocrisia de usar maconha, fazer aborto, ser gay, mas não dar a um ex-gay o direito de existir sem virar chacota”.

“Tenho um grupo de 49 amigos ex-gays no Whatsapp e um grupo no Facebook com mais de 150 ex-gays. São pessoas que existem, e eu, como psicóloga, não posso dizer que eles existem sem ser acusada de homofóbica.”

Se a cassação sair do papel –e Marisa do consultório–, ela diz já ter planos. Espera engrossar a bancada evangélica no Congresso. Conta que sairá candidata a deputada federal pela legenda do “mentor Feliciano”, o Partido Social Cristão. “Agora é a vez do milagre de Deus na minha vida.”

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Laicos, graças a Deus

João Pereira Coutinho, na Folha de S.Paulo

Leio nas notícias que um tribunal do Sudão condenou uma mulher à morte. Mas, na hora da sentença, os juízes confrontaram-se com um pormenor: a referida mulher está grávida de oito meses. O tribunal foi salomônico: a mulher pode dar à luz primeiro e só depois ser enforcada. Justíssimo.

Mas qual foi o crime hediondo de Meriam Yehya Ibrahim? Eis a história, contada pelo “Daily Telegraph”: filha de pai muçulmano, Meriam foi criada como cristã pela mãe. E, na idade adulta, casou com um homem da mesma fé.

O tribunal não se comoveu. Para começar, casar com um homem cristão constitui crime de adultério. Meriam, antes da forca, terá direito a cem chibatas pela ousadia.

E, finalmente, quem tem pai muçulmano não pode cometer crime de apostasia, ou seja, de renúncia à fé islâmica. Meriam defendeu-se da acusação, jurando que sempre foi cristã e que não renunciou a fé nenhuma. O tribunal sudanês discorda. A morte é o único corretivo para semelhante traição.

O caso está a horrorizar vários países ocidentais, que exigem ao governo de Cartum respeito pela liberdade de religião, incluindo o direito de mudarmos as nossas crenças mais profundas.

Como é evidente, os países ocidentais estão a exigir uma proeza tipicamente ocidental que o radicalismo islamita não é capaz de entender.

E não é capaz de entender porque, ao contrário do que sucedeu no Ocidente, não houve a grande separação entre o temporal e o espiritual que permitiu a emergência do Estado liberal moderno.

Qualquer aluno de ciência política conhece essa história: depois de lutas fratricidas entre o papa e o imperador, e depois de lutas igualmente sangrentas entre católicos e protestantes na Europa pós-Reforma, os primeiros filósofos liberais entenderam que a melhor maneira de garantir a paz e a ordem implicava remeter as crenças religiosas para a esfera privada.

Como afirmava John Locke, um desses liberais, não é função do governo cuidar da alma dos homens. Porque ninguém tem o direito de invadir a consciência do outro, obrigando-o a acreditar (ou a não acreditar) num credo particular.

Para Locke, o valor da tolerância significava que o Estado deveria tolerar diferentes concepções do bem, desde que tais concepções não tentassem tiranizar o espaço público.

pereiralivroÉ precisamente essa história que é revisitada em “Inventing the Individual: The Origins of Western Liberalism” (inventando o indivíduo: as origens do liberalismo ocidental), um dos grandes livros de filosofia política que li recentemente.

O autor, Larry Siedentop, dispensa apresentações: com uma carreira emérita no Reino Unido, o professor Siedentop mostra como na origem do liberalismo está uma particular concepção de “indivíduo”: um ser dotado de certos direitos inalienáveis, a começar pelo direito de acreditar no credo que entende.

Só que a originalidade de Siedentop está na sua tese aparentemente paradoxal: esse “individualismo” só foi possível por influência do próprio cristianismo.

Quando os liberais clássicos usam certos conceitos nos séculos 17 e 18 —a “dignidade da pessoa humana”, a “fundamental igualdade moral de todos os seres” etc.—, esses autores estão a beber diretamente na fonte religiosa medieval.

E sobre a grande separação que permitiu conceder a Deus o que é de Deus e a César o que é de César (um preceito obviamente bíblico), essa separação começou por ser reclamada pela própria igreja, muito antes de Locke escrever os seus ensaios: a Reforma Gregoriana do século 11 foi o exemplo supremo de como o papado procurou estabelecer limites ao poder do imperador em matérias da exclusiva autoridade da igreja.

Quando, séculos depois, John Locke se insurge contra o alegado “direito divino dos reis”, o ilustre filósofo está apenas a repetir a velha luta antiabsolutista de Gregório 7º.

O livro de Siedentop não deve apenas ser lido pela sua magistral lição de filosofia política. Ele também relembra, a crentes e a não crentes, que os Estados laicos que hoje existem no Ocidente não seriam possíveis sem a herança de uma tradição religiosa específica.

A infeliz Meriam Yehya Ibrahim, condenada à forca pelo governo sudanês, faz parte dessa tradição. Infelizmente, teve o azar de nascer e crescer na tradição errada.

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Bonita em nome do Senhor: moda gospel aquece mercado bilionário

Na mesma velocidade em que cresce o rebanho cristão, multiplicam-se as lojas de vestuário evangélico

 A cantora Pamela e seu closet, recheado de roupas sofisticadas e comportadas: seu estilo é inspiração para uma legião de fãs evangélicas (foto:  Carlo Wrede / Agência O Dia)

A cantora Pamela e seu closet, recheado de roupas sofisticadas e comportadas: seu estilo é inspiração para uma legião de fãs evangélicas (foto: Carlo Wrede / Agência O Dia)

Maria Luisa Barros, em O Dia

Cafonas, feios e malvestidos. Se algum dia esses três adjetivos foram atribuídos aos evangélicos, definitivamente isso é coisa do passado. Estilosa, dentro de um casaco de oncinha e calça de couro, a cantora gospel Pamela Jardim, 31 anos, é um dos mais fiéis retratos de uma nova geração que quer estar divina sem parecer vulgar.

Na mesma velocidade em que cresce o rebanho cristão — 16 milhões de novos fiéis em 10 anos — multiplicam-se as lojas de vestuário evangélico. Blogueiras, sacoleiras, que compram no atacado artigos de grifes como a ‘Bela Loba’ e lojas virtuais tentam dar conta da demanda de quem não pode ir a São Paulo, centro de moda cristã.

Polo de compras no estado, a Rua Teresa, em Petrópolis, também se rendeu ao look chic crente, de olho num universo que movimenta R$ 15 bilhões por ano (entre produtos culturais e de consumo). Evangélicas chegam a gastar, em média, R$ 6 mil por mês com roupas e sapatos.

Na hora das compras, um olho na vitrine e outro na Bíblia. O livro sagrado respalda a vaidade: “A mulher de verdade cuida bem da aparência e dos que dela dependem”, diz o provérbio. Na Igreja ou no trabalho, as fiéis devem se vestir de acordo com a palavra de Deus. “Que Deus ponha em nossos corações a vontade de sermos fiéis a Ele e que possamos dar bom testemunho através do nosso vestir”, citou a blogueira Mari Raugust, no blog ‘Passarela Estreita’.

A regra, no caso, é que as mulheres de Deus são a atração, não as partes do seu corpo. É o que procura seguir a cantora Pamela. “Não uso roupas curtas e provocantes. As meninas da Igreja se inspiram em mim”, conta ela, que tem em seu closet marcas de luxo, como Chanel, Dior e Louis Vuitton.

O sucesso não a livrou do preconceito. “Uma vez, gostei de uma bolsa da Dior, mas a vendedora disse que custava R$ 5 mil e tinha que ser à vista. Minha tia, que estava comigo, pediu duas e pagamos no ato”, diz Pamela, que vendeu 400 mil cópias (o novo CD, ‘Tempo de Sorrir’, sai em agosto).

A empresária Liz Lanne, ex-cantora gospel, deixou os palcos para se dedicar ao mundo fashion depois de muito garimpar peças sofisticadas, mas recatadas. Abriu uma grife, a 7Liz, no Recreio, na Zona Oeste. “Antes, as pessoas tinham vergonha de ser evangélicas. A imagem era a pior possível. Hoje, é sinal de status”, diz.

Liz explica o que pode ser usado. “Não é colocar tudo justo, transparente e curto. Fica demais. A Igreja só quer que a gente esteja decentemente vestida”. Ela completa: “Não tem que ser feia só porque é crente. Temos o direito de sermos lindas e de usar as melhores roupas”.

‘Se a Igreja proíbe o que você gosta, vá para outra’

Na dúvida entre vestir o modelito preferido ou seguir as regras da Igreja, fique com a primeira. A dica é da blogueira evangélica Maanuh Scotá, que tem 270 mil visualizações por mês em sua página na internet, no ‘Blog da Maanuh’. “A pessoa tem que se sentir bem. Se a Igreja proíbe o que você gosta de usar, vá para outra”, aconselha Maanuh, 25 anos, que adora roupas coloridas e descoladas.

A blogueira, que é casada e não tem filhos, dita as tendências da moda gospel para suas fãs, a maioria adolescentes, que acompanham religiosamente seu “look do dia”. “Elas se identificam muito com o meu perfil: bonita sem ser vulgar”, diz a baiana, que frequenta os cultos da Igreja Maranata. O pastor libera o uso de calças compridas, mas Maanuh gosta mesmo é de saias rodadas. Todas as roupas e sapatos exibidos no blog são doados a ela por lojas de grifes.

O fotógrafo é o próprio marido, Diogo Scotá, 25 anos. É ele quem limita o tamanho da saia. “Quando está muito curta ele pede para trocar. O jeito é usar com meia por baixo, que fica legal”, ensina Maanuh, que vê como uma bênção o espaço virtual recém-conquistado. “Serviu para desmistificar a imagem de que o evangélico é cafona”, reconhece.

Outros dois blogs _‘Evangélicas Top’ e ‘Crente Chic’ _também dão sugestões para as princesas.

A VEZ DELES

Terno e gravata: indispensáveis

Elas não são as únicas a se preocupar com a aparência. Os homens também têm o seu estilo e gostam de estar na moda. O blog ‘Essas e Outras’ dá algumas dicas para acertar no visual. O estilo social é um dos mais usados pelos evangélicos. Terno, camisa e gravata são artigos indispensáveis.

Assim como para as mulheres, o que vale é a discrição. “Nada de camisas muito coloridas, gravatas estampadas demais. Nada como um pretinho básico ou um tom de cinza para dar seriedade à composição”, sugere.

Para os homens, não podem faltar no armário a calça e a camisa social. “Nesse caso, aposte em tons claros de camisas e sapatos sociais. Não é necessário usar gravatas, mas tome cuidado com a cor do cinto”. Com a chegada da estação mais fria do ano, os evangélicos ficam muito elegantes vestidos com blazers, suéteres e casacos.

Para os homens evangélicos que são adeptos de um visual mais básico, a dica é usar uma boa calça jeans, uma camiseta ou camisa polo; e nos pés, um sapatênis.

dica do Ailsom Heringer

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