‘Perdi minha loja e tudo que tinha’, diz cristão vítima do Estado Islâmico no Iraque

Cidades sob controle do Estado Islâmico ou sob ameaça de ataques na Síria e Iraque (arte: UOL)
Cidades sob controle do Estado Islâmico ou sob ameaça de ataques na Síria e Iraque (arte: UOL)

Dale Gavlak, no BBC Brasil [via UOL]

Primeiro, eles fugiram para o norte e a cidade de Irbil. Agora, cerca de 1.800 cristãos iraquianos de Mossul e arredores, expulsos por militantes do grupo autointitulado Estado Islâmico, encontraram abrigo na vizinha Jordânia.

Há 1.600 anos que Mossul está no coração da cultura cristã no Iraque. Até meados deste ano, quando os cristãos locais foram forçados a se converter ao islã, fugir ou morrer.

“Minha filha foi a primeira a nascer no exílio”, diz Abu Safwan, carregando a pequena criança em seus braços, em meio ao barulho dos deslocados cristãos iraquianos abrigados em um centro católico nos arredores da capital jordaniana, Amã.

“Militantes do Estado Islâmico nos arrancaram e nos expulsaram do nosso país. Saímos de Mossul quebrados”, diz Safwan. “Eles tomaram nossas casas e empresas e mataram nosso bispo Faraj e os padres Ragheed e Boulous. Como a gente vai poder voltar para lá?”

No início deste mês, a Organização das Nações Unidas disse que militantes do Estado Islâmico cometeram diversos abusos de direitos humanos e “atos de violência de natureza cada vez mais sectária no Iraque”.

A entidade alegou que o grupo realizou possíveis crimes de guerra, incluindo execuções em massa, uso de crianças como soldados e o sequestro de mulheres e meninas para serem usadas como escravas sexuais.

‘N’ de cristão

Os cristãos também dizem que o Estado Islâmico cometeu “crimes contra a humanidade” contra eles e outras minorias do Iraque, como os yazidis, e pedem ajuda internacional.

“Eles colocaram uma letra vermelha ‘N’ na minha casa, de ‘nasrani’, que significa cristão em árabe, e declarou que ela era propriedade do Estado Islâmico. Perdi minha loja, tudo o que eu já tive na vida”, disse Abu Suleiman, de 60 anos, também de Mossul.

“Como vou viver depois disso? Todos os nossos direitos humanos foram violados. Agora, eu ouvi que um militante do Afeganistão está vivendo na casa da minha família. Isto é inaceitável para nós”, diz ele, balançando a cabeça.

Os sete membros da família Suleiman fugiram para a área de controle curdo no norte do Iraque e dormiram sob árvores antes de chegarem à Jordânia.

“Nós só sobrevivemos porque fugimos da cidade no início da manhã. Outros cristãos tiveram seus carros, ouro, dinheiro e até mesmo fraldas roubadas por militantes do Estado Islâmico.”

A maioria está, agora, sem dinheiro, após ter fugido apenas com as roupas do corpo, e depende da generosidade dos outros.

Os iraquianos vieram à convite do rei jordaniano Abdullah 2º, com apoio da agência de ajuda humanitária católica Cáritas. O último grupo chegou na semana passada.

‘Cidade virou um beco’

O empresário Jassam Hanna disse que Mossul foi transformada em um “beco escuro (típico de) filme” após ser tomada pelo Estado Islâmico em junho.

“Homens circularam pelas ruas com espadas. Como isso pode estar acontecendo no século 21? Não há humanidade no Iraque. Ele está morto”, disse ele, com raiva, a representantes católicos e muçulmanos jordanianos.

O pai de Hanna construiu um negócio próspero ao longo dos últimos 40 anos, com três lojas, disse ele. Mas, depois da ocupação pelo ‘Estado Islâmico’, um militante disse a Hanna que ele deveria “pagar” para manter sua loja.

Além disso, o cristão, de 33 anos, disse que um adolescente chegou à casa da família e anunciou ser o novo “governador.”

“Ele declarou que a região fazia parte do Estado Islâmico, incluindo a minha casa e propriedade. Basta. Isto é propriedade da minha família e nós trabalhamos para isso”, diz Hanna. “Mas, no final, tivemos que fugir para (salvar) nossas vidas”, diz Suleiman.

Os refugiados cristãos dizem que nem tropas iraquianas nem americanas foram a Mossul para ajudá-los quando o ‘Estado Islâmico’ sitiou a segunda maior cidade do Iraque.

“Os Estados Unidos não fizeram nada por Mossul quando os cristãos foram forçados a fugir da cidade”, diz Suleiman. “Foi uma história diferente quando Saddam Hussein invadiu o Kuwait em 1990.”

Os EUA iniciaram uma ofensiva aérea contra alvos do Estado Islâmico em agosto, num esforço para ajudar yazidis presos no Monte Sinjar escaparem dos militantes.

John Allen, enviado americano para a coalizão contra o grupo, disse recentemente que a campanha militar para retomar Mossul poderá levar até um ano para ser planejada, pois exige grande preparação.

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Manifesto evangélico pró-Marina Silva

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Nós cristãos evangélicos vimos declarar publicamente o nosso voto em Marina Silva para Presidente do Brasil.

  • recusamos a ideia de que ser evangélico é ser manipulável e manipulador. Rejeitamos a sugestão de que a consciência do povo evangélico seja propriedade de quem quer que seja, e esteja cativa de ideologias e programas menores do que a agenda do reino de Deus. Igreja não é lobby. Igreja não é partido político. Igreja não é instrumento de pressão. Igreja não é curral eleitoral. Púlpito não é palanque. Altar não é plataforma para comício.
  • reafirmarmos o compromisso com a justiça em sua máxima abrangência e a promoção de uma cultura de paz; reafirmarmos o compromisso com o Estado Laico: a liberdade de culto e crença, a isonomia entre todas as tradições religiosas – inclusive a defesa do direito de não pertencer a qualquer tradição religiosa, e o respeito às consciências individuais; reafirmarmos o compromisso com a unidade, na esperança de que o debate ao redor de um pleito eleitoral nos aproxime para a defesa de valores comuns, em vez de nos distanciar em razão de valores menores do que aqueles que nos unem: uma casa dividida não prevalece, nos advertiu Jesus; reafirmarmos o compromisso com a defesa dos direitos humanos e das minorias, a diaconia e o serviço, mantendo nosso coração alinhado aos profetas que nos ensinaram a abraçar a causa do órfão, da viúva e do estrangeiro, dos fracos e vulneráveis, dos que não têm vez e não têm voz.
  • rechaçamos a falácia generalizadora de que ser evangélico é ser ignorante, moralista, homofóbico, sectário, intolerante. Nosso Senhor Jesus Cristo é apresentado como aquele que “andou por toda parte fazendo o bem”, lançando no coração humano as sementes do amor, da generosidade, do perdão e da solidariedade, virtudes absolutamente distantes de quaisquer perspectivas que alimentem o ódio, a condenação, a exclusão, a discriminação e a segregação.
  • votamos em Marina não porque é nossa irmã de fé, mas porque a julgamos preparada para o cargo a que postula, tendo a história como testemunha de sua experiência e capacidade, com ampla legitimidade popular. Votamos em Marina não porque “irmão vota em irmão”. Não estamos elegendo uma autoridade religiosa ou eclesiástica. Sim, sabemos que Marina não é um Messias de saia.

Porque votamos em Marina Silva:

  • Marina Silva é a proposta que ultrapassa os maniqueísmos, como: partido a contra partido b, classe média e elite contra pobres e miseráveis, ciência contra religião, o povo contra o governo. Marina é a superação da política bipolar.
  • Marina Silva é a candidata que melhor conseguiu captar a voz das ruas, e está em sintonia com o desejo de mudança que mora no peito dos brasileiros.
  • Marina sabe caminhar em meio às contrariedades e propõe uma forma criativa de lidar com as tensões do diverso.
  • Marina representa a política para além de números e estatísticas. Está inserida na vida pública fundamentada em valores e princípios éticos, o que é próprio daqueles cuja consciência se conserva no temor a Deus, maior instância de juízo, pois único justo juiz.
  • Marina não é seguidora de Maquiavel, para quem os fins justificam os meios, mas seguidora de Jesus, que nos ensina a cuidar das coisas do reino de César sem sacrifício dos valores do reino de Deus.
  • Marina é uma liderança qualificada, seu compromisso com a justiça não é posicionamento de campanha. É sua biografia, sua história, seu serviço prestado ao país, que ganhou reconhecimento mundial.
  • Marina aponta para uma governança fundamentada no desenvolvimento sustentável que revê a noção de progresso, agregando-lhe um sentido mais humano, justo, solidário e respeitoso – tanto para as pessoas quanto para o planeta.
  • Marina Silva reúne todas as condições de conduzir o Brasil, não apenas na manutenção dos inequívocos avanços dos últimos anos, mas também e principalmente de maneira a qualificar, aprofundar e ampliar as conquistas que nos fazem cultivar a esperança de um futuro que possa incluir na mesa e na festa da abundância um número ainda maior dos nossos concidadãos brasileiros.

Nos mobilizamos não apenas para apoio e suporte a uma candidatura que nos representa e carrega consigo muito do ideário cristão. Também nos aproximamos para adensar nosso compromisso em defesa daquilo que é maior do que qualquer projeto político, a saber, o Evangelho e a Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo.

Por Marina, e junto com todos os que caminham ao seu lado, levantamos aos céus nossa oração, somando nossa voz ao profeta Amós, suplicando que nessa terra e nesse chão, “corra a retidão como um rio, e a justiça como um ribeiro perene!”

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Não uso minha fé com fins políticos, afirma Marina Silva

Marina Silva, política. Imagem produzida para ilustrar entrevista cedida à revista Época. São Paulo (cid.) - Brasil - 19/05/2011. Foto: Patricia Stavis/ Editora Globo.

Publicado na Folha de S.Paulo

A candidata Marina Silva afirmou à Folha, por meio de sua assessoria de imprensa, que nunca instrumentalizou sua fé com fins políticos.

“Não faço de palanques púlpitos nem de púlpitos, palanques. Minhas decisões políticas são elaboradas, discutidas e implementadas nos espaços da institucionalidade da política. [...] Nunca instrumentalizei minha crença religiosa para um fim político.”

Marina afirmou ainda que, para as pessoas de fé, “a vida é uma oração, um processo constante e intenso de relacionamento com Deus”.

Acrescentou: “Para os cristãos de qualquer corrente teológica, a Bíblia é a base de sua fé. O exercício da fé é um direito de ordem pessoal, assegurado pela Constituição do Brasil. Apenas aqueles que se pautam pela intolerância religiosa encaram esse direito como elemento que conspira contra o Estado laico e o Estado de Direito”.

Ela também argumenta que mesmo “o presidente tem direito de vivenciar espaços de sua vida num ambiente restrito à sua pessoalidade sem a obrigatoriedade de compartilhar essa experiência com a chamada opinião pública”.

Ela ressaltou que Eduardo Campos também era um homem de fé. “Esse elemento de sua persona era mais um dos tantos dos quais tínhamos grande identidade. Atribuir-lhe agora a autoria de uma declaração sobre nosso relacionamento, sem que ele tenha o direito de confirmá-la ou refutá-la, é um desrespeito à sua memória.”

Aliados de Marina afirmam ainda que foi Lula quem chamou pastores evangélicos para orar por ele no Planalto, durante a crise do mensalão.

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Cristãos protegem palestinos de Gaza em igreja ortodoxa

“Muçulmanos ou cristãos, somos um mesmo povo. Todos sob as bombas. Todos somos um.”

Crianças palestinas, brincam na Igreja de São Porfírio, na Faixa de Gaza (foto: AP)
Crianças palestinas, brincam na Igreja de São Porfírio, na Faixa de Gaza (foto: AP)

Publicado em O Globo

FAIXA DE GAZA — A Faixa de Gaza possui uma única Igreja Ortodoxa. Diante do extensivo bombardeio das Forças Armadas israelenses, o templo religioso agora tem uma nova função: servir de abrigo para palestinos forçados a abandonar suas casas sob o medo de perderem não só os bens, mas a vida.

Eles poderiam se refugiar em um das 69 escolas da ONU na Faixa de Gaza, mas cada uma delas abriga, na média, 17 mil pessoas.

— Quando escapávamos dos bombardeios encontramos gente da Igreja Ortodoxa e eles disseram que nos refugiássemos no templo —disse Hiyazi ao jornal “El Mundo”.

Como ele, muitos outros vizinhos receberam alertas do Exército israelense avisando que suas casas seriam bombardeadas.

— Nos telefonaram e disseram: vocês escondem gente da resistência palestina, têm cinco minutos para sair de casa — disse Hiyazi, que nega a acusação, sem direito de defesa, feita por Israel.

Na Igreja de São Porfírio o arcebispo Alexios explica sua atitude ao jornal espanhol.

— Necessitavam de ajuda e nós dissemos que daríamos porque, se ofereces amor, vencerás. Damos o mínimo, amor, água, comida, medicamentos — disse o religioso.

Fátima, uma refugiada na Igreja, lamenta não poder ter retribuído a ajuda quando corria para se abrigar.

— Enquanto corríamos, havia gente ferida na rua, jogada no chão, mas nós só podíamos ajudar a nós mesmos. Não podíamos resgatar ninguém e há quatro dias estamos com a mesma roupa — conta ela ao “El Mundo”.

Muitas crianças viram primos, parentes serem literalmente explodidos pelas bombas israelenses. Segundo a ONU, 116 mil delas precisam de ajuda psicológica.

De dentro da igreja é possível ouvir as bombas, o zumbido dos aviões não tripulados de Israel e dos tiros.

— Muçulmanos ou cristãos, somos um mesmo povo. Todos sob as bombas. Todos somos um — diz Hiyazi.

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Cristãos dos EUA criam grupos para estudar a Bíblia bebendo cerveja

Publicado em O Globo

Com mudanças de turno imprevistas e expedientes de sábado às vezes esticados, a vida de comerciários não permitia a um casal de funcionários do bar Silver Cow (Vaca de Prata, em tradução livre), em Jacksonville, na Flória, frequentar a Igreja no domingo de manhã, com seus amigos e conhecidos. Ela imaginou então reunir um grupo, pequeno que fosse, para beber alguns copos de boas cervejas… e conversar sobre a vida sobre os ensinamentos do livro sagrado mais lido do mundo, a Bíblia.

Fã de barleywines assim como este repórter, a dona do Silver Cow, Kelsey Dellinger, contou, em entrevista por e-mail ao Dois Dedos de Colarinho, que a funcionária sugeriu a realização do grupo de estudos bíblicos no bar. Com a ajuda de um blogueiro local, Brian Little, do Beer Apostle (Apóstolo da cerveja), que convocou via Facebook “gente de todas as origens e todas as fés” a conversar a partir da leitura do Evangelho segundo João. 

Kelsey aproveitou para “praticar a caridade” e ofereceu um descontinho de US$ 1 em cada copo que os fiéis secassem.

— O Silver Cow certamente não é único estabelecimento que tem permitido estudo bíblico e encontros de grupos ligados a igrejas. Bold City Brewery, Intuition Ale Works e Seven Bridges Grille and Brewery, todos têm grupos assim que mantêm encontros regulares — enumerou a dona do bar, que é também blogueira (sob o curioso pseudônimo JaxBrewBitch).

encontro narrado pelo repórter Andrew Pantazzi, do Florida Times Union, começou com a leitura do Gênesis. Para acompanhá-la, nada mais adequado do que uma He’Brew Genesis Ale (sim, essa cerveja existe), da cervejaria nova-iorquina Schmaltz.

O retorno do público religioso à cerveja é uma tendência que vem fortalecendo nos últimos anos. São tantos que, recentemente, o blog Belief, da CNN percebeu. No ano passado, o pastor evangélico John Donnelly, lançou o grupo Beer, Bible and Brotherhood. A Irmandade Adath Israel se reúne mensalmente em um restaurante indiano (viva a globalização) para discutir a Torah (ou Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia).476_555-alt-beer-Bible-Florida-times

Em Abilene, no Texas, o Memories Bar abriga, nos domingos de manhã, a Bar Church da Igreja de Cristo de Southern Hill, onde qualquer pessoa – independente de sua história, realizações, falhas ou questões – possam experimentar amizade, aceitação e a graça que vêm por meio de Jesus”. A Valley Church, de Allendale, Michigan, é a sede do grupo “What Would Jesus Brew?”, em que a cerveja é mais do que uma coadjuvante do processo de discussão. 


Seus integrantes declaram como missão “ajudar as pessoas a se conectarem com as outras e com Deus através da apreciação comum da cerveja“. 

Nós acreditamos que as Escrituras e a tradição pós-Bíblica testemunham que o consumo de álcool é tanto permitido quanto uma provisão divina para nossa satisfação, quando tomada com moderação, responsavelmente“, afirma o grupo, que mantém em sua página sobre “Cerveja e Deus” seções detalhadas abordando as citações bíblicas negativas e positivas sobre o consumo do álcool, bem como sobre a embriaguez, amplamente condenada.

Exemplos, definitivamente, não faltam.

Digo “retorno” do público religioso porque até uma recente onda de moralismo (coisa de dois séculos atrás até agora), muitos religiosos cristãos tiveram ligações estreitas com a produção de bebidas fermentadas. Não é a toa que as cervejas da Europa mais cobiçadas por especialistas são produzidas em monastérios católicos. 

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A Igreja Católica tem até um santo patrono dos cervejeiros, Arnulf de Metz, nascido no fim do século VI e morto na metade do século seguinte. Com sua origem germânica, os protestantes não têm muito do que escapar: até Martinho Lutero se referia favoravelmente à cerveja em suas correspondências pessoais.

Diversos autores, entre eles o jornalista inglês Michael Jackson, relatam que uma das traduções luteranas da Bíblia, nas Bodas de Canaã, dizia que Jesus transformou a água em cerveja. A base disto era uma ambiguidade do termo aramaico usado neste trecho, que significaria “bebida forte”.

O vinho, afinal de contas, era a bebida da elite romana. Muito mais lógico que a cerveja, que foi parte indispensável da vida cotidiana na Suméria e no Egito e cujo traço mais antigo conhecido vem do Iraque, fosse preferida pelo povo hebreu. A referência ao vinho teria aparecido nas traduções para o grego e para o latim.

Nada disso, é claro, altera de qualquer maneira o caráter sublime da narrativa do milagre.

dica do Gerson Caceres Martins

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