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Fábulas (1)

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Publicado por Tuco Egg

1. Uma lenda de carne e osso
O que me choca no pensamento ateu não é que Deus não exista, mas que não seja possível acreditar em fábulas. O raciocínio ateu arremessa toda fantasia, toda história de fadas, todo conto fantástico no limbo da bobagem. Nenhuma fábula aconteceu de fato nem jamais acontecerá, é o veredito final decorrente do ateísmo (ou mesmo das formas mais radicais de liberalismo teológico).

Nossa história resume-se, desde sempre e para sempre, em matemática, química e física. Os milênios de histórias, de lendas, de horror e assombro diante do imponderável sempre à espreita, pronto a materializar-se, são desprezados como criancice  ainda que respeitosamente, ainda que com carinho e nostalgia.

Talvez seja necessário frisar que não estou aqui em uma cruzada para me opor ao ateu, muito menos para converte-lo. Entre as muitas formas de fé que desenvolvemos, a do ateu está certamente entre as mais respeitáveis. É evidente que devemos deixar de fora os ateus militantes e proselitistas, que chegam a ser tão desagradáveis quanto os religiosos carolas.

O que quero dizer e não me canso de imaginar, é que cada lenda que surgiu na história foi absolutamente possível e até provável na mente e no coração daquele que a criou. Desejável, com certeza. Que no nascedouro de cada mito houve sempre a ideia subversiva e esperançosa de que ele um dia se realizasse. E não me canso de lastimar o eco que a ausência dessa esperança, decorrente de uma convicção naturalista irrevogável, pode fazer soar na vastidão desabitada de um coração humano.

O que faz do cristianismo um pensamento no mínimo interessantíssimo, é justamente a ousadia que o faz encher o peito e jogar na cara da humanidade, com uma convicção arrebatadora, que enfim, de fato, uma lenda vestiu-se de carne e osso. E não uma lenda qualquer, mas a matriz de todas elas. A redenção final materializou-se nas dimensões do espaço-tempo.

Uma fábula soprada de boca em boca, de geração em geração, em rodas de fogueira nos fins de tarde, sob a luz da lua e o assobio das aves noturnas, em cada um dos cantos mais remotos do planeta, por séculos e séculos, das mais variadas formas, tornou-se real. O mito rasgou a sensatez ao meio e cravou-se nas nossas páginas de matemática, física e química, manchando-as para sempre com magia, milagre e esperança.

Sei que nesse momento alguém pode levantar-se no meio de meus estranhos argumentos e afirmar que, se for assim, se for preciso que algo se materialize, seria melhor crer em duendes e fadas de uma vez, do que apegar-se as histórias do Novo Testamento. Que entre um e outro, não haveria diferença alguma. Pois bem, meu amigo. Vá em frente. Já é um bom começo.

[ continua ]

 

Museu de Israel expõe pela primeira vez pedra atribuída ao anjo Gabriel

Narrador se identifica como o arcanjo em inscrição do século 1° a.C.
Peça é tida como mais importante achado arqueológico desde anos 1950

Foto: reprodução

Foto: reprodução

Publicado originalmente no G1

Museu de Israel, em Jerusalém, expõe ao público pela primeira vez a Pedra da Revelação do Anjo Gabriel, considerado o mais importante achado arqueológico na região desde a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, nas décadas de 1940 e 1950.

A peça é o objeto central da exposição “Eu sou Gabriel” e abordará a figura desse arcanjo nos primeiros anos do judaísmo rabínico, do cristianismo e do islamismo. A exposição foi inaugurada no dia 1° deste mês e vai até fevereiro do próximo ano. A inscrição, do século 1° antes e Cristo, foi descoberta em 2007 na região do Mar Morto.

Ela havia sido adquirida por um colecionador suíço que declarou tê-la comprado em Londres, de um antiquário jordaniano.

A 'pedra do anjo' (Foto: Ministério do Turismo de Israel)

A ‘pedra do anjo’ (Foto: Ministério
do Turismo de Israel)

De acordo com pesquisadores, a peça procederia da margem leste do Mar Morto, na Jordânia.

Escrita em tinta sobre pedra, o texto de 87 linhas em hebraico está em primeira pessoa e o narrador identifica-se como o Anjo Gabriel. Aparentemente, trata-se de uma conversa do arcanjo com um profeta.

A exposição exibirá outros manuscritos raros, como cópias antigas da Bíblia e fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto e do Codex de Damasco do século 13.

20 Hábitos que matam uma Igreja

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Publicado por Nelson Costa Jr

“A crítica não tem sobre a psicologia das massas o poder sugestivo que têm as crenças afirmativas, mesmo falsas”.  Olavo de Carvalho

Em si mesma, toda Igreja é neutra ou deveria sê-la; mas o grupo da mesma anima, projeta nela suas chamas e suas demências; impura, transformada em crença, insere-se no tempo, toma a forma de acontecimento: a passagem da Igreja à epilepsia está consumada. Assim nascem as Igrejas de hoje, e suas doutrinas ideológicas sangrentas.

Já alertava o velho Freud: Da mesma forma que ninguém pode ser forçado a crer, ninguém pode ser forçado a não acreditar. Mas será que tais comunidades religiosas respeitam isso, ou anseiam para salvar o mundo?

Fundamentada em sua premissa mística, e no seu desejo de “salvar” – fazer imagem com Deus -, a Igreja rapidamente anuncia, condena, ridiculariza, e extermina preguiçosamente os que pensam diferente dela. Como num jogo de dados, ela apela para uma sorte baseada na condenação, e no seu desejo ilusório de ser provedora de todas as verdades universais, sem considerar quem está ferindo. Em sua futilidade ingênua, troca seu violento discurso por uma defesa sem sentido, e diz que o ataque veio do outro, sem si quer analisar o que pregava antes.

Mas nós sabemos, não?

Logo, como superar essa ignorância?

Bem, se a Igreja realmente respeitasse as Escrituras Sagradas como diz respeitar, faria o seguinte:

“Se, de fato, vocês quiserem fazer o bem, quem lhes fará o mal? Como vocês serão felizes se tiverem de sofrer por fazerem o que é certo! Não tenham medo de ninguém, nem fiquem preocupados. Tenham no coração de vocês respeito por Cristo e o tratem como Senhor. Estejam sempre prontos para responder a qualquer pessoa que pedir que expliquem a esperança que vocês têm. Porém façam isso com educação e respeito. Tenham sempre a consciência limpa. Assim, quando vocês forem insultados, os que falarem mal da boa conduta de vocês como seguidores de Cristo ficarão envergonhados”. (1 Pedro 3:13-16 NTLH)

Mas como a Igreja não respeita lá esses mandamentos bíblicos, eis vinte hábitos irrelevantes e desnecessários (Nem tanto assim) que aprendi apanhando em minha vida pastoral. Penso se a Igreja gastasse mais tempo com a reflexão interna, talvez estaria numa diferente situação. De qualquer forma, vamos as dicas então:

1 – A necessidade de ganhar: Nossa, os últimos acontecimentos na política religiosa brasileira nos mostra muito bem isso. A igreja esquece de sua função, e passa a ansiar por vitória a qualquer custo – em todas as situações, quando é preciso, quando não é preciso, e quando é totalmente irrelevante.

2 – O hábito de adicionar muito valor: o desejo irresistível do crente de adicionar seus dois centavos em cada discussão teológica é um absurdo.

3 – O hábito de julgar: A Igreja diz não julgar, mas julga. Ele costuma tachar os outros com os seus padrões.

4 – Os destrutivos comentários: O sarcasmo religioso desnecessário é o agente primordial para espantar gente séria. Quantos cristãos já não receberam a seguinte crítica: “Irmão, cuidado para não perder a salvação hein?

5 – O hábito do não, mas, e no entanto: Como a cristandade faz uso desses qualificadores negativos que secretamente interrompe a educação de muitos.

6 – O hábito da inteligência superior: A necessidade de mostrar às pessoas que é a Igreja verdadeira. Que está além do que muitos pensam.

7 – Uso das emoções: O que a Igreja mais gosta é utilizar de volatilidade emocional como uma ferramenta de classificação espiritual.

8 – Negatividade: “Deixe-nos explicar porque você está errado”, muitos crentes costumam pregar – Mesmo quando não foram convidados a expressar o que pensam.

9 – Retenção de informações: O hábito cristão de recusar em dizer que estava errado em sua teologia é algo ridículo. O tal “santo” diz uma coisa durante anos, e de repente, do nada, muda o discurso, mas não admite.

10 – O hábito de não reconhecer: A incapacidade de elogiar ou até mesmo recompensar alguém que saiu da comunidade e cresceu. Quantas histórias amargas são possíveis ouvir por aí de cristãos abusados.

11 – O crédito que não merece: Toda Igreja adora receber crédito pelo que não fez. Condena uma narrativa, e depois toma posse dela como se fosse revelação divina, sem considerar o pesquisador por trás da mesma.

12 – O hábito do excesso de desculpa: Errar é humano, e Cristo ensinou o perdão, mas vem cá, insistir no mesmo erro várias vezes tem limites, certo?

13 – Ignorar o passado: A necessidade da Igreja de desviar a culpa dela mesma, e colocar nos outros, é um hábito que já matou muitos! De forma simples, ela é incapaz de assumir suas responsabilidades ou de reconhecer suas ações negativas – Procure na história.

14 – O jogo dos favoritos: Talvez devido a teoria da predestinação, alguns líderes religiosos possuem o hábito de privilegiar alguns, e tratar injustamente outros.

15 – A falta de lamentação: O orgulho da superioridade salvífica não é bom. Talvez o lamento, de ver o número de pessoas que estão deixando as Igrejas, ajudaria a recompor o lado sagrado dela.

16 – A falta de ouvir : A forma mais passiva (agressiva) de desrespeito para com os de fora da Igreja.

17 – A falta da gratidão: Ninguém é obrigado a nada. É sempre bom reconhecer os feitos que alguém faz por uma comunidade.

18 – Punir o mensageiro: A necessidade equivocada em atacar os inocentes cristãos que estão, talvez de uma forma diferente, tentando ajudar a comunidade a crescer.

19 – O passar da bola: A necessidade de culpar o Mundo, e não o “Deus” que prega.

20 – O Ego: Exaltar as falhas eclesiásticas como virtudes é ridículo. Talvez se as Igrejas gastassem alguns anos analisando o problema do ego, muita coisa se resolveria.

Disseram que estou sempre do lado do diabo

angelDevil

Hermes Fernandes, no Cristianismo Subversivo

Ao acessar hoje o meu perfil no facebook, deparo-me com o seguinte comentário: Você sempre está do lado do diabo. Junto com o comentário, um link de um post de Silas Malafaia sobre os pastores que se opuseram à eleição de Marco Feliciano ao posto de presidente da Comissão de Direitos Humanos.

Permita-me explicar as razões porque às vezes pareço estar do lado errado.

Olho para o mundo e vejo lampejos da graça de Deus em gestos, palavras, produções culturais, etc. Olho para a igreja e vejo anacronismo, sede de poder, narcisismo, e coisas que com tanta veemência parece condenar. Há coisas no mundo que gostaria de ver na igreja. E há coisas na igreja que a tornam muito semelhante ao mundo no que ele tem de pior.

Podemos afirmar que Jesus estava ao lado do diabo por ser tão duro com os religiosos do templo e complacente com os “inimigos”? Uma das principais razões pelos quais os religiosos conspiraram para mata-lo foi justamente esta. Como um rabino judeu poderia atender e elogiar publicamente um centurião romano? Como Ele poderia hospedar-se na casa de um cobrador de impostos, um traidor da pátria? Ao mesmo tempo em que comia com publicanos e prostitutas, Jesus era duro em Seu discurso contra os religiosos hipócritas.

Se Jesus estivesse do lado deles, jamais teria feito o que fez no templo em Jerusalém, expulsando os cambistas e acabando com a mamata dos sacerdotes. Se estivesse do lado deles, não os teria chamado de  guias cegos, hipócritas, sepulcros caiados, filhos do diabo, etc.

Os que se dizem seguidores de Jesus parecem ter tomado o caminho inverso. Somos duros com os de fora e complacentes com os de dentro. Não importa se o sujeito prega um monte de heresia; se seus inimigos são os mesmos nossos, logo, deduzimos que é nosso amigo (ou seria, comparsa?).

Até quem não professe nossa fé, ao colocar-se contra os que consideramos nossos inimigos, torna-se nosso aliado. E assim,promiscuímo-nos.  Aliamo-nos com aqueles que trazem um discurso raivoso recheado de preconceito.  Seria como se Jesus abraçasse a causa herodiana.

Fiquei chocado recentemente quando li que a bancada evangélica encontrou na bancada ruralista uma de suas principais parceiras no congresso. Ambas se lixam para as questões ambientais. Estamos sempre dando as mãos aos reacionários, aos que defendem os direitos dos poderosos em detrimento dos desafortunados. Traímos nosso Senhor e Cristo.

O que fazer diante desta triste realidade? Particularmente, prefiro cortar na própria carne.

De acordo com Pedro, o juízo de Deus deve começar por Sua própria casa. Não é em vão que no livro de Apocalipse, antes de tratar com a grande Babilônia, Jesus trata com a Sua igreja, repreendendo, exortando, corrigindo, e eventualmente, elogiando. Como julgar Roma, sem antes corrigir a igreja que estava em Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia?

Como poderíamos propor que o mundo se submetesse aos princípios e valores do Evangelho se em nossa própria casa isso não tem acontecido?

Veja, por exemplo, nossa ânsia por poder. Jesus disse que entre nós não deveria ser assim. Quem quisesse ser o maior deveria ser o serviçal. Que moral temos de conclamar o mundo a que tome Jesus como exemplo, servindo ao invés de dominar?

Jesus ensinou a humildade. Somos uma feira de vaidade.

Jesus ensinou a generosidade. Somos avarentos, gananciosos e mesquinhos. Basta ver os suntuosos templos fincados próximos a bolsões de miséria.

Jesus ensinou a amar até o inimigo. Incitamos uma cruzada contra qualquer que pense diferente de nós.

Jesus ensinou a discrição. Buscamos os holofotes a qualquer preço. Confundimos relevância com petulância.

Jesus ensinou a perdoar. Preferimos o caminho da revanche. Mexeu com um de nós, vai se ver conosco. Vamos jogar na cara da pessoa todo o seu passado, como fizemos recentemente com a Xuxa, só porque criticou um dos nossos.

Por isso o mundo não nos leva a sério. Somos uma vergonha para o evangelho de Cristo.

De que lado eu estou? Espero estar do lado da justiça, da verdade, e do próprio Cristo. Mesmo que isso me custe a reputação. Almejo estar ao lado da adúltera, não de quem quer apedrejá-la; ao lado das minorias esmagadas, não da maioria esmagadora; dos injustiçados, não dos injustos; dos oprimidos, não dos opressores; dos pecadores, não dos pretensos santos que disfarçam suas taras com o seu farisaísmo.

Onde quer que eu identifique traços da graça de Deus, quero realçá-los. Onde identificar traços de nossa natureza degenerada, pretendo denunciá-los, sem preocupar-me em fazer média com quem quer que seja. O importante é não trair a própria consciência.

dica do Marcos Florentino

Ou casam todos ou não casa ninguém: igreja dos EUA deixa de fazer casamentos heterossexuais

Uniões entre homens e mulheres só voltam a ser celebradas na Igreja de Green Street quando a Carolina do Norte legalizar o casamento gay.

 

Foto: ROBERT GALBRAITH/REUTERS

Foto: ROBERT GALBRAITH/REUTERS

Publicado originalmente no Público de Portugal.

Uma igreja metodista da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, decidiu que não vai celebrar mais casamentos heterossexuais enquanto o governo daquele estado mantiver a sua política actual, considerada “injusta”, sobre o casamento homossexual.

Enquanto o casamento gay não for legalizado na Carolina do Norte não há casamentos para ninguém na Green Street United Methodist Church, situada em Winston-Salem.

Num comunicado, o pastor Kelly Carpenter, explica as razões da sua “insurreição espiritual”, como lhe chama o Le Monde que foi descobrir a notícia na Salon, uma revista online norte-americana.

“Os casais que assumem um compromisso têm necessidade de uma comunidade para os apoiar e ajudá-los a crescer na fé e no amor”, escreve o pastor Carpenter. “Na igreja de Green Street consideramos que as pessoas do mesmo sexo que estão comprometidas numa relação não são menos sagradas para nós e para a nossa comunidade”, continua o texto. “Consideramos que os homossexuais são dignos de receber os santos sacramentos do casamento. Rejeitamos qualquer noção que os torne cidadãos de segunda classe no Reino de Deus.”

Esta tomada de posição insólita surge num contexto cada vez mais favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo nos EUA, onde apenas nove estados federais legalizaram estas uniões. Uma sondagem ABC/Washington Post divulgada na segunda-feira mostra que 58% dos americanos são favoráveis à legalização do casamento gay (eram apenas 32% em 2004).

No final do mês de Março, o Supremo Tribunal dos EUA vai analisar dois casos que contestam a ilegalidade dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo e o número de personalidade e figuras políticas que tem assumido a defesa do casamento gay aumenta de dia para dia.