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A páscoa

cruz (1)Publicado por Tuco Egg

É fato que a mais celebrada data do calendário cristão é o Natal. Mais por conta do dinheiro rolando solto no comércio e das bochechinhas rosadas do Papai Noel do que pelo nascimento de Jesus, é verdade, mas o fato persiste.

Curioso é que por mais de trezentos anos cristão nenhum comemorou o nascimento de seu mestre. Ninguém fazia a menor ideia do dia em que ele nasceu e, aparentemente, não havia nenhum esforço para descobrir. Foi só no ano 336 que o imperador romano, esperto que só ele, fixou o nascimento de Cristo na mesma data da festança pagã que comemorava o solstício de inverno (no hemisfério norte, é claro). Assim conseguiu a façanha de converter o povo e manter a festividade. Eu teria feito o mesmo.

O curioso nessa história é que apesar de ninguém saber o dia em que de fato nasceu o messias de Nazaré, todos sabem desde sempre a data de sua morte. A páscoa é a festa em que os judeus comemoram a libertação de seu povo das garras do faraó 3,5 mil anos atrás, e a subsequente passagem (pessach = páscoa) sensacional da multidão à seco pelo mar aberto ao meio. O Cristo acabou morrendo na semana da páscoa judaica e, por tanto, todo mundo conhece a data de seu falecimento e ressurreição. A manjedoura tem seu papel na história, e é em si mesmo uma belíssima mensagem que se perdeu nos festejos de Natal (além de ser muito bonitinha nos presépios), mas não é a toa que o símbolo cristão é a cruz. Não fosse Constantino e a cristianização compulsória do império romano, até hoje não haveria nascimento a comemorar, mas tão somente morte e renascimento.

Nessas horas lembro de Pedro e a sacada que teve em revelar que a morte do Cristo de Nazaré precedeu sua vida. Que seu sacrifício precedeu seu nascimento. Que a encarnação de Deus é consequência de sua morte na cruz e não o contrário. Na lógica da eternidade o tempo vira do avesso e a salvação precede a condenação. É belíssima e certeira a frase que afirma que antes de dizer “haja luz”, Deus disse “haja cruz.

A páscoa deveria nos lembrar que Deus foi morto antes de nascer. E isso faz toda diferença.

Por que O Hobbit é católico

o hobbitt (Foto: Divulgação)

Luís Antônio Giron, na Época

Ao assistir ao filme O Hobbit – uma jornada inesperada, do diretor neozelandês Peter Jackson, senti a mesma alucinação recorrente que tive quando vi os três filmes de O senhor dos Anéis, também de Jackson, no início da década passada. O ambiente concebido pelo escritor inglês J.R.R. Tolkien e recriado em alta tecnologia digital (filmagem em 3D e 48 quadros por segundo) por Peter Jackson é o dos romances da Idade Média, com seus cavaleiros, senhores de territórios fragmentários, o amor cortês, o misticismo ardente e superstições materializadas em seres fantásticos.

Mas voltemos à alucinação. Consigo perceber uma cruz invisível atravessando todas as sequências. A cruz não se encontra estampada nos trajes dos elfos e não está fincada no topo da Montanha Solitária, mas é como estivesse lá, sub-reptícia, uma marca d’água. É como se Tolkien houvesse subtraído o símbolo mais ostensivo do Cristianismo – talvez porque fora utilizado militarmente durante as Cruzadas – para que viessem à tona os valores que a cruz oculta e ofusca.

Assim, o jogo de ausência e presença simbólica da religião no filme e na obra de Tolkien é tão sutil como insidioso. Não apenas Tolkien faz uma defesa dos fundamentos cristãos, como sobretudo enfatiza a beleza e a aura divina do catolicismo. Isso se dá não só porque Tolkien era um católico fervoroso que trabalhou ao abrigo da Universidade Oxford – assim como seu amigo C.S. Lewis, autor das Crônicas de Nárnia, outra manifestação católica sob a forma de alegoria fantástica. Tolkien e Lewis acreditavam na literatura como um estágio necessário para a transformação espiritual da humanidade e sua elevação aos rituais mais belos… que se encontram no Vaticano, cuja origem está na ritualística pomposa do Império Romano.

Tolkien fez o seu catolicismo penetrar no romance O Hobbit (1937) e na sua sequência, a trilogia de romances Senhor dos Anéis (1954-1955). Embora ele quisesse, no fim das contas, narrar uma boa história, esperava que seus leitores evoluíssem espiritualmente com ela. Dizia que um dos objetos “subcriativos” de seu projeto era “a elucidação da verdade, e o encorajamento da boa moral neste mundo real, através do antigo artifício de exemplificá-las em personificações pouco conhecidas, que podem tender a prová-las”. A citação está no livro Encontrando Deus em O Hobbit (Thomas Nelson, 200 páginas, R$ 29,90), de tolkienólogo Jim Ware, um dos muitos lançamentos “místicos” e de autoajuda (ou autoilusão) na esteira do lançamento do filme de Peter Jackson. Jim Ware diz que garante que o leitor “vai encontrar Deus” ao ler O Hobbit. Talvez isso seja difícil. Mais fácil é encontrar os preceitos da Cúria Romana na saga.

Aqui me permito um desvio sobre a composição das obras, que ajudará a compreender melhor o processo criativo e a crença de Tolkien. O Hobbit é um prelúdio da trilogia do Anel, e nesse sentido mantém um estreito parentesco espiritual e estrutural com a tetralogia operística O Anel dos Nibelungos (1876), de Richard Wagner, com seu prólogo e a saga dos deuses dominados pelo ouro do rio Reno (Wagner foi acusado por Nietzsche de se render ao catolicismo bávaro ao fim da vida).

No ensaio Explorando o universo do Hobbit (Lafonte, 258 páginas, R$ 29,90), o medievalista (como Tolkien) Corey Olsen afirma que Tolkien revisou O Hobbit, pensado inicialmente como um livro infantil, com o objetivo de ampliar a história da Terra-média e inseri-lo na composição final de Senhor dos Anéis. Alterou, por exemplo, o encontro do Gollum com Bilbo Bolseiro, para que o achado do anel ganhasse mais consistência. Na versão original, Bilbo, um depositório inconsciente da ética católica, apossou-se do anel e se despediu do Gollum de maneira amistosa, não sem uma dose de culpa, já que o Gollum não havia notado o furto. Na nova versão, o Gollum percebe-o e jura odiar para sempre o hobbit. O ódio se torna um alicerce para a trama levada adiante pelo sobrinho de Bilbo, Frodo, em O Senhor dos Anéis. Curiosamente, Peter Jackson faz quase a mesma coisa: ele seguiu Tolkien para encaixar O Hobbit como prelúdio a Senhor dos Anéis. Mesmo assim, Jackson desrespeitou a organização da obra para prolongar O Hobbit em três filmes – o que tornou o primeiro longa-metragem arrastado e repleto de flash-backs irritantemente explicativos.

Hobbitt 1 (Foto: Divulgação)

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Cindindo a Cruz

Hélio Schwartsman, na Folha.com

O povo de Deus ficou bravo comigo por causa da coluna “Cristo despejado”, publicada na edição impressa da Folha no último domingo, na qual defendi a decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul de mandar tirar os crucifixos das dependências da Justiça gaúcha.

Tecnicamente, era um texto pró-religião. Eu tentava mostrar que o Estado laico, isto é, que se mantém numa posição de total neutralidade em relação a todos os credos, interessa muito mais a religiosos do que a ateus e agnósticos.

Para os que não cremos em Deus ou que julgam sua existência uma questão indecidível, o crucifixo não passa de dois pedaços de pau entrelaçados, uma manifestação supersticiosa, no máximo. Já para alguém que de fato abraça uma fé, pode ser bastante incômodo ver o Estado chancelando o símbolo de um credo que não o seu.

Judeus e muçulmanos, por exemplo, têm boas razões históricas para interpretar a cruz como um emblema de opressão e morte. Há mesmo algumas denominações protestantes que, levando a sério o segundo mandamento, consideram o crucifixo um caso de imperdoável idolatria.

A própria Igreja Católica, nos países em que é minoritária e perseguida pelo governo, como a China e um bom número de nações islâmicas, vive frisando a importância da liberdade religiosa, ou seja, de um Estado laico.

Não foi, porém, essa tese, no fundo óbvia, que irritou os leitores. Como quase sempre ocorre quando trato de temas emocionalmente carregados, como religião, aborto, drogas etc., muitos deixam de ver o quadro geral para prender-se a minudências que lhes tiram da zona de conforto.

No caso específico, reclamaram do fato de eu ter comparado a cruz às bandeiras do Flamengo e do incomparavelmente superior Corinthians. Não viram que a analogia se inscrevia numa argumentação por absurdo, na qual eu procurava mostrar que não faz sentido defender a permanência de crucifixos em tribunais afirmando que a maior parte da população é cristã. Afinal, temos sólidas maiorias flamenguista e corintiana e nem por isso estamos autorizados a espalhar bandeiras e flâmulas dessas agremiações pelas paredes de nossas cortes. Antes de buscar razões estatísticas, é preciso um bom argumento que justifique a presença de um símbolo religioso num tribunal do Estado. E isso os crentes, a meu ver, não apresentaram.

Até que tentam. Muitos afirmam que a imagem do Cristo crucificado tem um valor que transcende a esta ou àquela religião e se reveste de caráter ético universal, daí ser apropriada para a decoração judiciária.

Mais uma vez, discordo. Em termos estritamente objetivos a cruz foi um dos métodos de execução mais populares entre os séculos 6 a.C. e 4 d.C. Era utilizada por romanos, persas e egípcios, entre outros povos ansiosos para livrar-se de seus criminosos. Se alguém ousasse propor que as paredes de nossos tribunais fossem adornadas por forcas, guilhotinas ou cadeiras elétricas provocaria a justa indignação de boa parte da opinião pública.

Ora, nós deixamos de ver a cruz como um instrumento de execução apenas e justamente porque ela se tornou o símbolo maior do cristianismo, caráter que lhe é indissociável. Ainda que se queira apregoar que ela representa também padrões morais observados por todas as religiões –tese que precisaria ser provada–, essa seria uma característica absolutamente secundária diante do peso religioso que a imagem adquiriu.

Uma terceira linha de argumentação pró-crucifixo sustenta que eles devem ser mantidos por tradição. Quem é contra a presença das cruzes em nome do laicismo do Estado deveria também advogar pelo fim dos feriados religiosos e até pela cassação de nomes como São Paulo, Espírito Santo e Santa Rita do Passa Quatro.

Não teria nada a opor à primeira provocação. Como eu e minha mulher trabalhamos de qualquer jeito nos feriados (o jornal sai todos os dias e salas de emergência de hospitais não fecham) e nossos filhos ficam sem aulas, as datas comemorativas civis e religiosas são para nós mais um estorvo do que uma bênção.

Eu também apoiaria a troca de nomes dos topônimos hieráticos. Não por achar que isso seja importante para preservar a laicidade, mas simplesmente porque seria divertido organizar concursos para a escolha das novas denominações. Poderíamos também adotar o calendário republicano da Revolução Francesa.

Brincadeiras à parte, é preciso tomar cuidado com o argumento da tradição. Se for levado muito a sério, o Código de Hammurabi ainda estaria em vigor e deveríamos defender a escravidão e a submissão feminina (que foram a regra durante a maior parte da história e da pré-história humanas).

Ninguém está propondo que se extirpem símbolos religiosos de todas as esferas da vida pública. Se alguém quisesse arrancar as cruzes das igrejas, eu próprio me colocaria ao lado dos padres para defender o símbolo. Já critiquei, neste espaço, à lei francesa que proibiu o uso de véus islâmicos e outros adereços religiosos por alunos em escolas públicas e a norma que veda as burcas.

Se há uma liberdade fundamental a defender na democracia é a de que os indivíduos devem ser livres para possuir uma identidade –seja ela religiosa, política, sexual ou filosófica– e expressá-la de forma pacífica.

Daí não se segue, porém, que o Estado deva escolher enfeites de uma religião específica para usar, como o faz quando reveste as paredes das cortes com crucifixos. Cuidado, não estou aqui afirmando que o poder público deva se desfazer de todo e qualquer ícone. O Masp não precisa se livrar de suas Madonas e a Osesp pode continuar executando música sacra. O problema é o contexto.

É não apenas legítimo como necessário que o Estado apoie museus, orquestras e até mesmo a preservação do patrimônio arquitetônico. O que não é razoável é colocar símbolos religiosos em espaços essencialmente republicanos como tribunais e colégios públicos. É perfeitamente concebível uma situação em que um cidadão vá parar numa corte com um caso contra uma igreja. Pode ser o barulho gerado pelo templo, um caso trabalhista ou qualquer outra reclamação. Chegando lá, ele dá de cara com um crucifixo encimando a silhueta do juiz. Será que isso não arranha a noção de imparcialidade, tão importante para a Justiça?

Não creio que a presença ou não das cruzes seja uma questão capital, muito pelo contrário. Os níveis de glicose no sangue do magistrado provavelmente exercem mais influência sobre sua decisão do que toda a simbologia religiosa. Mas o Ocidente começou a dar certo quando as esferas da religião, do Estado e das atividades privadas foram ficando mais claramente delineadas, a partir do Renascimento e, com especial ímpeto, do Iluminismo. Não vejo motivos para não aprofundar essa tão oportuna cisão.

Igreja lança campanha para que os membros façam “tatuagens cristãs”

The Chron, via Gospel Prime

Em diversas culturas do mundo, tatuagens com temas religiosos são bastante comuns. Para algumas tribos é um elemento essencial para definir a identidade individual ou coletiva. O mesmo ocorre entre prisioneiros e mafiosos de alguns países.

Para os cristãos o assunto é controverso. Há ainda um debate, muitas vezes cultural e geracional, sobre se os cristãos podem ou não fazer tatuagens. Alguns entendem que é uma forma de usar o corpo como ferramenta de evangelismo. Outos lembram passagens do Antigo Testamento que condenariam tal prática.

O pastor Chris Seay, da Comunidade Ecclesia, em Houston, Texas, decidiu fazer uma “campanha” durante a Quaresma, pedindo que os membros de sua congregação façam tatuagens ilustrando de algum modo a vida e a crucificação Jesus.

Seay é filho e neto de pastores. Pós-graduado em Teologia pela Universidade Batista Baylor é autor de sete livros, entre eles The Gospel According to Tony Soprano, The Gospel Reloaded, and The Last Eyewitness. Ele também é um preletor internacional, sendo apontado como um dos novos líderes do movimento conhecido como “Igreja Emergente”.

Ele acredita que metade dos membros da comunidade Ecclesia tÊm uma tatuagem. De acordo com o Pew Research Center, desenhar sobre o corpo é algo mais popular do que nunca entre os jovens. Cerca de 40% dos americanos com menos de 30 anos carregam uma.

“Há definitivamente algumas passagens do Velho Testamento que têm algo a dizer sobre (tatuagem), mas não acho que elas dizem respeito à vida conteporânea”, disse Seay. ”Se achássemos que as Escrituras as proibiam, não estaríamos fazendo isso.”

Ele chamou o tatuador e artista plástico Scott Erickson, para criar, inicialmente, 10 desenhos que representassem as “Estações da Cruz”. Ao mesmo tempo, anunciou que procurava 10 pessoas que desejassem fazer essas tatuagens. A ideia atraiu mais de 50 voluntários e todos foram tatuados com um desenho personalizado de Erickson. Sem fazer cruzes ou imagens do rosto de Cristo, alguns optaram por fazer desenhos tribais, de pássaros, flores e frases curtas.

“Eu acho a cruz totalmente importante, mas como um símbolo ela não inspira mais as pessoas. Tornou-se algo decorativo”, explica Erickson. Por isso, ele incorporou símbolos cristãos mais sutis, como o pintassilgo, que tradicionalmente representa Cristo na Paixão e escreveu algumas frases em latim.

“O protestantismo tem uma cultura visual muito pouco desenvolvida”, acredita o artista. ”As Estações da Cruz, mostram uma história muito intensa. Não há espaço para os cordeiros fofinhos e cores brilhantes.”

Wayne Brown, um dos membros da Ecclesia, participou da iniciativa e disse: “Em Houston faz sentido representar [a história de Jesus] visualmente”, que agora carrega no corpo o desenho de uma mão espalmada e a frases “Nós fomos curados”. Sua tatuagem representa a chamada “sétima estação”, quando Jesus é pregado na cruz.

Muitas igrejas evangélicas acreditam que a Quaresma é uma prática tradicionalmente católica, que começou na quarta-feira de cinzas e termina na Páscoa. Porém, cada vez mais igrejas como a Comunidade Ecclesia tem procurado resgatar essa antiga tradição e dar a ela um significado renovado.

As chamadas “estações da cruz” podem ser vistas em milhares de igrejas no mundo todo. Elas surgiram como quadros e esculturas que eram usados para contar sobre a crucificação de Cristo durante os primeiros séculos do cristianismo, pois muitos eram analfabetos e não teriam outro modo de conhecer a mensagem.

Brent Plate, que ministra um curso sobre religião e cultura pop em Hamilton College, em Nova York, afirmou: “Este é um projeto fascinante, criativo e provocador. Fazer as Estações como tatuagens é claramente algo que se encaixa bem com o movimento da chamada igreja emergente. Afinal, eles desejam estar totalmente envovidos com a cultura contemporânea, sem perder sua identidade espiritual cristã”.

Confira algumas das imagens tatuadas na galeria abaixo

‘O que me fez virar ateu foi uma cena de Matrix: Neo, free your mind’


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Marcelo Medeiros, no Bar do Ateu

A primeira vez em que entrei numa igreja se eu não me engano foi numa igreja católica, novo ainda lembro que tinha medo das imagens, lembro que na igreja tinha uma replica de Jesus como se estivesse carregando a cruz cheio de sangue, era uma replica grande até parecia ser de cera, e naquele dia fiquei com medo e corri de lá, nessa época eu era novo, talvez fosse esse meu medo que me levou a frequentar igrejas evangélicas e não a católica, com 8 anos fui convidado pela a minha tia a ir numa para a igreja, era época de férias e a igreja abria só para crianças até os 12 anos se eu não me engano e lá éramos evangelizados e fazíamos gincanas e no final de tudo isso tinha o lanche e a pregação logo em seguida, lembro-me raramente das pregações, mais lembro que quem pregava sempre dizia : vocês não querem viver no céu com deus, morando em ruas de ouros e afins que eu não me lembro, e sempre fazia esse apelo, no final das contas depois de tanto ser alienado você acaba cedendo e fazendo a escolha errada, acaba aceitando Jesus, a troco de morar no céu que pelo o que nos diziam era um lugar maravilhoso, mais não foi aí que eu entrei de vez nessa vida, eu gostava de ir mesmo por causa dos lanches e das brincadeiras depois que acabou as férias parei de ir na igreja, até que um belo dia eu com meus 9 anos de idade queria comprar doce, e como toda criança acredito eu foi pedir dinheiro para quem para a avó né, aí minha avó me vira e diz:

_ Você quer 1 real !? Te dou se você for comigo na universal.

Inocente e querendo dinheiro para comprar doce fui, e já lá constatei uma coisa deplorável, fiquei na escolinha enquanto minha avó assistia o culto da tarde, e na escolinha nos eram entregados envelope de dízimos, e as professoras diziam: peguem estes envelopes e tragam o seu 10% ao senhor, e eu nada bobo perguntei para a tia.

_ Tia se eu ganhar 1 real eu tenho que dar 0,10 centavos para deus é isso!?

Ela me falou que não era muito pouco para deus … Crianças de 7 a 12 anos não tem dinheiro para dar dizimo e hoje mais velho eu me lembro disso e fico indignado, fora isso eu fui outras vezes para conseguir mais dinheiro, e foi aí que eu conheci o diabo, eu lembro de ir e ver sempre os pastores com pessoas em cima do altar se retorcendo gritando e falando feio, ficava com medo afinal de contas era uma criança e quem não se assusta com aquilo. Com 10 anos meu primo uma vez chegou à casa da nossa avó com brincos e eu olhei para ele e falei:

_ Primo você não é crente porque você usa brincos.

Ele me respondeu:

_ Sou da Renascer, lá pode usar brinco.

Ele me convidou e eu fui adorei um monte de jovens andando de skate no estacionamento fui bem numa vigília não sei muito bem o que estava fazendo ali afinal das contas só queria ir para a casa da minha tia para ficar a madrugada toda jogando super nintendo mais foi aí que foi me ensinado que se fosse tivesse algum problema você deveria apresentar a deus, depois de uns meses indo na renascer de domingo com meu primo, comecei a frequentar outras igrejas foi aí que eu entrei na igreja quadrangular do reino de deus e depois com os anos fui mudando de igreja, sempre fui um crente pentecostal sempre gostei de ir para igreja tanto que sou batizado tanto no espírito santo como nas águas também, ia na igreja de 3 a 4 vezes por semana, adorava todas as vigílias e sempre estava em santidade com o senhor só pecava no quesito masturbação diga-se de passagem, e cresci assim dentro da igreja mais com o passar dos anos começou a aparecer perguntas na minha cabeça e dúvidas.

Fui ensinado desde pequeno que a bíblia é a verdade absoluta fui privado da teoria da evolução, pois era contraria a minha crença e os pastores diziam que isso não era de deus, burro e arrogante cresci acreditando em terceiros mais quando as perguntas começaram a surgir na minha cabeça por mais que eu fosse um crente cheio do espírito, essas perguntas não saiam da minha mente, e infelizmente eu acreditava que era a voz do diabo perguntas do como: deus existe mesmo!? Quem me garante que deus é bom e o diabo é ruim? E se for ao contrário?  Com tanta morte e guerra no mundo cadê deus? Por que morrem tantas crianças inocentes por falta de alimento, se deus é bom porque ele não da de comer para elas, se em todas as religiões tem relato de milagres porque eu vou acreditar que só o deus que eu sirvo tem poder tendo em vista que em outras religiões eu via que aconteciam milagres, se só a minha religião salva o que vai acontecer com o resto do mundo vai todo mundo para o inferno!?

Essas perguntas ecoavam na minha cabeça e nisso eu já estava com 18 pra 19 anos ia para a igreja e às vezes no culto essas perguntas apareciam, foi aí que eu acabei virando agnóstico fui parando de frequentar a igreja e perdendo a fé num ser mágico que tem poder para fazer tudo mais que no final não fazia nada, conheci a teoria da evolução e o pouco que eu estudei me fez abrir os olhos, assisti “The zeitgeist” e foi aí que eu abri meus olhos e pela a primeira vez na vida enxerguei, vi que fui enganado por anos, que enriqueci pastores e igrejas dando meu dizimo e oferta e pasmem o que me fez passar de agnóstico para ateu, foi uma cena do filme Matrix:

Neo Free Your Mind!

Foi isso que libertou a minha mente e eu virei ateu naquele momento e hoje com 23 anos tenho certeza que foi a melhor coisa que fiz, apesar de todos ao meu redor achar que não, pois vivemos numa sociedade cristã e ser ateu para eles é ser enviado do diabo. É, tá possesso pelo o diabo e afins tenho tatuagens da época que era crente, deus é fiel, fé e 777 pelo o corpo fora “life save” nos dedos que significa vida salva me arrependo de ter feito todas elas e algumas vai ser difícil para cobrir  mais as que eu puder cobrir em breve cobrirei nunca sobra tempo e dinheiro para isso, já sou modificado tatuado com alargador e ateu não é fácil pois enfrento muito preconceito com tudo isso, mas tô feliz por ser livre, me livrei dos dogmas da igreja evangélica, perdi muitos amigos por ter virado ateu. é o preço que se paga por pensar diferente.

Nós, o Diabo… e a paciência inexplicável do amor de Deus

Caio Fábio

Hoje, pela milésima vez, me perguntaram por que Deus não acaba logo com essa briga entre Ele e Satanás; posto que, disse o perguntante, ele [a pessoa] não tem nada a ver com essa questão entre Deus e o Diabo.

A questão reflete o que já disse dezenas de vezes antes, até mesmo aqui no site — inclusive no texto hoje abundantemente visto como vídeo na Vem e Vê TV e no You Tube; a saber: PERDOEM-ME O DESGOSTO! …ESTÁ INSUPORTÁVEL! – VIDEO.

Isto porque e ênfase “evangélico/pentecostal” no diabo como ente onipresente, onipotente e onisciente — pois é assim que como criatura ele é tratado na prática — tem feito com que os crentes que vão se cansando da “igreja” passem a interpretar a questão em pauta desse modo [...]; ou seja: como uma briga multi-cósmica entre o Deus do Bem e o Deus do Mal; fato equivocado este, que, em tais pessoas tão ignorantes quanto cansadas, gera este tipo de questão.

E mais: essa ênfase, por tal equívoco, cria a ideia de que o Deus que a Escritura diz que é Amor, tenha inimigos ao modo humano de inimizar-se; o que O torna apenas um Diabo menos endiabrado um pouco…; posto que onde haja inimizade, segundo o Deus que é Amor nos ensina em Sua Palavra, aí há Diabo; [...] não havendo, portanto, espaço na natureza de Deus para o ódio; visto que ódio é treva, segundo João; e em Deus não há treva nenhuma.

A questão, todavia, implica em uma redução de Deus ao nível diabólico da pior das criaturas, visto que Satanás [...] seja ele quem for e como for [...], é apenas mais uma criatura livre, feita por Deus sem diabrices, mas que, à semelhança dos humanos, pela via do livre arbítrio, decidiu tornar-se quem se tornou…

O Diabo [diabo] é inimigo de Deus; Deus, porém, não é inimigo do Diabo ou de diabos; assim como o homem se tornou inimigo de Deus pelas suas escolhas, sendo chamado por Paulo pela designação de “inimigo de Deus” e de “filho da ira”, embora jamais se diga que Deus seja inimigo do homem [...] ou de qualquer de Suas demais criaturas.

Ao contrário, o Novo Testamento nos diz que, sendo nós inimigos de Deus, fomos, todavia, com Ele reconciliados; e isto unilateralmente, pelo Sangue da Cruz de Cristo; posto que Deus estivesse em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo; e, segundo Paulo escrevendo aos Efésios, pelo mesmo ato, Deus estava reconciliando consigo mesmo [...] todas as coisas e criaturas, quer nos céus, quer sobre a terra; ou seja: em todas as dimensões.

Ora, na prática isto não muda por Decreto a relação dos inimigos de Deus com Ele, mas deixa claro que qualquer criatura pode ser aproximar de Deus, por causa de Jesus, sabendo que, havendo sincera liberdade e vontade arrependida [...], da parte de Deus o Caminho da Reconciliação está aberto e consumado.

Dou Graças a Deus [...] que Ele não tenha destruído e aniquilado Satanás ainda; pois, se assim o fizesse, quem mais, pelos critérios do mesmo juízo de aniquilamento, escaparia?

Sei que o Diabo existe; assim como sei que milhões e milhões de homens/diabos existem também; os quais, na maioria das vezes, são os que determinam a História da Civilização; a qual não é feita de Gandhis, de Madres Teresa ou de Paulos, mas de Neros, Calígulas, Domicianos, Gengis Kans e Hitlers.

Além disso, dou também Graças a Deus que o Diabo não tenha sido ainda aniquilado em razão de que em quase toda família humana, empresa humana, sistemas políticos, ou poderes conhecidos neste mundo, etc… — eu enxergue todos os dias milhões e milhões de diabos; sim, de criaturas que existem contra Deus, o amor e a vida; e que, em tais existências só se pode ver a imagem e semelhança de Satanás; posto que existam para realizar os desejos homicidas, egoístas, caprichosos, mentirosos, enganadores, aproveitadores, gananciosos, manipuladores, dissimuladores, narcisistas e perversos do Diabo; seja oprimindo como humanos as suas próprias famílias, seja como governantes despotizando povos, seja poderosos controlando os tesouros e recursos naturais ou destruindo-os; ou ambicionando serem os senhores dos destinos humanos…

Assim, a paciência do amor de Deus para com o Diabo é equivalente à paciência do amor de Deus para com a Humanidade!

O fato é que o homem foi se tornando tão semelhante ao Diabo [...] que o Diabo foi se tornando semelhante ao homem; e, você, durma com o barulho louco de tal constatação!…

Desde o Éden que o homem aprende consciente e inconscientemente com o Diabo — e isto por vias, meios e modos diferentes —, e, em menor escala, o Diabo também aprende com o homem; posto que se trate de um encontro entre criaturas; uma delas com mais poder, o Diabo; outra menos poderosa, o homem; porém, ambos, homem e Diabo, vivem em estado de troca [...] como criaturas.

Deus não tem nada a aprender com o homem ou com a criação, como sugerem alguns “teólogos”; porém, no nível da criação, aí sim, existe uma antroposatanologia relacional e do processo.

Ora, foi Paulo quem disse isto ao afirmar que os “Principados e Potestades” —bons e maus— estão sempre se perplexificando ante á produção dos filhos de Deus, para o bem; assim como se colocam em estado de perplexidade para o mal quando os humanos “fazem aquilo que nem os demônios acreditam” —; usando eu uma expressão chula a fim de descrever o que acontece.

Desse modo, o Amor Divino que exerce paciência com a diabrice humana, dando oportunidade de retorno à sensatez, é, ainda que nos pareça chocante, a mesma que trata o resto da criação e das criaturas com a mesma Graça; o que fará com que o Dia do Juízo se torne mais do que inapelável; posto que em tal Dia/Momento/Eterno, até o Iniquo dele venha a sair mudo e sem palavras!

No fim, o Lago de Fogo — no qual o Diabo e seus anjos, assim como a Morte e o Inferno serão lançados… — será um ato de Soberania Divina de Suicídio de criaturas e estados de existência, pela via do livre arbítrio de tais criaturas e estados de existência.

“Serão lançados nos Lago de Fogo ardente” todos os que todos os dias treinam tal salto para ele!…

Dessa forma, não querendo escrever mais [...], apenas digo que é estranho assim o Amor de Deus; o qual, por definição, excede a todo o nosso entendimento; incluindo o entendimento que até Satanás possa ter [...]; se é que pela sua maldade deliberadamente essencial ainda lhe restou alguma coisa que, não sendo inteligência, ou intelisatanencia, pudesse ser chamada de Entendimento; o qual [o verdadeiro entendimento], na sabedoria divina, é o saber que decorre não do intelecto, mas do saber que aprende em amor; o que, no caso do Diabo, parece ter se tornado, por sua total, livre e perseverante escolha de ser, uma inimaginável possibilidade humana quanto a conceber de outro modo.

Nele, em Quem até o Diabo é tratado com a Paciência do Amor que não se exaspera do mal,

fonte: site do Caio Fábio