Mais votado no Rio para a Câmara, Bolsonaro mira a Presidência em 2018

Deputado do PP faz ataques a Dilma Rousseff e à Comissão da Verdade

Bolsonaro mira na Presidência em 2018 e faz ataques à Comissão da Verdade (foto: Ailton de Freitas / Agência O Globo/Arquivo)
Bolsonaro mira na Presidência em 2018 e faz ataques à Comissão da Verdade (foto: Ailton de Freitas / Agência O Globo/Arquivo)

Rafael Galdo, em O Globo

Mais votado do Rio para a Câmara dos Deputados, com 464.572 votos, Jair Bolsonaro (PP) já faz planos para 2018, quando pretende se lançar candidato à Presidência da República. Nesta terça-feira, ele voltou a criticar o governo federal e a postulante à reeleição Dilma Rousseff (PT), reiterou suas posições sobre temas polêmicos, como o Plano Nacional de Cidadania e Direitos Humanos LGBT, e fez ataques à Comissão da Verdade. Quanto à intenção de concorrer ao Palácio do Planalto, afirmou que, terminadas estas eleições, inicia as articulações para daqui a quatro anos.

— Vou dar uma de político tradicional: o povo está pedindo. Fiz muita campanha em São Paulo, com meu filho (Eduardo Bolsonaro, do PSC, eleito deputado federal pelo estado). Lá também ouvi isso. Quero ser uma das opções de 2018, a direita mostrando a sua cara. Estarei na contramão de tudo que está aí — afirma Bolsonaro.

Por enquanto, no segundo turno para a disputa presidencial, ele declara apoio a Aécio Neves, do PSDB. E mira sua artilharia contra a adversária do tucano nas urnas.

— Mesmo que ele não queira, voto no Aécio — diz o deputado. — O grande mal do Brasil é o PT. Se Dilma conseguir a reeleição, não fugiremos de uma ida para Cuba sem escala na Venezuela. É um governo que se preocupa em caluniar as Forças Armadas 24 horas por dia — continua ele, que é militar da reserva.

Com posicionamento conhecido contra a Comissão da Verdade, que tem por finalidade averiguar violações de direitos humanos entre 1946 e 1988, Bolsonaro também dirigiu suas críticas ao colegiado que realiza as apurações (são sete os membros que compõem a comissão). Frisou que recorreria a uma hipérbole, mas disparou.

— Uma cafetina resolve fazer sua biografia. Escolheu sete prostitutas para realizá-la. No final, a conclusão das prostitutas é de que a cafetina deveria ser canonizada. Essa é a Comissão da Verdade da Dilma — afirmou, depois de ressalvar: — Não estou chamando ninguém de cafetina ou prostituta. É uma hipérbole.

Bolsonaro disse ainda não concordar com quem afirma que ele tenha sido eleito com base numa agenda que chamou de “antigay”. Afirmou que, se homofobia for definida como “o respeito à família e querer que uma criança siga o destino dado a ela quando nasce”, ele, então, é homofóbico. Mas que sua briga não é contra os homossexuais.

— Minha bronca sempre foi e será contra o material escolar (numa referência ao Plano Nacional de Cidadania e Direitos Humanos LGBT, que ele chama de “kit-gay”). Acho impossível uma pessoa não ter um parente ou amigo gay. A grande maioria cuida da vida dela. Uma minoria que quer tratar desse assunto em vida pública — diz. — Nunca preguei dar porrada em homossexual. Mas defendo a família — conclui.

Leia Mais

O Golpe e sua desgraça

À esquerda, o general Humberto Castelo Branco (foto: Domício Pinheiro/Agência Estado)
À esquerda, o general Humberto Castelo Branco (foto: Domício Pinheiro/Agência Estado)

Ricardo Gondim

As grandes manobras políticas dão grandes guinadas na história. Em contrapartida geram consequências horrorosas nas pessoas. Sim, pessoas anônimas que nunca conspiraram nas esferas mais altas do poder sofrem desdobramentos, muitas vezes, tenebrosos.

Meu pai foi preso no primeiro dia do golpe, em 1 de abril de 1964. Ele saiu de casa para a Base Aérea e não voltou, por mais de um ano. Mamãe estava grávida. Nossa vida virou de pernas pro ar. Papai foi transferido para o Galeão, no Rio de Janeiro. Dentro do avião, os soldados o vendaram. A viagem aconteceu entre Fortaleza e o Rio de Janeiro sem que os presos soubessem quem estava a bordo. A certa altura do voo, a porta do avião se abriu e volumes foram atirados. Como todos estavam vendados, meu pai nunca soube ao certo se eles lançaram ao mar alguns de seus colegas de farda ou se era apenas uma tortura psicológica.

Sem salário, sem lugar para morar, sem notícias – ele esteve incomunicável por sete meses – mamãe passou por uma gravidez de alto risco. Ela carregava gêmeos. As complicações foram maiores do que podíamos imaginar. A menina morreu dois dias depois do parto. Apenas meu irmão, Sergio, sobreviveu.

Papai foi sumariamente expulso das Forças Armadas. Incluído em um dos Atos Institucionais, o 1 ou o 2, não sei – perdeu a patente. Depois de expulso, foi julgado. Como assim?  Como o expulsaram sem julgamento? Uma excrescência legal. Eu compareci ao tribunal – assisti à tudo. Na madrugada foi achado inocente. Mas nunca lhe reabilitaram. No olho da rua, teve que tentar voltar ao mercado de trabalho. O único emprego que deram a um subversivo: vender lâmpadas infra-vermelhas, que na época se acreditavam capazes de curar muitos males. Quantas vezes meu pai chegou em casa suado. Após bater na porta de casas de massagem, clubes, escolas, não conseguia vender uma única lâmpada. Vivemos meses e meses sustentados pela família da mamãe.

Papai sofreu, minha mãe passou por um purgatório e nós, os filhos, vivemos lampejos do inferno. Por quê? Por uma razão muito simples: acreditou-se na propaganda ianque de que o Brasil seria a próxima Cuba. As transnacionais, que enviavam lucros exorbitantes para suas  matrizes, viam os interesses ameaçados por João Goulart, um presidente que apostava na inclusão social, no estreitamento da brecha que separava os miseráveis dos biliardários.

Espalhou-se uma paranoia generalizada. Gente que mal sabia o que significava rasgar a Constituição e fechar o Congresso, pediu uma intervenção militar. Para salvar (grandes aspas aqui) o Brasil, um regime totalitário se instalou. Políticos lambiam as botas dos generais e os generais acreditaram ser os salvadores da pátria, enquanto se avassalavam aos ditames do grande capital. Havia coronel em tudo quanto era lugar. Delatores se matricularam em faculdades. Poetas e dramaturgos foram censurados; jornais, boicotados. Criou-se uma anomalia política – estapafúrdia – para garantir o poder dos generais: os senadores biônicos. Era um horror.

A corrupção, entretanto, nunca diminuiu. Falava-se em democracia, mas, nos porões das delegacias, jovens eram pendurados em paus-de-arara. Meninas, ainda nos primeiros anos de universidade, eram empaladas com cabo de vassoura. Choque elétrico e palmatória corriam soltos.

Stuart Angel, filho de Zuzu Angel, teve a boca amarrada ao cano de escape de um jipe e arrastado pelo pátio de um quartel do Rio de Janeiro até a morte.

Papai foi espancado e teve os testículos amassados por um porrete só porque um major encontrou uma tesourinha na cela onde ele estava preso. Conheci alguns de seus amigos de cadeia que jamais recuperam a saúde mental. Meu pai lutou com o alcoolismo e morreu com Alzheimer.

Em alguns dias o Brasil lembrará os 50 anos do capítulo mais sinistro de sua história.

Eu estarei entre os que vão chorar.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

Leia Mais

CFM promete barrar convênio do governo para importação de 4 mil médicos cubanos

Para entidade médica, anúncio é ‘eleitoreiro, irresponsável e desrespeitoso’

Conselho Federal de Medicina

Publicado no Estadão

O Conselho Federal de Medicina (CFM) classificou como “eleitoreiro, irresponsável e desrespeitoso” o anúncio feito pelo governo de contratar médicos cubanos para atuar no País. Por meio de nota, o órgão afirmou que vai recorrer às “medidas judiciais cabíveis” para barrar a importação dos profissionais.

“O CFM condena de forma veemente a decisão irresponsável do Ministério da Saúde que, ao promover a vinda de médicos cubanos sem a devida revalidação de seus diplomas e sem comprovar domínio do idioma português, desrespeita a legislação, fere os direitos humanos e coloca em risco a saúde dos brasileiros”, afirmou a entidade.

O anúncio, de acordo com o CFM, evidencia a real intenção do governo de “abrir as portas do País para profissionais formados em Cuba, sem qualquer avaliação de competência e capacidade”. A avaliação do conselho é de que o programa Mais Médicos, com “prazos inexequíveis e falhas de sistemas”, desde sua concepção já apontava para o desfecho anunciado.

“Alertamos à sociedade que o Brasil entra perigosamente no território da pseudoassistência calcada em evidentes interesses pessoais e políticos eleitorais. Todos os brasileiros devem ter acesso ao atendimento universal, integral, gratuito e com equidade, conforme previsto pela Constituição ao criar o Sistema Único de Saúde SUS”, afirmou o CFM.

O presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Florentino Cardoso, também criticou a medida e disse que o acordo já era esperado. “Este convênio não é surpresa. Desde que o governo lançou o Mais Médicos, a gente sabia que o foco era trazer médicos formados em Cuba, brasileiros ou não.”

De acordo com o dirigente, a classe já planeja resposta na Justiça para tentar barrar o convênio. “O próximo passo é tentar evitar judicialmente que isso ocorra. Ainda precisamos ver qual é o melhor instrumento legal para usar”, diz.

Leia Mais

Amado Batista diz que mereceu ser torturado durante a ditadura militar

“Eu acho que eu mereci. Eu fiz coisas erradas, então eles me corrigiram, assim como uma mãe que corrige um filho”.

20130523112626

 

Publicado originalmente no Sul 21

Em entrevista a jornalista Marília Gabriela, em seu programa De Frente com Gabi, o cantor Amado Batista disse sobre um dos momentos mais terríveis da história do Brasil, a ditadura militar, que “eu acho que eu mereci. Eu fiz coisas erradas, então eles me corrigiram, assim como uma mãe que corrige um filho”.

Na juventude, Amado Batista trabalhava numa livraria e com este emprego conheceu e facilitou o acesso de alguns escritores, jornalistas e intelectuais aos livros proibidos na época, geralmente de filosofia, política, entre outros. Por esta razão, foi preso pelos militares durante as investigações contra os intelectuais considerados subversivos no período de exceção. “Me bateram muito. Me deram choques elétricos, e ainda um dia me colocaram com uma cobra”, recordou.

O músico também recordou as inúmeras torturas psicológicas e ameaças de morte que sofreu naquele período. “Um dia me soltaram. Todo machucado. Fiquei tão atordoado que pensei em ser mendigo. Queria largar tudo. E virar andarilho”, falou. Quando respondeu a um questionamento sobre a Comissão Nacional da Verdade e se teria vontade em expor a verdade sobre sua história, ele disse que tudo que passou foi por merecimento.

Marília boquiaberta retrucou: “Que coisa errada você fez?”. Amado prontamente disse: “Eu acho que eu estava errado de estar contra o governo e ter acobertado pessoas que queriam tomar o país à força”, e acrescentou: “Fui torturado, mas merecia”. A repórter foi enfática: “Você passou para o lado de quem te torturou!”. O cantor tentou finalizar o assunto dizendo que era passado e que achou que os militares estavam certos, pois se eles não fizessem “aquilo” o Brasil poderia ter se tornado uma Cuba.

Gabi disse que entendia a posição do músico, mas contou que Amado recebe uma indenização pela tortura no tempo da Ditadura Militar, oferecido pela Comissão de Direitos Humanos e da Lei de Anistia e quis saber o valor do salário mensal. Amado resistiu um pouco, mas depois respondeu: “Eu recebo um salário de R$ 1 mil e pouco, todo mês desde algum tempo”, finalizou ele.

Leia Mais

A morte de Hugo Chávez e a Igreja Perseguida na Colômbia

Entenda por que a morte do líder venezuelano afeta a Igreja Perseguida na Colômbia e saiba como funcionam as relações entre esses dois países da América Latina

Hugo-Chavez

título original: Morre Hugo Chávez, presidente da Venezuela

Ana Luíza Vastag, no Portas Abertas

Ao norte da Colômbia – 46ª nação na Classificação de países por perseguição – está a fronteira com a Venezuela, Estado liderado, até então, por Hugo Chávez. Após 14 anos no poder, ontem, a população venezuelana viveu a perda do presidente, famoso por seu discurso antiamericano.

Presidente da Venezuela desde 1999, Chávez lutava, há dois anos, contra um câncer na região pélvica. O tratamento, mantido como segredo de Estado, o levou diversas vezes a Cuba, país de regime comunista, aliado às rígidas políticas do presidente. Fascinado pela ideologia apregoada por Simón Bolívar, conhecido revolucionário que participou do processo de independência de diversos países vizinhos ao Brasil, Chávez foi tenente-coronel do corpo de paraquedistas do Exército venezuelano antes de chegar à presidência. Foi, inclusive, preso em 2002, ao participar de um golpe de Estado que fracassou.

Em matéria de capa, o jornal O Estado de S.Paulo de hoje, 6 de março, ressalta a popularidade do líder venezuelano, campeão das urnas: de 15 eleições disputadas, ele perdeu somente uma. Ovacionado por seus partidários políticos, Chávez era, ao mesmo tempo, tido como um líder autocrático pelos adversários (segundo seus opositores, o presidente reivindicava para si o poder absoluto do Estado). Era acusado de “distribuir a riqueza venezuelana aos países aliados a seu arco esquerdista”, conforme a mesma notícia do Estadão. Chávez também tinha uma relação de confronto com a mídia privada e fechou diversas emissoras de rádio e TV durante o seu mandato.

A História traz pontos importantes que ligam a Venezuela à Colômbia: ambos os países foram colonizados pela Espanha. A Colômbia tornou-se independente em 1819, fundamentada nos ideais revolucionários de Simón Bolívar (o mesmo líder que inspirou o governo de Hugo Chávez).

As FARCS (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e a ENL (Exército Nacional de Libertação), grupos de cunho marxista, surgiram inspirados pela revolução cubana de 1959 (país aliado à Chávez, onde, como dito acima, o presidente realizou seus tratamentos médicos). Entenda, portanto, que há uma colcha de retalhos entre os governos e revoluções da América Latina que interfere diretamente na perseguição à Igreja.

O governo venezuelano, contextualizado à Igreja Perseguida, foi bastante prejudicial aos cristãos colombianos. Uma vez que, segundo reportagens da imprensa nacional e internacional, Chávez apoiava o movimento guerrilheiro que é contrário à postura e aos valores cristãos, ao fornecer armamento, comida, tecnologia e exílio a comandantes e militantes, o presidente fortalecia a guerrilha que persegue a Igreja.

Segundo o evangelista colombiano Jairo, ex-comandante da ELN, “na Colômbia não existe negociação de paz entre a guerrilha e o governo; e sim, quem consegue matar os mais poderosos. Líderes guerrilheiros conseguem exílio nos países vizinhos [como a Venezuela]. Em 2008, por exemplo, o ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribi foi ao Equador, sem autorização oficial, para matar o 2° comandante das FARC, Raul Sanchez. Na época, a Venezuela preparou todo o seu armamento nuclear para contra-atacar a Colômbia pela morte do guerrilheiro”.

De acordo com a Constituição da Venezuela, de 1999, se o presidente do país morrer depois de assumir o comando do Estado, cabe ao vice-presidente convocar novas eleições em um período de 30 dias. Portanto, esse é o momento de contínua oração a Deus pelo futuro da nação, que pode impactar os demais países da América Latina.

Ore ao Senhor pelos cristãos na Venezuela e na Colômbia, para que Deus os fortaleça e os proteja tanto nesse período de transição da liderança, quanto após o novo presidente ser eleito e interceda pelas novas relações de poder entre as nações.

Leia Mais