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‘Nelson Mandela implantou a cultura da morte’, diz Marco Feliciano

Ao iG, deputado critica líder sul-africano por aprovação de lei que autoriza aborto, revela sonhar com Senado e afirma que em hipótese alguma apoiará reeleição de Dilma

img2Marcel Frota e Nivaldo Souza, no iG

O deputado Marco Feliciano (PSC-SP) polemiza ao falar sobre o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, morto no último dia 5 de dezembro. Apesar de homenagear Mandela com um minuto de silêncio durante a última sessão da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, Feliciano dispara contra o líder negro por causa da aprovação de lei de aborto na África do Sul.

“Quem mata uma criança, para mim, não é meu amigo. Então Mandela implantou a cultura que chamamos de cultura da morte dentro da África do Sul”, diz Feliciano, em entrevista ao iG. “E até hoje os índices de aborto na África do Sul são dos maiores do mundo. Então, nesse quesito, Mandela não foi feliz”, criticou o deputado. Em 1996, a legalização do aborto foi tomada por Mandela com base no alto índice de violência sexual contra a mulher. Segundo autoridades sul-africanas, cerca de 60 mil estupros são denunciados todos os anos no país.

Apesar da crítica, Feliciano elogia a atuação de Mandela na questão da igualdade racial e promete uma homenagem ao líder da luta contra a segregação racial do apartheid. O deputado é relator do projeto de lei que pode destinar 20% das vagas em concursos público para negros. Ele antecipa que dará parecer favorável às cotas. “Meu voto vai ser uma homenagem a Mandela”, indica.

O parlamentar avalia que deixou de ser um político somente identificado com a corrente evangélica para ocupar um espaço vago na preferência de eleitores conservadores, independentemente da orientação religiosa. “Talvez eu revelei ao país uma espécie de político que parece que está em extinção: o político com posicionamento”, afirma, ressaltando acreditar ser hoje no cenário político “uma pessoa firme que suporta pressão”.

Isso alimenta o sonho de Feliciano em disputar uma vaga no Senado por São Paulo em 2014. O pastor diz que a decisão não depende apenas dele. É preciso avaliar a postulação ensaiada também por Eduardo Suplicy (PT), Gilberto Kassab (PSD), José Serra (PSDB). Em um cenário apenas com ele e Suplicy, o deputado diz que haveria uma “luta bonita”. “Se fosse só ele (o candidato no estado), entraria na disputa sem medo nenhum. Seria uma luta bonita, porque o sobrenome Suplicy está atrelado a tudo o que contraria a nós (evangélicos)”, diz.

Feliciano compara a briga com Suplicy às históricas lutas entre os ex-boxeadores Mike Tyson e Evander Holyfield, em meados dos anos 1990. “Seria a luta do século (pelo Senado)”, diz, avaliando que uma candidatura a senador pode enfrentar dificuldades na hora de encontrar um candidato ao governo paulista disposto a tê-lo em seu palanque. “Não sei qual governador seria capaz de comprar essa briga”.

Cabo eleitoral

O presidente da Comissão de Direitos Humanos será cabo eleitoral do candidato do PSC à Presidência da República. Ele diz que já gostou de Eduardo Campos (PSB-PE), mas teve de desistir do presidenciável pernambucano depois de ler declarações dele sobre cobrança de impostos das igrejas. “Tinha simpatia (por Campos), já estive com ele”, conta. “Mas para que ferir um povo que tem peso de voto?”, questiona, emendando que Campos “é mal assessorado”.

Críticas mais duras são dirigidas a ex-senadora Marina Silva (PSB-AC), que Feliciano considera que poderia ter sido sua “mentora” política por também ser evangélica. Ele se diz desencantado com Marina depois de declarações nas quais ela sinalizou ser favorável à união civil (material) entre pessoas do mesmo sexo e contrária ao casamento homossexual, o que implicaria em reconhecimento religioso. “Por que negar sua fé? Só para inglês ver?”, critica Feliciano. “O meu problema com o casamento gay não é um papel, um documento. É o que o documento vai dar a eles (homossexuais), como a adoção. A Marina sabendo do nosso posicionamento se não se posicionou”.

O tom sobe mais quando questionado sobre apoiar a presidente Dilma Rousseff, a quem acusa de não cumprir um acordo com correntes religiosas em relação à não aprovar leis favoráveis ao aborto. Em julho, Dilma sancionou lei estabelecendo direitos a mulheres vítimas de estupro – entre eles: oferta da pílula de emergência conhecidas como ‘pílula do dia seguinte’, que pode evitar a gravidez em até 72 horas após o ato sexual. “Quando a presidente assinou um documento dizendo que no mandato dela o aborto não seria votado, eu acreditei”, diz.

Em 2010, a então candidata Dilma divulgou carta afirmando que não tomaria “a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no país”. A mudança foi decisiva para não apoiar a reeleição de Dilma. “Eu não posso caminhar ao lado dela”, afirma Feliciano.

Direitos Humanos

Feliciano fez um apanhado de sua atuação à frente da Comissão de Direitos Humanos e disse que o projeto de decreto legislativo 234/2011, conhecido como “projeto da cura gay”, pode voltar à pauta da comissão em 2014. A proposta tenta suspender resolução do Conselho Federal de Psicologia que proíbe o tratamento da homossexualidade como doença. Feliciano diz que o texto pode ser colocado em votação pelo próximo presidente da comissão – o pastor deixará o cargo em fevereiro, quando o Congresso voltar do recesso. “O projeto não morreu, ele foi retirado de pauta. O autor do projeto, deputado João Campos (PSDB-GO), pode voltar (a colocá-lo em discussão) a qualquer momento no próximo pleito”, diz.

O deputado avalia que houve excessos na discussão do projeto que, segundo ele, suspendia uma “resolução criminosa” do Conselho de Psicologia. “A maldita cura gay, que de cura não tem nada, é um projeto que sustava uma resolução que para mim é criminosa”, afirma. “Conheço pessoas que querem ajuda. A homossexualidade não é um assunto esgotado, não é científico, não existe um gene gay”, diz.

A resposta ao ativismo gay tem sido trabalhada pela frente parlamentar evangélica na Comissão de Direitos Humanos do Senado, onde tramita o projeto de lei complementar (PLC 122/2006) que pretende colocar no mesmo patamar do racismo a discriminação ou o preconceito pela orientação sexual e identidade de gênero.

A oposição do pastor e outros religiosos levou o senador Paulo Paim (PT-RS), relator do PLC 122, a retirar do texto a palavra homofobia e colocar um trecho dando liberdade aos templos de recusar pessoas que demonstrem afetividade diferente da sua orientação religiosa. Apesar das mudanças, a frente evangélica tentará obstruir a votação do PLC 122 na comissão do Senado. “Esse projeto é um projeto natimorto, demonizado como o da cura gay”, diz Feliciano. “Por mais que se tente melhorá-lo, já ficou uma marca de que ele é um projeto de gay contra evangélico.”

dica do Eliel Batista

As tendências culturais dos anos 2000 adiantadas pelo É o Tchan na década de 90

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Fui criança na década de 90, então fui exposto a altas doses de desenhos japoneses violentos,usos exagerados de chroma key e calças big. Na produção cultural brasileira, principalmente na musical, os anos 90 são lembrados com um certo pessimismo por especialistas, pois o único respiro de criatividade veio com o grupo Mamonas Assassinas. Uma grande falácia, tendo em vista que, se eles estivessem vivos, teriam um segundo CD tão ruim quanto o P.O.Box ou a boyband Twister.

No entanto, todos se esquecem quem era o verdadeiro dono da cultura na década de 90, cujas músicas embalaram inúmeros momentos e suas atitudes moldavam a moral de toda uma geração. Claro que me refiro ao grupo É o Tchan, com suas letras semioticamente curiosas e uma rotatividade de membros digna de uma periguete de bairro.

Durante boa parte da década citada, o É o Tchan ditou moda, questionou os costumes e adiantou tendências que viriam a se popularizar apenas décadas depois. Reuni algumas delas para tentar fazer jus ao mérito de um grandioso conjunto musical e tentar redimi-lo do atual e injusto ostracismo no qual se encontra.

Reality Shows musicais

Num belo domingo, após ir à padaria comprar pão pela manhã, meu pai voltou com um panfletinho. O papel, com uma foto colorida e texto garrafal, pedia votos para Daniela ganhar a final do concurso da Nova Loira do Tchan. Vocês sabem o que é um concurso televisivo ter uma repercussão tão grande a ponto da transmissão da final ter direito a santinho de candidata a futuro bumbum mais desejado do Brasil?

1 hWJBc8dDVSngrsU2CMddgwMuito antes de American Idol, The X Factor e Dança dos Famosos, os brasileiros já se apegavam às competições musicais nos programas de domingo, torcendo para aquelas bundas como se a vida dependesse disso. Imagine um programa como o Faustão, com um dos intervalos comerciais mais caros da Globo, gastando horas e horas com loiras rebolativas e links ao vivo mostrando multidões nas cidades natais das candidatas torcendo fervorosamente.

E daí que vencer o concurso te colocaria como uma dançarina mal paga no árduo trabalho de rebolar a sua poupança em 100 apresentações mensais? Ser a nova loira do Tchan era uma ambição tão grande quanto ser Paquita da Xuxa, porém havia a possibilidade de se posar para a Playboy sem problemas.

Subcelebridades

Na década de 90 as subcelebridades não existiam,se aparecia na televisão já era celebridade. De Gloria Pires a Luiza Ambiel, todos eram igualmente merecedores de ter um quadro com seus rostos enfeitando o corredor das celebridades brasileiras. Com a chegada da RedeTV e do Ego, as antigas celebridades incapazes de se renovar ganharam um status inferior (atualmente também conhecidas como “possíveis candidatas de A Fazenda”) e tentam um lugar ao sol através de trabalhos os quais não estão capacitadas.

1 yRQ6KZ1Mh1pZ5gjFa1b6FgPorém, o conceito das subcelebridades aparentemente foi patenteado pelo É o Tchan, com suas dançarinas e cantores se desdobrando em trabalhos midiáticos destinados ao fracasso de público. Carla Perez, por exemplo, tentou dar um passo maior que a bunda e foi estrela de um filme autobiográfico (Cinderella Baiana) e de um programa musical no SBT (Canta e Dança, Minha Gente). Sheila Carvalho virou apresentadora de canal local, Jacaré causou constrangimento na Turma do Didi e Sheila Mello virou água corredeira abaixo.

E três integrantes já foram para A Fazenda.

Reinvenção de brinquedos clássicos

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Na década de 2000, a venda de Beyblade bateu recordes absoluto, e toda criança cuja opinião era embasada por desenhos animados de gosto duvidoso queria um daqueles dispositivos animais. Uma beyblade basicamente é o bom e velho pião com algumas firulas para torná-lo mais cool, mas a ideia está longe de ser criativa. Na década de 90 o É o Tchan já revolucionou a indústria dos brinquedos ressuscitando o bambolê. Agora desmontável e com o nome de Bambotchan, as crianças se estapeavam para adquirir um daqueles aros que deslizavam graciosamente na região pélvica das Sheilas. O grupo também apostou em outras brincadeiras, como no reboot da moda da Dança da Cordinha.

Músicas Educativas

Hoje em dia existe um grande mercado fonográfico para cantores ensinando a moral e lições escolares para as crianças, mas tudo não passa de uma macaqueação do método revolucionário do lançamento dos CDs do É o Tchan. A cada disco, o grupo de axé introduzia várias culturas diferentes ao povo brasileiro, contribuindo para a nossa pluralidade. Com as músicas sempre animadas, aprendemos lições valiosas sobre a vegetação do Egito (“Cheguei no oasis, ordinaria, estou todo molhadinho!”), tradições havaianas (“Colar havaino, abadá, pareô, saruniguê, coqueiral”) e até a história de nossa nação (“Enquanto o Cabral samba, Pero Vaz Caminha”). Eu mesmo credito 1/4 da minha nota no vestibular ao estímulo cultural proporcionado pelo É o Tchan.

Resgate de ritmos clássicos com novas roupagens

Alguém com pouco conhecimento musical e muito preconceito com o Brasil deve considerar a cantora Jennifer Lopez uma vanguardista de primeira por ter ressuscitado em 2011 a lambada, tornando-a atrativa para o atual mercado fonográfico internacional. No entanto, o ineditismo dela vai ao chão quando lembramos que em 1999 nosso representante nacional da música popular lançou Lambatchan, apresentando o ritmo às novas gerações através de um gênero confortável aos jovens da época, o axé music.

Participações especiais em músicas de outros grupos

A Britney Spears se acha A inovadora por ter arrastado a idosa da Madonna para um dueto com Me against the music, com direito a um clipe com as duas desesperadamente disputando a atenção dos fãs, um deleite quem admirava as supostas concorrentes. Porém, É o Tchan conseguiu unir muito antes uma rivalidade aproveitada em um clipe musical.

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Quem é daquela época deve se lembrar da rivalidade entre É o Tchan e Companhia do Pagode, semelhante à mesma divisão do mundo entre Socialismo e Capitalismo durante a Guerra Fria, então foi uma surpresa imensa quando os integrantes do Tchan fizeram uma participação no ousado clipe Na Dança do Strip-Tease do grupo rival. Tempos de paz surgiram no Brasil quando os brasileiros pensaram “se os dois grupos podem se unir harmoniosamente, por que eu preciso causar a discórdia?”.

O próprio É o Tchan também inovou promovendo duetos antes inimagináveis dentro de sua própria formação. O clássivo Nega Vá é uma canção cujos vocais são dividos por Beto Jamaica e a ainda inexperiente Carla Perez, em uma lúdica e romântica canção sobre a paixão nos tempos modernos sob o sol de 40º da Bahia.

Concluindo, é bem triste ver que um grupo que ajudou tanto na formação do brasileiro acabou caindo em uma ladeira sem fim de ostracismo por tentar sempre inovar cedo demais. Em 2000 foi o lançamento de É o Tchan.com.br, um álbum cujo sucesso seria certeiro se fosse lançado no fim da década, quando o Orkut e a banda larga se popularizavam pelo país. O mesmo pode ser dito sobre o álbum Funk do Tchan lançado em 2001, adiantando uma moda de quase dez anos depois.

É, É o Tchan, seu pecado foi inovar demais.

dica da Rina Noronha

A demonização da cultura negra

afro

Por Hermes Fernandes, no Cristianismo Subversivo

Anos atrás, uma de nossas congregações resolveu fazer uma apresentação na Sede da Reina homenageando a cultura negra. Mulheres vestidas a caráter começaram a dançar ao ritmo dos tambores, bem ao estilo africano. Por ser uma festa, tínhamos a presença de irmãos de muitas igrejas. Nem todos demonstravam o correto discernimento do que ocorria ali. Não demorou muito para que se ouvissem murmurinhos e expressões do tipo “tá amarrado”. Aquilo me deixou tão incomodado, que ao término da apresentação (que incluiu um grupo de capoeira), tive que chamar a atenção dos que murmuravam.

Por que insistimos em demonizar a cultura africana? Suas danças, música, folclore e tradições são entendidas como expressões malignas. Nossa contradição, todavia, é exposta ao nos referirmos às tradições religiosas nórdicas, celtas, anglo-saxônicas e greco-romanas como mitologia. Quanto preconceito ainda há em nós!

A única coisa que poupamos da cultura africana é a sua comida, desde que não seja servida por uma baiana de roupa branca e turbante.

Pensando bem, nunca encontrei uma passagem bíblica em que Jesus ou os apóstolos se referissem aos espíritos malignos com nomes de divindades dos panteões pagãos. Jamais flagrei os apóstolos expulsando um espírito de Júpiter ou Diana. Então, por que identificamos as divindades cultuadas nos terreiros como demônios? Por que não podemos enxergá-las apenas como mitologia, como fazemos com Zeus, Thor e Hermes?

Que há espíritos malignos por trás de qualquer culto idólatra, não me atrevo a duvidar. Inclusive por trás de muita devoção popular católica e da velada idolatria evangélica. Os demônios buscam adoração, e para isso, escondem-se por trás de figuras mitológicas e de crendices de qualquer credo.

Não duvido que haja demônios ocultos em muitas das práticas evangélicas de hoje em dia, principalmente quando envolve os chamados “pontos de contato”.

O culto genuíno é aquele que prescinde de objetos, sejam da devoção afro-brasileira como patuás, banhos mágicos e etc., sejam do espírito judaizante imperante em muitas igrejas como shofar, arcas da aliança, montes e etc. O culto que agrada a Deus se dá em Espírito e em Verdade, e não em superstições e amuletos.

Proponho que tratemos os elementos de qualquer culto como mera mitologia, sem, contudo, faltar-lhes o devido respeito. Mas que, em contrapartida, mantenhamos puro o culto que prestamos a Deus, sem nos apropriar indevidamente de qualquer um desses elementos, nem para o mal, nem para o bem.

Viva a cultura negra! Muito de sua mitologia encerra importantes arquétipos que revelam a natureza humana em toda a sua ambiguidade. Não os reconhecemos como deuses, mas também não os chamamos de demônios. Demônios são os que se escondem por trás de todo engano, ódio e preconceito, ainda que para isso se façam passar até por Jesus Cristo.

Aproveitando um comentário deixado em meu perfil no facebook pelo meu amigo Gilmar, “se fizessem um filme intitulado “Xango de Ife”, onde um personagem negro, portando um machado de dois gumes, vindo de Aruanda e que controla os raios e os trovões, certamente seriam execrados pelos “cristãos”. Mas, se o filme se chama Thor, deus nórdico a quem se sacrificavam homens, mulheres, crianças, cavalos e se penduravam em carvalhos, se põe um louro bonitão para protagonizar, e que como Xango, Zaze, Sumbo ou qualquer que seja o nome africano dado ao rei divinizado de Ife, controla o raio e o trovão, esse e visto sem peso de consciência. Prefiro Xango a Thor! A ele são sacrificados pombos, galinhas de angola, acaraje e caruru, não seres humanos.

Campanha produz imagens de deusas ‘agredidas’ para combater violência doméstica na Índia

Agência recorreu à religiosidade do povo indiano para lidar com a violência contra as mulheres

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Publicado no Catraca Livre

Segundo estatísticas, 68% das mulheres indianas sofrem violência doméstica. Para tentar mudar esta situação, uma agência de publicidade resolveu recorrer a um aspecto muito importante da cultura da Índia: a religião.

A empresa produziu imagens de figuras mitológicas femininas do hinduísmo, como as deusas Kali e Durga, com marcas de agressão no rosto. A campanha procura explorar a forte religiosidade do povo indiano para evidenciar a contradição entre venerar mulheres no campo espiritual e agredi-las no cotidiano. Confira:

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Influência de blogueiros atrai anunciantes

Pavarini: “Somando tudo, o alcance de minhas redes é de cerca de 5 milhões de pessoas por semana”.

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Martha Funke, no Valor Econômico

O tamanho exato é incerto. Mas o universo dos blogs no Brasil é imenso e cada vez mais rentável. O autor Marcos Lemos, que assina o e-book “Blogar: O processo de criação de Blogs”, e que criou o “Ferramentas Blog”, estimou a existência de mais de 2,5 milhões de blogs em português, com mais de 55 milhões de páginas criadas ou atualizadas nos seis meses anteriores, indexadas pelo Google.

A empresa de anúncios em mídias digitais Boo Box contabiliza 80 mil blogs entre os mais de 430 mil sites de nicho que monetiza no país. “Tem blog feito como hobby que só conosco tira mais de R$ 5 mil por mês”, diz o fundador do serviço, Marcos Gomes.

Muitos blogueiros já ultrapassaram esse status há muito tempo. A atividade movimenta verbas em anúncios, patrocínios, direitos de imagem, participação em eventos e até licenciamento. Alguns já criaram suas páginas virtuais de olho no rendimento. Com estruturas mais ou menos turbinadas e diferentes níveis de conhecimento sobre tecnologia ou técnicas de internet, mídia, planejamento, jornalismo ou comunicação, eles têm em comum a escolha de um tema segmentado no qual se tornaram referência para seus leitores.

Veja o exemplo de Samantha Shiraishi, a Sam, jornalista com dez anos de prática que ao se mudar de Curitiba para São Paulo, em 2005, com filhos de 2 e 4 anos, começou a escrever sobre consumo de cultura em família, descrevendo passeios e dicas. A atividade com o blog “A Vida como a Vida Quer”, hoje hospedado no portal do grupo pernambucano “Diário do Nordeste”, avançou, passou a incluir cidadania, carreira, consumo, educação e casa e a levou a ser reconhecida como especialista no ramo, o que rendeu convites para projetos relacionados.

Um deles foi o M de Mulher, da Editora Abril, que chegou a abrigar mais de um centena de blogueiros. Hoje, Sam é curadora de 35 blogueiros no portal Viva Positivamente, da Coca-Cola, e dona da produtora Otagai (reciprocidade, em japonês), focada em mídias sociais. Seu blog, na semana passada, exibia logotipo da Coca-Cola e banner da Schutz. “A publicidade já está em decadência. Os patrocínios, no geral, têm a ver com a chancela de algum produto”, diz.

Samantha costuma usar um selo criado por um grupo de blogueiros para assinar ações patrocinadas. Outros, como Camila Coutinho, do “Garotas Estúpidas”, o GE, focado em moda, estilo e entretenimento, coloca a observação com mais sutileza em imagens e tags, palavrinhas que organizam o tema dos textos publicados, ou posts. “No início não sinalizava. Todo mundo começou como amador e era normal uns errinhos. Agora com mercado maior tem coisas mais éticas”, pondera Camila, cujo blog, criado em 2006, hoje tem cerca de 70 mil visitantes únicos diários e é abrigado no portal NE10, do grupo pernambucano ” Jornal do Commercio “.

Aquilo que começou como uma brincadeira entre amigas hoje tem suporte de estrutura comercial em Recife e em São Paulo, colunista de beleza, gerente financeiro e webmaster. “Estão surgindo coisas de licenciamento. Adoro criar novos produtos, inclusive que não dependam de mim”, diz Camila.

Outros já começaram de olho no faturamento. O “Blog da Mimis”, hoje com 213 mil seguidores, surgiu depois que a fisioterapeuta Michelle Franzoni emagreceu 30 quilos e resolveu se concentrar na divulgação de temas relacionados a qualidade de vida e publicar uma espécie de reality show de seu dia a dia de alimentação e treinos.

No início do ano, contratou uma empresa de mídia digital para reformular o site e uma agência de assessoria de imprensa para divulgá-lo. O esforço rendeu verbas em anúncios e posts de marcas que vão de roupas a hotéis e viagens – a primeira fatura, no valor de R$ 1,5 mil, foi emitida para a etiqueta Fit and Chic. Michelle mantém olho atento nos resultados do Google Analytics para conhecer dados como reação e horários de preferência do público e chegou a recusar anunciantes como uma marca de maionese. “Não quero me queimar”, diz ela, que está desenvolvendo um aplicativo para celular a ser oferecido a operadoras que queiram divulgar conteúdos relacionados a qualidade de vida.

Ainda pequeno, o “Blog do Caminhoneiro” foi criado em 2011 pelo motorista de ônibus Rafael Brusque Toporowicz, de São Mateus do Sul (PR), também com algum espírito negocial, além do gosto por caminhões. Segundo ele, o site conta com patrocínios eventuais – recentemente ele fechou com a Volvo banner e divulgação – e estimulou seu ingresso no mundo das comunicações.

Hoje ele produz textos institucionais e press releases para a empresa em que trabalha. A chegada dos anunciantes foi resultado de persistência. “Corri atrás das equipes de marketing e relacionamento com a imprensa, tentando parcerias para sorteios de brindes e divulgação.” Depois começou a ser convidado a participar de eventos. Hoje com cerca de 7 mil acessos diários, Rafael tem como meta a autossuficiência do blog, para não precisar do emprego. “Vou começar um programa de rádio falando de caminhoneiros e agregar serviços, como empregos ou compra e venda de caminhões”, antecipa.

Pavarini: newsletter tem 208 mil assinantes e 240 mil seguidores no Twitter foto: Alex Fajardo

Pavarini: newsletter tem 208 mil assinantes e 240 mil seguidores no Twitter
foto: Alex Fajardo

Já o “Pavablog”, do jornalista Sérgio Pavarini, teve origem menos amadora. Ex-editor e gerente de marketing do meio editorial, ele assumiu os veículos eletrônicos de orientação evangélica que assinava para uma editora, vendida a um grupo estrangeiro. Passou a assinar tudo com seu próprio nome e hoje só na newsletter publicada duas vezes por semana soma 208 mil assinantes. São mais 240 mil seguidores no Twitter. “Somando tudo, são cerca de 5 milhões de pessoas por semana”, diz.

Além de anunciantes, principalmente do meio editorial, o blogueiro criou uma empresa, com apoio de uma equipe de dez pessoas, para gerenciar iniciativas de mídia social e a interface com outros blogueiros. Hoje sua rede Pavablogs soma 2 mil endereços. “Um blogueiro é um formador de opinião”, diz.