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Castelo Rá-Tim-Bum – A exposição

publicado no Istartcoop

MIS-Museu da Imagem e do Som- apresenta a mostra Castelo-Rá-Tim-Bum – A exposição, uma homenagem ao programa infantil da TV Cultura que em 2014 completa 20 anos do início de sua veiculação.

Concebida pela equipe do Museu da Imagem e do Som com apoio da TV Cultura/Fundação Padre Anchieta, a mostra é um tributo ao programa que é considerado um dos melhores produtos audiovisuais da história da televisão brasileira.

A exposição, que ocupará o primeiro e o segundo andares do Museu, é dividida em duas partes. Em uma delas, os visitantes irão conferir peças do acervo, muitas delas recuperadas e restauradas pelo MIS, como objetos de cena, fotografias, figurinos dos personagens e trechos do programa que até hoje são hit, como Lavar as mãos, música de Arnaldo Antunes. Depoimentos gravados pelos atores do elenco original especialmente para a exposição complementam esta parte. Em outra, uma experiência lúdica espera os visitantes, que poderão literalmente entrar no Castelo. Para tanto, mais de dez ambientes, como o saguão e a biblioteca, serão recriados. O público também poderá ver de perto bonecos originais, como o Gato Pintado, o monstro Mau, a cobra Celeste e as botas Tap e Flap.

 O Diretor do MIS ,manda avisar : a mostra não é só para o público infantil. E nem é só para o adulto. Porque os fãs que assistiram o Castelo hoje são adultos, mas não queremos deixar só esse público feliz, queremos também, com a mostra, conquistar novos fãs para o Castelo. A ideia é que mesmo uma criança que nunca assistiu ao programa fique encantada

Programação paralela

Para completar a exposição, o MIS preparou uma programação paralela especial. Nos finais de semana, serão apresentados espetáculos com alguns dos principais atores do elenco, como Rosi Campos (Morgana) e Angela Dip (Penélope). O Núcleo Educativo do Museu oferecerá uma série de oficinas artísticas gratuitas voltadas para o público geral e professores. O MIS também apresenta cursos relacionados ao Castelo, entre eles está Stop Motion: Ratinho Castelo Rá-Tim-Bum (13 de agosto a 5 de setembro), que levará o participante a conhecer a clássica técnica de animação: a massinha.

Sobre o programa

Castelo Rá-Tim-Bum foi um programa de televisão brasileiro voltado para o público infanto-juvenil, produzido e transmitido pela TV Cultura entre 1994 e 1997. O programa foi parcialmente inspirado no também educativo Rá-Tim-Bum, e deu origem a uma franquia televisiva, da qual também faz parte Ilha Rá-Tim-Bum. O Castelo é uma criação do dramaturgo Flávio de Souza e do diretor Cao Hamburger, com roteiros de Dionisio Jacob (Tacus), Cláudia Dalla Verde, Anna Muylaert, entre outros.

Com a colaboração de 250 profissionais entre diretores, atores, equipe de efeitos visuais, cenógrafos, pintores, marceneiros, músicos, professores de português, especialistas em pedagogia, o Castelo Rá-Tim-Bum foi eleito o melhor programa infantil de 1994 pela Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA. Ainda em 1994 e 1995, recebeu a medalha de prata na categoria melhor programa infantil do Festival de Nova York; em 1995, ganhou o Prêmio Sharp de Música para o melhor disco infantil; e entre 1999 e 2001 a série foi exibida para toda América Latina pelo canal a cabo Nickelodeon.

A audiência da série foi considerada um sucesso para a TV Cultura, com uma média de 12 pontos, índice jamais alcançado por uma série educativa ou por um programa da emissora

 *** Os ingressos para exposição têm venda antecipada a partir de 8 de julho pelo site Ingresso Rápido

Serviço: 16jul a 12out2014

Terça à sexta: das 12:00 às 21:00

Sábado: das 10:00 às 22:00 

Domingos e feriados: das 10:00 às 20:00

R$ 10 | R$ 5 (meia)

Índios deixam costumes tradicionais e viram evangélicos em aldeia, no AP

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Indígena Zila Santos lendo a bíblia durante o culto na aldeia Kumenê (Foto: Abinoan Santiago/G1)

Publicado no G1

A aldeia Kumenê, que fica na reserva Uaçá, em Oiapoque, a 590 quilômetros de Macapá, é uma das mais isoladas comunidades indígenas no extremo norte do país. Para chegar a tribo da etnia Palikuré é necessário navegar ao menos 20 horas por três rios do Amapá. Apesar de localizada em meio a selva amazônica, a aldeia sofreu influência da chamada “cultura do homem branco”, segundo o cacique Azarias Ioio Iaparrá, de 50 anos. Uma delas foi a incorporação do protestantismo. “Somos evangélicos. A maioria da aldeia é crente”, resumiu o líder indígena.

Antes adeptos da cultura em que o Deus era a natureza, os índios da aldeia Kumenê passaram a acreditar em Jesus Cristo. A consolidação da religião protestante na tribo não é recente.

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Momento do culto na aldeia Kumenê, em Oiapoque (Foto: Abinoan Santiago/G1)

Relatos dos indígenas apontam que a “catequização evangélica” iniciou em 1965, quando um casal de missionários norte-americanos iniciou o referido processo que teria durado pouco mais de uma década. Eles teriam usado o argumento de que somente na crença em Jesus poderiam obter salvação divina.

Momento de oração de indígena em culto na aldeia Kumenê (Foto: Abinoan Santiago/G1)

Momento de oração de indígena em culto na aldeia Kumenê (Foto: Abinoan Santiago/G1)

“Os missionários explicaram pra gente que Jesus era o único salvador e que Deus fez o céu e a terra. Primeiro não acreditamos muito, mas depois começamos a aceita a palavra e fomos nos batizando nas águas”, contou o pastor indígena Florêncio Felício, de 55 anos, que desde os 25 anos segue o protestantismo. A aldeia tem apenas uma igreja evangélica, construída em alvenaria por missionários na década de 1990.

Com a incorporação do protestantismo o batizado nas águas era uma forma de demonstração da aceitação de Jesus Cristo. A consagração religiosa implicou em uma série de mudanças no comportamento dos índios em razão da nova doutrina adotada na tribo indígena. O ato de batismo era celebrado à margem direita do rio Urukauá, que banha a aldeia Kumenê.

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Dança em louvor a Jesus Cristo na aldeia Kumenê, em Oiapoque (Foto: Abinoan Santiago/G1)

Uma das primeiras mudanças refletida na tribo tratou do espaço da comunidade. O cacique Iaparrá relata que depois da incorporação da religião protestante, as casas dos índios que antes eram afastadas umas das outras, passaram a ser construídas em distâncias menores entre si.

“Cada família tinha a própria aldeia, mas depois dos missionários passamos a viver mais próximos, como se fosse uma única família”, relatou Iaparrá.

O processo de mudança de cultura dos índios, conforme conta o cacique, teria se efetivado com a alfabetização dos nativos em português a partir da construção da primeira escola dois anos após a chegada dos missionários.

“Aprendemos a falar português porque era a língua dos brancos e assim também poderíamos nos comunicar melhor com os missionários”, acentuou Azarias Ioio Iaparrá.

O cacique acrescentou que apesar de a maioria dos índios saberem o português, a comunicação entre si, incluindo os cultos, é realizada em dialeto nativo, o palikur. Apenas as palavras ‘Jesus’, ‘Aleluia’ e ‘Amém’ não tem tradução para a língua indígena usada na aldeia.

Pastor indígena de Kumenê Florêncio Felício (Foto: Abinoan Santiago/G1)

Pastor indígena de Kumenê Florêncio Felício
(Foto: Abinoan Santiago/G1)

O pastor indígena da tribo lembra que entre as práticas culturais combatidas pela religião protestante, três foram extintas: a circulação de pessoas nuas na aldeia, danças típicas, feitiçaria de pajés e o caxixi, bebida com teor alcoólico a base de mandioca fermentada com saliva. As tradições foram trocadas pelos pastores.

Zila Santos, de 47 anos, foi uma das índias que deixou de realizar os costumes tradicionais. “Eu não bebo e nem fumo mais. Isso melhorou a minha vida porque antes, quando os índios bebiam, tinham muitas brigas na aldeia. Depois da igreja, isso não aconteceu mais”, frisou.

Bíblia escrita em palikur, língua materna da aldeia Kumenê (Foto: Abinoan Santiago/G1)

Bíblia escrita em palikur, língua materna da aldeia Kumenê (Foto: Abinoan Santiago/G1)

Pensamento diferente tem o indígena Fernando Iaparrá, de 37 anos. Ele diz que saiu da igreja devido a mudança cultural que ela provocou nos índios que aderem a religião. “Eu gosto de beber o caxixi. Mesmo não tendo mais na aldeia, sou contra essa proibição. Por isso decidi deixar”, justificou o índio, que disse ter sido evangélico por apenas um ano.

Por causa do processo de mudança cultural, a intenção do cacique Iaparrá lamenta que a tribo tenha perdido os traços culturais característicos indígena: “Eu vi que a gente não deveria deixar a nossa cultura, mas já perdemos muitas coisas. Crianças que não sabem nem dançar, por exemplo”.

Culto
No lugar dos ritos tradicionais, os índios tomaram outra atividade para si. Por três vezes na semana, eles comparecem na única igreja da aldeia para acompanhar o culto evangélico.

A celebração religiosa começa as 20h e tem duração de três horas. Ela tem a mesma dinâmica de cultos realizados fora da tribo, com louvores, leitura de passagens bíblicas e danças com hinos evangélicos. A única diferença da reunião é que todas as atividades são na língua materna, inclusive a leitura da bíblia, que é redigida em palikur.

O sonho do sucesso gospel
Os cultos na igreja em Kumenê têm várias bandas que participam durante a celebração. Uma delas é a Missão de Gideão, formada apenas por indígenas. O grupo existe há 20 anos e é um dos mais antigos na comunidade, segundo um dos membros da banda Sofonias Hipólito, de 39 anos.

Ele conta que o grupo musical é composto por quase dez pessoas, a maioria jovens. Ao longo de duas décadas, mais de 100 músicas gospel foram compostas na língua materna da aldeia, conforme cálculo de Hipólito.

Com tanta música, o integrante da banda revela que o maior sonho do grupo é sair da aldeia para gravar um disco em Macapá. “Temos um material autoral que precisamos colocar em um CD. Mas por causa da dificuldade financeira e distância, ainda não conseguirmos viajar”, disse.

Além das 20 horas navegando da aldeia até Oiapoque, a viagem até Macapá leva mais 12 horas via terrestre com passagem de ônibus ao preço de R$ 90. “Peço todo dia para Deus nos ajudar a sair da aldeia. Temos muitos hinos e queremos mostrar nosso trabalho”, concluiu Sofonias Hipólito.

Kumenê
A aldeia Kumenê está localizada na reserva Uaçá, em Oiapoque, extremos norte do país. Ela é composta por dez vilas às margens do rio Urukauá, que somam 1.963 índios, segundo o cacique Azarias Iapará.

Nas cabeceiras dos rios Oiapoque e Uaçá, a vegetação é de terra firme, mas seguindo em direção à foz do rio Urukauá, a vegetação muda, sendo tomada por campos alagados, com algumas montanhas, que permitem a ocupação humana.

Para chegar na aldeia Kumenê, em Oiapoque, é necessário viajar mais de 20 horas via fluvial (Foto: Abinoan Santiago/G1)

Para chegar na aldeia Kumenê, em Oiapoque, é necessário viajar mais de 20 horas via fluvial (Foto: Abinoan Santiago/G1)

A tribo faz parte da etnia Palikur, que também possui descendentes na Guiana Francesa. Na comunidade brasileira, a língua materna é uma das únicas culturas preservada. Os índios ainda utilizam o dialeto local para se comunicar entre si.

Além do dialeto palikur, muitos falam ou compreendem o patuá, idioma usado por índios das etnias Karipuna e Galibi-Marworno.

Em Kumenê, atualmente há atendimentos da Fundação Nacional do Índio (Funai), com um posto de saúde, e de uma escola estadual com aulas de até o ensino médio.

Novos labores

futuroMarina Silva

Primeiro de Maio, eu me lembro. No início dos anos 80 ajudei a criar a CUT no Acre, com Chico Mendes, e acompanhei sua grande dificuldade em fazer a maioria dos dirigentes sindicais da época aceitar a luta dos seringueiros em defesa da floresta. Mesmo os que queriam transformar a antiga estrutura, dos tempos de Getúlio Vargas, ainda resistiam às novas lideranças, bandeiras e formas de organização. Mais tarde, o que se renovou também viu chegar a estagnação.

Releio no livro “Psicanálise e Política” (Zahar, 2006), de Ricardo Goldemberg: parece inevitável que, depois da ruptura, o movimento busque a estrutura, esvazie a potência do ato político e reproduza “a fixidez do regime anterior”. Administrar o sucesso e a vitória envolve poder, estrutura, cargos e recursos. Este é, digamos, o capital do trabalho.

Mas tudo muda.

Na civilização em crise, o planeta mostra dramaticamente seus limites. Operários e camponeses convivem com novos labores e variadas formas de contrato e remuneração. Algumas reivindicações antigas transformam-se em direitos consagrados, políticas de Estado ou estrutura das empresas. Agora há demanda por novos direitos. Ao mesmo tempo, multiplicam-se alternativas de inspiração cooperativista, empreendedorismo social, economia criativa. E novas tecnologias estendem o lugar do trabalho do chão da fábrica à nuvem virtual.

Quando um adolescente, na Índia, recebe um pedido pela internet e providencia a entrega de uma pizza em Nova York, estamos, sem dúvida, diante de uma transformação no mundo do trabalho que exige outra igualmente grande na organização e no ideário dos trabalhadores. E não adianta tirar do baú velhas bandeiras ou ensaiar algum neogetulismo para criar novos pais e mães da pátria.

As jornadas de junho do ano passado revelaram uma infinidade de desejos pulsando na sociedade. Depois delas, vimos uma reanimação nos movimentos sindicais em várias categorias profissionais, num esforço para sacudir o marasmo, romper os laços de dependência e recuperar a potência esvaziada.

Há um caminho possível: os novos significados do trabalho ensejam novas utopias. E mais iniciativa. Tememos as demissões que podem vir, por exemplo, numa grave crise energética. Mas quantos empregos podem ser criados com as energias renováveis e programas de eficiência energética? E com o reflorestamento, a gestão das águas, a reciclagem de materiais, enfim, as amplas potencialidades do desenvolvimento sustentável?

O desejo organizado do povo trabalhador pode inaugurar um mundo de saúde e qualidade de vida, educação e ciência, cultura e criatividade. É preciso apontar as antenas para o futuro.

fonte: Folha de S.Paulo

‘Nelson Mandela implantou a cultura da morte’, diz Marco Feliciano

Ao iG, deputado critica líder sul-africano por aprovação de lei que autoriza aborto, revela sonhar com Senado e afirma que em hipótese alguma apoiará reeleição de Dilma

img2Marcel Frota e Nivaldo Souza, no iG

O deputado Marco Feliciano (PSC-SP) polemiza ao falar sobre o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, morto no último dia 5 de dezembro. Apesar de homenagear Mandela com um minuto de silêncio durante a última sessão da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, Feliciano dispara contra o líder negro por causa da aprovação de lei de aborto na África do Sul.

“Quem mata uma criança, para mim, não é meu amigo. Então Mandela implantou a cultura que chamamos de cultura da morte dentro da África do Sul”, diz Feliciano, em entrevista ao iG. “E até hoje os índices de aborto na África do Sul são dos maiores do mundo. Então, nesse quesito, Mandela não foi feliz”, criticou o deputado. Em 1996, a legalização do aborto foi tomada por Mandela com base no alto índice de violência sexual contra a mulher. Segundo autoridades sul-africanas, cerca de 60 mil estupros são denunciados todos os anos no país.

Apesar da crítica, Feliciano elogia a atuação de Mandela na questão da igualdade racial e promete uma homenagem ao líder da luta contra a segregação racial do apartheid. O deputado é relator do projeto de lei que pode destinar 20% das vagas em concursos público para negros. Ele antecipa que dará parecer favorável às cotas. “Meu voto vai ser uma homenagem a Mandela”, indica.

O parlamentar avalia que deixou de ser um político somente identificado com a corrente evangélica para ocupar um espaço vago na preferência de eleitores conservadores, independentemente da orientação religiosa. “Talvez eu revelei ao país uma espécie de político que parece que está em extinção: o político com posicionamento”, afirma, ressaltando acreditar ser hoje no cenário político “uma pessoa firme que suporta pressão”.

Isso alimenta o sonho de Feliciano em disputar uma vaga no Senado por São Paulo em 2014. O pastor diz que a decisão não depende apenas dele. É preciso avaliar a postulação ensaiada também por Eduardo Suplicy (PT), Gilberto Kassab (PSD), José Serra (PSDB). Em um cenário apenas com ele e Suplicy, o deputado diz que haveria uma “luta bonita”. “Se fosse só ele (o candidato no estado), entraria na disputa sem medo nenhum. Seria uma luta bonita, porque o sobrenome Suplicy está atrelado a tudo o que contraria a nós (evangélicos)”, diz.

Feliciano compara a briga com Suplicy às históricas lutas entre os ex-boxeadores Mike Tyson e Evander Holyfield, em meados dos anos 1990. “Seria a luta do século (pelo Senado)”, diz, avaliando que uma candidatura a senador pode enfrentar dificuldades na hora de encontrar um candidato ao governo paulista disposto a tê-lo em seu palanque. “Não sei qual governador seria capaz de comprar essa briga”.

Cabo eleitoral

O presidente da Comissão de Direitos Humanos será cabo eleitoral do candidato do PSC à Presidência da República. Ele diz que já gostou de Eduardo Campos (PSB-PE), mas teve de desistir do presidenciável pernambucano depois de ler declarações dele sobre cobrança de impostos das igrejas. “Tinha simpatia (por Campos), já estive com ele”, conta. “Mas para que ferir um povo que tem peso de voto?”, questiona, emendando que Campos “é mal assessorado”.

Críticas mais duras são dirigidas a ex-senadora Marina Silva (PSB-AC), que Feliciano considera que poderia ter sido sua “mentora” política por também ser evangélica. Ele se diz desencantado com Marina depois de declarações nas quais ela sinalizou ser favorável à união civil (material) entre pessoas do mesmo sexo e contrária ao casamento homossexual, o que implicaria em reconhecimento religioso. “Por que negar sua fé? Só para inglês ver?”, critica Feliciano. “O meu problema com o casamento gay não é um papel, um documento. É o que o documento vai dar a eles (homossexuais), como a adoção. A Marina sabendo do nosso posicionamento se não se posicionou”.

O tom sobe mais quando questionado sobre apoiar a presidente Dilma Rousseff, a quem acusa de não cumprir um acordo com correntes religiosas em relação à não aprovar leis favoráveis ao aborto. Em julho, Dilma sancionou lei estabelecendo direitos a mulheres vítimas de estupro – entre eles: oferta da pílula de emergência conhecidas como ‘pílula do dia seguinte’, que pode evitar a gravidez em até 72 horas após o ato sexual. “Quando a presidente assinou um documento dizendo que no mandato dela o aborto não seria votado, eu acreditei”, diz.

Em 2010, a então candidata Dilma divulgou carta afirmando que não tomaria “a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no país”. A mudança foi decisiva para não apoiar a reeleição de Dilma. “Eu não posso caminhar ao lado dela”, afirma Feliciano.

Direitos Humanos

Feliciano fez um apanhado de sua atuação à frente da Comissão de Direitos Humanos e disse que o projeto de decreto legislativo 234/2011, conhecido como “projeto da cura gay”, pode voltar à pauta da comissão em 2014. A proposta tenta suspender resolução do Conselho Federal de Psicologia que proíbe o tratamento da homossexualidade como doença. Feliciano diz que o texto pode ser colocado em votação pelo próximo presidente da comissão – o pastor deixará o cargo em fevereiro, quando o Congresso voltar do recesso. “O projeto não morreu, ele foi retirado de pauta. O autor do projeto, deputado João Campos (PSDB-GO), pode voltar (a colocá-lo em discussão) a qualquer momento no próximo pleito”, diz.

O deputado avalia que houve excessos na discussão do projeto que, segundo ele, suspendia uma “resolução criminosa” do Conselho de Psicologia. “A maldita cura gay, que de cura não tem nada, é um projeto que sustava uma resolução que para mim é criminosa”, afirma. “Conheço pessoas que querem ajuda. A homossexualidade não é um assunto esgotado, não é científico, não existe um gene gay”, diz.

A resposta ao ativismo gay tem sido trabalhada pela frente parlamentar evangélica na Comissão de Direitos Humanos do Senado, onde tramita o projeto de lei complementar (PLC 122/2006) que pretende colocar no mesmo patamar do racismo a discriminação ou o preconceito pela orientação sexual e identidade de gênero.

A oposição do pastor e outros religiosos levou o senador Paulo Paim (PT-RS), relator do PLC 122, a retirar do texto a palavra homofobia e colocar um trecho dando liberdade aos templos de recusar pessoas que demonstrem afetividade diferente da sua orientação religiosa. Apesar das mudanças, a frente evangélica tentará obstruir a votação do PLC 122 na comissão do Senado. “Esse projeto é um projeto natimorto, demonizado como o da cura gay”, diz Feliciano. “Por mais que se tente melhorá-lo, já ficou uma marca de que ele é um projeto de gay contra evangélico.”

dica do Eliel Batista