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Por que alguns pais são deixados para criar os filhotes sozinhos

Cesar Grossmann, no Hypescience

Um fato estranho na natureza tem desafiado os biólogos há mais de um século. Darwin, em 1871, havia notado que, na maior parte dos animais, é a fêmea que cuida dos filhotes, enquanto os machos ficam competindo entre si por elas.

A explicação evolutiva é que as fêmeas investem quantidades significativas de energia na produção dos ovos (no caso dos mamíferos, no nascimento), e assim é de interesse delas garantir a sobrevivência de suas crias.

Mas, em algumas espécies, existe uma reversão nos papéis dos sexos, com machos cuidando dos filhotes em vez das fêmeas. Um estudo recente aponta que talvez a razão para isto seja a disparidade entre o número de fêmeas e machos.

cavalo

Depois de mais de vinte anos de investigação, o grupo de pesquisadores da Universidade de Bath e Veszprém , da Hungria, determinou que, nestas espécies, há claramente uma taxa muito maior de machos do que fêmeas, comparado com as espécies em que as fêmeas cuidam dos filhotes.

Segundo o professor Tamás Szekely, os modelos matemáticos sugeriam que o comportamento dos animais era influenciado pelo ambiente social, e as observações na natureza confirmam estas predições.

Segundo ele, “quando existem muitos machos na população, é mais difícil encontrar fêmeas, o que faz com que os machos permaneçam com suas parceiras e cuidem da cria. Só que as fêmeas geralmente usam esta vantagem a seu favor, abandonando o macho com o filhote”.

Para completar o quadro, nas espécies em que os papéis são trocados, as fêmeas também são maiores e assumem o papel masculino de competirem entre si por outros machos.

Apenas entre os mamíferos a troca de papéis não é comum, já que os machos não podem produzir leite, o que torna difícil que assumam sozinhos a criação dos filhos. Uma das espécies mamíferas em que as inversões de papéis já foram observadas são os humanos.

Do espírito da ressurreição

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Will, no Ensaios do Afeto

Graças à minha família, sou cristão. Oportunidades não me faltaram para trocar de fé. Estudei com Testemunhas de Jeová e com Mórmons, conheci o espiritismo – li “O evangelho segundo o espiritismo” e alguns trechos do “Livro dos Espíritos” -, aproximei-me de outras expressões de fé como o Budismo, o Islã e a fé Baha’í, mas nunca me vi não cristão.

Quando criança, aprendi na catequese que os grandes problemas do humano são o mal e a morte. Convertido à faceta pentecostal do protestantismo, intensifiquei meu pavor a tais inimigos. Saí do movimento evangélico (ufa!) e aprendi, com a leitura de teólogos católicos e protestantes, filósofos existencialistas e materialistas, ateus e religiosos, que a morte pode não ser um inimigo, e que o mal, esse sim, deve ser combatido – embora seja um produto da finitude, ou seja, tudo que é finito produz mal e bem, bom e mau, inexoravelmente. Bendita ambiguidade.

Há muito, deixei de encarar a morte como a um inimigo, embora entenda quem o faça. Encabeçados por Darwin, teóricos convenceram-me, através da leitura de seus textos e da escuta de suas falas ou de seus estudiosos, de que pra que haja vida, a morte é indispensável. Sim, somos seres finitos condenados à morte. É o ciclo sem fim.

Li que o Rubem Alves, quando perguntado se tinha medo da morte, respondeu: medo não, tenho pena. Faço coro com o mestre. Mas devo confessar que a minha morte não me dá medo, o que me assusta é a morte dos meus queridos. Isso porque a morte é um memorial à saudade e, também, porque com a presença em vida da minha família, a quem mais amo, sinto-me seguro; confesso, tenho medo da saudade. A força, o carinho e a garra da minha mãe e de minhas avós são um alerta diário de que na vida é preciso ter coragem, a sabedoria e a serenidade do meu pai são lembretes pujantes de que a vida carece de calma sem resignação, de que ela passa rápido e é preciso agir. Pra não viver em vão, é preciso deixar um legado.

Não sei, nem quero, definir o que houve com Jesus de Nazaré depois de sua morte, o que nós, cristãos, chamamos de ressurreição. O que sei é que seu testemunho tem sido suficiente pra que ele seja lembrado até hoje e, não somente isto, adorado também. Há milhares de pessoas fazendo o bem, distribuindo amor pelo mundo e lutando, consciente ou inconscientemente, contra processos anti-vida em seu nome. A elas desejo sempre estar junto.

Meu pai disse-me algumas vezes que seu maior objetivo é dar a nós, a mim e à minha irmã, aquilo que meu avô, embora quisesse, não pode lhe dar. Ele não sabe, mas todos os dias lembro disso. Tem servido de fundamento às minhas relações, significado: minhas amizades, que sejam as melhores; namoros e um futuro casamento, que sejam os melhores; no relacionamento profissional, que eu contribua para que o ambiente onde eu estiver seja o melhor etc. A partir do testemunho de vida do meu pai, sou habitado por um desejo intenso de melhora, sede de vida – reconhecendo minhas limitações, buscando superá-las; é o espírito da ressurreição.

A morte foi ressignificada por Jesus. Morrer não é ir e levar, mas ficar e deixar. A vida sempre prevalece. Todos seremos lembrados por aquilo que fomos. Há uma força que promove o bem e a vida, que só pode ser o Espírito de Jesus, da sua ressurreição. Nele, portanto, oro como São Francisco de Assis:

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa , que eu leve o perdão,
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
Onde houver dúvida, que eu leve a fé,
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido,
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se nasce para a vida eterna…

Amém.

Comprovado: TV faz mal às crianças

kickthebaby_thumbCarlos Cardoso, no Meio Bit

Os números são assustadores, mas reais: Anualmente nos EUA 13 mil crianças são machucadas da forma mais idiota e evitável possível: Derrubando o televisor em suas cabecinhas inocentes e curiosas. Pior: A cada 3 semanas uma criança morre por causa desse tipo de acidente.

70% das vítimas têm menos de 5 anos.

Esses números aumentaram em 31% na última década. A “culpa” é das TVs de tela plana. Antigamente era virtualmente impossível para um moleque atentado derrubar uma Telefunken 29 polegadas, que pesava uns 200kg. Hoje não só o peso como a estabilidade das TVs está bem diferente.

Em amo a minha Samsung Loura, mas balançando pela parte de cima ela treme toda. Uma pestinha dessas empurrando a TV invocará Newton E Darwin, e poderá acordar no hospital com cara de gato persa.

A culpa no caso é 100% dos pais. A mesma pesquisa identificou que 3/4 das TVs não estão presas nas paredes, mas apenas colocadas precariamente nos racks, com aquelas bases ridículas que não seguram nada. Os pais, botando o bolso na frente dos filhos temem danificar a parede ou instalar a TV corretamente.

Tem filho pequeno em casa? Não pense duas vezes: Compre um suporte de parede. Os bons modelos são seguros, flexíveis e permitem inclusive mais ângulos de visão do que a base original.

Darwin não tinha razão: o novo visual de Silas Malafaia


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A montagem com Malafaia em 2 momentos diferentes foi feita com o objetivo de mostrar a mudança dele em relação à teologia da prosperidade. Além do inclassificável alfinete de gravata, dá pra ver que ele matou algumas aulas de geografia. Malafaia fala “no” Zâmbia e na Guiné, juro,  “abissal”. #cataploft Dá zero pra ele…

No programa de hoje, Malafaia assustou muitos espectadores. Desta feita, nada a ver com o habitual histrionismo de sua versão gospel do Ratinho. Ele apareceu alaranjado como a Valesca Popozuda e com um implante capilar que deixou a cabeça dele quadrada, o que é praticamente 1 pleonasmo.

Algumas sugestões para as próximas mudanças: depilar o discurso preconceituoso e repleto de chavões; tomar 1 banho de cultura geral;  abandonar referências “teológicas” como Mike Murdoch e Morris Cerullo; ler bons escritores como C.S. Lewis e Chesterton para tentar aclarar as ideias obscuras e obscurantistas… Enfim, acho que só na Jerusalém celestial.

Jovens brasileiros conciliam bem ciência e religião

Herton Escobar, no Estadão

Pesquisa revela que a maioria dos estudantes do ensino médio não vê a fé como barreira à aceitação da teoria evolutiva de Darwin

A maioria dos jovens brasileiros vive em paz com suas crenças religiosas e a ciência da teoria evolutiva. Tem fé em Deus e, ao mesmo tempo, concorda com as premissas estabelecidas por Charles Darwin mais de 150 anos atrás, de que todas as espécies da Terra – incluindo o homem – evoluíram de um ancestral comum por meio da seleção natural. É o que sugere uma pesquisa realizada com mais de 2,3 mil alunos do ensino médio no País, coordenada pelo professor Nelio Bizzo, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

Futuro? Uma interpretação mais elástica das doutrinas religiosas e mais sensível à ciência / Marcos Müller/AE

A conclusão flui de um questionário sobre religião e ciência respondido por estudantes de escolas públicas e privadas de todas as regiões do País, com média de 15 anos de idade. A base de dados e a metodologia usadas na pesquisa foram as mesmas do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), segundo Bizzo, para garantir que os resultados fossem estatisticamente representativos da população estudantil brasileira. “É o primeiro dado com representatividade nacional sobre esse assunto para esta faixa etária”, diz o educador, que apresentou os dados pela primeira vez neste mês, em uma conferência na Itália.

“Ainda vamos fracionar e analisar mais profundamente as estatísticas, mas já dá para perceber que os alunos religiosos brasileiros são bem menos fundamentalistas do que se esperava”, avalia Bizzo, que também é formado em Biologia e tem livros e trabalhos publicados sobre a história da teoria evolutiva. “É surpreendente. Algo que sugere que no futuro teremos uma população com uma interpretação mais elástica das doutrinas religiosas e mais sensível à ciência.”

Aos 15 anos, diz Bizzo, os jovens estão passando por uma fase de definição moral, em que consolidam suas opiniões sobre temas fundamentais relacionados à ética e à moralidade. “É um período crucial. Dificilmente os conceitos de certo e errado mudam depois disso.”

O questionário apresentava aos alunos 23 perguntas ou afirmações com as quais eles podiam concordar ou discordar em diferentes níveis. Mais de 70% disseram que se consideram pessoas religiosas e acreditam nas doutrinas de sua religião (52% católicos e 29% evangélicos, principalmente, além de 7,5% sem religião). Ao mesmo tempo, mais de 70% disseram que a religião não os impede de aceitar a evolução biológica; e 58%, que sua fé não contradiz as teorias científicas atuais. Cerca de 64% concordaram que “as espécies atuais de animais e plantas se originaram de outras espécies do passado”.

Só quando a evolução se aplica ao homem e à origem da vida, as respostas ficam divididas. Há um empate técnico, em 43%, entre aqueles que concordam e discordam que a vida surgiu naturalmente na Terra por meio de “reações químicas que transformaram compostos inorgânicos em orgânicos”. E também entre os que concordam (44%) e discordam (45%) que “o ser humano se originou da mesma forma como as demais espécies biológicas”.

Sensibilidade. Os pesquisadores chamam atenção para o fato de que nenhuma das respostas que seriam consideradas fundamentalistas, do ponto de vista religioso, ultrapassam a casa dos 29%, porcentagem de entrevistados que se declararam evangélicos (denominação em que a rejeição à teoria evolutiva costuma ser mais forte). Apenas em dois casos elas ultrapassam 20%: entre os alunos que “discordam totalmente” que o ser humano se originou da mesma forma que as outras espécies (24%) e que os primeiros seres humanos viveram no ambiente africano (26%).

“A porcentagem dos que rejeitam completamente a origem biológica do homem é menor que a de evangélicos da amostra, o que é uma surpresa, já que os evangélicos no Brasil costumam ser os mais fundamentalistas na interpretação do relato bíblico”, avalia Bizzo. “A teoria evolutiva é talvez a coisa mais difícil de ser aceita do ponto de vista moral pelos religiosos. Mesmo assim, os dados mostram que a juventude brasileira é sensível aos produtos da ciência.”

Divulgada em 1859, com a publicação de A Origem das Espécies, a teoria evolutiva de Charles Darwin propõe que todos os seres vivos têm uma ancestralidade comum, e que as espécies evoluem e se diversificam por meio de processos de seleção natural puramente biológicos, sem a necessidade de intervenção divina ou de forças sobrenaturais – um conceito amplamente confirmado pela ciência desde então.

Apesar de ser frequentemente (e erroneamente) resumida como “a lei do mais forte”, a teoria evolutiva é muito mais complexa que isso. A Origem das Espécies tinha 500 páginas, e Darwin ainda considerava isso muito pouco para explicá-la. Desde então, com o surgimento da genética e o desenvolvimento de várias outras linhas de pesquisa evolutiva, a complexidade da teoria só aumentou, dificultando ainda mais sua compreensão – e, possivelmente, sua aceitação – pelo público leigo.

“O problema é que a maioria dos estudantes – ainda mais com 15 anos – não tem muita clareza sobre o que está envolvido na teoria darwiniana. Com isso há o potencial de surgirem respostas contraditórias”, avalia o físico e teólogo Eduardo Cruz, professor do Departamento de Ciência da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Isso não tem a ver com a qualidade da pesquisa, mas com a pouca compreensão de temas tanto científicos quanto teológicos. Além do que, quando se trata de perguntas que envolvem a intimidade das pessoas, as respostas nem sempre são confiáveis. É como perguntar a rapazes de 15 anos se ainda são virgens.”

Aceitação. Uma pesquisa nacional realizada pelo Datafolha em 2010, com 4.158 pessoas acima de 16 anos, indicou que 59% dos brasileiros acreditam que o homem é fruto de um processo evolutivo que levou milhões de anos, porém guiado por uma divindade inteligente. Só 8% acreditam que o homem evoluiu sem interferência divina. Os dados também mostram que a aceitação da teoria evolutiva cresce de acordo com a renda e a escolaridade das pessoas – o que pode ou não estar relacionado a uma melhor compreensão da teoria.

“Há uma discussão se a aceitação depende do entendimento, e uma análise mais precisa será realizada, mas uma análise superficial dos dados não encontrou essa correlação”, afirma Bizzo sobre sua pesquisa, financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Faculdade de Educação da USP. “Há indícios de que a compreensão básica seja acessível a todos e que a decisão de concordar que a espécie humana surgiu como todas as demais não depende de estudos aprofundados na escola.”

Para a filósofa e educadora Roseli Fischmann, os resultados da pesquisa são “compatíveis com a capacidade dos jovens de viver o mundo de descoberta da ciência sem abalar sua fé”.

“A fé, se bem sustentada, não é ameaçada pelo conhecimento científico”, diz Roseli, coordenadora da Pós-Graduação em Educação da Universidade Metodista e professora da USP. “Sozinhas, nem a ciência nem a religião garantem que o ser humano seja bom e que o bem comum seja alcançado. É preciso a presença da ética, do respeito a todo ser humano, da consciência da responsabilidade individual na construção do bem comum.”

Pensar de forma analítica reduz fé em Deus, diz estudo

Pensar de maneira mais analítica induz as pessoas a acreditar menos em Deus, segundo um estudo publicado na edição passada da revista Science. Os pesquisadores, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, submeteram cerca de 180 alunos de graduação a uma bateria de testes e questionários e descobriram que, ao forçar os estudantes a pensar de forma mais analítica sobre algum assunto, esse raciocínio influenciava a sua fé, tornando-os menos religiosos.

Acredita-se que o cérebro humano tem dois “modus operandi” para processar informações e tomar decisões: um mais intuitivo e outro mais analítico. Os resultados do estudo sugerem que a religiosidade flui do modo intuitivo e perde força à medida que as pessoas são forçadas a pensar de modo mais analítico.

Em um dos testes aplicados, os alunos eram apresentados com problemas matemáticos que tinham uma resposta intuitiva errada e uma resposta analítica correta. Depois, respondiam a um questionário sobre sua fé e religiosidade. Os alunos que resolviam os problemas de forma analítica relatavam acreditar menos em Deus.