Tenho que dar o meu melhor aqui

guimauroNo dia 5 de abril, o Rosa de Saron gravou “Latitude Longitude”, terceiro DVD da banda. O show rolou no Chevrolet Hall, em Belo Horizonte. A faixa-título contou com a participação superespecial do Mauro, vocalista do Oficina G3.

Nestes dias que antecedem a visita do papa Francisco ao Brasil, bem legal mostrar que, em tempos de intolerância e ignorância, comunhão é atitude verdadeiramente rock’n roll. Abraços aos amigos de ambas as bandas.

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Faltaria guilhotina se o povo soubesse o que se passa, diz Geraldo Alckmin

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (foto: Du Amorim/Governo SP)
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (foto: Du Amorim/Governo SP)

Paulo Gama e Daniel Roncaglia, na Folha de S.Paulo

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), fez ontem um discurso em tom de desabafo em que criticou a impunidade no Brasil e afirmou que o “povo não sabe de um décimo do que se passa contra ele” próprio.

“Se não, ia faltar guilhotina para a Bastilha, para cortar a cabeça de tanta gente que explora esse sofrido povo brasileiro”, afirmou.

O tucano fez o discurso no lançamento de um programa estadual que auxilia prefeituras a disponibilizar portais de acesso a informações públicas. Começou dizendo que grandes casos de corrupção foram descobertos por acidente. “O controle é zero.”

“O sujeito fica rico, bilionário, com fazenda, indústria, patrimônio e não acontece nada. E o coitado do honesto é execrado. É desolador.”

As críticas de Alckmin foram feitas em frente ao chefe do Ministério Público de São Paulo, Márcio Elias Rosa, e do corregedor-geral da Administração do Estado, Gustavo Ungaro, representantes dos dois principais órgãos paulistas de combate à corrupção.

A situação causou constrangimento entre aliados, já que o tucano não dirigiu suas críticas a uma esfera específica de Poder nem isentou o próprio governo dos ataques.

O governador não poupou sequer o programa que estava sendo anunciado. Criticou as fundações do governo que receberam para desenvolver o sistema. “Não deviam cobrar nada, isso é obrigação.”

Alckmin acusou também a existência de uma “grande combinação” que impede que dados sejam disponibilizados. “Salários, ninguém põe na internet, porque o sindicato pediu liminar. ‘Olha eu gostaria de pôr, mas a Justiça proibiu’”, ironizou.

O Legislativo de São Paulo, de maioria alckmista, se enquadra no ataque –não divulga salários por decisão judicial obtida por servidores.

Alckmin criticou ainda a morosidade do Judiciário. “A corrupção, o paraíso é o Judiciário. Todo mundo diz: ‘Na hora que for para Justiça vai resolver’. Vai levar 20 anos.”

O tucano não atendeu a pedido de entrevista e deixou o evento sem comentar a fala.

dica do Guilherme Massuia

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A costureira que fez mais pelo negro americano que Obama

A heroína negra Rosa Parks
A heroína negra Rosa Parks

O centenário do nascimento de Rosa Parks, a ativista que fez história ao recusar-se a ceder seu lugar a passageiros brancos em um ônibus no Alabama.

Publicado originalmente no Diário do Centro do Mundo

O trecho abaixo pertence ao livro Anos Cinquenta, do autor, jornalista e historiador americano David Halberstam. Um capítulo especial é, no livro, dedicado a Rosa Parks, uma costureira negra que desafiou o sistema de segregação de Montgomery, Alabama, ao se recusar a ceder seu lugar em um ônibus.

Na noite do dia primeiro de dezembro de 1955, todo o corpo da senhora Rosa Parks doía – seus pés, seu pescoço e seus ombros estavam particularmente doloridos. Parks era assistente de um alfaiate em Montgomery, Alabama, e trabalhava em uma loja de departamento. Era um trabalho exaustivo, pelo qual ganhava o salário mínimo; ela fazia alterações e tinha que lidar com um grande prelo a vapor.

Nesse dia em particular, ela terminou o trabalho e andou alguns quarteirões, como de costume, até o ponto de ônibus. O primeiro ônibus a passar estava tão lotado que ela percebeu que não poderia se sentar, e ela precisava desesperadamente de descansar os pés. Decidiu, então, esperar por um ônibus mais vazio. Isso lhe deu algum tempo livre, então Parks andou até uma farmácia por perto para procurar por uma almofada de aquecimento que poderia ajudá-la a controlar a dor que sentia em seus músculos. Sem encontrar a almofada, voltou ao ponto.

Eventualmente, chegou um ônibus com um bom número de assentos disponíveis. Ela pagou dez centavos, entrou no ônibus e sentou-se na seção traseira, onde sentavam-se os negros, perto da divisão entre a seção negra e a seção branca. Nos ônibus públicos de Montgomery, as dez primeiras fileiras eram para os brancos e as últimas vinte e seis para os negros.

Em muitas cidades sulistas, a linha divisória entre as seções era fixa. Não era assim em Montgomery; por costume, o motorista tinha o poder, se precisasse, de expandir a seção dos brancos e diminuir a seção dos negros, ordenando que os negros cedessem seus assentos aos brancos. Primeiro a chegar, primeiro a sentar pode ter sido a regra de transporte para a maior parte dos Estados Unidos, mas não era assim em Montgomery, Alabama, em 1955. Para os negros, era apenas mais uma humilhação a ser sofrida – porque o sistema nem mesmo lhes garantia a mínima cortesia e direitos da segregação tradicional.

Três outros negros entraram no ônibus e se sentaram perto da senhora Parks, na mesma fileira. Parks já havia reconhecido o motorista como um dos brancos fracos de espírito que trabalhavam na linha de ônibus. Ele já a havia expulsado de seu ônibus porque ela se recusou, ao pagar sua tarifa, a deixar o ônibus e reentrar na seção dos negros pela porta traseira – outro costume singular infligido aos negros de Montgomery. Gradualmente, conforme o ônibus continuava a andar, outros brancos entraram.

O motorista, J.F. Blake, virou-se para a seção dos negros e disse, “Saiam daí e cedam seus assentos a eles.” Essa não era uma sugestão, era uma ordem. Significava não apenas que um assento deveria ser desocupado, mas que os três outros negros deveriam se levantar, para que não submetessem os brancos à humilhação se sentarem-se ao lado de um negro.

Os quatro negros sabiam o que Blake queria dizer, mas nenhum deles se moveu. Blake virou-se novamente e disse, “Facilitem para si mesmos e cedam-lhes os assentos.” Os três outros negros levantaram relutantemente. Rosa Parks não se levantou. Ela estava assustada, mas cansada. Ela não queria dar seu assento, e é claro que não desejava ficar de pé durante o caminho. Ela havia passado o dia trabalhando em uma loja de departamento, costurando e comprimindo roupas para brancos e agora estavam lhe dizendo que ela não tinha direitos.

“Olhe, mulher, eu lhe disse que quero o assento. Você não vai levantar?” Blake disse. Finalmente, Rosa respondeu. “Não”, ela disse. “Se você não levantar, vou mandar prendê-la”, Blake avisou-a. Ela disse que ele poderia fazê-lo, mas que não se moveria.

Blake saiu do ônibus e telefonou para a polícia, entrando involuntariamente nos livros de história da nação; ele era um exemplo comum do homem sulista que afastava qualquer tipo de ameaça ao sistema de segregação. Se não tivesse sido Blake, teria sido outro. Alguns dos negros, temendo entrar em uma confusão, ou talvez irritados com o atraso, saíram do ônibus.

Parks continuou sentada. Ao fazê-lo, ela se tornou a primeira figura proeminente do que ficou conhecido como Movimento. Talvez o mais interessante nela seja o quão comum ela era, pelo menos na superfície – quase o protótipo da mulher negra que trabalhava incansavelmente e recebia muito pouco. Ela não planejava, explicou mais tarde, ser presa naquele dia.

Mais tarde, os espantados líderes brancos de Montgomery afirmaram repetidamente que a recusa de Parks fazia parte de um plano cuidadosamente orquestrado pela NAACP (Associação Nacional pelo Progresso das Pessoas de Cor) local, da qual era funcionária.

Mas isso não era verdade; o que ela fez representou a exaustão de uma pessoa com um sistema que desumanizava todos os negros. Algo dentro dela finalmente escapou. Mas se ela não havia planejado resistir naquele dia em particular, então é verdade que Rosa Parks havia decidido há algum tempo que se algum dia lhe mandassem ceder o assento para um branco, ela se recusaria.

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Por uma sociedade melhor, meninos deveriam brincar de boneca e de casinha

 Menino brinca de boneca em católogo Foto: Reprodução da web

Leonardo Sakamoto, no Blog do Sakamoto

Tenho dado bonecas de pano de presente para filhos de alguns amigos. Há algumas lojas que vendem brancas, negras, indígenas, asiáticas.

Diante do estranhamento dos pais (“Ah, mas ele é menino!”), tento explicar que brincar de boneca e de casinha deveria ser algo incentivado a ambos os sexos.

Formaríamos homens mais conscientes e menos violentos se eles entendessem, desde cedo, que cuidar de bebês, cozinhar, limpar a casa não são tarefas atreladas a um gênero, mas algo de responsabilidade do casal. Não há nada mais anacrônico do que tomar como natural que o homem deve sair para caçar e a mulher ficar cuidando da tenda no clã. Em alguns países, após um período inicial de licença maternidade básica, o casal escolhe quem continua fora do trabalho para cuidar do pimpolho. Podem decidir, por exemplo, que ele ficará em casa e ela irá para a labuta.

Enquanto isso, damos armas e espadas de brinquedo para os meninos. Dia desses, vi um par de pequeninas luvas de boxe expostas em uma loja – para lutadores de seis anos. Evoluímos como sociedade, mas continuamos fomentando a agressividade entre eles como se fosse algo bom. A indústria de brinquedos, com raras exceções, trabalha com essa dualidade “meninas precisam aprender a cuidar da casa e ficar bonitas para os meninos” e “meninos precisam aprender a governar o mundo”. Quem quer romper com isso encara certa dificuldade para encontrar produtos.

O filho de um amiga ganhou de presente um kit de panelinhas, prato e talheres de brinquedo. Ele adora. Mas foi duro encontrar um modelo que não tivesse estampas com desenhos de meninas. Isso sem contar as caixas, que trazem garotas brincando de cozinha, como se o produto não pudesse ser utilizado por garotos também. Isso sem falar dessa imbecilidade de que rosa é cor de menina e azul de menino. Quando alguém começa a defender esse maniqueísmo pobre, dá uma preguiça…

Brinquedos não deveriam trazer distinção de gênero. Ou como diz uma imagem que estava correndo o Facebook: “Como saber que um brinquedo é para menino ou para menina?” E faz uma pergunta: “Vibra?” Se a resposta for sim, não é para crianças. Se a resposta for não, vale para ambos os sexos.

O homem é programado, desde pequeno, para que seja agressivo. Raramente a ele é dado o direito que considere normal oferecer carinho e afeto para outro ser em público. Ou cuidar de bebês e da casa. Manifestar sentimentos é coisa de mina. Ou, pior, é coisa de “bicha”. De quem está fora do seu papel. Papel que é reafirmado diariamente: dos comerciais de produtos de limpeza em que só aparecem mulheres sorrindo diante do novo desentupidor de privadas até a escolha de determinados entrevistados por nós jornalistas, que também dividimos o mundo entre coisas de homem e de mulher. “Ah, mas o mundo é assim, japa.” Não, não é assim. Nós que não deixamos ele ser diferente.

Homens que trabalham no Brasil gastam 9,5 horas semanais com afazeres domésticos, enquanto que as mulheres que trabalham dedicam 22 horas semanais para o mesmo fim. Os dados são da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Com isso, apesar da jornada semanal média das mulheres no mercado ser inferior a dos homens (36 contra 43,4 horas, em termos apenas da produção econômica), a jornada média semanal das mulheres alcança 58 horas e ultrapassa em mais de cinco horas a dos homens – 52,9 horas – somando com a jornada doméstica. Ou 20 horas a mais por mês. Ou dez dias por ano.

A análise mostra também que 90,7% das mulheres que estão no mercado de trabalho realizam atividades domésticas. Enquanto isso, entre nós homens, esse número cai para 49,7%. Porque brincar de casinha é coisa de menina.

Trabalho doméstico não é considerado trabalho por nossa sociedade, mas sim obrigação, muitas vezes relacionado a um gênero, que tem o dever de cuidar da casa. Às vezes, o casal trabalha fora e, nesse caso, terceiriza-se o serviço doméstico para outra mulher, seja ela babá, faxineira ou cozinheira. Sem, é claro, garantir a elas todos os direitos trabalhistas porque, até o Congresso Nacional aprovar nova lei, são cidadãs de segunda classe. E, diante da possibilidade de pagar direitos trabalhistas a quem faz o trabalho doméstico, a classe média pira.

A disputa é no campo do simbólico e, portanto, fundamental. Todos nós, homens, somos inimigos até que sejamos devidamente educados para o contrário. E os brinquedos que escolhemos para nossos filhos fazem parte dessa longa caminhada a fim de garantir um mínimo de decência para com o sexo oposto.

Abaixo, vídeo de uma sensacional campanha do governo do Equador contra o machismo que traduz em imagens o que quero dizer:

dica do Sidnei Carvalho de Souza

imagem: campanha da Top Toy, na Suécia

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