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“Manda essa negra macumbeira sair da sala”

Preconceito e intolerância religiosa em unidade hospitalar na Bahia

Ialorixa

Publicado no Bahia Notícias [via Geledés]

Um acontecimento na última semana chocou a comunidade do candomblé de Salvador. A ialorixá Therezinha da Silva, 65 anos, estava no Hospital Roberto Santos, onde procurava pelo médico de prenome Raimundo, quando diz ter sido destratada pela coordenadora da emergência da unidade, chamada Carol.

“Fui totalmente maltratada por essa mulher”, contou a líder religiosa, visivelmente abalada, ao Bahia Notícias. Segundo dona Therezinha, após perguntar por Raimundo, Carol teria relatado a ausência do profissional e pedido que ela se retirasse da sala. Do lado de fora, contudo, a ialorixá ouviu a suposta frase que gerou o problema.

“Manda essa negra macumbeira sair da sala, já conheço ela aqui do hospital”, acusou.

Consternada com a situação, a idosa se dirigiu à ouvidoria da unidade e teve como resposta que “a pessoa [Carol] estava nervosa e que quando eu precisasse falar com o médico, não fosse ao hospital”.

A equipe do Roberto Santos foi procurada pela equipe do Bahia Notícias, porém não quis se pronunciar. “Publique. Depois a gente responde”, disse a assessora Bernadete Farias, aos gritos.

Dos orixás para sua mesa

Chefs de restaurantes refinados buscam na cozinha do candomblé formas de incrementar os pratos

CEIA NO TERREIRO A iabassê e chef Carmen Virgínia com um cesto de acarajés. Donos de restaurantes sofisticados agora pesquisam os pratos divinos do candomblé (Foto: Leo Caldas/ÉPOCA)

CEIA NO TERREIRO
A iabassê e chef Carmen Virgínia com um cesto de acarajés. Donos de restaurantes sofisticados agora pesquisam os pratos divinos do candomblé (Foto: Leo Caldas/ÉPOCA)

Natália Spinacé, na Época

O que Iemanjá, Iansã e Oxalá podem ter em comum com os hábitos alimentares de quem não conhece o candomblé e outras religiões de origem africana? Chefs de restaurantes requintados têm procurado a ajuda das cozinheiras dos terreiros responsáveis pelos pratos feitos para os orixás. São as iabassês. O objetivo desses chefs é conhecer técnicas seculares de preparo (o candomblé existe há mais de 600 anos), ingredientes pouco usados no dia a dia e, em alguns casos, entender como a espiritualidade interfere no preparo dos alimentos, do ponto de vista de quem segue a religião.

Peixe para a rainha do mar - Para Iemanjá No festival do restaurante Dui, o robalo é cozido e grelhado com “pérolas” de leite de coco com capim-santo e farofa de coco (Foto: Divulgação)

Peixe para a rainha do mar – Para Iemanjá
No festival do restaurante Dui, o robalo é cozido e grelhado com “pérolas” de leite de coco com capim-santo e farofa de coco
(Foto: Divulgação)

A chef Bel Coelho, do restaurante Dui, em São Paulo, passou uma semana num terreiro de Salvador para aprender com uma autêntica iabassê os segredos das comidas dos orixás. O resultado da pesquisa foi um menu com 13 pratos, todos inspirados nos orixás, servido no projeto Clandestino, em que Bel recebe, no máximo, 20 pessoas para degustar sua cozinha autoral. “As edições da cozinha dos orixás lotam”, diz. O menu custa R$ 195.

Quem ensinou os segredos do terreiro a Bel Coelho foi a iabassê e chef de cozinha Carmen Virgínia, de 36 anos. Dona Carmen, como é chamada, foi escolhida para ser iabassê quando tinha 7 anos. Aos 14, começou a aprender com as iabassês mais velhas os segredos dos pratos de cada orixá. Quando adulta, fez também faculdade de gastronomia.

Pela crença, os orixás são deuses que representam, principalmente, forças da natureza. Iemanjá é a deusa das águas. Ogum, do fogo. Ossanha, das ervas medicinais. Cada orixá tem sua preferência gastronômica, que deve ser seguida à risca. “Quando fazemos o prato e o colocamos no altar, a intenção é alimentar nossa fé”, diz Carmen. Para fazer a comida dos deuses, ela precisa estar paramentada com as vestes do terreiro, usar talheres separados para cada orixá e seguir as receitas sem adaptação. “O preparo da comida dos santos e o das pessoas têm em comum os temperos e a intenção, passar uma boa energia.”

Tabaco, cachaça e mel - Para Exu A chef Bel Coelho criou um cupim em baixa temperatura, com farinha de dendê, gelatina de mel, cachaça e fumaça de tabaco  (Foto: Divulgação)

Tabaco, cachaça e mel – Para Exu
A chef Bel Coelho criou um cupim em baixa
temperatura, com farinha de dendê, gelatina
de mel, cachaça e fumaça de tabaco
(Foto: Divulgação)

O chef paraibano Carlos Ribeiro, que comanda o restaurante Na Cozinha, no bairro de Jardins, em São Paulo, também foi buscar na religião inspiração para renovar seu cardápio. “Quem não conhece o candomblé disse que eu era louco por servir pratos típicos dessa religião. Disseram que isso espantaria a clientela”, afirma. Não foi o que aconteceu. Os festivais dos orixás formam fila na porta do restaurante.

As comidas do candomblé não são tão exóticas e desconhecidas quanto pode supor quem nunca teve contato com a cultura africana. É possível que, sem saber, você já tenha comido o prato preferido de algum orixá. Feijoada, vatapá, acarajé e outras receitas típicas da Bahia têm origem na religião (leia o quadro abaixo). “As pessoas comem e não fazem ideia da história por trás daquele prato”, diz Janaina Rueda, chef do Bar da Dona Onça, em São Paulo. Janaina não segue o candomblé como religião, mas há dois anos faz festivais para homenagear os orixás.

No evento Águas de Oxalá, além de servir os pratos típicos, ela faz a lavagem da escadaria do Edifício Copan, onde fica o restaurante. “Na Bahia, uma vez por ano as baianas fazem a lavagem da escadaria da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim para espantar o mau-olhado e trazer boas energias”, diz. No ano passado, 1.000 pessoas participaram do festival e da lavagem da escadaria. Além de incorporar receitas tradicionais do candomblé em seu cardápio, Janaina também incrementou pratos do cardápio tradicional com quiabo, azeite de dendê, frutos do mar e muito pensamento positivo.

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Fugitivo que deixou bilhete irônico em delegacia baiana é preso curtindo folia

Presos fugiram e deixaram bilhete para a polícia da BA (Foto: Lay Amorim/Brumado Notícias)

Presos fugiram e deixaram bilhete para a polícia da
BA (Foto: Lay Amorim/Brumado Notícias)

Polícia informa que ele foi reconhecido assistindo carnaval em Salvador. Secretaria de Segurança registrou 815 ocorrências na folia até o momento.

Publicado originalmente no G1

Um fugitivo que deixou um bilhete ironizando o isolamento dos presos da delegacia de Brumado, na região sudoeste da Bahia, foi reconhecido e preso pela polícia em pleno carnaval de Salvador. A prisão foi deflagrada no circuito Dodô, entre a Barra e a Ondina, na festa do domingo (10).

Segundo as informações da polícia, o rapaz curtia o carnaval quando foi reconhecido por policiais que faziam a segurança da folia. Ele foi encaminhado à Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes,  onde ficará à disposição da Justiça.

815 ocorrências
Segundo as informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), entre quinta-feira (7) e 7h de segunda-feira (11), foram presas em flagrante 97 pessoas durante o carnaval. Segundo a SSP-BA, os flagrantes aumentaram 136% em relação ao ano passado, quando foram realizadas 41. Além disso, a polícia apreendeu 18 armas brancas. No total, 576 pessoas foram conduzidas à delegacia até segunda-feira, contra 233 em 2012, representando aumento de 158%, de acordo com dados da SSP.

A SSP computou, ainda, um homicídio, duas tentativas de homicídio e uma lesão corporal com morte durante o carnaval. Foram 163 lesões corporais, 579 furtos e 65 roubos, totalizando 815 ocorrências até o momento, segundo que a maior parte, 633, foram registradas entre a Barra e a Ondina, trajeto que forma o circuito Dodô. Mais 170 casos de violência foram registrados no Centro e outros 12 no Pelourinho. Deste total, quase 300 ocorrências são dos dois primeiros dias de carnaval.

Fuga
Quatorze presos fugiram da delegacia de Brumado no dia 11 de dezembro de 2011. Os homens serraram uma das celas, arrombaram cadeados e abriram um buraco em uma das paredes com o auxílio de uma barra de ferro, quando pularam um muro e conseguiram fugir, informou a delegacia.

Na saída, eles deixaram um bilhete pedindo que as celas sejam reforçadas na unidade. “Isso é para que se veja o que passamos aqui com esses presos. Fazemos o concurso para policial, mas trabalhamos como agentes de carceragem”, desabafou um dos policiais, que preferiu não ser identificado. A delegacia tem quatro celas e capacidade para 16 homens, mas 35 detentos estavam custodiados no local no momento da fuga.

Polícia fez diligências à procura dos foragidos (Foto: Lay Amorim/Brumado Notícias)

Polícia fez diligências à procura dos foragidos (Foto: Lay Amorim/Brumado Notícias)

Para presidente do Olodum, Bahia virou a terra de Ivete Sangalo

João Jorge, presidente do Olodum, diz que divisão desigual de recursos no Carnaval empobrece a Bahia

João Jorge, presidente do Olodum, diz que divisão desigual de recursos no Carnaval empobrece a Bahia

Nelson Barros Neto, na Folha de S.Paulo

É Carnaval em Salvador, e João Jorge Rodrigues, 57, presidente do Olodum, crava: há um monopólio na divisão de recursos na folia da Bahia, que é “terra de uma artista só” -Ivete Sangalo.

Na força da cantora, o líder do “bloco mais aclamado e conhecido no planeta”, em suas palavras, vê um caráter étnico: ela é branca.

A vinda a Salvador de atrações como o sul-coreano Psy, diz, é mais um retrato de uma Bahia que não valoriza seus artistas, sua negritude.

João Jorge falou à Folha na sede do Olodum, em um belo sobrado encravado no Pelourinho. Em seguida, tinha outra entrevista: com o americano Spike Lee, 55, que filma “Go Brazil Go!”, documentário sobre a ascensão econômica do país, que também vai abordar o Brasil da perspectiva racial.

Sobre isso, ele sentencia: a capital baiana “é campeã mundial de apartheid”. Sobretudo nos dias de folia.

Mestre em direito público pela Universidade de Brasília (UnB), João Jorge vai na contramão do discurso dominante entre os envolvidos no Carnaval de Salvador.

Folha – Enquanto cresce a participação popular em blocos de rua no Sudeste, o Carnaval é criticado na academia e por referências do samba e do próprio axé.

João Jorge – O Carnaval do país é um retrato do Brasil atual. Ele é um Carnaval discriminatório, segregado, com mecanismos que reproduzem o capitalismo brasileiro: a grande exclusão da maioria em beneficio de uma minoria.

Seria ingenuidade esperar que no Carnaval de Salvador, de São Paulo, do Recife ou do Rio nós tivéssemos democracia, oportunidade, igualdade. Você passa 359 dias no ano praticando toda forma de violência institucional, de racismo institucional, e você quer que em seis dias o Carnaval seja democrático?

A situação é pior na Bahia?

Aqui, ainda mais. Você tem um segmento que tem os melhores patrocínios, maior visibilidade, todos os recursos. Há cordas separando os blocos do povo.

Estamos falando da possibilidade de o Carnaval ser mais generoso. Além de ser uma festa da alegria, proporcionar também àqueles que fazem cultura ter apoios tão generosos quanto o de quatro grupos. Mas é ilusão achar que isso mudará em curto prazo. Os atores que podiam brigar por isso estão às vezes mais preocupados em fazer parte do jogo.

*O chamado ‘Afródromo’ ajuda ou atrapalha o cenário? [a iniciativa de Carlinhos Brown e outras seis entidades de criar um novo circuito, exclusivo para os blocos afro, estrearia neste ano, mas foi adiada pela nova gestão na prefeitura] *

O Olodum tem brigado muito para sair mais cedo e poder ser visto pela televisão. Para que empresas patrocinem de forma equitativa os blocos afros.

Ao mesmo tempo, eles resolveram fazer algo separado. O que a sociedade mais quer é que os negros escolham um gueto para ir e se afastem da disputa com eles. É como se soubéssemos o lugar em que deveríamos ficar, em vez de aparecermos na Barra, no Campo Grande.

Mais ainda: obriga o poder público a ter gastos com outro circuito, quando os recursos poderiam ser distribuídos de uma forma melhor.

Até que ponto o monopólio afeta a festa, a música local?

A diversidade, que antes era a riqueza do Carnaval, foi diminuindo, e hoje o Ilê Aiyê, o Filhos de Gandhy, a Timbalada e o Olodum correm um pouco no meio disso.

Mas nos demais lugares você não tem novidades. A Bahia virou a terra de uma artista só. Parece que os outros estão todos mortos.

Isso mata os artistas emergentes, mata os que estão trabalhando e, em vez de fortalecer essa própria artista, a fulmina, porque é a galinha dos ovos de ouro aberta para pegar ovos. A festa faz de conta que está enriquecendo uma pessoa, mas na verdade está empobrecendo uma cidade, um Estado.

A pessoa é Ivete Sangalo?

Sim, ela.

E como o senhor vê a vinda de celebridades como o sul-coreano Psy, para ações publicitárias, com o discurso de prestigiar o Carnaval?

Essa mudança, de a gente precisar de elementos como esses, é uma coisa recente, tem 20 anos. Antes, as pessoas vinham para participar, para conhecer o Carnaval de Salvador. Com o tempo, passou a ser: ‘Eu quero que você venha para você ser importante para o Carnaval’. Inverteu. O Carnaval é que era importante para essas pessoas.

O pessoal pergunta: qual é a atração deste ano do Olodum? É a banda Olodum. A banda mais internacional da Bahia: 37 países, quatro Copas do Mundo, tocou com os últimos 30 grandes nomes da música mundial. Na visão de outros grupos, outros artistas, eles não são atrações no Carnaval de Salvador, atração é o coreano, é a atriz da Globo.

A novidade do Olodum é o samba-reggae, é a força biológica da música que a gente tem, a música de protesto…

E existem novas músicas do Olodum assim?

Tem, e atuais. Agora, qual rádio que toca pagode, sertanejo e funk vai tocar música de protesto? Vou dar um exemplo bem simples: ninguém consegue mudar a ordem do desfile de Salvador, porque foi imposta pelo capital. A ordem é: quem tem mais dinheiro.

Mas qual prefeito ou governador vai dizer: “A gente banca o Carnaval, dá segurança, saúde, infraestrutura, gasta R$ 84 milhões, e todos terão de cumprir a seguinte diretriz -será um desfile alternativo, com um bloco afro, depois um afoxé e um bloco de trio. Um bloco travestido e um trio independente. Em horários que todos possam aparecer na TV”. Quero ver qual autoridade da Bahia vai fazer isso.

E Claudia Leitte? Parte do público e da crítica diz que ela tenta repetir Ivete, que não teria identidade…

Não posso falar disso, porque esse é um problema dessas cantoras, desse tipo de personalidade cuja força é o caráter étnico. A força delas é que são cantoras brancas. Se elas se imitam ou não, não posso dizer nada, é o mercado que elas escolheram. De serem cantoras brancas, que dominam todo o mercado de publicidade, todo o mercado de shows, e que uma compete com a outra.

Recentemente, uma delas colocou o filho para subir no palco, e a outra fez o mesmo.

E tem a gravidez de cada uma, tudo que é feito para gerar noticia. Estou preocupado inclusive com Spike Lee, para ele não engravidar ninguém aqui nesse período [risos], para criar notícia, entendeu?

Agora, um fato é importante: elas exercem um papel importante na música brasileira e souberam dar um ar profissional a isso que é uma resposta também às demandas da própria comunidade negra. Você, com ótimas cantoras negras aqui, numa cidade de maioria negra, não capitalizar isso é um erro estratégico. Para você ver a força do racismo e da alienação. As cantoras negras da Bahia seriam milionárias nos EUA.

E os desfiles das escolas de samba no Rio e em São Paulo?

Olha, eles foram importantes nos anos 10 e 20 do século passado para formar uma cultura do samba. Depois, foram engessados pelo modelo de desfile, pelo sambódromo e continuam sendo um espetáculo maravilhoso… De ver. Mas sem participação ampla, e isso difere do Recife, de Olinda e de Salvador.

Por isso o Rio está tendo essa explosão de blocos de rua, mostrando que as pessoas cansaram desse modelo da fantasia, das alas, da batida, de 90 minutos de desfile. Sem falar da guerra publicitária, dos enredos patrocinados.

Em algum momento o Carnaval foi uma festa popular?

Nunca, ainda não é e talvez não seja. É uma festa de multidões, mas que tem uma repressão muito grande sobre tudo. O Carnaval é extremamente limitado, onde se desfila, se bate foto, é preciso pagar taxas. E não é isso que é vendido para o mundo.

Veja, um dos fenômenos mais interessantes do Carnaval é a visibilidade da homossexualidade. Mas é também no Carnaval em que os homossexuais são mais agredidos. Ao mesmo tempo em que parece que a cidade fica liberal, receptiva ao outro, ela é extremamente conservadora.

O Carnaval está migrando para ter os bailes de novo, os camarotes, uma estrutura mais apartada ainda do que se conseguiu ter nos blocos de trio nos horários de desfile.

Mas o Olodum segue nela…

O Carnaval não é a salvação, não é o fim do mundo. É algo importante para a civilidade que precisa emergir, mas não se resolvem os problemas das cidades sem o confronto. O Carnaval é a cara da sociedade. Só em um momento o brasileiro se mostra como ele é. É no Carnaval.

foto: Márcio Lima/Folhapress

Cinco cardeais brasileiros têm chance de assumir papado, diz dom Darci Nicioli

Monsenhor Darci Nicioli diz que decisão do Papa Bento XVI está prevista no direito canônico (Foto: Divulgação/Santuário Nacional)

Monsenhor Darci Nicioli diz que decisão do Papa
Bento XVI está prevista no direito canônico
(Foto: Divulgação/Santuário Nacional)

 Bispo auxiliar de Aparecida diz que aceita decisão com “dor no coração”.

Carolina Teodora, no G1

O bispo auxiliar da Arquidiocese de Aparecida e ex-reitor do Santuário Nacional, monsenhor Darci Nicioli, de 53 anos, afirmou nesta segunda-feira (11) que a decisão do Papa Bento XVI de renunciar ao cargo “dói no coração”.

Segundo ele, cinco cardeais brasileiros são candidatos a ocupar o posto –dom Raymundo Damasceno, atual arcebispo de Aparecida e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Cláudio Hummes, de 78 anos, arcebispo emérito de São Paulo, Odilo Scherer, de 63 anos,  atual cardeal arcebispo de São Paulo, dom João Braz de Aviz, de  66 anos, que mora em Roma e é prefeito das congregações dos religiosos em Roma, e dom Geraldo Majella Agnelo, atual arcebispo de Salvador (BA).

“Todos os cardeais com menos de 80 anos são candidatos e podem votar na escolha do novo Papa, mas sabemos que depende do espírito santo. Por isso, vamos rezar muito para que seja nomeado o melhor cardeal”, afirmou Nicioli ao G1. Ao todo, o Brasil tem nove integrantes no Colégio Cardinalício do Vaticano, mas quatro deles já ultrapassaram a idade limite. De acordo com o Vaticano, a Igreja católica poderá ter um novo Papa para as festas da Páscoa, no próximo dia 31 de março.

“A decisão do Papa Bento XVI está prevista no direito canônico. Nós aceitamos com dor no coração, mas entendemos e aceitamos o desejo do Santo Papa”, disse. Em comunicado, Bento XVI, que tem 85 anos, afirmou que vai deixar a liderança da Igreja Católica Apostólica Romana devido à idade avançada, por “não ter mais forças” para exercer o cargo.

Memória
No dia 11 de maio de 2007, o Papa Bento XVI chegou de helicóptero a Aparecida e circulou pelas ruas da cidade no ‘papamóvel’. Ele sorriu, acenou para os fiéis e até baixou o vidro do veículo e ficou hospedado no seminário Bom Jesus.

No dia seguinte, foi à Fazenda Nova Esperança em Guaratinguetá (SP), onde abraçou crianças e jovens e rompeu a segurança para chegar mais perto de quem foi lá para prestar uma homenagem.

O gesto surpreendeu quem achava que ele era um Papa muito sério. No dia 13 de maio, último da visita ao Brasil, ele fez uma missa campal em Aparecida para milhares de pessoas. Antes de deixar Aparecida, ele abriu a Conferência dos Bispos da América Latina e Caribe.