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Girafa dá beijo de despedida em funcionário de zoo com doença terminal

Assim que Mário se aproximou do viveiro, as girafas foram em sua direção e lhe deram um beijo

Assim que Mário se aproximou do viveiro, as girafas foram em sua direção e lhe deram um beijo

Publicado no UOL

Um funcionário do zoológico de Diergaarde Blijdorp, em Roterdã (Holanda), que sofre com câncer em estágio terminal pediu para ser levado até o viveiro das girafas, para que pudesse se despedir, e ganhou um beijo de um dos animais, de acordo com reportagem do jornal “The Independent”.

Mário (que não teve o sobrenome divulgado), 54, passou a maior parte de sua vida adulta limpando os cercados dos animais. Assim que se aproximou das girafas, elas vieram em sua direção e uma delas começou a beijá-lo.

Kees Veldboer, presidente da fundação Ambulância do Desejo (que realiza pedidos de doentes terminais), responsável por levar o paciente até o zoológico, afirmou que “os animais o reconheceram e perceberam que havia algo errado com ele. Foi um momento muito especial”.

Tenho vontade, mas não tenho desejo de escrever

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Publicado por Sóstenes Lima

Às vezes experimento um paradoxo terrível: sinto vontade de escrever, mas não tenho desejo. Neste momento, estou sob o efeito desconcertante desse paradoxo.

Muitos tratam vontade e desejo como sinônimos. Tenho boas razões para acreditar que, embora sejam palavras semanticamente próximas, denotam coisas bem diferentes. Costumo pensar a vontade como a sensação do querere o desejo como a ação do querer.

Quase sempre vontade e desejo caminham juntos. Experimentamos asensação do querer e logo em seguida somos impelidos à ação do querer. Mas há casos em que nos sobrevém apenas a sensação. Sentimos que queremos alguma coisa, mas o corpo e alma não dão boas-vindas a essa vontade. Então, ela reluta até ser vencida.

Na maior parte das vezes, não damos muita bola para às vontades que vêm sem desejo. Apenas esboçamos um lamento desbotado (ou seria embotado?): “Depois eu faço. Acho que eu não queria muito fazer isso”.

Como acontece com muitas pessoas, às vezes sinto que deveria ler um determinado texto, mas logo a vontade vai embora, restando apenas uma queixa suave: “Que pena que não me animei a ler aquele texto. Talvez outro dia eu me animo”.

Mas há certas disjunções entre vontade e desejo que me inquietam. Uma delas é especial: fico muito embaraçado quanto tenho vontade de escrever, mas não tenho desejo. Às vezes passo dias incomodado com a sensação de querer escrever algo, mas o texto não chega. Não há força para fazer a vontade virar texto. O desejo fica inerte.

Penso que a ausência de desejo textual está fundamentalmente associada à falta de uma causa textual, à falta de uma pauta textual que seja urgente. Diz-se que o desejo nos move. Então, isso significa que se estamos inertes é porque não há nada afetando o desejo, não há roteiro para sua ação.

Considero as pautas do desejo como um conjunto de objetos e demandas que, vindos dos lugares mais secretos e desconhecidos de nossa interioridade, saltam violentamente na consciência, fazendo-a romper a quietude e o silêncio. Quando uma pauta irrompe no pensamento, significa que o texto já está pronto, estocado na alma, aguardando uma tela em branco para ser grafado e distribuído.

Há textos que irrompem com muita violência; exigem ser escritos (distribuídos) imediatamente. Há outros que chegam de forma mais suave. Esperam pacientemente um dia, uma semana, um mês, um ano ou até uma vida.

O paradoxo de querer escrever e não desejar escrever me perturba porque significa que, no momento, minha alma se encontra erma, desabitada. Não há pauta, não há texto pedindo pra sair. Parece que quando tudo está arrefecido e sereno dentro de nós alguma coisa está errada. Silêncio e inércia parecem indicar turbulências logo à frente.

Gosto muito da vontade de escrever. Hoje, depois de várias recusas, decidi que iria honrá-la. Não terminaria o dia sem escrever um texto, independentemente da pauta. Constrangi o desejo a agir; coloquei-o contra a parede e o fiz falar. Como não havia nenhuma demanda, provoquei-o com a pergunta: “Por que você está inerte?” Ele me respondeu com duas perguntas: “Por que você não busca descobrir? Por que você não escreve para tentar me decifrar?”. Disso resultou este texto. A vontade de escrever foi finalmente honrada. Querendo ou não o desejo teve de atuar.

Carros dos super-heróis

Isis Splendore, no Multiclique

Os super carros dos heróis sempre foram objetos de desejo. O fotógrafo de Istambul Cihan Ünalan criou esta série “Cars we love”, que mostra esta paixão. Ele transformou os carros icônicos de filmes em uma versão ainda melhor.

Usando carrinhos de brinquedo, Ünalan fotografa o objeto com a luz perfeita e manipula as imagens para obter o resultado ideal. A série com o Batmóvel, o Ghostbusters ‘Ecoto-1′, e do DeLorean do ‘De Volta Para O Futuro’ está apenas começando.

Ünalan já está planejando os próximos carros e parece que o próximo da lista será a van das ‘Tartarugas Ninjas’.

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Artista controla sua obra com o poder da mente

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Publicado no Hypeness

Que a mente tem poderes incríveis já todos sabíamos, mas a artista conceitual Lisa Park elevou a fasquia: ela criou uma obra em que o movimento da água é manipulado a partir das suas ondas cerebrais. Eunoia, o grego de “belo pensamento”, é o nome desta incrível performance.

Pra conseguir este resultado, a artista utiliza o dispositivo NeuroSky EEG, que ajuda a transformar a atividade do cérebro em fluxos de dados que podem ser manipulados para fins de pesquisa –neste caso, Park preferiu criar uma obra de arte. De seguida, foram colocadas cinco caixas de som em baixo de tigelas com água, as quais vibram conforme a atividade cerebral da artista.

Uma vez que o sistema não funciona como uma ciência exata, a artista focou seus pensamentos durante um mês em pessoas específicas, com quem ela possui fortes relações emocionais. Park então relacionou cada uma das cinco caixas de som com uma certa emoção: tristeza, raiva, ódio, desejo e felicidade. Veja o resultado no vídeo abaixo:

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Dica do Sidnei Carvalho

O ex-comunista

São os pobres que fazem a roda do capital girar. Onde há pobreza há desejo. Onde há desejo há consumo.

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Publicado por Zeca Baleiro

– O mundo precisa dos pobres. Demorei a entender isso, mas agora sei: o mundo sem pobres é inconcebível. Aquela frase dita assim, de chofre, no meio de uma conversa informal, me chocou, confesso.
– Por muito tempo algumas pessoas lutaram pelo fim da pobreza. Eu próprio fui um deles. Mas agora entendo que a pobreza é necessária ao equilíbrio do planeta – ele continuou.
– Equilíbrio? Como assim?
– Imagine um mundo só de ricos… Um mundo em que ninguém precise de nada, que seja autossuficiente e abastado…
– Hmmm…
– Viu? Você nem consegue imaginar, porque é mesmo impossível. São esses pobres que sustentam o capitalismo, não os ricos. São os pobres que fazem a roda do capital girar. Onde há pobreza há desejo. Onde há desejo há consumo. Se as pessoas consomem, a rede da economia gira, entende?

Eu permanecia mudo. Embora reconhecesse que havia algo de tecnicamente correto naquele raciocínio, sua fala me soava demasiadamente cínica. Prosseguiu em sua teoria.
– Quem são os maiores vendedores de discos?
– Os artistas populares, imagino – falei.
– Pois é, artistas populares, aqueles que são ouvidos pelos pobres, certo?
– Acho que sim.
– Quais as lojas com maior receita? As lojas que vendem artigos populares, certo?
– Acho que sim também, não sei…
– Eu sei, vai por mim. Melhor ter um boteco em Pirituba do que uma loja de chapéus de grife no shopping Iguatemi. O custo/benefício é mais vantajoso.
– Nunca parei pra pensar nisso.
– Rico não consome porque tem um desejo genuíno ou uma necessidade vital. Rico consome pelo glamour, porque quer ser visto com o barco, o carro novo, a casa projetada pelo arquiteto hype… Pobre não. Pobre faz seu “puxadinho”, ergue sua laje e fica feliz da vida, porque ainda que se orgulhe em mostrar pro vizinho, não o fez só por isso. Fez porque tinha a real necessidade daquilo. E quem precisa fazer faz. Quem precisa comprar compra.
– Mas o capital está nas mãos dos ricos.
– Sim, mas foi ganho à custa de pobres, não de outros ricos.
– Sim, mas há serviços que pobres não consomem, apenas ricos.
– Sim, há. Mas nenhuma fortuna é erguida sem a participação dos pobres.
– Como assim?
– Tá vendo aquele condomínio de luxo? Imagina quantos pobres trabalharam para erguê-lo? E quantos outros agora trabalham para mantê-lo funcionando?
– Não sei.
– Muitos, acredite. Tá vendo aquele shopping acolá? Entre e faça uma enquete. Aposto que há mais pobres ­circulando por lá do que ricos.
– Mas…
– Acredite no que tô falando. Dinheiro para o rico é esporte. Para o pobre é paixão.