Milagre, uma tentação

fatos-interessantes-02Ricardo Gondim

O deserto se alonga. Desde o alto da duna, Jesus percebe que naquele areal não há como saciar a fome. Nenhuma árvore, nenhum animal a ser abatido, nenhum rio com peixe para pescar. De repente, uma voz mansa, delicada, sugere: …és filho de Deus, transforma essas pedras em pães. O teu dedo estendido pode servir de varinha mágica; tua palavra pronunciada tem mais poder que uma pedra filosofal.

A sugestão de transformar pedra em pão não cumpriria um desejo, saciaria uma necessidade desesperada. O milagre não seria espetáculo – na solidão do deserto não há espectador para deslumbrar-se com o recurso mágico.

Jesus rejeita a sugestão. Não só de pão vivem as pessoas… Ele não aceita enfrentar os percalços da vida com solução milagreira. Já de início reconhece que não existe dignidade no pão sem suor. Não é ético buscar resolver-se, pontualmente, enquanto outros não dispõem do recurso de apelar a uma divindade onipotente e ganhar seu favor. Ao preferir a possibilidade de morrer de fome, Jesus estabelece as bases de sua missão. Dali para frente, ninguém deve supor que ele veio limpar o caminho de homens e mulheres das dificuldades. A existência não será aplainada com intervenções sobrenaturais.

O pão físico deve vir do trabalho – Do suor do teu rosto comerás o teu pão. E a solução para o desafio de suprir a todos com alimento depende de uma sociedade justa e solidária, jamais da eficiência de uma religião.

Jesus de Nazaré buscou mostrar que o filho do homem  – referindo-se não só a si, mas a todos nós – não deve recorrer a uma divindade para enfrentar a existência. O cristo que oferece atalho é, na verdade, uma contrafação, um Anticristo. Vida isenta de dificuldade, e que se resolve com prodígios esporádicos, não passa de delírio religioso. No mundo vocês terão problemas, mas vejam como eu encarei os meus problemas e os venci, e tenham bom ânimo [João 16.33].

Jesus abriu mão dos privilégios. Qualquer prerrogativa divina, qualquer superioridade inerente ao seu nascimento, esvaziou-se na negação de transformar pedra em pão. A mesma atitude deve se reproduzir nos discípulos. A única prerrogativa cristã a ser ambicionada consiste no poder de sentir a miséria do pobre e ser solidário a ele. A sensibilidade de dizer não à violência, que galardoa poucos e despreza muitos, combina com a sentença: Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão fartos.

O único pão vindo do céu é o que sacia de transcendência, de beleza e de sentido. Os seus antepassados comeram o maná no deserto, mas morreram. Todavia, aqui está o pão que desce do céu, para que não morra quem dele comer.  [João 6.49-50].

O único milagre concebível se traduz em coragem existencial –  fé que não arrefece diante das tempestades. Embora não acalme ventos contrários, essa fé suporta qualquer intempérie. Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha [Mateus 7:24-25].

Qualquer outra mensagem que coincida com a oferta do deserto deve ser rechaçada; é sugestão luciferiana.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

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Cientistas descobrem como os egípcios moveram pedras gigantes para formar as pirâmides

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Andrew Tarantola, no Gizmodo

Uma civilização antiga, sem a ajuda de tecnologia moderna, conseguiu mover pedras de 2,5 toneladas para compor suas famosas pirâmides. Mas como? A pergunta aflige egiptólogos e engenheiros mecânicos há séculos. Mas agora, uma equipe da Universidade de Amsterdã acredita ter descoberto o segredo – e a solução estava na nossa cara o tempo todo.

Tudo se resume ao atrito. Os antigos egípcios transportavam sua carga rochosa através das areias do deserto: dezenas de escravos colocavam as pedras em grandes “trenós”, e as transportavam até o local de construção. Na verdade, os trenós eram basicamente grandes superfícies planas com bordas viradas para cima.

Quando você tenta puxar um trenó desses com uma carga de 2,5 toneladas, ele tende a afundar na areia à frente dele, criando uma elevação que precisa ser removida regularmente antes que possa se ​​tornar um obstáculo ainda maior.

A areia molhada, no entanto, não faz isso. Em areia com a quantidade certa de umidade, formam-se pontes capilares – microgotas de água que fazem os grãos de areia se ligarem uns aos outros -, o que dobra a rigidez relativa do material. Isso impede que a areia forme elevações na frente do trenó, e reduz pela metade a força necessária para arrastar o trenó. Pela metade.

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Ou seja, o truque é molhar a areia à frente do trenó. Como explica o comunicado à imprensa da Universidade de Amsterdã:

Os físicos colocaram, em uma bandeja de areia, uma versão de laboratório do trenó egípcio. Eles determinaram tanto a força de tração necessária e a rigidez da areia como uma função da quantidade de água na areia. Para determinar a rigidez, eles usaram um reômetro, que mostra quanta força é necessária para deformar um certo volume de areia.

Os experimentos revelaram que a força de tração exigida diminui proporcionalmente com a rigidez da areia… Um trenó desliza muito mais facilmente sobre a areia firme [e úmida] do deserto, simplesmente porque a areia não se acumula na frente do trenó, como faz no caso da areia seca.

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Estas experiências servem para confirmar o que os egípcios claramente já sabiam, e o que nós provavelmente já deveríamos saber. Imagens dentro do túmulo de Djehutihotep, descoberto na Era Vitoriana, descrevem uma cena de escravos transportando uma estátua colossal do governante do Império Médio; e nela, há um homem na frente do trenó derramando líquido na areia. Você pode vê-lo na imagem acima, à direita do pé da estátua.

Agora podemos finalmente declarar o fim desta caçada científica. O estudo foi publicado naPhysical Review Letters.

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Nascido para viver

partitura-4Ricardo Gondim

Há momentos em que me percebo sedento de luzes, com fome de abraços, carente de cores. Instantes em que viro poeta, artista, violinista e declamo versos geniais. Atraído pela beleza, rasgo as etiquetas da formalidade. Revisto-me com a capa dos românticos. Subo em palcos fictícios. Devaneio até conviver com algum boêmio imaginário. Sento até em boteco mal iluminado e rio sem motivo.

Em outros momentos, carrego carências que só um Noturno de Chopin pode aquietar. Tenho abatimentos. Preciso de um olhar manso para ser curado. Em horas assim, meus olhos pedem um Rembrandt ou a delicadeza poética de um Rubem Alves. Não me serve o ritmo forte do pagode. Necessito de uma flauta doce, de um smooth jazz, de uma Norah Jones. Movido por tais forças, consigo emergir dos deserto árido onde habitei.

Em certas ocasiões, permito que o numinoso  - o sobrenatural – me enfeitice. Minha alma demanda as alturas. Perecebo-me doutro mundo, nascido para a eternidade. Vejo-me mariposa tomada de êxtase pela luz. Deixo de me contentar em apenas existir e retorno ao éter luminoso. Sinto a urgência de transcender, criar e transbordar. Prometo a mim mesmo que vou romper fronteiras. Tocado pelo mistério, recuso arrastar-me pelas sendas da vida. Desdenho de todas as cascas que me dessensibilizam. Desperto para o dever de quebrar os caixotes que tentam me prender. A noção da imensidão do divino me leva a desejar mais espaço – atrofio em gaiolas, cercas me angustiam, garrotes me asfixiam. Minha espiritualidade me faz rasgar mapas precisos. Rompo a corrente de qualquer âncora que me paralise.

Chegam dias em que me forço para virar a página da tristeza. São dias de depuração. No silêncio me lavo de cinzas grudadas à pele. Esforço-me para trocar pranto por cantiga. Mas, para voltar a sorrir, preciso aquietar-me. Só na solitude consigo entrever prados verdejantes. Introspectivo, permito que réstias de luz vençam as frestas estreitas de minha alma.Vejo relâmpagos e ouço trovões mesmo se meu céu estiver despido de nuvens. Calado, viajo em reminiscências até alcançar o ar salitroso do mar que banhou a minha infância. Afogo a saudade naquele oceano de verde áspero. Nesse mergulho nostálgico, consigo ressuscitar fantasias infantis. Viro alquimista. Aprendo a dosar certa doçura na melancolia. Afugento espíritos amuados e todo enfado desaparece. Meu mundo se aquarela.Volto a crer na lealdade. Amigos se re-iluminam. Uma nova paz branqueja antigos ódios.

Depois de tudo, desisto de perder o medo da surpresa. Abro mão de imaginar-me timoneiro do universo. Despeço o Atlas que insiste em viver em mim. Passo a desenhar a arrogância pretensiosa de pessoas que ambicionam governar o mundo. Anelo me seduzir pelo incontrolado. Pretendo conviver com a ideia de jamais dominar o futuro. Prometo a mim mesmo que vou me arrepiar, empolgado, diante do imponderado. Almejo continuar amando a vida mesmo consciente de sua oscilações. Em seus momentos diversos, perseverarei diante do insólito. Se for surpreendido por novas dores e se a morte ameaçar, pretendo misturar coragem à ternura. Não permitirei que alguém apague a minha frágil centelha antes da hora. Ainda que tragédias se repitam, sem dar tempo de tomar fôlego, gritarei: não desisto, nasci para viver!

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

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Projeto que promete viagem só de ida para Marte atrai 200 mil candidatos

Em outra fase, 24 candidatos participarão de ‘reality show’
Equipe vencedora será a primeira enviada para Planeta Vermelha

Dois cientistas participam de simulação do ambiente marciano no deserto de Marrocos REUTERS
Dois cientistas participam de simulação do ambiente marciano no deserto de Marrocos REUTERS

Renato Grandelle, em O Globo

Muitas pessoas cultivam o sonho de morar em outro planeta. Em Marte, especificamente, são 202.586. Este é o número de candidatos que, nos últimos cinco meses, mandaram vídeos e e-mails para o Projeto Mars One, capitaneado pelo engenheiro holandês Bas Landscorp. Ele admite que ainda não tem toda a tecnologia necessária para mandar 24 selecionados para o planeta vizinho — e muito menos para retirá-los dali. Ainda assim, é grande o fascínio exercido pelo ambiente inóspito, frio, seco e de radiação na superfície.

O tíquete para Marte não é barato. Estima-se que o custo para envio dos primeiros colonos chegue a US$ 6 bilhões. Para bancá-lo, o Mars One passará os próximos dois anos afunilando sua lista de candidatos. Da peneira sairão seis equipes, cada uma composta por quatro pessoas, que se enfrentarão em um reality show (um dos coordenadores do projeto é co-criador do Big Brother), com transmissão prevista para dezenas de países. O quarteto vencedor será o primeiro levado ao espaço, e sua missão também será acompanhada pelo espectadores. A audiência do programa e a cooperação da iniciativa privada bancariam o envio das naves.

— O local da disputa ainda não foi definido, mas provavelmente será um ambiente inóspito e de temperatura baixa, o mais próximo possível do que sabemos de Marte — revela Thais Russomano, coordenadora do Laboratório de Microgravidade da PUC-RS e consultora do Mars One. — Não sabemos por quanto tempo o treinamento será transmitido, mas sua duração é de dez anos. Os tripulantes terão de adquirir o maior conhecimento técnico possível para sobreviverem em um planeta que tem apenas um terço da gravidade terrestre, sem um invólucro gasoso que sirva como proteção para as radiações solares e com a água congelada no solo. Se não souberem perfurá-lo, não serão autossuficientes.

A diminuição da gravidade causará alterações em todo o organismo, como a perda de cálcio dos ossos e a troca gasosa entre o sangue e o ar presente nos pulmões. A exposição recorde à radiação solar será outro desafio.

Além de acompanhar as aulas de sobrevivência em Marte, o programa televisivo, como todo reality show que se preze, vai explorar o perfil psicológico de seus participantes. Entre as características fundamentais para quem quiser entrar na expedição estão a capacidade de liderança, dedicação e — considerando que a viagem não tem volta — desprendimento.

Dono de uma pousada em Nova Friburgo, João Carlos Leal, de 52 anos, garante que cumpre as exigências. Seu interesse pelo espaço começou aos 8 anos, quando viu a decolagem da primeira missão Apollo. Colecionador de filmes de ficção científica, ele considera que sua idade é um trunfo.

— Terei 62 anos quando lançarem a primeira nave, mas muitos homens da minha família vivem bem até quase os 80 — avalia. — Posso, então, contribuir muito com a equipe. Mais de metade dos inscritos têm menos de 30 anos. Essas pessoas ainda têm muito o que fazer por aqui. Já vivi muita coisa na Terra, seria bom experimentar algo diferente. São sete meses de viagem até Marte e o resto da vida no planeta. Uma pessoa madura pode se adaptar melhor ao confinamento do que um jovem, que logo ficaria depressivo.

Leal precisou de muita conversa para explicar à família por que havia se inscrito no projeto.

— Algumas pessoas não sabiam se deviam me dar parabéns ou os pêsames — brinca. — Afinal, é uma morte em vida. Mas terei muito tempo para curtir meus filhos. O caçula tem 12 anos. Quando for embora, ele terá quase 23. Estará na faculdade e interessado em outras coisas.

O Brasil teve 10.289 inscritos no projeto — Leal está entre os 79 compatriotas cujo perfil já foi publicado no site do Mars One. O país é o quarto entre aqueles com maior número de candidatos. O ranking é liderado por EUA, Índia e China. Ao todo, 140 nações têm pessoas inscritas no projeto.

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Cientista da Nasa diz que busca por vida em lua de Júpiter é promissora

Lua Europa teria maior probabilidade por possuir oceano líquido sob o gelo. Robert Pappalardo, do laboratório Jet, comentou fato em evento nos EUA.

publicado no G1

Na busca por vida no sistema solar, a Europa, uma lua de Júpiter que abriga um oceano, parece mais promissora do que Marte, o grande deserto onde os Estados Unidos concentram seus esforços limitados por cortes orçamentários, afirmam especialistas.

“Fora da Terra, a Europa é o lugar do nosso sistema solar com a maior probabilidade de se encontrar vida, e deveríamos explorá-la”, afirmou Robert Pappalardo, cientista responsável do Jet Propulsion Laboratory (JPL), laboratório da agência espacial americana Nasa.

Ele comenta que a lua é recoberta por uma camada de gelo relativamente fina, possui um oceano (líquido sob o gelo) em contato com rochas no fundo, é geologicamente ativa e bombardeada por radiações que criam oxidantes e formam, ao se misturar com a água, uma energia ideal para a vida.

No entanto, a pedido da Nasa a missão que exploraria a lua Europa foi revista devido a um corte de custos, explicou à imprensa o cientista, durante a conferência anual da Associação americana pelo avanço da ciência (AAAS, em inglês), que acontece em Boston até o dia 18 de fevereiro.

O JPL, aliado ao laboratório de física aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Maryland, concebeu um novo projeto de exploração chamado “Clipper” num valor total de US$ 2 bilhões, sem contar com o lançamento da nave.

O aparato seria colocado na órbita de Júpiter e realizaria vários vôos de aproximação à Europa, seguindo o exemplo da sonda Cassini em Titã, uma lua de Saturno. “Desta forma, podemos cobrir de forma eficaz toda a superfície da Europa, pela metade do custo inicial”, assegurou Pappalardo. Se for aprovado, o “Clipper” pode ser lançado em 2021 e demoraria de três a seis anos para chegar à lua Europa.

Em comparação, são necessários apenas seis meses para se chegar a Marte. De qualquer forma, a Nasa informou não possuir fundos suficientes para sustentar a missão Clipper no atual contexto de cortes orçamentários.

Uma prioridade científica 
No entanto, a agência espacial anunciou em dezembro o envio de um novo robô a Marte em 2020 seguindo o exemplo do Curiosity, um projeto de US$ 2,5 bilhões. Tendo chegado ao planeta vermelho em agosto de 2012, o Curiosity busca determinar se Marte pode ter desenvolvido alguma forma de vida.

De acordo com os projetos atuais de exploração robótica da Nasa, os Estados Unidos não terão mais sondas na parte mais longínqua do sistema solar após a chegada da nave Juno à órbita de Júpiter em 2016, programada para se chocar contra o planeta um ano mais tarde.

Por outro lado, a Nasa pode participar da missão da Agência Espacial Europeia (ESA) a Júpiter e as suas luas, batizada de “Jupiter Icy Moon Explorer”, com previsão de chegada para 2030.

O robô Curiosity em Marte (Foto: Divulgação / Nasa)
O jipe Curiosity em Marte (Foto: Divulgação / Nasa)

Embora Pappalardo admita que Marte representa grande parte da exploração do sistema solar pela Nasa, ele acredita que a agência “também deveria explorar lugares que constituem uma grande prioridade científica”. “Uma das perguntas fundamentais é saber se existe vida fora do sistema solar”, completou.

Enquanto Marte pode ter sido habitada a bilhões de anos atrás, a Europa pode ser propícia à vida neste momento, insistiu o cientista. “Se a Europa é o melhor lugar do sistema solar para abrigar vida depois da Terra, a Encelade, uma lua de Saturno, a segue de perto”, ressaltou Amanda Hendrix, do Instituto de ciência planetária em Tucson (sudoeste).

A Encelade conta com ‘um mar e um oceano de água líquida embaixo de uma camada de gelo e é geologicamente ativa com uma fonte de calor no polo sul, além de um gêiser que emite partículas de água’, explicou na mesma coletiva de imprensa. A Europa foi observada de perto pela primeira vez pelas sondas americanas Voyager em 1979 e Galileo nos anos 1990.

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