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Estrelas da Record fazem doações em dinheiro à Universal

Ricardo Feltrin, no UOL

Não foi apenas só com o corpinho presente que artistas da Record compareceram a um culto comandado por Edir Macedo no Credicard Hall semanas atrás, como informou o colunista Flavio Ricco, do UOL.

Artistas como Gugu Liberato, Rodrigo Faro (foto) e Ana Hickmann também colaboraram com doações em dinheiro, segundo apurou a coluna Ooops! Faro teria feito uma doação de R$ 30 mil. Gugu, de R$ 10 mil.

Pode-se dizer que não é uma via de mão única, pois existe um vídeo em poder do Ministério Público (jamais exibido), gravado cerca de dois anos atrás dentro de uma Igreja Universal, que mostra um pastor pedindo doações aos fieis em tom de exigência: “Vamos, gente, tem o salário do Gugu para pagar e mais um monte de artistas”.

foto via Digitei

Edir Macedo reúne Ana Hickmann, Gugu e Rodrigo Faro em culto da Igreja Universal e cobra entrada

Publicado originalmente no RD1

O Bispo Edir Macedo conseguiu reunir estrelas da Record em um culto da Igreja Universal, anunciado como palestra, no Credicard, na semana passada.

Após receberem o convite, por telefone ou e-mail, os artistas foram informados de que teriam que desembolsar o valor de R$ 2500 por pessoa. Por lá, foram registradas as presenças de Rodrigo Faro, Gugu Liberato, Ana Hickmann, entre outros, além de diretores da casa.

Segundo o colunista Flávio Ricco, do UOL, alguns artistas estão inconformados com o valor cobrado pelo que seria uma simples palestra. E muitos acabaram se arrependendo de ter participado do que acabou se transformando em um culto.

dica do Ronaldo

Deus é zero

Tony Bellotto, na Veja On-line

Outro dia, no táxi a caminho do Galeão, passou por mim um carro vermelho em alta velocidade. O motorista parecia um rapper latino de filme independente americano, com boné virado pra trás e imensos óculos escuros. O interior do carro emanava um funk ensurdecedor que ajudava a compor a barulhenta sinfonia da Linha Vermelha às 8h30 da manhã, em que buzinas, roncos de motores e turbinas de avião se misturam numa música que nem John Cage poderia conceber.

Depois que o carro passou, reparei num plástico enorme no vidro de trás com os dizeres: DEUS É FIEL. Não foi a primeira vez que vi a frase, claro, ela é bastante difundida, mas foi a primeira vez que refleti sobre ela. Essa frase sempre me intrigou. A que se refere, afinal de contas? Deus é fiel a quem? A Ele mesmo?

Ora, se Deus, por definição é “causa necessária e fim último de tudo que existe” Ele não tem que se preocupar em ser fiel a si mesmo, pois já que está acima de todas as coisas não precisa, por definição, “não contrariar a confiança depositada”. O mesmo vale para a sua, digamos assim, ideologia, ou doutrina. Mesmo que Ele envie um planeta em rota de colisão com a Terra e destrua a vida humana por estas plagas, ainda assim continuará sendo fiel aos seus desígnios, já que estes são, também por definicão, insondáveis. Portanto dizer que Deus é fiel a si mesmo é afirmar uma tremenda de uma redundância.

Pode-se, por outro lado, argumentar que Deus é fiel aos que Nele crêem. Mas como todo fiel é por definição passível de ser traído, não seria errado afirmar, no caso de um crente que “abandone” Deus para flertar com o diabo, por exemplo – o que vive acontecendo -, que Deus é traído em alguns casos. Nesse caso seria tão correto afirmar que DEUS É TRAÍDO quanto que DEUS É FIEL.

Isso me remete a uma outra frase, também muito difundida, que me intriga igualmente: DEUS É DEZ. Só dez? Deus deveria ser, no mínimo, Mil, ou Milhão, quando não, Infinito, certo? Claro que a frase quer dizer que Deus está no nível máximo de qualquer escala, o topo da linha. Mas o número dez não me parece à altura do Todo Poderoso, na boa, e olha que eu nem acredito na existência Dele (acredito na do número dez, no entanto).

Mas caso os crentes queiram passar uma dimensão do poder e da força do Senhor, deveriam usar o número zero, já que este, por definição, é o “elemento inicial de qualquer série”, além de representar a “total ausência de quantidade”, ou ainda um “conjunto vazio”, que cabem muito melhor na definição do que seria esse “não lugar” que Deus habita, do que o raquítico número dez. Nesse caso, seria tão correto afirmar que DEUS É ZERO quanto que DEUS É DEZ.

Mas imagine o que aconteceria com alguém que saísse num carro com os dizeres DEUS É TRAÍDO e DEUS É ZERO. Deus me livre…

foto: Thinkstock