Condenado no Mensalão, Pizzolato diz que aceitou Jesus e testemunha: Agora sei que o Senhor Jesus me ama

“Meu único desejo é fazer a vontade de Deus”

pizzolato

Publicado no JM Notícia

Henrique Pizzolato, o ex-diretor do Banco do Brasil condenado a mais de 12 anos no julgamento do Mensalão, diz que encontrou Jesus e agora frequenta a igreja todos os dias

APROXIMAÇÃO

Henrique Pizzolato encontrou Jesus. Pelo menos é o que o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil condenado a mais de 12 anos no processo do Mensalão anda dizendo para os amigos mais próximos desde que deixou a Penitenciária de Sant’Anna, em Modena, na Itália, onde passou os últimos meses encarcerado. Praticamente recluso desde que conquistou a liberdade ao ter sua extradição para o Brasil negada pela Justiça italiana no dia 28 de outubro, o ex-diretor de marketing continua vivendo em Modena e se tornou um dos frequentadores mais assíduos da Igreja Pentecostal Cristã Carismática Fonte di Vita, uma denominação protestante localizada na região central da cidade italiana de 180 mil habitantes.

CONVERSÃO

Pizzolato tornou-se religioso na cadeia. O ex-diretor do Banco do Brasil passou a frequentar um grupo de orações e estudos bíblicos organizado pelo pastor Romulus Giovanardi, um dos líderes da Fonte di Vita. Lentamente, Pizzolato passou a frequentar com assiduidade os encontros promovidos pelo religioso todas as quintas-feiras na Penitenciária de Sant’Anna. “Quando chegou à prisão Pizzolato era um homem esfacelado, mal caminhava, não falava, tremia, era confuso, ansioso e tinha medo de tudo”, conta o pastor que se transformou em um amigo e espécie de porto seguro para o condenado pelo Supremo Tribunal Federal. “Depois que encontrou Jesus, Pizzolato é um outro homem, saiu da prisão de cabeça erguida”.

TESTEMUNHO

Na manhã do domingo 16, Pizzolato decidiu, pela primeira vez, dar um testemunho público de sua fé. Junto com a mulher, Andrea Haas. Henrique Pizzolato subiu no palco da pequena igreja por volta das 10 horas e durante 30 minutos contou como sua vida se transformou após aproximar-se da religião. “Uma noite, após ter participado da quinta-feira de oração e louvor, senti dentro de mim o desejo de pertencer a Jesus”, disse ele, emocionado e quase indo às lágrimas. “O aceitei como meu Senhor e Salvador e imediatamente me senti leve, cheio de paz e alegria. Eu estava atrás das grades, mas livre.”, disse ele, arrancando lágrimas da mulher, Andrea Haas, que acompanhava o testemunho do marido na primeira fileira.

Pizzolato aproximou-se da religião nos momentos que ele considerava mais difíceis na cadeia e que não tinha certeza se conseguiria realmente evitar a extradição. O executivo condenado a 12 anos de prisão passou a depositar na fé as esperanças de permanecer na Itália, país do qual é cidadão, e livrar-se da cadeia no Brasil. Pizzolato passou a ter certeza que seria liberto ao iniciar um período de leitura quase compulsiva da bíblia, que lia diariamente na prisão. “No dia anterior ao seu julgamento escrevi uma carta a ele dizendo que ‘Jesus é seu advogado’”, conta Giovanardi. “Ele, naquele dia, estava mais seguro que sairia do tribunal um homem livre do que seu advogado”.

LIBERDADE NA PRISÃO

Pizzolato e Andrea falam com o padre quase que diariamente. Não raro, saem para almoçar com o pároco e são presença frequente na igreja. Em seu testemunho no domingo, o ex-diretor do Banco do Brasil disse que se precisasse voltar à penitenciária não teria problema algum. “Se me perguntassem quais momentos da minha vida eu gostaria de reviver, não tenho dúvida: todos aqueles dias na (Penitenciária de) Sant´Anna, porque ali eu conheci Deus e sofri uma profunda mudança. Se antes conhecia um Deus distante, que às vezes o percebida como um juiz, agora sei que o Senhor Jesus me ama”, afirmou.

Pizzolato ainda não sabe seu destino final. Nesta segunda-feira o Ministério Público italiano entrou com um recurso na corte suprema do país pedindo novamente sua extradição para o Brasil, onde ele terá que cumprir sua pena em regime fechado. Diante dos fiéis da Fonte di Vita, Pizzolato, no entanto, disse que seu maior objetivo na vida não está mais relacionado a ambições terrenas. “ Hoje meu maior desejo é fazer a vontade de Deus e ajudar os outros.”

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A vida sem rédeas

ca. 1990s Wyoming, USA

Ricardo Gondim

A vida se parece com um cavalo chucro. Ela não obedece prognósticos, despreza vaticínios e nunca se prende aos trilhos da lógica. Quando puxada à direita, desobedece. Se afrouxamos as rédeas e cogitamos parar, eventos súbitos nos surpreendem. Quem não se dobra à verdade de que a vida é selvagem, desperdiça enormes pedaços da existência. O esforço de encabrestar o potro selvagem chamado vida, exaure. Querer antecipar o futuro é tarefa estafante, um delírio onipotente.

Ciência e tecnologia prometem trazer as variáveis da vida sob sua tutela. Mesmo com toda conquista médica, capacidade meteorológica e poder cibernético, por mais admiráveis, estamos longe, muito longe, de subjugar o tal potro.

Mantemos uma inquietação estranha. Ambicionamos controle. Como tornar o futuro minimamente previsível? A religião se oferece como resposta alternativa. Os templos lotados atestam sua força. A necessidade humana de antecipar-se a acidentes, de prever intempéries e de se proteger da aleatoriedade, leva muitos a acessar o divino. O desencanto pós-moderno é, em grande parte, responsável pelo avivamento da crença de que resta esperar pela proteção de Deus. A lógica do javismo de Deuteronômio ensina que Deus blinda, desde que ele contemple uma contrapartida dos filhos. Quem cumprir os mandamentos, cria defesa para tudo: do ataque dos gafanhotos na plantação à vaca infértil. Devido a essa expectativa, sobejam os marqueteiros da religião, que repetem (nunca de graça): Deus coloca seus filhos debaixo de suas asas. (Onde estão as redomas de aço ao dispor dos santos?) Outros místicos prometem: Com Deus, nenhum mal acontece. Livretos repetem, ad nauseum, fórmulas para fechar o corpo, quebrar maldição, receber milagre, anular o poder do diabo, alcançar graça, neutralizar os efeitos da macumba. Jargões, decorados e esbravejados, tentam gerar uma fé com o poder de domesticar o futuro selvagem.

Muito do que se busca no milagre não passa de esforço para tornar o dia a dia mais plácido e sem sacolejos ou surpresas desagradáveis. Acontece que essa mentalidade não encontra eco na tradição cristã  – nem se sustenta na realidade concreta das pessoas. Jesus jamais cogitou esse tipo de vida. O Nazareno se esforçou para mostrar que, antes de reverter a realidade, temos de mudar os conteúdos do coração. No universo conceitual do Carpinteiro, o mundo, repleto de predadores, sofre ameaça dos maus. Justos e injustos nunca se veem livres dos perigos da natureza. Viver é perigoso – arriscado.

Fé tem a ver com nossa capacidade de lidar com as diferentes fases da vida. Estações distintas compõe nossa história. Em cada uma delas – infância, adolescência, vida adulta e velhice – existem problemas. Fé se irmana à sabedoria para nos ajudar a encarar – e apreciar –  essas estações em sua beleza, limitações e desafios. Devido à fé, não nos destruímos nos picos de euforia ou nos vales de tristeza – na gangorra emocional – que as muitas épocas da vida trazem.

Nossa fé tem a ver, também, com liberdade. Quais as avenidas do amanhã, sempre inédito, que decidimos andar? Reconheçamos: toda liberdade é limitada. Não nos perguntaram nossa preferência de sexo, cor da pele, hereditariedade ou lugar de nascimento. Igualmente, ninguém opta se vai ou não precisar beber água. Podemos escolher, pelo menos, a atitude que beberemos. O modo como encaramos nossa contingência pode determinar nossa qualidade da vida. Fé procura influenciar a resposta aos prêmios, ou às vicissitudes, que compõe o enredo de nossa história.

Ninguém é uma ilha. Pessoas dependem de pessoas. Para viver é preciso saber estabelecer relacionamentos.  Fé repousa, assim, em um alicerce essencial: a convivência com o próximo. Nela, desenvolvemos nossa capacidade de amar e deixar-nos amar.

Como a vida é alazão arisco e indomável, vive quem respeita as fases que o tempo escancara, lida com suas flutuações emocionais e reconhece – e aceita – os desdobramentos de suas escolhas. Acima de tudo, vive quem se vê, neste vasto mundo, parte de uma mesma família.

Fé avisa ao potro: esperneie o quanto desejar, eu não desistirei.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

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‘Nenhum magistrado é Deus’, diz Lewandowski sobre ação contra agente no RJ

Charge: Alpino
Charge: Alpino

Renan Antunes de Oliveira, no UOL

O ministro Ricardo Lewandowski, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), disse nesta segunda-feira (10), em Florianópolis, que “nenhum magistrado é Deus, eles são homens comuns e devem respeitar a Constituição”. A declaração foi dada por ele ao comentar o caso da agente de trânsito condenada no Rio de Janeiro por ter supostamente dito a um magistrado, durante uma blitz da Lei Seca, que “juiz não é Deus”.

O presidente do Supremo, no entanto, não falou sobre o mérito da ação (a condenação da agente), pois, de acordo com ele, o processo pode chegar ao STF.

O ministro disse ainda que a meta para 2015 do STF será julgar “casos escolhidos [num mecanismo diferente da chamada Súmula Vinculante] que possam resolver milhares de processos” entre os 67 milhões que estão “congestionados” no Judiciário –ele não citou quais serão os casos escolhidos.

Lewandowski disse também, citando dados da pesquisa do CNJ 2014 ( base 2013) que “temos 95,1 milhões de processos, um acréscimo de 3,3% sobre 2012,resultando numa taxa de congestionamento de 70,9%” –o que dá 67 milhões e 425 mil processos “congestionados”.

O ministro afirmou que “a demora nos julgamentos se deve às instâncias existentes para recursos, mas isto está na legislação processual, é um problema das leis existentes, que datam de 50 anos”.

Levandowski participou da abertura do 8º Encontro Nacional do Poder Judiciário, reunindo desembargadores e juizes de 91 tribunais brasileiros. A pauta do encontro é buscar soluções para a litigância excessiva e à quantidade de processos em tramitação no Judiciário.

Segundo o ministro “as metas que serão propostas à votação incluem as de medição permanente, como as Metas 1 e 2, 5 (de impulsionar o processo de execução) e 6 (de priorizar o julgamento das ações coletivas) e investimento na Conciliação, estabelecendo, na Meta 3, proposição de incrementar a atuação dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSCs).

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Stephen King: ‘Religião é uma ferramenta perigosa… mas escolho acreditar que Deus existe’

Stephen-King

Publicado em O Globo

Stephen King, cujo próximo romance “Revival” apresenta um pastor metodista que condena sua fé após um acidente horrível, descreveu a religião organizada como “uma ferramenta muito perigosa que tem sido mal utilizada por um grande número de pessoas”. Em uma rara e longa sessão de perguntas e respostas publicada na edição impressa da revista Rolling Stone, King explicou como ele “cresceu em uma igreja metodista”, mas como “tinha dúvidas” sobre a religião organizada, desde que era uma criança.

No entanto, ele disse que escolhe acreditar em Deus “porque torna as coisas melhores. Você tem um ponto de meditação, uma fonte de força”, disse ele disse à revista Rolling Stone:

– Eu escolho acreditar que Deus existe e, portanto, posso dizer: ‘Deus, eu não posso fazer isso por mim. Ajuda-me a não tomar uma bebida hoje. Ajuda-me a não tomar uma droga hoje’. E isso funciona bem para mim.

“Revival” abre com quando seu narrador, Jamie Morton, sente uma sombra cair sobre ele. É o novo ministro da sua pequena cidade, Charles Jacobs; o encontro gera uma conexão que vai reverberar através da vida de Jamie, levando-o para a um final que a editora está chamando de “a conclusão mais assustadora Stephen King já escreveu”.

King disse à Rolling Stone que ele acreditava “no mal”, mas que toda a sua vida ele tem “ido para trás e para frente sobre se há ou não um mal exterior, se há ou não uma força no mundo que realmente quer nos destruir, a partir de dentro para fora, individual e coletivamente. Ou se tudo isso vem de dentro e que tudo isso faz parte da genética e do ambiente”.

– Não acho que quando você olha para a sua educação você pode dizer ‘Oh, isso é porque a mamãe colocou um prendedor de roupa em seu pênis quando ele tinha quatro anos’ – disse King à revista. – O mal está dentro de nós. Quanto mais velho fico, menos eu acho que há algum tipo de influência demoníaca fora; se trata de pessoas. E a menos que nós sejamos capazes de lidar com essa questão, mais cedo ou mais tarde, vamos nos matar.

dica do Ailsom Heringer

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‘Deus não teme coisas novas’, diz papa Francisco

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Publicado no Estadão

O papa Francisco encerrou neste domingo, 19, a 3.ª Assembleia-Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, que revelou as profundas divisões sobre como tratar homossexuais e pessoas divorciadas, dizendo que a Igreja não deve ter receio de mudanças e novos desafios. “Deus não teme coisas novas. É por isso que ele está continuamente nos surpreendendo, abrindo nossos corações e nos guiando em caminhos inesperados.”

Francisco, que já afirmou querer uma Igreja mais misericordiosa e menos rígida, fez a declaração em um sermão para cerca de 70 mil pessoas na Praça de São Pedro, na cerimônia de encerramento do encontro entre bispos que durou duas semanas.

As reuniões do Sínodo foram concluídas na noite de sábado, 18, com a divulgação do relatório final, que atenuou a versão preliminar que previa uma maior aceitação dos homossexuais pela Igreja, o que foi visto por parte dos progressistas como um retrocesso para o papa.

Depois da divulgação do esboço, os bispos conservadores prometeram alterar os termos sobre homossexuais, coabitação e novo casamento, argumentando que as diretrizes criariam confusão entre os fiéis e prejudicariam a família tradicional.

Beatificação. Na missa, Francisco beatificou o italiano Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini, o papa Paulo VI (1897-1978), e destacou que o pontífice “guiou com sabedoria e visão de futuro – e talvez sozinho – o leme da barca de Pedro” em um momento em que surgia “uma sociedade secularizada e hostil”. “Ele jamais perdeu a alegria e a fé no Senhor”, disse Francisco, durante a homilia.

O papa recordou que Montini instituiu o Sínodo dos Bispos, a fim de, como ele próprio escreveu, “adaptar os métodos de apostolado às múltiplas necessidades do nosso tempo e às novas condições da sociedade”.

“Olhando para este grande papa, este cristão comprometido, este apóstolo incansável, diante de Deus, hoje, só posso dizer uma palavra tão simples quanto sincera e importante: Obrigado”, agradeceu o papa. Participaram da missa o papa emérito Bento XVI, que foi nomeado cardeal por Paulo VI, e outros dois cardeais eleitos por Montini: Paulo Evaristo Arns e William Wakeield Baum.

Papado. Paulo VI foi eleito em 1963 para suceder ao popular papa João XXIII. Durante o papado de 15 anos, foi o responsável por implementar as reformas do Concílio Vaticano II e conduzir a igreja ao longo da revolução sexual da década de 1960.

O Vaticano II abriu o caminho para a missa ser rezada em línguas locais, em vez de em latim, pediu uma maior participação dos laicos na vida da Igreja e revolucionou as relações com as pessoas de outras religiões. Ele é talvez mais conhecido, no entanto, pela encíclica Humanae Vitae, de 1968, que consagrou a oposição da Igreja a contraceptivos artificiais. Neste ano, o papa Francisco já havia canonizado os papas João Paulo II e João XXIII.

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