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Marco Feliciano: “Deus matou John Lennon”


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“Um tiro em nome do Pai, o outro em nome do Filho e o outro em nome do Espírito Santo.”

Em mensagem antigona, Marco Feliciano desfila sua ~elegância~ e suas frases de (d)efeito. Pra lembrar:

- o “pouco tempo depois” corresponde a cerca de 14 anos (1966 a 1980)

- Mark David Chapman disparou 5 tiros, dos quais 4 acertaram John Lennon

- em 2008, o papa Bento XVI perdoou Lennon pela declaração.

Se o tal “anjo do Juízo” está correndo a terra, é melhor colocar a chapinha de molho.

dica do Sidnei Carvalho de Souza

Feliciano exibe seu diploma de direitos humanos

Diplomado: Defensor dos Direitos Humanos ‘respaldado’ por resolução da ONU e decreto de Lula

Diplomado: Defensor dos Direitos Humanos ‘respaldado’ por resolução da ONU e decreto de Lula

Josias de Souza, no UOL

Num instante em que seus antagonistas o acusam de homofobia e racismo, o deputado-pastor Marco Feliciano (PSC-SP) acaba de obter um “diploma de defensor dos direitos humanos.” Foi concedido nesta quinta-feira (4) por uma entidade que se autodenomina “Federação Brasileira dos Direitos Humanos.” Está sediada em Salvador.

Feliciano apressou-se em exibir sua conquista. Levou ao Twitter uma mensagem:  “Fiquei emocionado ao ser homenageado pela Federação Brasileira de Defesa dos Direitos Humanos. A Deus toda glória!” Segue-se um link que conduz à imagem do diploma. Diz-se que Deus escreve certo por linhas tortas. Pois deu-se o inverso com a “diplomação” do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

A tal federação veiculou em seu site uma nota. As linhas são retas. Mas o texto é, por assim dizer, incerto. Num idioma muito parecido com o português, informa-se que o deputado Marco, rebatizado de Marcos, esteve com o presidente da entidade, Elizeu Rosa. Anota-se no texto que a federação “quer conhecer as proposta de trabalho” do novo presidente da Comissão de Direitos Humanos.

Dispõe-se a “colaborar na defesa das minorias, grupos vuneraveis e na política de telerancia religiosa.” Diz ainda o texto que o doutor Eliseu acha que “é muito sedo para julgar a administração de alguém no início do seu trabalho”. Esclarece que irá “intermediar com alguns grupos de direitos humanos uma forma de deixa o deputado Feliciano trabalhar.”

A Federação Brasileira de Defesa dos Direitos Humanos esclarece em seu site que está registrada no Ministério da Justiça sob o número 08071.001848/2011-95. De acordo com os termos do “diploma”, Feliciano obteve a honraria graças à aprovação num “curso”. Lê-se no documento que, a partir de agora, o deputado-pastor “passa a gozar de todas as prerrogativas inerentes ao cargo” de defensor dos direitos humanos.

Mais: no exercício de suas atribuições, Feliciano estará doravante “respaldado pela Assembléia Geral das Nações Unidas (ONU) […] e protegido pelo decreto 6.044/07”. Editado por Lula em 12 de fevereiro de 2007, esse decreto instituiu a “Política Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos”. Quer dizer: tomando-se a sério o “diploma”, Feliciano agora tem as costas esquentadas pelo Planalto e até, veja você, pela ONU. Tremei, pecadores!.

atualização às 11h

elizeu

deslumbrado com o ~nível~ do presidente de tão importante organização, fui pesquisar um pouco sobre a trajetória dele.

em maio de 2009, a Polícia Federal fechou no DF a tal “Delegacia Nacional de Defesa dos Direitos Humanos”, apreendendo no local uniformes, coletes, distintivos, carteiras funcionais e adesivos para veículos.

segundo esta matéria, o tal conselho atuava ainda em itamaraju, cidade baiana na qual o presidente também era pastor evangélico. ele teria fugido da cidade após ser acusado de estupro por uma adolescente. revoltada, a população local ateou fogo no carro do pastor-otoridade.

atualização às 13h

confiram aqui documento expedido em 2009 por procuradora da república citando o presidente da comissão em crimes de estelionato e falsificação de sinal público.

em 2010, elizeu publicou em seu perfil no twitter a msg abaixo mencionando o apresentador carlos massa:

@elizeufagundes 3 ago 10

@ratinhodosbt Ratinho eu sei como desapareu a Elisa Samudio isso é uma revelaçao, Bispo Elizeu Simoes

Fundamentalismo religioso é causa de graves transtornos mentais

Filha de missionários da Assembleia de Deus, especialista ajuda há mais de 20 anos homens e mulheres a se recuperarem das doenças psicológicas não só causadas por crenças religiosas, mas também aquelas que acabam sendo realçadas pelo fundamentalismo religioso

publicado no Pragmatismo Político

Depois de 27 anos tentando viver uma vida perfeita, eu achei que tinha falhado… Eu tinha vergonha de mim durante todo o dia. Minha mente lutava contra ela mesma, sem alívio. Eu sempre acreditei em tudo que me foi ensinado, mas ainda assim pensava que não tinha a aprovação de Deus. Eu pensava que ia morrer no Armagedom. Durante anos, eu me machucava literalmente, cortava e queimava meus braços, para me punir antes que Deus o fizesse. Levei anos para me sentir curada.

Livro contém 20 anos da experiência da autora

Livro contém 20 anos da experiência da autora

Esse relato é de um paciente de Marlene Winell (na foto abaixo), americana de San Francisco que se especializou em desenvolvimento humano e estudo da família. Ela é autora do Leaving the Fold: A Guide for Former Fundamentalists and Others Leaving their Religion — livro que, como diz seu título, é um guia sobre como se livrar das consequências de religião fundamentalista.

Winell cunhou o termo “Síndrome do Trauma Religioso”, STR (na sigla em português), para classificar os sintomas de pacientes que sofrem de transtornos mentais em decorrência da lavagem cerebral de religiões fundamentalistas.

Filha de missionários da Assembleia de Deus, Winel ajuda há mais de 20 anos homens e mulheres a se recuperarem das doenças psicológicas não só causadas por crenças religiosas, mas também aquelas que acabam sendo realçadas ou despertadas pelo fundamentalismo cristão.

Em entrevista à psicóloga Valerie Tarico, Winel disse que os sintomas do STR inclui, além da ansiedade, depressão, dificuldades cognitivas e degradação do relacionamento social. “Os ensinamentos e práticas religiosas, por vezes, causam danos graves na saúde mental.”

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A páscoa

cruz (1)Publicado por Tuco Egg

É fato que a mais celebrada data do calendário cristão é o Natal. Mais por conta do dinheiro rolando solto no comércio e das bochechinhas rosadas do Papai Noel do que pelo nascimento de Jesus, é verdade, mas o fato persiste.

Curioso é que por mais de trezentos anos cristão nenhum comemorou o nascimento de seu mestre. Ninguém fazia a menor ideia do dia em que ele nasceu e, aparentemente, não havia nenhum esforço para descobrir. Foi só no ano 336 que o imperador romano, esperto que só ele, fixou o nascimento de Cristo na mesma data da festança pagã que comemorava o solstício de inverno (no hemisfério norte, é claro). Assim conseguiu a façanha de converter o povo e manter a festividade. Eu teria feito o mesmo.

O curioso nessa história é que apesar de ninguém saber o dia em que de fato nasceu o messias de Nazaré, todos sabem desde sempre a data de sua morte. A páscoa é a festa em que os judeus comemoram a libertação de seu povo das garras do faraó 3,5 mil anos atrás, e a subsequente passagem (pessach = páscoa) sensacional da multidão à seco pelo mar aberto ao meio. O Cristo acabou morrendo na semana da páscoa judaica e, por tanto, todo mundo conhece a data de seu falecimento e ressurreição. A manjedoura tem seu papel na história, e é em si mesmo uma belíssima mensagem que se perdeu nos festejos de Natal (além de ser muito bonitinha nos presépios), mas não é a toa que o símbolo cristão é a cruz. Não fosse Constantino e a cristianização compulsória do império romano, até hoje não haveria nascimento a comemorar, mas tão somente morte e renascimento.

Nessas horas lembro de Pedro e a sacada que teve em revelar que a morte do Cristo de Nazaré precedeu sua vida. Que seu sacrifício precedeu seu nascimento. Que a encarnação de Deus é consequência de sua morte na cruz e não o contrário. Na lógica da eternidade o tempo vira do avesso e a salvação precede a condenação. É belíssima e certeira a frase que afirma que antes de dizer “haja luz”, Deus disse “haja cruz.

A páscoa deveria nos lembrar que Deus foi morto antes de nascer. E isso faz toda diferença.