Mãe gentil

MAE_BRASILCarlos Bezerra Jr.

Escrito pelo sacerdote holandês Henri Nouwen, o livro “A volta do filho pródigo” apresenta lições sublimes usando como inspiração a parábola conhecida e a pintura homônima de Rembrandt exposta no Museu Hermitage, em São Petersburgo (Rússia). Entre várias observações repletas de sensibilidade, Nowen mostra que o pai retratado no quadro tem uma mão masculina e outra feminina. Enquanto uma oferece segurança e força, a outra afaga e conforta. Ao mesmo tempo, protege e acaricia.

Hoje “conhecemos em parte” (1Co 13.12), portanto é natural o artifício de recorrer aos atributos maternos para ampliar a compreensão da grandeza divina. Como afirmou o papa João Paulo I em seu curto pontificado, “Deus é Pai e Mãe”. A singularidade do amor que a mãe nutre por seus filhos ajuda a ilustrar a nobreza do sentimento daquele que nos amou primeiro.

Num dia de festa não quero listar tantas mazelas do país. Navegar pela Internet nos deixa apreensivos ao ver nuvens escuras que pairam sobre a nossa nação jovem e sofrida. No entanto, hoje é dia de a esperança reviver. Basta observar o caráter incondicional do amor de uma mãe para lembrar que “a graça de Deus, assim como a água, sempre escorre para a parte mais baixa” (Philip Yancey).

Minha homenagem às mães que nesta manhã de domingo enfrentam filas longas e a humilhação da revista íntima para poder receber o abraço de seus filhos encarcerados. Às mulheres bolivianas trancadas em cubículos insalubres e exploradas em jornadas intermináveis, reafirmo meu compromisso de contribuir para colocar um ponto final nesse capítulo triste da nossa história. Deus nos ajude a libertar esses braços para que possam acolher seus filhos carentes de afeto e dignidade.

Enquanto existir mães por perto, o amor jamais será sufocado. Esse repositório de energia e de sensibilidade deve nos inspirar a gerar um novo país, trazendo à existência o lirismo do Hino Nacional: “dos filhos deste solo és mãe gentil”. Parabéns a todas as mães desta Pátria amada!

fonte: Facebook

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‘Há uma luta entre a luz e as trevas’

true_detectivetítulo original: ‘True philosopher’

Luiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo

“Há uma luta entre a luz e as trevas”, diz o detetive Rust Cohle (Matthew McConaughey) na série “True Detective”, na última cena do último episódio da primeira temporada.

Já disse e repito que as séries americanas são hoje, de longe, o maior experimento dramatúrgico nos EUA, porque o cinema americano quase não existe, derretido pelo medo do politicamente correto, esta praga que em breve terá destruído toda a criatividade ocidental, à semelhança da arte soviética. Qualquer artista que submeta sua arte ao projeto “para um mundo melhor” é um artista ruim.

A ideia de que há uma luta deste tipo é comum à filosofia, teologia e literatura. Dostoiévski diz algo semelhante nos “Irmãos Karamazov”: “Há uma luta entre Deus e o Diabo e o palco é o coração humano”.

Nos “Manuscritos do Mar Morto”, textos judaicos datados do período em torno do nascimento da era cristã, encontrados em cavernas do mar Morto nos anos 40, afirma-se a mesma luta entre os filhos da luz e os filhos das trevas. Nathan de Gaza, século 17, “profeta” do falso Messias Sabatai Tzvi, dizia que o mundo, assim como a alma de Tzvi, um melancólico, era dilacerado por forças antagônicas de luz e trevas. Vejo nisso uma poética da agonia como habitat da alma humana.

Rust Cohle é um detetive filósofo típico da tradição que vai de Sam Spade (interpretado por Humphrey Bogart) a Philip Marlowe (interpretado por Elliott Gould e Robert Mitchum). Niilistas, todos eles trazem a marca de uma visão pessimista sobre a humanidade.

Cohle, no primeiro episódio, afirma que é pessimista (e define essa condição como sendo “ruim em festas”). E afirma sua “cosmologia”: a consciência humana é um erro da evolução.

Segundo nosso “true philosopher”, todos pensamos que somos “eus”, mas somos apenas seres que arrastam essa ilusão em meio a uma programação genética que nos obriga a sobreviver. Um diálogo entre o niilismo nietzschiano e o determinismo darwinista de Richard Dawkins não seria muito diferente.

De onde vem esse pessimismo que dá a esses detetives um tom maior do que meros personagens à procura de criminosos?

No caso especifico de Cohle, esse pessimismo vem de uma família de origem destroçada, de uma filha morta muito jovem, de um casamento destruído devido a esta morte, de muita bebida e muita droga, de quatro anos infiltrado no narcotráfico e de uma longa investigação entre satanistas, pedófilos “cristãos” e serial killers de mulheres (esta investigação é o conteúdo dramatúrgico dos oito capítulos da primeira temporada).

Entretanto, sua grandeza não é redutível às suas “pequenas causas” psicológicas. Se assim o fosse, ele seria apenas um deprimido. Sua grandeza como personagem se dá devido ao modo como ele constrói, a partir de sua miséria pessoal, um julgamento preciso da humanidade. Julgamento este que impacta por sua possível consistência.

Há uma questão maior aqui, e que une os grandes detetives nesta concepção niilista de mundo: a experiência com a (sua própria) natureza humana. Sim, natureza humana, este conceito que muitos “especialistas” teimam em dizer que não existe.

Não vou entrar nesta discussão sem fim, prefiro usar a ideia de natureza humana como “licença poética”. Há muito que não me importo com debates “especializados”.

Sabe-se bem, mesmo entre policiais na vida real, que a proximidade com a miséria humana mais pura pode levar alguém à descrença na natureza dos homens.

Ainda que, como bem mostram esses três personagens, isso não impede virtudes como coragem, generosidade, sinceridade, doçura. Muito pelo contrário, muitas vezes é justamente a dureza do desencanto com a natureza humana e o sofrimento psicológico que ela traz no cotidiano (como no caso de Cohle) que possibilita tais virtudes.

A virtude é silenciosa e cresce sempre num terreno que lhe é hostil. Máxima ignorada por todos que, principalmente em épocas do novo puritanismo político que assola o mundo da cultura, cantam seu amor e sua misericórdia pelo mundo e pelos que sofrem. O amor ao mundo deve ser escondido como uma pérola.

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Lula, Marina e o dia em que Deus entrou no meio

foto: Mídia Recôncavo
foto: Mídia Recôncavo

Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo

Lula gosta de falar do dia em que ele e Marina Silva conversaram com Deus sobre a permanência da então ministra do Meio Ambiente no governo dele. Gosta tanto que a história já se espalha: quatro políticos muito próximos do ex-presidente –três deles, ex-ministros de sua equipe– a reproduziram para a coluna, em momentos diferentes.

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Já Marina, consultada, reagiu num primeiro momento dizendo que o relato não é verdadeiro. Em seguida, afirmou que não comenta conversas reservadas por uma questão ética.

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Os quatro amigos de Lula contaram o que segue:

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Estava o ex-presidente em seu gabinete, envolto em mais uma das crises que sempre complicam a vida dos governantes. Era o começo do segundo mandato. Um assessor entra em sua sala, esbaforido: “Presidente, a Marina está aí. Quer falar com o senhor. Diz que é importante”.

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Lula, que àquela altura mal se lembrava de Marina, uma ministra que não lhe dava dor de cabeça, ordenou: “Manda ela entrar”.

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Marina chega (segundo um dos políticos que reproduziram para a coluna o que diz ter ouvido de Lula, ela estava acompanhada por um pastor). E solta a bomba: “Presidente, acho que chegou a hora de eu sair do governo”. Lula quase teria despencado do sofá. Como? Marina era uma estrela da equipe e ele não queria perdê-la.

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Ela apresenta seus argumentos. Lula tenta demovê-la. Ela diz que quer mesmo sair. Ele insiste. Até que ela afirma: “Presidente, eu conversei com Deus. E é o momento de eu sair”.

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Contra Deus, não há argumentos: Lula não tinha mais o que dizer. Teria então pedido um prazo para encontrar um novo ministro.

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Os dias se passaram e Lula até se esqueceu do pedido de demissão. Mas Marina, não. E voltou a pedir uma audiência, desta vez para formalizar sua saída. Lula pensou, pensou. Ao receber a então ministra, afirmou: “Marina, eu sonhei com Deus. Eu sonhei com Deus e ele me disse que ainda não está na hora de você sair do meu governo. Você ainda tem muito o que fazer na nossa equipe”.

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Desconcertada, Marina titubeou (no relato que inclui a presença de um pastor na audiência, o religioso teria dito a ela e a Lula: “Então empatou”). Ficou no governo por mais um tempo. Pediu demissão em maio de 2008.

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Na semana passada, durante um jantar na casa do empresário João Doria Jr., a coluna consultou Marina sobre a história que Lula conta. A primeira reação dela foi de indignação: “Eu não acredito que o presidente Lula está contando essa história porque ela não é verdadeira”.

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Pouco depois, voltou ao tema, elevando o tom de voz: “As pessoas me perguntam e eu sempre digo: o que tinha que falar do Lula, falei quando saí do governo. As minhas razões foram expostas naquele momento. Falar de conversas reservadas que tivemos quando estávamos no mesmo projeto, eu não falo. Porque isso seria uma completa falta de ética”. A assessoria de Lula não comenta.

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Bruno Fernandes recebe visita do goleiro Fábio, do Cruzeiro

 

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Publicado em O Estado de Minas

“Uma visita apenas para falar de Deus”. Assim justificou o goleiro Fábio, do Cruzeiro, ao revelar que foi até a Penitenciária Nelson Hungria, na Grande BH, para visitar o ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado a 22 anos e três meses de prisão pela morte da ex-amante Eliza Samudio. O encontro aconteceu no último dia 14 e foi revelado pelo atleta celeste nesta terça-feira, em entrevista à rádio Itatiaia.

Membro da Igreja Batista Getsêmani, Fábio foi à penitenciária acompanhado do Pastor Jorge Linhares. Sobre o encontro com o antigo rival dos gramados, o arqueiro celeste disse que eles não falaram sobre esporte. “Fizemos orações e não falamos sobre futebol”. Ainda segundo Fábio, há muito tempo ele queria ter feito esta visita. Participou ainda do encontro uma mulher que trabalha na Nelson Hungria e que frequenta a mesma igreja do camisa 1 celeste.

Fábio também comentou sobre a expectativa do ex-goleiro sobre a decisão judicial que pode permitir a transferência dele para Montes Claros, no Norte de Minas, e o possível retorno aos gramados, já que Bruno assinou contrato de cinco anos com uma equipe do município. “Ele está tranquilo. Está bem e, principalmente, buscando a Deus”, revelou o goleiro do Cruzeiro.

Para o advogado do ex-atleta, Tiago Lemoir, a visitia de Fábio a Bruno foi um “encontro espiritual”. “Foi um momento de muita emoção, de fé, em que Fábio chegou a pedir perdão pelas vezes que julgou Bruno. Deus, a família e o trabalho são os três pilares que contribuem de forma fundamental na ressocialização do preso”, afirmou o advogado.

dica do Thiago Morais

 

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“Continuo apaixonadíssimo pelas minhas quatro mulheres”, diz Mr Catra, quatro esposas, 27 filhos

Mr. Catra (foto: Anna Paula Pacheco)
Mr. Catra (foto: Anna Paula Pacheco)

Bruno Astuto, na Época

Mr. Catra, o rei do funk carioca, completa 25 anos de carreira com lançamento simultâneo de quatro CDs com estilos diferentes depois de um intervalo de quatro anos sem gravar: funk samba, música eletrônica e até sertanejo. Catra também vai ganhar uma biografia em breve, um filme sobre sua vida, produzido por Paula Lavigne, e um reality show mostrando o cotidiano ao lado das quatro mulheres (sim! quatro) e dos 27 filhos (sim! 27) – uma das suas esposas está grávida do 28o. “Estamos em negociação com alguns canais, inclusive estrangeiros”, afirma.

Como dá conta de uma família tão grande?

Só paro quando acabar o amor. Como Deus é eterno e Deus é amor, não vou parar nunca. Atualmente tem mais um a caminho: Silvia, uma de minhas mulheres, está grávida. Serão 28 filhos agora. Desses, 26 são biológicos. Adotei dois irmãos quando soube que as crianças tinham HIV.

Sua fama de mulherengo procede? 

Estou num momento apaixonadíssimo pelas minhas quatro mulheres. Mas sou fraco, tenho esse problema. Posso dizer que atualmente estou tranquilo.

Como vai produzir CDs tão diferentes?

Ouço de tudo: de rock n’roll a musica clássica, passando por eletrônico. O CD de samba também vai virar um DVD com participações de Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho. Não sou sambista, mas consegui uma maneira de homenagear meus amigos. Nasci no berço do samba, na Tijuca. Já o CD sertanejo vai se chamar Mr. Country. Sou fã do Amado Batista e seria demais se ele me desse a honra de fazer uma parceria. O de música eletrônica será gravado num estúdio em Amsterdã, na Holanda.

Vai contar tudo na biografia?

Geral pode ficar tranquilo no meio do funk que não vou expor ninguém. Tem também o filme que a Paula Lavigne está tocando. Gostaria muito de que o Lázaro Ramos me interpretasse, ele é o melhor e igual a ele está difícil.

Como se sentiu com os recentes boatos de que estava morto?

Morri de rir, mas fiquei p…, porque tenho 2 filhos para criar, quatro mulheres e várias famílias que dependem do meu trabalho. Não tenho tempo para morrer. Estou vivinho da silva.

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