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Autora do ‘trote da bunda’ em programa da Record diz: ‘Fiz para eles ficarem espertos’

Momento em que o amigo da adolescente aparece e mostra a bunda em rede nacional (foto: Reprodução/Youtube)

Momento em que o amigo da adolescente aparece e mostra a bunda em rede nacional (foto: Reprodução/Youtube)

Ricardo Senra, na Folha de S.Paulo

O verbo “trollar” ainda não está no dicionário. Mas a adolescente paulistana Graziela, 15, aproveitou um programa evangélico da Record para mostrar na prática o que o termo significa.

Enquanto participava, ao vivo, do programa “Fala que Eu te Escuto” desta madrugada (31), a adolescente fez sinal para um amigo: ele apareceu, abaixou as calças e mostrou a bunda em rede nacional.

Explicado está. O verbo trollar surgiu nas redes sociais e significa “tirar sarro” ou “provocar”. E não demorou para o termo chegar à TV.

“Eu sempre tive vontade de fazer isso”, disse a jovem à sãopaulo.

Segundo ela, o programa “chama qualquer um” para participar ao vivo. “Fiz para eles ficarem espertos”, disse.

A reação foi imediata: o pastor Andre Cajeu, apresentador do programa, pediu para que a menina saísse do ar. “Algumas pessoas não têm nenhuma vergonha na cara”, disse.

No YouTube, o vídeo já foi replicado mais de dez vezes e acumula mais de 5.000 visualizações. A garota, que não é evangélica, não esperava o burburinho.

“Não imaginava [a repercussão]. Se soubesse, não tinha feito.”

Então, não faria de novo? “Só se fosse para causar novamente”, brincou.

O amigo que abaixou as calças não quis se identificar. Por telefone, a Record informou que apenas a Igreja Universal do Reino de Deus, que paga pela exibição do “Fala que Eu te Escuto” na grade da emissora, poderia comentar o fato.

Os pastores responsáveis pelo programa disseram que a resposta será dada, também ao vivo, na edição de hoje à noite.

Polêmica do dia: Silas Malafaia pede para fiéis não denunciarem pastores corruptos

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Tatiane Rosset, no Pop! Pop! Pop!

Um vídeo publicado na segunda (29) na web anda fazendo barulho nas redes sociais. No trecho gravado, o pastor Silas Malafaia pede aos fiéis que não entreguem os pastores corruptos e ladrões. De acordo com ele, “se o seu pastor é ladrão, saia de lá e vá para outra igreja”.

O discurso levanta polêmica devido a trechos enfáticos de Malafaia. Em certo momento, ele diz: “Já vi gente morrer por causa disso”, “Não tome atitude contra pastor, não entre nessa furada” e “ninguém deve se meter com os ungidos de Deus”. Não se sabe quando as imagens foram gravadas.

Assista ao depoimento completo abaixo:

O pastor anda provocando controvérsia na web também por um artigo que escreveu sobre o papa Francisco. Em texto no site Verdade Gospel, Silas afirma que o pontífice teria cedido ao “lobby gay” do Vaticano ao afirmar que os homossexuais não devem ser julgados ou marginalizados.

“Depois a Igreja Católica reclama que está perdendo gente para a igreja evangélica. Lhe falta condenar o pecado, segundo o que a Bíblia diz e como todos sabem, a Bíblia é o manual de fé e regra dos cristãos”, escreveu. “Por que o Papa não diz que a prática homossexual é pecado e Deus condena na sua palavra?”

dica da Rina Noronha

AfroReggae vai voltar a funcionar no Complexo do Alemão

Reunião que decidiu a reabertura da sede do AfroReggae (foto: Reprodução)

Reunião que decidiu a reabertura da sede do AfroReggae (foto: Reprodução)

Publicado originalmente no Extra

Pouco mais de uma semana após anunciar o término das atividades do AfroReggae no Complexo do Alemão, o coordenador da ONG, José Junior, anunciou pelo Twitter que a sede será reaberta nesta terça-feira. “Reunião com as equipes do @AfroReggae e tomamos uma decisão: Reabrirmos o Alemão!”, escreveu Junior na rede social.

Segundo depoimento de Junior à Delegacia de Combate às Drogas, no último dia 18, um líder comunitário da favela foi procurado por três traficantes do local. Eles teriam afirmado que se o AfroReggae não saísse do Complexo do Alemão, o tráfico iria “explodir tudo”.

— Existe uma questão de segurança séria, as pessoas da equipe podem ser assasinadas. Tenho muito receio que os ex-traficantes que tiramos do crime sejam atingidos também — disse, na época.

Ele acusa o pastor Marcos Pereira, líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, que está preso, de ser o mandante. Segundo Júnior, o pastor, preso em Bangu por acusação de estupro de duas fiéis da Igreja, também estaria por trás do incêndio na pousada mantida pelo AfroReggae, que ocorreu na madrugada do dia 16.

O prédio do AfroReggae (foto: Pablo Jacob / O Globo)

O prédio do AfroReggae (foto: Pablo Jacob / O Globo)

Fascismo em nome de Deus

Manifestação de evangélicos na Esplanada dos Ministérios, em junho deste ano, a favor da família tradicional e contra o aborto (foto: Givaldo Barbosa/O Globo)

Manifestação de evangélicos na Esplanada dos Ministérios, em junho deste ano, a favor da família tradicional e contra o aborto (foto: Givaldo Barbosa/O Globo)

Drauzio Varella, na Folha de S.Paulo

Há manhãs em que fico revoltado ao ler os jornais.

Aconteceu segunda-feira passada quando vi a manchete de “O Globo”: “Pressão religiosa”, com o subtítulo: “À espera do papa, Dilma enfrenta lobby para vetar o projeto para vítimas de estupro que Igreja associa a aborto”.

Esse projeto de lei, que tramita desde 1999, acaba de ser aprovado em plenário pela Câmara e pelo Senado e encaminhado à Presidência da República, que tem até 1º de agosto para sancioná-lo.

Se não houver veto, todos os hospitais públicos serão obrigados a atender em caráter emergencial e multidisciplinar as vítimas de violência sexual.

Na verdade, o direito à assistência em casos de estupro está previsto na Constituição. O SUS dispõe de protocolos aprovados pelo Ministério da Saúde especificamente para esse tipo de crime, que recomendam antibióticos para evitar doenças sexualmente transmissíveis, antivirais contra o HIV, cuidados ginecológicos e assistência psicológica e social.

O problema é que os hospitais públicos e muitos de meus colegas, médicos, simplesmente se omitem nesses casos, de forma que o atendimento acaba restrito às unidades especializadas, quase nunca acessíveis às mulheres pobres.

O Hospital Pérola Byington é uma das poucas unidades da Secretaria da Saúde de São Paulo encarregadas dessa função. Lá, desde a fundação do Ambulatório de Violência Sexual, em 1994, foram admitidas 27 mil crianças, adolescentes e mulheres adultas.

Em média, procuram o hospital diariamente 15 vítimas de estupro, número que provavelmente representa 10% do total de ocorrências, porque antes há que enfrentar as humilhações das delegacias para lavrar o boletim de ocorrência.

As que não desistem ainda precisam passar pelo Instituto Médico Legal, para só então chegar ao ambulatório do SUS, calvário que em quase todas as cidades exige percorrer dezenas de quilômetros, porque faltam serviços especializados mesmo em municípios grandes. No Pérola Byington, no Estado mais rico da federação, mais da metade das pacientes vem da Grande São Paulo e de municípios do interior.

Em entrevista à jornalista Juliana Conte, o médico Jefferson Drezzet, coordenador desse ambulatório, afirmou: “Mesmo estando claro que o atendimento imediato é medida legítima, na prática ele não acontece. Criar uma lei que garanta às mulheres um direito já adquirido é apenas reconhecer que, embora as normas do SUS já existam, o acesso a elas só será assegurado por meio de uma força maior. Precisar de lei que obrigue os serviços de saúde a cumprir suas funções é uma tristeza”.

Agora, vamos ao ponto crucial: um dos artigos do projeto determina que a rede pública precisa garantir, além do tratamento de lesões físicas e o apoio psicológico, também a “profilaxia da gravidez”. Segundo a deputada Iara Bernardi, autora do projeto de lei, essa expressão significa assegurar acesso a medicamentos como a pílula do dia seguinte. A palavra aborto sequer é mencionada.

Na semana passada, o secretário-geral da Presidência recebeu em audiência um grupo de padres e leigos de um movimento intitulado Pró-Vida, que se opõe ao projeto por considerá-lo favorável ao aborto.

Pró-Vida é o movimento que teve mais de 19 milhões de panfletos apreendidos pela Polícia Federal, na eleição de 2010, por associar à aprovação do aborto a então candidata Dilma Rousseff.

Na audiência, o documento entregue pelo vice-presidente do movimento foi enfático: “As consequências chegarão à militância pró-vida causando grande atrito e desgaste para Vossa Excelência, senhora presidente, que prometeu em sua campanha eleitoral nada fazer para instaurar o aborto em nosso país”.

Quem são, e quantos são, esses arautos da moral e dos bons costumes? De onde lhes vem a autoridade para ameaçar em público a presidente da República?

Um Estado laico tem direito de submeter a sociedade inteira a uma minoria de fanáticos decididos a impor suas idiossincrasias e intolerâncias em nome de Deus? Em que documento está registrada a palavra do Criador que os nomeia detentores exclusivos da verdade? Quanto sofrimento humano será necessário para aplacar-lhes a insensibilidade social e a sanha punitiva?

Papa Francisco rezou com evangélicos em Manguinhos

Pontífice parou em uma igreja evangélica da Assembleia de Deus Complexo de Manguinhos e fez uma oração com o pastor e os cristãos protestantes

Papa Francisco visita a comunidade de Varginha, no Complexo de Manguinhos, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro (foto: Tânia Rêgo/ABr)

Papa Francisco visita a comunidade de Varginha, no Complexo de Manguinhos, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro (foto: Tânia Rêgo/ABr)

Vinícius Lisboa, na Exame

Em sua caminhada pela comunidade de Varginha, no Complexo de Manguinhos, na zona norte da capital fluminense, o papa Francisco parou em uma igreja evangélica da Assembleia de Deus e fez uma oração com o pastor e os cristãos protestantes, informou o padre Márcio Queiroz, que acompanhou o pontífice na visita à favela.

“Caminhando pela comunidade, chegamos até a igreja evangélica. Eu mostrei a ele que eles estavam no templo, e ele pediu para ir até lá para cumprimentá-los. O papa falou com o pastor e com as pessoas que estavam lá, e os convidou a rezarem um Pai Nosso”, disse.

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, também comentou a parada do pontífice na Assembleia de Deus. “O papa parou em frente à igreja e rezou com os fiéis da Assembleia de Deus que estavam na porta. Até eles pediram bênção. Foi um momento ecumênico, espontâneo e muito bonito”, ressaltou.

Os padres também deram mais detalhes da visita de Francisco à moradia de uma família da comunidade. Segundo Federico, a casa era muito pequena, de 5 por 4 metros e estava lotada, com mais de 20 pessoas da família.

“Estavam lá todas as gerações de uma família. Foi um momento de muita comoção. Uma das coisas mais bonitas foi que todas as crianças pequenas foram ao colo do papa e ele abençoou uma por uma. No fim, todos fizeram uma oração juntos. Foi um momento de muita espiritualidade”.

O padre Márcio explicou que a casa estava cheia porque a família da dona é da Paraíba, e todos tinham vindo ao Rio para a visita do papa. Segundo ele, havia uma criança de 15 dias de vida e uma idosa de 93 anos, e o pontífice perguntou o grau de parentesco de cada um. “Como tinha medo que alguém enfartasse, tive que ligar na noite anterior e avisar que aquela seria a casa escolhida. Quando contei, ouvi um silêncio e pensei que a dona da casa tinha desmaiado”, brincou o padre.

Outro detalhe da passagem do papa pela favela destacado pelos sacerdotes foi a parte em que o papa entrou em uma capela local. “Ele ficou muito comovido, e tinha lágrimas nos olhos”, disse o porta-voz do Vaticano.

O padre Queiroz informou que apresentou a mãe ao papa, e disse que ela rezava diariamente por todos os sacerdotes. Segundo ele, por causa disso, ela ganhou um terço de presente do pontífice. “Ele [o papa Francisco] estava saindo da capela e voltou para presenteá-la”, declarou.

dica da Ana Carolina Ebenau