Arquivo da tag: Deus

DT inspira declaração apaixonada de Thammy Miranda para seu novo amor: “Aos olhos do pai você é uma obra-prima”

Thammy Miranda posta foto com declaração de amor Foto: Instagram

Thammy Miranda posta foto com declaração de amor Foto: Instagram

título original: Thammy Miranda faz declaração de amor para mulher em praia: ‘princesa linda demais’

Publicado originalmente no Extra

Thammy Miranda fez uma declaração de amor bastante apaixonada em seu perfil no Instagram. Pela imagem postada, a atriz de “Salve Jorge” passou a tarde desta sexta-feira numa praia carioca na companhia de uma mulher, e, de lá, publicou uma foto do óculos escuro, mostrando o reflexo do corpo da moça. Não é possível ver o rosto da pessoa que, pelo visto, tem inspirado a atriz. Tanto, que na legenda da imagem, Thammy fez a seguinte declaração:

“Aos olhos do pai você é uma obra-prima que ele planejou. Com suas proprias mãos pintou. A cor de sua pele os seus cabelos desenhou. Cada detalhe num toque de amor. Você é linda demais perfeita aos olhos do Pai. Alguém igual a você nao vi jamais. Princesa linda demais. Perfeita aos olhos do Pai. Alguém igual a você não vi jamais. Nunca deixe alguém dizer que não é querida. Antes de você nascer Deus sonhou com você”, escreveu a filha de Gretchen, sobre a letra do louvor do grupo Diante do Trono.

Thammy está solteira desde que terminou o namoro com a cabeleireira Linda Barbosa. Mesmo após o término, as duas continuam se encontrando e posando para fotos juntas.

Deborah Secco vai à missa na igreja de novo namorado: ‘O romance está bom’

Foto: Xande Nolasco

Foto: Xande Nolasco

Rafael Godinho, no Extra

Deborah Secco aproveitou a tarde desta quinta-feira para ir à missa na Igreja São Marcos, na Barra, frequentada pelo novo namorado, Allyson Castro, de 33 anos. A atriz estava na sexta fileira da igreja na companhia da mãe, Silvia Secco, e contrangida com a presença dos fotógrafos.

Ao chegar ao local de mãos dadas com Allyson e avistar os paparazzi, Deborah se disse surpresa: “Mas não me importo. Não tenho nada para mostrar nem para esconder. Estou bem, o romance está bom”. Sobre o ex-marido Roger, a atriz foi direta: “Não desejo mal a ele”.

Com um terço nas mãos, ela rezou durante a missa e cantou na apresentação do namorado. A atriz, que está no ar em “Louco por elas”, se emocionou em vários momentos e não conteve as lágrimas. Num determinado momento, o padre Alan chamou a atenção pelo excesso de fotógrafos no lugar. O sermão foi aplaudido pelos fiéis, incluindo Deborah e a mãe.

No final da cerimônia, Deborah foi cercada pelos jornalistas e abriu o coração: “Estou revigorada. Não quero esconder o meu romance de ninguém. Só não quero ficar falando sobre porque tem coisas mais importantes para falar”. E concluiu: “Não tem lugar melhor no mundo para selar esse romance”.

Deborah se dirigiu até o altar, abraçou o padre e pediu desculpas pelos transtornos.

Allyson Castro também falou da nova namorada. “Cada vez que eu a conheço, mais eu me apaixono por ela”, derreteu-se. “As coisas estão indo muito bem e Deus está abençoando”, acrescentou.

O músico contou que os dois se conheceram por conta do momento difícil que a atriz viveu na separação de Roger. “Nos conhecemos através do drama dela. Deus escreve certo por linhas tortas”, completou Allyson, que já tem três CD’s gravados. No final, o casal posou sorridente para as fotos.

Allyson Castro canta na igreja Foto: Xande Nolasco

Allyson Castro canta na igreja Foto: Xande Nolasco

Relembre como começou o romance

Uma visita de Deborah Secco ao Hospital Central de Porto Velho, no último fim de semana, virou notícia na imprensa local. Quem estava internada lá era a mãe do músico Allyson Castro. Deborah chegou a sair para conhecer a noite de Porto Velho, no domingo, e foi fotografada por um fã.

Nascido em Rondônia, onde é razoavelmente conhecido, Allyson, de 33 anos, vive no Rio há 13. É vizinho de Deborah Secco no bairro onde a atriz mora, a Barra da Tijuca, na Zona Oeste. Em 2011, o músico lançou um CD de músicas religiosas, “Corações ao alto”. Allyson já atuou também no musical “O rei leão”.

Procurado pela Retratos da Vida, Allyson disse que conheceu Deborah Secco há 13 anos, durante um trabalho que os dois fizeram juntos no teatro. Os dois também frequentam a mesma igreja no Rio. O cantor confirmou que Deborah esteve em Porto Velho visitando a sua mãe, que está internada há mais de 15 dias no hospital com auneurisma. Mas garantiu que não existe nada entre eles além de uma grande amizade. Questionado sobre um possível romance com a atriz, o cantor preferiu deixar a dúvida no ar:

“Tenho um carinho muito grande pela Deborah, e ela por mim. Ela esteve em Porto Velho visitando a minha mãe, sim. E sabe como é cidade pequena, né? Todo mundo fala. Mas não temos nada. Nessa fase complicada que ambos estão passando (ela, pela separação, e ele, pela doença da mãe), não temos cabeça para pensar em mais nada. Até agora está difícil pensarmos sobre isso. Mas o futuro ninguém sabe, né?”, declarou Allyson.

Com um terço nas mãos, Deborah comunga na igreja Foto: Xande Nolasco e Marcelo Fernandes

Com um terço nas mãos, Deborah comunga na igreja Foto: Xande Nolasco e Marcelo Fernandes

No começo deste mês, ele subiu ao palco do Ribalta para lançar seu mais novo disco, com composições religiosas de Elvis Presley. “Percebo as mulheres mais retraídas por eu cantar em igrejas, por exemplo. Acredito que, por me verem nesse ambiente, elas me tratam como se eu fosse um padre”, disse ele em entrevista ao site do Extra, no dia 1 deste mês.

Deborah Secco abraça Allyson Foto: Xande Nolasco e Marcelo Fernandes

Deborah Secco abraça Allyson Foto: Xande Nolasco e Marcelo Fernandes

Pastor de igreja protestante, pai de Katy Perry diz que cantora é ‘filha do diabo’ e precisa ser ‘curada’

O religioso afirmou que a cantora é “filha do diabo” e que precisa de “cura” para poder alcançar o perdão de Deus e entrar no céu

fonte: Getty Images

fonte: Getty Images

Publicado originalmente no Virgula

O pastor Keith Hudson, pai da cantora Katy Perry, não aprova a profissão que a filha escolheu. Segundo informações do jornal The Sun, o religioso afirmou que a cantora é “filha do diabo” e que precisa de “cura” para poder alcançar o perdão de Deus e entrar no céu.

Hudson, ao lado de Mary Hudson, que é mãe da estrela, criticaram a filha por ter uma música que fala sobre beijar outra garota, o hit I Kissed A Girl And I Liked It. “Me perguntam como posso pregar se eu sou pai de uma garota que canta sobre beijar outra mulher?”, disse durante um culto na Califórnia, nos Estados Unidos.

“Eu estive em show da Katy onde estiveram 20 mil pessoas. Fiquei observando essa geração que vai a esse tipo de lugar. A apresentação quase parecia uma igreja. Eu estava lá e fiquei apenas lamentando. Eles estão amando e adorando a coisa errada”, finalizou.

 

 

Humanidade precisa do Deus que se autoesvazia, diz filósofo

O mundo de múltiplas possibilidades religiosas e conexões sincretistas que hoje se apresenta precisa dessa ideia maluca do Deus que se autoesvazia. Ela inspira cristãos a conviverem com a pluralidade e a diversidade, afirmou Charles Taylor.

xg686

Publicado no Instituto Humanas Unisinos

A reportagem é de Edelberto Behs e publicada pela Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação – ALC, 29-04-2013.

“Vivemos na fronteira” das convicções religiosas e é preciso conviver num mundo plural,  admitiu o filósofo canadense, que participou de conversatório com religiosos, teólogos, jornalistas e cientistas sociais reunidos na sexta-feira, 26, no Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos.

De adolescente confuso, na época do Concílio Vaticano II, Taylor  voltou a crer na fé católica inspirado pelas leituras dos teólogos Yves Congar e Henri de Lubac. “Hoje sou um octogenário confuso”, definiu-se, entre risos da plateia. Taylor, 81 anos, biografou três tipos de cristãos.

A primeira biografia diz respeito às pessoas que não perdem a fé, vêm de uma família cristã e creem assim como seus avós e pais acreditaram na mensagem evangélica. No segundo grupo estão aqueles que ainda creem, enquanto o terceiro grupo passou por um hiato, mas voltou a crer.

Taylor frisou a distinção de “ainda crer” e “crer novamente“. Cristãos do terceiro grupo descobriram nova caminhada, uma nova maneira de vivenciar a fé, diferente daquela professada por seus antepassados, e se entendem envolvidos numa busca constante.

Cristãos do primeiro grupo sentem-se ameaçados pelo processo de secularização e assumem uma postura defensiva e não entendem esse mundo de múltiplas possibilidades e conexões.

“É um erro pastoral agir dessa forma. Devemos conviver com esse tipo de pluralismo”, defendeu. O filósofo canadense aceita que as novas mídias ajudam a construir um mundo secular, mas elas apenas incrementam a sociabilidade difusa, não são cruciais e responsáveis pela constituição de uma nova ambiência que transforma a religião.

As novas tecnologias que marcam a sociedade da informação intensificam o que já vinha acontecendo, disse. A busca difusa teve início na sociedade protestante dos Estados Unidos. Pessoas buscavam respostas às suas perguntas fora dos limites do cristianismo, no budismo, no hinduísmo, “o que vem num crescendo na nossa época”, admitiu.

Ele “detestaria” ser papa diante de decisões importantes, como adoção do ministério feminino na Igreja Católica. “Nossos netos e bisnetos vão olhar para trás e perguntar – ‘o quê, mulheres não podiam ser ministras?’ A gente não pode ficar furioso e encarar isso com raiva”, admoestou, mas defendeu: “É preciso romper o vínculo entre sacerdócio e gênero.”

Taylor acredita que o cristianismo ainda tem um papel relevante na sociedade, mesmo que cristãos não saibam bem como conviver com a diversidade. O mundo moderno, disse, pode ser tudo, menos relativista. “Há malucos fundamentalistas por todo lado. Quando a Igreja fala a partir do Evangelho, ela sempre cativa pessoas”, afirmou.

Pastora que pregava cura gay revela: “Fiz tudo o que a igreja mandou fazer para deixar de ser lésbica, não deu certo”

Lanna Holder e Rosania Rocha - Gabriel Quintão

Lanna Holder e Rosania Rocha – Gabriel Quintão

Tuka Pereira, no Virgula

Ali no número 1600 da avenida São João, no centro de São Paulo, existe uma igreja evangélica em que as pessoas celebram a palavra de Deus, pagam dízimos, cantam em uníssono músicas animadas sobre o evangelho, e, em plena quarta-feira, lotam as cadeiras para acompanhar o culto. Tudo isso seria exatamente igual a qualquer outra igreja, se não fosse o fato de que a Comunidade Cidade de Refúgio se tratasse de uma igreja inclusiva, que recebe de portas abertas gays e lésbicas, sem julgamentos sobre suas orientações sexuais.

Para falar sobre a igreja, é preciso adentrar a história de duas mulheres que tiveram suas vidas completamente modificadas em 2002, quando se apaixonaram: Lanna Holder e Rosania Rocha.

EX-LÉSBICA E EX-HÉTERO

Lanna sempre soube sua orientação sexual e aos 17 anos teve sua primeira experiência com uma mulher. No entanto, acreditava que sendo lésbica seria condenada ao inferno. Aos 21 anos se converteu à religião evangélica e deixou de lado uma companheira. Pouco depois se casou com um pastor, teve um filho, e a religião passou a ser parte principal de sua vida. Pelas igrejas do Brasil, ela pregava sobre a “cura” a que havia sido submetida e passou a ser vista como um exemplo a ser seguido – e uma prova viva de que seria possível superar a homossexualidade.

Em vídeos disponíveis no YouTube, é possível ver longos sermões da pastora pregando sobre a maldição e o pecado da homossexualidade. Igrejas lotadas de fiéis aclamaram suas palavras e acreditaram estar diante de uma pessoa “regenerada” e “trazida de volta ao caminho do bem”.

Em 2002, no entanto, a história mudou quando Lanna conheceu Rosania em uma igreja evangélica em Boston, nos Estados Unidos. Rosania, que morava na cidade, onde era dirigente de louvor de uma igreja frequentada por brasileiros, era casada com um pastor, com quem teve um filho. Muito conhecida na comunidade evangélica por cantar músicas gospel, iniciou uma grande amizade com Lanna, de quem sempre estava perto nos cultos: onde Lanna pregava, Rosania cantava. Da amizade ao amor bastaram seis meses e suas vidas foram viradas de cabeça para baixo. De celebridades evangélicas adoradas, Lanna e Rosania viraram párias na religião que ajudavam a espalhar.

Confira abaixo a entrevista que o Virgula Lifestyle fez por telefone com as pastoras:

Como foi a sua conversão e o processo para se tornar uma ex-lésbica?

Lanna – Eu tinha 21 anos quando me converti à religião por achar que iria para o inferno por causa de minha orientação sexual. Eu usava drogas, era alcoólatra e quando me converti essa parte da minha vida deixou de existir. A religião funcionou como um processo de restauração na minha vida, mas a minha orientação sexual nunca foi alterada. Eu nunca vivenciei nenhum processo de cura, mesmo assim segui numa busca constante para deixar de ser lésbica. Eu pensava: ‘Deus me libertou das drogas e do alcoolismo e não consegue me libertar da homossexualidade?’. Na igreja, a homoafetividade é apresentada ou como uma possessão demoníaca ou como uma doença. Eu tentava lidar com as duas coisas. ‘Se é uma doença, Deus vai ter que curar e se eu estiver possessa de algum espírito maligno, Deus vai ter que me libertar’. Tentei por sete anos.

A religião faz uma lavagem cerebral contra a homossexualidade?

Lanna – Hoje eu cheguei à conclusão de que a religião demoniza tudo o que ela não explica e não entende. A homossexualidade é uma questão muito cheia de ramificações e interpretações. A própria igreja não chega a um consenso sobre o que pensa a respeito. Enquanto tem uma parte que garante que é uma possessão demoníaca, outra parte tem certeza de que é uma doença. Por mais que no fundo a igreja saiba que a homossexualidade não é abominável, ela se recusa a corrigir um erro. É difícil voltar atrás e reconhecer que errou depois de milênios condenando os homossexuais. É mais fácil manter como está.

Você escondia sua verdadeira orientação sexual ou estava convicta de que havia sido realmente “curada”?

Lanna – Eu divulgava essa tal cura havia sete anos e pregava contra a homossexualidade. As pessoas me conheciam como “A missionária Lanna Holder, ex-lésbica”. Quando fui pra Boston, eu já estava conformada, achando que teria que viver minha vida toda escondendo minha verdadeira orientação sexual. Eu mentia, pois tinha certeza de que a minha orientação sexual era imutável, ao contrário do que eu fazia as pessoas acreditarem. Fiz tudo o que a igreja mandou fazer para deixar de ser lésbica: quebra de maldição, cura interior, desligamento de alma, quebra de vínculo. Depois de tudo, minha orientação sexual não mudou e então cheguei à conclusão de que fazia parte da minha natureza. Esconder foi a minha única opção. Fiquei casada com um homem, não porque era o que eu queria, mas porque era o imposto para que eu não fosse para o inferno.

Como foi o momento em que você se viu diante da paixão por uma mulher após tantos anos garantindo ser ex-lésbica?

Lanna – Nos conhecemos e no começo nos tornamos grandes amigas. Tivemos uma associação total na religião e quando chamavam a Rosania para cantar, me chamavam para pregar. A vida nos uniu. Viajamos pelos Estados Unidos juntas e eu confidenciava a ela os problemas que tinha em meu casamento, pois como o “exemplo” que eu era, não podia contar para ninguém o que eu enfrentava. Não falava sobre minha orientação sexual, mas conversávamos sobre diversas questões. Quando me dei conta, tudo o que eu fazia era pensando na Rosania. Eu queria estar ao lado dela e percebi que aquilo que eu sentia não era apenas amizade. Eu chorei muito, orei muito e perguntava a Deus quando aquilo passaria. Minha paixão por ela começou a confrontar com tudo aquilo que eu dizia ser errado em minhas pregações.

Como você encarou a paixão pela Lanna já que nunca havia tido interesse em uma mulher antes?

Rosania – Eu percebi um sentimento diferente por ela e então conversamos e admitimos estar apaixonadas. Choramos muito, pedimos muito perdão a Deus e, como éramos casadas, nos sentíamos muito erradas, pois cometemos adultério. Nosso pecado na verdade não foi o nosso amor, mas sim o fato de sermos casadas e de adulterarmos por seis meses. Quando eu era criança, me sentia um pouco diferente das minhas amigas. Mas nunca tinha tido contato sexual com uma mulher até, de repente, me ver apaixonada pela Lanna. Nada foi planejado, deixei o barco me levar, tentei fugir, ficamos separadas, mas a vida nos uniu. Eu sempre digo que me apaixonei por um ser humano e não necessariamente por uma mulher.

Como foi a reação da igreja ao saber que vocês estavam juntas?

Rosania – Contamos aos nossos maridos e depois aos nossos líderes, que nos aconselharam a não contar nada a ninguém para preservar a imagem da igreja. Confiamos que tudo daria certo, eu pensei que voltaria para meu marido e que a Lanna seguiria a vida dela, já que estava decidida a se separar. Mas assim que viramos as costas, eles (os líderes) pegaram o telefone e começaram a ligar para toda a comunidade evangélica contando a novidade. Eu morei 20 anos nos Estados Unidos e convivi com pessoas na igreja a quem considerava parte de minha família. Quando tudo aconteceu, tudo mudou. Eu entrava no banheiro para passar um batom, e as mesmas pessoas que se diziam minhas amigas, saíam imediatamente. Se tivéssemos nos apaixonado por outros homens e cometido adultério do mesmo jeito, a reação teria sido completamente diferente. Passaríamos por um período de disciplina e nossos “amigos” continuariam por perto. Como me apaixonei por uma mulher, subi ao púlpito e pedi perdão por ser quem eu era, mas nunca mais consegui me encaixar na igreja. Me usavam para pregar sobre pecado e aquilo acabou se tornando um circo.

Muitos nos disseram que não tínhamos caráter por termos assumido nosso amor, mas para ter coragem de enfrentar tudo e todos, foi preciso muito caráter. Eu poderia ter ficado cantando e a Lanna pregando sem nunca ninguém imaginar que tínhamos algo. Muitas pessoas da igreja são hipócritas, pregam uma coisa e fazem outra. Tem gente casada que prega para multidões e sai para pegar as menininhas da cidade, tira a roupa na frente da câmera e coisas do gênero. São pessoas assim que nos massacram. Eu me sinto muito mais em paz com Deus sendo o que sou de verdade.

Lanna – Quando eu me converti, já comecei a pregar que eu era uma ex-lésbica e então me tornei uma referência da cura. Na minha época eu era um Silas Malafaia falando que homossexualidade era coisa do demônio, que os gays iam para o inferno. É interessante perceber como a gente cai do cavalo com as nossas convicções. Eu que tanto perseguia os gays, me tornei uma perseguida com o mesmo discurso que eu usava ao assumir minha homossexualidade.

Como é a relação com seus ex-maridos atualmente?

Rosania – Temos uma relação muito bacana. Ele se casou de novo e será pai mais uma vez. Ele mora nos Estados Unidos e sempre o vejo, pois meu filho mora com ele.

Lanna – Só falo com meu ex-marido sobre assuntos relacionados ao nosso filho.

Como é a relação com seus filhos (Rosania tem um filho de 15 anos e Lanna tem um filho de 11 anos)

Rosania – De toda essa história, a coisa mais legal é a nossa relação com nossos filhos. Somos uma família incrível, agimos de maneira muito natural. Meu filho ama a Lanna e adora conversar com ela. Aliás, ele conta mais coisas pra ela do que pra mim. Não tem como uma pessoa afirmar que uma família constituída por gays não é coisa de Deus. Somos uma família feliz que vive em harmonia.

Como surgiu a ideia da igreja inclusiva?

Lanna – Tentamos frequentar outras igrejas, mas sempre ouvíamos as mesmas afrontas dos pastores no púlpito contra os gays. Começamos a fazer amizade com uma série de ex-evangélicos que também não eram aceitos na igreja por conta de sua orientação sexual. Pensamos em fazer algo em nossa casa mesmo, mas em 2011 inauguramos a igreja com 15 pessoas, hoje temos cerca de 500 membros.

Tirando o fato da igreja inclusiva aceitar os homossexuais, o que mais a diferencia das outras?

Lanna – Nada, se alguém entrar aqui sem saber que é uma igreja inclusiva vai achar que é uma igreja evangélica como qualquer outra. Sexo é só depois do casamento, temos dízimos e ofertas, louvamos a palavra de Deus… A bíblia do gay é a mesma do hétero, a única diferença é que interpretamos diferente a questão da homossexualidade. Não somos ativistas gays, mas acreditamos na inclusão.

Como vocês conquistam novos fieis?

Lanna – O evangelismo mais difícil é o de um gay. Primeiro que você já tem que entregar o folheto da igreja dizendo que ele é aceito como é, caso contrário eles rasgam o papel na nossa cara, jogam no chão… Na abordagem, eles logo acham que somos da igreja do pastor que fala mal, então já nos apresentamos como pastoras casadas antes de fazer o convite. Vamos nos pontos de maior concentração do público gay em São Paulo, que é a região da avenida Paulista, a rua Vieira de Carvalho e outras. Paramos nas portas das boates e fazemos flashmobs, cantando e dançando. Com isso, geramos curiosidade e eles se aproximam para saber de onde somos. Sempre vêm várias pessoas à igreja depois dessas abordagens. Vamos também à Parada Gay, à Feira da Diversidade e à Caminhada Lésbica entregar nossos folhetos.

O que os evangélicos convencionais acham da Comunidade Cidade de Refúgio?

Lanna – Tem pessoas que vêm aqui na porta para nos afrontar, teve uma senhora que quase me agrediu aqui na frente. Nos xingam, dizem que a nossa igreja é Sodoma e Gomorra, que é coisa do diabo. Há quem ligue e fale desaforos, deixe recadinhos mal-educados nas redes sociais… Tem quem pense, obviamente não é todo mundo, que aqui tem imoralidade, promiscuidade, que é um ponto de encontro para achar parceiros sexuais.

O que vocês acham do Silas Malafaia?

Lanna – Não temos nada contra o Silas Malafaia, mas achamos que ele só cresceu na religião baseado em polêmicas, a bola da vez são os homossexuais. Ele tem um discurso prepotente de dono da verdade e usa de muita ira para se referir aos gays. Lamentamos muito isso, porque o Silas Malafaia afasta todos os gays da igreja, pois eles acabam achando que todos os pastores pensam dessa forma. Mas ele não representa a maioria dos pastores. Ele não sabe o que ele fala (se referindo à comparação feita por Malafaia de gays a bandidos). Pregue a palavra de Deus, Malafaia! Pare de fazer polêmica!

E Marco Feliciano?

Rosania – A única coisa que temos a dizer ao Feliciano é: “cresça”! Ele é uma pessoa narcisista e tudo o que ele faz é para ganhar holofotes. Infelizmente ele está conseguindo isso da pior maneira possível.

Igreja Inclusiva - Gabriel Quintão

Igreja Inclusiva – Gabriel Quintão