Marlon Teixeira: “Deus faz muito por mim, preciso agradecer”

Marlon Teixeira: contratos com a Avon, H&M e Carolina Herrera (foto: Lucas Lima)
Marlon Teixeira: contratos com a Avon, H&M e Carolina Herrera (foto: Lucas Lima)

título original: Marlon Teixeira no topo do mundo da moda

João Batista Jr., na Veja SP

Marlon Teixeira superou um câncer no mediastino, região central da caixa torácica, aos 3 anos de idade, e perdeu o pai um ano antes. Na adolescência, sonhou ser árbitro de futebol, influenciado pela família ligada ao universo da bola — seu avô paterno, Delfin Peixoto, venceu na chapa de Marco Polo Del Nero e assumirá a vice-presidência da CBF em 2015. “Mas virei modelo e comecei a trabalhar feito louco”, diz.

Aos 22 anos, ele é o top brasileiro mais bem cotado. Atualmente, figura em campanhas de grifes como Tommy Hilfiger, Avon, H&M e Carolina Herrera. “Passei por cada uma na vida, não tenho por que ser deslumbrado”, ponderou ele na semana passada em São Paulo, onde esteve a trabalho.

Quando vem de férias ao Brasil, gosta de surfar e frequentar a igreja evangélica Bola de Neve. “Deus faz muito por mim, preciso agradecer.”

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Cantora gospel americana revela que é gay e diz que Deus a ama do mesmo jeito

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Publicado em O Globo

Fãs evangélicos da cantora gospel Vicky Beeching, de 35 anos, podem levar ao susto ao ler os jornais nesta semana. Em entrevista ao periódico inglês “The Independent”, Beeching declarou que é gay, e que mesmo assim, Deus a ama do jeito que ela é.

A artista é um dos maiores ícones dentro da Igreja Anglicana. Formada em Teologia em Oxford, na Inglaterra, Beeching também se popularizou ao comentar aspectos religiosos do dia a dia, conquistando hordas de fieis. Escrevendo canções gospel desde os 11 anos, a cantora já fechou contrato com duas gravadoras internacionais e vendeu milhões de discos no chamado “Cinturão da Bíblia” dos Estados Unidos.

Na entrevista, Beeching diz que foi criada por pais evangélicos conservadores. Na escola, livros diziam que a homossexualidade era pecado, “coisa do demônio”. Mas isso não foi o suficiente para que ela não começasse a se sentir atraída por outras meninas, ainda aos 12 anos:

– Perceber que eu estava atraída por elas foi uma sensação horrível. Eu estava tão envergonhada! Era uma luta, porque eu não podia contar a ninguém – confessou.

Ao se dar conta de sua homossexualidade, Beeching entrou em depressão, acreditando que estava pecando e que não poderia ser “curada”. Aos 13, ela chegou a pedir a Deus que ou tirasse a vida dela, ou a atração por outras meninas. Com 16, durante uma colônia de férias cristã no interior da Inglaterra, a cantora chegou a se submeter a uma sessão de exorcismo, em vão.

– Lembro de muitas pessoas colocando as mãos nos meus ombros, orando muito alto e, em seguida, gritando coisas tipo: ‘Nós ordenamos que Satanás saia! Saia fora, corja de demônios! Nós falamos a vocês, demônios da homossexualidade: deixem a menina em paz!’.

Isso foi a gota d`água para Beeching, que se sentiu humilhada com a situação. Na entrevista, a cantora contou que o episódio serviu para que ela se tornasse mais introspectiva, buscando outras soluções por conta própria. Dedicou-se aos estudos, formando-se em Teologia em Oxford e seguindo logo depois para Nashville, no Tennessee, atraída pela carreira de compositora. Por lá, imersa no centro do conservadorismo evangélico americano, gravou discos e percorreu grandes igrejas do país para mostrar suas canções.

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Mas amores frustrados por amigas e outras mulheres a perseguiam como uma sombra. Nesse meio tempo, Beeching teria tentado até começar relacionamentos com homens, todos sem sucesso.

Em 2008, aos 29 anos, ela decidiu se mudar para a Califórnia, esperando que San Diego fornecesse um ambiente mais liberal. Mas este foi o ano em que a Proposição 8, lei estadual que proíbe o casamento homossexual, estava para ser votada. Em paralelo, Beeching cumpria sua série de shows agendados em igrejas do estado.

No início de 2014, a artista descobriu ter uma doença rara de pele, que deixava a epiderme com marcas de cicatriz, podendo levar até a morte. Durante uma sessão de quimioterapia, a cantora pensou consigo mesmo que deveria resolver sua situação pessoal. Ela já tinha 35 anos:

– Olhei para o meu braço com a agulha da quimioterapia, olhei para a minha vida, e pensei: ‘tenho que entrar em acordo com quem eu sou’ – afirmou Beeching na entrevista. – Trinta e cinco é metade de uma vida, e eu não posso perder a outra metade. Perdi tanta vida como uma sombra de uma pessoa.

Até então, Beeching nunca tinha mantido um relacionamento homossexual. O tratamento da doença a fez refletir e aceitar gradualmente sua homossexualidade. Na Páscoa, ela revelou aos seus pais a situação, que acabaram se desculpando por fazerem ela passar pelos constrangimentos. Beeching e eles concordaram em discordar sobre a teologia.

Ao final da entrevista, a cantora afirmou que espera agora que a Igreja Anglicana siga o exemplo acolha fieis homossexuais.

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Com canal de TV e movimento civil, ateus tentam ‘sair do armário’ nos EUA

Homem faz protesto por liberdade religiosa. Credito: AFP
Homem pede separação entre Estado e igreja em protesto em frente à Casa Branca

Aleem Maqbool.  na BBC Brasil
“Às vezes, as coisas precisam ser ditas, e as lutas precisam ser lutadas, mesmo que sejam impopulares. Aos ateus enrustidos: você não está sozinho, você merece igualdade.”

Assim terminou o inflamado discurso do presidente do grupo Ateus Americanos, David Silverman, no lançamento da primeira emissora de televisão dos EUA dedicado àqueles que não acreditam em Deus, a TV Ateu.

Depois, foram exibidos testemunhos de ateus proeminentes.

“É uma das melhores decisões que já tomei na minha vida e eu defendo completamente que as pessoas ‘saiam do armário'”, diz Mark Hatcher, do grupo Ateus Negros da América.

“Sair do armário” é como muitos ateus americanos descrevem o que ainda é, para muitos, algo muito difícil de ser admitido publicamente.

Uma recente pesquisa realizada pelo Pew Research Center mostra que americanos preferem, a um ateu, ter um presidente com cerca de 70 anos ou abertamente gay ou que nunca tenham tido qualquer cargo público.

Surpreendentemente, uma pesquisa anterior da Pew sugeriu que os entrevistados nos Estados Unidos consideravam ateus menos confiáveis que estupradores. Um dos novos programas da TV Ateu já sentiu o “gostinho” de como muitos americanos percebem “os não crentes”.

“Então você estava estudando para ser um padre e agora não acredita em Deus? Você é o diabo”, um interlocutor disse ao apresentador. “Você é um marxista, você é um ateu e você é da Rússia”, diz outro.
‘Saindo do armário’

Em um dos maiores encontros de estudantes ateus no país, em Columbus, no estado de Ohio, Jamila Bey, da Aliança Secular de Estudantes, disse que muitos participantes estavam receosos sobre dar entrevistas, o que podia ser visto em seus pescoços.

A student atheism convention took place in Ohio.
Em Ohio, ocorre uma das maiores convenções de ateus do país

“Cordões vermelhos significam ‘Você não pode falar comigo'”, diz Bey. “Muitos alunos não são ‘assumidos’. Seus pais podem não saber que eles são ateus ou que questionam sua religião.”

Ela disse que muitos estavam preocupados com ostracismo ou temiam sofrer violência se revelassem que não acreditavam em Deus.

Lasan Dancay-Bangura, de 22 anos, é o chefe do grupo de estudante ateus de sua universidade. Ele já contou para a mãe sobre seu ateísmo – experiência que relembra com um suspiro profundo -, mas ainda não “saiu do armário” para o pai.

“Fala-se o tempo todo sobre pessoas que estão sendo expulsas e enviadas para campos de Bíblia onde são forçadas a ser religiosas. Eu não quero perder o meu pai para isso.”

Já Katelyn Campbell, de 19 anos, de West Virginia, tem tido problemas com a comunidade. “No colégio, era um silêncio total quando eu andava pelo corredor. Ou alguém cuspia em mim”, diz Katelyn.

Há dois anos, ela protestou contra a inclusão da religião e da abstinência em suas aulas de educação sexual escolar. “As pessoas agora costumam trazer essa discussão, que é de valores que são muito pessoais e muito particulares”, diz ela.
Campanha

No evento de estudantes ateus em Ohio, eles estão tentando mudar as coisas.

Camisetas a venda no evento trazem os dizeres “Godless Goddess (Deusa sem deus)” ou “Um ateu é assim”.

A student atheism convention took place in Ohio
Adesivos distribuídos em convenção defendem ateísmo e liberdade religiosa

Ao lado da tenda está Andrew Seidel, um advogado da Fundação Liberdade da Religião. “Muitos americanos pensam que nunca conheceram um ateu, mas isso é porque muitos têm medo de reconhecer isso publicamente”, diz Andrew.

“A forma como vamos vencer essa luta é pela demografia. Assim como sair do armário foi importante para o movimento LGBT, é importante para nós dizer em alto e bom som e com orgulho: ‘Eu sou um ateu!'”

E os dados demográficos estão realmente mudando, especialmente entre os jovens, onde a proporção daqueles que se identificam como “religiosamente não afiliados” está aumentando.

Mas os Estados Unidos têm uma proporção muito maior de pessoas que dizem que a religião é muito importante para eles em comparação com países europeus.

“A América é uma anomalia, em primeiro lugar, porque foi fundada por puritanos”, diz Bey, da Aliança Secular de Estudantes.

Mais recentemente, em especial para a comunidade afro-americano na luta pelos direitos civis, mas também para muitas outras comunidades minoritárias, a religião tornou-se uma forma de ganhar aceitação, segundo Bey.

“Foi uma maneira de dizer: Eu sou um bom cristão, você deve deixar o meu filho ir para a escola com as criancinhas brancas, Jesus ama a todos nós'”, diz ela.

O novo canal de TV faz parte do movimento dos direitos civis dos grupos ateus.

Mas a aceitação real, particularmente para aqueles que exercem cargos públicos, em um país onde nenhum deputado é abertamente ateu, pode estar ainda um pouco distante.

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O humor como expressão de saúde psíquica e espiritual

smile-shewatchedtheskyPublicado por Leonardo Boff

Todos os seres vivos superiores possuem acentuado sentido lúdico. Basta observa os gatinhos e cachorros de nossas casas. Mas o humor é próprio só dos seres humanos. O humor nunca foi considerado tema “sério” pela reflexão teológica, sabendo-se que ele se encontra presente em todas as pessoas santas e místicas que são os únicos cristãos verdadeiramente sérios. Na filosofia e na psicanálise teve melhor sorte.

Humor não é sinônimo de chiste, pois pode haver chiste sem humor e e humor sem chiste. O chiste é irrepetível. Repetido, perde a graça. A historieta cheia de humor conserva sua permanente graça; e gostamos de ouvi-la repetidas vezes.

O humor só pode ser entendido a partir da profundidade do ser humano. Sua característica é ser um projeto infinito, portador de inesgotáveis desejos, utopias, sonhos e fantasias. Tal dado existencial faz com que haja sempre um descompasso entre o desejo e a realidade, entre o sonhado e sua concretização. Nenhuma instituição, religião, Estado e lei conseguem enquadrar totalmente o ser humano, embora existam exatamente para enquadrá-lo a um certo tipo de ordem. Mas ele desborda estas determinações. Daí a importância da violação do inédito para a vivência da liberdade e para que surjam coisas novas. Isso na arte, na literatura e também na religião.

Quando se dá conta desta diferença entre a lei e a realidade – veja-se por exemplo, a exdrúxula moral católica sobre a proibição do uso da camisinha em tempos em que grassa a AIDs – surge o sentido do humor. Dá vontade de rir, pois é tudo tão fora do bom senso, é tanto discurso proferido em pleno deserto que ninguém escuta nem observa que só podemos ter humor. Essas pessoas vivem na lua não na Terra.

No humor se vive o sentimento de alívio do peso das limitações e do prazer de vê-las relativas e sem a importância que elas mesmas se dão. Por um momento, a pessoa se sente livre dos superegos castradores, das injunções impostas pela situação e faz uma experiência de liberdade, como forma de plasmar seu tempo, dar sentido ao que está fazendo e construir algo novo. Por detrás do humor vigora a criatividade, própria do ser humano. Por mais que haja constrangimentos naturais e sociais, sempre há espaço para se criar algo novo. Se não fosse assim não haveria gênios na ciência, na arte e no pensamento. Inicialmente são tidos por “loucos”, excêntricos e anormais. Quando tudo passou, um novo olhar descobre a genialidade de um van Gogh, a criatividade fantástica de Bach, quase desapercebido no seu tempo. De Jesus se diz que “os seus saíram para agarrá-lo, pois diziam “ele está louco”(Mc 3,21). De São Francisco se disse a mesma coisa: ele é um “pazzus” um louco, coisa que ele aceitava como expressão da vontade de Deus. E era uma santo cheio de de humor e alegria a ponto de o chamaram”frade-sempre-alegre”.

Em palavras mais pedestres: o humor é sinal de que nos é impossível definir o ser humano dentro de um quadro estabelecido. Em seu ser mais profundo e verdadeiro é um criador e um livre.

Por isso, pode sorrir e ter humor sobre os sistemas que o querem aprisionar em categorias estabelecidas. E o ridículo que constatamos em senhores sérios (por exemplo, professores, juízes, diretores de escola e até monsenhores) que querem, solenemente e com ares de uma autoridade superior, quase divina, fazer dos outros cegos e submissos ou quais ovelhas terem que  obedecer às suas ordens. Isso também causa humor.

Acertado estava aquele filósofo (Th. Lersch Philosophie des Humors, Munique 1953, 26) que escreveu: “A essência secreta do humor reside na força da atitude religiosa. Pois o humor vê as coisas humanas e divinas na sua insuficiência diante de Deus”. A partir da seriedade de Deus, o ser humano sorri das seriedades humanas com a pretensão de serem absolutamente verdadeiras e sérias. Elas são um nada diante de Deus. E existe ainda toda uma tradição teológica que nos vem dos Padres da Igreja Ortodoxa que falam do Deus ludens, (do Deus lúdico) pois criou o mundo como um jogo para o seu próprio entretenimento. E o fazia, sabiamente, unindo humor com seriedade.

Quem vive centrado em Deus tem motivos de cultivar o humor. Relativiza as seriedades terrenas, até os próprios defeitos e é um livre de preocupações. São Thomas Morus, condenado à guilhotina, cultivou o humor até o fim: pedia aos algozes que lhe cortassem o pescoço mas lhe poupassem a longa barba branca. São Lourenço sorria com humor dos algozes que o assavam na grelha e os incitava a virá-lo do outro lado porque de um lado estava vem cozido ou do Santo Inácio de Antioquia, bispo, ancião e referência de toda a Igreja dos primórdios, que suplicava aos leões que viessem devorá-lo para passar mais rapidamente à felicidade eterna.

Conservar esta serenidade, viver em estado de humor e compreendê-lo a partir das insuficiências humanas é uma graça que todos devemos buscar e pedir a Deus.

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