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Preso no Rio há um mês, pastor acusado de estupro começa a ter seu futuro decidido em 17 de junho

O pastor Marcos Pereira, 56, presidente da igreja Adud (Assembleia de Deus dos Últimos Dias), foi preso sob a suspeita de estupros contra fiéis, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O pastor Marcos Pereira, 56, presidente da igreja Adud (Assembleia de Deus dos Últimos Dias), foi preso sob a suspeita de estupros contra fiéis, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

Julia Affonso, no UOL

Preso há um mês no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio de Janeiro, Marcos Pereira, pastor da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, acusado de estupro, começa a ter seu futuro decidido no dia 17 de junho, a partir das 14 horas, na primeira audiência sobre o caso, em São João de Meriti, Baixada Fluminense.

A cidade é a mesma onde fica a igreja da qual Pereira é líder, e onde ele foi detido pela Polícia Civil. Na audiência, o pastor denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro começará a responder a duas acusações de estupro contra duas fieis de sua igreja. Na sessão também estarão presentes as testemunhas de acusação.

Segundo as denúncias do MP, o pastor é “pessoa de alta periculosidade e ameaça direta e indiretamente as pessoas que o contrariam”. Ainda de acordo com o MP, Pereira utiliza-se de sua autoridade religiosa para amedrontar e até mesmo aterrorizar suas vítimas.

Em depoimento à DCOD (Delegacia de Combate às Drogas), uma das vítimas que deu origem à denúncia do MP contou ter sido abusada durante alguns anos, mas nunca falou nada, pois se sentia ameaçada por ele.

“Que a declarante viu o pastor Marcos deitado na cama com a Irmã A. tendo relação sexual e posteriormente, ao ser questionada, a irmã disse: nós temos que deixar o pastor fazer isso conosco para que ele não pecasse com outras mulheres do mundo exterior; que a própria declarante passou a pensar dessa forma, tendo a declarante por algumas vezes, deixado o pastor abusá-la”, disse a vítima em depoimento. “[...] que o pastor passava a ameaçar as Irmãs dizendo que estas estavam com o demônio e a declarante sempre ficava amedrontada”, afirmou.

Ainda segundo o depoimento desta mulher, Pereira tinha ligações com o tráfico de drogas, já que lavava dinheiro dos traficantes em vendas de CDs e DVDs.

“[...]Pastor Marcos recebia o dinheiro dos traficantes nos valores de R$ 15 mil e R$ 20 mil e entregava CDs e DVDs no intuito de se resguardar na lavagem de dinheiro; que o pastor dizia aos membros de sua congregação que estava vendendo os CDs para evangelização e não pegando dinheiro com o tráfico”, contou, em depoimento, a mulher que saiu da igreja há quatro anos.

Desde que chegou à cadeia pública de Bangu, em 8 de maio último, o pastor teve quatro pedidos de liberdade negados pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Em todas as oportunidades, os desembargadores destacaram necessidade de garantia da ordem pública.

“Espírito de lésbica”

A outra mulher que acusa o pastor e originou a segundo denúncia do MP contra ele afirma que o pastor dizia duvidar da sexualidade dela. Segundo a mulher, uma das primeiras vezes que Pereira se dirigiu a ela foi para dizer que ele via nela um “espírito de lésbica”. Ela contou à Polícia ter achado estranho a impressão do pastor, mas nada fez, pois ele se tratava de um ser superior a ela.

No depoimento, a mulher afirma que começou a desconfiar das atitudes do pastor, quando no meio de conversas, ele contava à ela sobre seus “desejos íntimos, que sentia muitos desejos na carne”. No encontro seguinte, ele pediu a ela que tirasse a roupa.

“[...] Que a declarante continuou a ter encontros com o pastor Marcos em seu gabinete  e ele passou a lhe dizer que sempre que ele mandasse a declarante vir sem as roupas de baixo, ou seja, apenas de roupão, ela deveria atender”, disse a mulher, em depoimento à Polícia.

Em entrevista concedia à reportagem do UOL, através de seu advogado Marcelo Patrício, o pastor negou todas as acusações e afirmou que os processos querem apenas denegrir sua imagem.

Membros da igreja de Pereira foram presos por coagir tertemunhas

Na quarta-feira (29), a Polícia Civil prendeu dois membros da Adud (Assembleia de Deus dos Últimos Dias) suspeitos de coagirem testemunhas de um dos processos contra o pastor.

Lúcio Oliveira Câmara Filho e Daniel Candeias da Silva tiveram mandado de prisão cumpridos por policiais da 64ª DP, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Eles foram presos quando se preparavam para um culto na igreja.

Havia também um mandado de prisão contra o pastor Marcos, mas ele já está preso. Os três são acusados por coagirem testemunhas do processo que investiga uma suposta ligação dos membros da igreja com o tráfico de drogas.

Por meio de nota divulgada no Facebook do pastor Marcos, o vice-presidente da Adud, identificado como Luis Carlos, diz que os dois membros da igreja não cometeram nenhum crime e que não há prova contra eles.

“Tanto o Evangelista Daniel quanto o evangelista Lúcio são pessoas de bem e são vítimas da mesma conspiração que prendeu nosso pastor. Quem os conhece pode constatar que eles são incapazes de praticar qualquer crime”, diz a nota.

Investigação contra pastor começou após denúncia do coordenador do AfroReggae

O pastor começou a ser investigado há pouco mais de um ano, a partir de acusações que o coordenador da ONG AfroReggae, José Júnior, fez sobre o suposto envolvimento de Marcos Pereira com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Ao longo das investigações, a polícia descobriu que o pastor teria estuprado algumas fiéis. Ele é investigado ainda por supostas participações em homicídios e por organizar orgias com menores de idade em um apartamento em Copacabana, avaliado em R$ 8 milhões e registrado em nome da igreja.

Na semana passada, Magno Malta defendeu o pastor Marcos Pereira. 

Recordação

Antonio Prata, na Folha de S.Paulo

“Hoje a gente ia fazer 25 anos de casado”, ele disse, me olhando pelo retrovisor. Fiquei sem reação: tinha pegado o táxi na Nove de Julho, o trânsito estava ruim, levamos meia hora para percorrer a Faria Lima e chegar à rua dos Pinheiros, tudo no mais asséptico silêncio, aí, então, ele me encara pelo espelhinho e, como se fosse a continuação de uma longa conversa, solta essa: “Hoje a gente ia fazer 25 anos de casado”.

Meu espanto, contudo, não durou muito, pois ele logo emendou: “Nunca vou esquecer: 1º de junho de 1988. A gente se conheceu num barzinho, lá em Santos, e dali pra frente nunca ficou um dia sem se falar! Até que cinco anos atrás… Fazer o que, né? Se Deus quis assim…”.

Houve um breve silêncio, enquanto ultrapassávamos um caminhão de lixo e consegui encaixar um “Sinto muito”. “Obrigado. No começo foi complicado, agora tô me acostumando. Mas sabe que que é mais difícil? Não ter foto dela.” “Cê não tem nenhuma?” “Não, tenho foto, sim, eu até fiz um álbum, mas não tem foto dela fazendo as coisas dela, entendeu? Que nem: tem ela no casamento da nossa mais velha, toda arrumada. Mas ela não era daquele jeito, com penteado, com vestido. Sabe o jeito que eu mais lembro dela? De avental. Só que toda vez que tinha almoço lá em casa, festa e alguém aparecia com uma câmera na cozinha, ela tirava correndo o avental, ia arrumar o cabelo, até ficar de um jeito que não era ela. Tenho pensado muito nisso aí, das fotos, falo com os passageiros e tal e descobri que é assim, é do ser humano, mesmo. A pessoa, olha só, a pessoa trabalha todo dia numa firma, vamos dizer, todo dia ela vai lá e nunca tira uma foto da portaria, do bebedor, do banheiro, desses lugares que ela fica o tempo inteiro. Aí, num fim de semana ela vai pra uma praia qualquer, leva a câmera, o celular e tchuf, tchuf, tchuf. Não faz sentido, pra que que a pessoa quer gravar as coisas que não são da vida dela e as coisas que são, não? Tá acompanhando? Não tenho uma foto da minha esposa no sofá, assistindo novela, mas tem uma dela no jet ski do meu cunhado, lá na Guarapiranga. Entro aqui na Joaquim?” “Isso.”

“Ano passado me deu uma agonia, uma saudade, peguei o álbum, só tinha aqueles retratos de casório, de viagem, do jet ski, sabe o que eu fiz? Fui pra Santos. Sei lá, quis voltar naquele bar.” “E aí?!” “Aí que o bar tinha fechado em 94, mas o proprietário, um senhor de idade, ainda morava no imóvel. Eu expliquei a minha história, ele falou: ‘Entra’. Foi lá num armário, trouxe uma caixa de sapatos e disse: ‘É tudo foto do bar, pode escolher uma, leva de recordação’.”

Paramos num farol. Ele tirou a carteira do bolso, pegou a foto e me deu: umas 50 pessoas pelas mesas, mais umas tantas no balcão. “Olha a data aí no cantinho, embaixo.” “Primeiro de junho de 1988?” “Pois é. Quando eu peguei essa foto e vi a data, nem acreditei, corri o olho pelas mesas, vendo se achava nós aí no meio, mas não. Todo dia eu olho essa foto e fico danado, pensando: será que a gente ainda vai chegar ou será que a gente já foi embora? Vou morrer com essa dúvida. De qualquer forma, taí o testemunho: foi nesse lugar, nesse dia, tá fazendo 25 anos, hoje. Ali do lado da banca, tá bom pra você?”

“Deus não morreu, ele se tornou dinheiro”

Confira abaixo a excelente entrevista com Giorgio Agamben, um dos principais intelectuais de sua geração

Giorgio Agamben nasceu em Roma em 1942. É um dos principais intelectuais de sua geração, autor de muitos livros e responsável pela edição italiana das obras de Walter Benjamin (Foto: Arquivo)

Giorgio Agamben nasceu em Roma em 1942. É um dos principais intelectuais de sua geração, autor de muitos livros e responsável pela edição italiana das obras de Walter Benjamin (Foto: Arquivo)

Publicado no Pragmatismo Político

“O capitalismo é uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro”, afirma Giorgio Agamben, em entrevista concedida a Peppe Salvà.

Giorgio Agamben é um dos maiores filósofos vivos. Amigo de Pasolini e de Heidegger, foi definido pelo Times e pelo Le Monde como uma das dez mais importantes cabeças pensantes do mundo. Pelo segundo ano consecutivo ele transcorreu um longo período de férias em Scicli, na Sicília, Itália, onde concedeu a entrevista.

Segundo ele, “a nova ordem do poder mundial funda-se sobre um modelo de governabilidade que se define como democrática, mas que nada tem a ver com o que este termo significava em Atenas”. Assim, “a tarefa que nos espera consiste em pensar integralmente, de cabo a cabo, aquilo que até agora havíamos definido com a expressão, de resto pouco clara em si mesma, “vida política”, afima Agamben.

A tradução é de Selvino J. Assmann, professor de Filosofia do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC [e tradutor de três das quatro obras de Agamben publicadas pela Boitempo].

“Crise” e “economia” atualmente não são usadas como conceitos, mas como palavras de ordem, que servem para impor e para fazer com que se aceitem medidas e restrições que as pessoas não têm motivo algum para aceitar. “Crise” hoje em dia significa simplesmente “você deve obedecer!”. Creio que seja evidente para todos que a chamada “crise” já dura decênios e nada mais é senão o modo normal como funciona o capitalismo em nosso tempo. E se trata de um funcionamento que nada tem de racional.

Para entendermos o que está acontecendo, é preciso tomar ao pé da letra a ideia de Walter Benjamin, segundo o qual o capitalismo é, realmente, uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro. Deus não morreu, ele se tornou Dinheiro. O Banco – com os seus cinzentos funcionários e especialistas – assumiu o lugar da Igreja e dos seus padres e, governando o crédito (até mesmo o crédito dos Estados, que docilmente abdicaram de sua soberania), manipula e gere a fé – a escassa, incerta confiança – que o nosso tempo ainda traz consigo. Além disso, o fato de o capitalismo ser hoje uma religião, nada o mostra melhor do que o titulo de um grande jornal nacional (italiano) de alguns dias atrás: “salvar o euro a qualquer preço”. Isso mesmo, “salvar” é um termo religioso, mas o que significa “a qualquer preço”? Até ao preço de “sacrificar” vidas humanas? Só numa perspectiva religiosa (ou melhor, pseudo-religiosa) podem ser feitas afirmações tão evidentemente absurdas e desumanas.

A crise econômica que ameaça levar consigo parte dos Estados europeus pode ser vista como condição de crise de toda a modernidade?

A crise atravessada pela Europa não é apenas um problema econômico, como se gostaria que fosse vista, mas é antes de mais nada uma crise da relação com o passado. O conhecimento do passado é o único caminho de acesso ao presente. É procurando compreender o presente que os seres humanos – pelo menos nós, europeus – são obrigados a interrogar o passado. Eu disse “nós, europeus”, pois me parece que, se admitirmos que a palavra “Europa” tenha um sentido, ele, como hoje aparece como evidente, não pode ser nem político, nem religioso e menos ainda econômico, mas talvez consista nisso, no fato de que o homem europeu – à diferença, por exemplo, dos asiáticos e dos americanos, para quem a história e o passado têm um significado completamente diferente – pode ter acesso à sua verdade unicamente através de um confronto com o passado, unicamente fazendo as contas com a sua história.

O passado não é, pois, apenas um patrimônio de bens e de tradições, de memórias e de saberes, mas também e sobretudo um componente antropológico essencial do homem europeu, que só pode ter acesso ao presente olhando, de cada vez, para o que ele foi. Daí nasce a relação especial que os países europeus (a Itália, ou melhor, a Sicília, sob este ponto de vista é exemplar) têm com relação às suas cidades, às suas obras de arte, à sua paisagem: não se trata de conservar bens mais ou menos preciosos, entretanto exteriores e disponíveis; trata-se, isso sim, da própria realidade da Europa, da sua indisponível sobrevivência. Neste sentido, ao destruírem, com o cimento, com as autopistas e a Alta Velocidade, a paisagem italiana, os especuladores não nos privam apenas de um bem, mas destroem a nossa própria identidade. A própria expressão “bens culturais” é enganadora, pois sugere que se trata de bens entre outros bens, que podem ser desfrutados economicamente e talvez vendidos, como se fosse possível liquidar e por à venda a própria identidade.

Há muitos anos, um filósofo que também era um alto funcionário da Europa nascente, Alexandre Kojève, afirmava que o homo sapiens havia chegado ao fim de sua história e já não tinha nada diante de si a não ser duas possibilidades: o acesso a uma animalidade pós-histórica (encarnado pela american way of life) ou o esnobismo (encarnado pelos japoneses, que continuavam a celebrar as suas cerimônias do chá, esvaziadas, porém, de qualquer significado histórico). Entre uma América do Norte integralmente re-animalizada e um Japão que só se mantém humano ao preço de renunciar a todo conteúdo histórico, a Europa poderia oferecer a alternativa de uma cultura que continua sendo humana e vital, mesmo depois do fim da história, porque é capaz de confrontar-se com a sua própria história na sua totalidade e capaz de alcançar, a partir deste confronto, uma nova vida. Continue lendo

Pastor abusa de menina de 13 anos e justifica: “Fiz a mando de Deus”

O homem, de 43 anos, foi até a casa da garota, que frequentava o templo

Publicado na Gazeta Online

O abusador foi preso e levado ao CDP de Aracruz

O abusador foi preso e levado ao CDP de Aracruz (ES)

O pastor Rony Gonçalves, 43 anos, foi preso após abusar sexualmente de uma adolescente de 13 anos dentro da casa da vítima, em Barra do Riacho, Aracruz (ES). A garota frequenta a Igreja Assembleia de Deus Ministério Fogo em Terra, fundada pelo acusado de cometer o crime.  Ao ser preso, Rony afirmou que  fez tudo a mando de Deus.

Segundo a delegada Amanda da Silva Barbosa, o pastor foi à casa da menina, às 7h40 de quarta-feira, e ligou para a mãe dela enquanto estava a caminho da residência. A mãe teria pedido para Rony não entrar no local, porque ela estava no trabalho, e que ele retornasse somente às 15h. Em depoimento o acusado disse à Policia Civil que não atendeu ao pedido da mãe, porque Deus havia dito a ele que deveria orar pela vítima e por sua irmã.

Homem chegou a tirar a roupa de menina 

Na casa estavam a vítima, seus dois irmãos e uma prima, todos menores de idade. O pastor contou ainda à polícia que primeiro orou na sala pela irmã e depois chamou a vítima para ir ao quarto da mãe. O acusado pediu à menina que baixasse a blusa que estava amarrada ao pescoço e pôs um pano sobre ela. Ele começou a orar e colocou a mão por baixo do pano e acariciou o órgão genital da menor. Assustada, a menina começou a chorar, o homem desistiu de continuar o abuso e foi embora.

Após o abuso sexual um conhecido da família foi até a residência e a menor contou o que havia acontecido. Ele foi ao local de trabalho da mãe da menina e comunicou o fato. O padrasto da vítima acionou a Polícia Militar e quando chegaram em casa o criminoso havia retornado ao local para justificar o fato.  O pastor foi autuado em flagrante pelo crime de estupro de vulnerável e levado para o Centro de Detenção Provisória de Aracruz (ES).

dica do Israel Anderson

Corrida de Kart acaba em morte e organização diz que foi vontade de Deus

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Raphael Mendes, no Bobagento

Um acidente fez com que a corrida de kart realizada no município de Carpina, Pernambuco na tarde deste domingo terminasse em tragédia. Fernando Lopes, de 32 anos, chocou-se em alta velocidade contra um poste e morreu no hospital. Assista ao momento do acidente no vídeo abaixo:

A organização do “Carpina Kart Racing”, tentou explicar o ocorrido. “O piloto largou em último e, para recuperar a posição, acelerou bastante. Por volta da quinta volta, ele fez uma curva muito aberta em alta velocidade e acabou se chocando contra o poste”, descreve um dos organizadores. “De imediato, o resgate tomou as providências e o levou ao hospital, mas ele veio a óbito”.

O piloto quebrou a clavícula, fraturou o crânio e sofreu duas paradas cardíacas. “Foi uma fatalidade. Estou muito triste”, revelou. Um outro organizador disse que, na verdade, a tragédia foi vontade de Deus. “Só nos resta lembrar que Ele é soberano e faz como quer. O que aconteceu no domingo já estava nas escrituras sagradas”, afirmou.

Entretanto, a Federação Pernambucana de Automobilismo (FPA) discorda que a tragédia tenha sido uma fatalidade ou simples “vontade divina”. “Foi um evento clandestino, sem autorização da FPA. Atualmente, existem apenas dois campeonatos de kart reconhecidos e homologados, ambos disputados sob supervisão da federação e padrões de competição dentro das exigências que o esporte necessita”, disse Waldner Bernardo, presidente da entidade.

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, provas de automobilismo em vias públicas só podem ocorrer com a autorização da entidade estadual. “Essa autorização é inexistente”, reiterou Waldner.

A organização do evento admite que não tinha a documentação necessária, mas diz que isso não foi motivo para preocupação. “Havia barreiras de proteção com pneus suficientes. Mesmo se houvesse mais, não adiantaria. Além disso, tínhamos médicos, ambulância, polícia e bombeiros”, comentou o responsável. “Estava tudo nos conformes”. Já o outro organizador prefere concluir de outra forma: “Não cai uma folha sem a permissão de Deus”. Via: SRZD.