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Bíblia salva a vida de mulher na Baixada Fluminense

A bíblia impediu que o projétil atingisse Danúbiah, que estava na garupa

Publicado originalmente no Extra

A Bíblia salvou Danúbiah Mendes. Armazenada no baú da motocicleta de seu marido, o montador de móveis Marcos Souza, o livro foi capaz de interromper o trajeto de um projétil, impedindo-o de atingir as costas da mulher, que estava na garupa. O casal, que é evangélico, raramente transporta a Bíblia no compartimento.

— Nós estávamos saindo de uma igreja em Austin, a caminho da que frequentamos, em Vilar dos Teles — explicou Danúbiah.

O fato aconteceu no último domingo. O casal estava na Via Dutra, na altura da saída para São João de Meriti, por volta de 19h40m, quando ouviu três tiros.

O baú da motocicleta furado pela bala
O baú da motocicleta furado pela bala

— Eu estava ultrapassando três carros. Quando ouvi o barulho, acelerei mais — completou o marido.

Os dois só se deram conta do que havia acontecido depois que o culto da igreja acabou. Ao abrir a Bíblia, viram as páginas rasgadas e chegaram a pensar que alguma criança tinha feito o furo com uma caneta. Mas logo perceberam que uma bala estava dentro do livro, na altura do capítulo oito do apocalipse.

— Sempre acreditei na salvação em muitos aspectos, mas dessa vez foi uma coisa visual. Vi a bala ali dentro, lembrei dos tiros e chorei — disse Danúbiah.

— A Bíblia salva de muitas maneiras. Dessa vez, foi físico. Algumas folhas de papel salvaram a vida da minha esposa — disse, emocionado, Marcos.

Fotos: Fábio Guimarães / Extra

Crença no inferno reduz comportamento criminoso?

Stephanie D’Ornelas, no HypeScience

A maior parte das religiões que são fundamentadas na crença em Deus pregam regras bem específicas para seus seguidores. Matar e roubar, por exemplo, são pecados que podem levar alguém direto para o inferno. Ou será que não? Depende de como Deus é visto em cada religião (e por cada pessoa) especificamente.

Uma nova pesquisa norte-americana aponta que em sociedades nas quais as pessoas acreditam em um Deus punitivo – que não pensa duas vezes antes de mandar alguém para o inferno – as taxas de criminalidade são menores. Já nas regiões em que a população acredita em um Deus misericordioso e que perdoa os pecados na Terra, as taxas de criminalidade são mais elevadas.

Resumindo, quem acha que o céu é para poucos escolhidos tem mais receio em cometer crimes e acabar ardendo no mármore do inferno pelo resto da eternidade. Pessoas que acreditam em um Deus que vai as perdoar tendem a cometer crimes com mais facilidade.

O estudo, realizado pela Universidade de Oregon (EUA), foi liderado pelo professor Azim Shariff, que fez parte de uma pesquisa em 2011 que mostrou que existe uma relação estreita entre crença religiosa e honestidade. No estudo realizado no ano passado, intitulado Different Views of God Predict Cheating Behavior (Deuses maus geram pessoas boas: diferentes visões sobre Deus ajudam a prever comportamento e trapaças), os pesquisadores mostraram que estudantes universitários que creem em um Deus punitivo tendem a trapacear menos e a serem mais honestos por medo do inferno.

A nova pesquisa que mostra a relação entre a crença em um Deus punitivo e criminalidade foi feita a partir de dados de 143.197 pessoas de 67 países, coletados por 26 anos. O estudo revela que não é relevante estudar apenas quantas pessoas acreditam ou não em Deus, mas de que forma é essa crença. Os pesquisadores ressaltam, entretanto, que embora os dados e comparação entre crença em Deus e criminalidade sejam precisos, é preciso ter calma antes de tomar conclusões. [ScienceDaily/CaML/PlosOne/Portal Última Hora/Foto]

Anderson Silva relata ‘conversa com Deus’ na primeira luta com Sonnen


Anderson Silva se veste de Michael Jackson para a revista Rolling Stone

Publicado originalmente no UOL

Fã confesso de Michael Jackson, o campeão dos médios do UFC Anderson Silva ficou famoso não só pelas suas vitórias, mas por entrar no ringue dançando e pelas diversas imitações do Rei do Pop. Ele voltou a se vestir como o cantor em ensaio para revista Rolling Stone e, após polêmicas sobre seu temperamento, falou sobre assuntos como a fama de marrento, a fama e suas experiências religiosas.

Como não poderia deixar de ser, o Spider comentou sobre o arquirrival Chael Sonnen, a quem enfrenta no UFC 148, em julho, e ao falar dele relatou uma “conversa com Deus” ainda dentro do octógono.

“Estou sempre conversando com Deus, o tempo todo. Na luta com Sonnen, eu olhei para cima e falei: ‘Seja feita a Sua vontade, e não a minha’. E acabou do jeito que acabou”, relembrou ele, sobre a finalização no quinto e último round, após apanhar muito do norte-americano, em 2010.

“Depois, estava no quarto, rezando e pedindo uma resposta: ‘O que Você quer comigo?’. Aí o tempo passou, as coisas foram acontecendo e vi que o que Ele quer é que eu sirva de exemplo. ‘Cara, sua responsabilidade é grande, é mais do que ser campeão do UFC’. As respostas não vêm de imediato, mas, quando vêm, são claras. Se eu digo isso, vão dizer: ‘Esse cara é maluco’, mas é exatamente assim que me sinto.”

Anderson no momento se prepara para a revanche com Sonnen. Para o técnico Ramon Lemos, que afia o seu jiu-jítsu, as provocações são um “doping positivo” para motivar o brasileiro. “O cara usa isso para se fazer. A única forma de que teve para aparecer foi falar: ‘Vou ligar o que se dane’”, afirmou ele. “Anderson nasceu com um dom que não tem explicação. Coloque ele com luvas… é quase uma arma humana.”

Anderson Silva, considerado o maior da história no MMA, teve sua imagem arranhada por uma participação no programa “Profissão Repórter”, mas refutou as acusações. Na entrevista à revista Rolling Stone, afirmou ainda que se considera uma pessoa melhor e que a fama poderia ter lhe feito mal em outro momento de sua vida.

“Eu falo tudo o que penso e isso acaba causando uma imagem de marrento”, explicou Anderson. “Todo repórter me pergunta no final das lutas: ‘Com quem você quer lutar agora?’. Eu respondo a mesma coisa: ‘Com meu clone’. Isso soa de uma forma que as pessoas não entendem… ‘Ah, o cara acha que não tem ninguém para lutar com ele!’. Não, é porque eu não quero falar de ninguém.”

Anderson falou sobre sua relação com a fama e admitiu: “se tudo tivesse acontecido há cinco ou seis anos, talvez minha cabeça não fosse boa para lidar com tudo isso”.

Para o peso médio, ser uma celebridade não é uma vantagem. “Não gosto dessa coisa de famoso. Sou normal. Óbvio que tudo mudou, mas não me sinto assim. É uma fase que tenho de aproveitar, que uma hora vai acabar. Hoje eu luto porque gosto, não preciso de mais do que isso. Não posso mudar minha essência porque sou famoso. Porque você perde o sentido”, explicou ele.

Meu inferno mais íntimo

Luiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo

Um jovem rabino, angustiado com o destino da sua alma, conversava com seu mestre, mais velho e mais sábio, em algum lugar do Leste Europeu entre os séculos 18 e 19.

Pergunta o mais jovem: “O senhor não teme que quando morrer será indagado por Deus do porquê de não ter conseguido ser um Moisés ou um Elias? Eu sempre temo esse dia”.

O mestre teria respondido algo assim: “Quando eu morrer e estiver na presença de Deus, não temo que Ele me pergunte pela razão de não ter conseguido ser um Moisés ou um Elias, temo que Ele me pergunte pela razão de eu não ter conseguido ser eu mesmo”.

Trata-se de um dos milhares de contos hassídicos, contos esses que compõem a sabedoria do hassidismo, cultura mística judaica que nasce, “oficialmente”, com o Rabi Baal Shem Tov (imagem), que teria nascido por volta de 1700 na Polônia.

A palavra “hassidismo” é muito próxima do conceito de “Hesed”, piedade ou misericórdia, que descreve um dos traços do Altíssimo, Adonai (“Senhor”, termo usado para se referir a Deus no judaísmo), o Deus israelita (que, aliás, é o mesmo que “encarnou” em Jesus, para os cristãos).

Hassídicos eram conhecidos como “bêbados de Deus”, enlouquecidos pela piedade divina (e pela vodca que bebiam em grandes quantidades para brindar a vida…) que escorre dos céus para aqueles que a veem.

São muitas as angústias de quem acredita haver um encontro com Deus após a morte. Mas ninguém precisa acreditar em Deus ou num encontro como esse para entender a força de uma narrativa como esta: o primeiro encontro, em nossa vida, que pode vir a ser terrível, é consigo mesmo. Claro que se Deus existe, isso assume dimensões abissais.

Para além do fato óbvio de que o conto fala do medo de não estarmos à altura da vontade de Deus, ele também fala do medo de não sermos seres morais e justos, como Moisés e Elias, exemplos de dois grandes “heróis” da Bíblia hebraica. Ser como Moisés e Elias significa termos um parâmetro moral exterior a nós mesmos que serviria como “régua”.

A resposta do sábio ancião ao jovem muda o eixo da indagação: Deus não está preocupado se você consegue seguir parâmetros morais exteriores, Deus está preocupado se você consegue ser você mesmo.

Não se trata de pensar em bobagens do tipo “Deus quer que você seja feliz sendo você mesmo” como pensaria o “modo brega autoestima de ser”, essa praga contemporânea. Trata-se de dizer que ser você mesmo é muito mais difícil do que seguir padrões exteriores porque nosso “eu” ou nossa “alma” é nosso maior desafio.

Enfrentar-se a si mesmo, reconhecer suas mazelas, suas inseguranças e ainda assim assumir-se é atravessar um inferno de silêncio e solidão. Ninguém pode fazer isso por você, é mais fácil copiar modelos heroicos, por isso o sábio diz que Deus não quer cópias de Moisés e Elias, mas pessoas que O enfrentem cara a cara sendo quem são.

Podemos imaginar Deus perguntando a você se teve coragem de ser você mesmo nos piores momentos em que ser você mesmo seria aterrorizante. Aí está o cerne da “moral da história” neste conto.

Noutro conto, um justo que morre, chegando ao céu, ouve ruídos horrorosos vindo de uma sala fechada. Perguntando a Deus de onde vem aquele som ensurdecedor, Deus diz a ele que vá em frente e abra a porta do lugar de onde vem a gritaria. Pergunta o justo a Deus que lugar seria aquele. Deus responde: “O inferno”. Ao abrir a porta, o justo ouve o que aqueles infelizes gritavam: “Eu, eu, eu…”.

Ao contrário do que dizia o velho Sartre, o inferno não são os outros, mas sim nós mesmos. Numa época como a nossa, obcecada por essa bobagem chamada autoestima, ocupada em fazer todo mundo se achar lindo e maravilhoso, a tendência do inferno é ficar superlotado, cheio de mentirosos praticantes do “marketing do eu”.

Casas, escritórios, academias de ginásticas, igrejas, salas de aula, todos tomados pelo ruído ensurdecedor do inferno que habita cada um de nós. O escritor católico George Bernanos (século 20) dizia que o maior obstáculo à esperança é nossa própria alma. Quem ainda não sabe disso, não sabe de nada.