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A dádiva da dor

Edvard Munch: O Grito (The Scream)

Edvard Munch: O Grito (The Scream)

Publicado por Silas Lima

A dor física é a sensação de incômodo causado pelo estímulo às terminações nervosas sensitivas. Ao aproximar a mão do fogo sentimos a dor causada pela queima da pele. As terminações nervosas sensitivas cutâneas avisam, quase que instantaneamente, ao sistema nervoso central que é preciso afastar a mão para não haver perdas de tecido. É a dor que inicia o processo de autoproteção.

Uma pessoa, que perdeu a sensibilidade nervosa, pode perder parte do corpo por não sentir dor. Um hanseniano, com a doença em estado avançado, perde quase que completamente a sensibilidade à dor. Aos poucos suas mãos e pés vão deteriorando em consequência de acidentes que poderiam ser evitados se sentissem dor. Muitas perdas acontecem por insensibilidade, se ouvíssemos a dor ao invés de tentar dirimi-la, não teríamos perdido tanto.

A dor é a dádiva de Deus que impede o esfacelamento do corpo. A dor indica que o corpo, ou parte dele, está correndo risco, deve ser protegido. Quando se sente uma dor causada por um sapato apertado, não parece razoável aplicar uma anestesia no pé, mas trocar o sapato. Como incomoda um sapato apertado, por isso prefiro os tênis, são mais confortáveis, dão mais liberdade aos pés. Sapatos apertam os pés e condiciona a alma.

A dor, em situações de risco, pode ser a salvação. Uma dor de cabeça pode indicar vários tipos de doenças físicas ou psicológicas. Tomar analgésico por um período prolongado pode ser perigoso, melhor mesmo consultar um médico, como isso é penoso para os homens. Diferentemente das mulheres, os homens se preocupam muito pouco com a saúde, preferem os analgésicos.

Assim como tomar analgésico por período prolongado coloca em risco a integridade física, disfarçar as dores da alma coloca em risco a integridade emocional. O aforismo popular, “o tempo cura”, é falso. O tempo não cura, anestesia, joga maquiagem em cima da ferida. Perdas de pessoas amadas, traições de amigos, decepções amorosas, quando não remediadas, continuam, não importando quão distantes estejam. Alguns desconfortos o tempo encobre muito bem, outros mais profundos exalam a ausência de assepsia.

Esquecer a pessoa amada que se foi é homicídio, a dor a transporta para as lembranças, onde deve viver até o momento do reencontro, os monumentos na memória são garantias disso. Uma decepção esquecida perde o que tem de bom nas decepções: o aprendizado, a superação, o orgulho quebrado… Decepções amorosas, quase sempre, acontecem por causa do esquecimento de quanto eram felizes – o casal, esquecido dos momentos bons, abrem os olhos para os defeitos do outro.

Para os ressentimentos que ainda causam dor existe o perdão. Perdão é mais que esquecimento, é superação, reordenação da memória. O passado não pode ser removido, mas pode ser resolvido através do perdão. O perdão acontece quando as lembranças são tranquilas. Quando um objeto, uma situação ou uma pessoa que nos remetiam ao passado deixam de fazê-lo, então percebemos que perdoamos. O ressentimento esquecido é uma quimera sedada, quando acordar reclamará os dias de letargia.

Lembrar é viver, não reviver o passado, mas viver a plenitude da vida. Assim como a esperança, a lembrança define quem somos. O presente não existe, o tempo é contínuo e por mais que se tente, não dá para detê-lo. Tudo que fazemos ou faremos está no passado ou no futuro. Esquecer o passado implica a amputação do futuro.

As lembranças são mapas, quem as perde, perde-se, quem as mantem, caminha. O escritor bíblico Jeremias lamentando sua história disse: “lembro-me bem disso tudo, e a minha alma desfalece dentro de mim. Todavia lembro-me também do que pode me dar esperança” (Lamentações 3.20,21). A garantia do futuro em que valha apena estar nele não pode ser outra se não o passado – as lembranças sedimentam a esperança. Sonhos sem edificações são devaneios.

Se as lembranças causam dor precisão ser diagnosticadas e expurgadas. Tentar eliminar a dor por amnésia é como apagar a luz no painel do carro que indica o fim do combustível. Muitos estão parados na estrada pela deficiência da luz do combustível. A dor é apenas o indício do que está por baixo do véu do esquecimento. Anestesiar a dor ao manter o véu, não é inteligência, é ignorância, não é clemência com o passado e sim alheamento dele.

Acostumar-se à dor, aceitando-a como natural, também não é inteligente, o condicionamento à dor crônica causa tantos males quanto sua extirpação imponderada. Quando prolongada, a dor se transforma em sofrimento, o sofrimento adoece a alma. Paulo argumenta que “somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos” (2 Coríntios 4.9). Aceitar a dor como natural equivale destruir a utopia de felicidade. Contraditoriamente, a dor nos tira a possibilidade de ser feliz, enquanto nos oferece o deslumbre da felicidade transcendente aos conceitos e às formas.

Basta-me aspirar por mundos inexistentes, acalentar desejos calmos, reconstruir ruínas, refletir diante do espelho, agonizar pela sensibilidade solidária. Que nome alguém dará a isso, não sei. Minhas lágrimas e meus sorrisos talvez denunciem que, paradoxalmente, sou feliz. (GONDIM, R. Em: www.ricardogondim.com.br/meditacoes/estou-bem).

Feliz é quem desiste de ser feliz e aceita as contingências da vida, não como natural, mas como evidência de que ela é muito grande para ser controlada. Ser resiliente em situações de desconforto pode ser a parede que separa a dor do sofrimento. Existe o para-além-da-vida, quem impõe a si a felicidade no agora vive frustrado e de mal com o passado. Reconstituindo a história de nossas vidas, verificamos que as situações de decepção de incertezas e de dor permearam todos os instantes, até os que arrogamos de felizes. O choro pode ser tudo que a alma precisa.

Quem chora
lava o presente com lágrimas
para que, no futuro,
quando o agora se tornar passado,
as lembranças estejam limpas.

Quem chora
constrói uma memória sem ressentimento,
da qual não precisa fugir.

Quem chora
não se torna vítima de si mesmo.

(LIMA, Sostenes. Em: www.sosteneslima.com/2013/01/por-que-chorar.html)

A tirania da felicidade perene, do sorriso irrestrito, causa mais dor do que as lágrimas. Em algumas situações as lágrimas podem demonstrar incredulidade, mas quase sempre é o solvente asséptico que amolece e depura as sujeiras da alma, impedido que a dor se solidifique em sofrimento.

dica do Sostenes Lima

Silas Malafaia: “Já recebi R$ 2 milhões de um fiel”

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EM FAMÍLIA
Malafaia casou virgem aos 21 anos e, em 2011, fez um
preenchimento capilar no lado esquerdo para corrigir uma falha

Apontado como o terceiro pastor mais rico do Brasil, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo anda de jato executivo, afirma faturar R$ 45 milhões por ano com a sua editora e diz que evangélico não é babaca

Rodrigo Cardoso, na IstoÉ

De Angra dos Reis, local escolhido para curtir 15 dias de férias em meio a passeios de lancha e banho de mar próximo às ilhas da região, o carioca Silas Malafaia, 54 anos, pregou a orelha no celular e, por quase duas horas, abriu o verbo. O líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo estava bravo depois de ser apontado pela revista americana “Forbes” como o terceiro pastor evangélico mais rico do País, com um patrimônio avaliado em aproximadamente R$ 300 milhões. Ele pretende acionar judicialmente a publicação e provar que a sua renda pessoal não chega a 2,5% do valor publicado. Um dos mais antigos tele-evangelistas do País, Malafaia é um ex-conferencista que se tornou pastor há apenas dois anos e meio e já administra 120 templos pelo Brasil. Nascido em Jacarepaguá, zona oeste do Rio, casado há 32 anos e pai de três filhos, o sacerdote conta que a maior oferta que um fiel deu em sua igreja foi de R$ 2 milhões e a sua editora fatura R$ 45 milhões por ano. É dele, ainda, a voz mais estridente contra o projeto de lei que criminaliza a homofobia.

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“Tenho um avião da Associação Vitória em Cristo que coloquei à venda.
Paguei R$ 6,6 milhões, mas é dispendioso. Vale R$ 2,6 milhões”

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“O Jean Wyllys só tem essa voz toda porque é gay.
Se não fosse, seria um zero à esquerda.Ele teve 16 mil votos”

Fotos: Tomás Rangel/Folhapress; MARCOS DE PAULA/AG. ESTADO/AE

ISTOÉ – De onde vem o patrimônio?

 SILAS MALAFAIA -

Da renda de venda de livros, de conferências, da minha editora (Editora Central Gospel), que fatura R$ 45 milhões por ano. Aí, a “Forbes” divulgar que o meu patrimônio pessoal é de R$ 300 milhões é uma sacanagem para dizer que pastor apanhou dinheiro dos otários. Que pastor é milionário porque tem um bando de babaca de quem ele toma dinheiro. Mas eu não vou tolerar isso.

ISTOÉ – O que vai fazer?

SILAS MALAFAIA -Vou ganhar dinheiro dos americanos (da “Forbes”) lá na América, vou processá-los lá. A “Forbes” cometeu um equívoco grosseiro ao dizer que os dados são do Ministério Público e da Polícia Federal. Os dois órgãos não têm autoridade legal para passar dados de ninguém. Tentaram somar a arrecadação da Associação Vitória em Cristo, que não é minha, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que não é minha, e da editora. Mas, se eu juntar os três, a arrecadação chega à metade do que disseram. Foi uma campanha sacana com subjetividade muito malandra. Ri quando vi a lista. Porque eu ter mais recursos que o R. R. Soares (da Igreja Internacional da Graça de Deus) é uma sacanagem com o R. R.

ISTOÉ – O sr. é acusado até por evangélicos de vender bênçãos.

SILAS MALAFAIA – Quem pensa assim é um estúpido! Acha que eu sou criança para vender bênçãos, rapaz! O que eu faço, e é bíblico, é liberar uma palavra profética.

ISTOÉ –  Arrecadar oferta por meio de máquina de cartão de débito e crédito não é comércio?

SILAS MALAFAIA – A minha igreja tem desembargador, procurador, caras com doutorado. Vai dizer que a igreja evangélica só tem babaca, analfabeto, operário? Hoje a igreja evangélica é o extrato da sociedade: tem pobre, classe média e rico. Eu ganhei no meu aniversário uma Mercedes-Benz blindada de R$ 450 mil de um fiel, empresário rico, e não de um imbecil. Um dia, entro na minha empresa e está lá o carro com um laço em cima. Esse cara é um babaca que precisou ir à igreja para ficar rico? O cara é dono de uma frota de mais de 200 caminhões! É tolice achar que na minha igreja, onde tem desembargador e procurador, o malandro aqui está tomando dinheiro dessa turma. Eu dei o carro que eu ganhei para a igreja. Foi uma oferta para ajudar na construção do templo do Rio de Janeiro, uma sede provisória na Penha para seis mil pessoas sentadas. E repeti três vezes que não pedia para fazerem o mesmo.

ISTOÉ –  Qual a porcentagem de arrecadação da igreja por meio de cartões?

SILAS MALAFAIA – 60% das ofertas na minha igreja vêm de cartões, algo entre R$ 25 milhões a R$ 30 milhões.

ISTOÉ –  E, no total, quanto a Vitória em Cristo arrecada de fiéis por ano?

SILAS MALAFAIA – No ano passado, uns R$ 50 milhões. O R. R. Soares e o Valdemiro (Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus) devem arrecadar R$ 600 milhões de oferta e dízimo. A Universal do Reino de Deus uns R$ 2 bilhões.

ISTOÉ –  Qual a maior oferta que já recebeu?

SILAS MALAFAIA – Duas vezes por ano fazemos campanhas especiais por objetivos específicos. E peço ofertas assim: “Quem sabe aqui vou ter um irmão que vai dar uma oferta acima de R$ 100 mil, R$ 10 mil, acima de R$ 1 mil, R$ 500, acima de R$ 100 e R$ 50. No resto do ano as ofertas são normais. A maior oferta que recebi de um fiel, um empresário, foi de R$ 2 milhões, em 2011.

ISTOÉ –  O sr. dirige o próprio carro, pega fila em banco, faz compra em supermercado?

SILAS MALAFAIA – Eu dirijo. Por muito tempo era eu quem fazia compra no mercado. Hoje, não mais. Não sei o que é pegar uma fila de banco há uns dez anos. E não me faz falta. Mas tenho pegado fila em aeroporto. Tenho um avião executivo da Associação (Vitória em Cristo) que coloquei à venda faz seis meses porque é dispendioso para o que eu faço. É um avião grande (um Gulfstream, modelo G-III, ano 1986), para 11 pessoas, dá para ficar de pé nele. Paguei R$ 6,6 milhões em 2010 e, hoje, ele vale R$ 2,6 milhões. Tomei prejuízo. Quero um jato com custos de manutenção e operacionais mais baixos, para seis, sete passageiros. Avião é uma ferramenta que utilizo até seis dias por semana.

ISTOÉ – Por que não tem templos fora do Brasil?

SILAS MALAFAIA – Com o mesmo montante de dinheiro com que inauguro dez igrejas o Valdemiro abre 70. É o estilo da igreja dele. Essas igrejas, do (Edir) Macedo (da Universal), Valdemiro e R.R. (Soares) são rotativas. Muita gente as procura para uma demanda, uma necessidade de momento. Na minha igreja, não. Aqui, o cara é fincado como um membro. O meu crescimento é mais consistente. Abri uma igreja em Curitiba para três mil pessoas sentadas. Aluguei a propriedade, mas gastamos lá R$ 7 milhões. Minhas igrejas são lindas, clean, nada luxuosas, mas hiperconfortáveis, com cadeiras, som, de primeira linha. Na igreja que estou fazendo na Penha, no Rio, vamos gastar R$ 12 milhões em obras. Esses caras abrem um salão e gastam com som, cadeira, uma pinturazinha, um conserto no banheiro, às vezes um ar-condicionado, uns 300 mil contos, irmão! Meu mundo é outro, mas chego lá.

ISTOÉ –  O sr. já presenciou um beijo de duas pessoas do mesmo sexo?

SILAS MALAFAIA – Sim, em shopping. Senti repulsa. Deus fez macho e fêmea. Não conheço ordem cromossômica, hormônios ou sexo de homossexual. É um comportamento que não aceito e é um direito meu. E não aceitar não significa que quero destruir aquela pessoa. Na igreja, homossexualismo é pecado, como adultério e prostituição. Uma pesquisa americana mostra que 46% dos gays foram abusados ou violentados quando eram crianças ou adolescentes. Então, como é que o cara nasce gay? Não estou aqui para proibir ninguém de ser gay. Não quero é que o meu direito de me manifestar sobre o homossexualismo seja impedido. E o ativismo gay não suporta o contraditório.

ISTOÉ –  Quem o orientou sobre sexo?

SILAS MALAFAIA – A minha mãe. Meu pai é oficial da reserva, ex-combatente da Marinha, um cara reservado, sério. E minha mãe, pedagoga, psicóloga. Mas na igreja se aprende desde cedo sobre esses assuntos. Coisas como “você é homem, tem de se relacionar com uma menina, mas tem a hora certa, sexo só depois de casar…” Isso tudo que a “Bíblia” apresenta como regra para o cristão é ensinado desde cedo. Comecei a namorar a minha atual esposa com 14 anos. Ela tem um ano a menos. Casei com 21. Ela é minha primeira e única namorada. Eu casei virgem e ela também. Somos casados há 32 anos. Hoje, porém, chega na igreja garoto e garota com 16 anos com mais hora de cama do que piloto de Jumbo de voo.

ISTOÉ – Por que a pressão dos evangélicos é tão grande para que o projeto de lei que trata da questão dos direitos dos homossexuais não passe no Senado?

SILAS MALAFAIA – Os ativistas gays querem uma lei para calar qualquer um que fale contra a prática homossexual. Há uma diferença entre condenar uma conduta e discriminar uma pessoa. Eles é que têm medo da crítica por não ter convicção do que são. Porque, quando você tem convicção do que é, você discute. No Brasil, você pode criticar padre, pastor, jornalista, mas se criticar gay é ho-mo-fó-bi-co! O sindicato gay, que mama na teta e sobrevive de grana de governo e de estatais, diz ser homofobia quando alguém fala contra eles. Os evangélicos estão decidindo eleição. O pau está cantando e não vai ter moleza. Nessa questão de direitos dos homossexuais em que estamos batendo desde 2006, deputado e senador que votar pela aprovação do projeto vai dançar!

ISTOÉ – Por que os sacerdotes católicos não criticam abertamente o projeto?

SILAS MALAFAIA – Existem pedófilos e homossexuais na igreja evangélica? Claro que sim. Mas só por isso não posso falar sobre pedofilia e homossexualidade? Acho de uma covardia e omissão uma instituição tão poderosa, com tanto acesso à mídia como a Igreja Católica, se calar tanto. Ou então a maioria dos padres é homossexual – e aí tem de ficar calada mesmo.

ISTOÉ –  O deputado federal e homossexual Jean Wyllys (PSOL-RJ) virou uma grande liderança.

SILAS MALAFAIA – Ele teve 16 mil votos e só foi eleito deputado porque estava pendurado no Chico Alencar, que teve 220 mil votos, irmão! Com todo respeito, ele só tem essa voz toda porque é gay. Se não fosse, seria um zero à esquerda. Acha outro no Congresso com 16 mil votos que tenha representatividade para falar! Pô, o meu irmão (Samuel Malafaia) foi eleito deputado estadual com 135 mil votos! Se (Wyllys) não fosse gay, não estaria com essa banca toda.

ISTOÉ –  Usa segurança particular?

SILAS MALAFAIA – Passei a andar com segurança faz um ano por causa de ameaças. Depois que comecei o enfrentamento ao ativismo gay, em 2008, passei a receber ameaças de morte. Eu não ligava, no começo. Uma vez, em um aeroporto, um sujeito quase me agrediu. E, continuadamente, por e-mail, Twitter, telefone, me ameaçavam. Nunca gostei de segurança, é horroroso. Mas precisei me precaver. Se vierem, vão encontrar quatro caras com muita disposição. Não vou tomar tapa de gay em aeroporto e nem em shopping, irmão, porque vai ficar ruim para mim!

Por que o ateísmo pode substituir a religião: estudo

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Cesar Grossmann, no Hype Science

A questão de por que o ateísmo é mais predominante em países ricos do que pobres tem ocupado os antropólogos por cerca de 80 anos. A crença em Deus declina na maior parte dos países desenvolvidos e o ateísmo está concentrado em países europeus como a Suécia (64% de descrentes), Dinamarca (48%), França (44%) e Alemanha (42%), enquanto que na África Sub-saariana a quantidade de ateus é inferior a 1%.

Ateísmo e crença em Deus: Veja os percentuais dos países

Baseado no fato que quanto mais educação, maior a taxa de descrentes, o antropólogo James Fraser propôs que as previsões científicas e o controle da natureza suplantaria a religião como forma de controlar a incerteza nas nossas vidas.

Ateístas são mais comuns entre pessoas com nível superior e que vivem em cidades, e estão mais concentrados em social-democracias europeias. O ateísmo parece florescer mais entre pessoas que se sentem economicamente seguras. Mas por quê?

Quanto menos desenvolvido é o país mais se acredita em Deus

Em um estudo feito em 137 países, o psicólogo evolucionista Nigel Barber aponta que, aparentemente, as pessoas se voltam à religião como uma proteção para as dificuldades e incertezas da vida. Em social-democracias, há menos medo e incertezas sobre o futuro por conta de programas de promoção do bem-estar. Países com melhor distribuição de renda também têm mais ateus.

Em contraste, países onde as doenças infecciosas são mais comuns também há a crença em Deus maior. E em países mais religiosos, a fertilidade também é maior, pela promoção do casamento pela religião. Por fim, a religiosidade também é maior em países onde a população rural é maior.

Crença no inferno reduz comportamento criminoso?

Mesmo as funções psicológicas da religião enfrentam uma competição acirrada nas sociedades modernas, com as pessoas procurando médicos, psicólogos e psiquiatras quando têm problemas psicológicos.

Segundo Nigel, as razões pelas quais as igrejas perdem expressão em países desenvolvidos podem ser resumidas em termos de mercado.

Primeiro, com uma ciência melhor, redes de segurança governamentais e famílias menores, há menos medo e incerteza na vida das pessoas, e, portanto, um mercado menor para a religião.

De onde surgiram tantos ateus?

Ao mesmo tempo, muitos produtos alternativos estão sendo oferecidos, como medicamentos psicotrópicos e diversão eletrônica, exigindo menos compromissos e respeito servil à crenças não científicas. [Psychology Today]

Em programa sobre prostituição, ex-Ronaldinha conta como virou missionária

A ex-modelo Viviane Brunieri, conhecida como Vivi Ronaldinha, posa para foto no treino do Corinthians, em 2002
A ex-modelo Viviane Brunieri, conhecida como Vivi Ronaldinha, posa para foto no treino do Corinthians, em 2002

Publicado originalmente no F5

A ex-modelo Viviane Brunieri, 36, resolveu abrir o jogo em entrevista ao “SBT Repórter”.

Em um programa dedicado ao “universo da prostituição”, a moça vai contar por que resolveu largar tudo e se tornar missionária.

Ao programa, que será exibido na próxima segunda-feira (28), ela afirma que hoje prega a palavra de Deus.

Viviane ficou conhecida como Vivi Ronaldinha, por causa do namoro com o ex-jogador Ronaldo Nazário, 36, em 1996.

Após o rompimento, ela participou do grupo musical Ronaldinhas ao lado de Nádia França, também ex-namorada do Fenômeno.

Viviane também foi capa da “Playboy” ao lado da colega e, depois do fim do grupo, protagonizou filmes eróticos.

O “SBT Repórter” também promete mostrar, com uma câmera escondida, como funciona uma casa do prazer.

dica do Thiago Ferreira de Morais

Fernando Meirelles diz estar ‘apreensivo’ sobre Copa e Jogos no Brasil

Publicado por BBC Brasil

Fernando Meirelles diz que planejamento não é o forte de brasileirosO cineasta Fernando Meirelles se disse “apreensivo” quanto à realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 no Brasil.

Em entrevista ao jornal britânico Metro, publicado nesta quinta-feira, o diretor de Cidade de Deus e 360 afirma que “só Deus sabe como (os eventos) vão acontecer”.

Meirelles dirigiu o vídeo promocional do Rio de Janeiro como cidade-sede dos Jogos de 2016, e está entre os nomes que a imprensa brasileira lista como potencial diretor das cerimônias de abertura ou encerramento do evento.

Ao ser questionado pela publicação – distribuída gratuitamente no metrô de Londres – sobre se estaria “empolgado” com a realização dos dois eventos, Meirelles disse:

“Tenho que dizer que estou um pouco apreensivo. Planejar e seguir o planejado não é uma das melhores características dos brasileiros”.

Na entrevista, em que respondeu sobre mudanças em seu jeito de filmar, críticas a seus filmes e a influência de sua formação em arquitetura em seus projetos para o cinema, Meirelles também falou sobre a floresta tropical que planta em sua fazenda.

“Plantar árvores é uma das coisas que mais gosto na vida. Cinco anos atrás, plantei 5 mil árvores em minha fazenda; até março deste ano espero ter plantado 15 mil de 108 espécies, o que é nada comparado à diversidade brasileira. Estou sempre comprando e trocando sementes. Tenho meu próprio ‘berçário’ onde planto e cultivo mudas durante a estação chuvosa”.

A entrevista de Meirelles faz parte da ação para divulgação do lançamento de 360 em DVD e Blu-ray.