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Santa Maria e o pecado da moralização

Gutierres Fernandes Siqueira, no blog Teologia Pentecostal

Eu particularmente não vi, mas muitos relataram que alguns evangélicos estavam postando nas redes sociais bobagens sobre a tragédia na boate Kiss de Santa Maria (RS). Uns diziam que se os jovens tivessem na igreja eles estariam vivos. Outros diziam que a tragédia é a manifestação da ira de Deus sobre a sociedade permissiva. É caso para chorar!

Deus sabe o quanto fiquei triste com essa tragédia. Cada rosto despertou em mim um sentimento de luto. Aquele jovem poderia ser um parente meu, quem sabe um irmão ou um primo. Ora, poderia ser um grande amigo ou um colega de faculdade. Números em tragédias são impessoais, mas rostos não! Dei graças a Deus que a minha congregação levantou um clamor pelo consolo das famílias. Infelizmente, em muitas tragédias a igreja esquece de orar, enquanto se apressa em explicar.

Mas por que esses evangélicos falaram besteiras? Em setembro de 2009, a jovem Gabriela Lacerda, 15 anos, morreu. Na balada? Não, ela morreu porque foi ao culto. Lacerda era uma das vítimas do desabamento do teto da Igreja Renascer em Cristo em São Paulo (SP). Em 1998, 25 pessoas morreram dentro de um templo da Igreja Universal em Osasco (SP). Se elas estivessem em suas casas não teriam morrido. Então, se você abriu a boca para falar “se eles tivessem na igreja estariam vivos” lembre, também, os templos sem manutenção provocam acidentes. A maioria de nós congregamos em templos sem nenhuma segurança. Sim, talvez você e eu corramos o mesmo perigo daqueles jovens. E há até igrejas que usam vereadores “evangélicos” para darem um “jeitinho” na prefeitura. Já pensou nisso?

O pecado da moralização

Todas as vezes que uso a expressão “eu avisei” ou “bem feito”, logo me sinto em pecado.  Desde cedo Deus me incomoda quando abro a boca para usar essas palavras. Jogar na cara de alguém o erro com certo prazer de “arauto eficaz” é iniquidade. Sim, é transgressão quando você diz “eu avisei” para jogar ao desobediente o seu prazer mórbido no desastre dele. Isso se chama vaidade. É orgulho, o orgulho dos fariseus. É o pecado da moralização.

Vamos falar do pecado alheio? Sim, é claro, mas com dor no coração. Quando Jesus profere um longo discurso sobre os pecados dos fariseus Ele encerra dizendo: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” [Mateus 23.37]. Observe bem quanta lamentação, quanta dor no coração de Jesus com a incredulidade de Jerusalém. Se eu falo de pecado sem dor, eu peco. Motivo? Ora, estamos falando de seres humanos dos quais Cristo deu a Sua própria vida.

Portanto, nada dessas lições de moralismo de beato. Sejamos prudentes. Paulo disse a Tito: “Exorta semelhantemente os jovens a que sejam moderados”. [Tt 2.6 ARF], mas alguns versículos antes ele também exortou: “Ensine os homens mais velhos a serem sóbrios, dignos de respeito, sensatos, e sadios na fé, no amor e na perseverança” [Tt 2.2]. Será sobriedade, sensatez, fé sadia falar “bem feito” para jovens mortos em uma tragédia? Será amor e respeito mostrar o seu poder moralizador no calor da tragédia?

Tragédia não é para moralizar, é para chorar. Ah, mas foi juízo divino, diriam alguns. Bom, você sabe? Você conhece todos os caminhos de Deus? O pastor que morre de bala perdida dentro de um templo foi fulminado pelo juízo? Ou você pensa que quando pecas continuamente e nada acontece se isso não é uma forma terrível de juízo divino? Quando um grande terremoto destruiu a católica Lisboa de 1755, matando milhares, alguns religiosos descobriram os culpados que atraíram a ira divina: os protestantes!

Mães choram em Santa Maria! (imagem: Veja.com)

Sinceramente, é triste ter que escrever um texto como esse diante de tanta bobagem dita por evangélicos na instrumentalização de uma tragédia. Encerro com as sábias palavras de Jesus:

“Naquela ocasião, alguns dos que estavam presentes contaram a Jesus que Pilatos misturara o sangue de alguns galileus com os sacrifícios deles.Jesus respondeu: “Vocês pensam que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros, por terem sofrido dessa maneira? Eu lhes digo que não! Mas se não se arrependerem, todos vocês também perecerão. Ou vocês pensam que aqueles dezoito que morreram, quando caiu sobre eles a torre de Siloé, eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu lhes digo que não! Mas se não se arrependerem, todos vocês também perecerão”. [Lucas 13.1-5 NVI]

Show de insensibilidade (2)

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Sérgio Pavarinix

Recorrendo à sigla criada por Stanislaw Ponte Preta, continua o Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País) depois da tragédia no município gaúcho de Santa Maria.

Como ignorância escolhe seus amantes independentemente da religião (ao contrário do que muita gente preconceituosa pensa), ateus e evangélicos babacas beligerantes aproveitam o momento triste para se digladiar. Os que não creem provocam com ataques do tipo “onde estava o Deus de vocês ao permitir essa tragédia?”, questionamento debatido há zilhares de anos com + seriedade e profundidade. Sugiro pesquisar o termo “teodicéia” no pai Google pra começo de papo.

Do outro lado, cristãos ignoram tantas reflexões pertinentes sobre a dor (C.S. Lewis, por exemplo) e registram explicações rasas e equivocadas nas redes sociais. O que falar ao ler uma estupidez como “o diabo juntou tudo e fez a colheita”? Cada bola fora é imediatamente espalhada na tentativa de provar que todos os crentes são evanjegues parvos. Ao contrário do exame de sangue, nesse caso não é possível fechar diagnósticos com base em uma gota.

As sandices perpetradas por cristãos na área de comentários de sites e blogs e nas redes sociais agora têm espaço cativo no Deus perdoa, mas…, tumblr criado recentemente para listar “pérolas gospel”. Como também acontece com as jóias, certamente há muitas pérolas falsas circulando por aí.

A falta de noção sensibilidade de alguns repórteres também foi lembrada numa charge de Latuff.

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Tragédias são solo fértil para disseminar “teorias conspiratórias” e a criatividade dos chamados illuminatis sempre fornece adubo nesses momentos. Um blog insinua que o acontecimento foi um “sacrifício” e lista supostas coincidências. Pra ficar em apenas 1 exemplo, o arrazoado de sandices afirma que a última música tocada antes do incêndio foi “Die young”.

Imaginar que a banda Gurizada Fandangueira fez 1 cover “gaúcho” da música gravada por Ke$ha (entre outros) é ridículo irresponsável demais.Basta uma espiada no YouTube para conhecer o repertório dos caras.

Se o sofrimento é o “megafone de Deus” como afirmou Lewis, é hora de o rebanho brasileiro se submeter a uma audiometria para discernir qual é o seu papel na vida da nação.

dicas do Felipe Costa, João Marcos, Sidnei Carvalho de Souza e Vinícius Sena

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Cartaz da Banda "Gurizada Fandangueira" que estava tocando na noite da tragédia em Santa Maria, e o cidadão que soltou o sinalizador é esse que aparece ao lado do cartaz, se você tiver um pouquinho de sensibilidade espiritual, olhe ao redor da caveira tocando, cheio de pessoas em meio ao fogo, isso já estava mais que avisado que alguma coisa iria acontecer. Meu Deus... (post no perfil de um pastor)

Cartaz da Banda “Gurizada Fandangueira” que estava tocando na noite da tragédia em Santa Maria, e o cidadão que soltou o sinalizador é esse que aparece ao lado do cartaz, se você tiver um pouquinho de sensibilidade espiritual, olhe ao redor da caveira tocando, cheio de pessoas em meio ao fogo, isso já estava mais que avisado que alguma coisa iria acontecer. Meu Deus… (post no perfil de um pastor)

Show de insensibilidade: Manifestação de alguns internautas cristãos sobre a tragédia de Santa Maria provoca repulsa

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A tragédia no município gaúcho de Santa Maria parou o país e comoveu o mundo. Uma onda de comoção inundou as redes sociais com mensagens de solidariedade. No entanto, algumas vozes cristãs se levantaram e as opiniões emitidas provocaram a revolta de muitos internautas.

Abaixo, outras manifestações de jovens cristãos que estão sendo amplamente divulgadas nas redes. Optei por omitir os nomes. #muitotriste

  • Sinceramente sobre a tragédia em Santa Maria soh tenho mt pena  dos familiares q agora ficam  cm a dor da perda e a saudade em seus coraçoes. E se aquelas pessoas q estavam na boate optassem por outro caminho (“JESUS”) a quantidade de mortos poderia não ser tão significativa.
  • o que seria de mim hoje se estivesse no mundo de pecado cheio de fantasias ilusoes,mais gracas a Deus to aqui pra falar pra todos que seu tivesse neste mundo eu seria um dos que moreram em santa maria… Sabe se Deus onde taria eu,morta? Viva? Com Deus viva!mais se estivesse com o mundo morta..
  • Lamentável, triste e trágico, (tragedia em santa maria) mas a realidade é que lugares onde é palco de pecados de imoralidade, bebedice dentre tantos outros, são lugares sem a proteção de Deus, pois ELE não pode habitar onde o pecado é presente e cortejado… Lembre-se sempre disso.
  • Que essa tragédia em santa maria no Rio Grande do Sul sirva de exemplo para as familias, a Biblia diz que o salario do pecado é a morte mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, o diabo roubou os sonhos de centenas de jovens, desperta jesus é o caminho.
  • Já fui do mundo vivendo nas baladas do mundo e graças a Deus renuncie tudo por amor a cristo e vou lutar pregando contra as baladas pois quando vamos em uma balada nosso anjo da guarda fica na porta e um demônio nós acompanha para dentro e se torna uma comunhão de demônios diz são joão maria vianey e olha oque Deu isso no rio grande do sul ” acorda juventude

dica da Fabiana Zardo e do Alexandre Melo Franco Bahia

A dádiva da dor

Edvard Munch: O Grito (The Scream)

Edvard Munch: O Grito (The Scream)

Publicado por Silas Lima

A dor física é a sensação de incômodo causado pelo estímulo às terminações nervosas sensitivas. Ao aproximar a mão do fogo sentimos a dor causada pela queima da pele. As terminações nervosas sensitivas cutâneas avisam, quase que instantaneamente, ao sistema nervoso central que é preciso afastar a mão para não haver perdas de tecido. É a dor que inicia o processo de autoproteção.

Uma pessoa, que perdeu a sensibilidade nervosa, pode perder parte do corpo por não sentir dor. Um hanseniano, com a doença em estado avançado, perde quase que completamente a sensibilidade à dor. Aos poucos suas mãos e pés vão deteriorando em consequência de acidentes que poderiam ser evitados se sentissem dor. Muitas perdas acontecem por insensibilidade, se ouvíssemos a dor ao invés de tentar dirimi-la, não teríamos perdido tanto.

A dor é a dádiva de Deus que impede o esfacelamento do corpo. A dor indica que o corpo, ou parte dele, está correndo risco, deve ser protegido. Quando se sente uma dor causada por um sapato apertado, não parece razoável aplicar uma anestesia no pé, mas trocar o sapato. Como incomoda um sapato apertado, por isso prefiro os tênis, são mais confortáveis, dão mais liberdade aos pés. Sapatos apertam os pés e condiciona a alma.

A dor, em situações de risco, pode ser a salvação. Uma dor de cabeça pode indicar vários tipos de doenças físicas ou psicológicas. Tomar analgésico por um período prolongado pode ser perigoso, melhor mesmo consultar um médico, como isso é penoso para os homens. Diferentemente das mulheres, os homens se preocupam muito pouco com a saúde, preferem os analgésicos.

Assim como tomar analgésico por período prolongado coloca em risco a integridade física, disfarçar as dores da alma coloca em risco a integridade emocional. O aforismo popular, “o tempo cura”, é falso. O tempo não cura, anestesia, joga maquiagem em cima da ferida. Perdas de pessoas amadas, traições de amigos, decepções amorosas, quando não remediadas, continuam, não importando quão distantes estejam. Alguns desconfortos o tempo encobre muito bem, outros mais profundos exalam a ausência de assepsia.

Esquecer a pessoa amada que se foi é homicídio, a dor a transporta para as lembranças, onde deve viver até o momento do reencontro, os monumentos na memória são garantias disso. Uma decepção esquecida perde o que tem de bom nas decepções: o aprendizado, a superação, o orgulho quebrado… Decepções amorosas, quase sempre, acontecem por causa do esquecimento de quanto eram felizes – o casal, esquecido dos momentos bons, abrem os olhos para os defeitos do outro.

Para os ressentimentos que ainda causam dor existe o perdão. Perdão é mais que esquecimento, é superação, reordenação da memória. O passado não pode ser removido, mas pode ser resolvido através do perdão. O perdão acontece quando as lembranças são tranquilas. Quando um objeto, uma situação ou uma pessoa que nos remetiam ao passado deixam de fazê-lo, então percebemos que perdoamos. O ressentimento esquecido é uma quimera sedada, quando acordar reclamará os dias de letargia.

Lembrar é viver, não reviver o passado, mas viver a plenitude da vida. Assim como a esperança, a lembrança define quem somos. O presente não existe, o tempo é contínuo e por mais que se tente, não dá para detê-lo. Tudo que fazemos ou faremos está no passado ou no futuro. Esquecer o passado implica a amputação do futuro.

As lembranças são mapas, quem as perde, perde-se, quem as mantem, caminha. O escritor bíblico Jeremias lamentando sua história disse: “lembro-me bem disso tudo, e a minha alma desfalece dentro de mim. Todavia lembro-me também do que pode me dar esperança” (Lamentações 3.20,21). A garantia do futuro em que valha apena estar nele não pode ser outra se não o passado – as lembranças sedimentam a esperança. Sonhos sem edificações são devaneios.

Se as lembranças causam dor precisão ser diagnosticadas e expurgadas. Tentar eliminar a dor por amnésia é como apagar a luz no painel do carro que indica o fim do combustível. Muitos estão parados na estrada pela deficiência da luz do combustível. A dor é apenas o indício do que está por baixo do véu do esquecimento. Anestesiar a dor ao manter o véu, não é inteligência, é ignorância, não é clemência com o passado e sim alheamento dele.

Acostumar-se à dor, aceitando-a como natural, também não é inteligente, o condicionamento à dor crônica causa tantos males quanto sua extirpação imponderada. Quando prolongada, a dor se transforma em sofrimento, o sofrimento adoece a alma. Paulo argumenta que “somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos” (2 Coríntios 4.9). Aceitar a dor como natural equivale destruir a utopia de felicidade. Contraditoriamente, a dor nos tira a possibilidade de ser feliz, enquanto nos oferece o deslumbre da felicidade transcendente aos conceitos e às formas.

Basta-me aspirar por mundos inexistentes, acalentar desejos calmos, reconstruir ruínas, refletir diante do espelho, agonizar pela sensibilidade solidária. Que nome alguém dará a isso, não sei. Minhas lágrimas e meus sorrisos talvez denunciem que, paradoxalmente, sou feliz. (GONDIM, R. Em: www.ricardogondim.com.br/meditacoes/estou-bem).

Feliz é quem desiste de ser feliz e aceita as contingências da vida, não como natural, mas como evidência de que ela é muito grande para ser controlada. Ser resiliente em situações de desconforto pode ser a parede que separa a dor do sofrimento. Existe o para-além-da-vida, quem impõe a si a felicidade no agora vive frustrado e de mal com o passado. Reconstituindo a história de nossas vidas, verificamos que as situações de decepção de incertezas e de dor permearam todos os instantes, até os que arrogamos de felizes. O choro pode ser tudo que a alma precisa.

Quem chora
lava o presente com lágrimas
para que, no futuro,
quando o agora se tornar passado,
as lembranças estejam limpas.

Quem chora
constrói uma memória sem ressentimento,
da qual não precisa fugir.

Quem chora
não se torna vítima de si mesmo.

(LIMA, Sostenes. Em: www.sosteneslima.com/2013/01/por-que-chorar.html)

A tirania da felicidade perene, do sorriso irrestrito, causa mais dor do que as lágrimas. Em algumas situações as lágrimas podem demonstrar incredulidade, mas quase sempre é o solvente asséptico que amolece e depura as sujeiras da alma, impedido que a dor se solidifique em sofrimento.

dica do Sostenes Lima

Silas Malafaia: “Já recebi R$ 2 milhões de um fiel”

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EM FAMÍLIA
Malafaia casou virgem aos 21 anos e, em 2011, fez um
preenchimento capilar no lado esquerdo para corrigir uma falha

Apontado como o terceiro pastor mais rico do Brasil, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo anda de jato executivo, afirma faturar R$ 45 milhões por ano com a sua editora e diz que evangélico não é babaca

Rodrigo Cardoso, na IstoÉ

De Angra dos Reis, local escolhido para curtir 15 dias de férias em meio a passeios de lancha e banho de mar próximo às ilhas da região, o carioca Silas Malafaia, 54 anos, pregou a orelha no celular e, por quase duas horas, abriu o verbo. O líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo estava bravo depois de ser apontado pela revista americana “Forbes” como o terceiro pastor evangélico mais rico do País, com um patrimônio avaliado em aproximadamente R$ 300 milhões. Ele pretende acionar judicialmente a publicação e provar que a sua renda pessoal não chega a 2,5% do valor publicado. Um dos mais antigos tele-evangelistas do País, Malafaia é um ex-conferencista que se tornou pastor há apenas dois anos e meio e já administra 120 templos pelo Brasil. Nascido em Jacarepaguá, zona oeste do Rio, casado há 32 anos e pai de três filhos, o sacerdote conta que a maior oferta que um fiel deu em sua igreja foi de R$ 2 milhões e a sua editora fatura R$ 45 milhões por ano. É dele, ainda, a voz mais estridente contra o projeto de lei que criminaliza a homofobia.

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“Tenho um avião da Associação Vitória em Cristo que coloquei à venda.
Paguei R$ 6,6 milhões, mas é dispendioso. Vale R$ 2,6 milhões”

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“O Jean Wyllys só tem essa voz toda porque é gay.
Se não fosse, seria um zero à esquerda.Ele teve 16 mil votos”

Fotos: Tomás Rangel/Folhapress; MARCOS DE PAULA/AG. ESTADO/AE

ISTOÉ – De onde vem o patrimônio?

 SILAS MALAFAIA -

Da renda de venda de livros, de conferências, da minha editora (Editora Central Gospel), que fatura R$ 45 milhões por ano. Aí, a “Forbes” divulgar que o meu patrimônio pessoal é de R$ 300 milhões é uma sacanagem para dizer que pastor apanhou dinheiro dos otários. Que pastor é milionário porque tem um bando de babaca de quem ele toma dinheiro. Mas eu não vou tolerar isso.

ISTOÉ – O que vai fazer?

SILAS MALAFAIA -Vou ganhar dinheiro dos americanos (da “Forbes”) lá na América, vou processá-los lá. A “Forbes” cometeu um equívoco grosseiro ao dizer que os dados são do Ministério Público e da Polícia Federal. Os dois órgãos não têm autoridade legal para passar dados de ninguém. Tentaram somar a arrecadação da Associação Vitória em Cristo, que não é minha, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que não é minha, e da editora. Mas, se eu juntar os três, a arrecadação chega à metade do que disseram. Foi uma campanha sacana com subjetividade muito malandra. Ri quando vi a lista. Porque eu ter mais recursos que o R. R. Soares (da Igreja Internacional da Graça de Deus) é uma sacanagem com o R. R.

ISTOÉ – O sr. é acusado até por evangélicos de vender bênçãos.

SILAS MALAFAIA – Quem pensa assim é um estúpido! Acha que eu sou criança para vender bênçãos, rapaz! O que eu faço, e é bíblico, é liberar uma palavra profética.

ISTOÉ –  Arrecadar oferta por meio de máquina de cartão de débito e crédito não é comércio?

SILAS MALAFAIA – A minha igreja tem desembargador, procurador, caras com doutorado. Vai dizer que a igreja evangélica só tem babaca, analfabeto, operário? Hoje a igreja evangélica é o extrato da sociedade: tem pobre, classe média e rico. Eu ganhei no meu aniversário uma Mercedes-Benz blindada de R$ 450 mil de um fiel, empresário rico, e não de um imbecil. Um dia, entro na minha empresa e está lá o carro com um laço em cima. Esse cara é um babaca que precisou ir à igreja para ficar rico? O cara é dono de uma frota de mais de 200 caminhões! É tolice achar que na minha igreja, onde tem desembargador e procurador, o malandro aqui está tomando dinheiro dessa turma. Eu dei o carro que eu ganhei para a igreja. Foi uma oferta para ajudar na construção do templo do Rio de Janeiro, uma sede provisória na Penha para seis mil pessoas sentadas. E repeti três vezes que não pedia para fazerem o mesmo.

ISTOÉ –  Qual a porcentagem de arrecadação da igreja por meio de cartões?

SILAS MALAFAIA – 60% das ofertas na minha igreja vêm de cartões, algo entre R$ 25 milhões a R$ 30 milhões.

ISTOÉ –  E, no total, quanto a Vitória em Cristo arrecada de fiéis por ano?

SILAS MALAFAIA – No ano passado, uns R$ 50 milhões. O R. R. Soares e o Valdemiro (Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus) devem arrecadar R$ 600 milhões de oferta e dízimo. A Universal do Reino de Deus uns R$ 2 bilhões.

ISTOÉ –  Qual a maior oferta que já recebeu?

SILAS MALAFAIA – Duas vezes por ano fazemos campanhas especiais por objetivos específicos. E peço ofertas assim: “Quem sabe aqui vou ter um irmão que vai dar uma oferta acima de R$ 100 mil, R$ 10 mil, acima de R$ 1 mil, R$ 500, acima de R$ 100 e R$ 50. No resto do ano as ofertas são normais. A maior oferta que recebi de um fiel, um empresário, foi de R$ 2 milhões, em 2011.

ISTOÉ –  O sr. dirige o próprio carro, pega fila em banco, faz compra em supermercado?

SILAS MALAFAIA – Eu dirijo. Por muito tempo era eu quem fazia compra no mercado. Hoje, não mais. Não sei o que é pegar uma fila de banco há uns dez anos. E não me faz falta. Mas tenho pegado fila em aeroporto. Tenho um avião executivo da Associação (Vitória em Cristo) que coloquei à venda faz seis meses porque é dispendioso para o que eu faço. É um avião grande (um Gulfstream, modelo G-III, ano 1986), para 11 pessoas, dá para ficar de pé nele. Paguei R$ 6,6 milhões em 2010 e, hoje, ele vale R$ 2,6 milhões. Tomei prejuízo. Quero um jato com custos de manutenção e operacionais mais baixos, para seis, sete passageiros. Avião é uma ferramenta que utilizo até seis dias por semana.

ISTOÉ – Por que não tem templos fora do Brasil?

SILAS MALAFAIA – Com o mesmo montante de dinheiro com que inauguro dez igrejas o Valdemiro abre 70. É o estilo da igreja dele. Essas igrejas, do (Edir) Macedo (da Universal), Valdemiro e R.R. (Soares) são rotativas. Muita gente as procura para uma demanda, uma necessidade de momento. Na minha igreja, não. Aqui, o cara é fincado como um membro. O meu crescimento é mais consistente. Abri uma igreja em Curitiba para três mil pessoas sentadas. Aluguei a propriedade, mas gastamos lá R$ 7 milhões. Minhas igrejas são lindas, clean, nada luxuosas, mas hiperconfortáveis, com cadeiras, som, de primeira linha. Na igreja que estou fazendo na Penha, no Rio, vamos gastar R$ 12 milhões em obras. Esses caras abrem um salão e gastam com som, cadeira, uma pinturazinha, um conserto no banheiro, às vezes um ar-condicionado, uns 300 mil contos, irmão! Meu mundo é outro, mas chego lá.

ISTOÉ –  O sr. já presenciou um beijo de duas pessoas do mesmo sexo?

SILAS MALAFAIA – Sim, em shopping. Senti repulsa. Deus fez macho e fêmea. Não conheço ordem cromossômica, hormônios ou sexo de homossexual. É um comportamento que não aceito e é um direito meu. E não aceitar não significa que quero destruir aquela pessoa. Na igreja, homossexualismo é pecado, como adultério e prostituição. Uma pesquisa americana mostra que 46% dos gays foram abusados ou violentados quando eram crianças ou adolescentes. Então, como é que o cara nasce gay? Não estou aqui para proibir ninguém de ser gay. Não quero é que o meu direito de me manifestar sobre o homossexualismo seja impedido. E o ativismo gay não suporta o contraditório.

ISTOÉ –  Quem o orientou sobre sexo?

SILAS MALAFAIA – A minha mãe. Meu pai é oficial da reserva, ex-combatente da Marinha, um cara reservado, sério. E minha mãe, pedagoga, psicóloga. Mas na igreja se aprende desde cedo sobre esses assuntos. Coisas como “você é homem, tem de se relacionar com uma menina, mas tem a hora certa, sexo só depois de casar…” Isso tudo que a “Bíblia” apresenta como regra para o cristão é ensinado desde cedo. Comecei a namorar a minha atual esposa com 14 anos. Ela tem um ano a menos. Casei com 21. Ela é minha primeira e única namorada. Eu casei virgem e ela também. Somos casados há 32 anos. Hoje, porém, chega na igreja garoto e garota com 16 anos com mais hora de cama do que piloto de Jumbo de voo.

ISTOÉ – Por que a pressão dos evangélicos é tão grande para que o projeto de lei que trata da questão dos direitos dos homossexuais não passe no Senado?

SILAS MALAFAIA – Os ativistas gays querem uma lei para calar qualquer um que fale contra a prática homossexual. Há uma diferença entre condenar uma conduta e discriminar uma pessoa. Eles é que têm medo da crítica por não ter convicção do que são. Porque, quando você tem convicção do que é, você discute. No Brasil, você pode criticar padre, pastor, jornalista, mas se criticar gay é ho-mo-fó-bi-co! O sindicato gay, que mama na teta e sobrevive de grana de governo e de estatais, diz ser homofobia quando alguém fala contra eles. Os evangélicos estão decidindo eleição. O pau está cantando e não vai ter moleza. Nessa questão de direitos dos homossexuais em que estamos batendo desde 2006, deputado e senador que votar pela aprovação do projeto vai dançar!

ISTOÉ – Por que os sacerdotes católicos não criticam abertamente o projeto?

SILAS MALAFAIA – Existem pedófilos e homossexuais na igreja evangélica? Claro que sim. Mas só por isso não posso falar sobre pedofilia e homossexualidade? Acho de uma covardia e omissão uma instituição tão poderosa, com tanto acesso à mídia como a Igreja Católica, se calar tanto. Ou então a maioria dos padres é homossexual – e aí tem de ficar calada mesmo.

ISTOÉ –  O deputado federal e homossexual Jean Wyllys (PSOL-RJ) virou uma grande liderança.

SILAS MALAFAIA – Ele teve 16 mil votos e só foi eleito deputado porque estava pendurado no Chico Alencar, que teve 220 mil votos, irmão! Com todo respeito, ele só tem essa voz toda porque é gay. Se não fosse, seria um zero à esquerda. Acha outro no Congresso com 16 mil votos que tenha representatividade para falar! Pô, o meu irmão (Samuel Malafaia) foi eleito deputado estadual com 135 mil votos! Se (Wyllys) não fosse gay, não estaria com essa banca toda.

ISTOÉ –  Usa segurança particular?

SILAS MALAFAIA – Passei a andar com segurança faz um ano por causa de ameaças. Depois que comecei o enfrentamento ao ativismo gay, em 2008, passei a receber ameaças de morte. Eu não ligava, no começo. Uma vez, em um aeroporto, um sujeito quase me agrediu. E, continuadamente, por e-mail, Twitter, telefone, me ameaçavam. Nunca gostei de segurança, é horroroso. Mas precisei me precaver. Se vierem, vão encontrar quatro caras com muita disposição. Não vou tomar tapa de gay em aeroporto e nem em shopping, irmão, porque vai ficar ruim para mim!