Gêmeos vítimas da Kiss que fizeram aniversário na UTI celebrarão 19 anos em culto

Os gêmeos Emanuel e Guilherme com a equipe médica do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre. Hospital Universitário Mãe de Deus/Divulgação
Os gêmeos Emanuel e Guilherme com a equipe médica do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre.                 Hospital Universitário Mãe de Deus/Divulgação

Publicado originalmente no Estadão [via UOL]

Os gêmeos Emanuel e Guilherme Pastl vão comemorar seus 19 anos no dia 10 de março, durante um culto ecumênico, em Canoas, Região Metropolitana de Porto Alegre.

Quando fizeram aniversário, no dia 29 de janeiro, eles estavam na UTI. A festa é organizada por Anaclaci Pastl, mãe dos garotos que se salvaram na Kiss.

Amigos, familiares e pessoas solidárias foram convidados para o culto. “Somos evangélicos, mas temos certeza de que recebemos ajuda espiritual de todas as religiões”, diz Anaclaci, que atribui a Deus o fato de os filhos estarem vivos.

“Eles foram escolhidos para sair de lá”, afirma.

Emanuel, que estuda em Porto Alegre, foi para Santa Maria encontrar Guilherme, aluno de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria, para comemorar o aniversário na Kiss antecipadamente.

As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

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As capitais mais (e menos) evangélicas do Brasil

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Marcos Prates, na Exame

Não é novidade para ninguém que nenhuma religião se expande a ritmo tão acelerado quanto a evangélica no Brasil, apesar do país ainda ser a maior nação católica do mundo em termos absolutos (123 milhões – 64,6% da população).

Hoje, 42,3 milhões de pessoas – 22,2% da população brasileira, segundo o Censo 2010, do IBGE – são evangélicas. Dez anos antes, 15,4% dos cidadãos se declaravam da religião.

Mas se nacionalmente 2 em cada 10 brasileiros são evangélicos, em algumas capitais, o números aumenta para 4. Em outras, é apenas um.

São Paulo tem mais evangélicos que qualquer outra cidade do Brasil, 2,3 milhões, mas em termos percentuais fica longe de Rio Branco (AC), onde a presença de católicos e evangélicos é quase igual.

O segmento mais numeroso da religião evangélica são os pentecostais, sob a liderença da Assembleia de Deus, com 12 milhões de fieis. Entre as de Missão, a Batista lidera, com 3,7 milhões de pessoas.

dica do Raphael S. Lapa

Confira as 5 capitais com maior percentual de evangélicos e as 3 com menor presença. A lista completa pode ser acessada aqui.

Agência de Notícias do Acre
Agência de Notícias do Acre

1ª Rio Branco (AC) – 39,54%

Evangélicos: 39,54% (120,8 mil pessoas)
Católicos: 40,44%
Espíritas: 1,02%
Umbanda e Candomblé: 0,05%
Outras: 3,25%
Sem religião: 15,51% 

Elide Pinheiro/Flickr/Creative Commons
Elide Pinheiro/Flickr/Creative Commons

2ª Manaus (AM) – 35,19%

Evangélicos: 35,19% (577,2 mil pessoas)
Católicos: 54,1%
Espíritas: 0,76%
Umbanda e Candomblé: 0,09%
Outras: 3,02%
Sem religião: 6,74%

Divulgação
Divulgação

3ª Palmas (TO) – 32,77%

Evangélicos: 32,7% (68.189 mil pessoas)
Católicos: 54,56%
Espíritas: 1,84%
Umbanda e Candomblé: 0,02%
Outras: 3,18%
Sem religião: 7,79%

Luiz Alexandre/Flickr/Creative Commons
Luiz Alexandre/Flickr/Creative Commons

4ª Porto Velho (RO) – 32,16%

Evangélicos: 32,16% (126,4 mil pessoas)
Católicos: 48,75%
Espíritas: 1,16%
Umbanda e Candomblé: 0,11%
Outras: 3,26%
Sem religião:13,75 %

Andre Oliveira/Flickr/Creative Commons
Andre Oliveira/Flickr/Creative Commons

5ª Boa Vista (RR) – 32,09%

Evangélicos: 32,09% (82.624 mil pessoas)
Católicos: 46,96%
Espíritas: 3,62%
Umbanda e Candomblé: 0,15%
Outras: 4,27%
Sem religião: 14,89%

Wikimedia Commons
Wikimedia Commons

25ª Teresina (PI) – 13,25%

Evangélicos: 13,25% (100 mil pessoas)
Católicos: 79,13%
Espíritas: 0,88%
Umbanda e Candomblé: 0,15%
Outras: 2,06%
Sem religião: 4,4%

Wikimedia Commons
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26ª Florianópolis (SC) – 12,81%

Evangélicos:12,81% (50,9 mil pessoas)
Católicos: 63,68%
Espíritas: 7,48% (maior do Brasil)
Umbanda e Candomblé: 0,66%
Outras: 3,39%
Sem religião: 11,76%

Wikimedia Commons
Wikimedia Commons

27ª Porto Alegre (RS) – 11,65%

Evangélicos: 11,65% (155 mil pessoas)
Católicos: 63,85%
Espíritas: 7,03%
Umbanda e Candomblé: 3,35% (maior do Brasil)
Outras: 3,64%
Sem religião: 10,38%

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Depois de virar pastora evangélica, ex-BBB Bruna troca vida na cidade pela roça

Ex-BBB Bruna ‘prega’ em Igreja Foto: Reprodução
Ex-BBB Bruna ‘prega’ em Igreja Foto: Reprodução

Michael Sá, no Extra

Ela ficou conhecida nacionalmente ao participar do “BBB 7”. No reality, emendou um namoro com o vilão da edição, Alberto Cowboy, com quem permaneceu após o fim da atração. Ganhou fama e dinheiro ao fazer ensaios sensuais e trabalhar como modelo de uma famosa agência do país. Mas toda essa trajetória virou frustração e arrependimento, e só servem hoje como testemunho de vida nas pregações que Bruna Tavares realiza pelo país ao lado da amiga Rhanúsia Borges.

Recém-convertidas à religião evangélica e frequentadoras da Igreja Batista Kerigma, elas fundaram em 2008 um Ministério religioso que leva seus nomes. “Eu já frequentava igreja antes de entrar no programa, mas depois que saí foi que percebi que nada daquilo preenchia o vazio que eu tinha dentro de mim. Foi aí que eu resolvi aceitar o chamado de Deus”, conta Bruna, arrastando um carregado sotaque mineiro.

Bruna dirige carroça na fazenda onde mora, em MG Foto: Arquivo pessoal
Bruna dirige carroça na fazenda onde mora, em MG Foto: Arquivo pessoal

Sempre atenta ao chamado de Deus, Bruna trocou a vida de glamour na cidade grande pela simplicidade da roça. Desde agosto, ela e a contadora Rhanúsia, de 36 anos, moram em uma fazenda em Astolfo Dutra, no interior de Minas Gerais, onde aprendem a conviver com os afazeres do campo. “Estou apaixonada por esse lugar. Daqui eu não saio mais. Somos em cinco, eu, a Rhanúsia, a mãe dela, Cidinha, que agora é minha mãe também, e mais dois funcionários. Aprendi a ordenhar vaca, cuidar do gado, porcos, plantar milho”, diz, empolgada.

Ex-BBB Bruna e Rhanúsia "pregam" em igreja Foto: Reprodução
Ex-BBB Bruna e Rhanúsia “pregam” em igreja Foto: Reprodução

Bruna e Rhanúsia se conheceram em São Paulo, pouco depois da saída da catarinense do programa. Na época, Bruna enfrentava críticas sobre a sua forma física e tinha acabado de pôr fim ao namoro com Cowboy. Foi então que ela aceitou o convite da amiga para passar uns dias num SPA. Desde então, a ex-BBB foi adotada pela família de Rhanúsia. “Deus selou essa amizade e nos chamou para desempenhar o nosso ministério. Furamente, vamos fundar nossa igreja”, planeja a amiga.

Ex-BBB Bruna sem maquiagem Foto: Reprodução
Ex-BBB Bruna sem maquiagem Foto: Reprodução

Vivendo em função da religião, elas deixaram para trás tudo o que conseguiram e se mudaram em 2009 para Campos, no Estado do Rio de Janeiro. Lá, se formaram como bacharéis em Teologia, e passaram a pregar a palavra. “Gastei todo o dinheiro que eu ganhei após o ‘BBB’ e fiquei sem nada”, conta Bruna, que hoje vive das doações de fiéis e da venda de dois livros que lançou com a amiga inseparável. A fazenda onde moram foi comprada por Cidinha. ‘”Minha mãe biológica mora em Santa Catarina e respeita a minha decisão de servir ao Senhor”, explica Bruna.

Descalça, ex-BBB Bruna "prega" em igreja Foto: Reprodução
Descalça, ex-BBB Bruna “prega” em igreja Foto: Reprodução

Com as mãos calejadas do trabalho árduo na roça, Bruna diz que não vê necessidade de esconder os defeitos que Deus lhe deu, por isso usa menos maquiagem. As roupas foram outra grande mudança na vida da missionária. “Eu era muito mais bonita antes. Mas hoje eu sou linda por fora e por dentro. Deus conservou algo de diferente em mim”.

Ex-BBB Bruna "prega" em igreja Foto: Reprodução
Ex-BBB Bruna “prega” em igreja Foto: Reprodução

Solteira desde que terminou o namoro com Alberto Cowboy, ela aguarda a providência divina para se casar. “Sinto um carinho muito grande pelo Alberto, e sei que ele também sente por mim, mas acabamos perdendo o contato. A próxima vez que eu namorar, vai ser para casar”, afirma ela, hoje com 28 anos.

Enquanto isso não acontece, Bruna se dedica ao planos que Deus colocou em sua vida. Sempre olhando para frente. “Já passei da fase de me arrepender de ter participado do ‘BBB’. O arrependimento é você se converter, como eu fiz. Hoje, só me arrependo de não ter conhecido Deus bem antes na minha vida”.

Ex-BBB Bruna "prega" em igreja Foto: Reprodução
Ex-BBB Bruna “prega” em igreja Foto: Reprodução
Ex-BBB Bruna e Rhanúsia "pregam" em igreja Foto: Reprodução
Ex-BBB Bruna e Rhanúsia “pregam” em igreja Foto: Reprodução
Bruna durante o 'BBB7' Foto: Arquivo
Bruna durante o ‘BBB7′ Foto: Arquivo

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“Tudo o que alcancei na vida”: Lista encontrada na Bíblia da filha ajuda pai a superar dor da tragédia em Santa Maria

Homenagens continuam presas à fachada da boate Kiss, em Santa Maria (RS), quase um mês após o incêndio que deixou 239 mortos no local no dia 27 de janeiro. Um ato em homagem às vítimas está marcado para as 8h desta quarta-feira (27), quando a tragédia completa um mês.
Homenagens continuam presas à fachada da boate Kiss, em Santa Maria (RS), quase um mês após o incêndio que deixou 239 mortos no local no dia 27 de janeiro. Um ato em homagem às vítimas está marcado para as 8h desta quarta-feira (27), quando a tragédia completa um mês.

título original: Um mês após tragédia de Santa Maria (RS), pais de vítimas buscam força ajudando uns aos outros

Thiago Varella, no UOL

“Se me perguntassem há alguns meses como eu reagiria se perdesse um filho, eu diria que iria enlouquecer”, disse Ogier de Vargas Rosado, 51. Há um mês, seu filho, Vinícius Montardo Rosado, 26, morreu na tragédia da boate Kiss, em Santa Maria (RS). Outras 238 pessoas também perderam a vida no incêndio.

Ogier não enlouqueceu. Pelo contrário, o drama pessoal o deixou ainda mais lúcido. Tampouco parecia estar desesperado. O pai precisou aprender a juntar forças para conseguir passar pelo momento mais triste de sua vida.

Já no velório, Ogier começou a se dar conta que seu filho havia morrido tentando ajudar amigos a sair da boate. Saber que o jovem pensou no bem de outras pessoas durante um incêndio tão devastador ajudou o pai a aceitar a morte de Vinícius.

“Se ele tivesse sobrevivido, o corpo dele estaria conosco, mas acho que a alma ficaria na boate”, afirmou Ogier.

Conversar com outros pais de vítimas também auxiliou Ogier. Diante de famílias que perderam dois ou três filhos, ele se deu conta de que sua tragédia, por mais gigantesca que fosse, poderia ter sido ainda pior. Sua filha, Jéssica, 24, também estava na Kiss durante o incêndio, mas conseguiu se salvar.

Compartilhar a dor e, até mesmo, auxiliar quem está tendo dificuldade em lidar com a perda de um filho levou Ogier a colaborar com a recém-criada Associação dos Pais e Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia em Santa Maria. Eleito diretor de Comunicação, ele trabalha para evitar que a história se repita.

“Estamos curando nossa dor, ajudando os outros. Os estudantes vão continuar querendo se divertir em Santa Maria. Preciso lutar para que essa diversão ocorra com total segurança”, disse.

História muito parecida tem o presidente da entidade, Adherbal Alves Jennefer Mendes FerreiraFerreira, 48, que perdeu a filha, Jennefer Mendes Ferreira (foto), 22, no incêndio.

Adherbal ficou arrasado. Sua vida parecia acabada em casa, já que a falta que sentia da sua filha era gigante e também no trabalho, já que a jovem era a gerente da loja da família.

No entanto, no sétimo dia após a tragédia, Adherbal decidiu reagir. No meio de uma missa em homenagem às vítimas, pediu o microfone para o padre e, em suas próprias palavras, “abraçou os outros pais usando o som”. Também sugeriu a criação de uma associação. No último sábado (23), foi eleito presidente da organização .

“Nunca fui membro de nada. Jamais achei que teria um cargo assim”, disse. Adherbal só aceitou assumir a associação porque viu, nas reuniões, que os outros pais estavam se sentindo bem naquele ambiente.

Ele decidiu, então, assumir essa missão como a coisa mais importante a se fazer de agora em diante. Além de ajudar os outros pais e buscar justiça –o que para ele é totalmente diferente de vingança–, quer, de alguma maneira, humanizar mais as pessoas.

Essa é a sua maneira de buscar forças para superar a dor.  Claro que momentos de choro e sofrimento, após apenas um mês, ainda surgem. Todos os dias, antes de dormir, Adherbal espera que consiga sonhar com a filha.

“Quero sonhar com ela todos os dias”, disse. “Para aliviar a saudade, passo um tempão no quarto dela. Virou meu santuário. Vou ali e rezo bastante.”

Há poucos dias, encontrou dentro de uma Bíblia uma lista, escrita por Jennefer, com tudo aquilo que já havia alcançado na vida.

Para cada item, a jovem fez um agradecimento a Deus. Ao ver aquilo, Adherbal sentiu que sua filha estava preparada para morrer em paz. “Aquilo me deu certo alívio. Acho que ela está bem”, desabafou.

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