Arquivo da tag: Dia 24

“Abraço final”: Conheça a história por trás da foto mais perturbadora da tragédia em Bangladesh

Para Taslima Akhter, a foto mostra que os quase mil mortos na tragédia não são apenas números, mas vidas tão valiosas como a de qualquer ser humano

"Abraço Final", fotografia da bengalesa Taslima Akhter após o colapso de um prédio comercial em Daca (Foto: Taslima Akhter / Divulgação)

“Abraço Final”, fotografia da bengalesa Taslima Akhter após o colapso de um prédio comercial em Daca (Foto: Taslima Akhter / Divulgação)

Publicado originalmente no Terra

A fotógrafa e ativista bengalesa Taslima Akhter percorria os escombros do prédio em situação irregular que desabou em Savar, nos subúrbios de Daca, capital de Bangladesh, no dia 24 de abril, quando se deparou com o casal da foto acima. Desde então, essa foto a assombra. Não exatamente pelo que a imagem mostra à primeira vista, mas pelo que só é possível sentir quando se sabe o contexto que envolve a tragédia ocorrida em uma fábrica de roupas e cujo número de mortos já se aproxima de mil.

Em um texto publicado dia 8 no site da revista americana Time, Akhter afirmou que o que a aterroriza nessa imagem é, na verdade, sua capacidade de dizer o que muitas vezes é ignorado em acontecimentos dessa natureza em Bangladesh: o fato de que os operários que trabalham sob as péssimas condições oferecidas pela indústria têxtil do país não são apenas números. São seres humanos cujas vidas valem tanto quanto as de qualquer outra pessoa.

Não por acaso a Time classificou a foto tirada por Akhter como a “mais perturbadora” da tragédia em Bangladesh, a mais representativa de uma cobertura fotográfica marcada por imagens fortes, como é possível observar na galeria dispónível ao final desse texto.

O Terra entrou em contato com Akhter, que cedeu a imagem do “Abraço Final”. Abaixo, a tradução do texto publicado na Time.

Eu venho fazendo muitas peguntas a respeito do casal que morreu abraçado após o colapso. Eu tentei desesperadamente, mas ainda não achei nenhuma pista a respeito deles. Eu não sei quem são ou qual a relação eles tinham. 

Eu passei o dia inteiro do desabamento no local, assistindo aos trabalhadores serem retirados das ruínas. Eu lembro do olhar aterrorizado dos familiares – eu estava exausta mental e fisicamente. Por volta das 2h, encontrei um casal abraçado nos escombros. A parte inferior dos seus corpos estava enterrada sob o concreto. O sangue que saía dos olhos do homem corria como se fosse uma lágrima. Quando os vi, não pude acreditar. Era como se eu os conhecesse – eles pareciam ser muito próximos a mim. Eu vi quem eles foram em seus últimos momentos, quando, juntos, tentaram salvar um ao outro – salvar suas vidas amadas.

Cada vez que eu olho para essa foto, me sinto desconfortável – ela me assombra. É como se eles estivessem me dizendo, nós não somos um número – não somos apenas trabalho barato e vidas baratas. Nós somos humanos como você. Nossa vida é preciosa como a sua, e nossos sonhos são preciosos também. 

Eles são testemunhas nessa história cruel. O número de mortos agora passa de 750 (nesta quinta-feira, já chega a quase 1000). Que situação desagradável nós estamos, onde humanos são tratados apenas como números. 

Essa foto me assombra todo o tempo. Se as pessoas responsáveis não receberem a punição merecida, nós veremos esse tipo de tragédia de novo. Não haverá consolo para esses sentimentos horríveis. Cercada de corpos, eu senti uma imensa pressão e dor nas duas últimas semanas. Como testemunha dessa crueldade, tenho necessidade de compartilhar essa dor com todos. Por isso eu quero que essa foto seja vista.

Caetano Veloso: “As palavras de Ariovaldo Ramos são sobre o gosto da vida nestes tempos”

554920_10152712249940162_1724879106_nNo próximo dia 24 de abril (quarta-feira), vai rolar na Igreja Batista de Água Branca o lançamento de “Pare de conjugar o verbo sofrer”, o novo livro de Ariovaldo Ramos.

O texto preciso e instigante do colunista do Pavablog vem acompanhado de testemunhais dos teólogos Ed René Kivitz e Ricardo Bitun e dos compositores Chico Buarque e Caetano Veloso.

Prestigie o lançamento, compre o livro e desfrute de bons momentos de reflexão. #recomendo

599269_10152661332245162_1547734084_n

Estagiária de direito morre após suposto estupro em SP

Escritório onde jovem era estagiária.

Publicado originalmente na Folha de S.Paulo

A polícia de São Paulo investiga a morte de uma estudante de direito da PUC, de 21 anos, que caiu do sétimo andar do prédio onde morava, no Morumbi (zona oeste).

Uma das suspeitas é que a jovem, Viviane Alves Guimarães Wahbe, tenha se matado uma semana após ter sido drogada e estuprada numa festa de fim de ano com colegas de trabalho.

Ela estagiava no escritório de advocacia Machado Meyer, um dos maiores do país.

O escritório lamenta a morte. Em nota, disse que, em respeito à memória da jovem, não iria se manifestar.

A morte, no dia 3, foi confirmada pela Secretaria da Segurança na sexta-feira.

A polícia trata o caso como “morte suspeita”. A família de Viviane disse aos policiais que ela não tinha problema familiar, mas passou a ficar transtornada desde a festa, no dia 24 de novembro.

Viviane disse à família que, na festa, tomou duas taças de champanhe e, depois, não se lembrava de quase nada –só teve flashes nos quais dizia ter sido estuprada.

No quarto dela, a polícia informou ter achado um texto com trechos como “me drogaram” e “me estupraram”.

A polícia não deu detalhes da investigação –disse que espera por laudos para saber se a jovem foi drogada e/ou estuprada. A família de Viviane não comentou o caso.

OUTRO LADO

O escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados informou, por meio de uma nota, que “lamenta profundamente o ocorrido e já está contribuindo para o entendimento do caso”.

Acrescentou que, “em respeito à memória de Viviane, o escritório não se manifestará sobre o fato”.

quase 1 mês p/ o caso vir à tona? no caso, o silêncio da empresa significa acobertamento dos marginais que continuam trabalhando nesse antro de insensibilidade sem nenhum tipo de sindicância ou punição. neste site,  a informação que 1 colega de trabalho espalhou que teve relações com ela na noite fatídica. difícil apurar isso? 

uma demonstração interessante de desfaçatez leniência de quem, por princípio, deveria defender a justiça. #vergonha

guardem o nome dessa empresa. quem ñ é apto p/ investigar uma atrocidade dentro de casa jamais vai cuidar bem de 1 cliente. 

Mentir sobre o Papai Noel faz bem para as crianças?

Carol Castro, na Superinteressante

Você lembra quando deixou de acreditar nessa história do velhinho que sai por aí distribuindo presentes para as crianças do mundo todo? Foi traumático ou não fez a menor diferença? Se você, assim como eu, não se lembra desse momento, provavelmente, não foi tão ruim assim acreditar (e descobrir) nas mentiras que seus pais contavam sobre o Papai Noel. Diz a ciência, aliás, que acreditar em fantasias faz bem para as crianças.

Acreditar no Papai Noel faz com que elas imagem as histórias e como seria se tudo desse errado – já pensou como seria caótico se as renas adoecessem bem no dia 24 e não pudessem viajar pelo mundo? Aí as crianças pensam em soluções e se tornam mais criativas. É o que diz o psicólogo Alison Gopnik, autor do livro “The Philosophical Baby: What Children’s Minds Tell Us About Love, Truth and the Meaning of Life”. De acordo com a pesquisa dele, esse tipo de pensamento faz com que as crianças entendam como o mundo funciona e criem ideias novas.

Num outro estudo, psicólogos da Universidade de Oregon, fizeram testes com 152 crianças de 3 a 4 anos. Primeiros eles foram questionados sobre as fantasias que criavam e acreditavam. Em seguida, fizeram alguns testes para saber como entendiam o mundo real. E as crianças que brincavam e acreditavam mais em fantasias se saíam melhor na hora de entender a expectativa dos outros e distinguir a realidade da ilusão (sabem que um coelho não vai mudar de cor só porque alguém colocou um filtro de cor na frente dele). Elas também entendiam que as percepções dependem do contexto (conseguem entender que as pessoas podem ver uma figura de um jeito diferente se for mostrado apenas uma parte delas).

Espertinhas, não? A mesma universidade fez recentemente outro teste com crianças que tinham amigos imaginários. E, diz a pesquisa, elas conseguem entender melhor seus sentimentos e emoções.

Viu, faz bem. É tipo uma mentira boa.

(Via Slate)

dica da Ana Carolina Ebenau