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Mais de 1.400 presos não retornaram da saída de final de ano no Estado de São Paulo


Entrada do pavilhão educacional da Penitenciária 1 de Serra Azul, onde ficam a biblioteca e as salas em que são ministradas as aulas de ensino fundamental e médio aos presos  

Publicado originalmente no UOL

Balanço divulgado nesta sexta-feira (4) pela Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo (SAP) indica que 1.443 presos beneficiados pela saída temporária de final de ano não retornaram às prisões.

O número representa 6,52% do total de detentos beneficiados que deveriam ter retornado até ontem (3) –22.212. Outros 724 presos terão que retornar às cadeias até o final do dia de hoje. A secretaria deverá divulgar os números completos somente na segunda-feira.

De acordo com a SAP, o percentual de presos que não retornaram da saída temporária de final de ano, até agora, é o menor desde 2008, quando 7,41% de detentos não regressaram às prisões. Em 2009, o percentual foi de 8,17% e, em 2010, de 7,11%. No ano passado, 6,81% dos presos não voltaram da saída temporária, segundo a secretaria.

Como funciona a saída temporária

Tem direito às saídas temporárias os presos que apresentam bom comportamento na detenção, cumprem pena em regime semiaberto e que já tenham cumprido um sexto do tempo de condenação, no caso dos réus primários, ou um quarto se for reincidente.

A saída temporária é concedida pelo juiz corregedor, que consulta o diretor do presídio. O tempo de duração do benefício é estipulado por cada juiz corregedor. Caso não retorne no prazo estabelecido, o detento pode perder o direito ao benefício futuramente.

As saídas temporárias são concedidas, ordinariamente, no final de ano, entre o Natal e o Ano Novo, Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais e em Finados.

foto: Fernando Donasci/UOL

Dudu Braga: “Meu pai era carinhoso, mas me disse tantos ‘nãos’ quantos ‘sins’

* Luís Colombini é jornalista. Publicou 54 depoimentos no livro Aprendi com meu pai. Com o filho Tales escreveu o livro infantil Abacaecó – Ninguém me entende (Foto: Fotos: arq. pessoal e divulgação)

Luís Colombini é jornalista. Publicou 54 depoimentos no livro Aprendi com meu pai. Com o filho Tales escreveu o livro infantil Abacaecó – Ninguém me entende (Fotos: arq. pessoal e divulgação)

Luís Colombini, na Revista Época

Todo pai ensina e todo filho aprende. Embora raramente um pai consiga apontar qual foi o momento em que mais influenciou o filho. Muita gente acha que sermões, proibições e castigos são eficazes na formação de caráter ou personalidade, quando podem diminuir e magoar. O que fica de bom para sempre, aquilo que faz uma criança querer se mostrar valorosa aos olhos do pai e do mundo são exemplos, gestos, atitudes, atenções, frases na hora certa. Muitas vezes, são detalhes que provocam uma situação, como a bolinha de papel encontrada numa festa pelo hoje médico Ben-Hur Ferraz Neto ou um comentário despretensioso que o pai da atriz Carolina Ferraz fez no telhado, num começo de noite em Goiânia. Na edição de ÉPOCA que chega às bancas e ao seu tablet (baixe o aplicativo) neste fim de semana, leia algumas lições de vida que vieram de nenhuma fórmula pretensiosa, e sim da simplicidade, como este relato de Dudu Braga:

Roberto Carlos e Dudu Braga (Foto: Marcello Palhais e arq. pessoal)

Dudu Braga – no destaque, ele criança com o pai, Roberto Carlos (Fotos: Marcello Palhais/Ed. Globo e arq. pessoal)

Dudu Braga
Publicitário 44 anos
Filho do cantor Roberto Carlos

Nasci com uma doença congênita nos olhos: glaucoma. Com 15 dias de vida, meu pai voou comigo para Amsterdã, na Holanda, para eu ser tratado. Era o único lugar que fazia o tipo de cirurgia de que eu precisava. Passei por sete operações. Enxerguei até os 22 anos, quando tive um descolamento da retina e perdi a visão.

Normalmente, quando um filho tem um problema de saúde, é comum os pais superprotegerem. Meu pai nunca deixou de me educar. Ele era carinhoso, cuidadoso, mas me disse tantos “nãos” quantos “sins”. Hoje sou pai e sei como é difícil dizer “não” para os filhos.

Como todo artista, meu pai não é dono do próprio tempo. Em minha infância, minha mãe organizava nossa agenda de acordo com a de meu pai para que ficássemos juntos nas temporadas de show.

Quando tive o descolamento da retina, ele grudou em mim por dois anos. Nem sei como conseguiu. Ele não é só um exemplo como pai, mas também como pessoa. É simples com todos que conhece e extremamente coerente com as coisas em que acredita. A forma como toca a vida dele é um exemplo para mim.

(Em depoimento a Flávia Yuri)

Dia dos Pais: Um tributo

Max Lucado

Hoje é dia dos Pais. Um dia de água de colônia. Um dia de abraços, gravatas novas, telefonemas interurbanos e cartões.

Hoje é o meu primeiro Dia dos Pais sem um pai. Durante 31 anos eu tive o meu. Tive um dos melhores. Mas agora ele se foi. Está sepultado sob um carvalho num cemitério no Texas. Embora não esteja aqui, sua presença está muito próxima – especialmente hoje.

Parece estranho ele não estar aqui. Penso que é porque ele nunca esteve longe. Estava sempre perto. Sempre disponível. Sempre presente. Suas palavras não eram novidade. Seus empreendimentos, embora admiráveis, não eram nada de extraordinário.

Mas a sua presença era.

Como uma lareira quente numa casa grande, ele era uma fonte de conforto. Como um balanço forte no terraço ou uma árvore de galhos grossos no quintal, ele podia sempre ser encontrado… e servir de apoio.

Durante anos turbulentos da minha adolescência, meu pai era uma parte previsível da minha vida. Namoradas vinham e namoradas iam, mas Papai ficava ali. Os torneios de futebol se transformavam em torneios de beisebol e depois voltavam a ser de futebol, e meu Pai estava sempre ali. Férias de verão, encontros, álgebra, primeiro carro, jogo de basquete – tudo tinha uma coisa em comum: a presença dele.

E porque ele estava ali a vida corria suavemente. O carro sempre andava, as contas eram pagas e a grama cortada. Porque estava ali, o riso era alegre e  o futuro protegido. Porque ele estava ali, meu crescimento foi como Deus queria que fosse; uma corrida através da magia e do mistério do mundo como num livro de histórias.

Porque ele estava ali, os filhos não tinham nunca de preocupar-se com imposto de renda, contas de poupança, contas mensais ou hipotecas. Essas coisas ficavam no departamento do meu pai. Continue lendo