Trabalhadores terão 11 feriadões para enforcar em 2015, fora carnaval e Semana Santa

foto: Guilherme Pinto/Agência O Globo
foto: Guilherme Pinto/Agência O Globo

Rafaella Barros, no Extra

Outubro nem acabou e já circula em grupos do WhatsApp uma mensagem sobre os feriados de 2015. Ao contrário do que aconteceu este ano, quase todas as datas serão no meio da semana, gerando expectativas nos trabalhadores quanto aos dias de descanso. No Rio, serão nada menos que 11 feriadões — fora carnaval e Semana Santa, já tradicionais.

A avalanche de feriado, no entanto, divide a economia do país. Se, por um lado, setores ligados ao turismo lucram mais, por outro, o comércio sofre grandes perdas. O Clube de Diretores Lojistas do Rio (CDL-Rio) estima que, num único feriado de meio de semana, o comércio da capital fluminense deixa de faturar cerca de R$ 370 milhões.

Aldo Gonçalves, que preside o CDL e também o Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (Sindilojas Rio) explica que a entidade tem um convênio com o sindicato dos empregados do comércio, que prevê a abertura das lojas em feriados. Muitas vezes, porém, não compensaria abrir os estabelecimentos nessas datas, pois o empresário tem custos, mas não tem clientela.

— O feriadão só é bom para o pessoal do turismo: restaurantes, hotéis… Porque o Rio atrai muita gente. Mas, de um modo geral, é sempre perda de vendas.

A empresária Sabina Sommer, de 63 anos, ficou estarrecida ao saber da quantidade de feriados em dias que seriam úteis no ano que vem.

— Os feriados teriam que ser jogados para os fins de semana, para o país andar. Eles significam que o funcionário público não trabalha, que todo escritório e consultório médico fecha… Com isso, não tenho como abrir (a loja) — diz a dona da loja Camisa Expressa, no Centro do Rio.

O motivo dela é o da felicidade do ambulante Raimundo Oliveira, de 44 anos, que vende cangas e chapéus na Praia de Copacabana:

— As vendas aumentam uns 30% nos feriados, porque vem muita gente do interior do Espírito Santo, de Minas, da Bahia…

Enquanto Raimundo comemora a chegada de pessoas à cidade, os funcionários da agência da CVC do Centro vibram com a saída.

— Quando os feriados caem na terça ou na quinta-feira, as pessoas costumam emendar, o que acaba facilitando para as viagens. Os destinos mais procurados são Natal, Porto Seguro, Foz do Iguaçu, Balneário Camboriú e São Paulo — conta a gerente Valdinisia Aquino.

O secretário de Turismo do Rio, Antonio Pedro de Mello, tenta resolver essa equação:

— Trabalhamos para tornar essas datas mais atrativas entre cariocas e minimizar o impacto negativo no comércio.

— Para a gente que é do comércio, quanto menos feriados houver, melhor. Porque o movimento cai bastante, principalmente aqui no Centro (do Rio). Em alguns bairros, as lojas funcionam. Mas aqui, não. Como as pessoas não vêm ao trabalho, o movimento cai. Com esses feriados, a queda nas vendas, durante os dias que são enforcados, chega a ser de cerca de 60% — afirma Danielle Passos, de 32 anos, dona da loja “As Cariocas Fashion“.

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Magnata britânico oferece férias ilimitadas aos funcionários

Empregados do grupo Virgin nos EUA e Reino Unido vão poder tirar dias, semanas ou até meses de férias sem pedir aos chefes

Publicado por BBC Brasil [via Terra]

 Richard Branson, dono do grupo Virgin, conglomerado com mais de 400 empresas. Foto: AP
Richard Branson, dono do grupo Virgin, conglomerado com mais de 400 empresas.
Foto: AP

Imagine trabalhar em um lugar onde é possível tirar férias ou dias de folga quando bem entender. Um magnata britânico decidiu conceder o privilégio aos funcionários. Eles vão poder tirar dias, semanas ou até meses para descansar sem pedir autorização dos chefes.

A iniciativa partiu do bilionário inglês Richard Branson, dono do grupo Virgin, conglomerado com mais de 400 empresas.

Em seu blog pessoal, ele anunciou a mudança e acrescentou que seus 170 funcionários nos Estados Unidos e no Reino Unido poderiam “tirar folga quando quiserem por quantos dias preferirem”.

Branson acrescentou ainda que o funcionário não vai precisar pedir a autorização dos chefes, nem mesmo dizer quando planeja retornar ao trabalho.

No entanto, o multimilionário pediu “bom senso” dos empregados.

“Cabe ao funcionário decidir se e quando precisa tirar algumas horas, um dia, uma semana ou um mês de férias, com a condição de que o faça quando estiver 100% certo de que ele/ela e a sua equipe têm todos os projetos em dia e que a ausência não vai provocar quaisquer danos à empresa”, disse Branson no blog.

Inspiração
A inspiração do magnata para tomar tal atitude foi sua filha, que leu algo sobre uma ação parecida na Netflix, uma empresa que oferece serviço de TV por internet.

A nova medida foi implementada para funcionários nos Estados Unidos e no Reino Unido “onde as políticas de férias podem ser consideradas bastante severas”.

Se der certo, Branson promete levá-la para outras filiais do grupo Virgin.

“Nós deveríamos nos concentrar no resultado do trabalho das pessoas, não em quantas horas ou dias ela trabalhou. Assim como nós não temos uma política de trabalho ‘das 9h às 17h’, nós não precisamos de uma política de férias”, escreveu Branson em seu blog.

O grupo Virgin emprega mais de 50 mil pessoas no mundo inteiro e opera em mais de 50 países. Richard Branson criou a empresa em 1970 como uma gravadora.

Desde então, a companhia evoluiu para um conglomerado que opera em diversas áreas de consumo, como aviação, música e telecomunicações.

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Prefeitura na PB decreta ‘luto oficial’ em dias de jogos da Seleção Brasileira

Prefeito disse que foi utilizado modelo relacionado a morte de ex-gestor.
Decreto foi corrigido para “ponto facultativo”.

Taiguara Rangel, no G1

Decreto de "luto oficial" (foto: Reprodução/Famup)
Decreto de “luto oficial” (foto: Reprodução/Famup)

A prefeitura da cidade Montadas, no Agreste da Paraíba, decretou “luto oficial” nos dias de jogos da Seleção Brasileira. O objetivo é encerrar o expediente mais cedo para acompanhar a participação brasileira na primeira fase da Copa do Mundo 2014. A decisão foi publicada no Diário Oficial dos Municípios desta segunda-feira (16), retroativa ao dia 11 de junho.

Em seu artigo 2º, o Decreto 005/2014 determina que “adotem-se as medidas pertinentes para o cumprimento do Luto Oficial nas repartições deste município”.

No entanto, segundo o prefeito Jairo Herculano de Melo (PSB), já foi publicada uma correção alterando o decreto para “ponto facultativo” nas mesmas datas e horários do “luto” anterior. A confusão aconteceu devido a um modelo relacionado à morte de um ex-gestor municipal, explicou o prefeito.

O chefe do executivo já avisou que pretende continuar liberando os servidores municipais para assistir aos próximos jogos, caso o Brasil avance na competição. “Vamos manter o mesmo procedimento, horário de funcionamento só pela manhã, decretando o ponto facultativo à tarde para os jogos da seleção durante toda a copa”, assegurou Jairo Herculano.

O feito foi atribuído pela gestão a um equívoco da equipe jurídica municipal, que somente após a publicação notou que o modelo de documento, com objetivo de alterar o horário do funcionamento da administração municipal, foi utilizado há cerca de 20 dias, para lamentar a morte do ex-prefeito Luiz Avelino Gomes – ocorrida no último dia 6.

O decreto do gabinete determina o início do expediente no executivo municipal de Queimadas às 8h, com encerramento às 14h, nos dias 12 (Brasil x Croácia, na abertura da copa), 17 (Brasil x México) e 23 (Camarões x Brasil). A falha ainda “exclui” na sequência de determinações um inexistente artigo 3º.

“Assim que a publicação foi ao ar é que a gente percebeu. O funcionário usou um modelo padrão, digitou em cima dele e esqueceu de deletar o restante. Já publicamos hoje a correção de publicação, decretando ponto facultativo. O luto foi há uns 20 dias e foi um lapso do pessoal jurídico na hora da digitação”, garantiu o prefeito.

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Em 9 dias, Delúbio arrecada mais dinheiro que ONGs

Ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, deixa o trabalho no escritório da CUT O Globo / Jorge William
Ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, deixa o trabalho no escritório da CUT O Globo / Jorge William

Campanha do PT para petista pagar multa supera doações à Pastoral da Criança em 2013

Bruno Góes, Marcelle Ribeiro, Tatiana Farah, André de Souza e Flávia Pierry, em O Globo

RIO, SÃO PAULO, BRASÍLIA, TERESINA e PORTO ALEGRE — Para ajudar o mensaleiro Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido, a pagar a multa aplicada pelo Supremo, o PT organizou uma grande mobilização nacional e arrecadou, em curtíssimo espaço de tempo, mais dinheiro do que importantes ONGs, como a Pastoral da Criança e o Greenpeace. Em apenas nove dias, Delúbio recebeu R$ 1,013 milhão em doações (R$ 112,6 mil por dia). O Greenpeace Brasil, por exemplo, arrecadou, durante todo o ano de 2012, R$ 8,8 milhões (ou R$ 24 mil por dia), menos de um quarto da média diária atingida pelos petistas.

A Pastoral da Criança, organismo de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada pela médica sanitarista e pediatra Zilda Arns, recebeu, entre outubro de 2012 e setembro de 2013, R$ 877.579 em doações individuais, captadas pelas Associações de Amigos da Pastoral da Criança. Menos, portanto, do que Delúbio e seus companheiros juntaram em nove dias. A conta não inclui as doações de empresas.

Para isso, integrantes da Direção Nacional do PT e dos diretórios nos estados mandaram milhares de e-mails para militantes cobrando ajuda para o companheiro, além de falar com sindicalistas e outras pessoas ligadas ao partido.

Segundo o coordenador do setorial jurídico do PT, Marco Aurélio de Carvalho, na noite de quarta-feira a conta-corrente criada para receber doações tinha cerca de R$ 440 mil, menos que o necessário para quitar o débito judicial de Delúbio, de R$ 466.888,90. Foi aí que a mobilização aumentou, os e-mails foram disparados, e o partido conseguiu uma virada no montante arrecadado, com a doação de cerca de 2 mil pessoas. Na quinta-feira, menos de 24 horas depois, mais R$ 573 mil tinham pingado na conta. Nesta sexta-feira, Delúbio pagou a multa.

O PT e a advogada Maria Leonor Poço Jakobsen, responsável pela coordenação da campanha de arrecadação para Delúbio, dizem que as doações foram todas de pessoas físicas, de valores entre R$ 10 e R$ 30 mil — esta feita pela família do também mensaleiro José Genoino, que repassou uma parte da sobra de arrecadação das doações feitas para o ex-presidente do PT.

— Houve depósito de R$10, de R$ 5 mil… O extrato da conta tem cerca de 60 páginas tamanho A4 — disse Maria Leonor, afirmando que doações de pessoas jurídicas não foram aceitas pelos organizadores da campanha. Os sindicatos também não doaram dinheiro para o mensaleiro.

Delúbio arrecadou, em nove dias, 10,2% do que o próprio PT recebeu em 2012 de seus filiados: R$ 9,95 milhões ao longo de 12 meses (R$ 27.177,05 por dia). Nesse ritmo, o próprio PT leva 37 dias, sete horas, nove minutos e 32 segundos para arrecadar com seus filiados o que Delúbio conseguiu em apenas nove dias. Em 2012, a maior parte das contribuições foi de parlamentares e ocupantes de cargos de primeiro escalão: R$ 7,8 milhões. Os filiados que ocupam cargos de confiança no governo repassaram R$ 2,1 milhões. Os dirigentes do partido, R$ 26.200. Os demais filiados deram apenas R$ 20.600.

Cartas de dirigentes do PT, como o presidente do partido em São Paulo, Emídio Souza, e o presidente nacional, Rui Falcão, estavam publicadas no site do partido pedindo apoio a Delúbio. Nesta sexta-feira, mesmo após a conta ter sido encerrada, ainda havia pessoas tentando fazer depósitos, que foram recusados pelo banco. Carvalho disse que não se surpreendeu com o valor arrecadado.

— Nós estamos muito satisfeitos, porque a nossa militância é uma militância muito aguerrida e realmente mostrou que sabe fazer a diferença. Solidariedade e companheirismo são os dois grandes valores que nortearam todo esse processo — disse Carvalho, coordenador do setorial jurídico do PT.

Apesar da grande mobilização petista, o comando da campanha de doações coube a uma filiada ao PCdoB. A advogada Maria Leonor disse que é amiga do ex-tesoureiro petista e que o conhece, politicamente, da militância sindical. Ela atua como defensora dos bancários, embora o Sindicato dos Bancários de São Paulo afirme não tê-la em seu quadro de funcionários. Faz parte também do conselho de administração do Instituto Nacional de Pesquisa e Defesa do Meio Ambiente (INMA), uma ONG comandada pelo ex-deputado goiano Aldo Arantes, do PCdoB, com sede em Brasília. Ela disse que fez a campanha porque o julgamento no STF violou vários princípios do Direito:

— Agora, o que sobrou vamos doar para os outros companheiros.

Assim, após o pagamento de impostos, os recursos excedentes irão para o ex-ministro José Dirceu, condenado a pagar uma multa de R$ 676 mil (em valores da época, que ainda serão corrigidos pela Justiça) pelo crime de corrupção ativa. O que sobrar irá para o deputado e ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP), multado em R$ 370 mil (também em valores da época) por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. Ele ainda tem um recurso a ser analisado e que pode levar à absolvição pelo crime de lavagem. Nesse caso, a multa seria reduzida para R$ 250 mil.

A mobilização pelos mensaleiros petistas continua. Numa lojinha dentro do diretório do PT do Rio, camisetas com as fotos de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares com os punhos erguidos são vendidas a R$ 20 cada uma. “Não aceitamos a humilhação, preferimos a dignidade e a luta”, diz a inscrição abaixo da fotografia. Segundo a assessoria do PT, a vestimenta “é uma produção independente de um grupo de militantes, que pediu para deixá-las na lojinha do partido”. A renda arrecadada, segundo o partido, não será revertida para os condenados pagarem as multas.

“A legislação partidária proíbe que partidos políticos utilizem seus recursos para questões particulares”, diz a assessoria do PT-RJ.

No Piauí, a presidente regional do PT, Regina Sousa, confirmou que a campanha de arrecadação foi orientada pela assessoria jurídica do PT nacional através de e-mails e das redes sociais:

— Ninguém nos estados ficou responsável, todo mundo divulgou e pediu contribuições. Todo mundo fez a campanha divulgando nos meios e nas mídias sociais, ligando para os outros. Ninguém sabe quanto foi arrecadado em cada estado.

Segundo ela, os doadores foram orientados a se identificar, respeitando a legislação que exige declaração das doações no Imposto de Renda:

— O depósito é identificado, tem que botar o CPF e o número da conta. Foi um coisa bem organizada, a gente fez um apelo aos filiados, aos simpatizantes, e as pessoas responderam. (Colaboraram Efrém Ribeiro e Flávio Ilha)

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