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Tumblr espacial

As imagens foram feitas a bordo da Estação Espacial Internacional.

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Publicado no Vitralizado

As fotos são de autoria do astronauta canadense Chris Hadfield. As imagens foram feitas a bordo da Estação Espacial Internacional, tirei lá do tumblr criado pelo astronauta e atualizado diretamente do espaço. Algumas das últimas fotos foram feitas em cima do Brasil. Dá uma conferida lá. Massa demais.

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Chris-Hadfield

 

João Pessoa, Brasil.

João Pessoa-PB

Teresina - PI

Teresina – PI

Recife-PE

Recife-PE

Há alguns dias, Chris demonstrou o que acontece se alguém chorar no espaço. Publicamos aqui.

 

 

Lins venera Feliciano e tem prefeito gay

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Edgar de Souza, o único prefeito assumidamente homossexual do país: “O que ele [Feliciano] chama de ditadura gay é basicamente a busca pela igualdade de direitos”

Vandson Lima, no Valor Econômico

Sociólogo, pai adotivo de duas crianças pequenas, católico de andar com terço no bolso e ex-presidente da Câmara de Vereadores, Edgar de Souza (PSDB) liderava por pequena margem as pesquisas de intenção de voto a prefeito de Lins (SP) quando foi surpreendido por uma campanha apócrifa.

Faltavam 10 dias para a eleição e a pauta local era típica de um município com 72 mil habitantes: a criação de novas oportunidades de emprego e renda na cidade, dependente em excesso de um grande empregador – no caso, o grupo JBS, instalado nas proximidades; e a impermeabilidade da área urbana que, asfaltada sem planejamento, alaga com as chuvas de verão.

Foi então que começaram a aparecer os panfletos, postos às portas das casas no meio da noite. Assinados pelo movimento anônimo “Pela moral e bons costumes de Lins”, um deles trazia a reprodução de uma foto de Edgar com Alex, seu companheiro há nove anos, com a legenda “se você votar no 45, essa família vai governar a sua família”. O segundo, adornado pelo título “compre um e leve de quatro”, trazia quatro montagens, duas mais chocantes. Na primeira, Edgar aparecia ladeado por um demônio e dizia-se que ele e seu companheiro haviam selado a união erguendo uma capela para o diabo em um terreiro de macumba; na outra, afirmava-se que ele se apresentava como o travesti “Morgana” em outras cidades. A fotomontagem o colocava com uma peruca e bijuterias. “Pior, era uma peruca horrorosa”, diverte-se o agora prefeito, de 34 anos.

Localizada no centro-oeste de São Paulo, Lins viu proliferarem-se, nas últimas décadas, 170 pequenos templos evangélicos, com capacidade próxima a 40 pessoas cada. Três vezes mais que toda a frota de táxis da cidade, de 53 carros.

Politicamente, a cidade sempre andou na contramão. Em 1976, com o país sob o governo de Ernesto Geisel, Lins elegeu duas gestões consecutivas do opositor MDB. Em 1992, enquanto o Brasil despachava o governo de Fernando Collor de Mello por meio do impeachment, a cidade elegia um prefeito do PRN, condenado posteriormente por improbidade administrativa.

Em Lins, o pastor e deputado Marco Feliciano (PSC), que permanece se equilibrando à frente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara (CDH), é tido como ídolo. Nascido em Orlândia, distante 287 km, Feliciano não faz cultos em igrejas da cidade, simplesmente porque nenhuma tem capacidade para receber seus admiradores. Ele se apresenta em estádios de futebol ou em praça pública. Em abril de 2010, o pastor esteve na cidade com a Cruzada Reage SP, espécie de show evangélico itinerante que passou por 50 municípios paulistas. Naquele ano, Feliciano foi o sexto deputado federal mais votado em Lins. No Estado, ficou na 13ª colocação.

Uma manifestação contra a presença de Feliciano na CDH foi convocada pelo Facebook em fins de março em Lins. Oito pessoas confirmaram presença. Nas fotos, contam-se seis. A cidade não tem organizações GLBT, ao contrário da vizinha Cafelândia, de 16 mil habitantes, que desde 2010 organiza sua parada gay.

“Até aquele momento, minha homossexualidade não era um assunto da eleição. Um candidato a vereador ou outro falava alguma bobagem, de que eu transformaria Lins numa boate gay. Mas eu era vereador há 12 anos, todos na cidade sabiam, não era escondido”, conta Edgar.

“Minha igreja defende a família, mas se ele ganhou é porque Deus permitiu. Quem somos nós para julgá-lo?”

O que provavelmente nem Edgar esperava era que os panfletos, cuja autoria está sendo investigada em dois inquéritos que correm na justiça, desencadeassem uma espécie de epifania coletiva na cidade. “Quando os panfletos apareceram, ninguém se escandalizou, pelo contrário. A população se revoltou, porque o Edgar nunca omitiu que tinha um parceiro. Eles apareciam juntos até na coluna social”, conta Viviane Rodrigues, presidente do Rotary Clube de Lins. Da farmácia ao ponto de ônibus, ouviam-se relatos de pessoas que mudavam o voto rumo a Edgar, inclusive líderes religiosos.

O pastor Adildo Filho, da Igreja Jerusalém Avivamento, localizada no bairro São João, mais pobre e às voltas com o tráfico de drogas, foi um dos que se engajaram na campanha de Edgar. “Eu fui para o altar e disse pro nosso pessoal que íamos apoiá-lo”, lembra. Apesar disso, o pastor não esconde que vê na orientação sexual do prefeito uma “deformidade”, passível de cura. “Aceitamos pessoas assim na nossa igreja e temos psicólogos para elas. Às vezes a pessoa não conhece a palavra de Deus, seu poder transformador”, argumenta. O pastor José Francisco da Silva, da Pentecostal Raiz de Davi, vê a mão divina na decisão eleitoral. “Minha igreja prega o valor da família, com homem e mulher, como está na Bíblia. Mas se ele ganhou a eleição é porque Deus permitiu. Quem somos nós para julgá-lo?”.

O presidente do sindicato varejista, Luís Carlos Gardini, conta que “muita gente do comércio se movimentou por ele, que tinha sido um bom presidente de Câmara. Os panfletos foram um tiro no pé, porque mesmo quem tinha preconceito se incomodou de usarem esse assunto na campanha”.

Nos dez dias seguintes, Edgar escalou onze pontos percentuais e angariou 53,2% dos votos válidos. As adversárias Fátima Ottenio (PPS) e Keiko Kukimori (PMDB) perderam seis e quatro pontos percentuais, respectivamente, e fecharam a eleição de 2012 com 27% e 14%.

Lins se tornou assim, provavelmente, o único dos 5570 municípios do Brasil a eleger um homossexual assumido como prefeito – um levantamento feito pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) apontara apenas um candidato gay ao executivo municipal em 2012, em João Pessoa (PB), que não se elegeu. “Nunca fui militante GLBT, provavelmente por isso não sabiam de mim. Mas sou um defensor ferrenho da igualdade de direitos”, diz o prefeito.

Católico formado na Teologia da Libertação, Edgar integrou a coordenação nacional da Pastoral da Juventude antes de assumir sua homossexualidade aos 19 anos. Namorava meninas, mas relacionava-se com garotos às escondidas. “Chegava em casa depois de ter uma relação homossexual e chorava, tomava banho e esfregava a pele até quase rasgar. Era muito beato, fui até atrás de cura”, conta. “Nasci de novo quando aceitei que era gay”.

Edgar com o companheiro, Alex: "Sei que se errar, serei 'o viado' que errou. Preciso exercer o mandato com honradez também porque é importante para a causa da igualdade"

Edgar com o companheiro, Alex: “Sei que se errar, serei ‘o viado’ que errou. Preciso exercer o mandato com honradez também porque é importante para a causa da igualdade”

Pelo PT, Edgar se elegeu vereador pela primeira vez em 2000, aos 21 anos. Em 2004, ano em que conheceu Alex, estava às voltas com a reeleição quando foi informado que um adversário produzia um panfleto para “desmascarar” a ele e outros homossexuais postulantes à Câmara. “Ali eu cansei, estava cansado de me esconder”. Pouco depois da eleição, ele e Alex, contador por formação e hoje coordenador de uma franquia de escola de idiomas, trocaram alianças e foram morar juntos. “Não fizemos a união civil ainda, mas estamos pensando em oficializar por questões de herança e por causa das crianças”.

Eles são os responsáveis pela criação de um menino e uma menina, de três e dois anos, frutos do relacionamento de uma moça de 20 anos com seu cunhado, viciado em crack. As crianças o chamam, assim como a Alex, de tio. “Faço um esforço danado para não chamarem de pai. Trato como se fossem, mas os pais biológicos estão aí, amanhã podem requerer a guarda e a gente vai sofrer”, diz.

Na esteira dos episódios que culminaram no processo do mensalão e por diferenças com o diretório local, Edgar deixou o PT em 2006 rumo ao PSOL, pelo qual se candidatou, sem sucesso, a deputado estadual.

Foi para o PSB em 2007 e pelo partido se tornou vereador pela terceira vez. Insatisfeito com os caciques da legenda, migrou para o PSDB em 2011 por influência do presidente estadual da sigla, Pedro Tobias, muito forte na região de Bauru.

“No PT, eu via necessidade de uma figura mais estatizante. Mas me convenci que não se pode ter o Estado tão pesado e que as privatizações foram importantes. E sou um ferrenho defensor das organizações sociais”. Seu espelho na política é a vereadora de Araçatuba e militante de Direitos Humanos Edna Flor, ex-petista hoje no PPS. Dá a entender que admira, em igual medida, os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Sobre a celeuma em relação à permanência de Feliciano na CDH, o prefeito de Lins recorre à ciência política para dizer que o deputado do PSC e seu grupo têm uma visão enviesada de democracia. “Democracia não é governo da maioria simplesmente. É um regime de igualdade onde a maioria tem o governo, mas com pleno respeito aos direitos das minorias. Eles não entendem isso. O que eles chamam de ditadura gay é basicamente uma busca pela igualdade de direitos enquanto cidadãos. Não existe cidadania maior ou menor”.

Edgar diz ter se sentido particularmente ofendido por uma mensagem postada no Twitter por um assessor de Feliciano e pelo deputado reproduzida. Nela, seguia o link de uma reportagem sobre um casal de homossexuais que teria abusado do filho adotivo. “Esse será o destino de crianças adotadas por gays”, anotava o assessor. “É um posicionamento criminoso, beira a loucura. Eu crio duas crianças. Se você permite que esse pensamento se solidifique, todo mundo começará a olhar casais homoafetivos como suspeitos de pedofilia. É muito grave”, avalia.

Ele também condena a “postura vacilante” de seu PSDB sobre questões espinhosas da pauta mais progressista, em especial o ex-governador José Serra. “Admiro Serra e o vejo como uma das mentes mais brilhantes do Brasil já produziu, mas é no momento da crise que somos chamados a mostrar quem somos”. Ele se diz radicalmente contra o aborto, mas ressalva ser esta uma posição pessoal. “O Estado precisa ter outra relação com a questão”, diz. Sobre Serra, diz que “para não perder votos conservadores, adotou posturas dúbias sobre o aborto e o combate à homofobia nas escolas, indo inclusive contra sua própria biografia”.

Nas ruas de Lins, Edgar ainda goza do prestígio típico de começo de mandato. O pronome pessoal “nós” acompanha a maioria das cobranças dos eleitores, como se estes se sentissem parte da administração. É parado por um estudante de engenharia química, magricela e de óculos enormes, que quer se filiar ao PSDB porque também gosta “de política e essas coisas”.

A situação do município, no entanto, não é fácil. O orçamento de R$ 137 milhões está 42% comprometido com a folha de pagamento do funcionalismo. Na pista tucana, o prefeito diz que a cidade passa por um “choque de gestão”, para retomar sua capacidade de investir. “Mas vamos manter religiosamente o pagamento de salários, sem afetar o trabalhador. Aí fala o meu lado petista”, observa com humor.

Com 13 dias da nova gestão, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) baixou na cidade, com estado de emergência decretado e três mortes registradas devido às enchentes. O Estado se comprometeu a bancar os R$ 5 milhões necessários para a construção da maior das três barragens que serão feitas. Junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), obteve um financiamento de R$ 3,5 milhões para asfalto. “Tenho ido a Brasília também para buscar recursos do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]“, diz. Um dos projetos é um teatro municipal.

Na busca pelo equilíbrio entre a religiosidade local e seu compromisso com as minorias, Edgar quer criar em Lins uma semana de respeito às diferenças, com eventos e palestras. Ao mesmo tempo, prefeitura dará suporte a uma ‘Marcha para Jesus’ com presença do cantor evangélico e deputado federal Marcelo Aguiar (PSD-SP).

Edgar garante que o bom momento junto ao eleitorado não o faz baixar a guarda. Se sua orientação sexual não é por ora o assunto, fatalmente será lembrada de modo pejorativo se sua gestão fracassar. “Sei que se errar, serei ‘o viado’ que errou. Preciso exercer o mandato com honradez também porque é importante para a causa da igualdade”.

Questionado sobre um momento que o faz lembrar disso, Edgar remete à comemoração de seu êxito nas urnas, em outubro. No palanque montado próximo à rodoviária, a vitória não foi selada com beijo, mas o abraço demorado de Edgar e Alex levou ao delírio os milhares que lotavam as imediações da praça Frederico Ozanam. “A esperança venceu o medo e o respeito venceu a intolerância”, discursou o prefeito tucano, retomando a frase eternizada pelo antigo correligionário petista Lula. Dizem na cidade que o número de pessoas só era comparável à comemoração do acesso do Clube Atlético Linense à primeira divisão do futebol paulista após 53 anos, em 2010. E a um culto evangélico comandado por Marco Feliciano, naquele mesmo local.

Em um ano, família produz apenas um pote de lixo. Você conseguiria?

Reduzindo a produção de resíduos, reciclar, reutilizar e compostar fica muito mais fácil, garantem eles.

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Foto: arquivo pessoal

Por Débora Spitzcovsky, na Super Interessante

365 dias e, apenas, um pote de lixo em casa. Você seria capaz de praticamente zerar sua produção de resíduos? Incentivada pela mãe Bea, a família Johnson, de classe média alta, encarou o desafio e não só conseguiu cumpri-lo, como recomenda que outras famílias façam o mesmo. Você se arriscaria?

Segundo Bea – que já lançou até um livro, o Zero Waste Home, para inspirar outras pessoas a reduzir drasticamente sua produção doméstica de lixo – o segredo é adotar a filosofia dos cinco Rsrecusar, reduzirreutilizarreciclar e compostar (rot, em inglês). Duvida? Há três anos, os Johnson vivem dessa maneira – e, pelo menos para eles, a tática funciona muito bem.

Entre outras atitudes, os alimentos da família são todos comprados a granel – e carregados em recipientes levados por eles mesmos ao mercado –, as contas são todas recebidas via e-mail para evitar o papel e os produtos de limpeza e higiene são feitos de forma caseira, dispensando embalagens descartáveis – Bea faz até sua própria maquiagem em casa, acredita? Reduzindo a produção de resíduos, reciclar, reutilizar e compostar fica muito mais fácil, garantem eles.

A aventura dos Johnson rumo ao Zero Waste (ou Desperdício Zero, em português) começou há dez anos: pai, mãe e dois filhos viviam, confortavelmente, em uma região nobre da Califórnia, carregando felizes para fora de casa os cerca de mil quilos de resíduos (!) que os americanos produzem, em média, todos os anos. Mas, apesar da vida de Barbie que levava, Bea não estava feliz. Sentindo-se aprisionada a uma vida artificial, ela propôs que a família mudasse para uma casa menor e foi aí que tudo começou.

Para se acomodar no novo lar, os Johnson tiveram que se desfazer de 80% dos seus pertences. No começo não foi fácil, mas quando aprendeu a se desapegar das coisas, a família achou incrível a sensação de se dedicar mais às pessoas e menos aos objetos e decidiu, então, embarcar no desafio Zero Waste Home, que recomeça a cada ano. E eles não pretendem parar tão cedo!

No início, o pai, Scott, não gostou muito da aventura, mas ele mudou de ideia quando fez as contas no papel e descobriu que a “brincadeira” tinha reduzido os gastos anuais da casa em 40%. E aí, animou?

Marco Scabia: O ex-marido de Daniela Mercury

‘Fui o primeiro a saber e estou muito feliz’, diz ele, que adotou três meninas com ela

Em casa, ele vê foto de CARAS da família unida, incluindo Giovana e Gabriel, os filhos mais velhos de Daniela, no aniversário dela, em 2012.

Em casa, ele vê foto de CARAS da família unida, incluindo Giovana e Gabriel, os filhos mais velhos de Daniela, no aniversário dela, em 2012.

O ex-marido de Daniela Mercury (47), italiano de nascimento, não é apenas um homem interessante por fora. Sua cabeça também se sobressai da média e o espírito com o qual encarou o que poderia ter sido a semana mais polêmica de sua vida fecha o pódio de virtudes a se listar. No seu lar paulistano, no bairro do Panamby, no seleto Morumbi, ele aceitou falar com exclusividade com CARAS. Cinco dias após a cantora baiana postar na internet a notícia de que tinha se casado com outra mulher, a jornalista Malu Verçosa (36) — que, por sua vez, se separou da assessora de imprensa da própria Daniela —, o produtor e publicitário Marco Scabia (38) recebeu a nossa equipe de reportagem. O enredo, que parece surgido da sempre inspirada mente de Jorge Amado (1912-2001), e que bem poderia tê-lo abalado, não o alterou nem um pouco, segundo as suas próprias palavras e as atitudes que transpareceu durante a entrevista. Afinal de contas, eles dois, Marco e Daniela, são pais de três filhas adotivas, ainda meninas.

– Você foi pego de surpresa?

– Não, eu sabia. Daniela e eu sempre nos falamos tudo. Por isso, entre nós dois jamais haveria surpresas… Por outro lado, acredito que fui o primeiro a saber. E, conhecendo a personalidade determinada de Daniela, vejo isto como um passo normal.

– Então, não há mágoas de sua parte?

– Nenhuma. Antes de casarmos, Daniela e eu fomos amigos e agora voltamos a ser amigos. Não vejo motivo para me sentir magoado.

– Muitos homens poderiam se sentir traídos. Digamos, duplamente traídos.

– Não é o meu caso, até porque, com a Malu, Daniela começou o relacionamento quando nós dois já estávamos separados… Não houve traição.

– Também não foi uma revanche de Daniela por você ser um homem muito assediado? Talvez você, alguma vez, tenha cedido a esse assédio?

– Não, nada disso! Nem eu a traí nem ela me traiu. Nosso relacionamento acabou pelo desgaste típico de qualquer casal, pelo passar do tempo e porque sempre houve um fator que incomodou um pouco os dois: o lugar onde morar. Ela nunca se adaptou a São Paulo, Daniela é muito baiana. E, fora isso, sempre está com shows, indo daqui para lá…

– E você, Marco, nunca pensou em se mudar para a Bahia?

– Cheguei a cogitar isso, mas percebi que todos os meus negócios estão em São Paulo, que passaria a depender dela e esse não é o meu estilo. Levei vinte anos ‘semeando’ em São Paulo… Mas isso incomodava e só, claro que não foi decisivo. Decisivo mesmo foi o desgaste natural.

– Você conhecia Malu, o novo amor de Daniela?

– Conhecia socialmente. Ela estava junto com a Fabiana Crato, assessora de Daniela, e, portanto, vez ou outra eu a via, mas não com muita frequência e sem nenhuma intimidade.

– Gosta que Malu seja a esposa de sua ex-mulher?

– Se Daniela a ama, eu nem preciso ter opinião a esse respeito…

– Mas a Malu vai passar bastante tempo com as suas filhas. Isso o agrada ou existe alguma objeção a esse respeito?

– Olha, Daniela é sensível e inteligente demais. Se ela escolheu a Malu, é porque ela tem todas as condições para integrar o núcleo familiar, ajudar a criar as nossas filhas, que hoje são o nosso maior interesse, como sempre foi. Eu avalio a Malu pela escolha da Daniela, pois não poderia emitir opinião por mim mesmo, porque, como já disse, nunca tive mais proximidade do que a eventual de alguma festa, lançamento, show…

– Daniela já disse que foi avisando a cada um da família e aos amigos mais próximos. A pergunta é: com as suas três filhas, quem falou? Ou vocês falaram juntos?

– Primeiro, devo dizer, que, aos poucos, as meninas foram sabendo, por pequenos gestos nossos, falas, aquelas coisas que criam clima, como quando da separação. Mas, na hora ‘H’, quem sentou e falou com elas foi Daniela. Ela é muito determinada e sabe como e quando falar. E com as nossas filhas tudo está bem, elas entenderam  direitinho.

– E as meninas, ficaram com quem? 

– No fim do ano elas se mudaram para a Bahia; deixaram São Paulo e foram para Salvador. O que demonstra que nada surgiu de um dia para outro. Eu vou todo final de semana, viajo sempre. Às vezes, pode haver um final de semana que, por conta de coisas de trabalho, eu não consigo ir, mas, no seguinte, não deixo de ir nem que o mundo caia.

– Então, durante a semana, as filhas são responsabilidade de Daniela e nos fins de semana você toma conta delas? É isso, meio a meio?

– Seria injusto falar meio a meio, porque ela cuida delas durante cinco dias e eu, dois. A maior responsabilidade é da Daniela. O peso maior ela carrega nas costas, mas para ela não é peso: ela ama as nossas filhas!

– E economicamente, as contas vão para qual domicílio, o seu ou o de Daniela?

– Também dividimos. Escola, seguro saúde, tudo… O que se deve entender é que esta foi uma separação na boa e como qualquer outra. E que, se alguém ficou com mais trabalho por causa da separação, foi Daniela. Eu não sou vítima.

– Alguma das meninas falou alguma coisa em particular, seja a favor dos comentários ou contra? Os coleguinhas esta semana comentaram coisas com elas, as incomodaram?

– Nenhuma delas comentou nada, pois elas amam Daniela. E, pelo que infiro, na escola foi tudo foi bem, nada aconteceu porque conversamos diariamente e garanto que não houve comentário algum a respeito disso.

– Esta semana você foi alvo de comentários, piadas, alguma coisa nesse sentido por parte dos amigos?

– Não, nenhuma: tenho bons amigos, que entendem as coisas.

– Se Daniela houvesse dito agora que estava em um relacionamento com outro homem, para você teria sido melhor, pior ou indiferente?

– Para mim, seria a mesma coisa, nada mudaria. Só desejo que, em cada escolha da Daniela, ela não apenas acerte, mas no dia seguinte seja ainda mais feliz que no anterior, quando tomou a decisão…

– Ou seja, tudo está bem e normal na sua vida?

– Sim, perfeitamente. E não haveria motivo para que fosse diferente. Daniela fez as coisas direitinho, de acordo com as suas convicções.

– Então, você, em momento algum, nem como ex-marido nem como pai de três filhas com ela nem como “homem” — com aspas por motivos óbvios —, condena o novo relacionamento? E também não condena a divulgação da nova boda dela pela internet, que a tornou mundialmente pública?

– Eu, condenar? Nãoooo!!! Estou muito feliz, porque sei que ela está sendo feliz e é isso o que importa para mim. A mamãe de minhas filhas hoje voltou a ser feliz; o que mais eu poderia querer? Ela sempre foi uma grande mãe, mas não duvido que agora, feliz, vai ser melhor mãe ainda, se é que isso é possível…

– Para encerrar: nada, nada, nem um mínimo de mágoa?

– Nada mesmo, ao contrário.

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