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A missionária nua

Helen Hunt e John Hawkes no filme 'As sessões' (Foto: Divulgação)

Helen Hunt e John Hawkes no filme ‘As sessões’ (Foto: Divulgação)

Ivan Martins, na Época

Eu a conheci na faculdade. Baixinha, sorridente, era muito sensual sem ser bonita. Gostava de mim, mas também gostava de outro sujeito, mais velho, e provavelmente de mais alguns, de quem eu nunca soube. Era generosa. Aguerrida. Uma vez, conversando sobre sexo, me disse que, num mundo sem preconceitos, seria prostituta. Não apenas pelo prazer de transar, que era enorme nela, mas pela possibilidade de ajudar. “Tem tanto homem triste por aí”, ela me disse. “Gente feia, doente, mas que é bonita por dentro. Essas pessoas precisam de carinho.” Ela achava que seu corpo poderia ser usado para reduzir as dores do mundo.

Ontem, vendo As sessões – o filme em que Helen Hunt interpreta a terapeuta que ajuda um homem paralisado a perder a virgindade – eu acho que entendi, 30 anos depois, o que a minha amiga queria dizer. E que tipo de pessoa era ela.

A terapeuta do filme, inspirada numa mulher de verdade, ajuda as pessoas com dificuldade sexuais a descobrir o prazer. Conversa com elas, toca e se deixa tocar, transa. Trabalha em conjunto com uma psicóloga, discutindo as necessidades e dificuldades do paciente. Uma dessas profissionais, que ainda hoje atua na Califórnia, deu entrevistas recentes à imprensa brasileira e disse já ter atendido mais de 900 pessoas, homens em sua maioria. Não deve ser gente particularmente bonita. Muitas nem serão agradáveis. Mas a terapeuta se despe e se deita com elas do mesmo jeito. É um trabalho, mas também uma missão.

Há um pouco da minha amiga nessa terapeuta do sexo, mas talvez haja um pouco dela em cada mulher.

As mulheres fazem sexo porque gostam, mas fazem também porque nós, homens, precisamos disso desesperadamente. Fazem por carinho e às vezes por pena. Fazem para ver – eu já ouvi isso – os nossos olhos brilharem de satisfação. Elas nos dão de presente seus corpos macios e nós, muitas vezes, abrimos o pacote com pressa, famintos, sem sequer perceber que há um bilhete com dedicatória. Ao contrário do paralítico do filme, que entende o tamanho da graça que recebe, nós não choramos felizes e comovidos. Mas talvez devêssemos. Assim como na profissional descrita pelo filme, há um quê de santa (e de puta, naturalmente), em cada mulher que nos recebe entre as suas pernas – com as nossas dores e os nossos medos, com as nossas vaidades e injustificadas aspirações.

Por essas razões, e por outras que não entendo inteiramente, o filme me deixou terrivelmente comovido.

Talvez porque eu ainda sinta, como um garotinho impúbere, que as mulheres que se deixam despir, tocar e penetrar realizam um ato de profunda e impagável generosidade para com os homens. Talvez porque eu me perceba, como o paralítico do filme, como todos os homens que eu conheço, assustadoramente dependente da atenção, do corpo e do afeto femininos. Talvez, ainda, porque, assim como personagem do filme, e como todos, homens e mulheres, eu seja capaz de antever, no momento mesmo em que o prazer explode, a iminência da perda e a profundidade da separação que se insinuam. O sexo que acabou nunca é o bastante, nunca é suficiente, nunca é exatamente o que buscávamos. Queremos amar e ser amados. Queremos tudo.

Minha amiga, aos 20 e poucos anos, intuía isso tudo. Por isso sonhava em colocar o seu corpo a serviço das almas e dos corpos doentes. Se vivesse em outro país, talvez isso virasse uma carreira. Aqui, é provável que essa vocação tenha simplesmente adormecido, como tantas coisas que a gente sufoca na juventude para nos tornarmos adultos produtivos. Mas, onde quer que esteja, tenho certeza que se minha amiga vir o filme reconhecerá, naquela mulher que goza com o corpo sofrido de um bom homem, a possibilidade de sentimentos que estão muito além do hedonismo e do moralismo. Tomara que ela veja o filme – e que o papa Bento XVI veja também. Nunca é tarde para se perceber certas coisas.

“Santa Maria respira morte e clama por amor”

maria

Uma semana depois da tragédia, a cidade gaúcha é o retrato da falta de esperança. Voluntários pernambucanos do ‘Novo Jeito’ realizam ação #MaisAmor neste domingo

Isly Viana, especial para o Pavablog

Maria Francisca, de seis anos, não dá uma palavra há sete dias. Desde que a mãe, Crisley Caroline Saraiva, de 24 anos morreu na tragédia da boate Kiss, a garotinha com Síndome de Down demonstra a dificuldade para superar o trauma.

A dor de Maria Francisca é a mesma que se espalha pela cidade de Santa Maria. Um pesar que não se restringe apenas às vítimas e parentes dos que morreram naquela noite, mas que contagia a qualquer um que se aproxima. O grupo de voluntários pernambucanos do Novo Jeito não imaginava o que encontraria ao chegar na cidade. Todos estão em estado de choque. Segundo eles, Santa Maria respira morte. “O espírito na cidade é extremamente pessimista. Para se ter uma ideia, há policiais em todos os pontos altos da cidade e sobre as pontes para evitar suicídios. É um espírito de morte e de sede de justiça com as próprias mãos. Há pichações por toda parte com os dizeres: ‘cidade sepultura’”, revela Fabrício Cunha, voluntário do Novo Jeito.

Manifestações no domingo

Uma semana depois da tragédia, o domingo foi marcado pela solidariedade em Santa Maria. Pela manhã, mais de duas mil pessoas vestidas de branco caminharam juntas em torno do quarteirão da tragédia. No fim da tarde, realizaram um grande abraço coletivo, emprestando “ombros amigos” para quem não tem com quem compartilhar tanta dor, já que o sofrimento é de todos. São pessoas que não se conhecem, nem todas perderam parentes, mas vieram de todo o Brasil com um único objetivo: levar amor a quem enfrenta tanto sofrimento.

Nesse momento, o papel dos voluntários tem sido fundamental para reerguer corações. Os feridos estão sendo cuidados por equipes de saúde, mas a tristeza é algo que talvez só as mobilizações de amor poderão ajudar a suportar. Consolo, abraços, carinho. Chorar com os que choram. “Não dá para não se envolver. A cidade vive um clima de tristeza que parece estar no ar. A revolta está por todos os lugares. Ainda anestesiadas, muitas pessoas parecem “zumbis”: caminham sem parecer ter vida, marcadas pelo sofrimento.”, afirma Fabrício. Formado por cerca de 300 pessoas, o grupo Novo Jeito visitou também os hospitais onde estão internados os feridos. Os voluntários conversaram com vários deles, ouvindo seus relatos, sua tristeza. Estavam por perto quando todos receberam a notícia de que o Governo do Canadá enviara medicamentos para tratar queimaduras. Todos comemoraram mais uma ação de solidariedade.

Durante as mobilizações deste domingo, muita pessoas tentavam puxar gritos de guerra, de vingança, incentivar a revolta. O foco desses voluntários, no entanto, era “desarmar” as almas e incentivar o amor. Essa sim é a maior necessidade de quem vive a dor dessa tragédia. Ao contrário do que acontece em outros episódios de catástrofes, como enchentes, por exemplo, em que os desabrigados precisam de roupas, comida, remédios, atendimento médico, em Santa Maria a necessidade é uma só: amor. A cidade vive um clima de ódio, revolta, sede de justiça, vingança.

Faltam ombros para acolher tanto sofrimento e ainda vai levar um tempo para a cidade se recuperar. Santa Maria clama por amor.

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16 posts que queimam seu filme e você nem desconfia

Facebook

Zaé Junior, no My Summer Drama

1- ”HORA DE TOMAR MEU RIVOTRIL” (Ninguém precisa saber que voce já teve depressão e tem dificuldade pra dormir. De doido já basta cada um.)

2 – ”FAZENDO GORDICE A ESSA HORA’‘ (Sua boa forma foi pro espaço a anos quando voce achou que conseguiria trabalhar, estudar e continuar lindo. Agora esfregar na cara da galera que voce não está nem aí pra paçoca pega mal.)

3 – #PARTIU ACADEMIA (Cão que ladra não morde. Academia não é geladeira pra voce abrir e ficar pensando na vida. Porque é isso que a gente sabe que voce vai fazer lá… matar tempo.)

4 – ”FIM DE SEMANA, HORA DE DEIXAR A DIGNIDADE EM CASA’‘ (que coisa linda, né? Até ontem não aguentava nem beber água gelada com halls preto na boca e hoje tá bebendo igual gambá e enchendo literalmente o nariz de droga na balada. Você acha que tá arrasando, mas passa a imagem de apenas mais uma pessoa desinteressante nesse mercado já saturado.)

5 – ”BOM DIA FACES ‘‘ (Você não tem nada legal pra falar, mas quer ser visto e lembrado. Pode ser um tiro no pé. As pessoas vão te ver na rua e falar =” Ah! acho que lembro de você. Voce não é o chato do ” bom dia ” e do ” ai, que fome ” ?)

6 – ”CONTANDO AS HORAS PRA NOVELA. TÔ AMANDO !” (Você já não é nenhum exemplo de beleza, ainda vai pagar de vovozinha no Facebook? Já dá pra ter uma prévia da emoção que vai ser conhecer você. Trocar receitas de bolo é o máximo.. iuppiee!! Fala que tá vendo o History Chanel sobre a segunda guerra , bobo !)

7 – ”FAXINA NO APÊ ” (Você acha que tá detonando, mas a gente involuntariamente já imagina a pessoa sem camisa, de shorts velho, manchado de kiboa com a bunda pra cima tentando pegar com a vassoura uma colher que caiu atrás da cama. Que cena linda! Só que ao contrário, né?)

8 – ”CELULAR NOVO, MAS EU MEREÇO, NÉ ? HEHE” (Já posso ir pro item número 9?)

9 – ”INDO PRO CENTRO” ( Ninguém precisa saber que você mora looooonge. Não é só imóvel que perde valorização, sua cara também. Ou você acha que as pessoas vão te imaginar saindo do Alphaville com essa cara de plateia do Caldeirão do Huck?)

10 – ”CANSADO DE GENTE FALSA” ( Você adora contar infortúnios no Facebook. Vive batendo o carro, derrubando celular novo e trombando com gente que passa você pra trás. Vai com essa macumba pra lá. Tá amarrado !

11 – ”PRECISANDO FAZER AQUILO” (Ah, que legal! Seja mais direto e escreve que está em período fértil e o médico disse que hoje há grandes chances de engravidar. Ué! Vai que cola!)

12 – ”QUALQUER SUPOSTA FRASE DA CLARICE LISPECTOR” ( Só de olhar pra sua cara no perfil, nota-se que seu último livro lido foi ”O jacarezinho esperto ” na quinta série. Além de burro, chato? Dá pra voltar a postar só ”bom dia, faces” ? Obrigado ! )

13 – ”QUALQUER TRECHO DE MÚSICA SERTANEJA” (Andar de Land Rover é mole, é lindo.. quero ver você postar algum trecho de uma música que não te deixe com cara de fuleiro. Não rimou, mas você conseguiu entender bem.)

14 – ”VOCÊ VAI BRINCAR E VAI ME PERDER” (Claro que a galera vai se cagar de medo de chegar em você. Você narra o relacionamento como se fosse um jogo de futebol. Tipo, eu nem te conheço e já to sabendo que te deram um balão ontem, fez marcação cerrada , mas acabou indo pro banco de reserva. )

15 – ”SOU BIPOLAR” (Aham! Voce e 90% do Facebook. Posta que tá muito feliz hoje, e amanhã tá triste. Como eu não sou psiquiatra, espero que você encontre alguém pra tratar dessa sua chatice crônica também. )

16 – ”ASSISTINDO ” AS BRANQUELAS ‘ PELA QUINTA VEZ” (Parabéns! Você tem TV a cabo e só assiste ”The Voice ” e ‘ X-Factor ”. Deve ter muito assunto inteligente pra conversar. Bacana!)

Amores curtos são do inverno. Amores longos são do verão

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Publicado por Carpinejar

Iniciar romance no inverno é barbada. Nem deve contar pontos.

É quando a vida pede mesmo um abrigo antiáereo, o corpo receberá camadas ostensivas de roupa, o tempo fecha e intimida baladas, tudo favorece uma companhia constante para o chocolate, a pipoca e a televisão.

A testosterona diminui com o frio – natural os homens se renderem às mãos dadas nos passeios e aos relacionamentos sérios no Facebook.

No inverno, amor é oportunismo. As festas estão em baixa temporada, os lobos se aquietam dentro da alma dos cachorros. De interação, o máximo que acontece são jantares e
viagens com casais amigos. Nenhum marmanjo deseja ser excluído por falta de parceira.

É o momento ideal para engordar, reduzir as exigências estéticas e ter uma confidente para perdoar e partilhar os excessos.

O grande exame amoroso realmente é no verão. A partir de dezembro, abrem-se as inscrições ao disputado concurso público do coração, ao concorrido vestibular dos apaixonados.

Homem tem dificuldade de se apaixonar no ápice do calor. Ninguém em sã consciência pretende se envolver neste período. Ninguém tenciona sacrificar as inúmeras opções do baralho com uma arriscada cartada.

Ele guarda a noção de que é burrice namorar na alta temporada, não há cabimento deixar a pescaria no meio da piracema.

Parte da convicção de que, com uma única pessoa, jogará fora toda a dedicação na academia nos últimos meses para recuperar a forma. Lançará ao mar as latas de suplementos e de proteínas que gastou para repor os bíceps.

A regra é não se prender e jamais inspirar uma sequência de encontros. Vale uma noite com alguém, e apenas uma noite. Duas seguidas já sugerem um caso, três correspondem a um rolo.

Homem enxerga o verão como desforra, suas 1001 noites de solteiro. Prefere ficar numa festa, azarar e recomeçar do zero.

Não ambiciona compromisso. Ele economizou no ano para gastar agora. Procura expor sua forma física, olhar as outras, beber até entortar, não ser controlado em horários, muito menos derrapar em seu próprio ciúme.

Praia e férias são sinônimos de desprendimento: não se incomodar e não ser incomodado, dormir até tarde, não sofrer as ressacas das discussões de relacionamento.

Portanto, se um homem começa namoro no verão é que ele enlouqueceu por você. Está de quatro, acabado, derrubado. Significa uma imolação sentimental, uma autoflagelação.

É totalmente contra seu código de ética e postura. É capaz de perder sua cadeira parlamentar na areia, sofrer CPI dos comparsas do trago.

Oficializar a relação no período requer firmeza de caráter. Ele enfrentará a gozação dos colegas, vai se isolar no circuito das festas mais quentes, fechará suas redes sociais para cortejá-la.

Não é pouca coisa para a tacanha mentalidade masculina. É como um atleta renunciando uma vaga na equipe olímpica do Amor. Terá que aguardar doze meses para reaver nova chance.

Não se ama impunemente em janeiro e fevereiro. É quase como casar. Quase.

Gata percorre 300 km para reencontrar donos

publicado no estadão

A pequena Holly, de quatro anos, se perdeu dos donos em novembro. Eles foram fazer uma viagem de 300 km em um trailer. Estavam no autódromo de Daytona, nos EUA. Numa noite, Holly sumiu assustada com fogos de artifício.

Barb e Jacob Mazzola ficaram desesperados na época. Entregaram folhetos nas ruas, falaram com autoridades. Mas, mesmo assim, tiveram de voltar para casa, em West Palm Beach, sem o animal.

Eis que após 62 dias, em casa, o casal recebe um telefonema: o animal estava vagando a apenas 2km de distância da casa deles. “Ela estava tão magrinha e andava com muita dificuldade”, conta a dona àTV norte-americana ABC.

“É um milagre”, diz o veterinário Marty Becker. “Todos os animais têm um senso de direção, mas é realmente incomum para gatos acharem o caminho de casa em longas distâncias.”