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Petição sugere substituir o hino nacional por música do Metallica

metallica

Teresa Perosa, na Época

Um petição registrada no site de ativismo online Avaaz.org sugere que o hino nacional brasileiro seja trocado pela música “And Justice for All”, da banda de metal norte-americana Metallica.

A petição é de autoria de Edgar Cutar J e tem como destinatários a presidente Dilma Rousseff, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) e os membros da banda James Hetfield e Lars Ulrich.

“O vocabulário arcaico e rebuscado faz com que os brasileiros simplesmente cantem o hino por cantar, sem entender o que estão falando. “And Justice for All, do Metallica, é escrito em bom inglês, a língua universal dos dias de hoje, e traz uma letra marcante que clama por justiça”, diz a justificativa na página da petição. Até o momento, ela conta com 4558 assinaturas.

Dilma foge de polêmica para manter paz com evangélicos

Natuza Nery, na Folha de S.Paulo

A presidente Dilma Rousseff pretende manter intocadas as legislações sobre aborto e casamento gay, como prometeu em 2010. Mas o governo também não quer se vincular à pauta dos evangélicos, que considera conservadora. No Palácio do Planalto, a tônica na relação com as denominações pentecostais e neopentecostais é uma só: manter uma “união estável”.

De olho nessa estabilidade, Dilma mandou sua equipe tomar distância da polêmica em torno do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Marco Feliciano (PSC-SP). Críticas, se forem inevitáveis, devem ser feitas ao deputado e pastor, jamais aos evangélicos.

Durante os dois primeiros anos de governo Dilma, a relação do Planalto com as igrejas evangélicas e católica tem sido pulverizada e distante. O diálogo é melhor com as denominações protestantes tradicionais, como luterana, metodista e presbiteriana.

Nas pentecostais, caso da Assembleia de Deus (12,3 milhões de fiéis em 2010), e neopentecostais, como a Universal do Reino de Deus (1,8 milhão), a relação é mais difícil e vista por setores do Executivo como mais utilitarista.

Embora com um rebanho muito menor, a Universal conquistou o Ministério da Pesca em 2012. Motivo: ajudar o PT na eleição municipal. Titular da pasta, Marcelo Crivella tem sido um dos interlocutores, ao lado do colega Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República), responsável formal pela ponte entre Planalto e igrejas em geral.

A nomeação despertou o interesse de outras denominações. Há algumas semanas, a Assembleia de Deus tentou emplacar um fiel congressista do PR no Ministério dos Transportes. Dilma, porém, optou por outro nome do partido, o ex-governador baiano César Borges.
No legislativo, a bancada evangélica costuma se unir em torno de temas caros à religião, como casamento gay e aborto. Atrai, com isso, alas católicas e congressistas de linha mais conservadora.

Também há outra pauta comum, mas de reivindicação individual: a cobrança por patrocínio público para eventos gospel, concessões de rádio e televisão e pedidos de mais propaganda oficial nos veículos evangélicos.

Nas demais demandas, como cargos, a negociação segue a liturgia tradicional dos deputados e senadores da base do governo, o varejo.

Um dos principais expoentes da bancada evangélica é o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), embora seja da Sara Nossa Terra, muito menor que as outras igrejas.

Em 2010, ele foi um dos que ajudou Dilma a desarmar boatos de que a petista liberaria, se eleita, o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, discussão explorada à época por seu adversário tucano, José Serra.

Dilma já se posicionou a favor da descriminalização do aborto, mas mudou de ideia na campanha eleitoral.

O Palácio do Planalto espera que os dois temas não sejam centrais na disputa por 2014, o que diminuiria o peso das demandas evangélicas na corrida eleitoral.

Entre os líderes com maior interlocução com o Planalto estão Manuel Ferreira e Paulo Freire, ambos da Assembleia de Deus, e o próprio Marcelo Crivella.

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Feliciano quer tirar proveito da situação, diz José Wellington

foto: Andre Borges/Folhapress

foto: Andre Borges/Folhapress

João Carlos Magalhães, na Folha de S.Paulo

O pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP) “está querendo tirar proveito” da onda de protestos para que ele deixe a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

A opinião é de José Wellington Bezerra da Costa, 78, reeleito anteontem presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus, principal entidade da maior denominação evangélica do país, da qual Feliciano faz parte.

“Ele é político, está querendo tirar proveito desse troço. Ele está dando corda na coisa. Bobo ele não é”, afirma Wellington, lembrando, no entanto, que a entidade dá “respaldo” para o deputado –que antes da polêmica era pouco conhecido fora dos círculos evangélicos.

Wellington é presidente da Convenção há 25 anos. Nesse período, a Assembleia se consolidou como uma potência religiosa (12,3 milhões de fiéis) e política (28 deputados federais).

“Somos muito assediados [por políticos]“, diz o pastor, que apoia a reeleição da presidente Dilma Rousseff: “A candidatura dela é uma nomeação, não precisa nem ir para a eleição”.

Folha – Há um levante preconceituoso contra o Feliciano?

José Wellington - O Feliciano é novo, jovem, inteligente e eu creio que vocês são inteligentes, vocês estão vendo que ele está querendo tirar proveito. Ele é político, está querendo tirar proveito desse troço. Ele está dando corda na coisa. O Marco Feliciano, bobo ele não é.

Agora, eu acredito que há uma exploração, há uma exploração muito grande do pessoal do lado de lá [críticos de Feliciano]. A verdade é essa: nós estamos juntos da Igreja Católica. Porque a Igreja Católica não aceita. O que nós não aceitamos a Igreja Católica não aceita.

Um bispo de São Paulo me telefonou e disse: “Pastor, vamos fazer uma dobradinha, temos de marchar juntos porque não aceitamos”. Eles não aceitam aborto, casamento de pessoas do mesmo sexo. Eu vi ontem na imprensa no Amazonas um juiz deu uma liminar para que o camarada lá casasse com duas mulheres. Negócio de doido, né? Só no Amazonas dá um troço desse.

Nós, da Assembleia de Deus, não participávamos da vida política do país. Só depois, quando eu assumi a presidência… Porque eu em janeiro agora completei 25 anos na presidência da Convenção Geral, fui reeleito nove vezes. Quando eu cheguei, com o crescimento da Assembleia de Deus, eu entendi que precisávamos colocar alguém para nos representar. E isso foi feito. Hoje temos 28 deputados federais ‘assembleianos’. No total, são 80 os parlamentares evangélicos em Brasília [de diferentes denominações].

O Marco Feliciano… Ai, não foi porque ele é evangélico, foi um acordo do partido. Destinaram aquilo para o PSC. Coube ao Marco Feliciano e ele abraçou. Como ele antes de ser presidente dessa comissão havia feitos alguns pronunciamentos… Nós não aceitamos o comportamento dessa gente, mas não os perseguimos. Não temos qualquer preconceito com eles. Absolutamente nada. É que o grupo que está apoiando essa gente, balizou, aqui no Congresso, algumas leis que estão dando muito, muita força para essa gente, e dizem que o preconceito é nosso. Pelo contrário, eles é que são os preconceituosos.

Eles quem?

O grupo, o grupo. Porque há um grupo patrocinando isso aí. Você sabe que infelizmente que esse grupo de gays, lésbicas e essa gente cresceu demais nos últimos tempos. Há interesse da parte deles que essas leis sejam aprovadas. Mas acredito que uma sociedade sensata jamais aceitará um comportamento antissocial como esse.

Qual a importância do Feliciano dentro da Assembleia de Deus?

Ele é um pastor tão igual como os demais. Eu tenho um filho deputado federal [Paulo Freire (PR-SP)], estava aí. O meu filho eu vejo melhor [risos]. Mas, como pastor da Igreja, ele não tem qualquer destaque, qualquer direito a mais, nenhuma proteção a mais, ele é um pastor igual aos demais.

Nas sessões da Comissão, parece existir uma unanimidade contra Feliciano. Mas os valores que eles defendem são valores comuns aos 12,3 milhões de fiéis da Assembleia de Deus, certo?

Valores comuns a uma sociedade sensata, uma sociedade sadia. Quando escreveram o PL 122 [que criminaliza a homofobia], nós [evangélicos] reunimos e tomamos algumas posições em relação àquilo ali. Chamamos os deputados federais e pedimos para que eles segurassem a coisa. Eu mesmo fui lá falar com o presidente da Câmara, fui falar com gente do Senado, até o senador José Sarney [PMDB-AP, ex-presidente da Casa] me mandou uma cartinha muito bonita. É uma posição nossa mais bíblica, nada preconceituosa. Por exemplo, se chegam dois cidadãos lá [na igreja que ele comanda, em SP], se dizendo crentes e pedindo que eu faça um casamento deles eu não faço nunca [risos]. Aí a lei [do projeto] vai e me condena, diz que é discriminação, me joga na discriminação, cinco anos de cadeia, sem direito a qualquer recurso, é um absurdo um troço desse.

Qual a posição da Convenção sobre a alegação de Feliciano de que Noé amaldiçoou os africanos?

Essa é uma interpretação teológica. A Bíblia, quando conta a histórica de Cã, a tradução chama de Cão, né?, é que aquele filho de Noé (eram três) quando o pai tomou uns gorós e, bêbado, se despiu, ficou caído bêbado, veio um dos filho, viu os dois, e saiu criticando, né?, outro veio, de costas, e cobriu a nudez do pai, então esse o pai abençoou e outro ele amaldiçoou. Cada um interpreta como queira. Qual foi a mudança que houve, se foi de cor, eu não sei.

Mas eu soube que dentro da igreja a posição não é essa.

Olha, eu não sou paulista, eu sou cearense. A cor da pele não faz muita diferente não, sem dúvida nenhuma. Eu recebo o irmão pretinho, a velhinha pretinha, para mim eu tenho tanto carinho, amor e respeito quanto por qualquer outro. Acredito que essa é a posição da maioria dos pastores. Agora, ele e alguns outros pregam isso, que os negros, os africanos, são descendentes de Cão.

O que o conjunto de valores dos evangélicos pode trazer para a discussão dos direitos humanos?

Em primeiro lugar, eu parto da premissa da própria vida na nossa Constituição. Que todos nós somos iguais perante a lei. Alguém disse que somos quase iguais, mas a letra disse que somos iguais. Acho que todo brasileiro deve ter sua liberdade de culto, de voto, do ir, do vir, os princípios de direitos humanos que a Constituição predispõem, acredito que ali está muito correto para todos nós. E também, em relação ao Estado ser laico, eu entendo perfeitamente o texto da lei. O Estado é laico, mas o povo é cristão, o povo tem religião. De maneira que essa interpretação. Entendo é que na vida administrativa deve ser separado um do outro, são dois ramos equidistantes, porém quando se trata da vida religiosa, todo povo tem a sua religião. E eu respeito perfeitamente. Eu tenho amizade por todos eles [líderes de outras religiões]. Continue lendo

Aliado do PT, partido de Feliciano terá candidato próprio ao Planalto em 2014

PSC integrou a base de apoio do PT até as eleições de 2010, mas pretende lançar candidatura própria em 2014.

Foto: Alexandra Martins / Agência Câmara

Foto: Alexandra Martins / Agência Câmara

Por Luciana Cobucci, no Terra

Até as últimas eleições presidenciais, em 2010, o Partido Social Cristão (PSC) fez parte da bancada de apoio ao PT. Mas em 2014 a legenda promete lançar candidato próprio, que vai concorrer com a presidente Dilma Rousseff (que deve tentar a reeleição) e com o tucano Aécio Neves, adversário direto dos petistas. O vice-presidente do PSC, Everaldo Pereira, não disse quem será o candidato porque o partido analisa vários nomes. “Temos até 30 de setembro (data limite para filiação partidária) para ver quem poderá concorrer pelo PSC”, disse, em entrevista ao Terra.

Pereira também não dá como certo o apoio à base governista nas disputas pelos governos estaduais. “Teremos várias candidaturas próprias também nos Estados e ainda temos tempo para decidir as coligações que vamos formar. Se, como e com quem vamos caminhar ainda será decidido. Onde não tivermos candidatura própria, veremos as alianças mais interessantes para a população”, garantiu.

A atitude pode demonstrar certa insatisfação com a forma como o PT está lidando com a polêmica em torno da presidência do Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) à frente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. No final de março, Everaldo cobrou apoio dos petistas para manter o pastor na presidência do colegiado. A discussão acabou atraindo os holofotes para o PSC, um partido pequeno e, até então, desconhecido da maioria. Para Everaldo, no entanto, a legenda não foi a maior beneficiada pela atenção repentina.

“O mais interessante dessa discussão toda é que a CDH passou a fazer parte da agenda nacional, uma comissão que até então ficava restrita a pequenos grupos, com pequenos interesses. São vários os assuntos de direitos humanos que há anos não são discutidos ali: direitos indígenas, gente presa indevidamente, gente sem comer, sem moradia”, afirmou.

Apesar disso, Everaldo prevê que o partido deve aumentar sua participação no Congresso e nos governos estaduais já nas próximas eleições, mas não trabalha com metas. “A política não é uma ciência exata. Mas, pelo histórico do partido, que em 2002 elegeu um deputado federal, em 2006 elegeu nove, em 2010, foram 17 deputados e um senador, podemos dizer que a meta é avançar, nunca recuar”, disse.

O vice-presidente do PSC afirma que a legenda não reúne apenas evangélicos, mas é um partido com “princípios cristãos”, e diz não confundir política com religião. “Gosto de dizer que o PSC não segrega, não exclui nem discrimina. Não é um partido religioso, ele tem princípios cristãos. O partido tem bandeiras importantes, como o fim do fator previdenciário, a PEC 300, regulamentação da emenda 29, defende a reforma tributária e defende os direitos humanos”, argumentou.