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Pai de Dinho, do Mamonas Assassinas, processa deputado Marco Feliciano

“Ele [Feliciano] é louco. Deus não mata ninguém, Deus é amor”, disse Hildebrando Alves

mamonasPublicado originalmente na Rolling Stone

Depois de ver na internet as declarações do deputado Marco Feliciano sobre seu filho, Hildebrando Alves, pai do vocalista do Mamonas Assassinas, Dinho, afirmou que entrou na Justiça contra o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias na Câmara por danos morais. As informações são do jornal Diário de Guarulhos.

Na semana passada, uma afirmação feita pelo pastor durante um culto passado causou polêmica. Nela, Feliciano afirma que “Deus fulminou aqueles que tentaram colocar palavras torpes na boca das nossas crianças”, e que foi Ele quem causou o acidente de avião na Serra da Cantareira que colocou fim à vida dos integrantes da banda.

“Ele [Feliciano] é louco. Deus não mata ninguém, Deus é amor. O acidente que aconteceu foi uma fatalidade, eles viajavam muito de avião”, disse o pai do cantor, à publicação.

Alves também reclamou da citação de Feliciano sobre o vínculo de Dinho com a Assembleia de Deus. “Quem era o Dinho? Era da igreja Assembleia de Deus em Guarulhos. Vendeu a comunhão dele”, disse o pastor durante o discurso. Alves respondeu: “A mãe do Dinho era da Assembleia de Deus; o meu filho só frequentava (os cultos) com ela, na infância. Nós entramos hoje com um processo de danos morais”.

Veja o vídeo:

Além de Dinho e do Mamonas Assassinas, foram encontrados outros vídeos em que Feliciano ataca John Lennon e Caetano Veloso, entre outros. O deputado afirma que foi também Deus quem matou o ex-Beatle, e que o compositor baiano fez pacto com forças malignas para alcançar o sucesso.

Feliciano receberá o dobro de votos em 2014, prevê Silas Malafaia

Nelson Barros Neto, na Folha de S.Paulo

O pastor Silas Malafaia aposta: “Se o [Marco] Feliciano tiver menos de 400 mil votos na próxima eleição, eu estou mudando de nome”.

Em 2010, quando se elegeu deputado federal pela primeira vez, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara obteve 212 mil votos.

Sob o rótulo de racista e homofóbico, ele é alvo de protestos na internet e no Congresso. “Quero agradecer ao movimento gay. Quanto mais tempo perderem com o Feliciano, maior será a bancada evangélica em 2014″, diz Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

“Essa coisa vai despertar o sentimento do evangélico de ter representantes na Câmara dos Deputados, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais. Vai nos ajudar”, diz o presidente do PSC da Bahia, Eliel Santana.

Fundador da Catedral do Avivamento, Feliciano tem frequentado telejornais, talk shows e humorísticos da TV.

PODER DA FAMA

“Ele vai arrebentar [nas próximas eleições]“, diz o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). O militar da reserva puxa a fila de políticos do “baixo clero” que ganharam projeção em meio a controvérsias e converteram a fama em mais votos, embora sob aparente rejeição geral.

Bolsonaro reconhece que ficou conhecido graças a declarações consideradas homofóbicas e de apoio à ditadura. Saltou de 100 mil votos, em 2006, para 121 mil, em 2010, e emplacou os filhos na Câmara e na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) foi outro que colheu notoriedade após uma declaração polêmica. Em 2009, ficou conhecido ao dizer que se “lixava para a opinião pública”, em referência ao trabalho como relator do caso de Edmar Moreira, o “deputado do castelo”, no Conselho de Ética da Câmara.

Segundo o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, o discurso de Feliciano atinge preocupações de parte da população. “Entre os brasileiros, 14% se posicionam na extrema direita. As aparições na imprensa dão esse efeito de conferir notoriedade a ele.”

Para o cientista político Marco Aurélio Nogueira, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), “isso do ‘não me representa’ [slogan anti-Feliciano] não existe. Alguém se sente representado pelo Feliciano, pelo Bolsonaro e por quem quer que seja”.

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Evangélicos vão continuar campanha pela saída de Feliciano

Para o grupo, o pastor que assumiu presidência do colegiado ‘não representa os fiéis’

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Isadora Peron, em O Estado de S. Paulo

O grupo de evangélicos que se mobiliza pela saída do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) da presidência da Comissão de Diretos Humanos e Minorias da Câmara disse, nesta terça-feira, 12, que vai continuar a campanha para que o pastor deixe o cargo. Para eles, Feliciano não representa os fiéis.

“O discurso de ódio na boca de quem se diz discípulo de Jesus é anacrônico. A gente entende que as falas do pastor Marco Feliciano não colaboram para um debate respeitoso e qualificado em torno da questão dos Direitos Humanos”, afirmou Caio Marçal, secretário de mobilização da Rede Fale, que reúne 14 organizações religiosas, na sua maioria pentecostais.

O deputado tem sido acusado de homofobia e racismo. Entre as suas declarações polêmicas está a de que “podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime e à rejeição” e a de que “africanos descendem de ancestral amaldiçoado”.

A Rede Fale organizou um abaixo-assinado direcionado aos membros da bancada evangélica pedindo para que eles reconsiderassem a indicação de Feliciano. Na terça, após reunião, o PSC decidiu manter o pastor como presidente da comissão.

Apesar da decisão do partido do deputado, Marçal afirma que o mais importante com essas manifestações “é mostrar que existe um outro perfil de evangélico, que luta por um debate qualificado sobre Direitos Humanos no Brasil, que evite os maniqueísmos e os discursos de ódio”.

Na segunda-feira, mais de 150 lideranças evangélicas assinaram uma carta aberta contra a posse de Feliciano. “Não se trata aqui de prejulgar o presidente recém-eleito, mas não há como desconsiderar seus vários comentários públicos sobre negros, homossexuais e indígenas, declarações que inviabilizam a sustentação política de seu nome entre os que atuam e são sensíveis às temáticas dos Direitos Humanos”, afirmaram.

fotos: fan page Feliciano não me representa

Bento pediu para sair. Tenho uma sugestão para papa!

foto: Brasilidade

foto: Brasilidade

Publicado por Leonardo Sakamoto

Vou resgatar um debate aqui, dada a importância da renúncia papal, nesta segunda (11). Num discurso a bispos brasileiros, durante as últimas eleições presidenciais, o hoje demissionário Joseph Ratzinger condenou o aborto e a eutanásia e, implicitamente, a pesquisa com embriões para obtenção de células-tronco. Ou seja, o que era esperado dele dado o posto que ocupa, sua trajetória e o contexto em que está inserido.

Mas foi além, e afirmou que “os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas”. Ou seja, em plenas eleições, Bento 16 pede para que os representantes de sua igreja orientem politicamente os fiéis.

Conversei com uma pessoa da comunidade do Jardim Pantanal (aquele bairro da capital paulista que se esvai em lama nas enchentes) sobre isso e, apesar de ser extremamente religiosa, discordou da avaliação do papa (que vai entregar o seu mandato no próximo dia 28 por, segundo ele, “não ter mais forças” para exercer o pontificado).

“Na Bíblia, está escrito para dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César. A gente tem que separar o que é política do que é religião, senão não dá certo.” É a gente simples da periferia de São Paulo ensinando bons modos para o Vaticano.

E já que haverá um conclave em breve, se eu também puder meter a colher na cumbuca dele já que ele meteu na nossa, tenho algumas sugestões de quem seria um ótimo papa.

Por exemplo, ao final de sua carta aos bispos, ele defendeu a solidariedade. Mas de que tipo de solidariedade ele está falando? Da caridade? Uma ação pouco útil, que consola mais a alma daquele que doa do que o corpo daquele que recebe? Ou da solidariedade de reconhecer no outro um semelhante e caminhar junto a ele pela libertação de ambos? Se for a primeira, ele está pregando a continuidade de uma igreja superficial, que ainda não consegue entender as palavras que estão no alicerce de sua própria fundação.

Se falou da segunda, a solidariedade como redenção do corpo e da alma, ele se referiu claramente à Teologia da Libertação. Prefiro acreditar que ele estava falando da primeira, pois seria irônico a atual administração do Vaticano (que deu continuidade à anterior) pregar algo que vem tentando soterrar há tempos.

A Teologia da Libertação tem sido uma pedra no sapato da Santa Sé. Na prática, esses religiosos católicos realizam a fé que o Vaticano teme ver concretizada ou não consegue colocar em prática. Pessoas, como Pedro Casaldáliga, que estão junto ao povo, no meio da Amazônia, defendendo o direito à terra e à liberdade, combatendo o trabalho escravo e acolhendo camponeses, quilombolas, indígenas e demais excluídos da sociedade.

Imaginem se ao invés de Ratzinger, fosse Casaldáliga abrindo a boca para falar a bispos brasileiros. E a defesa da vida fosse feita de outra forma, retomando palavras que ele proferiu há tempos:

“Malditas sejam todas as cercas! Malditas todas as propriedades privadas que nos privam de viver e amar! Malditas sejam todas as leis amanhadas por umas poucas mãos para ampararem cercas e bois, fazerem a terra escrava e escravos os humanos.”

Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia e um dos maiores defensores dos direitos humanos no país, foi marcado para morrer (novamente) no final do ano passado. Aos 84 anos e doente, teve que deixar sua casa  por conta das ameaças surgidas em decorrência do governo brasileiro, finalmente, ter começado a retirar os invasores da terra indígena Marãiwatsédé, Nordeste de Mato Grosso – ação que sempre foi defendida por ele.

Enquanto isso, nossa realidade continua lembrando muito daqueles microcosmos de poder do Brasil profundo, presentes nas obras de Dias Gomes: o padre, o delegado e o coronel, amigos de primeira hora, tomando uma cachacinha na (ainda) Casa-grande, gargalhando da vida e discutindo sobre os desígnios do mundo, que – para eles – deveria ter a cara de seu vilarejo.

No meu mundo, não. uNele, se ainda houvesse igreja, ela seria comandada por pessoas como Casaldáliga.

Suplicy defende inclusão da palavra “amor” na bandeira nacional

Publicado originalmente no site da Época

Durante a tensa sessão desta quarta-feira (19) no Congresso, com senadores se mobilizando para tentar votar o veto à lei dos royalties do petróleo, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) subiu à tribuna do Senado para defender mais amor – ou melhor, a adesão dos senadores ao movimento que pede a inclusão da palavra “amor” no lema da bandeira nacional.

Recitando Noel Rosa, Suplicy defendeu o projeto de lei apresentado pelo deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), que substitui a expressão “Ordem e Progresso” por “Amor, Ordem e Progresso” na bandeira do Brasil. O projeto de lei foi apresentado após movimento na internet sugerir a mudança.

No entanto, a sugestão de Suplicy não entusiasmou o plenário, como conta o jornal O Globo.

O discurso de Suplicy não entusiasmou o plenário. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que se era para mudar os dizeres da bandeira, era melhor incluir a palavra “educação”, que é mais includente. “Teríamos ainda um problema geométrico, porque não cabe mais uma palavra na bandeira”, disse Cristovam. Suplicy saiu decepcionado com a pouca receptividade à proposta. “Quando houver mais amor de todos nós ao povo, senador Cristovam, talvez não falte mais atenção à Educação”.

O abaixo-assinado para incluir a palavra “amor” na bandeira está disponível aqui.

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

dica do Rogério Moreira