O troco de Marina Silva

Ao comparar o tucano Aécio Neves com o ex-presidente Lula, a ex-senadora manda recado para seu padrinho político e revida os ataques do PT durante a campanha eleitoral

EX-RIVAIS Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) em primeiro evento público após o anúncio do apoio da ex-senadora do tucano no segundo turno, em São Paulo (foto: Andre Penner/AP)
EX-RIVAIS
Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) em primeiro evento público após o anúncio do apoio da ex-senadora do tucano no segundo turno, em São Paulo (foto: Andre Penner/AP)

Aline Ribeiro, na Época

Entre os aliados mais próximos, não é de hoje que a relação de Marina Silva com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva causa estranheza. Não pela admiração exagerada que ela nutre pelo padrinho político. Ou pela semelhança de trajetórias. Mas pelo fato de Marina, mesmo depois de ter deixado o PT, nunca ter se indisposto com Lula – por mais motivos que ele tenha dado para isso. Nesta semana, Marina Silva surpreendeu ao dar o troco. No pronunciamento de adesão à candidatura tucana, no domingo (12), ela comparou Lula a Aécio – e colocou a estrela do PT no mesmo patamar do novato do PSDB. Nesta sexta-feira (17), durante o primeiro ato público da nova aliança, na região oeste de São Paulo, Marina reforçou a analogia. Apareceu menos abatida do que nos últimos dias de campanha, com a cabeleira solta e um sorriso no rosto. Aécio elogiou o penteado, beijou as mãos da ex-senadora e agradeceu o apoio.

A comparação se deu assim: no dia anterior à adesão, na semana passada, Aécio havia divulgado o documento “Juntos pela Democracia, pela Inclusão Social e pelo Desenvolvimento Sustentável”, uma lista de compromissos com temas socioambientais. Em seu discurso do domingo, Marina equiparou a atitude do tucano ao lançamento da “Carta ao Povo Brasileiro”, de 2002. Nela, Lula tentou tranquilizar o mercado com uma série de promessas na área econômica. “Aécio retoma o fio da meada virtuoso e corretamente manifesta-se na forma de um compromisso forte, a exemplo de Lula em 2002, que assumiu compromissos com a manutenção do Plano Real, abrindo diálogo com os setores produtivos”, disse Marina.

Adepta dos pensamentos do psicanalista francês Jacques Lacan, que soube como ninguém fazer uso dos símbolos para decifrar o ser humano, Marina Silva se valeu da comparação para revidar os ataques do PT durante o primeiro turno da campanha eleitoral. Citou claramente a forma como o marketing petista a tratou na disputa eleitoral. “É preciso, e faço um apelo enfático nesse sentido, que saiamos do território da política destrutiva para conseguir ver com clareza os temas estratégicos para o desenvolvimento do país e com tranquilidade para debatê-los tendo como horizonte o bem comum. Não podemos mais continuar apostando no ódio, na calúnia e na desconstrução de pessoas e propostas apenas pela disputa de poder que dividem o Brasil”, disse.

Um dos introdutores das teorias de Jacques Lacan no Brasil, o psicanalista Jorge Forbes usa uma metáfora para explicar as manifestações de Marina de apoio a Aécio, comparando-o a Lula. “Lula se comporta como um pai bravo com a filha, e a Marina, como uma menina levada que arrumou um namorado que não pertence às opções do pai”, afirma Forbes. “O pai vai ficar bravo, vai dar bronca, mas a Marina não dispensa o apadrinhamento do Lula por ter preferências diferentes da linhagem direta dele”. Forbes diz que, ao citar Lula em seu discurso, Marina quer deixar claro que, numa sociedade pós-moderna, que se relaciona em rede, é preciso conviver com concordâncias e discordâncias. “Ela mostra que o mundo não se faz em times estanques”.

Reverência incondicional

Alguns episódios relatados por aliados de Marina ajudam a entender sua relação com Lula. Há dos casos mais banais àqueles dignos de repreensão. No final de 2002, Lula fazia campanha para a presidência da República enquanto Marina percorria o Estado do Acre pedindo apoio para sua reeleição no Senado. Marina interrompera o ritmo frenético de viagens para atender a um pedido do ex-presidente: participar da gravação de seu último programa eleitoral em São Paulo. Saiu do Acre pela manhã, num voo comercial cheio de escalas, rumo ao estúdio do publicitário Duda Mendonça, onde eram feitas as filmagens. Em seguida, Marina viajaria na noite daquele mesmo dia para compromissos em Brasília. Quando chegou, foi colocada ao final da fila dos que, individualmente, dariam depoimentos pró-Lula. José Dirceu, Aloizio Mercadante, Marta Suplicy, ficaram todos à frente de Marina. Uma amiga da ex-senadora presente na ocasião chegou a cogitar uma mudança na ordem da gravação, mas Marina protestou. Não só: ela insistiou que os deixassem fazer conforme a ordem planejada. “Sabe por que deixaram Marina por último? Porque o Lula e o Dirceu queriam ir embora para ver um jogo do Corinthians”, diz a aliada. “Foi desumano, um total desrespeito o que fizeram com ela”.

Quando era ministra do Meio Ambiente, Marina discordou inúmeras vezes de Lula – seja pelo licenciamento de uma hidrelétrica seja pelas políticas de contenção do desmatamento da Amazônia. Em nenhum desses embates, no entanto, rompeu completamente com o ex-presidente. Certa vez, Marina pediu uma audiência no Palácio do Planalto para alertar Lula sobre os planos do então governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, sobre a expansão da soja. Era o ano de 2007, e a derrubada da floresta tinha voltado a aumentar depois de uma trégua nos anos anteriores. Marina apontou as commodities como os motivos para a devastação alarmante; Mato Grosso era o campeão da derrubada.

Com uma audiência agendada, Marina foi até o Palácio do Planalto munida de documentos e um discurso afiado para argumentar contra a expansão da fronteira agrícola. Queria convencer Lula a adiar os planos de asfaltar a BR-163 – a rodovia que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA) e foi pensada para baratear os custos do escoamento do grão para o porto de Amazonas. Para Marina, da forma como estava planejada, a estrada acabaria com uma das regiões da Amazônia mais ricas em biodiversidade. Marina queria levar a obra adiante só depois de concluído o estudo de impacto ambiental. A reunião com Lula era sua chance de conter o desmatamento na região. “Ela ficou horas plantada esperando. Quando finalmente o Gilberto Carvalho (então chefe de gabinete) a chamou para entrar, Marina deu de cara com o próprio Blairo Maggi saindo. Ele tinha entrado pela porta dos fundos”, diz um correligionário. “Ela foi completamente rifada, mas nunca abriu a boca para falar mal do Lula”.

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Lula diz que está de ‘saco cheio’ das denúncias contra o PT

Ex-presidente disse que os petistas não devem abaixar a cabeça diante de denúncias de corrupção

Lula participa de plenária de militantes do PT em São Paulo (foto: Michel Filho / Agência O Globo)
Lula participa de plenária de militantes do PT em São Paulo (foto: Michel Filho / Agência O Globo)

Tatiana Farah, em O Globo

Em meio à divulgação do depoimento do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que acusa o PT de receber propinas em contratos, junto com o PMDB e do PP, partidos aliados do governo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quinta-feira, que está de “saco cheio” com as denúncias feitas em período eleitoral. Segundo ele, “para acusar petistas, não é preciso ter provas”. Lula também centrou seu discurso em ataques ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, colocando o tucano como protagonista do debate de segundo turno.

Sem citar a Petrobras, Lula disse em uma plenária de militantes do partido em São Paulo, que nenhum “tucano bicudo” poderia acusar os petistas de corruptos. Antes de Lula falar, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, já havia dito que o PSDB “não tem moral para chamar petista de corrupto”.

— Nenhuma denúncia de corrupção pode abaixar a cabeça de um petista. Não podemos admitir que um tucano bicudo venha chamar a gente de corrupto — disse Lula.

O ex-presidente criticou a divulgação de denúncias no período pré-eleitoral:

—Não é preciso provar, é só insinuar. Já estou com o saco cheio. É todo ano a mesma coisa — disse Lula, que ironizou: — Daqui a pouco vão investigar como nós nos portávamos no ventre de nossa mãe.

O ex-presidente dedicou boa parte de seu discurso para atacar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que afirmou nesta semana que os eleitores que votaram em Dilma não são pobres, mas desinformados. Ele chegou a dizer que Fernando Henrique representa a elite brasileira, que um “preconceito (de classe) histórico”.

— Aquilo não é o pensamento dele. Aquilo é uma cultura deles (PSDB). É uma cultura de dizer que quem não vota neles é mais burro do que quem vota. Ele não falou só do Nordeste ou do Norte. Ele falou da periferia de São Paulo, do Rio, de Belo Horizonte.

Em um ginásio lotado de militantes, o PT parou os discursos para mostrar a estreia do programa de TV de Dilma Rousseff, em que o ex-presidente Fernando Henrique é diretamente criticado, mostrando que o partido vai centrar as críticas na gestão do tucano (1995-2002). Lula insistiu com os militantes que a disputa se dará no campo de dois projetos para o país, mas com a oposição de quem representa os ricos e os pobres. Para ele, uma eventual vitória do PSDB “vai trazer de volta ideias que não deram certo, trazer de volta o FMI”.

— Essa campanha não é entre Dilma e Aécio, entre tucanos e estrelas, entre homem e mulher. É uma campanha entre duas propostas de país, de sociedade.

Lula fez ainda uma crítica sobre o mau desempenho do PT em São Paulo e disse que o candidato derrotado ao governo, Alexandre Padilha, não deveria “chorar”, mas saber que esta eleição tinha sido seu primeiro embate. Ao também derrotado senador Eduardo Suplicy, que se queixou de falta de apoio do PT na campanha, Lula fez afagos e disse que o país lhe era grato por seu papel no Senado.

— Algo está errado no nosso discurso, na nossa atitude. Faltou um pouco de política, de debate — disse o petista.

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Lula: roubar banqueiro é chato, mas não faz falta

foto: Ricardo Stuckert / InstitutoLula21)
foto: Ricardo Stuckert / InstitutoLula21)

Josias de Souza, no UOL

Num desses surtos de loquacidade que costuma acometê-lo sempre que se depara com um microfone e uma plateia, Lula criou na noite de quarta-feira (24) uma espécie de assaltômetro. Por esse medidor metafórico, a aversão aos assaltos diminui conforme o nível de riqueza de suas vítimas. Se o assaltado for um banqueiro, aí mesmo é que a culpa do assaltante deve ser atenuada.

Lula discursava em Santo André, no ABC paulista, num comício do seu candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha. A cena foi transmitida pela internet. Em dado momento, a pretexto de criticar o governador tucano Geraldo Alckmin, o orador falou sobre (in)segurança pública. “Agora, a coisa tá tão grave que é pobre roubando pobre”, disse o padrinho de Padilha.

“Eu, antigamente via: ‘bandido roubou um banco’. Eu ficava preocupado, mas falava: pô, roubar um banqueiro… O banqueiro tem tanto, que um pouquinho não faz falta. Afinal de contas, as pessoas falavam: ‘quem rouba mesmo é banqueiro, que ganha às custas do povo, com os juros. Eu ficava preocupado. [...] Era chato, mas era… sabe, alguém roubando rico.”

Quer dizer: na visão de Lula, o problema dos assaltos em São Paulo é que a oferta é menor do que a procura —no sentido de que há mais assaltantes procurando assaltáveis do que assaltáveis com dinheiro para ser assaltado. O sábio do PT deu um exemplo dos efeitos da crise que se abateu sobre o mercado dos assaltos.

“Essa semana, a Joana, que trabalha comigo, é irmã da Marisa [Letícia, mulher de Lula], na frente do hospital perto de casa, [...] oito horas da manhã, o cara encostou um negócio nas costas dela e falou: ‘É um assalto, eu tô armado. Continua andando normalmente, me dá o celular e me dá o seu dinheiro. A coitada teve que dar sessenta reais pro ladrão…”

A solução, disse Lula, é simples: “Se o Alckmin não tem competência pra fazer as coisas que o governador tem que fazer, nós temos que dizer pra ele: Alckmin, você já está há muito tempo aí. Saia. E deixa o jovem Padilha governar esse Estado para as coisas começarem a melhorar.”

Enquanto o PT tenta combinar com os russos, resta constatar que há na praça dois Lulas. Um financiou suas campanhas com doações milionárias dos bancos. Eleito, propiciou à banca lucros nunca antes vistos na história desse país. Outro desfruta da condição de ex-presidente voando em jatinhos de empreiteiros e recebendo honorários de bancos por palestras feitas à sombra. Sob holofotes, desanca nos palanques as elites assaltáveis desse país.

O carregador de postes do PT ainda não se deu conta. Mas, pelos critérios do seu assaltômetro, Lula é, hoje, um milionário perfeitamente assaltável. Tem tanto que, um pouquinho que for suprimido decerto não lhe fará falta.

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Discurso secreto de Steve Jobs está escondido em computadores Mac

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Publicado no Estadão

O discurso de Steve Jobs aos formandos da Universidade de Stanford, na Califórnia, em 2005, é lembrado até hoje como um dos discursos mais marcantes da história.

O site OS X Daily descobriu que este discurso está escondido em um arquivo de texto dentro dos computadores Mac que possuem o sistema operacional OS X e o app Pages, como uma surpresa oculta para os usuários. Junto com ele também está gravado no arquivo o texto da campanha “Think Different” (Pense Diferente).

O arquivo pode ser encontrado na janela de busca (finder). Pressione as teclas Command + Shift + G para abrir a caixa de direcionamento a uma pasta. Cole dentro o seguinte endereço: /Applications/Pages.app/Contents/Resources/
O computador exibirá uma pasta dentro da qual haverá um arquivo chamado Apple.txt que contém os dois textos na íntegra.

Não viu a campanha Think Different? Confira o vídeo para conhecer ou relembrar

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Baby do Brasil transforma palco da Virada em grande pista de dança

A cantora Baby do Brasil durante show no palco Júlio Prestes durante a Virada Cultural 2014 (foto: Danilo Verpa/Folhapress)
A cantora Baby do Brasil durante show no palco Júlio Prestes durante a Virada Cultural 2014 (foto: Danilo Verpa/Folhapress)

Giuliana Vallone, Gislaine Gutierre e Tatiana Harada, na Folha de S.Paulo

O show de Baby do Brasil, o segundo do palco Júlio Prestes, começou pontualmente às 21h. Muito animada, a cantora subiu ao palco cantando “Seus Olhos”, de “Cósmica”, lançado em 1982 e transformou o local numa grande pista de dança.

Com público bem menor que a banda anterior, o Ira!, os fãs de Baby aproveitaram os espaços vazios para dançar, a exemplo da cantora. “Telúrica”, a segunda do show, animou e a plateia cantou junto.

“É um momento muito especial da minha vida, mais ainda com esse povo. Somos como uma ponte, unindo as gerações, sabendo que tem que ir de ‘sim’, porque quem vai de ‘não’, não chega”, disse ao cumprimentar o público.

Vestindo roupa furta-cor —”de papel”, disse—, Baby segurou o show com uma banda afiada e cheia de swing e repertório dançante.

“Menino do Rio”, de Caetano Veloso, foi saudada com muita animação pelo público, que sabia a letra de cor. “Dia de Índio” e “A Menina Dança” vieram depois. Não havia ninguém parado.

A química Maria José do Nascimento, 65, elogiou a edição da Virada neste ano. “Estou adorando, está muito melhor do que no ano passado. Você pode curtir sem ficar apavorada.”

“PAPAI”

Depois do showmício do Ira! —que aproveitou o palco para pedir tratamento humanitário para os usuários de crack do centro e defender a criação do Parque Augusta, foi a hora do público na praça Júlio Prestes receber as bênçãos de Baby do Brasil.

A cantora, que virou evangélica há mais de uma década, fez várias menções religiosas ao longo do show e afirmou que estava em uma fase de “popstora”. “Louvado seja o nome daquele que está acima de todos nós, Papai.”

“Depois que o conheci, não tem mais como voltar atrás. Porque não vai ter bunda mole no céu. Só gente casca grossa!”

Em “Cósmica”, o público mostrou sua “sintonia espiritual” com Baby. Ao final da música, os fãs lançaram as mãos ao alto, espalmadas e tremulantes, como em shows religiosos.

“Ela canta o que ela é”, disse Cristina Laranjeira, 54, em apoio ao discurso evangélico. A publicitária acompanha a cantora desde os “Novos Baianos” e classificou o show como “maravilhoso”.

Ela aproveitou a presença do filho Pedro, guitarrista da sua banda, para homenageá-lo por seu aniversário, cantando “Parabéns a você” acompanhada do público.

Enquanto a cantora demorava para voltar para o “bis”, Pedro cantou “Mistério do Planeta”, dos “Novos Baianos”, com ótima recepção do público.

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