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Eles também mentem: um em cada quatro homens esconde da mulher informações sobre seu dinheiro

Pesquisa mostra que mulheres escondem detalhes financeiros para fazer alguma compra

Negócios à parte: casais discordam em relação ao que fazer com seu dinheiro (foto: Brent Lewin/Bloomberg News)

Negócios à parte: casais discordam em relação ao que fazer com seu dinheiro (foto: Brent Lewin/Bloomberg News)

João Sorima Neto. em O Globo

Homens e mulheres tendem a esconder de seus cônjuges informações sobre seu dinheiro. Entre os homens, 24% mentem ou escondem informações, já entre as mulheres esse índice chega a 32%, com maior probabilidade de terem mentido propositalmente para fazer alguma compra. Embora os casais afirmem que compartilham as decisões financeiras, um levantamento feito pelo banco suíço UBS com 2.596 entrevistados, entre março e abril deste ano, mostrou que na realidade as coisas não são bem assim.

Os casais discordam em relação ao que fazer com seu dinheiro, com as mulheres dando prioridade a poupar e pagar dívidas e os homens olhando para investimentos com maior risco. Quando perguntados como se comportam em relação a dez decisões financeiras, como despesas do dia a dia, pagamento de contas, grandes compras, investimento, planejamento de longo prazo, seguros, imobiliário, planejamento imobiliário, financiamento da faculdade e doações para caridade, as mulheres estão mais envolvidas com temas como a poupança da faculdade, o planejamento para compra da casa própria e doações de caridade.

A pesquisa mostrou que 50% dos casais têm diferenças em relação à tolerância ao risco, com as mulheres sendo mais conservadoras e também guardando mais dinheiro, enquanto os homens tentam buscar um retorno mais generoso em suas aplicações financeiras, acima da média do mercado. Nesse quesito, as mulheres preferem receber um retorno mais baixo, mas garantido.

O levantamento mostrou ainda que entre os casais homossexuais, existem algumas diferenças na forma de lidar com o dinheiro. Esses casais são mais propensos a separar seus investimentos por causa das divergências em relação ao risco. Eles também são mais otimistas em relação às suas finanças, bem como em relação à capacidade de atingir metas financeiras. Casais homossexuais estão mais envolvidos com investimento e toleram um pouco mais de risco em seus investimentos, mostrou a pesquisa. Pelo menos 3% dos entrevistados declararam ser homossexuais.

Veja algumas conclusões da pesquisa:

- As mulheres são mais propensas a gerenciar despesas do dia a dia (31%) e a fazer doações para caridade (25%)

- O pagamento de contas é feito por homens e mulheres quase na mesma proporção (40% homens e 36% mulheres)

- As decisões são compartilhadas pelo casal quando o assunto é o setor imobiliário (74%), grandes compras (73%), planejamento para comprar uma propriedade (63%) e financiamento da faculdade (51%)

- A mulher mantém mais dinheiro guardado: 44% são conservadoras em comparação a 36 % dos homens

- 51% dos homens tentam acompanhar ou bater o mercado em seus investimentos, em comparação a 39% das mulheres

- As mulheres ficam felizes com uma taxa de retorno menor, mas garantida (32% das mulheres contra 28% dos homens )

- Os homens são mais propensos a investir imediatamente , as mulheres mais propensas a poupar e pagar dívidas

- Apenas um em cada quatro casais compartilha verdadeiramente suas decisões financeiras

- Casais homossexuais são investidores mais agressivos, otimistas e envolvidos

- Quando os casais homossexuais discordam sobre a tolerância ao risco, eles são mais propensos do que heterossexuais a separar suas contas de modo cada um invista de acordo com sua tolerância ao risco

- Casais homossexuais são mais otimistas e confiantes financeiramente do que casais heterossexuais

Cheia em Rondônia: a única coisa que a chuva não levou foi a fé

Pastor que faz trabalho humanitário relata drama das famílias

Casas de famílias ribeirinhas estão completamente debaixo d'água

Casas de famílias ribeirinhas estão completamente debaixo d’água

Louise Rodrigues, no Jornal do Brasil

Mais de 18 mil desabrigados, fome, doenças e pressa: esse é o quadro que muitas famílias do Estado de Rondônia têm enfrentado todos os dias diante da maior enchente da história na região. A ajuda só chega de avião ou de barco. Quando chega. Na parte alta das cidades, a água ainda não chegou, mas as populações ribeirinhas não escaparam da tragédia. O Rio Madeira subiu e levou embora casas, eletrodomésticos e a terra cultivada por famílias que vivem da agricultura, principalmente plantando banana e mandioca. A fome é aplacada com carne de peixe e, quando é possível encontrar, outros animais. A água contaminada causa doenças e as crianças e idosos são os que mais sofrem. O ribeirinho tem pressa para que a chuva chegue ao fim e ele possa reconstruir sua vida. A única coisa que a chuva não levou foi a fé.

Essa é a pior enchente da história de Rondônia, batendo o recorde de 1997. O Estado convive com a chuva há mais de um mês. Em meio a um quadro desolador, a população conta com a ajuda e solidariedade de quem pode contribuir. Motivado a reunir esforços em prol daqueles que perderam tudo, o pastor José Valamatos, que realiza trabalhos voluntários nessas comunidades, desabafa: “Estamos lutando para minimizar o sofrimento causado pela tragédia”.

Ajuda chega apenas de barco ou avião, estradas estão interditadas

Ajuda chega apenas de barco ou avião, estradas estão interditadas

Valamatos conta que recebeu 50 cestas básicas como doação de uma Igreja em Manaus. Os mantimentos chegaram de barco. “Ficamos muito felizes com a ajuda que recebemos e já distribuímos os alimentos. Só que, infelizmente, não dá para todos”. A alimentação dos atingidos pela chuva é um dos pontos que mais preocupam o pastor. “As pessoas estão comendo praticamente peixe, mas não é só de peixe que se sustenta uma alimentação adequada. Às vezes eles saem para caçar animais e a alimentação acaba sendo basicamente carne”. O grande problema é a escassez dos itens da cesta básica, principalmente, arroz, feijão, sal, açúcar, farinha e café. Valamatos também relata que faltam equipamentos capazes de levar o socorro para todos, deixando muitas famílias sem a ajuda necessária.

Outra preocupação do pastor é com o futuro das famílias que vivem à beira dos rios e igarapés. “Quando as águas baixarem, vai ser uma calamidade. Agora, eles podem pegar uma canoa e fugir para a cidade ou para lugares altos. Só que as águas vão baixar e tudo vai começar do zero: sem casa, sem móveis, sem nada. O solo não vai estar mais próprio para agricultura e o ribeirinho vai ficar praticamente um ano sem produzir sua subsistência”, justifica.

Muitos moradores perderam suas casas com a enchente

Muitos moradores perderam suas casas com a enchente

Ainda segundo Valamatos, as famílias conseguiram subir terras altas e agora aguardam a chuva baixar. Enquanto isso, devido às cheias, elas não podem se sustentar, uma vez que vivem da agricultura. “Essas pessoas perderam tudo, mas o tempo vai ajudar a recuperar o que foi levado”, diz o pastor. Valamatos contou que dez casas estão sendo construídas para abrigar as famílias que precisam. Seis já foram construídas. “Se nós pudermos ajudar de alguma forma, nós vamos ajudar”, afirma.

Além de tudo que já estão sofrendo, os ribeirinhos ainda têm mais uma questão para se preocuparem: a saúde. Devido à contaminação das águas, muitas pessoas, principalmente crianças, vêm apresentando quadros de diarreia, dores no corpo e na cabeça, além de otite, leptospirose, desnutrição e disenteria. “Estamos preocupados com a cólera. Embora ainda não tenham sido registrados casos, pessoas estão doentes e sem acesso total à higiene ou a cuidados”, conta Valamatos.

Para o pastor, a Defesa Civil e o governo do Estado de Rondônia estão conseguindo agir, dentro dos limites estipulados pela tragédia. “Trata-se de uma questão da natureza, uma calamidade ambiental. Não adianta culpar ninguém agora”, afirma Valamatos. No dia 15 de março, a presidente Dilma Rousseff sobrevoou as regiões atingidas pela chuva e mostrou-se preocupada. Na ocasião, a presidente declarou: “Estamos em um momento de fenômenos naturais bem sérios no Brasil. Vamos discuti-los sim”.

No município do Humaitá, onde está o pastor Valamatos, a ajuda chega com um pouco mais de facilidade, devido à localização estratégia entre Manaus e Porto Velho. Ainda assim, a situação é preocupante. Em localidades mais distantes, famílias inteiras estão isoladas, cercadas pela água, longe de suas casas e dependendo da chegada de mantimentos. Estradas estão interditadas, impedindo que caminhões prossigam levando água, alimentos e combustível. Os aviões muitas vezes não encontram lugares para pousar e os barcos, muitas vezes, precisam enfrentar a correnteza para chegarem ao destino final. Diante de um quadro cada vez mais desolador, o pastor Valamatos não perdeu a esperança: “É preciso ter fé”.

dica do Ailsom Heringer

Cadela enterrada viva no RS apresenta melhoras e doações chegam a R$ 8.000

Lucas Azevedo, no UOL

A cadela Bela Vitória, resgatada de uma cova no fim de semana, no interior do Rio Grande do Sul, apresenta melhoras. O animal foi encontrado por um casal apenas com a cabeça para fora, em um buraco na terra, num terreno baldio no centro de Vera Cruz (a 168 km de Porto Alegre), no vale do Rio Pardo, região central do Estado. Devido à grande repercussão, doações para a ONG que acompanha o animal já chegam R$ 8.000.

O cão já se alimenta sozinho, mas ainda não levanta. Sua dieta é controlada e balanceada, uma mistura de ração pastosa e sólida para filhotes –estão sendo dados grãos pequenos porque ela ainda tem dificuldade para engolir.

Segundo a veterinária Juliana Saueressig, que atende o animal em uma clínica na cidade, ela praticamente não possui tecido muscular, continua desnutrida e sofre de uma grave infecção. “O seu quadro precisa melhorar, ela tem que ganhar massa muscular. Quando estiver melhor, passará por uma cirurgia para a retirada do olho direito, vazado. Mas para isso ela precisa suportar uma  anestesia.”

Se comparada ao sábado (8), quando foi encontrada, Vitória já está muito melhor. Mantém a cabeça erguida e, nesta quinta-feira (13), tentou se arrastar para fora da gaiola.

O caso ganhou repercussão no início da semana. A cadela sem raça definida foi encontrada na tarde de sábado por um casal, vizinhos do local, o loteamento Belo Horizonte. Eles chamaram o Corpo de Bombeiros, que desenterrou o animal e o levou a uma clínica veterinária. Os soldados gravaram o momento do resgate.

Os veterinários que cuidam do caso acreditam que o animal deve ter ficado de dois a três dias sem comer. Entretanto, para os especialistas, Vitória possuía um dono que a privava de alimento e água. “Do jeito que ela foi encontrada, estava há muito mais tempo sem água e comida. Certamente ela tinha uma pessoa como dono que não oferecia alimento para ela. Até os cães de rua se viram, encontram o que comer. O que não parecia ser o caso dela. Realmente era falta de oferta de alimento”, afirma a veterinária Juliana.

A Polícia Civil está empenhada em identificar o possível dono de Vitória e o responsável por enterrá-la viva. Testemunhas estão sendo ouvidas.

Muito fraca, Bela Vitória ainda não late. Quem quiser ajudar o cão, pode entrar em contato com a clínica veterinária na qual ela se encontra, pelo telefone 51 3718 2848 ou com a Associação Mãos e Patas, no número 51 9995-2033.

Cristãos movimentam R$ 21,5 bilhões no Brasil

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Publicado no EM

A relação das religiões cristãs com o dinheiro, ao menos abertamente, nunca se deu de maneira confortável. Antes de a chamada teologia da prosperidade apresentar aos fiéis a ideia de que graça divina e riqueza são diretamente proporcionais, o tema só aparecia nos sermões se fosse para ser abominado. Os primeiros padres definiam o dinheiro, ainda nos idos dos anos 200, como “excremento do diabo”, sempre associado à vaidade e ao orgulho, pecados mortais. Os tempos modernos, no entanto, mostraram a outra face de patrimônios bilionários das igrejas, católicas e evangélicas, e surpresas, como as denúncias de escândalos financeiros que teriam sido praticados pelo Banco do Vaticano. O próprio papa Francisco, incomodado com a imagem da Santa Fé, determinou ampla revisão do gerenciamento da instituição.

A despeito do tabu criado em torno das sagradas finanças, atrás de números capazes de medir a força e o ritmo de crescimento da economia movimentada pela fé no Brasil, o Estado de Minas apurou que uma bolada de R$ 21,5 bilhões ingressou nos cofres das igrejas católicas e evangélicas em 2012, com base em levantamento recente divulgado com exclusividade pela Receita Federal. A arrecadação alcança quase R$ 60 milhões, em média, por dia. Padres, bispos e pastores precisaram aprender a contar dinheiro e a gerenciar os templos.

A partir de hoje, o EM destrincha essa economia que a crença alimenta no país, mostrando como instituições religiosas, favorecidas pela imunidade tributária, administram o constante volume de ofertas, dízimos e recursos de outras naturezas. Os dados inéditos da Receita Federal indicam que, em relação a 2011, a arrecadação cresceu 4,3%. Cenários desfavoráveis ou mesmo graves crises econômicas não costumam atingir a receita das igrejas. As doações respondem por 72% do dinheiro em caixa. O restante equivale a rendimentos gerados com aluguel ou venda de bens, aplicações em renda fixa ou mesmo, em casos mais raros, operações em bolsa de valores.

“Não há uma relação de lucro nem de acumular, mas de investir naquilo que ela (a igreja) acredita, que é a fé” – Vigário Flávio Campos, da Igreja de São José, de Belo Horizonte.

A sobra dos recursos doados às instituições, na maioria das vezes, é destinada à poupança ou aplicada em Certificados de Depósito Bancário (CDBs), os dois modelos mais simples de fazer o dinheiro render. Estratégias ousadas, como a compra e venda de ações, em geral, são feitas em nome dos próprios líderes dessas instituições.

Livres da obrigação de pagar impostos, as atividades ligadas à religião utilizam o mercado financeiro como porto seguro para as finanças. Ainda que tenham estrutura, hierarquia e receita dignas de grandes corporações, as igrejas exorcizam o termo lucro e não encaram a gestão dos rendimentos com naturalidade. “O lucro pode não ser a finalidade última, mas se toda instituição religiosa quer crescer de alguma forma, ela precisa ganhar mais do que gasta, e isso não deixa de ser lucro”, pondera o professor Eduardo Gusmão, do Núcleo de Estudos Avançados em Religião e Globalização da PUC de Goiás. Raríssimas igrejas prestam contas publicamente.

Devoção essencial Quando se trata de aperto do caixa divino, Minas Gerais é um dos estados em que mais aflora a importância das doações dos fiéis não só para a evangelização quanto para a manutenção das paróquias e não é por pouco. Minas se destaca na diversidade de festas em louvor de divindades e nos eventos de turismo religioso, segundo o Ministério do Turismo. O número de mineiros que se declaram católicos alcança 70,6% da população de 19,6 milhões, percentual superior à proporção no país, de 64,6% do total dos brasileiros.

Grato pelas bênçãos recebidas, Antônio Santos contribui para a igreja que frequenta, para ser ajudado por Deus

Grato pelas bênçãos recebidas, Antônio Santos contribui para a igreja que frequenta, para ser ajudado por Deus

Segundo a Arquidiocese de Belo Horizonte, formada por uma rede de 273 paróquias espalhadas por 28 municípios da região metropolitana, algumas delas com mais de uma igreja, são as contribuições da fé que bancam o dia a dia. O dízimo (contribuição mensal), a coleta (dinheiro recolhido na hora da missa) e as doações em qualquer tempo representam a principal fonte de manutenção das paróquias. A fé também constrói. Com orçamento de R$ 100 milhões, as obras da Catedral Cristo Rei, de Belo Horizonte, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, morto em dezembro de 2012, foram iniciadas em novembro do ano passado. As doações bancam os serviços, somando até o momento 20% dos recursos necessários.

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