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Estudante com leucemia mobiliza doações de sangue pelo Facebook

Publicado no R7

Ele foi diagnosticado com a doença no fim do ano passado

O estudante de Direito Marcus Vinícius Nery, 20 anos, mobilizou uma grande doação de sangue pelo Facebook. Ele tem leucemia e precisa de 28 bolsas de sangue por dia. O jovem foi diagnosticado com a doença no final do ano passado.

Um evento foi criado na rede social e mais de 4.000 pessoas já confirmaram a doação. Segundo o irmão do estudante, Pedro Nery, mais de 100 pessoas doaram em menos de 24 horas e desde que o evento foi criado, mais de 400 já compareceram ao hospital.

Nery vive em Recife, em Pernambuco, e as doações ocorrem no Instituto de Hematologia do Nordeste. Ele deve receber sangue por pelo menos 45 dias.

O tipo de câncer dele não requer transplante de medula óssea. Ele está internado em um quarto no Real Hospital Português para receber sangue e depois deve continuar o tratamento em casa. O hospital informou que serão necessárias mais de 1.200 bolsas.

Cheio até a tampa

Marina Silva

Tenho tentado ajudar familiares e conterrâneos numa situação dramática que hoje vou ver de perto: a enchente do rio Acre, que já alcançou quase a marca histórica de 1997. Agora, com mais pessoas atingidas, devido ao crescimento urbano sem planejamento.

Entre as pessoas afetadas estão membros da minha família. Meu pai, com 80 anos, como a maioria das pessoas de sua idade, recusa-se a sair de casa, cuja palafita mandou aumentar para que ficasse acima da marca alcançada pela água em 1997. Vizinhos, como dona Antônia e dona Alzira, e minha irmã Doia, que também moram em casas altas, permanecem no local. Minha irmã comprou uma canoa e, com meu sobrinho Eudes, dedica-se ao trabalho de ajudar os desabrigados.

Consigo imaginar a aflição das milhares de famílias no Acre e em vários outros Estados, que olham para o céu indagando quando vai parar de chover ou quando chegarão os recursos prometidos. No caso do Acre, nem tanto: o esforço do governo estadual e das prefeituras, com a ajuda do governo federal, criou uma estrutura para abrigar com segurança e socorrer com rapidez.

Admirável tem sido a mobilização da sociedade e do intenso voluntariado. Os órgãos públicos teriam muita dificuldade para acolher todos.

Na Amazônia, temos uma dádiva, que é a floresta. Em Rio Branco, a situação é mais grave justamente porque é o trecho onde o rio Acre perdeu a maior parte de sua mata ciliar e a subida das águas não tem contenção. Ainda assim, é mais lenta que em outras regiões. Na planície, a água se espalha mata adentro. Em regiões de relevo mais acidentado, sua rapidez e sua força provocam tragédias irreparáveis.

Mas há outro fator adicional, expresso numa palavra muito usada para descrever as melhores práticas de sustentabilidade: resiliência. Essa espécie de teimosia faz com que as pessoas inventem novos modos de conviver com a natureza em mudança e lhes dá capacidade de resistir, adaptar-se e, se necessário, mudar. No caso dos acreanos, sua base é o amor pelo rio que inunda as casas mas que provê os recursos essenciais à vida.

Ao brasileiro não falta solidariedade, nem amor à natureza e resiliência para suportar seus rigores. O Estado e seus dirigentes poderiam aprender essas lições, para distribuir com justiça os recursos e promover adaptações necessárias a este novo tempo de extremos.

Hoje abraçarei meu velho teimoso e, caso o rio tenha subido, tentarei convencê-lo a ir para a minha casa, onde o igarapé São Francisco chega perto, mas não entra.

PS: Campanha Acre Solidário (doações para os atingidos), Banco do Brasil, ag. 0071-X, conta-corrente 100.000-4, CNPJ 14.346.589/0001-99.

fonte: Folha de S.Paulo

foto: Página da notícia

Superando a fadiga da compaixão

Superação Fadiga da Compaixão

Dave Donaldson

Em janeiro de 2010, um terremoto atingiu o Haiti. O desastre matou mais de 250 mil pessoas e devastou a nação mais pobre do hemisfério ocidental .

Em março de 2011, um terremoto atingiu Sendai, no Japão. Não foi apenas um dos maiores terremotos já registrados, também resultou em um tsunami de 10 metros que matou centenas de pessoas.

Junto com as imagens de sofrimento humano em nossa televisão, havia uma abundância global de orações e doações financeiras para ajudar as vítimas. Sem dúvida, o recorde de doações financeiras para esses desastres são, em parte, uma resposta à cobertura constante e generalizada destes eventos pela mídia. No entanto, essa atenção da mídia é uma faca de dois gumes.

Com canais de notícias dando constantes relatórios sobre vários desastres naturais, campanhas de celebridades contra a pobreza no mundo e as imagens de sofrimento que chegam até nós divulgadas por ONGs que oferecem ajuda, parece que não conseguimos fugir dessas histórias da miséria humana. Embora precisemos estar cientes do que está acontecendo, às vezes parece que somos tentados a desligar-nos por causa do excesso. Sofremos de superexposição, e isso pode ser o prelúdio de uma “fadiga da compaixão”.

Fadiga da compaixão é a diminuição gradual da compaixão ao longo do tempo, geralmente causada por um sentimento crescente de que todo o esforço que fazemos é inútil. A compaixão impulsiona a envolvermo-nos: para orar pelas vítimas, doar horas de trabalho voluntário, participar de uma viagem missionária e ajudar mendigos e pedintes. Mas a fadiga da compaixão pode surgimos quando trabalhamos e doamos… mas questionamos por que as coisas não parecem estar melhorando. Eventualmente, isso pode nos tornar insensíveis e não querermos mais ouvir outra história triste ou nos envolver com alguma instituição de caridade que pede dinheiro.

E temos ficado cada vez mais céticos. Não temos certeza se nossas doações vão ser usadas ​​com sabedoria. Especialmente após vermos que muitas dessas ofertas de ajuda nunca chega ao seu destino, mas são desviadas ou mal usadas. Parte das doações muitas vezes foram usadas apenas ​​para custear custos administrativos. Mesmo que se poderia discutir esses eram legítimas e necessárias, muitos doadores sentem-se enganados. Entre os cristãos, há  relatórios de que alguns líderes religiosos retem enormes quantias de dinheiro que deveria ser usado para demonstrar compaixão aos necessitados. Este tipo de abuso tornar as pessoas mais céticos sobre a validade de suas doações. Por isso é preciso avaliar bem a quem confiamos o nosso dinheiro.

Como é triste ver como um punhado de abusadores prejudicam as organizações sérias. Na verdade, a maioria das organizações são muito responsáveis e muito transparentes na maneira como o dinheiro é gasto. A nossa resposta não deve ser a desistir de dar, mas verificarmos a idoneidade e o histórico dos ministérios antes de investir neles.

Por vezes, toda essa compaixão pode ser bem desanimadora. Quando investimos em uma causa que não dá muitos resultados aparentes, podemos  ficar realmente desanimados. Com certeza ficaremos desapontados se investimos tempo, dinheiro e esforço para tentarmos corrigir imediatamente o que é fruto de algo maior, uma injustiça social constante. Nesse caso, é preciso lembrar que as coisas não ficaram iguais ao menos para aquelas pessoas que estamos alcançando diretamente. Será muito pior se simplesmente deixarmos de fazer a nossa parte.

Nossa melhor opção para lidar com a fadiga da compaixão é lembrar que Deus não sente fatiga de compaixão por nós. Se tentarmos lidar com toda a frustração e decepção que surge de nossa própria força, estamos fadados a ser a próxima vítima do desânimo.

Se olharmos apenas para nós mesmos, com certeza iremos experimentar a fadiga da compaixão. Precisamos ficar ligados em Deus, fonte eterna de sabedoria, força, alegria e compaixão. Sem ele para nos fortalecer, não podemos esperar que tenhamos vontade de sempre ajudar os outros. Também passaremos rapidamente a olharmos apenas para nós mesmos, com o desejo de termos conforto e a demanda por soluções de curto prazo. Mas Deus pode renovar constantemente a coragem de fazer sacrifícios, e nos dar uma visão mais paciente sobre os problemas que não serão eternos.

A caixa preta das igrejas

Eliakim Araujo, no Direto da Redação

Silvio Santos bateu o martelo e disse que não vende mais as madrugadas do SBT para pregadores religiosos, mesmo que paguem milhões. Bispos e pastores estavam de olho naquele horário e ofereceram mundos e fundos para conquistá-lo.  As ofertas partiram de todos, desde o bispão Macedo, em sua louca fixação para derrubar a Globo, até Romildo Ribeiro Soares, mais conhecido por RR Soares,  cunhado de Macedo, que já tem sua TV mas é incansável na busca por mais espaços em outras redes.  Também entrou na disputa um tal Malafaia, aquele que garantiu que iria arrecadar alguns bilhões dos fiéis para ter sua própria TV e deu com os burros n’água.

Silvio, bom camelô, o homem que conseguiu dar a volta até na CEF, passando-lhe o mico preto do banco Pan-Americano antes que ele explodisse, deve ter pensado: “pera lá, se esses caras querem tanto esse espaço é porque algum faturamento eles vão ter lá na frente”.  Não sei se ele pensou exatamente assim ou simplesmente decidiu preservar sua TV da catequese massacrante dos nossos respeitados bispos, pastores e apóstolos, mas o fato é que decidiu encerrar as negociações.

Penso que é preciso algum tipo de fiscalização para que todos saibam o que está por trás dessa dominação evangélica nas TVs brasileiras. De onde vem essa dinheirama toda?  Vem de dízimos e do valor obtido com doações, mesmo que envolvam imóveis, veículos e doações, sobre os quais não incide imposto de renda. Ao pé da letra, significa dizer que todos os contribuintes brasileiros estão trabalhando em favor da construção desses impérios, não apenas os fiéis das igrejas.  Essa é uma caixa preta que precisa ser aberta e convenientemente explicada.

Sobretudo a Record, cujos diretores estavam na posse de Dilma desmanchando-se em salamaleques com a presidente, merece ser olhada com cuidado. Algo está errado ali.

Lemos nos jornais que a rede do bispo desembolsou 38 milhões de reais para tirar José Datena, da Band, onde dava religiosos 6 pontos de audiência ou menos.    Estreou na Record com 12 pontos. Uma maravilha, pensou a bisparada. Mas foi só a ilusão do primeiro dia, a chamada audiência de curiosidade. Como ele não apresentou nada de novo, uma semana depois ele estacionou nos sete a oito pontos. Muito pouco para tão pesado investimento.

É até aceitável que a empresa contrate e pague salários milionários a quem ela queira, quebrando a cara ou não, o que não aceitável é que a massa trabalhadora de TV seja punida com medidas radicais de economia para ter dinheiro no fim do mês para pagar as estrelas.

As colunas de TV informam que a emissora do bispo cortou 50% dos salários do pessoal de produção, aqueles que tocam a TV por trás das cameras.  Assim, um produtor que ganhava 5 mil reais passou para 2.500 e um auxiliar de produção caiu de 2.500 para 1.300 por mês. Isso da forma mais radical possível, do tipo pegar ou largar.

Ainda mais ridícula foi a informação de que o próprio presidente da Record, o decorativo Alexandre Raposo, empenhado em reduzir as despesas da emissora, encarregou-se pessoalmente em sair apagando as luzes e desligando aparelhos de ar condicionado. Todas essas medidas de economia foram tomadas após a contratação do Datena.

Ora, uma emissora que paga mensalmente 3 milhões ao Gugu, um milhão ao Datena, 1 milhão ao Justus – que voltou para a Record depois de fracassar no SBT -, não tem o direito de economizar em cima daqueles que realmente colocam a emissora para funcionar.  Alguma coisa está errada em sua administração. São jornalistas, repórteres, produtores, cinegrafistas, operadores de câmera, enfim alguns milhares de funcionários que fazem a máquina andar e que não mereciam essa perda repentina em seus salários, já normalmente aviltados.

Devo dizer que não tenho nada contra os profissionais que são contratados a peso de ouro,  meu protesto é contra a política de sacrifício de muitos em benefício de poucos.

Como a Record é administrada por religiosos, teoricamente todos homens de Deus, fica aqui um apelo para que façam um exame de consciência em suas orações diárias, antes de dormir: corrijam a iniquidade cometida com aqueles que não têm voz nem mídia a seu favor e querem apenas um salário que lhes permita viver com dignidade.