Justiça bloqueia R$ 1 mi de dona da M.Officer em caso de trabalho escravo

Roupa da M.Officer em oficina flagrada com trabalho escravo (Foto: MPT)

Publicado por Leonardo Sakamoto

A Justiça do Trabalho determinou o bloqueio de R$ 1 milhão da M5 Têxtil, dona das grifes M.Officer e Carlos Miele. A decisão foi proferida em caráter liminar após pedido do Ministério Público do Trabalho. Na quarta (13), uma equipe de fiscalização com procuradores e auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego encontrou dois trabalhadores bolivianos produzindo peça da M.Officer em uma confecção no Bom Retiro, bairro da região central de São Paulo. Segundo Christiane Vieira Nogueira, procuradora do Trabalho presente na ação, os trabalhadores estavam em condição análoga à de escravo.

Durante a fiscalização, a empresa não reconheceu a responsabilidade pelos trabalhadores e se negou a firmar acordo com o MPT, contemplando alojamento adequado às vítimas, assinatura da carteira de trabalho, pagamento das verbas relativas às rescisão contratual  e indenizações cabíveis, o que foi rechaçado pela empresa. A matéria é de Stefano Wrobleski, da Repórter Brasil:

De acordo com a ação ajuizada pelo MPT, o pedido de bloqueio é “o mínimo necessário para que seja assegurado o pagamento dos direitos sonegados, a manutenção dos trabalhadores em território nacional, às expensas do empregador, até a completa regularização de sua situação no Brasil, em face da condição análoga à de escravo a que foram submetidos, bem como o pagamento de indenização por dano moral coletivo”.

Igor Mussoly, diretor da M5, em nota enviada à Repórter Brasil, informou que a empresa foi surpreendida com a notícia de “trabalhadores em condições irregulares”, atuando para terceiros ligados a um fornecedor e, portanto, não pode se responsabilizar por fraude ou dolo praticados por esses terceiros. De acordo com ele, estão sendo tomadas as medidas judiciais contra os responsáveis e a M5 trabalhará em conjunto com o MPT e o MTE para esclarecer os fatos.

Como a decisão foi emitida durante o feriado de 15 de novembro, o mérito da questão ainda será avaliado pelo juiz da comarca responsável pela ação. Para a decisão, Helder Bianchi Ferreira de Carvalho, juiz de plantão que recebeu o caso, determinou ainda, através da liminar, que a M5 Têxtil transfira os trabalhadores flagrados e familiares deles para hotel ou outro local que atenda às normas de saúde e segurança, sob pena de multa diária de R$ 50 mil. Além disso, a empresa deve pagar R$ 5 mil a cada trabalhador flagrado, a fim de garantir verbas rescisórias e “eventuais despesas de retorno”.

Os dois trabalhadores são casados e viviam com seus dois filhos no local de trabalho. A casa onde estava instalada a confecção não possuía condições de higiene e não tinha local para alimentação, o que fazia com que a família tivesse de comer sobre a cama. Os quatro tinham que dividir a cama de casal. Também contribuiu para as condições do local de trabalho as instalações elétricas irregulares, a inexistência de extintores de incêndio, apesar do manuseio de material inflamável sem a devida segurança e a falta de equipamentos de proteção individual. De acordo com o artigo 149 do Código Penal, condições degradantes de trabalho caracterizam trabalho análogo ao de escravo.

Além disso, os trabalhadores tinham que pagar todas as despesas da casa, como luz, água, produtos de limpeza e de higiene, o que ficou caracterizado pela fiscalização como um desconto no salário deles, que recebiam R$ 7,00 por peça produzida. Eles costuravam exclusivamente para a M.Officer há sete meses e foram contratados por uma confecção terceirizada pela empresa, a Spazio, de acordo com a ação movida pelo MPT. A Repórter Brasil não conseguiu contato com essa empresa até o fechamento desta matéria.

A equipe de fiscalização considerou que a M5 Têxtil é a empregadora direta dos trabalhadores flagrados e que, mesmo se não fosse, tem responsabilidade solidária pela cadeia produtiva, conforme a legislação vigente. Por isso, o MPT e o MTE propuseram a assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) e o pagamento das verbas rescisórias e registro na carteira de trabalho para solucionar o problema extrajudicialmente. A M5 Têxtil, no entanto, se recusou, alegando que não tinha responsabilidade pelos trabalhadores, o que motivou a ação cautelar movida pelo MPT.

Segundo página na internet da ABVTEX (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), a M5 Têxtil, uma de suas associadas, é signatária do selo ABTEX, que tem o objetivo de “mapear a cadeia de fornecedores e, caso seja necessário, capacitá-los em boas práticas de responsabilidade social”.

De acordo com Mussoly, “a M5 tem uma relação comercial de compra de produtos prontos e acabados com fornecedores idôneos, devidamente certificados pela ABVTEX, para posterior venda em nossas lojas”.

“Os fornecedores da M5, que também são fornecedores de outras marcas famosas, são selecionados após criteriosa seleção e somente são aceitos se pré-certificados pela ABVTEX ou SGS. A empresa é extremamente rigorosa com seus fornecedores exigindo, por contrato, o cumprimento integral da legislação trabalhista sob pena de denúncia às autoridades competentes, além de diversas outras severas sanções”, completa.

A reportagem entrou em contato com a ABVTEX após às 19 horas, mas não encontrou ninguém para comentar o episódio.

De acordo com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, a empresa foi notificada a comparecer no dia 25 de novembro para comprovar a formalização, a rescisão e a quitação dos contratos de trabalho com os dois trabalhadores.

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Emoção marca reencontro de idosa com a macaca ‘Chico’ em São Carlos

Após 16 dias, animal foi entregue à dona na noite desta segunda-feira.
‘Não tenho palavras, sonhava com esse momento’, declarou aposentada.

Chico ganhará novo espaço em São Carlos e terá a alimentação controloda (foto: Fabio Rodrigues/G1)
Chico ganhará novo espaço em São Carlos e terá a alimentação controloda (foto: Fabio Rodrigues/G1)

Fabio Rodrigues, no G1

“Não tenho palavras, parece mentira. Eu sonhava com esse momento”. Foi assim que a aposentada Elizete Farias Carmona relatou na noite desta segunda-feira (19) a emoção que sentiu em São Carlos (SP) ao pegar no colo novamente a macaca-prego ‘Chico’, de quem ficou separada por 16 dias.

O animal que ela criou por 37 anos foi retirado pela Justiça no dia 3 deste mês e levado para a Associação Protetora dos Animais Silvestres (APASS) de Assis (SP), distante a 330 quilômetros, onde ganhou o nome de ‘Carla’, já que se trata de uma fêmea. Uma liminar concedida pela juíza Gabriela Muller Carioba Attanasio, na terça-feira (13), determinou o regresso do animal a São Carlos.

“Foi uma judiação tirar o bicho daqui. Para mim, ele vai ser sempre o meu filho Chico. Estou muito feliz porque agora a família está completa”, declarou dona Elizete, que precisou tomar remédios e se acalmar devido à ansiedade de receber o animal na noite desta segunda-feira.

Por volta das 23h20, a equipe da Polícia Ambiental chegou à casa da aposentada, que aguardava na garagem. Vizinhos e a imprensa também apareceram para registrar o momento do reencontro. Por questão de segurança, o capitão Gilson Silva de Souza, que comanda a Polícia Ambiental na região de Ribeirão Preto e São Carlos, pediu à aposentada que recebesse o animal dentro da residência porque não daria para saber como a macaca reagiria.

Ao sair gaiola em que foi transportada na viagem de três horas e meia de uma cidade a outra, a macaca foi para o colo da dona. “Surpreendeu porque nós esperávamos que ela pudesse ter alguma reação agressiva devido à presença de várias pessoas. Mas ela reconheceu muito rapidamente a dona e demonstrou afetividade. Isso todos viram muito claramente”, afirmou o capitão.

Para o advogado da família, Flávio Lazzarotto, o caso teve um desdobramento positivo. “Foi uma forma legal de demonstrar que nem sempre a lei, se vista friamente, vai cumprir o fim dela, que é proteger a vida e o bem-estar do animal. Para mim, o bem-estar dele é com a família, como é o entendimento da jurisprudência. Prevaleceu o bom senso”, avaliou.

Macaca-prego 'Chico' com a dona após 16 dias separados (foto: Fabio Rodrigues/G1)
Macaca-prego ‘Chico’ com a dona após 16 dias
separados (foto: Fabio Rodrigues/G1)

Adaptações

A aposentada terá um prazo de dez dias para providenciar local adequado para o bicho ficar e ainda ter atenção especial quanto à alimentação da macaca, o que deverá ser comprovado por um laudo profissional. A nova vida da macaca Chico será acompanhada pela bióloga Ariane Maria Leoni, que contará com a ajuda de uma veterinária.

“Faremos um trabalho conjunto. Quanto à alimentação, vamos introduzir, aos poucos, ração, legumes e frutas que ele já comia aqui na casa e outras que ele não conhece. Em relação ao lugar a macaca vai ficar, faremos adaptações de forma que ela possa receber itens de enriquecimento ambiental”, disse.

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Compartilhamento de dramas torna redes sociais espaço para terapia virtual

Na busca por ajuda ou mesmo manifestações de amparo, o Facebook se consolida como canal para relatos de episódios negativos, de doenças a perda de animais de estimação

À procura de king: abraçada à mascote Jady, Simone usa perfil no Facebook para tentar encontrar seu outro dachshund, desaparecido há mais de um mês (foto: Carlos Macedo / Agencia RBS)
À procura de king: abraçada à mascote Jady, Simone usa perfil no Facebook para tentar encontrar seu outro dachshund, desaparecido há mais de um mês (foto: Carlos Macedo / Agencia RBS)

Larissa Roso, no Zero Hora

O perfil de Simone Bonilha no Facebook se transformou no diário de uma profunda tristeza nas últimas cinco semanas. “Esse é o meu filhote King que desapareceu! Amigos, por favor me ajudem a encontrar, tá doendo muito ficar sem ele”, escreveu a assistente administrativa de 36 anos em 16 de julho, junto da foto do dachshund que seria compartilhada 158 vezes. Dois dias antes, Simone encontrou caído um pedaço da tela que cerca o pátio da casa, na Restinga, na Capital. Jady, a outra mascote, latia, estranhando a ausência do companheiro.

“Preciso do meu pequeno. Muitooo”, postou Simone. “Para muitos apenas um cachorro, pra mim meu filhote amado. Essa dúvida de onde e como está meu King me destrói…”, acrescentou. Multiplicam-se as mensagens de encorajamento, remetidas até por desconhecidos. “Todas as tempestades passam, mas as árvores que têm raízes fortes e firmes permanecem. Eu faria qualquer coisa pra ver você voltar a sorrir de novo”, escreveu uma amiga. “Fé que ele volta”, aconselhou outro.

— Me sinto acolhida. Sinto que vou encontrar. Minha esperança redobra. Parece que pegam a minha mão — descreve a dona de King, sofrendo com falta de apetite e um sono inquieto.

Dramas diversos circulam nas redes sociais a todo instante. É bem provável que quem desabafa sobre períodos de luto, doenças de longo tratamento, descrença no cenário político, relacionamentos desfeitos, episódios de violência ou o péssimo atendimento no sistema público de saúde encontrará, na numerosa plateia online, alguém capaz de prover palavras de amparo ou, no mínimo, manifestar-se por meio do mais simples mecanismo de solidariedade instantânea, a ferramenta “curtir” do Facebook.

Imersos em situações graves ou enfrentando desgostos mais amenos, os internautas adaptam ao ambiente virtual uma prática essencial para o bem-estar psicológico: falar sobre os próprios problemas. O psicanalista Luciano Mattuella explica que o olhar do outro é fundamental para a constituição de cada um. Ao divulgar imagens de um lugar exótico e distante visitado nas férias, a pessoa busca a confirmação, entre os pares, de que aquele passeio foi mesmo incrível — a oportunidade de compartilhar conquistas com centenas ou milhares de destinatários rapidamente, e de ser festejado por eles, é um dos grandes atrativos das redes sociais. No caso de ocorrências negativas, o intuito é extravasar para encontrar alívio, ainda que superficial.

— É uma tentativa de achar outros na mesma situação. Em situações de tristeza e indignação, a nossa primeira necessidade é compartilhá-las, buscar no outro acolhimento e até algo de esperança: ele conseguiu passar por uma situação como a minha. Ajuda para não ficar solitário no sofrimento. A gente vive numa época em que o virtual adquiriu muita consistência de real — afirma o psicanalista.

Simone norteia os dias pelos acessos ao site. A partir das pistas enviadas, verifica pessoalmente cada suspeita de que o cachorro tenha sido encontrado. Renova os apelos, republicando fotos e promessas de recompensa, e conversa com donos de bichos de estimação perdidos. O sumiço de King, explica, abalou-a ainda mais em um momento de bastante dificuldade.

— Hoje vejo o Facebook de outra maneira. Crio vínculos, consigo me expressar, dizer o que estou sentindo. Se estiver chorando de madrugada e postar qualquer coisa, alguém vai me ajudar — conta a assistente, que confessa ter se sentido um pouco constrangida no início. — Alguém deve dizer: “Coitada, decerto nunca teve filho”. Agora não estou nem aí. Faço. Vou à luta — completa.

Mattuella atenta para a prudência. Ao cogitar narrar mágoas e apuros publicamente, o usuário precisa lembrar que alguns detalhes devem ser preservados:

— Há questões que são do plano íntimo. Nem tudo que é íntimo deve ser compartilhado. Aquilo que é do íntimo deve ser endereçado a alguém que você conhece e sabe que pode ajudá-lo. Algo que faz sofrer é muito particular e, para os outros, pode não ter sentido.

Acolhida deu ânimo à família de Jackson
Acolhida deu ânimo à família de Jackson

Acolhida deu ânimo à família de Jackson

Em meio ao processo judicial para conseguir que o Estado custeasse um marca-passo diafragmático para o filho, a dona de casa Simone Ferreira, 35 anos, e o metalúrgico Jorge Ilario Bottim, 37 anos, moradores de Caxias do Sul, surpreenderam-se com a acolhida de usuários do Facebook ao drama da família. Vítima de um atropelamento em 2010, Jackson Rafael, hoje com oito anos, ficou tetraplégico e dependente de um ventilador mecânico.

Ao dispensar a necessidade de tomadas e extensões, o novo aparelho permitiria que o menino respirasse de forma mais espontânea e ganhasse mobilidade ao ser deslocado com a cadeira de rodas. Simone criou perfis para sensibilizar a população e as autoridades. “Logo estarei ‘livre’, daí sim vou poder ter acesso a uma biblioteca”, escreveu ao publicar uma imagem de Jackson com um título infantil. Junto de outra foto, compartilhada 99 vezes, um convite: “Vamos sorrir para a vida”.

— Ajudou bastante. As pessoas iam compartilhando e comentando. Fui me identificando com outras mães — recorda a dona de casa.

Depois do desfecho positivo, Jackson se submeteu a uma cirurgia para implante do componente interno do marca-passo em abril. Simone segue abastecendo as páginas com registros dos progressos na adaptação. “Viva o Jackson! O sonho se realizando!”, festejou um amigo ao ver uma foto do aluno da 3ª série com o dispositivo que começa a suavizar uma rotina repleta de limitações. “Só temos coisas boas para agradecer”, postou Simone.

— É uma criança feliz — observa a mãe.

A psicóloga Silvia Benetti salienta que é importante se sensibilizar com quem enfrenta traumas, principalmente em um ambiente, como o virtual, onde o êxito profissional, os bens e a beleza são tão expostos e valorizados:

— As pessoas têm tido dificuldade para ouvir o sofrimento do outro. Há uma ditadura da felicidade, mas a vida é difícil. (mais…)

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Suposto golpe Telexfree: mecânico realiza sonhos, e mulher perde casa

Divulgadores da Telexfree participam de manifestação na Av. Paulista, em São Paulo, contra a proibição do funcionamento da empresa (foto: J. Duran Machfee/Futura Press)
Divulgadores da Telexfree participam de manifestação na Av. Paulista, em São Paulo, contra a proibição do funcionamento da empresa (foto: J. Duran Machfee/Futura Press)

Publicado originalmente no UOL

De cada dez moradores do Acre, um virou divulgador da Telexfree. São cerca de 700 mil habitantes no Estado, e 10% deles aderiram ao negócio, segundo estimativa do Ministério Público Estadual (MPE/AC).

Desde que a empresa foi proibida de operar e teve seus bens bloqueados, por suspeita de formação de pirâmide financeira, esse tornou-se um dos principais assuntos nas ruas das 22 cidades do Estado.

Alguns com medo de perder o que investiram, outros envergonhados, ou instruídos pela empresa, poucos concedem entrevistas, e quando aceitam, não querem ter seu nome ou foto divulgados.

A promotora de Justiça de Defesa do Consumidor do Ministério Público no Acre Alessandra Marques conta que tem sido procurada por pessoas desesperadas.

“Veio um senhor chorando, dizendo que o filho o havia convencido a vender casa e carro para investir R$ 160 mil na Telexfree.”

No país inteiro, estima-se que mais de 1 milhão de pessoas tenham investido suas economias na empresa. O MP disse que não há previsão de quando a Justiça irá resolver o caso.

Dona de casa vendeu casa e limpou conta no banco

A dona de casa Maria Olcione, 38, moradora de Brasiléia (AC), a 234 km de Rio Branco, vendeu a casa em que morava com a família e limpou as economias no banco para investir cerca de R$ 30 mil na Telexfree.

Ela conheceu o negócio por meio de amigos e familiares, e aderiu em novembro de 2012, pela internet. “Vi que todos se davam bem, então resolvi entrar”.

Conseguiu convencer outros 15 divulgadores e, por isso, não pagava mensalidade no negócio. O primeiro retorno do investimento veio em janeiro e nos quatro meses seguintes. Ela diz ter recebido de volta cerca de R$ 10 mil.

Sem casa própria, ela passou a morar com o marido e os três filhos em um imóvel alugado por R$ 450 ao mês. Com o dinheiro da Telexfree, pagava o aluguel e a faculdade do filho -que estuda medicina na Bolívia.

“A Telexfree foi um anjo”, diz. “Estava tudo indo muito bem, mas agora não tenho nem o que comer. Acabei de buscar um pacote de arroz na casa da minha irmã para almoçar, porque não temos mais dinheiro”, declara.

As contas da família não fecham mais: estão atrasados o aluguel e a conta de luz (três meses). A faculdade do filho também não está sendo paga. “Estamos desesperados.”

Teria mais dinheiro a receber, segundo foi informada pela empresa, mas isso não estaria ocorrendo devido à suspensão das atividades pela Justiça. Mesmo assim, ela diz não ter se arrependido de entrar no negócio, afirmando que o bloqueio foi por determinação judicial, não por vontade da empresa.

“Vi que todas as pessoas que entravam se davam bem. É apostar no escuro. Resta-me apenas esperar. Passo 24 horas pensando como será minha vida .”

Eletricista tomou emprestado R$ 3.000 de agiota

O eletricista Sebastião Domingos, 30, morador também de Brasileia (AC), diz ter tomado R$ 3.000 emprestados de um agiota, com juros de 10% ao mês, para fazer parte da Telexfree. Na semana em que embolsaria o lucro, a Justiça suspendeu as operações da empresa.

“Meu salário não dá para cobrir esse empréstimo. Entrei na empresa porque vi que era legalizada, mas agora estou a ponto de enlouquecer. Se me devolvessem pelo menos os R$ 3.000, eu estava satisfeito.”

Mecânico mudou de vida e realizou ’99% dos sonhos’

Um homem de 35 anos, que pediu para não ser identificado, conta que deixou a profissão de mecânico após aderir à Telexfree. Ele não informa quanto investiu, mas diz que recuperou tudo e ainda obteve lucro. Com esse dinheiro, afirma que conseguiu pagar um empréstimo bancário de R$ 50 mil e viajar com a família.

“A empresa é fantástica. Realizei 99% dos meus sonhos”, disse. “Agradeço a Deus pela oportunidade e quero bastante que os serviços voltem.”

Oficial de Justiça vira ‘herói’ no Acre

O oficial de justiça Shawke Lira, 36, tornou-se uma figura conhecida no Acre e uma espécie de “herói” para os divulgadores da Telexfree no Estado. Ele foi um dos primeiros a entrar no negócio, e tem mais de 51 mil pessoas cadastradas em sua rede.

Em seu perfil no Facebook, Lira diz ter conseguido dinheiro suficiente para viver bem e poder ajudar seus familiares. Pessoas próximas dizem que Shawke ganhou mais de R$ 1 milhão, mas ele nunca comentou os valores absolutos. A reportagem do UOL tentou entrar em contato com Lira, mas não obteve resposta.

“A Telexfree faz parte da minha história de mudança de vida, de realização dos meus sonhos e de toda minha família. Portanto, estarei com ela até uma decisão definitiva. Não importa o tempo que tenha que esperar. Estarei com a Telex, pois não vai doer mais do que a dor atual esperar um pouco mais”, escreveu em seu perfil no Facebook.

Comerciantes reclamam da queda nas vendas

O comércio do Acre tem sentido o efeito do bloqueio das operações da Telexfree e dos bilhões de reais retidos pela Justiça. O presidente da Associação Comercial e Industrial (Acisa) Jurilande Aragão revelou que empresários reclamam que diminuiu a circulação do dinheiro no Estado.

“Fizemos reuniões com os comerciantes sobre uma possível crise, mas não podemos fazer nada. O comércio está sentindo e o reflexo será demorado”, disse. Ele estima que a queda no comércio em todo o Estado tenha sido de quase 30%.

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Após 37 anos, macaco tratado como filho é tirado da família em São Carlos

Polícia Ambiental disse que apenas cumpriu determinação da Justiça.
Dona do animal passou mal e teve que ser levada ao pronto-socorro.

Chico adorava ficar no colo de dona Elizete (foto: Fabio Rodrigues/G1)
Chico adorava ficar no colo de dona Elizete (foto: Fabio Rodrigues/G1)

Felipe Turioni, no G1

O macaco-prego Chico, que há 37 anos vivia com uma família de São Carlos (SP), foi retirado do local, na manhã deste sábado (3), pela Polícia Militar Ambiental após denúncia. O animal se agarrou ao pescoço da dona e ofereceu resistência ao ser levado da casa. Elizete Farias Carmona, de 71 anos, que o tratava como filho, passou mal e teve que ser levada ao pronto-socorro.

De acordo com Fernando Magnani, biólogo de São Carlos e vice-presidente da Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil, o macaco pode oferecer resistência para se adaptar após tanto tempo domesticado.

“A reintegração de primatas é possível se houver acompanhamento técnico específico e investimento. E se for apresentado a um grupo como o seu, o sofrimento pode ser reduzido, mas se não conseguir se reintegrar, ele pode sofrer muito”, explicou.

Segundo o tenente da Polícia Militar Ambiental Leandro José Oliveira, que acompanhou a retirada do macaco, em março foi dada uma licença provisória para que Chico ficasse com Elizete até que fosse encontrado um lugar adequado para ele, o que aconteceu agora.

Ainda segundo o policial, como a idosa não tem documentos que comprovem o direito de manter o macaco, não haveria como ficar com Chico. A dona de casa foi advertida e vai responder pelo crime de manutenção de animal silvestre em cativeiro. Chico foi levado para a sede da Associação de Proteção aos Animais (APA), em Assis, que fica a 330 quilômetros de São Carlos.

A reportagem do G1 não encontrou nenhum representante da APA de Assis para comentar o trabalho de readaptação.

Notificação
Segundo o filho de Elizete, o aposentado Everaldo Furlan, uma notificação á havia sido entregue à sua mãe há dois meses. “Nós sabíamos que isso poderia acontecer, mas fomos pegos de surpresa porque os policiais disseram que ele estava domesticado e só seria investigado, sem ser retirado dela”, relatou.

Furlan disse que o animal não queria deixar a casa e mostrou muita resistência. “Até os policiais ficaram com dó da minha mãe. O Chico não queria ir”, contou.

“Quando a polícia chegou, ele ainda estava dentro da casinha dele, meu pai o retirou, ele ficou no colo da minha mãe para tomar leite, como faz toda manhã, e depois meu pai foi pegá-lo para colocá-lo de volta na casinha para ser levado, foi quando ele fez um berreiro e não queria sair do colo da minha mãe de jeito nenhum”, relatou.

Elizete chegou a desmaiar e foi encaminhada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), com queda na pressão. Ela fez exames, já que tem problemas no coração, foi medicada e  repousa em casa.

Causas
A família não sabe o que pode ter motivado a retirada do animal de dentro da casa e aguarda a ajuda de algum advogado para poder recorrer da decisão da Justiça. “Em 37 anos ele nunca mordeu ninguém. A vizinhança adora ele, tanto é que depois que ele foi embora, pelo menos umas 30 pessoas vieram até a casa da minha mãe para prestar solidariedade”, disse Furlan.

Segundo ele, o macaco seria levado pela família para uma chácara nos próximos dias. “Queríamos deixá-lo em uma chácara, mas agora com esses acontecimentos não sabemos o que fazer”, lamentou. De acordo com o tenente, entretanto, nesse caso não cabe recurso.

História

Chico era atração no bairro onde morava em São Carlos (foto: Fabio Rodrigues/G1)
Chico era atração no bairro onde morava em São
Carlos (foto: Fabio Rodrigues/G1)


Chico vivia há quase 40 anos com a família no Jardim Beatriz e sempre foi tratado como filho pela dona de casa Elizete. O macaco-prego chegou a ganhar o sobrenome da família e seu nome completo é Francisco Farias Carmona.

O animal virou a atração dos moradores no bairro. Crianças e adultos sempre paravam na calçada para brincar com ele. Chico retribuía o carinho e até jogava beijos quando via alguma garota, segundo sua tratadora.

O macaco chegou ao bairro por meio de um caminhoneiro vindo do Mato Grosso. Ele frequentava a casa da família devido à amizade que mantinha com a mulher e com os filhos.

Denúncia
Em entrevista ao G1, em fevereiro deste ano, Elizete contou que há mais de 20 anos recebeu fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) junto com soldados da Polícia Ambiental em casa devido a uma denúncia.

“Eles entraram e viram as condições e como o Chico é tratado. Até minha vizinha interveio e disse que se levassem o macaco, eu morreria porque ele é como um filho. Desde então, recebi autorização”, contou na época. Entretanto, a idosa não conseguiu localizar a documentação que comprove essa licença.

Segundo o Ibama, não há como legalizar a situação. Quando há uma denúncia, os fiscais vão ao local, aplicam multa, apreendem o bicho e o levam para alguma instituição. Caso não exista um ambiente para receber o animal e não for constatada nenhuma irregularidade onde ele vive, é feito um Termo de Fiel Depositário. Com esse documento, a pessoa não pode ser multada novamente.

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