Cesar Grossmann, no Hypescience
Um fato estranho na natureza tem desafiado os biólogos há mais de um século. Darwin, em 1871, havia notado que, na maior parte dos animais, é a fêmea que cuida dos filhotes, enquanto os machos ficam competindo entre si por elas.
A explicação evolutiva é que as fêmeas investem quantidades significativas de energia na produção dos ovos (no caso dos mamíferos, no nascimento), e assim é de interesse delas garantir a sobrevivência de suas crias.
Mas, em algumas espécies, existe uma reversão nos papéis dos sexos, com machos cuidando dos filhotes em vez das fêmeas. Um estudo recente aponta que talvez a razão para isto seja a disparidade entre o número de fêmeas e machos.

Depois de mais de vinte anos de investigação, o grupo de pesquisadores da Universidade de Bath e Veszprém , da Hungria, determinou que, nestas espécies, há claramente uma taxa muito maior de machos do que fêmeas, comparado com as espécies em que as fêmeas cuidam dos filhotes.
Segundo o professor Tamás Szekely, os modelos matemáticos sugeriam que o comportamento dos animais era influenciado pelo ambiente social, e as observações na natureza confirmam estas predições.
Segundo ele, “quando existem muitos machos na população, é mais difícil encontrar fêmeas, o que faz com que os machos permaneçam com suas parceiras e cuidem da cria. Só que as fêmeas geralmente usam esta vantagem a seu favor, abandonando o macho com o filhote”.
Para completar o quadro, nas espécies em que os papéis são trocados, as fêmeas também são maiores e assumem o papel masculino de competirem entre si por outros machos.
Apenas entre os mamíferos a troca de papéis não é comum, já que os machos não podem produzir leite, o que torna difícil que assumam sozinhos a criação dos filhos. Uma das espécies mamíferas em que as inversões de papéis já foram observadas são os humanos.