Arquivo da tag: doze

Luciana Gimenez revisará redações do Enem

Aprovação no Enem passou a ser obrigatória para assumir cargos públicos.

PH1363809473x8232

Publicado impagavelmente no The Piaui Herald

VILA BRASILÂNDIA – Profundamente chateado com as desatenções nas correções de provas do Enem, o ministro Aloizio Mercadante decidiu imitar o novo papa e dar o bom exemplo: viajou com a comitiva de Dilma para o Vaticano e rezou doze orações coordenadas assindéticas para Ave Maria. “Comprei um terninho na promoção para ficar em sintonia total com o Santo Padre”, disse o Ministro. Após uma iluminação, Mercadante convidou a apresentadora Luciana Gimenez para liderar a banca que coordenará a revisão das redações. “Montei um time superpop com os linguistas Mr. Catra, Kléber Bambam e Jeca Tatu”, anunciou a apresentadora. “A norma culta não deve se sobrepor à língua de carne e osso que bomba nas ruas”, completou.

Ultrajadas, minorias defensoras da norma culta organizaram uma passeata a favor da mesóclise e contra a língua presa de Lula. “Basta de perdigotos! O país precisa de um banho de crases!”, gritavam os manifestantes, brandindo pelas ruas tomos do dicionário Caldas Aulete. O jornal O Globo aproveitou para atingir o ex-presidente em exercício em seu editorial: “Ver-se-á o dia em que o apedeuta, como o definiu para sempre o imortal Romualdo Azedo, ainda vai pleitear um assento (assento, com dois esses!!!) entre os acadêmicos. A casa de Machado de Assis, Roberto Marinho e Merval Pereira não pode ser vilipendiada por párias da língua”, decretou o jornal.

Atingido por um ditongo crescente perdido, Mercadante recebeu os manifestantes para justificar sua escolha por Gimenez: “Fi-lo porque qui-lo”. A seguir, explicou suas razões: “Marco Feliciano está na Comissão de Direitos Humanos, Blairo Maggi na presidência da Comissão do Meio Ambiente. Estamos em linha com a vanguarda política brasileira”, analizou.

Ex-funkeira, Perlla lança álbum gospel e diz que era muito doida

Perlla lançou o álbum gospel "A Minha Vida Mudou" pelo selo Central Gospel Music

Perlla lançou o álbum gospel “A Minha Vida Mudou” pelo selo Central Gospel Music

Renato Damião, no UOL

Aos 24 anos e grávida pela segunda vez, Perlla vive uma nova realidade. A cantora que chegou a ser considerada a “rainha do funk melody” carioca – ao emplacar nas rádios a canção “Tremendo Vacilão” – agora se prepara para lançar seu primeiro álbum gospel intitulado “Minha Vida Mudou”.

“Achei que não fosse cantar mais, não queria mais cantar. Estava feliz cuidando da minha casa, do meu marido, da minha filha”, contou Perlla em conversa ao UOL. Os responsáveis por fazerem a artista mudar de ideia foram seu marido, o músico Cassio Castilhol, e Silas, o pastor da igreja que frequenta em Vilar dos Teles, baixada fluminense do Rio. “Em um mês o CD estava pronto. Nosso querer não é o querer de Deus”, explicou.

Nas doze faixas do álbum, apenas uma fala de amor, segundo a cantora, todas as outras são sua maneira de “honrar a Deus”, caso de “A Vitória Já é Minha” e da faixa-título, “Minha Vida Mudou”. Indagada sobre a mudança de estilo – e de vida – Perlla admitiu que “era muito doida”.

“A Perlla antiga era muito doida, fazia coisas que não agradavam aos olhos de Deus. Bebia, fumava, tinha um comportamento que não condizia com a pessoa que nasceu em um berço evangélico”, ressaltou ela que chegou a ser noiva do jogador de futebol Léo Moura. A fama e o sucesso, segundo Perlla, não a preenchiam. “Passei por muita tristeza e infelicidade”, contou sem entrar em detalhes.

“Não gosto de ouvir palavrão”, diz Perlla

Para Perlla o funk, como ritmo, ainda continua agradando seus ouvidos. “Existe funk gospel e minha filha ouve, adora”, disse ela referindo-se a primogênita Pérola. “O que eu não gosto é de ouvir palavrão, na minha casa não quero nada que não seja edificante, diminui até a quantidade de televisão que assisto”, opinou.

Longe dos antigos companheiros de trabalho do funk, a artista garantiu que não tem problemas com o passado de funkeira, mas que hoje “é uma nova criatura”. Suas experiências são contadas em cultos. “As almas se rendem”, afirmou ela sobre jovens que a procuram para ouvir seus conselhos.

Sem temer críticas ou perda de popularidade – principalmente dos fãs de “Tremendo Vacilão” – Perlla pretende seguir fazendo apresentações em igrejas. “Os [fãs] que ficaram se tornaram amigos e conhecem a nova Perlla, uma Perlla de verdade”, finalizou.

Em poema, pastor planeja encontro de Niemeyer com anjos no céu

O pastor luterano Mozart Noronha chamou a atenção pela forma com que conduziu sua participação no culto ecumênico em homenagem ao arquiteto Oscar Niemeyer

Juliana Prado, no Terra

Quem esperava que o culto ecumênico em homenagem ao arquiteto Oscar Niemeyer, o ateu comunista, fosse motivo de algum constrangimento, se surpreendeu. Na tarde desta sexta-feira, o penúltimo ato formal de despedida ao arquiteto, morto aos 104 anos no Rio de Janeiro, foi marcado por várias citações descontraídas ao ateísmo de Niemeyer e também ao fato de ele ser comunista.

Foi a própria dupla de padres, além de um pastor e um rabino, a responsável por dar um tom ameno à celebração – mesmo que o burburinho reinante fosse de que não combinava realizar um ato religioso para celebrar a alma de um ateu. O pastor luterano Mozart Noronha chamou a atenção pela forma com que conduziu sua participação na cerimônia. Mais que demonstrar respeito à opção de Niemeyer pela ausência de uma prática religiosa, homenageou o arquiteto com um poema. Nele, ao chegar no imaginário céu, Niemeyer, com a bandeira comunista em punho, pergunta pelo companheiro Luiz Carlos Prestes e ainda é recebido por anjos em coro da Internacional Comunista. Ao final da peleja, uma sutil controvérsia: é convidado a entrar no cenário celestial, aquele que nunca acreditou existir. Afinal, para Niemeyer, a visão da vida sempre foi de finitude, bastante crua e prática: “a vida é um sopro, um minuto. A gente nasce, morre. O ser humano é um ser completamente abandonado…” , dizia o arquiteto.

A seguir, a íntegra do texto do pastor-poeta, lido no culto ecumênico:

Numa tarde de verão,
Dia cinco de dezembro
Do ano dois mil e doze,
Vi a Santíssima Trindade
Reunida de emergência,
Ordenando aos seus apóstolos
Receberem Niemeyer
O incansável guerreiro
Que do Rio de Janeiro
Partiu para a eternidade
Deus estava mui feliz
O espírito nem se fala!
E na comunhão do além
Recomendaram que os anjos
Organizassem um coral
Em homenagem ao arquiteto
Cantando a Internacional.

Logo os músicos reunidos,
Sopranos, baixos e tenores,
Com todos os seus instrumentos
Entoaram uns mil louvores
Externando os sentimentos.

Juntaram-se os trovadores,
Mil pintores e poetas,
Abraçando os escritores
Numa festa sem igual.
Niemeyer vestia azul,
Com a bandeira vermelha
Segurada à mão esquerda,
Bem como a foice-martelo.
Indagou por Carlos Prestes
E todos os seus companheiros.

Deus que sempre sentiu dores
De um povo pobre e oprimido
Disse: entre aqui, Niemeyer.
No céu você tem lugar.

dica do Norberto Carlos Marquardt