Eduardo Suplicy: “Não teriam levado meu celular se tivessem renda básica”

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Título original: Felicidade e susto na Virada Cultural

Eduardo Suplicy, na Folha de S.Paulo

Como muitos paulistanos, tive dificuldade de escolher entre as atrações a que gostaria de assistir no último final de semana, gratuitamente, na Virada Cultural. Fiquei contente que, por sugestão minha e de outros, o prefeito Fernando Haddad e o secretário da Cultura, Juca Ferreira, convidaram para se apresentar os Racionais.

Eu estava lá na praça da Sé, em 2007, quando por volta das 4 horas surgiram conflitos por causa da forma com que a PM tentou conter a superlotação no apresentação do grupo. Mesmo com o apelo de Mano Brown, não houve como parar a ação violenta da polícia. O show precisou ser interrompido.

Tendo assistido muitas vezes aos Racionais, eu tinha certeza de que eles poderiam cantar outra vez na Virada Cultural, num ambiente tranquilo, como aconteceu na praça Júlio Prestes, na tarde do último domingo, diante de uma multidão que se apertava por inúmeros quarteirões. Mano Brown falou com a sua costumeira assertividade: “Eu vim ontem à noite na Virada e vi muita covardia. Todo mundo fala da polícia, do sistema, mas vi vários manos se desrespeitando, se roubando, se saqueando. O rap precisa de caráter, não de malandragem”.

Eu tinha passado por um susto. No sábado, vindo de Ribeirão Preto, fui direto à praça Júlio Prestes para assistir aos shows de Daniela Mercury e Gal Costa. Fui em direção ao palco em que Daniela cantava. Foi difícil atravessar a multidão. A cada passo, eu era parado para tirar fotos, abraçado e beijado. Até recebi um pedido de casamento de uma bonita moça, mas eu disse que já estava comprometido. Por fim, consegui chegar à grade junto ao palco.

Subi ao camarim, sendo recebida por Daniela, que foi supersimpática e agradeceu-me pelo pronunciamento que fiz, em abril, no qual enalteci a sua coragem e respeito pelos seres humanos. Ao dar-lhe um abraço, entretanto, notei que a minha carteira e o meu celular já não estavam comigo, que alguém os havia furtado. Ela então me levou ao palco de onde acabara de se despedir do público, superaplaudida, e fez um apelo para que devolvessem os documentos. Reforcei o pedido. Instantes depois, um rapaz os trouxe. Fiquei ainda para assistir ao formidável show de Gal Costa.

No domingo à tarde, lá voltei para assistir aos Racionais. Estava ainda mais cheio. Muita tranquilidade, o povo cantando o rap. Ali estavam Haddad e Juca Ferreira, também para cumprimentar Mano Brown, Ice Blue, Edy Rock e KL Jay.

O prefeito me disse que, se já tivesse implantado a renda básica de cidadania, muito provavelmente não teriam levado a carteira e o celular. Sim, tenho a convicção de que quando todos tiverem o direito a uma renda suficiente para suprir suas necessidades vitais será muito menor a incidência de delitos dessa natureza.

Na segunda-feira, ao registrar a ocorrência, fui informado de que houve um grande número de pessoas vítimas de pequenos furtos.

Para a próxima Virada Cultural, será bom haver maior precaução, organização e entrosamento entre a Secretaria da Segurança e a prefeitura. Será importante que São Paulo tenha cada vez mais uma Virada tão especial pela qualidade artística como a deste final de semana.

Em que pesem os episódios de violência, há um extraordinário mérito em se proporcionar a milhões de pessoas a possibilidade de assistir gratuitamente a mais de 900 espetáculos de tão boa qualidade.

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Dupla vitória da democracia

O pedido para votação em regime de urgência do projeto de lei que acaba com o fundo partidário e o tempo de TV para os novos partidos não foi votado no Senado por falta de quorum.

Foto: Moreira Mariz/Agência Senado
Foto: Moreira Mariz/Agência Senado

Publicado no Brasil em Rede

A democracia venceu duas vezes nesta quarta-feira (24/4). A primeira vitória foi no Senado. A segunda, no Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido para votação em regime de urgência do projeto de lei que acaba com o fundo partidário e o tempo de TV para os novos partidos não foi votado no Senado por falta de quorum. Paralelamente, o ministro do STF, Gilmar Mendes, suspendeu a tramitação da proposta, em resposta a um mandado de segurança protocolado pelo senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) no dia anterior.

Acompanhada de perto por Marina Silva e outros membros da Rede Sustentabilidade, a resistência dos senadores ao golpe contra a democracia foi forte. A reação contou, inclusive, com parlamentares do próprio governo, que pressionou sua bancada a aprovar o pedido de urgência e o projeto, como já havia feito na Câmara. Mesmo ciente de que pode ser punido pelo partido, Eduardo Suplicy (PT-SP) votou contra o pedido de urgência e declarou que não trairia sua consciência. Anteriormente, Jorge Viana (PT-AC), também havia se declarado contra o projeto e anunciado que proporia uma emenda para que a medida, se aprovada, valesse apenas depois das eleições de 2014.

Pedro Simon (PMDB-RS) defendeu com veemência na tribuna sua posição contrária à aprovação do projeto. Em seu discurso, ele comparou a articulação do governo para a aprovação da proposta ao Pacote de Abril de 1977, imposto pelo então presidente Ernesto Geisel. “Isso que está aí é um Pacote de Abril de quinta categoria. Havia uma ditadura, um ato institucional, havia cassações, havia marechais, havia todo mundo”, afirmou Simon. À época, a medida criou a figura do senador biônico para impedir a vitória do MDB, o único partido de oposição.

A mobilização dos senadores parece ter surtido efeito e chamado os parlamentares a refletir sobre os princípios essenciais da democracia. Embora 76 senadores estivessem presentes, apenas 23 votaram quando foi decidida a urgência, o que derrubou a sessão, já que era necessária a participação de 41.

Em sua decisão Gilmar Mendes, afirmou que: “a aprovação do projeto de lei em exame significará o tratamento desigual de parlamentares e partidos políticos em uma mesma legislatura. Essa interferência seria ofensiva à lealdade da concorrência democrática, afigurando-se casuística e direcionada a atores políticos específicos”.

O senador Rollemberg lembrou que o STF já havia se manifestado de maneira semelhante na ação que envolvia o Partido Social Democrata (PSD), definindo como inconstitucionais normas que firam o princípio da pluralidade partidária e cooperem para a co-existência de “partidos de primeira e segunda categoria”.

A tramitação do projeto agora está suspensa até que o plenário do Supremo decida se a proposta pode ou não ser votada pelos senadores.

 

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Em represália às manifestações contra blogueira, Reinaldo Azevedo visitará Cuba

Ao saber das intenções de Reginaldo Aziago, Eduardo Suplicy alterou o tom de voz
Ao saber das intenções de Reginaldo Aziago, Eduardo Suplicy alterou o tom de voz

Publicado impagavelmente no site da Piauí

BLOGOSFERA – Revoltado com as manifestações lulolenimarxistas contra a blogueira cubana Yoani Sánchez, o dissidente brasileiro Rinaldo Azeredo anunciou que irá a Cuba denunciar o castropetismo que sufoca a ilha. “Puxarei os pelos no nariz de Fidel, arrancarei o charuto da boca de Fernando Morais, passarei geleia de amendoim na hóstia de Frei Beto e submeterei a escumalha guevaro-chavista às obras completas, e desafinadas, de Wilson Simonal”, declarou, em negrito, o destemido blogueiro.

O gesto venturoso e audaz foi saudado com petardos liberalizantes pela juventude tucano-ruralista. Na ocasião, foram privatizados dois parques estaduais, sete hospitais públicos e cinco crianças órfãs. Os recursos serão usados para financiar a viagem, que será feita numa balsa de 79 pés, com cabine refrigerada, ofurô e heliponto.

Minutos após o anúncio, Azualdo foi acusado por militantes do PC do C, Partido Comunista de Cuba, uma dissidência à esquerda do PCC, de manter seu blog graças ao apoio da Quarta Internacional Católica, uma dissidência à direita da Quarta Internacional. “É mais um cão trotskista a ser cooptado pelo ouro de Washington”, denunciou o líder campesino José Dirceu.

Em apoio ao blogueiro brasileiro, Yoani Sánches sensualizou com uma garrafa de Coca-Cola, sendo prontamente apoiada pelo ex-governador de São Paulo, José Serra. “Estendemos nossa mão a Yoani em sua luta contra os horrores da ditadura de Fulgêncio Batista”, afirmou o tucano, com voz firme. Ao ser informado de que Batista já não estava no poder, Serra reagiu: “Ué, mudou?”

dica do João Marcos

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Eduardo Suplicy é estrela do lançamento do partido de Marina Silva

Ex-senadora Marina Silva e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP)
Ex-senadora Marina Silva e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP)

Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) chega no camarote da prefeitura no Sambódromo e cumprimenta Marta. Ela mostra a ele a neta, que o abraça. “É a filha do João”, diz o senador.

Um amigo do petista sopra: “Pergunta para ele da [ex-senadora] Marina Silva. Ela o convidou para o novo partido que está montando”. A informação é da coluna Mônica Bergamo publicada hoje na Folha.

Suplicy sorri. E confirma: “Sim, a Marina me telefonou hoje. Nós conversamos por mais de uma hora”. Ela convidou, e ele aceitou, ser uma das estrelas do lançamento do novo partido que está lançando, no dia 16. “Vou lá expor as minhas ideias.”

Suplicy está escanteado no PT. O partido planeja tirar dele a legenda para a candidatura ao Senado em 2014. Quer oferecer a vaga para partidos como PMDB e PSD, numa aliança para o governo de SP. Ele anda chateado.

Marina então o convidou para deixar o PT e integrar o partido que está montando? “A Marina sabe o que eu penso da fidelidade partidária. Eu disse a ela que não sairia do PT até cumprir todo o meu mandato [em 2014].”

E depois? “Se o PT me fechar as portas…”. Suplicy para, sorri e refaz o raciocínio. “Eu não acredito que o PT vai me fechar as portas. Eu acho que o partido vai continuar me apoiando.”

Por isso, decidiu enfrentar a cúpula partidária: vai propor prévias para a escolha do candidato do partido ao Senado em 2014. “Eu pensei muito e decidi: quero ser candidato de novo.”

O PT tem pelo menos uns dez “bons candidatos”, diz ele. “O Luiz Marinho, o Edinho Silva, o Emídio de Souza. Em outros partidos, o Gilberto Kassab [do PSD], o Chalita [PMDB]. São todos bons. Mas eu tenho certeza de que ganho as prévias. Eu ando por aí e as pessoas me dizem: ‘Mas o PT vai abrir mão de um candidato como você?'”.

A única chance de Suplicy desistir é se Lula for candidato ao Senado. “Aí, em respeito a ele, eu não disputaria.”

foto: Alan Marques/Folhapress

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Suplicy defende inclusão da palavra “amor” na bandeira nacional

Publicado originalmente no site da Época

Durante a tensa sessão desta quarta-feira (19) no Congresso, com senadores se mobilizando para tentar votar o veto à lei dos royalties do petróleo, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) subiu à tribuna do Senado para defender mais amor – ou melhor, a adesão dos senadores ao movimento que pede a inclusão da palavra “amor” no lema da bandeira nacional.

Recitando Noel Rosa, Suplicy defendeu o projeto de lei apresentado pelo deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), que substitui a expressão “Ordem e Progresso” por “Amor, Ordem e Progresso” na bandeira do Brasil. O projeto de lei foi apresentado após movimento na internet sugerir a mudança.

No entanto, a sugestão de Suplicy não entusiasmou o plenário, como conta o jornal O Globo.

O discurso de Suplicy não entusiasmou o plenário. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que se era para mudar os dizeres da bandeira, era melhor incluir a palavra “educação”, que é mais includente. “Teríamos ainda um problema geométrico, porque não cabe mais uma palavra na bandeira”, disse Cristovam. Suplicy saiu decepcionado com a pouca receptividade à proposta. “Quando houver mais amor de todos nós ao povo, senador Cristovam, talvez não falte mais atenção à Educação”.

O abaixo-assinado para incluir a palavra “amor” na bandeira está disponível aqui.

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

dica do Rogério Moreira

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