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Dupla vitória da democracia

O pedido para votação em regime de urgência do projeto de lei que acaba com o fundo partidário e o tempo de TV para os novos partidos não foi votado no Senado por falta de quorum.

Foto: Moreira Mariz/Agência Senado

Foto: Moreira Mariz/Agência Senado

Publicado no Brasil em Rede

A democracia venceu duas vezes nesta quarta-feira (24/4). A primeira vitória foi no Senado. A segunda, no Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido para votação em regime de urgência do projeto de lei que acaba com o fundo partidário e o tempo de TV para os novos partidos não foi votado no Senado por falta de quorum. Paralelamente, o ministro do STF, Gilmar Mendes, suspendeu a tramitação da proposta, em resposta a um mandado de segurança protocolado pelo senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) no dia anterior.

Acompanhada de perto por Marina Silva e outros membros da Rede Sustentabilidade, a resistência dos senadores ao golpe contra a democracia foi forte. A reação contou, inclusive, com parlamentares do próprio governo, que pressionou sua bancada a aprovar o pedido de urgência e o projeto, como já havia feito na Câmara. Mesmo ciente de que pode ser punido pelo partido, Eduardo Suplicy (PT-SP) votou contra o pedido de urgência e declarou que não trairia sua consciência. Anteriormente, Jorge Viana (PT-AC), também havia se declarado contra o projeto e anunciado que proporia uma emenda para que a medida, se aprovada, valesse apenas depois das eleições de 2014.

Pedro Simon (PMDB-RS) defendeu com veemência na tribuna sua posição contrária à aprovação do projeto. Em seu discurso, ele comparou a articulação do governo para a aprovação da proposta ao Pacote de Abril de 1977, imposto pelo então presidente Ernesto Geisel. “Isso que está aí é um Pacote de Abril de quinta categoria. Havia uma ditadura, um ato institucional, havia cassações, havia marechais, havia todo mundo”, afirmou Simon. À época, a medida criou a figura do senador biônico para impedir a vitória do MDB, o único partido de oposição.

A mobilização dos senadores parece ter surtido efeito e chamado os parlamentares a refletir sobre os princípios essenciais da democracia. Embora 76 senadores estivessem presentes, apenas 23 votaram quando foi decidida a urgência, o que derrubou a sessão, já que era necessária a participação de 41.

Em sua decisão Gilmar Mendes, afirmou que: “a aprovação do projeto de lei em exame significará o tratamento desigual de parlamentares e partidos políticos em uma mesma legislatura. Essa interferência seria ofensiva à lealdade da concorrência democrática, afigurando-se casuística e direcionada a atores políticos específicos”.

O senador Rollemberg lembrou que o STF já havia se manifestado de maneira semelhante na ação que envolvia o Partido Social Democrata (PSD), definindo como inconstitucionais normas que firam o princípio da pluralidade partidária e cooperem para a co-existência de “partidos de primeira e segunda categoria”.

A tramitação do projeto agora está suspensa até que o plenário do Supremo decida se a proposta pode ou não ser votada pelos senadores.

 

Magno Malta, a Geni da eleição de Vitória

O senador Magno Malta: "Não houve quebra de confiança. Só decidimos que nós vamos nos liderar"
O senador Magno Malta: renegado pelos candidatos a prefeito de Vitória

Cecília Ritto, na Veja on-line

Senador da República pelo Espírito Santo, Magno Malta, do PR, não concorre a cargos na eleição deste ano. Também não se envolveu, pelo menos diretamente, nas campanhas para a capital capixaba. No entanto, o seu nome acompanhou todo o segundo turno das eleições de Vitória. O candidato do PSDB à prefeitura, Luiz Paulo Vellozo Lucas, bateu na tecla de que Malta teria influência em um eventual governo do seu adversário, Luciano Rezende, do PPS. O tucano lembrou, sempre que pôde, que o vice de Rezende, Waguinho Ito, do PR, é aliado de Magno. Ito trabalha na rádio “Cor da Vida”, fundada por Magno.

Rezende, por sua vez, tratou de negar qualquer influência de Malta em sua candidatura. E rolou a bola para o tucano, afirmando em debate que Luiz Paulo, antes das eleições, foi a Malta pedir apoio. O senador confirma que, nos bastidores, os dois foram procurá-lo antes da disputa. Agora, todos o renegam por um posicionamento mais radical, que vai de encontro aos ares de modernidade que os dois candidatos tentam exibir. Malta é contrário à criminalização da homofobia, à legalização da maconha – e à marcha da maconha – e ao aborto. Ele é evangélico e costuma citar Deus na maioria de suas respostas. “Sou fruto da misericórdia de Deus. Anote aí”, pediu o senador.

Luiz Paulo disse estar convicto de que Magno Malta foi o responsável por espalhar a história de que ele seria drogado e preguiçoso – fato apontado pela campanha tucana como o responsável por fazer Luiz Paulo chegar atrás de Rezende no primeiro turno. “Se perguntar às pessoas, verá que essa conversa é da cidade há anos, mas não fui eu quem falou”, afirma Malta. A troca de acusações rendeu ao senador direito de resposta no último programa de Luiz Paulo, na sexta-feira, no horário da tarde e da noite. Malta aproveitou para reafirmar que o tucano o procurou para compor aliança.

“Em 2010, quando Luiz Paulo tentou o governo do estado, me procurou. Sempre me chamou de amigo, de irmão. Ele gosta de samba, eu também. Isso que está acontecendo agora me assusta”, diz. Malta diz que o tucano foi ao seu escritório em busca de apoio também em 2012. “Ficou aqui durante duas horas. Demos boas risadas. Era um tal de meu irmão para cá, meu irmão para lá”, afirma. Depois, foi a vez de Rezende ir conversar com Malta e sentar na mesma cadeira que Luiz Paulo.

O senador diz não ter relações com Luciano, e acredita que o candidato do PPS ainda está muito conectado ao grupo do ex-governador Paulo Hartung, ao qual pertenceu até esta eleição. Hartung não queria que Rezende saísse candidato para não rachar o bloco. O ex-governador apoia Luiz Paulo. “Os dois têm medo de desagradar Hartung. Não são todos do mesmo grupo? Conviveram a vida toda juntos. Se Luciano fala que eu vou ter espaço na gestão, vai apanhar igual muleta nova em sovaco de aleijado”, compara Malta.

foto: Moreira Mariz / Agência Senado

‘Avenida Brasil’: sucesso da novela é destaque no site da BBC

Tufão, personagem de Murilo Benício, ilustra reportagem da BBC
Tufão, personagem de Murilo Benício, ilustra reportagem da BBC

Publicado originalmente no Extra Online

Do Divino para o mundo. Essa pode não ser a pretensão do autor João Emanuel Carneiro para “Avenida Brasil”, mas o sucesso de sua obra acaba de chegar à imprensa internacional. Na manhã desta sexta-feira, dia do último capítulo da trama, o site de notícias britânico BBC divulgou uma longa reportagem sobre a novela.

A publicação destacou a mobilização dos brasileiros em torno de “Avenida Brasil”. Fatos curiosos, como a preocupação das companhias elétricas com a alta demanda de energia durante sua transmissão e a recente alteração de agenda da presidente Dilma Rousseff, foram usados para exemplificar tamanha influência. “Os brasileiros são conhecidos por levar suas novelas a sério, mas esta ultrapassou até mesmo outra paixão nacional, superando a audiência de uma partida final de futebol”, ressaltou a reportagem.

A ascensão da classe média brasileira, retratada com destaque na obra; o sucesso comercial de “Avenida Brasil”, que lançou até uma linha de produtos estéticos; e a próxima novela “Salve Jorge”, que terá o Complexo do Alemão como um de seus principais cenários; também foram alguns dos assuntos comentados pela BBC.

Foto: Internet / Reprodução

Como cineastas famosos fariam o final de “Avenida Brasil”?

Daniel Correa, em Ovo de Fantasma

É inegável que “Avenida Brasil” é o grande assunto do momento nas ruas (e avenidas, óbvio). Como tá todo mundo se questionando sobre o final, se vai ser bom, se vai ser tipo “Lost”, se Nina e Carminha vão se entender ou se matar, se o Tufão vai ter alguma expressão facial, quem matou o Max e outras perguntas importantes para o funcionamento estrutural do pensamento brasileiro.

A equipe do Ovo reuniu então uma lista com grandes cineastas, uma análise sobre como eles fariam o TCHAU TCHAU TCHAU ao OI OI OI.

Versão de Pedro Almodovar

 

Jorginho matou Max. Descobrimos que ele na verdade nasceu mulher e sempre conviveu com essa enorme crise de identidade, forçada por todos. No final congela nele, saindo do Divino e do Armário, rumo à felicidade. – Virgílio Souza e Daniel Corrêa

Versão de Michael Bay

Carminha arromba o portão de um quartel militar com seu carro. Lá dentro, rouba uma série de armas de guerra e explosivos. Ela pretende explodir o lixão, com Nina e todos os outros personagens dentro. Nina a espera no lixão dentro de um tanque de guerra. Os jogadores de futebol convertem-se em soldados, como forma de honrar o Divino F.C e vingar a traição imposta a Tufão. Carminha atira o carro cheio de explosivos em direção ao tanque de Nina e pula pela porta do carro a máxima velocidade em câmera lenta. Antes que a explosão ocorra, porém, o monte de lixo se retorce e transforma-se num grande monstro de lixo, semelhante a um Megazord: “Vocês nunca deviam ter me incomodado”, ele diz. “Eu matei Max!”. Todos choram copiosamente. O monstro voa sobre Nina e Carminha e atira mísseis em direção a elas, aniquilando todos. Por fim diz: “Esse lugar precisa pertencer a quem realmente o merece”. O monstro finca uma bandeira americana no solo e desfaz-se novamente num monte de lixo. Close da bandeira americana flamulando. – Pedro Freitas

Versão de Lars Von Trier

Nina se converte em freira da igreja Anglicana. Ela desiste de sua vingança contra Carminha, a procura e a perdoa. Tenta fundar uma nova ordem de caridade no Lixão, com o apoio das crianças. Uma a uma, porém, as crianças vão assumindo comportamentos estranhos. Numa noite, Santiago aparece com uma faca enfiada na garganta. A morte de Max se relaciona intimamente com esses acontecimentos. Nina vai lentamente sendo escravizada pelas crianças, apesar de achar que as serve por espontânea vontade. Leleco diz para as crianças que Nina é a reencarnação de uma bruxa da Idade Média. A gota d’agua para Nina é quando as crianças extendem uma faixa “Carminha Forever” na entrada do lixão. Desesperada, ela corre e se joga nos escombros, sendo em seguida atropelada pelo caminhão de lixo. – Pedro Freitas

Versão de Wes Anderson

Leleco descobre que tem câncer e tenta reconquistar toda a família. Tufão, cego de amor por sua irmã, tenta se matar. Suellen tem gêmeos, os pais são diferentes. Dadson vira hare-krishna. Agatha vira um porquinho da índia em stop-motion. Carminha e Nina se encontram em um quarto em Paris para resolver tudo e acabam se apaixonando. Jorginho resolve cometer crimes e é preso. –Matheus Weyh

Versão de Ingmar Bergman

Silêncio e sofrimento. Acompanhamos o cavaleiro ingênuo Adauto, na sua busca pelo sentido da vida, até o lixão. Lá ele vê uma figura nefasta indo rumo ao horizonte, acompanhada por Carminha, Nina (que depois de tanto discutirem, agora até se parecem fisicamente), Tufão e Família. Essa figura havia matado Max, após vencê-lo numa partida de xadrex. – Daniel Correa

Versão de Darren Aronofsky

Carminha começa a alucinar que Nina está em todos os lugares. Em uma busca frenética e intensa pela casa, mata Max achando ser a inimiga. No final, todos confrontam Carminha: Nina nunca existiu, sempre foi uma alucinação constante de Carminha, inconscientemente traumatizada pelo incidente do lixão. Carminha mata todos com tesouradas e depois se mata. Uma Nina real chega – ela convenceu o pessoal a mentir para enlouquecer Carminha de vez – e tem pedaço de sua mente fragmentado pela visão de todos mortos. Começa a achar também que é alucinação da mente de Carminha, aos poucos se tornando a mente de Carminha, aos poucos se tornando Carminha. “Ninaminha” se dirige ao lixão, e a história se repete. – Fernando de Lucca

Versão de Sofia Coppola

Téssalia decide fazer faculdade de filosofia e fazer bicos como fotógrafa e DJ. Ao som de Oi Oi Oi (Phoenix Remix), personagens rondam o Divino, sem direção. Nina e Carminha desistem de sua disputa, e se entregam à reconciliação, olhando entediadas para o horizonte enquanto relembram impassíveis os eventos de suas vidas. Descobrimos que Max morreu vitimado pelo peso de seu próprio conflito existencial. – Ana Clara Matta

Versão de Daniel Filho

Nina e Carminha trocam de corpo. Entendem os problemas uma da outra e fazem as pazes. Tudo acaba tranquilo. – Daniel Corrêa

Versão de Cronenberg

Foi Nina quem matou Max. E tal fato acarreta nela um súbito ímpeto assassino que a faz sentir que a sua vingança só será plena se ela própria matar os seus algozes. Primeiro, Nina utiliza um caminhão de lixo para matar Santiago onde, após tê-lo feito desmaiar com um golpe na cabeça, o joga dentro da carroceria e o seu corpo é triturado pelo compactador de lixo. Já Carminha recebe um telegrama anônimo dizendo pra ir ao Lixão caso queira ter informações sobre o assassino de Max. E ao chegar no local é atacada por Nina que a agride fisicamente e a afoga no chorume do Lixão. Ainda mais transloucada, Nina explode o Divino com os gases emitidos pelo Lixão. Percebendo que matou Jorginho, amor da sua vida e que se encontrava no bairro destruído, Nina se desespera e se dirige para o meio do Lixão onde permite ser comida por urubus.

A novela acaba e entra um fundo preto com a música OI OI OI tocando de trás pra frente. Em sequência, a cabeça dos telespectadores explode. – Rodrigo Laurentino Continue lendo