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Buscando votos, partidos lançam candidaturas de celebridades para ter ‘efeito Tiririca’

A lista de famosos ‘puxadores de votos’ para as eleições deste ano tem cantor sertanejo, lutador de MMA e até ator de filme pornô.

publicado na CBN


Dr. Rey – apresentador

Candidato a deputado federal (PSC-SP)

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Eliana Calmon – ex-corregedora do CNJ

Candidata a senadora (PSB-BA)

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Fernando Scherer – ex-nadador

Candidato a deputado federal (PSB-SP)
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Giovane Gávio – ex-jogador de vôlei

Candidato a deputado federal (PSDB-MG)

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José Rico – cantor sertanejo

Candidato a deputado federal (PMDB-GO)

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Kid Bengala – ator pornô

Candidato a deputado estadual​ (PTB-SP)

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Kleber Bambam – ex-BBB

Candidato a deputado estadual (PRB-SP)

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 Marcelinho Carioca – ex-jogador de futebol

Candidato a deputado estadual (PT-SP)

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Marcos Pontes – astronauta

Candidato a deputado federal (PSB –SP)

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Marquito – ajudante de palco

Candidato a deputado estadual (PTB- SP)

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Sérgio Reis – cantor

Candidato a deputado federal (PRB-SP)

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Sula Miranda – cantora

Candidata a deputada estadual (PRB-SP)

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Wanderlei Silva – lutador

Candidato a deputado federal (PSDB-PR)

*Os candidatos são apresentados por ordem alfabética.

Em busca do que ficou conhecido como efeito Tiririca, legendas de todo o país tentam pegar carona na fama de celebridades e apostam na figura do puxador de votos. Entre os famosos que vão disputar as eleições deste ano, há opções para todo gosto: desde cantores sertanejos e ex-atletas a lutador de MMA e ator de filmes pornô.

O PRB de São Paulo, por exemplo, tem uma lista que poderia ser confundida com o elenco de um reality show. São candidatos pela legenda os cantores Sérgio Reis e Sula Miranda, além do ex-BBB Kleber Bam Bam, que vai concorrer a uma vaga a deputado federal.

O PTB  também não fica atrás. O partido lançou para estas eleições os nomes de Kid Bengala, astro da indústria nacional de filmes pornô, e o ajudante de palco Marquito. Já o PSC aposta na popularidade do cirurgião plástico Robert Rey, conhecido como Dr. Hollywood. Ele também tenta uma cadeira na Câmara Federal.

Mas, não são apenas os partidos pequenos que apostam na estratégia. PSDB, PT e PSB também escalaram celebridades para as eleições. Do lado dos tucanos foram lançados o ex-jogador de vôlei Giovane Gávio, em Minas Gerais, e o lutador de MMA Wanderlei Silva, no Paraná. Ambos buscam uma vaga como deputado federal. No time do PSB estão na lista o ex-nadador Fernando Xerer, “o Xuxa”,  e o astronauta Marcos Pontes: os dois por São Paulo. No PT, o reforço será de Marcelinho Carioca, ex-jogador de futebol que vai tentar uma vaga na assembleia legislativa.

Fora do eixo Rio-São Paulo também se destacam as candidaturas de outros famosos. Na Bahia, o nome de peso é o da ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça e ex-corregedora do CNJ, Eliana Calmon, que vai representar o PSB na corrida ao Senado. Já em Goiás, o PMDB lançou para deputado federal o cantor sertanejo Zé Rico, da dupla sertaneja Milionário e José Rico.

Psol lança candidatura de Luciana Genro à presidência com propostas polêmicas

luciana

Mariana Haubert, na Folha de S.Paulo

Por unanimidade, o Psol oficializou neste domingo (22) a candidatura da ex-deputada Luciana Genro (RS) à Presidência da República nas eleições de outubro. Como vice, foi indicado Jorge Paes, membro do diretório paulista.

Como principais propostas de governo, Luciana afirma querer realizar uma ampla auditoria da dívida pública e uma reforma no sistema tributário brasileiro. Ela pretende ainda, levar para o debate eleitoral temas considerados polêmicos e por isso evitados pelos principais candidatos à Presidência. Luciana irá defender a descriminalização da maconha, a garantia dos direitos LGBT e a legalização do aborto como política pública de saúde.

“Eles não tem coragem de apresentar propostas concretas [...] Vamos demonstrar a insatisfação da juventude que foi às ruas com o sistema que vamos confrontar”, afirmou ao final da convenção do partido, realizada neste fim de semana em Brasília.

Evocando as manifestações de junho de 2013, Luciana afirma que os governos não atenderam às demandas apresentadas pelos manifestantes, como a melhora da saúde, da educação e do transporte público. “Temos a tarefa de apresentar nossas propostas de acordo com as jornadas de junho”, disse. Questionada se seria “a voz das ruas”, disse que isso seria muita “pretensão”.

“Seria muita pretensão dizer que somos a voz dessas manifestações, mas nós queremos dar voz para essas demandas que vieram das ruas no ano passado. São demandas que vêm do povo, da classe trabalhadora e que não foram atendidas pelos governantes”, disse.

Apesar de apoiar as manifestações, Luciana criticou os atos de vandalismo que continuam a ocorrer durante diversos protestos. “Nós não compartilhamos deste método porque ele afasta o povo das ruas. Afasta as pessoas e gera uma repressão policial na maior parte das vezes exagerada e a criminalização dos movimentos sociais”, disse.

A candidata afirmou ainda que as três principais candidaturas à Presidência – a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), a eleição do senador Aécio Neves (PSDB) e do ex-governador Eduardo Campos (PSB) – não representam nenhum tipo de mudança.

“Embora diferentes, esses projetos não são antagônicos. São projetos burgueses que o PSDB representa com seu reacionário e retrocesso ao neoliberalismo puro, é o projeto do continuísmo representado pelo PT, é o projeto que fica no meio do caminho, do Eduardo Campos, que não sabe se quer continuar com o que está aí ou se quer retroceder ainda mais”, disse.

Luciana Genro, 43, foi duas vezes deputada estadual no Rio Grande do Sul e deputada federal também por dois mandatos. Ela é filha do governador gaúcho, Tarso Genro (PT), e está impedida de concorrer a cargos públicos no Estado devido ao parentesco.

O nome de Luciana foi referendado por 61 membros do diretório nacional e 27 representantes de diretórios estaduais do partido. Seu nome ganhou força dentro do partido após a desistência do senador Randolfe Rodrigues (AP) na semana passada.

AUSÊNCIAS

Randolfe Rodrigues não participou da convenção nacional. Ontem, ele explicou à Folha que estava no Amapá cuidando de assuntos regionais. Apesar de afirmar não guardar nenhuma mágoa do partido por não ter conseguido viabilizar a sua candidatura à presidência, Randolfe criticou a forma como a sigla anunciou a sua desistência.

A cúpula do Psol divulgou uma nota na sexta-feira (13) informando sobra a saída do senador da disputa. No entanto, segundo Randolfe, havia um acordo para que o anúncio fosse feito por ele em uma carta na semana seguinte. “O modus operandi do partido não foi muito educado. Achei que faltou elegância”, disse.

“Minha candidatura não unificou a esquerda e não barrou a ofensiva conservadora. Por isso decidi sair. Me senti como o Vicente Del Bosque [técnico da seleção espanhola, eliminada na primeira fase da Copa do Mundo] depois de duas derrotas. Quando um técnico perde, coloca o cargo à disposição e foi isso que eu fiz”, disse.

Luciana minimizou a desistência do colega e afirmou que o partido está unido para enfrentar a disputa eleitoral. Durante a convenção, a ex-deputada convocou a militância para sair às ruas e fazer a sua propaganda já que o partido conta com apenas 50 segundos na propaganda de rádio e televisão. “Não temos dinheiro das grandes empresas e nem temos tempo de propaganda, mas temos uma militância que faz campanha por ideal”, disse.

Brasil mostra a sua cara para o mundo. E ela está feia

Protesto-10

 

Clóvis Rossi, na Folha de S.Paulo

No dia de 2007 em que o Brasil foi oficialmente escolhido para sediar a Copa do Mundo, a comitiva brasileira exalava orgulho patriótico por todos os poros, sob o comando de um certo Luiz Inácio Lula da Silva.

Era tanto “patrioteirismo” que, no discurso em que comemorou a designação, Lula tirou o terno de presidente e vestiu o verde e amarelo de torcedor fanático, com direito a uma cutucada no presidente da Associação de Futebol Argentino, Julio Grondona, sentado nas primeiras fileiras do auditório: “O Brasil orgulhosamente organizará uma Copa do Mundo pra argentino nenhum colocar defeito”.

O ambiente de exaltação patriótica (coisa que me horroriza sempre) era explicável: a escolha para agasalhar a Copa era a grande chance de o Brasil mostrar a sua cara. Era um Brasil que estava na moda no mundo e parecia destinado a uma escalada definitiva rumo ao topo do planeta, o que, de resto, a revista “The Economist” sacramentaria com sua famosa capa de 2009 em que o Cristo Redentor do Rio virava foguete em plena decolagem.

Outro parêntesis: se tivesse algum parentesco com o Taleban, a “Economist” teria queimado os exemplares com aquela capa.

Sete anos depois, no entanto, não são apenas (nem principalmente) os argentinos que estão botando um e mil defeitos no país da Copa.

São alguns brasileiros como Marcello Serpa, sócio da agência de publicidade AlmapBBDO, para quem a Copa trouxe um holofote para as deficiências de infraestrutura e para a desigualdade social no país, a ponto de acentuar o mau humor e de prejudicar a marca Brasil, como afirmou durante evento promovido por esta Folha na terça-feira (10).

São também estrangeiros dos mais diferentes quadrantes, como Shannon Sims, que fez pesquisas no Brasil durante dois anos para o Instituto para Assuntos Mundiais Atuais: “Organizar o maior evento esportivo do mundo era, supunha-se, uma oportunidade para o Brasil demonstrar sua organização, desenvolvimento e competência. Mas, com corrupção abundante, infraestrutura cambaleante e constantes crimes nas ruas, muitos brasileiros sentem que essa oportunidade oferece mais coisas más que boas”.

Sims compara o Brasil que aguarda a Copa com um estudante que espera uma prova para a qual não se preparou.

De todo modo, vai ter Copa, ao contrário do que se cantava no ano passado e em alguns momentos deste ano, mas não será a Copa das Copas, como pretende a propaganda.

Afinal, se um dos jornalistas escalados para a Copa, caso de Brian Winter (da agência de notícias Reuters), sofre por cinco horas e vinte minutos para sair do aeroporto de Cumbica e chegar ao seu hotel, não dá para ser a Copa das Copas.

A questão seguinte, proposta por José Sámano (do jornal espanhol “El País”), um dos melhores jornalistas esportivos da Espanha, é se, “com tantos problemas de fundo, convém medir se, nestes tempos, a bola ainda servirá como sedativo ou, ao contrário, chegou a hora de revisar profundamente o modelo”.

Respostas a partir de hoje, com o veredito final em outubro.

O passado do pastor Everaldo

Everaldo: processo no STJ

Everaldo: processo no STJ

Lauro Jardim, no Radar on-line

O pastor Everaldo Dias (PSC), o quarto colocado entre os candidatos a presidente, de acordo com todas as pesquisas, escolheu o tema família como mote de sua campanha. É justamente de casa, contudo, que surge uma acusação grave contra o candidato evangélico.

No ano passado, a ex-mulher de Everaldo, Katia Maia, levou ao STJ um processo em que o acusa de agressão física, seguida de ameaça de morte. Na ação, há relatos de “chutes e socos, o que causou a perfuração da membrana timpânica” de Katia.

Everaldo diz que agiu em legítima defesa depois de uma perseguição de carro pelas ruas do Rio de Janeiro.

Em 2012, o pastor foi condenado na primeira instância a pagar para a ex-mulher uma indenização de 84 450 reais por danos morais e materiais. Everaldo reverteu a decisão no Tribunal de Justiça do Rio e agora o caso está em Brasília.

O pastor-candidato que pode levar a eleição presidencial para o 2º turno

Líder da Assembleia de Deus, maior igreja evangélica do país, pré-candidato do PSC usa discurso liberal e conservador para conquistar insatisfeitos com Dilma

Pastor Everaldo Pereira, pré-candidato do PSC à Presidência da República discursa na Marcha dos Prefeitos, em Brasília  (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Pastor Everaldo Pereira, pré-candidato do PSC à Presidência da República discursa na Marcha dos Prefeitos, em Brasília (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Felipe Frazão, na Veja on-line

A cinco meses das eleições, pela primeira vez, pesquisas de intenções de votos indicaram que a disputa pelo Palácio do Planalto não deverá ser decidida no dia 5 de outubro, cenário que já tira o sono da presidente Dilma Rousseff e dos idealizadores da sua candidatura à reeleição. A queda de Dilma nas sondagens feitas pelos institutos de pesquisa provocou o natural crescimento das intenções de votos dos seus adversários. Na última rodada de pesquisas, um nome chamou a atenção no meio político: com 3% da preferência do eleitorado, segundo o Datafolha, o pastor Everaldo Pereira, do nanico Partido Social Cristão (PSC), pode ser decisivo para levar a eleição para o segundo turno.

O desempenho do pastor Everaldo nas pesquisas recentes evidencia o peso de um segmento da sociedade brasileira que, em 2010, ultrapassou 42 milhões de pessoas: os evangélicos. Everaldo é vice-presidente nacional do PSC e pastor auxiliar da Assembleia de Deus, maior igreja evangélica do país, com 12,3 milhões de fieis – 28% do total. Ele nasceu e foi criado na Assembleia de Deus Ministério Madureira – dissidência fundada no Rio de Janeiro que, estima-se, reúne a segunda maior quantidade de seguidores, superada apenas pelo Ministério Belém, o mais tradicional.

É fato que a pré-candidatura de Everaldo possui uma série de fragilidades e seria difícil encontrar alguém hoje que apostasse na sua vitória. O PSC é um partido pequeno, ainda não tem nenhuma aliança formalizada e deve conseguir tempo reduzido no horário eleitoral na TV – cerca de 1 minuto e 30 segundos. O maior ativo do PSC é justamente o potencial de votos que o pastor pode arregimentar no meio religioso, caso consiga unificar os apoios declarados das igrejas pentecostais e neopentecostais. Para isso, terá de desenvolver propostas convincentes que ainda são uma incógnita até para os líderes evangélicos.

“Uma grande parte dos evangélicos vota apenas por causa da palavra ‘pastor’”, vaticina o bispo Robson Rodovalho, fundador da Sara Nossa Terra e ex-deputado federal . “Há uma pré-disposição geral do evangélico e do cristão em ver o pastor Everaldo com bons olhos. Grande parte das igrejas tende a estar com ele, se ele conseguir responder às expectativas na formação das demais agendas.”

A tendência é que Everaldo receba adesão de igrejas que tradicionalmente indicam voto em candidatos antipetistas, enquanto a presidente Dilma deve manter a aliança com a Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, cuja moeda de troca é o Ministério da Pesca, hoje chefiado pelo pastor Eduardo Lopes (PRB). Igrejas pentecostais, como a Batista e Presbiteriana, tendem a “liberar o voto”, sem indicar candidatos.

A Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil (Concepab), que reúne líderes das principais igrejas evangélicas, definirá na próxima semana um calendário de sabatinas com a presidente Dilma, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB). A entidade quer conhecer o posicionamento dos três pré-candidatos mais bem posicionados nas pesquisas sobre os valores cristãos. “O evangélico busca alguém que o represente na questão do aborto, do casamento tradicional, vida, família e que valorize a fé e a igreja. Estamos num momento muito intenso, de muita pressão e militância das minorias”, afirma Rodovalho. No caso de Everaldo, que também será convidado, as igrejas querem descobrir que plano de governo ele apresentará ao país.

“As pessoas já sabem o que o pastor Everaldo defende: sou a favor da vida sempre, e casamento para mim é entre homem e mulher”, diz Everaldo.

Privatização – O pastor se define como um político liberal-conservador, de centro-direita, e prega o Estado mínimo. Promete reduzir a cota de cargos comissionados no governo federal e manter apenas vinte ministérios: “Nós vamos passar tudo o que for possível para a iniciativa privada. Vamos privatizar de verdade, não esse engodo aí de concessão com dinheiro do BNDES”.

“O balanço contábil é uma maquiagem, os setores produtivos estão penalizados, com carga tributária de primeiro mundo e serviços prestados de submundo. As desonerações são analgésicos e não vão ao cerne da questão”, critica.

Everaldo defende a redução da maioridade penal, fala em reequipar as Forças Armadas e as polícias. Uma das apostas dele é incentivar a formação profissionalizante na educação militar. Sobre os protestos de rua, afirma que teria “tolerância zero com baderneiros”. “O governo implantou a desordem nesse país. O cidadão de bem está preso em casa e os bandidos estão nas ruas”, diz.

Ele convidou o ex-senador Marcondes Gadelha (PSC-PB) para coordenador o programa de governo e Antonio Cabrera, ex-ministro da Agricultura de Fernando Collor, para criar as propostas nos setores agrícola e ambiental. Suas inspirações são dois políticos mineiros, o ex-vice-presidente Pedro Aleixo e o ex-presidente Itamar Franco: “Ele arrumou o país e elegeu um sucessor que não era do seu partido [Fernando Henrique Cardoso]“.

PT – Com discurso de oposição, Everaldo nem parece um ex-apoiador da presidente Dilma. Nas eleições de 2010, o PSC chegou a negociar o apoio ao tucano José Serra, mas fechou aliança com a petista. O pastor participou inclusive da frente evangélica em defesa da presidente no debate sobre a legalização do aborto, que marcou a campanha.

Em março deste ano, o PSC anunciou o desembarque da base de Dilma. Everaldo afirma que a legenda havia optado por lançar um candidato à Presidência há dois anos. “Nós decidimos ter candidato próprio em janeiro de 2011, porque o governo do PT aparelhou o Estado para atender seus interesses partidários. Nós não indicamos nem um garçom”, diz Everaldo. “O governo deixou de ser dos brasileiros para ser de um partido só, para a hegemonia de um sistema que está vencido no mundo. Não queremos que o Brasil se torne uma Cuba nem uma Venezuela.”

Everaldo nega que a candidatura do PSC tenha sido influenciada pela superexposição que a legenda ganhou ao emplacar o deputado Marco Feliciano (SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos na Câmara. Ao dar espaço a projetos de lei incentivados por religiosos, o parlamentar foi atacado por partidos de esquerda. “Foram uns detratores e baderneiros. Pior que o Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos foram os mensaleiros na Comissão de Constituição e Justiça”, diz Everaldo.

Palanques – Além do provável voo solo na disputa pela Presidência, o PSC tentará dobrar a bancada na Câmara – hoje tem doze cadeiras – e eleger, pela primeira vez, um governador de Estado. Nos principais colégios eleitorais brasileiros, porém, o partido não terá candidatos próprios por estar vinculado aos nomes situacionistas – fator desfavorável à candidatura de Everaldo. O PSC apoia gestões do PSDB em Minas Gerais, no Paraná, onde indicou o deputado Ratinho Júnior para uma secretaria estadual, e em São Paulo, com a nomeação de Gilberto Nascimento Júnior para a chefia adjunta da pasta de Desenvolvimento Metropolitano. No Rio, o PSC abocanhou duas secretarias no governo Sérgio Cabral (PMDB): Ronald Ázaro (Turismo) e outra com o filho de Everaldo, deputado Filipe Pereira (Prevenção à Dependência Química).

Na contramão, Everaldo garantiu recentemente espaço nos palanques do senador Pedro Taques (PDT), candidato ao governo de Mato Grosso, e do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB), postulante ao governo do Rio Grande do Norte. Agora, negocia apoio ao senador Lobão Filho (PMDB) à sucessão do clã Sarney no governo do Maranhão. É o que o pastor chama de “remover as pedras no caminho”, em alusão a passagens bíblicas. Fiel a sua religiosidade e confiante em uma intervenção divina para chegar ao Palácio do Planalto, Everaldo repete quase em ladainha: “Sou um homem de fé e acredito em milagre”.