Arquivo da tag: Embora

Há quatro meses, cão monta guarda, em vão, à espera do dono

Cão Beethoven espera dono que morreu há dois meses de ataque cardíaco (foto: Apu Gomes/Folhapress)

Cão Beethoven espera dono que morreu há dois meses de ataque cardíaco (foto: Apu Gomes/Folhapress)

Roberto Oliveira, na Folha de S.Paulo

Ninguém imaginaria que aquele bichinho, abandonado numa favela, infestado de carrapatos e tomado pela sarna, sobreviveria a doenças de pele espalhadas pelo corpo.

Voluntários de uma ONG recolheram o cão e lhe deram tratamento. Faltava um lar. José Santos Rosa, funileiro da zona leste paulistana, quis ficar com ele. O filhote chegou numa caixa de sapatos.

Zé pensou em levá-lo para casa, mas, ao saber que o cão ficaria “gigante”, herança de seus traços genéticos, mezzo labrador, mezzo rottweiler, resolveu deixá-lo na oficina.

Logo, Beethoven passou a orquestrar barulhos por onde andava. Serelepe, cruzava fácil as grades do portão, que ganhou tampões de madeira para mantê-lo a salvo da rua.

O cãozinho, lembra a vizinha Margareth Thomé, 47, “achava que era gato”: escalava o muro da funilaria e andava sobre ele, espreitando, ansioso, a chegada do dono.

Na tentativa de conter o ímpeto felino do cão, Zé levantou ainda mais o muro.

Por volta das 7h, o barulho do molho de chaves de Zé era a senha para Beethoven pular da cama e ir direto se sacudir no colo do dono.

Sábado, domingo ou feriado, sol e chuva, pouco importava o dia, tampouco o clima, lá estava ele, postado na entrada, fazendo festa para Zé.

Mas, desde o dia 8 de junho, uma manhã de sábado, o silêncio e a tristeza tomaram conta de Beethoven: a rotina de latidos, saltos e carinhos, ao longo de quatro anos, foi interrompida.

Na noite anterior, depois de se despedir do “amigão”, como era de costume, o funileiro pegou o carro para ir embora. Dirigia pela avenida Rio das Pedras (zona leste), quando, sentindo fortes dores no peito, procurou às pressas um lugar para estacionar.

Ligou para o Samu. A emergência veio rápido, só que tarde demais: Zé, 54, sofreu um ataque cardíaco. Deixa a mulher, duas filhas e Beethoven.

Mesmo calado e desolado, Beethoven continua fiel à guarda matinal à espera de Zé

Mesmo calado e desolado, Beethoven continua fiel à guarda matinal à espera de Zé

‘SEMPRE AO SEU LADO’

“O cachorro ficou tão desamparado quanto elas”, diz Margareth. A vizinha fez uma “vaquinha” para comprar ração, mas o apetite do cão, antes voraz, diminuiu bastante.

Ela pretende encontrar um novo lar para Beethoven, que hoje divide o teto com outros seis cães de rua, trazidos por um carroceiro que está “ocupando” a funilaria. A família de Zé não tem condições de ficar com Beethoven, que foi para adoção (www.facebook.com/cristiane.biral ).

“Quando ele ouve o barulho de chaves, vem correndo para o portão”, conta Margareth. “Acha que é o Zé.”

Elvira Brandolin, 79, outra vizinha, lembra que a rua nunca esteve tão calada. “Ele latia fazendo festa para o Zé. Infelizmente, a festa acabou.”

Autora de livros como “Um Cão pra Chamar de Seu”, a veterinária Regina Rheingantz Motta, 53, explica que Beethoven continua exercitando sua rotina “de encontros e despedidas de seu dono, mas ele ainda não aprendeu a incluir nela a morte”.

A persistência de Beethoven fez com que seus vizinhos enxergassem semelhanças entre o cão sem raça definida e a tocante história de Hachiko, o cachorro akita do filme “Sempre ao Seu Lado”.

Após a morte do dono, Hachiko continua indo “buscá-lo” na estação de trem, assim como Beethoven continua lá, às portas da funilaria, à espera do amigo humano.

Baseado em uma história real acontecida no Japão, o longa fez sucesso com Richard Gere no papel do professor, dono do cão, que morre, assim como o Zé, vítima de um ataque fulminante.

Mesmo calado e desolado, Beethoven continua fiel à guarda matinal à espera de Zé, todos os dias, às 7h.

O que ele ainda não sabe é que o dono jamais voltará.

José Teixeira da Silva, 60, brinca com o cão Beethoven, que parou de latir após morte do dono (foto: Apu Gomes/Folhapress)

José Teixeira da Silva, 60, brinca com o cão Beethoven, que parou de latir após morte do dono (foto: Apu Gomes/Folhapress)

O que as religiões pregam sobre os animais de estimação

Islamismo permite que apenas gatos sejam animais de estimação (Foto: Reprodução/ Papo de Pet )

Islamismo permite que apenas gatos sejam animais de estimação (Foto: Reprodução/ Papo de Pet )

Priscilla Merlino, na Época

Derivação do termo latino “Re-Ligare”, que significa “religação” com o Divino, a religião é o culto prestado a uma divindade. Trata-se da crença na existência de um ente supremo como lei universal. Apesar dos aspectos que distinguem a filosofia e doutrina de cada crença, a “fé” e o “amor” aparecem na base de praticamente todas as propostas religiosas.

Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a religião Católica ocupa o primeiro lugar no ranking da fé no Brasil, ao todo 70% dos entrevistados. Em segundo lugar vem a Igreja Evangélica com 17% da população. As outras religiões que compõem o mosaico da diversidade estão bem divididas, entre elas, destacam-se o Islamismo, religião que mais cresce no mundo, embora por aqui sua presença ainda seja menor que a do Judaísmo (87 mil) e a do Budismo (214,8 mil). Os seguidores da Umbanda e do Candomblé somam 515 mil e os Espíritas lideram o ranking dos menores, com 2,3 milhões.

Com a busca incessante pelo sentido da vida, as pessoas caminham cada vez mais rumo à religiosidade. E nossos amigos pets? Como são vistos perante a doutrina das maiores religiões do mundo?

São Francisco de Assis pregava que os bichos não são coisas, objetos nem serviçais, mas sim companheiros dos humanos, e devem ser respeitados, assim como toda a natureza. (Foto: Reprodução/ Papo de Pet )

São Francisco de Assis pregava que os bichos não são coisas, objetos nem serviçais, mas sim companheiros dos humanos, e devem ser respeitados, assim como toda a natureza. (Foto: Reprodução/ Papo de Pet )

Catolicismo

A Igreja Católica nasceu com a presença e pregação do próprio Jesus Cristo. “A partir do anúncio da vida, morte e ressurreição de Cristo somos convocados ao amor, à solidariedade, justiça e a transformar o mundo, para que aqui já se inicie o Reino de Deus”, explica o padre Juarez Pedro de Castro, da Arquidiocese de São Paulo.

Considerada a religião com maior número de fiéis no País, a Igreja Católica acredita que os animais são criaturas de Deus e por isso devem ser respeitados e amados. “A Igreja sempre considerou a proteção e o amor aos animais como algo importante. A própria Bíblia obriga o descanso semanal não só para o homem como também para os animais”, destaca padre Juarez. Embora admitam que o convívio com os animais seja benéfico aos seres humanos e simbolizem um sinal de amizade fiel, para os católicos os bichos não possuem a alma racional e inteligente, e, portanto não têm o mesmo destino dos homens e mulheres após a morte.

Um dos Santos mais populares da Igreja Católica, São Francisco de Assis amava e respeitava todas as pessoas, ao mesmo tempo, em que protegia animais e plantas aos quais chamava, carinhosamente, de irmãos. Considerado o santo mais amigo dos animais, foi intitulado Patrono do Presépio e dos Ecologistas. Graças à sua mensagem de paz, é respeitado por várias religiões, e sua Basílica em Assis, na Itália, é a segunda mais visitada por turistas de todo o mundo, ficando atrás apenas do Vaticano. Conhecido como protetor dos animais, São Francisco de Assis pregava que os bichos não são coisas, objetos nem serviçais, mas sim companheiros dos humanos, e devem ser respeitados, assim como toda a natureza. “Os animais não são coisas nem objetos, são criaturas de Deus, ou seja, criados por Deus segundo o relato bíblico e por isso devem ser amados e respeitados. É bom que se diga que antes de toda essa “moda” atual de proteção aos animais, quem sempre levantou a voz para protegê-los foi a Igreja Católica, que já desde os primórdios proibia e ainda proíbe, considerando pecado, a vivissecção de animais para fins de estudo”, ressalta padre Juarez.

Igreja Adventista do Sétimo Dia

A igreja Adventista do Sétimo Dia surgiu nos EUA no século XVIII com o despertar protestante para a doutrina da segunda vinda gloriosa de Jesus a este mundo (Apocalipse 1:7).

“Adventista é um termo que se refere a uma pessoa que “acredita no segundo advento (volta) literal de Cristo”. E Adventista “do Sétimo Dia” é uma referência ao dia que observamos (Êxodo 20:8-11), dedicando-o ao repouso, culto a Deus, companhia da família e contato com a natureza”, explica Leandro Quadros, consultor bíblico da Rede Novo Tempo de Comunicação.

Assim como a Bíblia, para a religião Adventista os animais são considerados companheiros do ser humano. “O livro de Gênesis relata que quando Adão e Eva foram criados, Deus também fez os animais para que juntamente com os seres humanos desfrutassem das alegrias do jardim do Éden (Gênesis 1:20-22). Ao criar os animais no quinto dia, Deus disse que aquela criação era “boa”, destaca Leandro.

Para os adventistas é importante lutar pela preservação da vida animal, levando ao pé da letra citações bíblicas, como as encontradas em Apocalipse 11:18, onde há uma séria advertência para quem maltrata os animais: “terá que prestar contas a Deus no dia do juízo final”.

“O fato de Deus ter criado os animais no quinto dia da criação e o ser humano no sexto, demonstra que o reino animal fazia parte do preparo do planeta para receber a “coroa da criação de Deus”: homem e mulher. A felicidade humana também estava no contato com a natureza animal. Além disso, estudos científicos provam que a Bíblia está com a razão. Pessoas que têm algum bichinho de estimação possuem menos possibilidades de terem algum problema de coração”, enfoca Leandro.

Baseando sua crença em textos bíblicos como Gênesis 2:7 e Gênesis 1:20, os adventistas acreditam que o ser humano se tornou alma (e não que recebeu uma alma), ou seja, tornou-se uma pessoa viva, no conceito bíblico, onde os animais vivos também são chamados de “almas”. Sendo assim, como os homens não possuem vantagens sobre os animais, pregam que ao morrer ambos vão para o mesmo lugar, sem diferenças: todos procedem do pó e ao pó tornarão.

“Não cremos que seres humanos e animais tenham alma, mas sim que são almas. O conceito bíblico de “alma” não é o mesmo que o apresentado por Platão e pela filosofia grega. Alguns dos textos citados devem encher de alegria os leitores da revista Papo de Pet que perderam pessoas queridas e animaizinhos de estimação, pois, ambos existirão novamente em nosso Planeta renovado, afirma Leandro que finaliza: Ao orientar Noé a sair da arca, além de abençoar a raça humana o Senhor abençoou também os animais (Gênesis 8:15-17)”.

Judaísmo

O Judaísmo surgiu há mais de 4 mil anos. Segundo sua principal fonte escrita, a Torá, Abrahão foi o primeiro hebreu, ao reconhecer que um mundo tão diverso de seres e de vida só poderia ter sido criado por um único Deus.

“Acreditamos na existência de um único Deus, Criador do Universo e de todas as criaturas. Deus fez do ser humano seu parceiro para cuidar do mundo onde vivemos, o que se reflete na preocupação com a consciência e a ação ecológica. O Judaísmo é uma religião focada mais na ação. Acreditamos que a responsabilidade social, ecológica e o cuidado na relação com as pessoas, com os animais e as plantas é inclusive mais importante do que a fé. É pela ação prática que podemos tornar este mundo um lugar melhor de se viver”, explica o rabino Ruben Sternschein, da Congregação Israelita Paulista, de São Paulo.

Segundo o judaísmo há um valor básico na relação entre seres humanos e animais, que é chamado de tsáar baalei haim. Há ainda a mitsvá, a obrigação de não causar sofrimento aos seres vivos – o modo judaico milenar de ação ecológica. “O respeito às árvores e às plantas em geral, bem como aos animais, é fundamental. Em nosso dia de descanso, o Shabat, não somente os seres humanos não trabalham; os animais também não. Os animais de corte, como vacas e galinhas, são sacrificados com cuidados especiais segundo as leis de cashrut, visando diminuir o seu sofrimento ao máximo. Enfim, temos uma sensibilidade especial pelo planeta, pela natureza em geral e pelos animais em particular. Quanto aos animais de estimação, como cães e gatos, valorizamos o contato com o próximo, gostamos de trazê-los para casa, alimentarmos e cuidarmos. É uma das mais belas formas de amor e de respeito ao organismo planetário como um todo”, revela o rabino Sternschein.

Islamismo
Para a religião Islâmica, a fonte única é Deus. Ela revelou todos os Livros Sagrados e enviou todos os Mensageiros e Profetas. A partir do envio do Profeta Mohamad como Mensageiro de Deus e a revelação do Alcorão Sagrado, começa essa terceira e última etapa da religião Divina, aproximadamente, 613 D.C.. A Religião Islâmica prega a crença verdadeira em seis pontos: crer em Deus Único; crer nos Anjos; crer nos Livros Sagrados; crer em Seus Mensageiros; crer no dia do Juízo-Final e crer no Destino.

“A religião ordena que os animais sejam tratados com misericórdia. Quanto aos gatos é permitido tê-los como estimação, porém, os cães, só podem ser utilizados para alguma finalidade que não seja somente estimação, já que a religião diz que o cachorro tem em sua saliva uma substância nociva ao ser humano, porém, pode tê-los como cães guia, para proteção, para caça, etc”, revela o Sheikh Jihad Hassan Hammadeh, presidente do Conselho de Ética da UNI (União Nacional das Entidades Islâmicas).

Segundo o Islamismo, os animais possuem alma já que Deus, no dia do Juízo Final, irá devolver a vida a eles para fazer justiça até entre eles. E ao morrer o corpo do animal vira terra e sua alma retorna para Deus.

Ao ser indagado por seus companheiros se a gentileza para com os animais seria recompensada na vida posterior, o Profeta respondeu: “Sim, há uma meritória recompensa pela gentileza para com toda criatura viva”

Budismo

Uma das vertentes do Budismo, religião que surgiu na Índia há cerca de dois mil e seiscentos anos (seiscentos antes de Cristo), o Zen Budismo prega que se faça o bem, e o bem a todos os seres.

“Os ensinamentos de Buda se baseiam na impermanência (nada fixo, nada permanente, tudo se transformando a cada instante), na interdependência (nada tem origem independente, mas a vida é uma teia de inter-relacionamentos), nirvana (um estado de paz e tranquilidade possíveis através das práticas religiosas e da compreensão do vazio), explica Monja Coen, fundadora da Comunidade Zen-Budista de São Paulo.

E os animais fazem parte desta teia da existência, desta rede de inter-relacionamentos, uma vez que os humanos não vivem sem os animais. “Há várias histórias budistas sobre animais demonstrando sua gratidão aos seres humanos que os salvaram, dando exemplo de como nós deveríamos nos comportar. Animais estão presentes em vários contos budistas como exemplos de fidelidade, gratidão e tranqüilidade”, revela Monja Coen.

Para o Budismo não há conceito de alma para pessoas nem para animais. Tudo que existe é o co-surgir interdependente e simultâneo. “Há três semanas meu cão, um Akita branco de treze anos, entrou parinirvana. O nirvana final, a grande paz. Fizemos as mesmas cerimônias que fazemos para quando morre um ser humano. A prece antes da morte, a logo após morrer, a prece antes do enterro e durante o enterro e a prece que continuamos a fazer de semana a semana. Acreditamos que até 49 dias após o falecimento completa-se o ciclo de uma vida-morte. Assim oramos e agradecemos a vida que compartilhou conosco e rogamos aos Budas e Bodisatvas que o encaminhem à claridade suprema da sabedoria infinita e compaixão ilimitada”, relembra Monja Coen, que finaliza: “Cada animal vive e age de acordo com sua natureza, mas pode essa natureza também ser melhorada durante a vida através do treinamento e da prática diária do convívio respeitoso e amoroso. Animais são seres abençoados e sagrados – vamos cuidar deles e delas e seremos respeitadas por toda a vida do universo”.

Umbanda
Trata-se de uma religião espiritualista e espírita, desvinculada de mitos, lendas e crendices, que tem seus fundamentos no monoteísmo Divino, isto é, na existência de um único Deus, gerador e sustentador de tudo e de todas as coisas, inclusive de suas Forças Superiores Divinas – os Sagrados Orixás – Divindades de Deus responsáveis por reger, adaptar e guardar suas exteriorizações. A finalidade da Umbanda é gerar condições para a evolução dos espíritos encarnados e desencarnados a ela ligados e a extinção de carmas individuais ou coletivos, sendo carma a resultante (conseqüência) de procedimentos (atos) errôneos quanto ao trato dos sentidos íntimos, pessoais ou alheios. É uma religião que acredita na reencarnação dos espíritos, servindo esta forma como um meio de evolução e possibilidade para realizar resgates carmáticos. Em 2009, ano em que a Umbanda completa 100 anos, estima-se que já tenha conquistado cerca de 20 milhões de seguidores no País, embora estatísticas oficiais apontem um contingente bem menor. “Muitas pessoas preferem omitir, por vergonha, porque acreditam que ainda existe muito preconceito. É importante esclarecer que a religião Umbanda não mata nenhum tipo de animal”, revela Pai Salum, da FUCESP – Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo.

De acordo com Pai Salum, o sacrifício de animais origina-se das raízes africanas do Candomblé, mas é totalmente desencorajado pela Umbanda brasileira.

“Para ingressar na nossa Federação, avisamos que não vamos defender quem matar qualquer tipo de bicho. Não apoiamos a matança de animais. Assim como os Espíritas, acreditamos que os animais são seres vivos e possuem alma”, esclarece Pai Salum.

Espiritismo

Diferente do que muitos imaginam o Espiritismo não é uma nova religião, disputando a fé popular. Allan Kardec, nome que assina as obras espíritas, como O Livro dos Espíritos, O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Livro dos Médiuns é um pseudônimo do professor Hipolyte Rivail, que, por volta de 1855 pesquisou a comunicação com os espíritos.

Rivail criou um instituto de pesquisas, dialogou com espíritos sábios e benevolentes, estudiosos da espiritualidade, e recolheu valiosos conceitos sobre os mais diversos ramos do conhecimento, inclusive sobre as características físico-químicas próprias da matéria em seu estado espiritual, constituindo os corpos dos Espíritos e o Universo que eles habitam. Após codificar toda essa gama de informações, publicou seus livros assinando-os com o pseudônimo Allan Kardec, pois o conteúdo deles é a doutrina dos Espíritos e não de sua autoria. Em seu ponto de partida, o Espiritismo é uma ciência, dedicada a estudar os Espíritos e sua relação com os homens.

“Para o Espiritismo, os animais são seres espirituais evoluindo por meio da transmigração, sem ainda possuir a consciência de si mesmo característica do homem. Um dia, quando ganharem a liberdade de escolha e uma consciência contínua, reencarnarão como homens. Como intuiu Francisco de Assis, os animais e plantas têm uma natureza que os aproxima dos homens. E numa figura poética extraordinária, os chamou de irmãos”, revela Paulo Henrique de Figueiredo, pesquisador do Espiritismo há 25 anos, autor da obra Mesmer, a ciência negada e os textos escondidos e publisher da revista Universo Espírita.

Segundo a Doutrina dos Espíritos, os animais domésticos, como cachorro, gato, cavalo, macaco, possuem uma constituição neural superior e uma inteligência relativa mais acentuada. Possuem uma longa trajetória de convívio com os humanos, estabelecendo instintos sociais compartilhados. “Há dezenas de milhares de anos, os cachorros vigiavam as comunidades humanas durante a noite e, em troca, recebiam alimentos e companhia. Além disso, os animais possuem uma alma que tem a mesma origem da alma humana. Por isso, a afeição que sentimos por eles é natural e benéfica ao relacionamento familiar”, avalia Figueiredo.

Para o Espiritismo, se os animais estão em evolução, podemos auxiliá-los em sua trajetória quando agimos com ética e responsabilidade no relacionamento que estabelecemos com eles. “Por isso, é importante ensinar as crianças a cuidar bem dos animais, dar a eles carinho e proteção. Já os adultos, precisam refletir sobre o estado de crueldade e escravidão a que estão submetendo os animais destinados ao consumo humano, como bois, porcos e galinhas. Nas granjas, os animais são tratados como coisas sem alma, da mesma forma que os escravos eram considerados na idade média. A escravidão humana está quase extinta, um dia a humanidade terá consciência suficiente para libertar também os animais”, adverte Figueiredo. Fonte/PapodePet

Grupo aplica golpes por telefone em pacientes de hospitais de São Paulo

Pacientes do Sírio-Libanês e Albert Einstein já foram alvos.
Vítimas têm doenças como câncer e precisarão de remédios caros.

sirioPublicado no G1

Criminosos estão aproveitando o momento de fragilidade de quem tem parentes internados em hospitais para aplicar golpes por telefone. Na maioria das vezes, as vítimas têm doenças como câncer e vão precisar de remédios caros, ou acompanhamento médico depois da alta.

O golpe já foi aplicado em pelo menos dois grandes hospitais da capital. Ambos reconhecidos centros de excelência médica e locais de grande circulação de profissionais de saúde, pacientes e visitantes. Os bandidos ligam no apartamento do paciente cobrando honorários ou oferecendo medicamentos importados com desconto. Os hospitais reforçaram as orientações de segurança assim que souberam dos golpes.

No Sírio-Libanês, a administração do hospital chegou a entregar aos pacientes um comunicado alertando para a ação dos golpistas.”Além da presença de seguranças devidamente uniformizados e do monitoramento feito por câmeras de vigilância, a instituição mantém um sistema eletrônico para o registro da entrada e saída de visitantes em todas as recepções. Embora haja todos esses esforços, pessoas de má fé estão utilizando o telefone para obter vantagens financeiras indevidas”, diz o comunicado.

O informativo detalha o golpe:

- Uma pessoa que se faz passar por médico liga para o quarto do paciente e alega ter desconto junto a um laboratório, diz que vai repassar  o medicamento por um valor mais barato. E deixa um número de celular.

- Os próximos contatos são feitos via celular: ligação ou mensagens de texto.

Depois que o paciente faz o depósito da quantia pedida, o falso médico liga novamente, avisa que se enganou ao informar o valor e pede um segundo depósito.

Outro centro médico de referência onde o golpe foi aplicado é o hospital israelita Albert Einstein. O crime também foi motivo de alerta a médicos e pacientes. “Há alguns meses vêm ocorrendo uma modalidade de estelionato em hospitais brasileiros, em que pessoas inescrupulosas beneficiam-se da angústia e preocupação dos pacientes ou de seus acompanhantes para obter vantagens financeiras”, revela informativo do Hospital Albert Eistein.

Investigação
A polícia também orienta que as pessoas não aceitem as ofertas por telefone e não façam depósitos, sem antes checar com o hospital ou com o médico. Os casos já estão sendo apurados. A polícia quer saber como os bandidos tinham dados dos pacientes.

“A polícia investiga procurando, principalmente, rastrear os usuários das linhas telefônicas utilizadas e perceber se alguém poderia dar algum tipo de informação privilegiada para aquele que está praticando o delito”, afirma o delegado Paulo Cesar Freitas.

O golpe aplicado no Albert Einstein e no Sírio-Libanês já é de conhecimento da polícia. A investigação quer saber como os estelionatários têm informações sobre os pacientes a quem eles enganam. E para outras pessoas não caíam no golpe, fica o alerta.

“Devemos ter uma atenção redobrada quando a pessoa que oferta solicitar um adiantamento em dinheiro, ou depósito bancário, transferência bancária, porque são estratagemas, normalmente utilizada pelos estelionatários”, complementa Freitas.

Até agora, nenhum golpista foi identificado ou preso. O hospital israelita Albert Einstein informou que assim que tomou conhecimento da ação dos bandidos, avisou a polícia e desde então nenhum golpe foi aplicado mais. O  hospital Sírio-libanês  disse que tem conhecimento de que existem quadrilhas especializadas em tentar aplicar golpes por telefone em pacientes internados em instituições de saúde.

Também falou que adota medidas no sentido de prevenir essas ações com o objetivo de resguardar a segurança e o bem-estar dos pacientes. A produção do SPTV conversou com a filha de uma paciente que deu R$ 15 mil para os estelionatários. Ela não quis gravar entrevista.

Mentiras sociais

mentiras-sociais

Por Pedro Doria, no O Globo

Nos últimos dois meses, por conta das manifestações, os brasileiros começaram a prestar mais atenção na informação que vem das mídias sociais. Em blogs, via Twitter, sites de vídeo ou Facebook, muita notícia circulou. As fontes, inúmeras. Imprensa tradicional, blogueiros com maior ou menor grau de influência, grupos ativistas e, até mesmo, informação sem procedência definida. Numa redação como a do GLOBO, parte de nosso trabalho é acompanhar toda pista que pode gerar notícia. O grande furo pode vir de qualquer parte: tanto de um telefonema anônimo quanto de uma ligação da presidente da República. Mas é impressionante o quanto daquilo que circula nas redes é, simplesmente, falso.

Dois exemplos claros. O primeiro, muito fácil de confirmar. O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, seria casado com a filha de um dos principais empresários de ônibus do Rio. Não haveria qualquer crime aí. Uma das benesses de viver numa democracia ocidental no século XXI é que, cada vez mais, podemos realmente casar com quem quisermos. Só que é mentira. A história já circula há mais de ano, às vezes mais, outras menos. Não morre. É inteiramente falsa. Outra envolve o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. Ele teria recebido uma imensa quantia de dinheiro como professor da Uerj, embora há muito licenciado para presidir o STF. Em algumas versões, a história vem até com documentos anexos. É mentira.

Não importa qual a simpatia ou a antipatia que possamos ter por uma ou outra figura pública. A essência do jornalismo é partir de fatos cuidadosamente comprovados. Não é um diploma que faz o jornalista. Não é o lugar onde trabalha. É o rigor.

Quando a comparação entre dois vídeos tentou comprovar que um policial militar infiltrado teria lançado um coquetel molotov durante uma das manifestações no Rio, passamos mais de um dia debruçados sobre ambos os filmes. Quadro a quadro, consultando peritos, tentando identificar junto à PM os homens em roupas civis que pareciam membros da corporação, traçando seu comportamento. No fim, os vídeos mostravam duas pessoas diferentes.

Não é um fenômeno único ao Brasil. Quando bombas explodiram durante a Maratona de Boston, circularam inúmeras histórias falsas. Entre elas, uma tentava, comparando foto a foto, relacionar pessoas inocentes com os terroristas. Algo assim pode fazer um estrago grande na vida de uma pessoa.

Quando se discute uma guerra entre a nova e a velha mídia, o argumento está deslocado. Esta é uma discussão de todo irrelevante. Tenta trazer, para o centro da conversa, a tecnologia na qual cada um se baseia. Para o jornalismo, o que importa não é o meio utilizado para veicular informação, não é a idade de quem o pratica, ou mesmo a origem profissional. O que importa é apenas o jornalismo. E jornalismo dá trabalho de fazer além de, infelizmente, custar muito tempo e dinheiro.

No início do século, havia uma forte discussão a respeito de blogueiros. Blogs independentes, um exército de profissionais liberais que, à noite, de pijamas, apurariam e contariam nova informação, talvez substituíssem o papel da imprensa tradicional. Não aconteceu. Grupos que nasceram deste processo, dos quais o mais conhecido é o Huffington Post, acabaram se organizando como a imprensa tradicional. Reuniram redações, com editores experientes, repórteres que passam parte do dia pendurados no telefone, a outra parte na rua com gravador ou câmera na mão. O produto final que fazem tem um sabor diferente do jornalismo tradicional. Talvez sejam até mais íntimos do mundo digital. Mas o método de fazer jornalismo, de levantar informação, confirmar, pacientemente averiguar, é o mesmo, bom e velho.

As manifestações que encheram as ruas brasileiras foram produto das mídias sociais. Quem apenas se informou a respeito delas pelas redes, porém, recebeu um misto de suposições, verdades, mentiras. Quem filtra o todo? Não é uma pergunta que tenha resposta. Minha suposição é bem mais simples. O jornalismo tradicional não morrerá. Porque sem rigor informativo nenhuma democracia se sustenta.

dica do Ailsom Heringer

Evangelho das vadias: cadê o Amarildo?

vadias

Nancy Cardoso Pereira, no Facebook

Eu sou daquela religião que espera pelo corpo com o corpo: ressuscitado! A espera se move pela paixão por tudo que é humano… tanta e toda capaz de enfrentar a morte: a cruz.

Aborreço os senhores – horrorizai-vos – que querem travestir a fé de Jesus numa expressão obediente de louvores estéreis: não louvo pra que a “som livre” toque – deslouvado seja! Nem me deixo convencer pelo balbucio do senso comum da bondade: eu quero mais! Bem aventuradas as desobedientes porque elas quebram os espelhos de quem manipula deuses, ofertas & santidade.

Minha religião é aquela entre outras de Jesus que goza com o corpo vivo, morre com o corpo solidário de paixão e ressuscita na espera ativa das mulheres que não admitem que a morte diga a última palavra: nem não!

Não esperamos que nos deixem subir no altar, galgar posições e traficar influência como padres, pastores, profetas, ministros, bispos, arcebispos, cardeais, vigários & teólogos a granel. Esperamos a ressurreição do corpo com a menina dos olhos ardida de desejo, gás de pimenta e sono.

Nossa tradição religiosa vem das mulheres que ressuscitaram Jesus com sua espera audaciosa e persistente: “onde colocaram o corpo de quem eu amo?” – elas perguntavam com o zelo de quem cultiva um orgasmo, arrisca um jardim, desenha um doce, faz o salário chegar no fim do mês, apoia a amiga que vai abortar, organiza uma greve, alimenta a fome com a vontade de comer e lava as roupas ciente de que o que suja o mundo é o medo, a desigualdade e a opressão.

Onde colocaram o corpo de quem eu amo? – diz Madalena.

“Porque levaram embora o corpo do meu Senhor, e não sei onde O colocaram.”  Evangelho de João 20, 13

Repetiam o gesto antigo de amante e mãe, companheira e irmã que insiste em saber:

” me digam onde colocaram o corpo e eu cuidarei dele…” Evangelho de João 20, 15

Reivindicam o corpo porque denunciam as muitas mortes e já não aceitam um deus que exige sacrifício, que justifica a injustiça ou atenua o desespero. Elas perguntam pelo corpo do homem morto e se atrevem com perfumes, os seios a mostra e panos, bandeiras e cartazes que desnudam toda pretensão das virtuosas.

Herdamos o gesto des-esperado de Rispa que teve dois filhos mortos pela disputa pelo poder nos tempos do rei Davi… que uma história assim não se esquece! Aquele-no-governo disputava o poder na ponta da espada, na lógica do medo e traição e entregou para mercenários os 2 filhos de Rispa e outros 5 filhos de outra mulher. Os sete enforcados em praça pública, expostos como ação de polícia pacificadora… mas ninguém se atrevia a baixar os corpos, a assumir a morte, a dizer o que aconteceu.

E a mulher antes de todas nós foi lá e fez:

Então Rispa, filha de Aiá, tomou um pano de cilício, e estendeu-lho sobre uma penha, desde o princípio da sega até que a água do céu caiu sobre eles; e não deixou as aves do céu pousar sobre eles de dia, nem os animais do campo de noite. 2 Samuel 21, 10

E ela perguntava pelos corpos dos filhos, pelos filhos da outra: sem cansar, sem desistir: onde está o responsável? quem tinha o poder de deixar que tirassem a vida do corpo desses meninos: que assuma! Que venha a público! Que se assuma a responsabilidade! E assim ela fez dias e dias, semanas e meses… até que o grande poderoso, violento e dissimulado rei Davi assumisse o crime: não foi ele… mas foi a política dele! Criminoso!

e depois disto deus fez paz com a terra…2 Samuel 21, 14

Minha religião é essa, essa minha tradição, as apóstolas da justiça, as herdeiras da coragem que move a esperança. Nós também queremos saber: Onde está o Amarildo da Rocinha? O que fizeram com ele? Quem fez? Quem vai assumir a responsabilidade? E nesse domingo com todas as mães de maio – guerreiras de todas as periferias – e todos os outros dias necessários repetiremos o gesto amoroso de perguntar pelo corpo d@s filh@s do povo e todas as igrejas e comunidades que se comprometem com o evangelho de Jesus vão entoar o único cântico que Deus acolhe: aonde está o teu irmão? aonde está tua irmã?  Gênesis 4

Pastora Metodista, Nancy é autora de Receitas de Vida: Na cozinha com Elias e Eliseu e de A Leitura Popular da Bíblia: À Procura da Moeda Perdida

dica do Pércio Faria Rios