Pai larga emprego em multinacional para investir em filho funkeiro de 17

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MC Novinho, 17 anos, e o Marcelo, de 43, administrador que se demitiu para investir na carreira do filho funkeiro: ‘Funk é um mercado forte, não é só moda’, aposta o pai (Foto: Divulgação)

Publicado no G1

Aos 43 anos, o administrador Marcelo dos Santos Carvalho rodava o mundo a serviço da multinacional alemã Arburg, fabricante de máquinas industriais. Pós-graduado em logística empresarial, ele não achava uma logística equilibrada entre trabalhar e dar atenção ao filho caçula, de 17 anos. O garoto Marcelo, ou MC Novinho, sentia falta do pai e queria ajuda para virar funkeiro famoso. O pai armou reviravolta nos negócios e na vida pessoal: há três meses se demitiu e virou empresário do filho. Eles são de Jardim Imperador, zona leste de SP.

MC Novinho faz parte do especial do G1 “Pop de menor”, sobre músicos brasileiros rumo ao estrelato sem idade nem para dirigir. Com pequenas idades e grandes fã-clubes, eles têm cifras que superam veteranos nas redes sociais. Os famosinhos contam como é se dividir entre aulas de matemática e milhões de cliques somados no YouTube.

Até R$ 400 mil investidos

A dedicação à carreira do rebento é séria. “Até agora, na primeira fase, investimos entre R$ 300 e 400 mil”, estima. No início de outubro, saiu o clipe de “Princesinha de aba reta”, e menos de um mês depois veio o seguinte, “Rainha da ostentação”. Novinho já começa a dar retorno com até quatro shows semanais, diz o pai. Uma ajuda vem de MC Gui, ícone do novo mercado “funk-teen”, amigo e parceiro na faixa “Ela quer”.

Novinho é obstinado: “Já pedi ajuda a muita gente que virou as costas. O único que auxiliou foi meu pai. Antes, eu ficava triste, às vezes me isolava, ficava bravo”. O pai teve que ser convencido. “Ele queria cantar e reclamava por atenção, pois eu trabalhava muito. Mas não entendia nada de funk. Era estranho. Ele fez um perfil no Facebook para mim. Eu colocava ‘bom dia’, ninguém respondia. Ele falava ‘oi’, em dois minutos mais de cem respostas. Achei que tinha algo diferente ali”, conta Marcelo.

O pai foi estudar batidão e ostentação. “Funk é um mercado forte, não é só moda. A gente vê pelos clipes de rap americano, que está aí há muito tempo e corresponde ao nosso funk. Aquela coisa de ‘wiggle wiggle”, Marcelo compara. Ele cita o hit de Jason Derulo com a naturalidade com que antes falava sobre máquinas injetoras alemãs. O filho o arrastou para bailes funk para mostrar que não tinha nada “proibidão”: “Meu pai viu como funcionava, que não era o mundo do crime, como alguns pensam. E aí ele me disse: ‘Para realizar seu sonho, posso parar tudo’.”

‘Novinháticas’

Aos poucos, MC Novinho capta sua base de fãs, chamadas “Novinháticas”. São 30 mil seguidores no Facebook e 300 mil visualizações no YouTube. “Tentam me abraçar, beijar, tirar foto, mas nem todas conseguem. Desmaiam, fazem loucura”, garante o cantor. O pai confessa que “antes, tinha que chamar pra ver quem queria tirar foto depois do show; mas agora tem que organizar a fila e nem sempre tem tempo para todas”. Novinho nem pensa em namorar. “As fãs iam ficar loucas. Eu poderia perdê-las”, justifica.

Marcelo acumula funções de empresário e produtor de shows, mas não descuida das tarefas paternas. “Graças a Deus ele tem uma cabeça muito boa. No camarim a gente nunca pede bebida alcóolica para ninguém. Até gosto de uma cervejinha, mas quando trabalho com ele é só energético, água e guaraná. E confio muito nele.”

O administrador diz que trabalha de manhã até a madrugada com a carreira do funkeiro, mas está mais feliz do que na época da Arburg. “Estava cansado de viajar, agora tenho contato com a família, estou com meu filho por perto”. As duas irmãs e a ex-mulher e mãe de Novinho também ajudam nos shows.

‘Zoado’ na escola

Entre um funk ostentação e outro, MC Novinho está cursando o terceiro ano do Ensino Médio. “Com a sequência de shows nos últimos tempos, tive que parar um pouco na escola. Talvez consiga terminar, ou então faço de novo no ano que vem”. Antes, ele queria estudar engenharia mecânica. Agora, se tiver tempo para fazer faculdade, será de música. Universidade não está nos planos imediatos. “Decidimos apostar agora que é o momento certo. Depois a gente volta onde estava”, diz o pai. “No colégio, alguns ‘zoavam’, falavam que eu não ia conseguir, que eu não era MC. Outros falavam para continuar. Agora até o tratamento deles comigo já é diferente”, compara.

Quando perguntado qual é seu maior sonho como músico, Novinho não cita questões musicais, e vai direto à fama. “Sonho em ser famoso. Ser bem conhecido. Passar em algum lugar e ter gente querendo tirar foto. Já tenho isso um pouco, mas quero mais, sempre subir”, diz. O pai vai atrás. “É o que ele quer. Posso dar ao meu filho oportunidade que não tive. Eu fui atrás do que precisava e meus pais nem sabiam o que eu fazia. Agora tento ajudar.”

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MC Novinho busca sucesso no funk paulista com ajuda do pai e do amigo MC Gui (Foto: Divulgação)

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Brasileiro de 25 anos é pago para viajar e postar fotos no Instagram

Carioca é ‘instagrammer profissional’, trabalho pouco conhecido no país.
Ele é contratado para divulgar destinos; veja dicas para fotografar viagens.

Paulo del Valle com um camelo em Dubai (foto: Paulo del Valle/Divulgação)
Paulo del Valle com um camelo em Dubai (foto: Paulo del Valle/Divulgação)

Flávia Mantovani, no G1

Conhecer belos lugares pelo mundo, postar fotos no Instagram e ainda ganhar dinheiro para isso. Esse emprego dos sonhos se tornou uma realidade para Paulo del Valle, um carioca de 25 anos que é uma das poucas pessoas no mundo a ter a profissão de “instagrammer profissional”.

Paulo é pago por empresas e órgãos governamentais que promovem destinos turísticos para ir até o local, tirar fotos bonitas e postá-las em seu perfil nessa rede social, onde tem mais de 252 mil seguidores.

Desde que começou a se dedicar integralmente a esse trabalho, no início deste ano, ele já esteve na Austrália, nos EUA, em Israel e em Dubai, além de em Santa Catarina e na Bahia.

O que hoje é profissão começou como um hobby desinteressado. O estudante de design fez um perfil no Instagram em 2011, três meses depois que a plataforma de compartilhamento de fotos foi lançada. Postava principalmente fotos do Rio de Janeiro, onde mora, tiradas com seu iPhone.

A qualidade das imagens chamou a atenção da equipe do Instagram, e em 2012 ele passou a ser um “usuário sugerido” — uma espécie de usuário modelo, que posta fotos boas com frequência e interage bastante com outros membros.

“Não tinha nem ideia de que isso existia. Eu nem era fotógrafo, tirava fotos dos meus amigos, de pedras, plantas, coisas aleatórias”, diz. Em duas semanas, seu número de seguidores cresceu de 1.400 para 34 mil.

Foto tirada em mesquita de Abu Dhabi (foto: Paulo del Valle/Divulgação)
Foto tirada em mesquita de Abu Dhabi (foto: Paulo del Valle/Divulgação)

Viagens

Paulo então estudou fotografia por contra própria, em livros e na internet. Trocou o celular por uma câmera e pouco tempo depois recebeu um convite de uma “instagrammer profissional” australiana para ir até o seu país, junto com outros usuários que se destacavam na rede social. O grupo viajou pela Austrália divulgando fotos dos destinos em seus perfis, para despertar em seus seguidores a vontade de conhecer o país.

Foi lá que ele viu que aquilo podia se tornar uma profissão e decidiu abandonar a marca de roupas que ele tinha com amigos. “Conheci esse novo universo e vi que aquilo era o que eu queria fazer. Meu sonho sempre foi conhecer o mundo”, diz ele.

Em seguida veio um convite para conhecer Israel e outro para ir a Florianópolis fazer trabalhos para uma marca de automóveis. Durante a Copa do Mundo no Brasil, uma marca esportiva o convidou para um trabalho em Salvador. Depois foi o órgão de promoção turística de Dubai que o chamou para gravar um programa de viagens no país.

Paulo também recebeu um convite para conhecer a sede do Instagram na Califórnia, e foi para lá com amigos.

Experiências

Durante as viagens, o brasileiro andou de camelo no deserto e de caiaque com golfinhos, segurou um bebê canguru e flutuou no Mar Morto, entre outras experiências que ele diz que nunca vai esquecer. “Fui a lugares para onde jamais pensaria em ir. Foram oportunidades incríveis”, afirma ele, que até então só tinha saído do Brasil para ir aos Estados Unidos.

Paulo diz que sua profissão está crescendo fora do país e acredita que pode se expandir também por aqui, apesar de não saber quanto tempo a tendência vai durar. “Não sei o que o futuro me reserva. Mas estou aproveitando muito o momento”, completa.

Foto de Paulo em parque nos Estados Unidos (foto: Paulo del Valle/Divulgação)
Foto de Paulo em parque nos Estados Unidos (foto: Paulo del Valle/Divulgação)

Veja as dicas de Paulo del Valle para tirar boas fotos de viagem com o celular

1 – Limpe a lente da câmera do seu celular. É comum lembrarmos de limpar a tela, mas não a lente. Isso pode influenciar no resultado das fotos.

2 – Sempre segure o celular firmemente com as duas mãos. É muito importante para que as fotos não saiam tremidas.

3 – Jamais use o zoom do celular. Ele não é um zoom ótico, como nas câmeras, e só piora a qualidade das suas fotos.

4 – Evite tirar fotos diretamente contra a luz do sol, para evitar que feixes de luz (flare) saiam na imagem. Se aparecer “flare” ao tirar a foto, coloque sua mão acima do celular, tentando bloquear a luz do sol.

5 – Ao tirar selfies, prefira a câmera traseira do celular, que possui maior qualidade, usando a função de timer (disponível no iOS 8 e alguns aplicativos). Utilizar o botão do fone de ouvido também é uma boa opção para esse tipo de foto.

6 – Acessórios são importantes. As baterias dos smartphones não aguentam o dia todo, principalmente tirando fotos. Compre uma bateria externa para garantir que não perderá chances de tirar fotos durante todo o dia. Pequenos tripés, feitos para celulares, são ótimos para aquelas situações em que não tem ninguém para tirar fotos ou quem quer tirar fotos mais avançadas, como de longa exposição e HDR.

7 – Tire muitas fotos durante o dia e deixe para editá-las depois, quando tiver tempo. Tenha paciência nesse processo, pois uma boa edição manual (controlando brilho, contraste, saturação etc.) faz toda diferença.

8 – Entenda como funciona a câmera do seu celular. No iPhone, você pode tocar na tela para focar, arrastar o dedo para controlar a exposição de luz, “trancar” o foco e usar o botão de aumentar o volume para tirar fotos. Ferramentas como HDR garantem melhores fotos no pôr do sol e no contra-luz, mas é necessário manter as mãos muito firmes ou usar um tripé, pois o telefone tira 3 fotos ao mesmo tempo e as junta em uma só.

9 – Vá além da câmera nativa do seu celular para fazer melhores fotos e vídeos. Algumas dicas de aplicativos:

– Camera+ (iOS): Tem recursos manuais, como ajustar a velocidade do obturador (ideal para fotos em movimento e de pulos), permite tirar várias fotos por segundo, possui timer, foco manual e muitas outras funções.

– Cortex Camera (iOS): Permite tirar fotos de ótima qualidade em baixas condições de luz, sem a necessidade de flash.

– Average Cam Pro (iOS): Faz fotos com aspecto profissional de longa exposição com o iPhone e dá um efeito incrível a fotos de cachoeiras e mar. Exige o uso de um tripé.

– Hyperlapse (iOS): Para fazer timelapses das viagens sem a necessidade de equipamentos caros, como câmera e tripé.

10  Utilize aplicativos para editar suas fotos e vídeos. Algumas dicas:

– VSCOcam (iOS e Android – Grátis): Tem filtros incríveis disponíveis gratuitamente, além de opções pagas.

– Snapseed (iOS e Android – Grátis): Oferece muitas ferramentas de edição manual.

– TouchRetouch (iOS e Android): Ótimo para dar retoque final, removendo coisas indesejadas de fotos, como lixo na rua ou imperfeições no rosto.

– Over (iOS e Android): Bom para escrever textos sobre as fotos de viagens, com muitas fontes e gráficos.

– Mappr (iOS): Permite colocar a localização de qualquer lugar do mundo nas fotos.

– Videon (iOS): Permite editar filmes controlando brilho, contraste, saturação e muito mais. Oferece ainda muitos filtros, junção de vários vídeos e adição de trilha sonora.

 

 

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7 frases proibidas em uma entrevista de emprego

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publicado na EXAME.com

Você tem um currículo interessante, demonstrou ter todas as competências exigidas para a vaga, mas no fim da entrevista deixou escapar uma frase que pôs tudo a perder?

De acordo com Felipe Brunieri, gerente de finanças da Talenses, não é raro que um candidato seja desqualificado por conta de uma declaração infeliz – mesmo que tenha ido bem em todas as outras etapas da seleção.

“O peso de uma frase mal colocada é muito grande para um recrutador”, alerta ele. “A impressão causada na entrevista corresponde a aproximadamente 50% da nota final”, estima Brunieri.

Ele aconselha prestar atenção à escolha das palavras e, sobretudo, ao tom de voz. “Às vezes, o que mais impacta o recrutador é a forma de falar”, comenta.

A seguir, veja algumas frases que causam ruído numa entrevista de emprego, na opinião de três especialistas:

“Meu antigo emprego era horrível.”
Falar mal do empregador ou dos colegas do passado soa muito mal aos ouvidos do recrutador. “Além de ser anti-ético, dá a impressão de que o candidato é uma pessoa agressiva e intolerante”, afirma Brunieri.

“Todo mundo costuma elogiar o meu trabalho.”
Não é proibido mencionar feedbacks positivos que você já recebeu. Mas a autoconfiança pode beirar a arrogância. Segundo Brunieri, o candidato que não cuida do tom das suas afirmações sobre seu próprio desempenho pode parecer antipático ou avesso ao trabalho em equipe.

“Odeio / detesto / não suporto tal coisa.”
Brunieri recomenda evitar palavras com carga negativa muito forte. “Frases muito carregadas podem dar a ideia de que você é inflexível e agressivo”, afirma.

“Tipo / cara / meu / animal / etc.”
Frases recheadas de gírias também não costumam soar bem. “É preciso um mínimo de formalidade e distanciamento, sobretudo num primeiro momento”, diz Brunieri

“Qual é o salário?”
Indagar sobre remuneração de forma muito direta ou apressada é outro risco. “É bom ter calma e escutar a proposta antes, ou você dará a entender que só quer o emprego pelo dinheiro”, afirma a coach Débora Monique.

“Meu problema é que sou perfeccionista e trabalho muito.”

Recrutador nenhum acredita num candidato que diz que seu pior “defeito” é ser dedicado demais. Além de ser pouco honesta, essa declaração transmite falta de autoconhecimento, segundo Luís Arrobas, sócio da 2GET.
“Não faço questão dessa vaga.”
Mesmo que você tenha recebido outra proposta melhor, demonstrar completo desinteresse pela vaga que você vai declinar pode ser ruim para o seu futuro. “Declarações assim fecham portas”, diz Brunieri.

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Candidatos muito bonitos têm menos chances de emprego, diz pesquisa

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Publicado no Estadão

A maioria dos recrutadores de pessoal para as empresas brasileiras prefere evitar a contratação ou promover trabalhadores com beleza acima da média, segundo uma pesquisa desenvolvida pela Elancers, com 2.075 recrutadores no Brasil.

A empresa do segmento de sistemas de recrutamento e seleção constatou que 46% dos recrutadores olham com restrições os candidatos muito bonitos.

As mulheres bonitas têm suas chances de contratação reduzidas em até 30%, em comparação às não tão atraentes. Segundo a pesquisa, um dos motivos é o fato de que a seleção é feita geralmente por mulheres (96%), solteiras (67%) e com idade média de 29 anos

Cezar Tegon, presidente da Elancers, diz que a pesquisa evidenciou que apenas 2% dos pesquisados admitiu buscar no mercado pessoas com beleza acima da média.

“Pelo menos 1% de empresas contratam, deliberadamente, profissionais considerados feios”, diz Tegon. “É evidente que a grande maioria das empresas evita pessoas muito bonitas, talvez com exceção daquelas empresas que buscam profissionais para atendimento ao público ou em áreas de vendas”, explica Tegon.

Ele acrescenta que em alguns casos as mulheres muito bonitas são preteridas porque alguns recrutadores as consideram um ‘fator de distração’ no trabalho”. Outro motivo seria o preconceito que associa beleza à falta de inteligência, segundo a empresa, ou até medo da esposa, no caso de diretores casados.

Segundo Tegon, os profissionais muito bonitos precisam de uma estratégia diferenciada para conseguir um bom emprego: “O ideal é que pessoas mostrem suas qualidades, suas competências profissionais e suas qualificações, sem se preocupar tanto com a aparência e questões estéticas”, diz.

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Negligenciar matemática prejudica saúde, emprego e vida em geral

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Publicado no HypeScience

É comum pensar que matemática não serve para nada, e que tudo aquilo que aprendemos na escola é uma perda de tempo. No entanto, não ter habilidades matemáticas é uma má notícia para a nossa carreira, escolhas de vida e até mesmo para nossa saúde mental.
Muitos estudantes têm verdadeiro medo de matemática, um sentimento impulsionado por uma cultura que está constantemente tentando nos convencer de que ela é difícil e inútil.

No entanto, o tempo passa e nossas vidas pessoais e profissionais tornam-se cada vez mais dependentes da nossa capacidade de compreender e processar números, que hoje simplesmente não é boa.

De acordo com dados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), uma rede mundial de estimativa do desempenho escolar coordenada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil está na 58ª posição do ranking em matemática. O primeiro lugar é da China. Abaixo do Brasil, aparecem Argentina (59ª) e Peru (65ª).
De 2009 a 2012, o Brasil ganhou pontos no ranking em matemática, passando de 386 a 391, mas a melhora não foi suficiente para que o país avançasse de posição e, apesar da melhora, 2 em cada 3 alunos brasileiros de 15 anos não conseguem interpretar situações que exigem apenas deduções diretas da informação dada, e não são capazes de entender percentuais, frações ou gráficos.

A numeracia que poucos têm, ou a matemática que é pouco ensinada

Alfabetização matemática não implica proficiência em algumas das áreas mais avançadas de matemática, como cálculo ou trigonometria. Em vez disso, descreve o conhecimento e as habilidades necessárias para gerenciar com eficácia as demandas matemáticas de diversas situações.

Também chamada de numeracia, a alfabetização matemática não requer o conhecimento da “matemática escolar”, mas sim um nível mínimo de competência necessária para compreender e manipular números.
É a capacidade de um indivíduo de identificar e compreender o papel que a matemática desempenha no mundo, fazendo julgamentos bem fundamentados e usando a matemática de forma que atenda às suas necessidades como um cidadão construtivo, preocupado e reflexivo.
Alfabetização em matemática, portanto, é menos sobre as habilidades com equações complexas e mais sobre a capacidade de realizar operações mecânicas com números e símbolos.
Numeracia também pode envolver o que o matemático Sol Garfunkel chama de “alfabetização quantitativa”, a habilidade de fazer conexões quantitativas sempre que a vida exige (como ser confrontado com resultados de testes médicos conflitantes, e precisar decidir se submeter a um ou outro procedimento) e “modelagem matemática”, ou a capacidade de resolver na prática problemas cotidianos e formulações matemáticas (como decidir se é melhor comprar ou alugar uma casa).

Necessidade gritante

A nossa necessidade de matemática nunca foi tão grande. Cada vez mais tem uma influência pronunciada sobre nossas escolhas fiscais e até mesmo sobre nosso risco no que tange à saúde. Tem até sido associada com uma susceptibilidade reduzida ao efeito de enquadramento (um viés cognitivo no qual as pessoas reagem às opções dependendo se elas são ou não apresentadas de uma forma positiva ou negativa), a tendência de escolha lógica sobre a emoção, e uma maior consciência dos riscos que têm um componente numérico envolvido.

Tão importante quanto isso, a numeracia também tem um impacto significativo em nossas carreiras. Tendo em conta que o mundo está se movendo em direção a uma economia baseada no conhecimento, a falta de habilidade matemática é uma grande preocupação que afeta não só nossas oportunidades, mas também nossa capacidade de avaliar criticamente as informações a nós apresentadas, tirando nossas próprias conclusões, ao invés de alguém ter que nos dizer o que elas significam.

De fato, muitas profissões exigem pelo menos um senso rudimentar de matemática, incluindo contabilidade, análise de risco, finanças, engenharia, arquitetura, ciências sociais, planejamento urbano e outras, incluindo trabalhos fora das áreas especializadas.
Não saber matemática reduz as chances de emprego e promoções, resultando em carreiras não qualificadas, empregos de baixa remuneração e desemprego.

De acordo com a pesquisa PISA, a proficiência em matemática é um forte preditor de resultados positivos para jovens adultos, que influencia seus ganhos futuros. As competências de base em matemática têm um grande impacto sobre as oportunidades de vida dos indivíduos, aumentando o acesso das pessoas a empregos melhor remunerados e mais gratificantes, além de estarem intimamente relacionadas à forma como a riqueza é compartilhada dentro das nações.

Além disso, a pesquisa mostra que as pessoas com fortes habilidades em matemática também são mais propensas a se voluntariar, se veem mais como atores e não como objetos de processos políticos e são mais propensas a confiar nos outros. Justiça, integridade e inclusão nas políticas públicas, portanto, também dependem das competências matemáticas dos cidadãos.
Solução simples

Taxas de numeracia baixas e até mesmo a relutância em se concentrar em áreas mais avançadas de matemática são, em grande parte, a consequência de uma cultura antimatemática. Não é raro ouvir os alunos queixarem-se de quão chata, difícil ou inútil ela é. Claramente, essa cultura tem que mudar.

Mas, para isso, também que temos que levar a conta a ansiedade que a matemática produz, uma condição real com consequências para a saúde mental. Ansiedade matemática é um sentimento de tensão, apreensão ou medo que interfere com o desempenho de matemática das pessoas. Pesquisas já mostraram que os indivíduos com ansiedade matemática têm pior memória de trabalho, o que é provavelmente causado por uma interrupção de processos centrais no cérebro.

Estudos anteriores também mostraram que confiança pode amenizar essa ansiedade. Por exemplo, a ameaça de reputação quando se trata de desempenho ruim em matemática causa ansiedade. Estudos têm demonstrado que mulheres se saem melhor em testes quando usam nomes falsos. Ao assumir um outro nome – quer se trate de um masculino ou feminino -, as mulheres podem anular a ameaça de manchar sua reputação (e provar o falso estereótipo de que são ruins de conta) e usam suas verdadeiras habilidades matemáticas.
Além disso, ansiedade matemática é mais sobre a antecipação de fazer contas do que sobre fazer contas. Só de pensar nisso, o cérebro de uma pessoa pode mostrar os mesmos sinais do que quando ela está sentindo dor. Então, como aliviar a ansiedade matemática? E como podemos deixar de lado a cultura antimatemática predominante?

Tudo se resume à qualidade da educação e como a matemática é apresentada, diz Garfunkel.
Diferentes conjuntos de habilidades matemáticas são úteis para diferentes carreiras, e a educação matemática tem que refletir isso.
Por exemplo, quantas vezes a maioria dos adultos se encontrou uma situação em que eles precisaram resolver uma equação quadrática? Será que eles precisam saber o que é um número complexo?

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Claro, matemáticos, físicos e engenheiros profissionais precisam saber de tudo isso, mas a maioria dos cidadãos tiraria melhor proveito do estudo de hipotecas, programação de computadores e leitura de resultados estatísticos de um ensaio clínico, para citar alguns exemplos.
Um currículo de matemática que incida sobre os problemas da vida real exporia os alunos a ferramentas abstratas de matemática, especialmente a manipulação de quantidades desconhecidas, mas não focaria somente no ensino da matemática “pura”, sem contexto, e sim ensinaria problemas relevantes que levariam os alunos a apreciar a maneira como um modelo de fórmula matemática esclarece situações do mundo real.

Outra mudança positiva seria abolir o uso da misteriosa variável “x”, que muitos estudantes se esforçam para entender, e passar para uma abordagem contextual, no estilo que os cientistas trabalham, introduzindo fórmulas com abreviaturas para quantidades simples, como a famosa equação de Einstein, “E = mc2”, onde “E” representa energia, “m” massa e “c” velocidade da luz.

Garfunkel nos pede para imaginar álgebra, geometria e cálculo sendo substituídos por coisas como finanças, contabilidade e engenharia básica. Assim, no curso de finanças, os alunos aprenderiam a usar fórmulas em planilhas e estudar orçamentos de pessoas, empresas e governos, e no curso de engenharia básica, aprenderiam o funcionamento de motores, ondas sonoras, sinais de TV e computadores etc.
O que você acha? Com certeza, seria uma nova visão da matemática nas escolas, mas traria, de fato, melhores resultados para a sociedade?

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