Arquivo da tag: Encher

Marilena Chauí: Classe média é fascista, violenta e ignorante

chaui

Publicado no Portal Vermelho [via Brasil 247]

O ineditismo de medidas governamentais e seus resultados surpreendentes estão sendo analisados durante o lançamento do livro 10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma. O primeiro deles ocorreu no último dia 13, em São Paulo, e contou com presença de Lula, Emir Sader, Márcio Pochmann e Marilena Chauí.

Sem as sutilezas filosóficas das aulas emocionantes que costuma dar em eventos desse tipo, ela foi direto ao assunto. Chauí falou sobre o Bolsa Família para exemplificar a “revolução feminista” que vem ocorrendo no país, ao direcionar o recurso para a mulher, e depois o exemplo do ProUni, para explicitar o racismo que emergiu com força na sociedade, ao encher as salas de aula do ensino superior de pobres e negros.

Por fim, fez duras críticas à classe média: “a classe média é uma abominação política, porque é fascista, é uma abominação ética porque é violenta, e é uma abominação cognitiva porque é ignorante. Fim”, concluiu ovacionada.

dica do Sidnei Carvalho de Souza

Fábulas (1)

Christus_Ravenna_Mosaic

 

Publicado por Tuco Egg

1. Uma lenda de carne e osso
O que me choca no pensamento ateu não é que Deus não exista, mas que não seja possível acreditar em fábulas. O raciocínio ateu arremessa toda fantasia, toda história de fadas, todo conto fantástico no limbo da bobagem. Nenhuma fábula aconteceu de fato nem jamais acontecerá, é o veredito final decorrente do ateísmo (ou mesmo das formas mais radicais de liberalismo teológico).

Nossa história resume-se, desde sempre e para sempre, em matemática, química e física. Os milênios de histórias, de lendas, de horror e assombro diante do imponderável sempre à espreita, pronto a materializar-se, são desprezados como criancice  ainda que respeitosamente, ainda que com carinho e nostalgia.

Talvez seja necessário frisar que não estou aqui em uma cruzada para me opor ao ateu, muito menos para converte-lo. Entre as muitas formas de fé que desenvolvemos, a do ateu está certamente entre as mais respeitáveis. É evidente que devemos deixar de fora os ateus militantes e proselitistas, que chegam a ser tão desagradáveis quanto os religiosos carolas.

O que quero dizer e não me canso de imaginar, é que cada lenda que surgiu na história foi absolutamente possível e até provável na mente e no coração daquele que a criou. Desejável, com certeza. Que no nascedouro de cada mito houve sempre a ideia subversiva e esperançosa de que ele um dia se realizasse. E não me canso de lastimar o eco que a ausência dessa esperança, decorrente de uma convicção naturalista irrevogável, pode fazer soar na vastidão desabitada de um coração humano.

O que faz do cristianismo um pensamento no mínimo interessantíssimo, é justamente a ousadia que o faz encher o peito e jogar na cara da humanidade, com uma convicção arrebatadora, que enfim, de fato, uma lenda vestiu-se de carne e osso. E não uma lenda qualquer, mas a matriz de todas elas. A redenção final materializou-se nas dimensões do espaço-tempo.

Uma fábula soprada de boca em boca, de geração em geração, em rodas de fogueira nos fins de tarde, sob a luz da lua e o assobio das aves noturnas, em cada um dos cantos mais remotos do planeta, por séculos e séculos, das mais variadas formas, tornou-se real. O mito rasgou a sensatez ao meio e cravou-se nas nossas páginas de matemática, física e química, manchando-as para sempre com magia, milagre e esperança.

Sei que nesse momento alguém pode levantar-se no meio de meus estranhos argumentos e afirmar que, se for assim, se for preciso que algo se materialize, seria melhor crer em duendes e fadas de uma vez, do que apegar-se as histórias do Novo Testamento. Que entre um e outro, não haveria diferença alguma. Pois bem, meu amigo. Vá em frente. Já é um bom começo.

[ continua ]

 

A falácia do argumento de “liberdade de expressão” empregada pelos crentes contra os homossexuais

Bem, vem cá, ó defensor da Bíblia, ó paladino da liberdade de expressão: por que você não reclama que não se pode mais defender a escravidão? O Congresso proibiu, a sociedade recusa, mas a Bíblia manda escravizar e matar cananeus…

igreja batista de westboro

Osvaldo Luiz Ribeiro, no blog Peroratio

Os crentes homofóbicos que querem continuar a tratar a homossexualidade como “a” aberração contra Deus (Deus esse que tolera mataram-no o Filho, alias, ele mesmo mata, o Filho e quem mais lhe aparecer pela frente, mas não tolera o sexo entre duas mulheres e entre dois homens) alegam que têm o direito a dizer deles, homossexuais, e dela, a homossexualidade, o que a Bíblia diz… É a Bíblia que diz, eles berram, é o próprio Deus que o disse, eles palreiam…

Alegam (será consciente, a falácia? – ou é mera estupidez, provocada pelo medo e pelo atordoamento?) que os direitos civis a gays o Congresso já deu, mas amordaçar-lhes a boca de Deus, a boca de Jesus, a boca do Espírito Santo, com o que demonizam e humilham os gays, isso a sociedade não pode fazer! Não podem amordaçar a Bíbnlia, não podem calar o próprio Deus!, eles perdigotam pelas ruas…

Bem, vem cá, ó defensor da Bíblia, ó paladino da liberdade de expressão: por que você não reclama que não se pode mais defender a escravidão? O Congresso proibiu, a sociedade recusa, mas a Bíblia manda escravizar e matar cananeus… Deus mesmo, pessoalmente mandou. E te calas? Traidor!

Por que você não se insurge contra a campanha de não bater em crianças? A Bíblia manda meter a vara (sem trocadilhos!) no menino, porque assim ele aprende, mas a sociedade hoje não quer nem palmada – e você não pragueja pela janela, pragueja? Por que não vejo você nas redes, a resmungas, a reclamar, a encher o saco? Calaram Deus e tu te calas? Blasfemo!

Por que você não se insurge, em praça pública, contra a sociedade que concede direitos civis às mulheres – quando a Bíblia inteira, você sabe, só reconhece um ser, em toda a criação, como detentor de direitos civis e subjetividade – o macho, o “tu” da Lei? Deus pôs a mulher ao lado do jumento e da casa do próximo, objeto dele, tábua escrita com o próprio dedo divino, e tu te calas quando a humanidade vil quer impedir vara e chinelas? Não defendes teu Deus? Apóstata!

Acho você um pouco seletivo. Aliás, acho você muito seletivo. E hipócrita, por conseguinte… Traidor de Deus, blasfemo e apóstata…Mas, na causa gay, vejo-te firme… Firme até demais… Seletivo e firme… Vejo-te em gozos…

Olhe-se no espelho: e pergunte-se por que, realmente, tem tanto problema com a homossexualidade… Não te importas de terem calado Deus em outras questões, mas nessa, na questão da homossexualidade, nessa te importa totalmente que Deus não seja calado…Por quê?

Será o ricochete psicológico de negar ao outro o que o próprio corpo pede e, então, transferir para a sociedade a interdição de você mesmo, para que possa lavar as mãos quanto ao seu próprio destino?