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Mujica sobre o Papa: “tem muita malandragem”

Mujica, ex-guerrilheiro de 77 anos, é famoso por sua falta de apego a formalidades.

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Publicado originalmente no Terra

José “Pepe” Mujica comentou nesta terça-feira sobre suas impressões a respeito do papa Francisco, com quem manteve uma reunião de 45 minutos há dez dias. O presidente uruguaio – que é ateu – foi só elogios ao Pontífice.

“É um Papa esperto, que tem que tem muita malandragem e uma grande tarefa pela frente. Se Deus existe, tem que dar-lhe uma mão porque tem a missão de reformar a única corte antiga que resta sobre a terra”, disse Mujica ao jornal La República.

“É um Papa sóbrio, que tem consciência de que não é época de uma igreja com pompa, mas uma que esteja perto dos pobres”, acrescentou. Mujica, ex-guerrilheiro de 77 anos, é famoso por sua falta de apego a formalidades. Ele vive em uma fazenda nos arredores de Montevidéu. Tem patrimônio de R$ 455 mil e doa quase 90% de seu salário, que é de cerca de R$ 26 mil. Uma vida que pode ser chamada de franciscana.

Durante a visita ao Vaticano, Mujica recebeu um quadro de presente do papa Francisco e brincou: “vou ter que fazer uma casa nova porque não tenho onde pendurá-lo”. Ao apresentar sua equipe ao Papa, ouviu o conselho de Francisco dirigido à sua médica pessoal: “cuida bem dele…”

O sol sobre o pântano

foto: Alexandre Catan/Divulgação

foto: Alexandre Catan/Divulgação

Luiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo

“Somos todos leprosos!”, afirma o Monsenhor no livro “O Casamento”, de Nelson Rodrigues, muito bem adaptado e dirigido por Johana Albuquerque, em cartaz no teatro Tuca (foto).

O que quer dizer esta afirmação exagerada “Somos todos leprosos”? No romance adaptado existe uma personagem leprosa, e ela se torna, na fala do Monsenhor, o paradigma da humanidade em nossa humanidade. Todos necessitamos de misericórdia porque estamos “em pedaços”, e estes pedaços “desfilam” pelo palco, gemendo de prazer e dor.

Nelson Rodrigues é um desses clássicos que todo mundo fala mas pouca gente conhece de fato. Como ele é “cult”, dizer que ele é o “máximo” é algo esperado em jantares inteligentes, afora, é claro, os ignorantes que o acusam de “machista” ou, na versão mais moderninha da mesma bobagem, “sexista”.

“Um Anjo Pornográfico”, título da excelente biografia escrita por Ruy Castro, é uma forma precisa de descrevê-lo. Porque, mesmo sendo pornográfico, ele ultrapassa o discurso sobre sexo para falar do “miserável tédio da carne” que não fala especificamente da carne, mas sim da carne como pele da alma e não do corpo. Seus textos parecem confissões de agonia da alma diante do pecado, na mais velha tradição cristã do começo do cristianismo.

Nelson não é um mero autor de sacanagem (Nelson não é um Sade pernambucano), mas sim um autor espiritual, no sentido mais forte da palavra, talvez, o melhor teólogo que o Brasil já produziu, já que nos últimos anos a teologia brasileira é mais autoajuda do que qualquer outra coisa.

Se formos situá-lo na tradição ocidental, eu o colocaria no encontro entre três gigantes: Freud (sexo como centro dilacerante da alma), Dostoiévski (a alma só sobrevive numa atmosfera de misericórdia porque seu elemento natural é o perdão) e Santo Agostinho (a consciência de que todo drama do corpo é em si um drama da alma). A obra rodriguiana faz de Freud um teólogo.

A expressão “Sol sobre o pântano”, que descreve muito bem o efeito causado pela montagem de Johana Albuquerque, é um modo presente na fortuna crítica para nomear a obra dramatúrgica de Nelson: sua obra ilumina nossa miséria. A expressão foi usada por Léo Gilson Ribeiro, nos anos 1960, num texto no qual ele diz ser nosso maior dramaturgo um expressionista brasileiro.

Nelson era um obcecado por sexo, adultério, sífilis, crime passional, homossexualismo (pederastia), cunhadas gostosas, todas umas Lolitas cariocas. “Em cada esquina do subúrbio carioca existe uma Anna Karenina e uma Emma Bovary”, dizia Nelson. No Brasil, a tragédia anda de lotação.

No mesmo artigo, Léo Gilson Ribeiro cita a famosa passagem na qual Nelson, comentando sua peça “Bonitinha, mas Ordinária”, afirma que “a nossa opção é entre a angústia e a gangrena. Ou o sujeito se angustia ou apodrece. E se me perguntarem o que eu quero dizer com a minha peça, eu responderia: que só os neuróticos verão a Deus”.

Nelson ri dos idiotas que ainda afirmam que no sexo há redenção e que a revolução sexual nos salvará do tédio. Não, o sexo como sentido da vida é tédio puro. Só idealiza o sexo quem não faz muito sexo. No “Casamento” não é outro o sentido do suicídio de Antônio Carlos, o comedor de todas a mulheres do mundo.

As risadas artificiais desvelam o vazio que carrega os personagens arrastados por protocolos: “Não se adia um casamento na véspera só porque a noiva está menstruada!”, de novo, decreta o Monsenhor, o oráculo do romance.

No sexo da mulher, o sangue menstrual que escorre pelas suas pernas define sua feminilidade. A mulher é mulher porque sangra e sangra porque pode ser fecundada no coito e, quando não mais sangra, se sente menos mulher.

Este mesmo oráculo que diz que o sexo é uma mijada (afinal, o órgão sexual é o mesmo que mija, tanto no homem como na mulher e na mulher também sangra), enuncia a diferença final entre nós e os animais: “a culpa faz de nós humanos”. A dor da alma é que nos mantém de pé.

Se na teologia clássica é dito que só os pecadores verão a Deus, na teologia rodriguiana só os neuróticos verão a Deus.

“Seria legal se você parasse de enganar as crianças” – menina de 9 anos ao CEO do McDonald’s

Hannah foi ao evento acompanhando sua mãe, Kia Robertson, blogueira que incentiva hábitos de alimentação saudável.

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Publicado originalmente no Blue Bus

No encontro anual de investidores do McDonald’s, que aconteceu na semana passada em Chicago, nos EUA, Hannah Robertson foi a 1ª a fazer uso do microfone quando a sessão foi aberta a perguntas. “Seria legal se você parasse de tentar enganar as crianças para que elas queiram comer a sua comida o tempo todo”, disse a menina de apenas 9 anos de idade ao CEO da rede de fast-food.

E continuou – “Sr. Thompson, você não quer que as crianças sejam saudáveis para que elas possam viver uma vida longa e feliz?” Ouch, essa doeu!

Em resposta, Don Thompson defendeu os esforços da empresa de oferecer opçoes saudáveis no cardápio – “Nós vendemos muitas frutas e vegetais e estamos tentando vender ainda mais”, disse Thompson, que mais tarde chamou a pequena Hannah de “corajosa”. “Em 1º lugar, nós nao vendemos ‘junk food’. Os meus filhos também comem no McDonald’s”, acrescentou o CEO, argumentando ainda que a empresa nao usa o marketing de maneira injusta com as crianças.

Hannah foi ao evento acompanhando sua mae, Kia Robertson, blogueira que incentiva hábitos de alimentaçao saudável e faz parte da Corporate Accountability Internacional, organizaçao sem fins lucrativos responsável por campanhas que defendem a saúde pública, o meio ambiente e a democracia.

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Paul McCartney visita túmulo de Elvis e deixa palheta “para ele tocar no céu”

Paul McCartney visita o túmulo de Elvis Presley em Memphis

Paul McCartney visita o túmulo de Elvis Presley em Memphis

Publicado originalmente na Folha de S.Paulo

O músico Paul McCartney visitou pela primeira vez Graceland, a mansão que pertenceu ao “rei do rock” Elvis Presley, localizada em Memphis, no Estado americano do Tennessee. No local, estão enterrados Elvis e seus pais.

No túmulo do cantor, que faz parte do complexo de 5,6 hectares, McCartney deixou de presente uma palheta.

De acordo com a página oficial do ex-Beatle no Twitter, o presente foi dado para que Elvis “possa tocar no céu”.

McCartney, assim como os outros Beatles, é fã declarado de Elvis.

A banda britânica chegou a conhecê-lo em 1965, num encontro secreto promovido por um jornalista. Na época, o quarteto de Liverpool ficou tão impressionado por estar na presença de Elvis que não conseguiu conversar com ele, até que o próprio tomou a iniciativa.

O ex-Beatle passou por Memphis neste final de semana como parte da turnê “Out There!”, que já o trouxe ao Brasil e o levou a países como Polônia, Itália e Áustria.

Vaticano corrige Papa: Ateus ainda vão para o inferno

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Publicado originalmente na Examiner

Após o papa Francisco dizer ao mundo que mesmo os ateus podem ir para o céu, o Vaticano divulgou um comunicado: ateus ainda vão para o inferno.

O Vaticano emitiu “nota explicativa sobre significado de ‘salvação”, na quinta-feira, 23 de maio, após a mídia noticiar que o papa Francisco “prometeu o céu a todos engajados em boas ações”, incluindo os ateus.

Em resposta às matérias publicadas em sites e jornais, o Rev. Thomas Rosica, porta-voz do Vaticano, disse que pessoas que conhecem a Igreja Católica “não podem ser salvas” se “recusarem-se a entrar nela ou fazer parte dela”.

(Ou seja: ateus ainda estão indo para inferno se não aceitarem Jesus Cristo como Senhor e Salvador.)

O porta-voz também disse que o papa Francisco não tinha “intenção de provocar um debate teológico sobre a natureza da salvação” na sua homilia na última quarta-feira.

A confusão teológica começou após o líder de 1,2 bilhão de católicos romanos no mundo declarar em sua mensagem que ateus iriam desfrutar da salvação se fossem boas pessoas. O papa Francisco disse:

“O Senhor redimiu a nós todos, a todos, pelo sangue de Cristo: todos nós, não apenas católicos. Todos! “Padre… os ateus também? Mesmo os ateus?” Todos!”

“Fomos criados filhos à semelhança de Deus e o sangue de Cristo redimiu a nós todos! E todos temos o dever de fazer o bem. E esse mandamento para todos fazermos bem, penso ser um belo caminho para a paz. Se nós, cada um fazendo a sua parte, fizermos o bem uns aos outros, se nos encontrarmos lá, fazendo o bem, então iremos gradualmente criando uma cultura de encontro. Devemos nos encontrar na prática do bem. “Mas eu sou ateu, padre. Eu não creio…” “Faça o bem e nos encontraremos lá.”

tradução: Walter Cruz