Suzane von Richthofen: “Não virei pastora evangélica, apenas frequentei alguns cultos”

Suzane Von Richthofen: “Quero que as pessoas saibam que sou um ser humano comum. Cometi um erro, estou pagando por ele e quero recomeçar minha vida” (foto: André Vieira)
Suzane Von Richthofen: “Quero que as pessoas saibam que sou um ser humano comum. Cometi um erro, estou pagando por ele e quero recomeçar minha vida” (foto: André Vieira)

título original: Suzane von Richthofen nega suposto abuso do pai e diz que sonha em ser mãe: “Quero a chance de recomeçar”

Maria Laura Neves, na Marie Claire

Ela diz que sonha com a mãe, toma antidepressivos e reza antes de dormir. Trabalha na oficina de costura do presídio, gosta de bordar e de livros de autoajuda. Condenada por ter planejado o assassinato dos pais em 2002, Suzane von Richthofen recebeu Marie Claire em Tremembé (SP), onde cumpre pena, para sua primeira entrevista em oito anos. Em uma longa conversa, negou boatos de que seria abusada pelo pai e afirmou que sonha em ter uma família.

“Isso aqui é o paraíso”, me disse uma das presas quando cheguei ao presídio de segurança máxima de Tremembé para o concurso Miss Primavera 2014, a festa que, todos os anos, elege a detenta mais bonita da prisão. O paraíso a que ela se referia é a quantidade de pretendentes disponíveis na cadeia. São dezenas de mulheres que, muitas vezes heterosse­xuais antes de serem presas, encontram na companheira de cela um alento para a solidão. Enquanto me contava sobre os preparativos para o concurso – as sessões de ginástica, os ensaios sobre o tablado – e os romances entre as detentas, uma outra presa, candidata a miss, disse: “A mulher dela vai ser a jurada representante das presas no concurso”, apontando para a colega que “se sente no paraíso”. “Moramos todas na mesma cela”, completou. Minutos depois, o locutor da festa chamou a detenta para participar do júri. Sob aplausos, gritos e assovios das colegas, Suzane von Richthofen, 31 anos, sentou na mesa dos jurados.

O concurso é a grande comemoração de Tremembé, o evento para o qual as detentas se preparam o ano todo, e também uma estratégia de disciplina do comando da prisão. “Só podem participar as que têm bom comportamento”, afirma a diretora da penitenciária, Eliana Maria de Freitas Pereira. A festa de 2014 teve o tradicional desfile das candidatas e apresentações de dança. Uma dupla de detentas dançou ao som de “O Show das Poderosas”, de Anitta; outras fizeram coreografias ensaiadas nas semanas anteriores. No fim da noite, dançavam sob a chuva e cantavam, extasiadas, “Beijinho no Ombro”, de Valesca Popozuda. Nesse momento, me aproximei da presa que disse se sentir no paraí­so e dançava ao lado de Suzane. Perguntei se topava dar entrevista. Depois da negativa, pedi, então, que me apresentasse para a colega, a presa mais famosa do Brasil.

Esta foi a primeira vez que Suzane topou participar de uma festa da penitenciária onde cumpre pena desde 2007. Ela, que sempre fugiu dos holofotes, anda mudada, dizem as colegas. Está mais sorridente e conversadora. Surpreendeu a todos quando se candidatou a jurada do concurso, tanto que as presas que concorriam à vaga desistiram do posto em solidariedade a ela.

Em Tremembé, a maior parte dos funcionários e detentas torce por Suzane. Os primeiros por causa de seu comportamento exemplar; as segundas, porque a consideram simples e simpática. “As outras presas famosas são mais fechadas”, disse uma detenta, que não quer ser identificada, sobre Anna Carolina Jatobá, condenada a 26 anos pelo assassinato da enteada Isabella Nardoni, e Elize Matsunaga, acusada de esquartejar o marido, Marcos Kitano Matsunaga, CEO da indústria de alimentos Yoki.

Dias depois da festa, a diretora do presídio me disse que Suzane falaria à Marie Claire com algumas condições: o passado, a noite do crime e a relação com outras presas não poderiam ser abordados na conversa. Imposições aceitas, a doutora Eliana, como é conhecida, me recebeu em sua sala no presídio e pediu para chamar Suzane, que estava na oficina de costura da cadeia, onde é funcionária.

Ela entrou tímida na sala em que eu, o fotógrafo André Vieira e a doutora Eliana a aguardávamos. De uniforme azul, Crocs nos pés, unhas vermelhas e cabelos soltos, nos cumprimentou sorrindo e recusou a água e o café que lhe oferecemos. Visivelmente tensa e insegura, sentou à nossa frente com as mãos entre as pernas. De cara, pediu que não ligássemos o gravador. “Tive experiências ruins no passado com outras entrevistas”, disse, temendo que o áudio fosse divulgado na TV. Antes de responder a cada pergunta, buscava a aprovação da diretora com o olhar. Negou-se a responder as mais delicadas, hesitou em tantas outras ou as comentou laconicamente.

Suzane não quis falar sobre os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, respectivamente o ex-namorado e o ex-cunhado que mataram seus pais, o engenheiro Manfred Alfred e a psiquiatra Marizia von Richthofen, com golpes de barras de ferro, em um plano elaborado e acobertado por ela em 2002.

Em nenhum momento se emocionou, mas disse que havia chorado naquela manhã com medo de dar entrevista. Falou dos pais com carinho e, algumas vezes, como se não tivesse participado da morte deles. Contou que há algumas semanas levou um tombo em que bateu a nuca e ficou desacordada. Quando despertou, não conseguia falar nem se mexer. “Fiquei assustada”, afirmou. O episódio, segundo ela, teria mudado sua vida. “Percebi que a vida pode ir embora em um minuto”, disse, como se fosse seu primeiro contato com a morte. Também se referiu ao crime como se tivesse “acontecido” e não sido praticado por ela.

Com um português correto e a voz doce, explicou o motivo pelo qual decidiu falar. “Quero que as pessoas saibam que sou um ser humano comum. Cometi um erro, estou pagando por ele e quero recomeçar minha vida.” Segundo as colegas de cadeia, a “nova” Suzane, mais alegre e aberta, é fruto do rompimento com o advogado Denivaldo Barni, amigo de seus pais que a acompanhou durante todos estes anos e foi flagrado orientando a cliente a chorar em uma entrevista para o “Fantástico”, em 2006. Isso porque Barni exerceria uma proteção obsessiva sobre ela, a ponto de impedir amizades.

Vários motivos teriam levado Suzane a romper com o advogado. De acordo com pessoas próximas, Barni queria que ela fosse trabalhar em seu escritório, em São Paulo, durante o semiaberto. Suzane teria negado o convite, para sua decepção, e teria desistido de brigar na Justiça com o irmão Andreas von Richthofen, 27, pela herança dos pais, batalha da qual Barni não abriria mão. Procurado pela reportagem, o advogado negou o rompimento e disse que não é mais responsável pelos processos de Suzane.

Suzane e os jurados aplaudem as participantes do concurso Miss Primavera 2014 (foto: André Vieira)
Suzane e os jurados aplaudem as participantes do concurso Miss Primavera 2014 (foto: André Vieira)

A VIDA NA PRISÃO
Hoje, ela trabalha na mesa de distribuição de tarefas da oficina de costura da Funap (Fundação Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel, que emprega presos dentro de cadeias paulistas), onde coordena as funções de outras detentas. Admitida em 2008, recebeu promoções e hoje ocupa o cargo máximo na hierarquia, pelo qual recebe R$ 705 mensais. Diz que guarda boa parte do dinheiro e gasta o restante com compras de supermecado organizadas no presídio, que incluem produtos de higiene pessoal e alimentos, e também com consultas com um dentista particular que atende ali dentro.

Quando cheguei, fiz o caminho de todo mundo: comecei varrendo o pátio, um trabalho que não tem salário mas conta para remissão da pena. Depois fui servir comida, com uma pequena remuneração. Na sequência, virei monitora da educação, era a assistente da professora e dei aulas de inglês para um grupo de presas até que entrei na oficina.”

Ela começa a trabalhar às 7h30, almoça na cela das 11h30 às 13h e encerra o expediente às 17h. Nos dois turnos, há uma pausa de 15 minutos para o café, momentos em que faz caminhadas. “Até aqui dá para ter alguma vaidade”, diz. Entre os rituais de beleza, passa hidratante no corpo, pinta as unhas,  corta e hidrata os cabelos. Todos os pertences ficam em uma prateleira perto de sua cama. “São algumas cartas e unifomes. Se tenho algo fora da cadeia, não sei”, disse.

Ela conta que aprendeu a fazer trabalhos manuais – bordou toalhas de mesa, fronhas – e que lê muito. Gosta de obras de ficção, como as do americano Nicolas Spar­ks, e de autoajuda. No momento diz estar lendo “Quem Me Roubou de Mim?”, do padre Fábio de Melo.

“NÃO SOU FRESCA”
Nascida e criada em uma família de classe média alta, Suzane afirmou que se surpreende com os hábitos e histórias de vida das colegas. “Outro dia uma presa colocou a escova de dentes no chão. Ela não sabia que não podia fazer aquilo por causa da sujeira. Isso me fez ver que as pessoas não sabem regras básicas de higiene e valorizei ainda mais a educação que tive.” A diferença social, segundo ela, não é um problema. “Depois que me conhecem, as presas veem que não sou fresca e se surpreendem quando sento no chão para comer com elas.”

Suzane não recebe visitas. Contou que deixou de falar com o irmão há 11 anos, quando ele ia vê-la aos domingos na Penitenciária Feminina da Ca­pital, o primeiro presídio em que cumpriu pena. “Ele era um menino e nos despedimos como se fosse voltar na semana seguinte”, disse. O motivo da desavença seria a disputa pela herança. Ela diz que hoje Andreas se tornou professor universitário e mora com a avó materna e o tio, os únicos parentes dos Richthofen.

“Meu grande sonho é me reconciliar com meu irmão”, disse. “Sei que não tenho direito ao que era dos meus pais, nada daquilo me pertence. Dele [Andreas], quero apenas o amor e o perdão.” Andreas não respondeu às perguntas enviadas por Marie Claire.

A mãe, disse, é tema recorrente de seus sonhos. “São sempre coisas boas, como se ela viesse para me proteger.” Batizada na igreja protestante, Suzane acredita em vida após a morte, em reen­carnação, e diz que reza ao acordar e antes de dormir. “Não virei pastora evangélica, apenas frequentei alguns cultos.” Afirmou ainda que se emocionou quando a diretora do presídio contou que seria avó. “Imaginei como minha mãe receberia essa notícia.” Também negou o boato de que era abusada pelo pai. “Isso nunca aconteceu.”

SONHO DE SER MÃE
Sobre a privação da liberdade, disse que sente falta da noite ao ar livre – as presas voltam para a cela antes do anoitecer. “Fico paralisada quando vejo o céu e as estrelas. A noite tem um cheiro característico que a gente não percebe normalmente.” Também contou que não usa roupas comuns há anos. “Não sei mais o que é colocar uma calça jeans ou vestir preto.” Hoje, Suzane toma fluoxetina, antidepressivo prescrito pela psiquiatra do presídio. “Quando cheguei aqui só chorava, mas nunca tive dificuldade para dormir.”

Suzane acha que não consegue se perdoar, que será difícil ser completamente feliz, mas que o é na medida do possível. “Não tem como olhar no espelho e não lembrar  [do crime]. Cometi um erro, vou lembrar dele para sempre. Todos os dias penso que queria acordar e ver que tudo foi um pesadelo.” Contou que recentemente esteve presa em Tremembé a mãe de um amigo de infância, que lhe disse os rumos de sua turma de escola.

“Um foi morar em Dubai, o outro na Alemanha. Acho que [se não tivesse cometido o crime] estaria morando fora, talvez tivesse filhos.” Seus planos são mudar-se para o novo pavilhão de Tremembé e continuar trabalhando na Funap, onde “faz o que gosta”. Quer voltar a estudar e diz que sonha em ser mãe e construir uma família. “Estou pagando pelo meu erro e quero a chance de recomeçar”, disse, com uma candura que não combina com o crime estarrecedor que ela planejou.

 

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Integrantes de CPI de alvarás de SP são acusados de extorsão

Eles são acusados de extorquir dinheiro de comerciantes.
Uma dessas conversas aconteceu dentro da Câmara e foi gravada.

Eduardo Tuma, presidente da CPI dos Alvarás.
Eduardo Tuma, presidente da CPI dos Alvarás.

Publicado no G1

Integrantes da CPI criada para fiscalizar a emissão de alvarás para comerciantes são exatamente os acusados de extorquir dinheiro desses comerciantes. Uma dessas conversas aconteceu dentro da câmara e foi gravada. O Ministério Público vai investigar.

Dois homens entram em um bar e se apresentam como fiscais de uma CPI. Dizem que o comércio tem irregularidades. Depois, marcam um encontro com o dono e falam: ‘é só dar dinheiro, que tudo se resolve’. Como você se sentiria se passasse por isso?

Um comerciante, que enfrentou essa situação, responde: “Eu me sinto mal. Me sinto constrangido. Sensação de impotência. Essa é a verdade”.

Ele é dono de um bar na capital paulista, recebe em média 100 clientes por dia. Depois que foi assediado, o comerciante procurou o Fantástico e pediu ajuda. Disse que estava sendo vítima de uma tentativa de uma tentativa de extorsão por dois funcionários públicos. Com uma câmera escondida, passamos a acompanhar as conversas. Gravamos inclusive o encontro com o representante de uma empresa que, em troca de dinheiro, prometia regularizar a situação do comércio.

Representante: Eu vou dar baixa no seu processo para arquivo. E aí, morreu o assunto. Eu vou dar um parecer e eu vou falar direto com o vereador. Eu não vou nem falar com eles. É direto com o vereador que eu vou falar.

O comerciante diz que a corrupção começou quando os dois funcionários públicos foram ao bar dele. Era 15 de agosto passado.

“Os caras vieram aqui, comeram, pagaram. Depois se identificaram como integrantes da CPI dos alvarás. Olharam supostas irregularidades e pediram uma série de documentação”, conta o comerciante.

“CPI dos Alvarás” é a comissão da Câmara Municipal de São Paulo criada para investigar irregularidades nas emissões dos alvarás de funcionamento de bares, casas noturnas e restaurantes da cidade.

A CPI começou em fevereiro deste ano, com a promessa de evitar tragédias como o incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Lá, 242 pessoas morreram, em janeiro de 2013.

Os dois funcionários públicos que procuraram o dono do bar, em São Paulo, são Roberto Torres e Antônio Pedace. Roberto é engenheiro civil, funcionário da Prefeitura de São Paulo. Trabalha na Secretaria Municipal de Licenciamento.

“O cargo que ele ocupava na prefeitura, nós consideramos, sim, sensível. É um cargo que trabalha na concessão de licenças, na liberação de licenças”, explica o controlador-geral da Prefeitura de São Paulo, Mário Vinicius Spinelli.

Em maio passado, a prefeitura autorizou roberto a trabalhar na CPI dos Alvarás da Câmara Municipal. Já Antônio Albertino Pedace é assistente parlamentar do vereador Eduardo Tuma, o presidente da CPI.

Depois de vistoriar o bar, no dia 15 de agosto, Roberto e Antônio deixaram um relatório com o comerciante. Quem assinou foi Roberto, que é engenheiro e assessor técnico da CPI. Disse ter encontrado oito irregularidades e pediu que oito documentos fossem apresentados. O prazo foi de cinco dias.

O comerciante reconhece que o bar não tem certificado de acessibilidade nem brigada de incêndio; e que espera a renovação do alvará dos Bombeiros. “Se eu estou errado, eu tenho que corrigir. Eu tenho que ter direito a fazer a correção do erro e ponto final”, diz o comerciante.

Mas não era bem isso que os integrantes da CPI pareciam querer como mostram as conversas a seguir:

Primeiro, Roberto Torres marcou, por telefone, uma reunião na Câmara dos Vereadores.

Roberto Torres: Você me dá uma ligadinha que eu vou estar na casa.
Comerciante: É na Câmara mesmo?
Roberto Torres: Na Câmara mesmo.

A reunião acontece 24 dias depois da suposta vistoria no bar, no dia 8 de setembro.

Os fiscais se encontraram com o dono do bar em uma sala, que fica no subsolo da Câmara Municipal. Uma sala que fica trancada. Tem que ter chave para entrar no local. Foi uma conversa particular, a portas fechadas. Em nenhum momento, ele prestou esclarecimentos públicos como deve acontecer em uma CPI desse tipo.

O comerciante mostra a documentação do bar, mas os dois integrantes da CPI não dão muita bola, não. O assessor Antônio Pedace vai direto ao assunto. Fala que o comerciante precisa de um laudo.

Antônio Pedace: “Vai fazer um laudo para nós que está tudo ok na casa de vocês, entendeu? Que está ok”.

E os dois indicam uma arquiteta chamada Margarete.

Comerciante: Como é que ela trabalha? Ela vai lá?
Pedace: Não, ela vai vir aqui.
Comerciante: Nós não vamos ter problema depois?
Torres: Não. Com relação à CPI, não. Como eu sou membro técnico, eu assino, mando para a secretaria e acabou.
Pedace: Tem o carimbinho e tudo. A gente dá baixa e põe no arquivo.
Comerciante: E o valor que ela vai?
Pedace: É R$ 15 mil que ela cobra. Porque ela já fez para outras casas aqui também para resolver.

O comerciante fala que está preocupado em perder movimento se tiver o bar citado na CPI e tiver que prestar depoimento.

Comerciante: Pode até ser chamado em plenário? Eu fiquei preocupado.
Pedace: Na semana passada, veio um monte de empresário chamado em plenário.
Comerciante: Está vendo.

O dono vai dando corda, para ver a reação dos dois. E ele termina a conversa fazendo uma proposta para encerrar o caso.

Comerciante: A gente não quer nenhum problema com a CPI. Agora, sei lá. Se der para fazer R$ 10 mil. Não sei.
Pedace: Eu vou falar com ela.

Comerciante: Quando você faz uma fiscalização, quando ela vem, ela vem, fotografa e a irregularidade põe no processo. Não tem nem processo. Não mostraram nem processo que foi aberto.
Fantástico: O que caracteriza isso para o senhor?
Comerciante: É pagamento de propina. Estou pagando dinheiro para que o processo seja arquivado.

O Fantástico mostrou as imagens do encontro na Câmara para dois promotores de Justiça que fazem parte do Grupo Especial de Combate a Crimes Financeiros.

“São evidências de que nós estamos diante de um esquema de corrupção”, diz o promotor Arthur Lemos Junior.

“Tudo indica que eles acabaram visitando outros comerciantes, usando a mesma estratégia ilícita”, completa Arthur Lemos Júnior.

O Fantástico falou com o vereador presidente da CPI dos Alvarás, Eduardo Tuma. Ele garantiu que não sabia de nada.

“A CPI não tem qualquer força para arquivar ou não arquivar caso. Ou para conceder ou não conceder alvarás. Nós fizemos diligências públicas. Quer dizer, contávamos com acompanhamento da Guarda Civil Metropolitana, com a TV Câmara. Conversar com comerciante dentro da Câmara não é procedimento da CPI. Não é mesmo”, diz Eduardo Tuma.

A história do dono do bar não parou por aí. Um dia depois do encontro na Câmara Municipal de São Paulo, o assistente parlamentar Antonio Pedace deu um aviso ao comerciante. A arquiteta Margarete, que nem chegou a ser apresentada ao dono do bar, não quis fazer o laudo por menos de R$15 mil.

Pedace: Não teve jeito de abaixar. Então, eu estou te mandando uma outra pessoa falar com você que se chama Marcos Peçanha.

Marcos Peçanha se apresenta como engenheiro: Fazemos tudo. Todo tipo de regularização. Eu vou dar baixa no seu processo para arquivo e morreu o assunto. Eu cobro R$ 13 mil, em duas vezes.

Comerciante: Mas o senhor faz parte da CPI?
Marcos Peçanha: Não.
Comerciante: Mas eu não vou ter problema não?
Marcos Peçanha: Não. Eu encerro a fiscalização lá.
Comerciante: Você está fazendo para mais gente também?
Marcos Peçanha: Eu fiz para várias pessoas.
Comerciante: Aqui nessa CPI dos Alvarás?

Como Peçanha conseguiria arquivar o processo tão facilmente?

Marcos Peçanha: Eu vou dar um parecer e eu vou falar direto com o vereador.
Comerciante: Com o engenheiro?
Marcos Peçanha: Eu não vou nem falar com eles. É direto com o vereador que eu vou falar.
Comerciante: Quem que é?
Marcos Peçanha: O presidente da CPI. Eu vou ser sincero. Eu vou matar o negócio no ninho.

Peçanha diz que vai dar um presente para Eduardo Tuma, o presidente da CPI dos Alvarás: “Um presente para o vereador e acabou. Uma garrafa de uísque, qualquer coisa”, diz Marcos Peçanha.

No fim da conversa, Peçanha dá a entender que o presente pode ser dinheiro também.

Marcos Peçanha: Não pense que eu vou pegar R$ 13 mil para mim que não funciona.
Comerciante: Já falaram que tem pessoas que precisam receber.
Marcos Peçanha: Deixa eu conversar com ele. Alguma coisa lá tem que dar para o vereador.
Comerciante: Está bom.
Marcos Peçanha: Um presente. Vamos ver.

“Isso que ele está dizendo é crime. Isso é crime. Eu quero que o Ministério Público atue nesse sentido. O que é isso? Imagina. Não conheço. Nunca recebi nada, qualquer forma de presente ou de vantagem licita ou ilícita desse senhor.  Eu não posso ser responsável por uma pessoa que se utiliza do meu nome. Quero que ele testemunhe isso. Faço questão de fazer uma acareação com esse senhor”, diz Eduardo Tuma.

No começo deste mês, a CPI dos Alvarás terminou, com a apresentação de 15 propostas, principalmente para diminuir a burocracia na concessão dos documentos.

O dono do bar nem chegou a ser nem citado no relatório. Acreditava que assim teria sossego. Mas nem com o fim da CPI, isso não aconteceu. Marcos Peçanha não desistiu.

Comerciante: Peçanha?
Marcos Peçanha: Isso.
Comerciante: Meu sócio ligou e falou que a CPI foi encerrada.
Marcos Peçanha: Ela está encerrada mas, como diz, ela foi encerrada. Mas quando eles foram aí, não estava encerrada, entendeu?

Peçanha faz uma sugestão: diz ao comerciante para ele oferecer menos dinheiro a Roberto Torres e Antônio Pedace, os dois homens que se apresentaram como fiscais da CPI.

Marcos Peçanha: “Se conselho fosse bom, a gente não dava, vendia. Faz uma contraproposta e acabou. Dentro das suas condições e já era”.

O Fantástico foi até o escritório de Marcos Peçanha, engenheiro que sugeria dar baixa nos processos.

A informação que o Fantástico recebeu é que Peçanha não estava. No dia seguinte, fomos lá outra vez e nada de novo. Também ligamos várias vezes, deixamos recados mas ele não retornou.

Procuramos Antônio Pedace na Câmara, mas ele não foi localizado. No sábado (25), o assistente parlamentar enviou uma nova ao Fantástico. Disse que: “Em nenhum momento, pediu qualquer valor a seu favor ou de outras pessoas e que simplesmente. Indicou uma empresa especializada, uma pessoa que já fazia esse trabalho de forma idônea, para regularizar e realizas as pendências realizadas no referido estabelecimento. E obras e mudanças seriam necessárias para a continuidade das atividades comerciais”.

O presidente da CPI afirmou que nem o assistente dele, Antônio Pedace, nem o engenheiro Roberto Torres tinham autorização para fiscalizar comerciantes. “Esse senhor é o Antônio. Ele é ligado a nós sim, mas não tinha qualquer autorização para trabalhar nessa questão da CPI. Talvez análise de documentos, sim”, declarou Tuma.

O escritório onde Marcos Peçanha recebeu o dono do bar fica na Rua Riachuelo, região central. O Fantástico investigou e o engenheiro Roberto Torres, o integrante da CPI dos Alvarás que procurou o comerciante, aparece na escritura desse imóvel. Roberto é o dono do escritório.

Roberto de Faria Torres está sendo monitorado desde junho do ano passado pelo setor de inteligência da Controladoria Geral do Município. O nome dele está em uma lista de servidores públicos que são analisados. É uma checagem que a controladoria faz para saber se o salário do funcionário é compatível com o patrimônio dele.

O Fantástico apurou que, nos últimos cinco anos, pelo menos 15 imóveis apareceram no nome de Roberto, como os mostrados no vídeo acima. Ele recebe da prefeitura um salário de R$ 4 mil por mês. A investigação da controladoria pode comprovar se o engenheiro teria ficado rico ilegalmente.

“Se, de fato, a conduta dele foi uma conduta que desabone a sua função enquanto servidor público, ele será sim penalizado. Inclusive, dependendo do caso, com a demissão”, destaca o controlador-geral da Prefeitura de São Paulo, Vinicius Spinelli.

Tentamos falar várias com Roberto Torres. Ele chegou a desligar duas vezes o telefone na nossa cara.

O Ministério Público vai investigar se havia uma máfia na CPI dos Alvarás.

“Há necessidade de outras pessoas que também foram vítimas desse esquema de nos procurarem para que a gente possa apurar os fatos não só em relação a essa vítima, mas em relação a todos os outros que também foram extorquidos por este grupo”, diz o promotor de justiça Roberto Bodini.

O comerciante não cedeu à pressão. “Se eu pagar, o que vai acontecer? Mês que vem, vai bater outra pessoa na minha porta. Não dá para, simplesmente, o cara querer sobreviver às nossas custas”, diz o comerciante.

a “nota de esclarecimento” do vereador evangélico pode ser lida aqui.

perguntas: por que ele esperou a veiculação da reportagem para agir? por que não afastou imediatamente seu assessor de confiança envolvido?

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7 frases proibidas em uma entrevista de emprego

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publicado na EXAME.com

Você tem um currículo interessante, demonstrou ter todas as competências exigidas para a vaga, mas no fim da entrevista deixou escapar uma frase que pôs tudo a perder?

De acordo com Felipe Brunieri, gerente de finanças da Talenses, não é raro que um candidato seja desqualificado por conta de uma declaração infeliz – mesmo que tenha ido bem em todas as outras etapas da seleção.

“O peso de uma frase mal colocada é muito grande para um recrutador”, alerta ele. “A impressão causada na entrevista corresponde a aproximadamente 50% da nota final”, estima Brunieri.

Ele aconselha prestar atenção à escolha das palavras e, sobretudo, ao tom de voz. “Às vezes, o que mais impacta o recrutador é a forma de falar”, comenta.

A seguir, veja algumas frases que causam ruído numa entrevista de emprego, na opinião de três especialistas:

“Meu antigo emprego era horrível.”
Falar mal do empregador ou dos colegas do passado soa muito mal aos ouvidos do recrutador. “Além de ser anti-ético, dá a impressão de que o candidato é uma pessoa agressiva e intolerante”, afirma Brunieri.

“Todo mundo costuma elogiar o meu trabalho.”
Não é proibido mencionar feedbacks positivos que você já recebeu. Mas a autoconfiança pode beirar a arrogância. Segundo Brunieri, o candidato que não cuida do tom das suas afirmações sobre seu próprio desempenho pode parecer antipático ou avesso ao trabalho em equipe.

“Odeio / detesto / não suporto tal coisa.”
Brunieri recomenda evitar palavras com carga negativa muito forte. “Frases muito carregadas podem dar a ideia de que você é inflexível e agressivo”, afirma.

“Tipo / cara / meu / animal / etc.”
Frases recheadas de gírias também não costumam soar bem. “É preciso um mínimo de formalidade e distanciamento, sobretudo num primeiro momento”, diz Brunieri

“Qual é o salário?”
Indagar sobre remuneração de forma muito direta ou apressada é outro risco. “É bom ter calma e escutar a proposta antes, ou você dará a entender que só quer o emprego pelo dinheiro”, afirma a coach Débora Monique.

“Meu problema é que sou perfeccionista e trabalho muito.”

Recrutador nenhum acredita num candidato que diz que seu pior “defeito” é ser dedicado demais. Além de ser pouco honesta, essa declaração transmite falta de autoconhecimento, segundo Luís Arrobas, sócio da 2GET.
“Não faço questão dessa vaga.”
Mesmo que você tenha recebido outra proposta melhor, demonstrar completo desinteresse pela vaga que você vai declinar pode ser ruim para o seu futuro. “Declarações assim fecham portas”, diz Brunieri.

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Padre Marcelo Rossi faz apelo: “nunca vote em um religioso”

Após um período de depressão, no qual sofreu uma transformação na aparência, o religioso desabafou sobre sua frustração na política e como se recupera de uma dieta absurda que ele mesmo criou

Luisa Migueres, no Terra

 Padre Marcelo Rossi em 2012 e em 2013, já bem mais magro (foto: Edson Lopes Jr/Terra/Leo Franco e Thiago Duran / AgNews)
Padre Marcelo Rossi em 2012 e em 2013, já bem mais magro (foto: Edson Lopes Jr/Terra/Leo Franco e Thiago Duran / AgNews)

No momento que conversamos com o Padre Marcelo Rossi por telefone, seu nome era um dos mais comentados no Twitter. O motivo? Sua aparência. Há pouco mais de um ano, o religioso perdeu, de forma repentina, mais de 30 kg, mas há quem ainda leve um susto ao ver como a mudança não corresponde nada à lembrança do padre disposto e carismático do início dos anos 2000.

Sem rodeios, Padre Marcelo falou abertamente ao Terra sobre o que estava por trás da transformação: uma depressão silenciosa, agravada por uma dieta que consistia em apenas folhas de alface, cebolas e três hambúrgueres por dia. “Eu sofri tudo calado, mas nunca deixei de celebrar uma missa”, lembra. A aparência se tornou uma espécie de fardo para o padre, que não sabe dizer ao certo quem o cobrava pelo sobrepeso e, em seguida, pela magreza excessiva. “Dizem que os fiéis comentam sobre meu peso. Mas eu tô ótimo.”

A prova, segundo ele, são os 12 km que ele corre todos os dias na esteira. Exceto pela noite anterior à nossa entrevista, quando ficou frustrado com o debate entre os presidenciáveis, exibido na quinta-feira (16) pelo SBT. “Foi horrível. Eu queria saber sobre educação, saúde e projetos. Não queria saber de brigas”, desabafou, deixando espaço para expor a sua opinião política a respeito de outro tema pertinente às eleições deste ano.

Terra – Nessas eleições vimos muito do embate entre evangélicos ou cristãos defendendo certas posições mais conservadoras. Tivemos até um pastor como candidato à presidência da República. O que o senhor acha disso?
Padre Marcelo Rossi – Eu sou totalmente contra, seja padre ou pastor. Está errado. Ou você é um líder religioso, ou você é um líder político. Pode colocar minhas palavras: “Nunca vote em nenhuma pessoa religiosa”. A Igreja Católica viveu isso, a união de Estado, política e religião. Foi a pior fase. Pode ver que a Igreja Católica é a única que não tem candidato. Ela pode até dizer que gosta, mas nunca indica. Eu tenho medo. A pior coisa é fanático. Fuja dessas pessoas, que são as mais perigosas e as que se corrompem mais facilmente.
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Afinal, Padre, como o senhor conseguiu se desvencilhar da crise de depressão sofrida no ano passado?
Eu não fiz uso nenhuma vez de antidepressivo. Eu consegui, é possível. Eu acho isso legal. Eu dizia para as pessoas que depressão era frescura, mas serviu para calar a minha boca. Ela não escolhe idade nem classe social. Eu tive que passar por isso para ajudar outras pessoas.

Quais foram as mudanças na sua vida desde então?
Foram seis meses. Eu terminei saindo mesmo dessa depressão com uma matéria no Fantástico, quando eu estava pesando quase 60 kg. Para um ex-atleta como eu, é complicado. Eu voltei para o meu peso de 80 kg e pouco. Mas eu não tô com fobia de peso. Eu tô me alimentando bem, eu faço 12 km por dia diariamente, pelo menos, na esteira. Não dá pra correr na rua, porque não deixam.

Como você percebeu que havia tomado uma decisão equivocada com essa dieta?
O meu problema foi que quis fazer minha dieta à parte. A gente pensa que sabe, porque trabalhei com isso. Tudo que é rápido, tem suas consequências. Foi bom, porque se eu não passasse por isso, não iria reconhecer o que é depressão. Não vejo nada negativo. Não tenho nada contra, mas saí sem remédio. Se tivesse buscado um profissional do jeito que eu tava, ele teria me dado antidepressivo. E aí estaria tomando até agora.

De onde vinha essa cobrança em relação à sua aparência?
Dizem que os fiéis comentam sobre meu peso. Eu tô ótimo, isso ficou no passado. Não dá para me comparar com cinco anos atrás. Eu falo “mãe, eu tô ótimo, eu não vou ficar gordo ou ficar puxando ferro”, e alguém que corre 12 km todos os dias tem que estar bem.

O senhor acha que a fama pode ter sido um dos agravantes dessa depressão?
A fama pode ser um dos fatores. Mas a sociedade faz isso. Você tem celular? Usa internet? Na hora de dormir, você colocar o despertador? Olha o celular antes de dormir? Na hora de almoçar ou jantar, você leva o celular? Então você pode ter uma depressão. As coisas passam muito rápido. As pessoas não se dão conta.

Receber pedidos de ajuda de pessoas com os mesmos problemas pode ter feito do senhor uma espécie de catalisador?
Eu recebo muitos desabafos, que têm a ver com ansiedade, que levam à depressão. E eu vivi isso. Acaba te fazendo mal.

O início dos anos 2000 marcou o auge da sua exposição da mídia. O que mudou desde então?
Eu continuo na mesma mídia, o que mudou foi que as pessoas achavam que eu era fogo de palha. Recentemente, saiu uma matéria dizendo que eu havia sido investigado pelo Vaticano. Realmente teve um período que houve uma cortada, que não me deixaram chegar até o Papa. Mas esse mesmo Papa, o Bento XVI, me deu apoio. Eu só não sei qual foi o objetivo dessa matéria, se fosse em 2010 eu até entenderia. Mas isso não muda nada pra mim.

Essa história de que o Vaticano investigou o seu trabalho durante dez anos surgiu durante a gestão do Papa Bento XVI. Alguma coisa mudou desde que o Papa Francisco assumiu o posto?
Ele foi bem claro dizendo “não se acomode”. Quando você recebe o título de evangelizador moderno, não acabou por aí. Ele poderia me combater, mas ele me apoiou.

A sua carreira sofreu os efeitos da internet na indústria fonográfica nos últimos anos? Ou o seu público ainda é predominantemente formado por quem compra CDs?
Eu nunca senti. Eu sinto que as pessoas mais simples se sacrificam, por serem católicos, eles sabem que é pecado comprar uma coisa pirata. Eu sei que pode ser caro, mas tudo o que é dado de graça, as pessoas não valorizam. Eles têm essa consciência. Esse dinheiro vai para a capela, para o Santuário. Poderia ficar pra mim, mas eu não quero.

Esse seu novo trabalho foi feito para as pessoas que também sofreram de depressão?
Como no ano passado eu caí nessa depressão e foi público, eu tinha esse plano para ajudar pessoas com isso nesse ano. Esse CD [O Tempo de Deus] é um projeto duplo. Ele foi lançado agora pela Sony, e ano que vem complementa com um livro, que vai sair com outro título. Mas é um projeto só. Philia, o livro, é contra depressão, ansiedade etc. O livro já está pronto com a Editora Globo. Eu devo lançar em março. O CD eu quis lançar primeiro porque o brasileiro não tem costume de ler. E também porque a depressão, que eu vivi até o ano passado, aos mais de 46 anos, eu dizia que era uma frescura, mas é o mal do século. Deus decidiu que eu a tivesse.

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‘Eles não machucam ninguém’, diz John Grisham sobre quem compartilha pornografia infantil

Escritor americano defende punição mais branda para quem recebe conteúdo sexual de menores

Premiado escritor entrou na polêmica sobre penas para quem recebe e compartilha material pornográfico de menores (foto: Lisa W. Buser / for USA TODAY)
Premiado escritor entrou na polêmica sobre penas para quem recebe e compartilha material pornográfico de menores (foto: Lisa W. Buser / for USA TODAY)

Publicado em O Globo

O premiado escritor americano John Grisham criticou nesta semana as punições para quem assiste pornografia infantil em seu país, alegando que elas são “pesadas demais”. As declarações foram feitas em entrevista ao jornal “The Telegraph”, do Reino Unido.

O autor de thrillers como “O Dossiê Pelicano”, “A Firma” e “Tempo de Matar” argumentou que as penas para quem somente assiste ao material seriam mais severas do que o ato mereceria. Grisham afirmou ainda que, em consequência, o sistema prisional dos Estados Unidos “enlouqueceu”, com cadeias “cheias de caras da meia idade e de cabelos brancos como eu”.

Durante a entrevista, John Grisham contou ainda a história de um amigo seu, estudante de Direito, que foi preso por apenas baixar arquivos com conteúdo de pornografia infantil.

– Estas são as pessoas que não fazem mal a ninguém. Elas merecem algum tipo de punição, seja qual for, mas 10 anos de prisão? – questiona.

Há um amplo consenso nos EUA de que a distribuição e a posse de pornografia infantil é um crime federal que deve ser severamente punido, mas não há controvérsia pelo fato de a pena ser a mesma para ambos os lados, tanto para quem compartilha quanto para quem recebe. A polêmica é ainda maior especialmente em um momento em que materiais pornográficos se espalham por redes sociais e aplicativos como Whatsapp.

Nos últimos 15 anos, de acordo com a organização Families Against Mandatory Minimums, a duração das sentenças federais para pornografia infantil aumentaram 500%. Em 2013, a Comissão de Sentenças dos Estados Unidos começou a rever a política de condenação em torno de pornografia infantil, dada a complexidade da questão na era da Internet.

Nesse contexto, Grisham parou de defender todos os condenados por crimes sexuais, acrescentando que ele “não tem simpatia” por pedófilos.

– Deus, por favor, prender essas pessoas. Mas muitos desses caras não merecem pesadas penas de prisão, mas isso é o que eles recebem – disse.

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