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A bênção da sanidade mínima

Caio Fábio

Nenhum de nós é totalmente bom da cabeça…

Se somos todos pecadores, somos também todos ruins da cabeça, de um modo ou de outro.

Por isto, não existe o ser “cabeça feita”.

Existe, sim, aquele que não liga para a cabeça de quem quer que seja; e também existe aquele que tenta ser um fazedor de cabeças.

Um sofre de apatia…

O outro sofre de excesso de antipatia…

de ser também empaticamente anti-pática, e antipaticamente simpática, quando houvesse a-simpatia essencial nos encontros humanos.

Só Jesus foi capaz disso o tempo todo.

Assim, todos nós somos mentalmente incapazes de viver em perfeito equilíbrio.

Ora, o normal é ser assim: mentalmente incapacitado de certas coisas, ou de certos discernimentos…

A gente entende…

Errar é humano…

Mas isso não nos põe na categoria dos mentalmente doentes. Apenas torna as nossas vidas enfermas da presunção de saúde: que é a doença dos sãos, os que não precisam de médico; ou a doença dos doentes que não querem cura.

Há, todavia, um outro nível básico e cotidiano pelo qual se pode aferir a saúde relativamente aceitável de cada um de nós: pelo modo como nos comportamos em relação ao próximo quando temos a condição de ajudá-lo ou de tornar a vida de todos mais fácil.

Você sabe se uma pessoa é “balanceada” — a própria palavra pressupõe uma oscilação — se ela sabe abrir espaço justo e verdadeiro entre os seus semelhantes.

Num outro nível, ainda mais rotineiro, nós temos que viver a partir da presunção de sanidade coletiva.

É apenas por esta razão que a gente dorme no ônibus, pega um avião, entra num táxi, faz uma curva de carro quando outro carro faz a mesma curva na direção oposta…

Em qualquer dos casos você confia na saúde da interação humana.

O motorista do ônibus quer voltar para casa.

O piloto do avião teria uma maneira melhor de se suicidar do que derrubando o próprio avião.

E o motorista do táxi está apenas tentando ganhar dinheiro, mas se pudesse estaria vendo um bom jogo de futebol sentando na poltrona de casa.

Então, somos os enfermos de mente que temos que confiar na sanidade uns dos outros até para fazer uma curva de carro na esquina…

Aonde isso nos leva?

Bem, para mim leva a mundos infindáveis, mas aqui quero apenas mencionar um deles.

Você já imaginou o tamanho da proteção que Deus dá à mente humana?

Ficamos assombrados com o mar…

Mas, e com a mente?

Ao mar Deus pôs limites, dos quais ele não passará. E ele o obedece.

Mas e quem põe limites àquele que é o pervertedor das mentes pervertidas?

O diabo teria inimaginável poder na Terra se o Deus de Jó não dissesse a ele: “Não lhe toques a mente!”

Nossas “doenças mentais”, em geral, ainda são meigas e dóceis se comparadas àquilo que o “mal” poderia realizar em nós — que temos a mente furada como um queijo suíço! — se não houvesse um capacete invisível sobre as mentes de todos os homens!

Vivemos, entretanto, dias nos quais é possível sentir que a camada protetora está ficando fina…

O Apocalipse nos diz que chega o tempo em que seres antes acorrentados são liberados a fim de atormentar os homens… os quais desejam morrer… e não conseguem.

Daí procederá a pior loucura coletiva!

É a loucura de existir… acompanhada por ardente ânsia de morrer…

Daí é que vem a loucura mais louca e mais destrutiva.

A loucura se instala coletivamente mais do que nunca quando uma coletividade perdeu a significação para existir.

Aí, cumpre-se Apocalipse 9.

Aí, cumpre-se aquilo que a humanidade jamais conheceu: a última loucura!

E é por se multiplicar a iniqüidade que faz o amor se esfriar de quase todos que se instala a última loucura.

O resto é apenas loucura.

O Apocalipse fala dela o tempo todo.

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

Quem tem coração grato, curve-se e adore!

Quem ainda não vestiu o Capacete da Salvação, ponha-o logo sobre a cabeça!

E o Deus da Paz guardará os vossos corações e mentes em Cristo Jesus, o Nosso Senhor!

fonte: site do Caio Fábio

Equilíbrio

Caroline Celico

Se a vida é equilíbrio, nosso grande desafio é manter o foco. O equilibrista não pode olhar para baixo para não se amendrontar com o medo de cair, e não pode olhar para cima para que a prepotência não o faça vacilar e desistir. O foco é o que perseguimos em cima da corda bamba.

O nosso olhar, como bons equilibristas, deveria estar voltado exclusivamente ao foco que temos em nossas vidas, para conseguirmos caminhar mesmo sem às vezes conseguir nos equilibrar.

Há também a possibilidade de nos transformarmos na própria corda bamba, fazendo com que outras pessoas tentem andar em cima de nossos próprios erros, fracassos, deformações e frustrações da vida.

Ou então podemos ser o peso no corpo do equilibrista, quando tentamos obedecer e ser dirigidos por opiniões alheias, indo para o caminho que nos indicam, que nos mandam, que nos aconselham.

Mas creio que na maioria das vezes somos o próprio artista, que tenta a cada apresentação cumprir sua meta, concentrar-se no foco e concluir seu objetivo na medida do equilíbrio.

O que seria essa medida? A tentativa de encontrar a dimensão certa, ou a justa, entre o certo e o errado. O limite colocado em situações, atitudes, sentimentos, para vivermos da maneira mais próxima à perfeição. A tênue linha entre o bem e o mal.

A corda pode romper-se ao meio, o caminho pode machucar nossos pés e a altura pode aumentar o risco da queda. Mas o que demoramos a entender é que o medo que muitas vezes balança a nossa vida não se vence apenas com concentração e sim com o coração.

O amor de Deus é equilíbrio. Tudo que Ele faz não é demais nem de menos, e sim na medida certa. Não há dor, problema, desafio ou foco que não possa ser vencido. Porque Deus estará sempre nos ensinando a medida do equilíbrio e falando aos nossos corações, ainda que muitas vezes não consigamos compreender como Ele calcula as proporções.

fonte: Tumblr Carol Celico

Nilton Bonder: um rabino por inteiro

Marília César

Conta-se de um rabino que andava louco de vontade para provar uma daquelas comidas proibidas pela tradição judaica. Ele vai para o subúrbio, entra num pequeno restaurante, senta-se na última mesa, chama o garçom e pede um leitão completo. O presidente da sinagoga, que passava pelo bairro, avista o rabino pela janela e entra. “Como vai, o que faz por aqui?” O rabino transgressor começa a suar frio quando vê aproximar-se o garçom com o leitão assado, imponente, enfeitado com uma maçã na boca. O presidente da sinagoga olha para o prato e pergunta: “Mas o que é isso?” E o rabino responde: “Como eles são sofisticados, você pede uma maçã e olha como vem!”
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O rabino Nilton Bonder tenta viver de um jeito diferente de seu “colega” na anedota. Não só evita o mal, mas a aparência do mal. Bonder leva um susto, mais ou menos como o presidente da sinagoga da piada, ao reparar que a Salada da Chef escolhida como entrada pela repórter veio coberta de finas lascas de bacon. “Mas isto aqui é bacon?”
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Bonder pede, gentilmente, à fotógrafa Ana Paula Paiva que, se possível, não seja fotografado em tão má companhia. “Uma imagem diz muito. Se alguém da minha comunidade vir a foto do rabino ao lado de uma salada com bacon, vai achar que estava comendo bacon.” Assim como Oscar Wilde, ele parece acreditar que só as pessoas rasas não julgam os outros pelas aparências.
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A conversa com esse jovem senhor de 53 anos, gaúcho de nascimento, mas carioca por adoção, autor de 21 livros – entre eles vários best-sellers traduzidos para uma dezena de línguas -, desfaz o estereótipo de líder religioso judeu e flui sem que se note a chegada da incômoda salada. Ela aterrissa com as “brusquetas” de tâmara (feitas com gorgonzola e nozes caramelizadas), pedidas por Bonder como entrada para a refeição no ak/vila, o local escolhido por ele para este “À Mesa com o Valor”. É um restaurante despretensioso na Vila Madalena, em São Paulo, de cozinha internacional, pilotado pela chef Andrea Kaufmann – que o define como “uma cozinha sem fronteiras”, onde se pode encontrar alguns itens da culinária judaica.
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Alimentar o corpo enquanto a alma já está sendo preenchida por um diálogo de perspectivas metafísicas pode parecer um exercício menor, mas a conversa é interrompida a certa altura pelo rabino, que sinaliza apetite: “Não estamos comendo nada!” Continue lendo