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“Tinha que ser preto mesmo!” e a nossa ignorância diária

Leonardo Sakamoto, no Blog do Sakamoto

Tinha que ser preto mesmo!

Preto quando não faz na entrada faz na saída.

Sabe quando preto toma laranjada? Quando rola briga na feira.

Amor, fecha rápido o vidro que tá vindo um escurinho mal encarado.

Olha, meu filho, não sou preconceituoso, não. Até tenho amigos negros.

Ouviu aquele batuque? É um terreiro de macumba. Logo aqui na nossa rua! Mas o João Vítor vai dar um jeito nisso, ele conhece uma pessoa na subprefeitura que vai tirar essa gente daí. Essas coisas do diabo me dão arrepios.

Eu adoro o Brasil porque é um país onde não existe racismo como nos Estados Unidos. Aqui, brancos e negros vivem em harmonia. Todos com as mesmas oportunidades e desfrutando dos mesmos direitos.

Se eu deixaria minha filha casar-se com um negro? Claro! Se ela conhecer um, poderá sem sombra de dúvida.

Tá tão difícil encontrar uma empregada decente ultimamente. Ainda bem que achei a Maria. Ela é de cor, mas super honesta.

Quilombolas são pessoas indolentes. Erra o governo ao mantê-los naquele estado de selvageria.
 A terra poderia estar sendo usada para produzir algo, sabe? Ainda mais com tanta gente vivendo apertada em favelas! É o Brasil…

Vê se me entende que eu vou explicar uma vez só. A política de cotas é perigosa e ruim para os próprios negros, pois passarão a se sentir discriminados na sociedade – fato que não ocorre hoje.

É aquele ali, ó. Sim, o “moreninho”.

Meu filho não vai fazer um projeto de escola sobre coisas da África. A gente é evangélico e queremos que ele leia a bíblia e não esses satanismos como… como…como era o nome daquele livro mesmo que a professora passou? Sim! Macunaíma.

Cotas ameaçam o princípio de que todos são iguais perante a lei, o que temos conseguido cumprir, apesar das adversidades.

Ele é um exemplo. É negro e, mesmo assim, virou ministro do Supremo Tribunal Federal sem ajuda de ninguém.

No 20 de novembro, quando se rememora a morte de Zumbi dos Palmares, é celebrado o Dia da Consciência Negra em várias cidades do país. Um momento de reflexão e de resistência sobre os frutos da escravidão, de um 13 de maio incompleto (que significou mais uma mudança na metodologia de exploração da força de trabalho do que uma abolição de fato), sentido no dia a dia. Dia que deveria ser aproveitado por todos aqueles que têm seus direitos fundamentais rasgados para uma análise mais profunda do que têm feito para sair da condição de gado.

Alguns vão dizer que o tema é repetido neste blog. Mas era preciso.

Porque a nossa idiotice não tem limites. E a ignorância é um lugar quentinho.

imagem: Grupo Escolar

dica do Sergio Luiz

Banco erra e deposita R$ 150 bi em conta de aposentada

Polícia investiga caso que envolve Banco Mercantil do Brasil. Banco se comprometeu a analisar o caso nesta quarta-feira (7).

Aposentada de São José dos Campos levou um susto ao ver movimentações milionárias na conta e decidiu procurar a polícia (Foto: Suellen Fernandes/G1)

Suellen Fernandes, no G1

Imagine pegar o extrato da sua conta bancária e ver que agora você é a pessoa mais rica do mundo? É o que aconteceu com a aposentada de São José dos Campos (SP), Maria Benedita da Silva, de 61 anos, que teve depositado em sua conta corrente pouco mais de R$ 150 bilhões. Sem ser dona da fortuna, ela decidiu procurar a polícia na última terça-feira (6).

De acordo com os extratos apresentados na delegacia, os valores foram  depositados em dois dias diferentes. No dia 12 de setembro, foram depositados R$ 150 bilhões e, no dia 28, foi depositado uma nova remessa de R$ 369 milhões.

Os valores foram retirados no mesmo dia de cada depósito pelo Banco Mercantil do Brasil. Entretanto, um novo erro do banco fez com que a retirada fosse maior que o depósito e deixou a aposentada – que tem renda mensal de R$ 1.500 – com uma dívida de R$ 27 milhões. A falha foi corrigida no dia 1º de outubro com um novo lançamento de crédito feito pelo Mercantil, mas até a correção,  o nome da aposentada já havia sido registrado na lista de inadimplentes do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC).

(Correção: ao publicar essa reportagem, o G1 informou que o depósito realizado no dia 28 de setembro havia sido de R$ 369 bilhões e que a dívida deixada para a aposentada era de R$ 27 bilhões. No entanto, a aposentada confirmou que a divida deixada foi de R$ 27 milhões e que o depósito havia sido de R$ 369 milhões. A informação foi retificada às 9h08)

Carta de cobrança enviada pelo SCPC em outubro (Foto: Suellen Fernandes/G1)

Atendimento
Em entrevista ao G1 a aposentada disse que só percebeu a sequência de créditos e débitos em sua conta 20 dias após o primeiro lançamento suspeito (12 de setembro), quando foi receber a aposentadoria do mês de outubro. Segundo ela, a primeira reação que teve foi procurar o banco para saber o que havia acontecido.

Ela disse que o gerente da agência admitiu que houve erros nos lançamentos, mas não deu muitas explicações do problema.  “Fiquei muito preocupada com tudo isso e fui no SPC também ver o que eu poderia fazer para resolver a situação. Lá me disseram que meu nome não estava no sistema. Tenho muito medo dos problemas que posso ter no futuro e por isso procurei a polícia. No banco as explicações foram contidas, o gerente falou pouco”, disse.

Bem humorada, a aposentada brinca com a situação. “Já pensou se isso tudo fosse meu mesmo? Apesar que era tanto zero que eu nem sabia direito quanto que tinha entrado e saindo da conta. Uns 200 reais para minha conta sair do devedor já resolveria minha vida”, afirmou. Ela analisa se vai processar a instituição pelos erros. Na terça-feira (6) a situação da conta estava normalizada. “Está normal, mas eu tenho receio de ter problemas com o imposto de renda por exemplo”, disse Maria Benedita.

Fortuna
A bolada movimentada na conta da aposentada supera a fortuna do mexicano Carlos Slim, que lidera a lista de homens mais ricos do mundo da revista Forbes com um patrimônio avaliado em R$ 139 bilhões. Já o brasileiro Eike Batista, considerado o homem mais rico do país, tem uma fortuna estimada em R$ 70 bilhões.

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