Movimento dos Sem sexo

Alianças do movimento Eu escolhi esperar, que defende o sexo depois do casamento (foto:  Daniela Dacorso)
Alianças do movimento Eu escolhi esperar, que defende o sexo depois do casamento (foto: Daniela Dacorso)

Roberta Salomone, em O Globo

No último ano do curso de Turismo de uma universidade em Teresópolis, a carioca Bruna Nunes teve que conciliar os estudos com trabalho durante a Copa do Mundo. Selecionada entre várias outras meninas, ela conseguiu uma vaga de promotora de eventos do espaço de uma marca de sabão em pó na Granja Comary. Entre uma demonstração e outra do produto, a jovem, de 22 anos, via, de longe, a comissão técnica e os astros da seleção brasileira, que ficaram concentrados no local. Um dia, resolveu chegar mais perto de David Luiz.

— Descobri que ele também tinha escolhido esperar. Como eu — conta, enigmática.

A opção de Bruna e David Luiz é um dos pilares do movimento Eu Escolhi Esperar (EEE), que defende o sexo somente depois do casamento:

Bruna Nunes e David Luiz
Bruna Nunes e David Luiz

— Entreguei um pacote com camiseta, livros e pulseiras da campanha, e a gente tirou uma foto que foi publicada em vários lugares, incluindo um jornal da Índia. Fiquei impressionada com a repercussão.

Antes do encontro e da pífia campanha do time no Mundial, o jogador do Paris Saint-Germain tinha citado o EEE duas vezes em suas redes sociais. Ao contrário do jogador Kaká, que afirmou ter casado virgem, David Luiz, de 27 anos, sempre foi discreto e pouco comenta sobre suas relações — muito menos as sexuais. Mas o fato é que, depois do breve encontro dos dois, a campanha atraiu milhares de adeptos e curiosos. Na página do grupo no Facebook, o número de curtidas quadruplicou desde 2012 e já batem os dois milhões. O zagueiro, que já conquistara a fama de muso fora de campo, acabou virando garoto-propaganda informal do movimento — a ponto de ganhar uma paródia, “David Luiz, eu resolvi esperar você”, numa página de fãs na internet.

— Graças a ele, o movimento saiu das quatro paredes das igrejas católica, batista e evangélica, gerou interesse num número ainda maior de pessoas e, para a nossa surpresa, foi parar até em outros países — comemora Carla Duarte, secretária executiva de uma multinacional de Engenharia e integrante do EEE desde 2011.

No currículo da vida afetiva de Carla, de 27 anos, alguns rolos, namoros, um noivado, decepções amorosas e, sim, experiências sexuais. Ao contrário do que se imagina, quem não é mais virgem também pode voltar à sala de espera. O segredo está em não renegar o passado e aceitar que, a partir dali, é preciso se guardar totalmente para o futuro cônjuge.

— Algumas amigas me chamaram de louca, mas posso dizer que sou muito mais feliz assim — garante Carla, sem namorado há três anos. — É claro que tenho desejos. Eu não sou poste, né? O negócio é controlar a mente e não beijar ninguém na boca. Pra mim, se acender em cima, acaba esquentando embaixo.

Ana Carolina Terto, de 20 anos, é virgem e quer continuar assim, intacta, até o casamento. O grande desafio é segurar a vontade de acender em cima, já que está sem namorado firme no momento. Colunista do site do EEE, Ana escreve sobre os mais diferentes assuntos em seus posts. O último deles foi intitulado “Muita calma nessa hora”. Por causa de seus textos, recebe e-mails de gente de todo o país, e virou uma espécie de consultora virtual para quem quer aprender a resistir às tentações.

— Da noite para o dia virei uma referência para outros jovens, e o que eu explico é que não é exatamente a castidade que buscamos. Queremos relacionamentos saudáveis e duradouros — diz Ana Carolina, funcionária de uma seguradora.

A oficial da Marinha Mercante Nelsiane Carrara conheceu o Eu Escolhi Esperar via internet, há três anos. Desde então, ela confessa que teve algumas recaídas. Namorou durante seis meses e ainda ficou com alguns rapazes depois. Mas ela jura: não rolou nada além de beijo.

— Foi aí que eu percebi que isso não estava me fazendo bem e que estava indo contra o que eu mesmo acreditava. Agora, estou há um ano e três meses sem me envolver com ninguém. Ninguém mesmo — afirma Nelsiane, 25 anos.

Até antes de se conhecerem e começarem a namorar, Cássio Pedroso e Sara Costa pensavam como a colega do EEE. Juntos há pouco mais de um ano, não são mais tão radicais. Quando se encontram, por exemplo, não economizam nas carícias. Tem beijo, abraço e conversa ao pé do ouvido seguida de risadas e outros carinhos. Transar, eles garantem, só depois de subir ao altar, na noite de núpcias.

— Não me finjo de santa. Cássio sabe de tudo que já vivi e não tenho por que esconder nada. Mas agora tudo é diferente: resolvi esperar por ele — afirma a estudante de História, de 22 anos, ainda sem previsão de quando será o grande dia.

Como Cássio e Sara, cada casal tenta estabelecer suas próprias regras dentro do relacionamento. No entanto, o idealizador do movimento, o carioca Nelson Junior, destaca alguns “mandamentos’’ importantes. Em vídeo publicado no canal do EEE no YouTube, que tem mais de 1,3 milhão de visualizações, ele diz: “A maioria das pessoas que se casou virgem só guardou a merenda para o recreio. Mas o que adianta fazer isso se o parquinho está liberado? É uma hipocrisia.”

A masturbação, outro tema polêmico, é sumariamente condenada. “Toda pessoa que se masturba precisa abusar da criatividade sexual e fantasiar sendo tocado por uma outra pessoa. Por exemplo, ninguém se masturba pensando num iPhone”, brinca o pastor de 37 anos, sempre usando uma linguagem engraçadinha e cheia de gírias.

A história de Nelson foi a inspiração para a criação de uma conta no Twitter em 2011. Ele se casou virgem aos 21 anos e até hoje vive com a mesma mulher. Com a repercussão crescente, a campanha virou um instituto, tem uma equipe de oito pessoas baseada em Vila Velha, no Espírito Santo, e uma loja virtual que vende diversos produtos temáticos, como livros, DVDs, chaveiros e pulseiras.

— Eu mesmo sofri bullying por parte dos meus amigos quando dizia que não tinha tido relação sexual com ninguém, que foi uma decisão pessoal e não uma imposição religiosa. Mas hoje, mais do que falar sobre virgindade, queremos debater a cultura dos relacionamentos descartáveis e mostrar que não somos extraterrestres só porque achamos que prazer sexual não pode estar em primeiro lugar — acredita o pai de Ana Carolina, de 7 anos, e Milena, de 4 anos.

Com 80% dos integrantes mulheres e com idade entre 18 e 30 anos, o Eu Escolhi Esperar tem como símbolo uma mão espalmada com um anel no dedo anelar. A aliança é um dos produtos de maior sucesso, o único que não é vendido pelo site. Os aneis em prata só estão disponíveis para quem participa de encontros, que normalmente acontecem nos finais de semana e têm taxa simbólica de até R$ 20. Em fevereiro, cerca de oito mil pessoas estiveram em Fortaleza para ouvir Nelson e, por que não?, conhecer possíveis candidatos a futuros maridos e esposas.

— Acho que esse é o melhor lugar para você encontrar alguém que pense exatamente como você. Estou ansiosa aguardando o próximo evento no Rio — conta a corretora de seguros Adriana Laurindo, de 33 anos, simpatizante do grupo há sete meses.

Antes de São Gonçalo, que tem seminário marcado para o dia 22 de setembro, Nelson embarca no sábado que vem para Pernambuco, onde explana suas ideias sobre sexo, castidade e casamento em Recife e Caruaru. Até outubro, passará ainda por Brasília, Campinas, Carapicuíba, Goiânia e São José dos Campos. Em 29 de agosto, Coral Springs, na Flórida, será seu destino.

Para os próximos meses estão marcadas palestras para as comunidades brasileiras em Portugal, Itália, Japão e Guiné Bissau. No fim do ano, a grande atração é um cruzeiro com atividades para os “casados e os não casados”. O navio Costa Favolosa, com teatro, cinema 4D, piscinas e academia de ginástica, sai de Santos no dia 13 de dezembro, numa viagem de três dias por Angra dos Reis e Ilhabela, com preços entre R$ 1.266 (cabine interna dupla) e R$ 2.116 (externa single).

Escolha de alguns famosos, como Miley Cyrus, Jonas Brothers e Selena Gomez — ainda que muitos deles não tenham ido adiante no compromisso com a castidade —, a virgindade é tema também de um programa na MTV americana, que estreou no último dia 16. “Virgin territory” acompanha e mostra os questionamentos de 15 virgens entre 19 e 23 anos. Até o final da série, o público vai descobrir quem conseguiu (ou não) controlar os próprios desejos.

— É muito importante dar aos jovens alternativas para que eles possam, sem pressão, fazer escolhas verdadeiras — acredita a americana Wendy Shalit, especialista no assunto e autora dos livros “The good girl revolution” (2008) e “A return to modesty: discovering the lost virtue”, não lançados no Brasil.

Para a sexóloga e colunista do GLOBO Laura Muller, não há regra que funcione para todos quando o tema é sexo:

— Cada um deve escolher como viver sua própria sexualidade, descobrindo os seus limites e caminhos. Mas é importante lembrar que é possível, sim, viver o sexo com amor, e também apenas por prazer. Na minha opinião, a palavra de ordem deve ser respeito.

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Deus e a Copa

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Por Gregório Duvivier, na Folha de S. Paulo

Caros atletas da seleção brasileira, aqui quem fala é Deus. Em primeiro lugar, gostaria de pedir que parassem de me mencionar nas entrevistas. Não tive nada a ver com a derrota de vocês.

Não sei se vocês repararam, mas a seleção alemã fez sete gols -e não dedicou nenhum deles a mim. Era de se esperar. Nunca frequentei um treino. Eu não tive nada a ver com aquilo. Os caras estão treinando há 10 anos. Não mereço crédito -e nem estou interessado nisso.

Esse negócio de agradecer a mim pega supermal pro meu lado. As pessoas veem as cagadas que estão acontecendo pelo mundo e acham que eu estava num jogo de futebol ao invés de estar resolvendo cagadas. No jogo contra a Croácia, soube que o juiz marcou um pênalti inexistente e vocês agradeceram a mim. Pessoal, eu tenho mais o que fazer do que ficar subornando juiz. Meu nome é Deus, não é Eurico Miranda.

Nunca uma seleção brasileira foi tão temente a mim. E nunca um seleção tomou um sacode tão grande. Perceberam o quão pouco eu me importo com a Copa do Mundo?

Pra vocês terem uma ideia, no momento estou num planeta paradisíaco, torrando royalties. Não adianta me chamar que eu não volto. Mesmo que eu me importasse com futebol: vocês acham que eu ia ajudar um time só porque acredita mais em mim? Vocês acham que eu ia prejudicar outro time só porque o pessoal não acredita tanto em mim? Vocês acham mesmo que eu sou carente nesse nível?

Fiz mil anos de análise, pessoal. Vocês não vão me comprar com um pouco de afeto e 10% do salário. A propósito: esse povo pra quem vocês doam o dízimo não está me repassando o valor. Ninguém até hoje sequer me pediu minha conta pessoal.

Se eu fosse vocês, não me preocuparia tanto com essa goleada. Me preocuparia com outros sacodes: no prêmio Nobel, a Alemanha está ganhando de vocês de 102 a zero (tampouco tive nada a ver com isso).

Também não me preocuparia tanto em não transar antes do casamento, David Luiz. Não quer transar, não transa. Mas não diga que sou eu que não quero que você transe. Eu quero mais é que todo o mundo transe, com quem quiser, da maneira que quiser, na posição que bem entender. Transa pra mim.

Despeço-me com uma dica: eu não valho nada, mas o diabo vale muito menos. Não adianta apelar pra Deus enquanto o demônio for presidente da CBF. Vocês têm José Maria Marin, Marco Polo Del Nero, Aldo Rebelo e acham que a culpa é minha?

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Pedidos de casamento aumentam depois de golaço, mas David Luiz “escolheu esperar”

Apesar do voto religioso, zagueiro não para de receber cantadas e propostas indecentes de fãs

David Luiz faz parte da campanha “Eu escolhi esperar” | (foto: Lars Baron - FIFA/FIFA via Getty Images)
David Luiz faz parte da campanha “Eu escolhi esperar” | (foto: Lars Baron – FIFA/FIFA via Getty Images)

Breiller Pires, na Placar

Declarações de amor pipocam à velocidade de seu chute certeiro diante da Colômbia. O gol de falta entupiu as redes sociais de David Luiz com as mais variadas e inusitadas propostas de casamento. Seja via Twitter, Facebook ou Instagram, o zagueiro tem recebido pelo menos três centenas de pedidos apaixonados por dia.

Há inclusive súplicas mais picantes. Duas horas depois da classificação para a semifinal, uma fã revelou uma fantasia íntima com sua cabeleira em foto publicada no Instagram: “Ahhh David… O que eu não faria com esses cachos debaixo de um lençol”. Cantada prontamente rebatida por outra admiradora: “Sai daquiiii!!!! O David é meeeeuu!!”

Na semana passada, a jornalista e estudante de Direito Luísa Pontes foi além e criou a página “David Luiz, eu sou a mulher da sua vida, quero me apresentar”, que já conta com mais de 200 adeptas no Facebook. O objetivo é conhecer pessoalmente o camisa 4 brasileiro.

Ela ainda explica por que o zagueiro “é pra casar”. “Fé, humildade, doçura, família boa, não tem medo do ridículo e adora criança. Ele é o menino dos olhos do nosso Brasil”, diz Luísa.

No entanto, se depender da crença e do comprometimento espiritual de David Luiz, as admiradoras podem ir tirando os olhos maliciosos dos cachos mais célebres da seleção. Evangélico, ele namora a portuguesa Sara Madeira e, inspirado em Kaká, faz parte da campanha “Eu escolhi esperar”, que prega, entre outros mandamentos, que o sexo deva ser praticado somente após a união matrimonial.

“Pelo que tem feito nessa Copa, David Luiz se tornou o príncipe encantado de milhares de torcedoras”, afirma Nelson Junior, pastor e idealizador do movimento. “É importante ressaltar que o ‘Eu escolhi esperar’ não é uma campanha de virgindade, mas sim de preservação sexual. A adesão do David foi muito discreta, porque ele é assim em sua vida pessoal. Não significa que ele seja virgem ou não. Significa que ele optou por se preservar até o casamento.”

Cientes da escolha do defensor, algumas admiradoras já encabeçam outra campanha: “David, eu escolhi esperar por você”.

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Japoneses inventam casaco que abraça garotos sem namorada

O casaco é para garotos que estão sozinhos e precisam de carinho nas horas vagas.

CASACOOOO

Publicado originalmente no R7

Estudantes da Universidade de Tsukuba, no Japão, inventaram um casaco que abraça como se fosse uma namorada. A invenção tem um cinto especial que cria a sensação do usuário ser abraçado por trás.

O engenheiro de hardware Hikaru Sugira, acredita que todos possam ter uma namorada, mesmo que seja apenas a sensação. O dispositivo é chamado de “Riajyuu Coa”, reproduz uma voz feminina que diz palavras doces e frases como: “desculpe o atraso”.

O casaco não está disponível para compra. Em outra universidade do Japão, jovens estão projetando um simulador de beijo.

Dica da Willyana Rodrigues

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Elba Ramalho diz que vive há dois anos na castidade. “Não quero homem me aperreando”

Cantora está há dois anos vivendo a castidade
Cantora está há dois anos vivendo a castidade

Bruno Astuto, na Época

Elba Ramalho comemora o que diz ser a melhor fase de sua vida. A cantora está preparando o show de lançamento do 31º álbum da carreira, Vambora lá Dançar, no Sesc Pompéia, em São Paulo, neste fim de semana. “Estou acelerada, mas não posso reclamar. Sou meio burro de carga, que descansa carregando pedra. Não sei ficar muito quieta”, diz Elba.

“O show é baseado no disco mais um apanhado de toda minha carreira, porque o publico sempre pede alguns clássicos. Também terá uma parte acústica. Não preciso mais de direção quando estou em cima do palco, eu mesma faço o roteiro com a banda”, afirma a cantora. No repertório, compositores de diversas gerações como Chico César, Vander Lee, Herbert Azul, Dominguinhos, Fagner e os menos conhecidos Petrúcio Amorim, Cecéu e Antônio Barros. “Tudo o que faço hoje em dia musicalmente está mais aprimorado e também melhorei muito como ser humano. Minha fé ficou mais sólida. A experiência justifica todos os equívocos. Hoje tenho mais responsabilidade, faço ioga, meditação, corro na praia, não bebo e vivo muito para o trabalho e filhos. E vou todos os dias à Igreja”, conta Elba, que é devota de Nossa Senhora e engajada em trabalhos assistenciais.

Há alguns anos ela descobriu o Instituto Pró-vida – ONG que defende a dignidade e a moral da vida humana – e, desde então, dedica parte de seu tempo aconselhando meninas a desistir da ideia do aborto. “Já passei pela experiência do aborto e, quando acordei, tomei a consciência do que tinha feito, esse pecado gravíssimo. Tive que encarar a morte e carreguei essa culpa durante anos até ser resgatada, quando conheci a misericórdia de Deus”.

Como é o voluntariado?

Sou a favor da vida. Não condeno nem critico ninguém, só aconselho as meninas que foram abandonadas pelos namorados e procuram as clínicas de aborto. Ofereço amparo e aconselhamento. As pessoas são livres para fazer o que quiserem, mas digo que o aborto poderá causar danos profundos ao espírito e ao coração porque a maternidade é um presente de Deus. Meu trabalho social é aconselhar e não coagir. Se elas ouvem, é menos uma criança morta.

Como encara as críticas dos movimentos feministas?

Sofro quando me atacam. Tive até ameaça de ser apedrejada. Elas acham que eu condeno isso ou aquilo, mas eu só salvo vidas. Eu seria reacionária se fosse hipócrita, não condeno homossexuais, negros, budistas. Quero ser a soma no mundo. O Brasil deveria ter a preocupação de não legalizar o aborto oficialmente. Vivemos num país em que, se matar um passarinho é um crime, legalizar a morte de bebês inocentes é contraditório. Não tenho medo das pedras das feministas. Rezo por elas.

Já demoveu alguma menina da ideia do aborto?

Quando salvo uma vida, fico emocionada. Sou católica, tiro mendigo das ruas e salvo bebês. Quando uma grávida diz sim à vida, é uma alegria enorme, porque muitas fazem por aconselhamento dos namorados. No Pró-Vida, salvamos 14 vidas de meninas que foram estupradas e hoje todas elas estão felizes com os filhos. Uma realidade que a sociedade não conhece é que elas abortam com seis, sete meses. Já peguei o avião várias vezes para ir a São Paulo para tentar evitar abortos de gravidez avançada. Elas vêm à minha casa e trazem os bebês para eu conhecer e são muito gratas.

Quantas vidas já salvou?

Umas 30. E, às vezes, muitas de que eu nem tomei conhecimento. Vejo a humanidade entrando num processo de decadência. Pai matando filho e vice-versa. Essas crianças são o grito silencioso. Deus sofre muito com o aborto. Temos que dar a oportunidade para essas crianças nascerem. Nossa Senhora disse sim aos 14 anos quando teve Jesus.

E sua relação com a religião?

Nasci numa cidade chamada Conceição (PA). Quando cheguei ao Rio, achei que podia tudo e não queria compromisso com Deus. De uns 20 anos para cá, estou no percalço de Nossa Senhora e hoje minha fé é o que me movimenta, o que me faz caminhar tranquila e sorrindo. Sou uma pessoa simples, vivo de forma simples, compartilho muito e tenho uma paz infinita. Recebo orientação do alto nessa luta. Estudo as aparições de Nossa Senhora pelo mundo e passei a ter uma relação mais estreita com ela. Mas é uma coisa muito pessoal para ser falada. São pequenos sinais em que presto atenção. Sei que estou no caminho certo, mas ainda com muita imperfeição e a música me faz uma mensageira da alegria.

Está namorando?

Estou dando um tempo para mim e há dois anos estou feliz na castidade. Existe o assédio, mas eu nem olho. Virei essa página. Nunca tive um tempo para mim e estou rindo à toa, numa paz infinita. Mas se Nossa Senhora quiser me mandar um bom José, eu aceito. Pareço até mais jovem, uma menina. Homem me aperreando, quero não.

Alguma crise quando completou 60 anos?

Estou envelhecendo na boa. A palavra é conformidade. A vida é um ciclo e vou ficar feliz quando chegar a hora extrema. Quero me preparar para encontrar meu noivo eterno. Leio o evangelho e ele não está na minha mansão. Está na esquina, no Centro do Recife, na Cracolândia.

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