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Ups and downs, ups and downs

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Juliana Dacoregio

Subidas e descidas vertiginosas. A palavra frustrante não engloba o tamanho da frustração. Você passa por uma tempestade emocional, um buraco grotesco, cheio dos seus piores pesadelos e mais alguns que vão sendo acrescentados ao longo do caminho. Aí de repente começa a surgir a calmaria. Você começa a submergir. Consegue respirar. Enfim põe a cabeça para fora daquela lama sufocante e enxerga algumas cores… O prazer de descobrir que você está achando graça das piadas novamente; que a vida é…viva! Que você está viva! Respirando, pulsando, desejando. Andando e não se arrastando.

Já foi dito que na depressão profunda a gente aprende como é a velhice debilitante. Não poderia haver definição melhor do que acontece fisicamente com um deprimido. Passos lentos, o corpo mole, mas de alguma forma ao mesmo tempo as juntas enrijecem; as atividades do dia a dia são muito mais trabalhosas. O que na normalidade se faz automaticamente, num estado depressivo precisa ser pensado, planejado, colocado esforço, força de vontade. Não é preguiça. Não é falta de vontade.

Já tive preguiça. Sei o que é. É muito diferente. Na preguiça você vai reclamando, lerdo, mas vai. Levanta, faz sua higiene, se arruma, bota uma música, toma um café (sei lá cada um tem seu ritual) e corre pro mundo: trabalhar, estudar, pagar contas, cuidar dos filhos, o que for. Na depressão? Vixi! Levantar, escovar o dente e tomar banho às vezes pode ser comparado a percorrer o Caminho de Santiago, meu filho! Com a desvantagem que depois de tudo isso você não se sente iluminado, porra nenhuma. Se bobear fica até pior e cai num choreiro ou fica querendo morrer porque afinal você está limpo e continua se sentindo uma bosta.

Às vezes sinto cheiro de sangue em mim. E não, não é quando estou menstruada, nem nas vezes em que me cortei. E se mais uma vez alguém disser que é demônio eu mando pro diabo que carregue. Sério. Chega, viu! Já me fizeram várias espécies de “exorcismos” e se era pra sair alguma coisa não saiu. Agora deu! Não aceito mais que nenhum crente me faça de idiota nos meus momentos de fragilidade me dizendo que meu problema é espiritual, que não é uma doença. Expulsam demônios, mas dizem para continuar com os remédios. É hora de exigir respeito. Meu problema não é espiritual. Catarses, preces, danças tribais, louvores, momentos transcendentais tudo isso pode ajudar. Mas doença é doença. Cansei. Mas divago.

Eu dizia o quanto é frustrante essas subidas à superfície para respirar, conseguir enxergar o sol, o céu, ver que o poço cheio de lama se transformou em água do mar límpida e cristalina e de repente se tragado novamente. Agitação. Ansiedade. Agonia. Angústia. Apatia. Isso para ficar só na letra A.

Estou na casa de praia. Tudo bonito, tudo perfeito (na medida do possível da perfeição do mundo). Caminho com desenvoltura, faço planos de escrever, ler, tomar sol, ouvir a playlist nova que baixei. Começo tudo isso. E em determinado momento começa: a queda. Sem dó, nem piedade. Eu luto. Quem sabe trocar a música, quem sabe uma coca-cola, ler um pouco, mudar de posição, andar, dançar, pôr os fones de ouvido, fechar os olhos e mirar o rosto para o sol.  Tira óculos, coloca óculos. Senta, levanta. O sol começa a incomodar demais, qualquer formiguinha que toque a pele parece que vai atravessar os poros e entrar na corrente sanguínea. Coceiras. A cabeça esquenta.

Aí acabou. Nesse ponto sei que é melhor parar de tentar. Preciso tirar o biquíni que me incomoda, as bijuterias (mesmo que poucas, um único brinco me desassossega), me vestir com algo que praticamente não toque meu corpo e escrever. E então me acalmo. Um tanto da agonia se dissipa. Dou minha primeira respirada funda. Agora a segunda. Consegui. Obrigada por escrever Juliana. Meus mais sinceros agradecimentos.

fonte: Paperback Writer Girl

 

Rob Bell se une a criador de Lost para produzir um “seriado espiritual” para TV

Agência Pavanews, com informações de Christian Post e Deadline 

O controverso pastor Rob Bell anunciou que trabalhará com Carlton Cuse (foto), um dos criadores da série de TV Lost, na produção de uma nova série chamada “Stronger” [Mais forte]. Aparentemente, o enredo baseia-se na vida do próprio Bell e foi descrita como um “drama espiritual diferente”.

O pastor anunciou recentemente que  está deixando o púlpito da igreja Mars Hill para iniciar uma nova jornada que lhe permitiria “dedicar toda sua energia para compartilhar a mensagem do amor de Deus com um público mais amplo…” No passado, ele produziu a série de filmes Nooma, que fizeram grande sucesso entre o público mais jovem.

O site Deadline esclarece um pouco como será essa nova jornada.  A história de ”Stronger” gira em torno de Tom Stronger, músico e professor, e sua jornada espiritual. O personagem se torna um benfeitor e uma espécie de guia espiritual para outras pessoas.

Ao promover sua nova turnê de palestras, chamada de “Fit to Smash”, Bell afirmou ter ainda muitas boas experiências para compartilhar. Segundo relatos, a série será espiritual, sem apelar para questões do sobrenatural. O drama será produzido pelo canal ABC e pretende tocar “o lado espiritual das pessoas de modo semelhante ao que foi visto na última temporada de Lost”.

Cuse e Bell se encontraram no jantar de gala da revista Time no início deste ano. Ambos foram citados entre as 100 pessoas mais influentes do mundo em 2010. Os dois acabaram ficando amigos e logo surgiu a ideia de “Stronger”, que deverá ter os roteiros escritos com a ajuda de Bell, o que deve lhe conferir autenticidade e adicionar uma pitada de humor.

Durante o sermão de despedida na Mars Hill, Rob Bell explicou que seu “novo chamado” incluía mudar com a família para Los Angeles. Ele disse que pretende realizar vários projetos, incluindo mais turnês e escrever outros livros. Seu trabalho mais recente, Love Wins, tornou-se best-seller em grande parte devido às críticas que recebeu por falar de uma maneira não tradicional sobre questões como céu e inferno.

Reynaldo Gianecchini busca ajuda dos espíritos contra câncer

Publicado no Meia Hora

Na luta contra um câncer no sistema linfático, Reynaldo Gianecchini, de 38 anos, estaria fazendo tratamento espiritual com o médium João Berbel, do Instituto de Medicina do Além, que fica em Franca, no interior de São Paulo, segundo a revista Quem. Diagnosticado com um linfoma não-Hodgkin de células T no dia 10 de agosto, o ator teve alta na sexta-feira do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde ficou quase um mês internado e fez quimioterapia semana passada.

O médium é o mesmo que fez uma cirurgia espiritual no pai do galã, Reynaldo Cisoto, que também enfrenta um câncer. Em março, Gianecchini acompanhou o pai ao Instituto de Medicina do Além. O atendimento no local é composto por consulta e cirurgia espiritual. Na consulta, a pessoa recebe a “água com energia” – água normal, acrescida de fluidos curadores -, que deve ser ingerida durante uma semana. Na semana seguinte, é realizada a cirurgia, através de médiuns incorporados. Berbel incorpora o espírito do Dr. Alonso, um médico que viveu no século passado.

A assessoria de Gianecchini não confirma o tratamento espiritual a que o ator estaria se submetendo. “Não temos informação sobre isso e, portanto, não vamos falar sobre o assunto”, afirmou a assessora.

Uma pessoa próxima do ator disse à Quem que Gianecchini tem contado com a companhia da sua mãe, dona Heloísa. “Ele tem enjoos, alergia pelo corpo e cansaço físico, mas seu estado geral é bom. Ele tem muita fé”, afirmou a pessoa à revista, revelando ainda que o galã está preferindo não receber muitas visitas durante os primeiros meses do tratamento: “A família e os amigos estão respeitando muito este momento. Estamos todos respirando melhor nesta semana”.

Proteção da tia morta

Na semana passada, a sensitiva Márcia Fernandes disse ao MEIA HORA que Gianecchini está sendo protegido por Eni Gianecchini, sua tia-avó, que morreu em dezembro de 2009. Segundo a médium, o espírito da mulher está rejuvenescendo a cada dia e vai trazer energias de cura para o sobrinho-neto.

“Ela me disse: ‘Estou aqui sempre para poder assistir o meu sobrinho querido’”, contou Márcia, que ainda afirmou que o ator passará por várias cirurgias espirituais e começará a apresentar sinais de que está superando a doença em até 30 dias. “A tia dele está com médicos astrais que trabalham com energia cósmica. Ele tem fé, tem o tempo a favor dele e os melhores doutores, na Terra e no plano espiritual”, explicou.

Obedecer a Deus obedecendo aos homens

Robinson Cavalcanti

Nada é mais danoso para a igreja cristã do que a leitura de textos bíblicos fora do contexto, servindo de pretexto. Ao lado dos egos inflamados dos megalômanos e narcisistas, ao lado da rebeldia dos filhos de Coré, que rangem os dentes de ódio contra toda norma que atrapalhe as suas ambições, e contra toda autoridade acima da sua (embora, geral, hajam como déspotas para os que estão abaixo) esse “pinçar” estratégico e maroto de textos são os grandes responsáveis pela esculhambação institucional pela qual vive a Igreja de Cristo nesse século XXI pós-moderno e suas 39.000 “denominações” protestantes, de nomenclaturas cada vez mais esdrúxulas e reveladoras de insanidade.

Um desses textos manipulados das Sagradas Escrituras é o de Atos 5.29: “Importa antes obedecer a Deus dos que aos homens”, como resposta do apóstolo Pedro ao poder religioso aliado do poder político que havia proibido a pregação do Evangelho.

Deus não costuma mandar anjos a toda hora para trazer telegramas celestiais. O céu não está ligado à internet – embora haja rebeldes, fanáticos, histéricos e picaretas que pretendam ter um telefone de linha direta com o trono da Graça – através do qual se despreza o contexto e a totalidade dos ensinos bíblicos (substituído por revelações privadas), se insurge contra a autoridade (dos pais, dos chefes no trabalho, do governo ou da Igreja), e se parte para “carreiras solo” ou a criação de novas empresas religiosas (“pequenas igrejas, grandes negócios”), que, quando não dá dinheiro, satisfaz ao ego inflado ou às alucinações.

Deus concedeu um mandato cultural à humanidade, como continuadora da obra da Criação, a ser vivido em sociedade, e suas expressões micro ou macro, da família ao Estado, passando pelo mundo do trabalho e pelas agremiações lítero-atlético-recreativas e religiões, impossível de ser vivido sem normas e autoridades.

Ele nos manda obedecer e não desmoralizar pai e mãe; nos manda trabalhar com disciplina e ética, e nos manda obedecer à autoridade do Estado, enquanto forem “ministras de Deus”, para a promoção da paz e da justiça. No Antigo Testamento levantou a Tribo de Levi, e no Novo Testamento, constitui apóstolos, bispos, pastores, diáconos, mestres, como autoridade para governar, ensinar e liderar a Igreja. E foram eles que definiram o Cânon Bíblico, estabeleceram as Doutrinas nos Credos, os Sacramentos, o Governo Episcopal e a Liturgia, construindo, ao longo dos séculos a Tradição Viva do Consenso dos Fiéis, assistidos pelo Espírito Santo.

O mundo sobrevive à base de Tratados e Organizações Internacionais (como a ONU), e o Estado com a Constituição Federal, Constituição Estadual, Lei Orgânica dos Municípios, Códigos, Leis e Regulamentos. Cada empresa ou repartição sobrevive pela adesão às suas normas, bem como as famílias que são famílias, assentadas sob a disciplina e a hierarquia (e o que passar disso é “mundiça”). Cada ramo sério da Igreja de Jesus Cristo possui sua Constituição, Estatutos e/ ou Cânones, aos quais se espera uma adesão sincera dos seus membros, especialmente o seu clero.

No caso da Igreja Anglicana, esse juramento de adesão “à Doutrina, Culto e Disciplina” se dá no Rito de Confirmação (Pública Profissão de Fé com imposição de mãos dos Bispos), e, para os vocacionados, no Rito de Ordenação ao Diaconato, ao Presbiterado e ao Episcopado. No juramento dos Diáconos e Presbíteros, se exige a promessa de obediência aos Bispos e aos ministros(as) que tenham autoridade sobre si. Quem faz um juramento de forma insincera, ou o detona depois, é um perjuro, além de um mau caráter.

Deus deve ser obedecido? Sem dúvida. Em cada área da vida Ele tem os seus representantes? Sem dúvida. As Escrituras são o padrão máximo de verdade? Sem dúvida. Interpretado pelo conjunto na História e não por isolados fora da História? Sem dúvida. O individualismo burguês ocidental gestado no modo de produção capitalista e na vida urbana + o individualismo protestante que degenerou o livre exame em livre interpretação, nos tem conduzido a essa “zorra geral” em que vivemos o pecado da rebeldia.

Já dizia um pensador que “quem não está disposto a obedecer não tem o direito de comandar”.

A verdade é que se obedece a Deus obedecendo aos homens.

Quem não tem o espírito de humildade, antes o de soberba espiritual e a “mediunidade protestante”, deve ao menos deixar de tencionar e tirar a paz, botando a sua viola no saco e ir cantar em seu próprio terreiro, como tantos já o fizeram e estão a fazer.

Todo rebelde é filho de Coré e neto de Lúcifer, não obstante a sua fachada de espiritualidade.

Exorcizemos esses “espíritos” para o bem da Igreja!

Nilton Bonder: um rabino por inteiro

Marília César

Conta-se de um rabino que andava louco de vontade para provar uma daquelas comidas proibidas pela tradição judaica. Ele vai para o subúrbio, entra num pequeno restaurante, senta-se na última mesa, chama o garçom e pede um leitão completo. O presidente da sinagoga, que passava pelo bairro, avista o rabino pela janela e entra. “Como vai, o que faz por aqui?” O rabino transgressor começa a suar frio quando vê aproximar-se o garçom com o leitão assado, imponente, enfeitado com uma maçã na boca. O presidente da sinagoga olha para o prato e pergunta: “Mas o que é isso?” E o rabino responde: “Como eles são sofisticados, você pede uma maçã e olha como vem!”
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O rabino Nilton Bonder tenta viver de um jeito diferente de seu “colega” na anedota. Não só evita o mal, mas a aparência do mal. Bonder leva um susto, mais ou menos como o presidente da sinagoga da piada, ao reparar que a Salada da Chef escolhida como entrada pela repórter veio coberta de finas lascas de bacon. “Mas isto aqui é bacon?”
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Bonder pede, gentilmente, à fotógrafa Ana Paula Paiva que, se possível, não seja fotografado em tão má companhia. “Uma imagem diz muito. Se alguém da minha comunidade vir a foto do rabino ao lado de uma salada com bacon, vai achar que estava comendo bacon.” Assim como Oscar Wilde, ele parece acreditar que só as pessoas rasas não julgam os outros pelas aparências.
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A conversa com esse jovem senhor de 53 anos, gaúcho de nascimento, mas carioca por adoção, autor de 21 livros – entre eles vários best-sellers traduzidos para uma dezena de línguas -, desfaz o estereótipo de líder religioso judeu e flui sem que se note a chegada da incômoda salada. Ela aterrissa com as “brusquetas” de tâmara (feitas com gorgonzola e nozes caramelizadas), pedidas por Bonder como entrada para a refeição no ak/vila, o local escolhido por ele para este “À Mesa com o Valor”. É um restaurante despretensioso na Vila Madalena, em São Paulo, de cozinha internacional, pilotado pela chef Andrea Kaufmann – que o define como “uma cozinha sem fronteiras”, onde se pode encontrar alguns itens da culinária judaica.
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Alimentar o corpo enquanto a alma já está sendo preenchida por um diálogo de perspectivas metafísicas pode parecer um exercício menor, mas a conversa é interrompida a certa altura pelo rabino, que sinaliza apetite: “Não estamos comendo nada!” Continue lendo