Arquivo da tag: espiritualidade

Dos orixás para sua mesa

Chefs de restaurantes refinados buscam na cozinha do candomblé formas de incrementar os pratos

CEIA NO TERREIRO A iabassê e chef Carmen Virgínia com um cesto de acarajés. Donos de restaurantes sofisticados agora pesquisam os pratos divinos do candomblé (Foto: Leo Caldas/ÉPOCA)

CEIA NO TERREIRO
A iabassê e chef Carmen Virgínia com um cesto de acarajés. Donos de restaurantes sofisticados agora pesquisam os pratos divinos do candomblé (Foto: Leo Caldas/ÉPOCA)

Natália Spinacé, na Época

O que Iemanjá, Iansã e Oxalá podem ter em comum com os hábitos alimentares de quem não conhece o candomblé e outras religiões de origem africana? Chefs de restaurantes requintados têm procurado a ajuda das cozinheiras dos terreiros responsáveis pelos pratos feitos para os orixás. São as iabassês. O objetivo desses chefs é conhecer técnicas seculares de preparo (o candomblé existe há mais de 600 anos), ingredientes pouco usados no dia a dia e, em alguns casos, entender como a espiritualidade interfere no preparo dos alimentos, do ponto de vista de quem segue a religião.

Peixe para a rainha do mar - Para Iemanjá No festival do restaurante Dui, o robalo é cozido e grelhado com “pérolas” de leite de coco com capim-santo e farofa de coco (Foto: Divulgação)

Peixe para a rainha do mar – Para Iemanjá
No festival do restaurante Dui, o robalo é cozido e grelhado com “pérolas” de leite de coco com capim-santo e farofa de coco
(Foto: Divulgação)

A chef Bel Coelho, do restaurante Dui, em São Paulo, passou uma semana num terreiro de Salvador para aprender com uma autêntica iabassê os segredos das comidas dos orixás. O resultado da pesquisa foi um menu com 13 pratos, todos inspirados nos orixás, servido no projeto Clandestino, em que Bel recebe, no máximo, 20 pessoas para degustar sua cozinha autoral. “As edições da cozinha dos orixás lotam”, diz. O menu custa R$ 195.

Quem ensinou os segredos do terreiro a Bel Coelho foi a iabassê e chef de cozinha Carmen Virgínia, de 36 anos. Dona Carmen, como é chamada, foi escolhida para ser iabassê quando tinha 7 anos. Aos 14, começou a aprender com as iabassês mais velhas os segredos dos pratos de cada orixá. Quando adulta, fez também faculdade de gastronomia.

Pela crença, os orixás são deuses que representam, principalmente, forças da natureza. Iemanjá é a deusa das águas. Ogum, do fogo. Ossanha, das ervas medicinais. Cada orixá tem sua preferência gastronômica, que deve ser seguida à risca. “Quando fazemos o prato e o colocamos no altar, a intenção é alimentar nossa fé”, diz Carmen. Para fazer a comida dos deuses, ela precisa estar paramentada com as vestes do terreiro, usar talheres separados para cada orixá e seguir as receitas sem adaptação. “O preparo da comida dos santos e o das pessoas têm em comum os temperos e a intenção, passar uma boa energia.”

Tabaco, cachaça e mel - Para Exu A chef Bel Coelho criou um cupim em baixa temperatura, com farinha de dendê, gelatina de mel, cachaça e fumaça de tabaco  (Foto: Divulgação)

Tabaco, cachaça e mel – Para Exu
A chef Bel Coelho criou um cupim em baixa
temperatura, com farinha de dendê, gelatina
de mel, cachaça e fumaça de tabaco
(Foto: Divulgação)

O chef paraibano Carlos Ribeiro, que comanda o restaurante Na Cozinha, no bairro de Jardins, em São Paulo, também foi buscar na religião inspiração para renovar seu cardápio. “Quem não conhece o candomblé disse que eu era louco por servir pratos típicos dessa religião. Disseram que isso espantaria a clientela”, afirma. Não foi o que aconteceu. Os festivais dos orixás formam fila na porta do restaurante.

As comidas do candomblé não são tão exóticas e desconhecidas quanto pode supor quem nunca teve contato com a cultura africana. É possível que, sem saber, você já tenha comido o prato preferido de algum orixá. Feijoada, vatapá, acarajé e outras receitas típicas da Bahia têm origem na religião (leia o quadro abaixo). “As pessoas comem e não fazem ideia da história por trás daquele prato”, diz Janaina Rueda, chef do Bar da Dona Onça, em São Paulo. Janaina não segue o candomblé como religião, mas há dois anos faz festivais para homenagear os orixás.

No evento Águas de Oxalá, além de servir os pratos típicos, ela faz a lavagem da escadaria do Edifício Copan, onde fica o restaurante. “Na Bahia, uma vez por ano as baianas fazem a lavagem da escadaria da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim para espantar o mau-olhado e trazer boas energias”, diz. No ano passado, 1.000 pessoas participaram do festival e da lavagem da escadaria. Além de incorporar receitas tradicionais do candomblé em seu cardápio, Janaina também incrementou pratos do cardápio tradicional com quiabo, azeite de dendê, frutos do mar e muito pensamento positivo.

768_orixas4

Carta ao amigo que se suicidou

124092_Papel-de-Parede-Arvore-sozinha--124092_1280x800
x
Ricardo Gondim

Por que morreste?

Quisera dar-te, amigo, as coragens que me fizeram um menino ousado na conquista da primeira namorada. Dar-te-ia também os medos que frearam a ensandecida ladeira por onde eu podia despencar na irresponsabilidade juvenil. Se pudesse, cortaria um pedaço do coração, transplantaria para teu peito a felicidade do beijo que desvirginou os meus lábios. Eu te diria que o amor resiste ao tempo e que as boas memórias que carregamos transformam qualquer tristeza em alegria. Eu te diria que tua vida ainda seria brindada por coragens e medos, alegrias e tristezas.

Quisera poder te chamar para pedalar ao meu lado até a mangueira grande e discreta, onde, solitário, confidenciei em solilóquios intermináveis alguns sonhos impossíveis. Lá veríamos juntos que, se todos os sonhos não se cumprem, persegui-los dá algum sentido à nossa vida banal.

Quisera dar-te, amigo, todos os questionamentos e descobertas que fiz sobre o mistério de Deus. Eu te convidaria a assistir ao meu primeiro rasgo de conversão. Tu serias testemunha de como, hesitante, desejei a verdade – a mesma verdade que insiste em distanciar-se de mim sempre que imagino tê-la em meus braços.

Quisera fazer-te parceiro de minha Primeira Comunhão católica em Londrina. Depois eu te chamaria para presenciar a noite de minha Profissão de Fé presbiteriana. Tu me acompanharias à vigília de oração onde recebi o Batismo no Espírito Santo pentecostal. Daí eu gostaria de conversar contigo sobre minhas recentes aberturas para uma espiritualidade existencial, comprometida com o aqui e agora.

Quisera poder falar contigo sobre a jornada em direção ao Divino, nem sempre ascendente, mas repleta de altos e baixos. Repartiríamos assim entusiasmos e tristezas. Trançaríamos nossa amizade espiritual parecida com a corda de muitos fios.

Quisera dar-te, amigo, os instantes magros em que contabilizei fracassos, derrotas, perdas – instantes que forjaram em mim o dever de perseverar. Na derrota aprendi que muitos de meus ideais não nasciam da esperança. Eu estava engolido por um quixotismo bobo. Achava que alcançaria qualquer projeto faraônico. Aprender a caminhar pelos vales, cabisbaixo e sem arrogância, nunca é fracasso.

Quando me achava onipotente fui simplório. Ingênuo, tapei buracos enormes para não ter que lidar com a des-ilusão. Mal sabia que é melhor a dura realidade do que viver escondido sob a mentira da ilusão. Para preservar instituições falidas, relevei decepções. Eu havia me convencido de que horrores éticos, que me afrontavam, não passavam de mal-entendidos. Saí da alucinação de minha prepotência para salvar a alma. Presentear-te com os meus desapontamentos seria um jeito de te pedir: não desista; não vire o tablado do jogo. A vida é assim mesmo, dura. Nem todas pessoas são confiáveis – inclusive nós mesmos. Mas vale a pena continuar. Está escrito: “Seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso”.

Quisera dar-te, amigo, meu ouvido discreto, meu olhar atento, meu abraço silencioso. Partiste sem me dar a chance de te acolher. Eu faria tudo para te salvar da loucura de sair da vida antes do tempo. Para evitar a tua tragédia, fico com o ímpeto, se possível, de me colocar na trajetória da bala, na frente do trem, no olho do furacão, no meio do terremoto. Para te poupar, estaria disposto a ser antídoto, escudo, parapeito, boia, escada, paraquedas. Para te ajudar, faria qualquer coisa: massagem cardíaca, respiração boca a boca, transfusão de sangue.

Por que não me consideraste teu psicanalista, confessor, saco de pancada? Eu não te condenaria. Não te cobraria. Não te rejeitaria. Só pediria: não jogue a toalha.

Amigo, saber que segaste a vida por conta própria foi um duro golpe. Acordei desolado. O mundo ficou árido. Agora vejo que não te conhecia bem.

Carregarei a sensação de que poderia ter sido um amigo mais achegado que irmão. Não fui. Todos perdemos. Mas ao contrário de ti, não desistirei. Sei que ainda posso ser amigo de outro.

(Faz pouco tempo. Ainda dói)

 Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

imagem: Internet

A espiritualidade que procuro

Ricardo Gondim

Busco uma espiritualidade que

não aceite que vivemos no melhor mundo possível
não seja fatalista
não gere elitismo entre os crentes
não busque nenhum privilégio divino
não discrimine pessoas que pensam diferente
não se apóie em méritos para obter bênçãos
não tenha um Deus lá fora que é chamado para perto
não torça pelo inferno – qualquer um
não transfira para o Paraíso cobiça dissimulada na terra
não queira converter ninguém à certeza, mas ao amor.

Busco uma espiritualidade que

opte pelo diálogo acima do monólogo
revele milagre nas iniciativas encarnadas
identifique a Imago Dei no próximo
não se acovarde na insegurança de um mundo contingente
prefira construir pontes e não muralhas
reconheça Deus ao lado do oprimido e não do opressor
goste da companhia de gente singela
se atreva cogitar pacifismo como opção existencial
combine graça com ternura
entenda o caminho de Jesus repousando sobre a amizade
cuide do planeta antes que seja tarde demais.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

imagem via Facebook

Pentecostalismo, espiritualidade 171 e Avenida Brasil

Caio Fábio

Existem muitos modos de “ver” as coisas que concernem a “Deus” [conceito] e à “espiritualidade” [prática do conceito espiritual no qual se crê].

Nem de longe é meu objetivo discorrer sobre as principais vertentes dessas espiritualidades; afinal, teria que ser um imenso de um livro o projeto que sequer pretendesse arranhar as multi-gamas dessas variáveis de olhar espiritual entre os humanos.

Atenho-me ao nosso meio imediato: o mundo cristão evangélico!

Ora, no ambiente chamado “evangélico” [que cobre hoje todos os grupos não católicos de confissão bíblica no país] — foi o Pentecostalismo [de todos os matizes] o introdutor de um pressuposto devastador para a produção de uma consciência carregada de caráter e honestidade nas práticas da vida.

O Pentecostalismo, em linhas gerais, não é predestinista-divino da segurança da salvação [como são os Reformados], embora seja predestinista-humano do inferno, quando pela certeza de que “fora dos cultos e das frequências e filiação à igreja local não há salvação”, com imensa facilidade danam toda a humanidade não igrejada no fogo…; sim, e isso por um tempo de duração eterna.

Assim nasce a ufania de que o crente pentecostal tem um poder espiritual maior do que todos os demais, pela certeza de que se houver observância aos ditames morais e aos costumes espirituais da “igreja” a pessoa se torna santa, e, portanto, superior a todos os demais humanos no planeta [caso não faça nenhuma irregularidade bíblico comportamental e jamais deixe de obedecer ao seu pastor ou líder].

Além disso, se ensina também [sem a frase explicita, mas nas entrelinhas] que “Deus é Pentecostal”, depois “evangélico”, e, depois de tudo…, quem sabe…, talvez… Deus seja “cristão” no sentido lato do termo. Mas apenas muito “quem sabe”…

Quando falo de “Igreja Pentecostal” me refiro mais ao conceito e práticas do que ao um nome ou placa. Que fique entendido; até porque a “igreja evangélica” que não é publicamente pentecostal, na prática das coisas, todavia, o é quase que na sua totalidade.

A crença é a seguinte: “Deus” tem um borogodó que os pentecostais que não tem com mais ninguém!

A eles “Deus” deu muitos poderes, especialmente aos seus líderes… Sim, deu-lhes o poder de falar em línguas, de profetizar, de curar, de repreender o diabo, de comandar anjos, de condenar homens ao inferno, de separar o joio do trigo, de dizer o que é certo e errado para os outros todos, de intervir nos governos, de enquadrar as minorias, de acusar os que não são “evangélicos” de serem “o mundo”; e mais: deu-lhes o poder de darem ordens a “Deus”, de ordenar-Lhe o que “fé/desejo/capricho/nosso”. Sim, deu-lhes o poder de determinar [caso a pessoa não esteja devendo nada à “igreja”].

Porém, mais do que tudo, “Deus” os tornou os “Seus” representantes autorizados no planeta; assim…, eles também têm o poder de amaldiçoar, de abençoar conforme o interesse, de cobrar e receber dinheiro de “Deus”, de criarem “campos de força espiritual” [a cobertura]; além de que são eles que decidem o que Deus liga nos céus ou desliga na terra, conforme a determinação deles.

Ah, o “Eterno” também deu a eles o poder de “lavar o dinheiro de Deus”.

O dinheiro pode ser roubado, mas se devidamente dizimado na “igreja”, está lavado.

O dinheiro pode ser de drogas, mas, dedicado à igreja, se torna santo.

O dinheiro pode ser da máfia, porém, se for tirado o dizimo do bruto, tudo está legalizado por “Deus”.

Ora, como o Pentecostalismo é revelacionista existencial… [embora creia no livro Bíblia e dele faça suas doutrinas; [adorando o livro como um ente sagrado], ainda que se dizendo uma fé bíblica, de fato, a qualquer momento, por causa do modo intimo e diferenciado que “Deus” trata os “Seus herdeiros pentecostais”, o que a Bíblia diz pode se tornar uma Lei Para Todos, mas não para o ente revelacionista existencial pentecostal; posto que para ele “Deus” dê novas “revelações”, as quais podem “abrir para o crente pentecostal somente” [...] uma porta especial e inigualável; a qual, para os demais homens “sem revelação” está vetado o entrar, mas para o “ungido” está legalizado pelo Senhor.

E tem mais: se o que estiver em jogo for a prosperidade da causa do “Evangelho ou da Igreja”, vale tudo!

Sim; vale tudo!

Querem que eu cite histórias aos milhares para demonstrar que é assim que é?

Desse modo, até a oração é “adianto indevido” pro lado do “crente”.

O sujeito não estuda, não trabalha, não se esforça, não aprende, diz que tudo coisa do “mundo”, e diz: “Eu determino que sou cabeça e não cauda, e, portanto, saiam os ímpios do meu caminho porque sou filho do Rei!”

Sendo assim, ser filho de “Deus” é ser um playboy filho de mafioso culpado e que realiza todos os caprichos de seu filho bandido e arrogante.

Ora, esse conceito se espraia para todas as dimensões da vida… Sim, literalmente altera tudo no olhar do individuo e mata o seu caráter e a sua humanidade fundamental, roubando-lhe a benção da consciência justa, e, assim, dando a tal individuo a espiritualidade 171 dos estelionatários.

Na verdade o homem se torna o que ele confessa como espiritualidade. Tudo nele passa a ser a imagem e semelhança de sua confissão e entendimento.

Desse modo, me diga; sim, sendo assim, me diga:

TENDO ESSE “DEUS” E DESENVOLVENDO ESSA “ESPIRITUALIDADE”… COMO É POSSÍVEL VIVER EM HUMILDADE, SERVIÇO, COMPAIXÃO, ENTREGA, SOLIDARIDADE INSDISCRIMINADA, HONESTIDADE, BONDADE, TRANSPARENCIA E REVERENCIA PARA COM TUDO E TODAS AS COISAS NA EXISTÊNCIA, QUANDO TUDO O MAIS É PARA SER USADO PELOS NOSSOS CAPRICHOS BREGAS, SEMELHANTES AOS DESEJOS COTIDIANOS EXPRESSOS NA CIDADE RELIGIOSA CHAMADA DE DIVINO NA NOVELA AVENIDA BRASIL?

Assim, digo: a coisa ficou tão 171 em tudo que não titubeio em afirmar que o personagem Tufão da novela Avenida Brasil é muito mais gente de caráter do que a maioria dos pastores 171 que em nome de “Deus” fazem do povo os “bichos do jogo”.

Com tal espiritualidade não é possível viver com lucidez, sobriedade, simplicidade, humanidade, solidariedade indiscriminada e caráter de Cristo em nós.

Entenda: falei não de pessoas e nem de uma sigla, mas apenas de um espirito que permeia quase toda a espiritualidade “evangélica”.

Sem medo de ser julgado, pois Nele falo com sinceridade,

fonte: Facebook

foto: Correio de Uberlândia

‘Achava impossível mudar’, diz ex-travesti que hoje é pastor em MT

Pollyana Araújo, no G1

Pastor diz ajudar quem quer voltar a ser hétero através de associação.
Para Joide Miranda, homossexualidade pode ser desaprendida.

Joide e Édna estão casados há 14 anos e tem Pedro, de um ano e 11 meses. (Foto: Pollyana Araújo/ G1)

Acompanhado da mulher e do filho de 1 ano, o pastor evangélico Joide Miranda, de 47 anos, que até os 26 era travesti, afirma que é possível deixar de ser homossexual. A partir de sua experiência pessoal, ele decidiu ajudar quem quer voltar a ser hétero, por meio da Associação Brasileira de ex-Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABexLGBTTs). “A homossexualidade é um vício que, muitas vezes, vem desde a infância. Achava que era impossível mudar, mas é uma conduta que pode ser desaprendida”, diz o pastor.

O trabalho da associação vai contra a posição do Conselho Federal de Psicologia (CFP), que orienta profissionais da área a não colaborar com serviços que ofereçam tratamento e cura para homossexualidade e não reforçem preconceitos sociais já existentes em relação ao tema.

Joide retirou silicone dos seios e dos quadris após
a conversão. (Foto: Arquivo pessoal)

Joide Miranda, que aos 14 anos assumiu a homossexualidade e agora se diz “completamente restaurado”, pontua que o trabalho que desenvolve busca a cura e a mudança a partir da espiritualidade e da experiência de vida dele, embora avalie que a psicologia seria importante nesse processo. “Aqueles que querem deixar o estado da homossexualidade dizem que me veêm como referência”, afirma o pastor, que depois da mudança retirou as próteses de silicone dos seios e o silicone industrializado dos quadris.

Ele explica que a entidade, que foi regulamentada em novembro do ano passado, dá suporte emocional a pessoas de vários lugares, inclusive do Japão, Espanha e França. Até hoje, segundo ele, mais de 500 homossexuais o procuraram. O pastor diz que os maiores motivos alegados para querer deixar a homossexualidade são a solidão e a insatisfação. “Fazemos acompanhamento por telefone, mas pretendemos abrir uma casa de apoio, uma espécie de albergue, para podermos auxiliá-los melhor”, conta o pastor, que mora em Cuiabá com a família.

Um dos pilares da associação, segundo ele, é a estruturação familiar. Para o pastor, a desordem familiar tem grande parcela de responsabilidade nos casos de homossexualidade. Ele diz alertar os pais durante as palestras que ministra para que se atentem sobre o comportamento dos filhos, de modo que atuem de forma preventiva. “Um dos maiores fatores que contribuem para a homossexualidade são os abusos sexuais e a ausência de limites para as crianças”, enfatiza, ao relatar que, aos 6 anos, foi abusado por um vizinho.

Joide morou em vários países, entre eles na França
(Foto: Arquivo pessoal)

Além dos próprios homossexuais, Joide diz receber inúmeros telefonemas de mães que não concordam com a orientação sexual dos filhos. Ele diz que muitas delas pedem para conversar com a mãe dele, que, após muita insistência, conseguiu fazer com que ele fosse para a igreja. Antes disso, o ex-travesti morou em vários países, entre eles Itália e França, onde se prostituía.

Ele cita dois casos de ex-gays que teriam se tornado heterossexuais depois de receberem acompanhamento através da associação. Um deles na França, que morava com outro homem e hoje já está casado com uma mulher.

Outro é o caso de um ex-travesti do Maranhão, que colocou silicone até nos lábios e agora é missionário de uma igreja evangélica. “Quando a pessoa resolve mudar, o interior está todo bagunçado e demora algum tempo para mudar completamente, inclusive os trejeitos femininos”, explica.

Joide se casou, mas diz que casamento não pode
servir de fuga. (Foto: Arquivo pessoal)

Casamento

No caso de Joide, a mulher Édna, que hoje o acompanha nas palestras em que dá o seu testemunho, foi quem o ajudou. “Falava para ele que não era para colocar a mão na cintura, nem cruzar as pernas como mulher”, disse. Ela, no entanto, faz questão de enfatizar que se casou com um heterossexual e que nunca duvidou da mudança do marido. “Antes achava que gay era sempre gay, mas depois que o conheci mudei esse conceito. Não me importo em falar sobre o passado dele, pois falo de alguém que não existe mais”, afirma.

Casada há 14 anos com Joide, Édna conta que os dois eram empresários e deixaram os negócios para ajudar as pessoas que pretendem deixar de ser homossexuais. “Só fazemos isso para que a nossa história possa ajudar outras pessoas”. Ela conta que no início do relacionamento enfrentou certo preconceito por parte daqueles que não acreditavam na mudança de Joide.

No entanto, os dois afirmaram que o casamento não pode servir como uma “fuga”. Antes de conhecer a mulher, o pastor disse não ter sentido atração por nenhuma outra pessoa do sexo oposto. “Tive tudo que um travesti sonha, como glamour e dinheiro, mas não era feliz. Sentia um vazio muito grande dentro de mim. Era uma vida de hipocrisia”, recorda Joide, ao se dizer realizado hoje com a mulher e o filho, que foi adotado porque Édna não conseguia engravidar.

Na visão dele, a homossexualidade está na mente e, por isso, pode ser restaurada.”Depois que fui abusado sexualmente, tive a minha heterossexualidade violada”, afirma. Ele disse ainda que, quando foi molestado pelo vizinho, teve medo de contar para a família, principalmente ao pai, que era alcoólatra.

dica do Tércio Ribas Torres