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Projeto que propõe distribuição de kit bíblico em escolas gera polêmica nas redes sociais

Autor da proposta, deputado Kennedy Nunes (PSD) não vê problema em falar de religiosidade em salas de aula

Pricilla Back, no Diário Catarinense

Com um longo caminho a percorrer até ser votado no plenário da Assembleia Legislativa, o projeto de lei do deputado estadual Kennedy Nunes (PSD) que prevê a distribuição de um kit bíblico aos alunos da rede estadual já causa polêmica. Na sexta-feira, a proposta gerou debate nas redes sociais. Houve quem apoiasse e criticasse a ideia.

De acordo com a proposta, a intenção é enviar aos estudantes com idades entre seis e 12 anos kits contendo uma Bíblia que, garante o parlamentar, será escolhida de acordo com a religião do aluno.

— Vamos contemplar todas as religiões, sem exceção. E as Bíblias poderão ser escolhidas, por exemplo, em versões católicas ou evangélicas — alega Kennedy.

O parlamentar não explica, no entanto, se os livros sagrados de religiões não cristãs, como o islamismo e o judaísmo, seriam distribuídos da mesma maneira.

Kennedy argumenta que a ideia é criar várias opções de kits. Ainda não está definido, no entanto, qual seria o impacto financeiro da medida aos cofres do Estado. A sugestão do deputado é criar parcerias público-privadas com entidades e organizações religiosas para patrocinar a compra e a distribuição dos materiais.

“Qual o problema?”, pergunta o deputado

Na sexta-feira, após ser criticado por internautas sobre a criação do kit, Kennedy usou o Twitter para defender sua proposta. Segundo ele, a falta de religião “faz do ser humano um androide”.

— Qual o problema em falar de religiosidade nas escolas? Querem falar de sexualidade e até de gêneros e por que a religião não? — escreveu.

Para Cássia Ferri, pró-reitora de ensino da Univali e especialista em educação, este tipo de projeto causa desconforto se não forem abordadas todas as religiões existentes.

— As escolas públicas precisam aceitar toda a diversidade religiosa. A leitura dos textos bíblicos é válida, mas não pode ser a única opção aos alunos — explica Cássia.

Além dos kits, a proposta de Kennedy prevê a realização de aulas extracurriculares sobre a Bíblia. Para ser votado no plenário da Assembleia Legislativa, o projeto ainda precisa passar pelas comissões de Legislação e Justiça e de Educação, Cultura e Desporto da casa.

Projeto semelhante em São Paulo

O projeto do kit bíblico de Kennedy Nunes não é inédito. Em São Paulo, uma proposta semelhante está em tramitação na Assembleia Legislativa e serviu de inspiração para que o parlamentar trouxesse a ideia para Santa Catarina.

Ele argumenta que o objetivo do projeto é “amenizar os conflitos nos lares, nas escolas, nas ruas e na sociedade em geral”.

Sobre a polêmica, o deputado nega a existência de um doutrinamento religioso e afirma que, com essa proposta, a ideia é promover uma discussão sobre a espiritualidade.

— Estamos em uma era em que a conectividade nos afasta uns dos outros e de Deus. Se eu conseguir levantar a bandeira da espiritualidade, já é um mérito — diz.

O secretário de Educação de Santa Catarina, Eduardo Deschamps, preferiu não se manifestar antes de analisar melhor o projeto.

O que o projeto propõe

- Kits bíblicos educativos serão distribuídos nas escolas estaduais para crianças entre seis e 12 anos.
- Os alunos receberão lições que vão acontecer durante o período letivo regulamentar.
- As aulas terão um caráter extracurricular e serão ministradas em horários fora da grade curricular.
- As escolas poderão fazer parcerias com entidades religiosas, ONGs e associações para desenvolvimento dos materiais.

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Qual o Deus que eu desejo?

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Ricardo Gondim

O desejo da transcendência não arrefece. Ele é óbvio na alma. Varremos da mente a sede pelo eterno, ocupando-nos em ativismo desenfreado ou procurando dar ares displicentes à espiritualidade. O anelo pelo divino, porém, insiste em aflorar com força. Vez por outra a sede de Deus explode como um vulcão.

No sentimento trágico de intuir sobre Deus e, ao mesmo tempo, negar os ídolos de barro, escavamos a alma, galgamos as escadas do mistério, questionamos os compêndios religiosos, desafiamos a espiritualidade. Mas que Deus desejamos? Eis o nó górdio que gastamos a vida querendo desatar: nem todos os deuses que nos apresentam parecem interessantes.

Antes de dizermos que Deus desejamos, é importante nos desfazermos de alguns deuses.

Morte ao deus bedel. Um superego onipotente só serve para criar homens e mulheres com baixa estima. Ele é responsável pela timidez de ousar na aventura do viver. Um grande policial, exigente e intolerante, joga o sarrafo da competência nas alturas. Essa divindade exige comportamentos sobre-humanos de gente inadequada. Ele parece não ter entendido que, dos aprendizes, que somos todos, não se cobra uma postura angelical.

Morte ao deus encalacrado no conceito grego de perfeição. Impossibilitado de sentir, mudar, optar, recriar ou de ter misericórdia esse deus se condenou a manter-se frio e distante. Ele não pode alegrar-se ou sofrer porque esses sentimentos não condizem com a perfeição. Não pode ser misericordioso porque seria um ultraje à coerência mostrar-se bom para quem não se fez digno de bondade. Tal divindade merece continuar no desterro que a filosofia criou para ele.

Morte ao deus maquiavélico, dono de duas agendas: uma visível e conhecida de mulheres e de homens, e a outra, misteriosa, mantida sob segredo – e que só será conhecida no fim da história. Um deus que precisa sujar as mãos com holocaustos, genocídios e crimes de guerra para conduzir a história não merece sequer a consideração das pessoas. Como reverenciar uma divindade menos ética do que a média humana – que é baixa?

Jesus de Nazaré, também conhecido como Filho do homem, ousou afirmar que Deus se parecia com ele. Quem me vê, vê o Pai [João 14.9]. Os judeus aguardaram a manifestação do Messias por séculos. Sua vinda vingaria o sofrimento imposto por outras nações aos descendentes de Abraão.  O Ungido de Deus se revelaria maior do que Moisés, o grande codificador da lei; seria mais expansionista e guerreiro do que Josué, o conquistador de Canaã; regeria com mais prosperidade e com mais longevidade que Davi, o rei querido; teria mais autoridade profética do que Elias, o renomado profeta do passado.

Mas Jesus frustrou o conceito de Messias. Sem buscar conquista política, sem arregimentar exército, sem codificar seus ensinos, ele se contentou em fazer o bem. Ao invés de enfatizar a lei, insistiu na graça, desmontando a relação de causa e efeito na intimidade com Deus. Por onde andou insistiu em proclamar que Deus ama indistintamente justos e injustos, cumpridores da lei e desatentos cidadãos. Em Jesus, o que se preocupa com o bem sem compromisso religioso foi mais estimado do que o severo cumpridor das exigências religiosas.

Nas ações do Nazareno, a referência do divino deixou de repousar em alguma dimensão estratosférica para ser testemunhada nas ruas e nas estradas. Deus esteve em Jesus, sentado onde o povo sentava, caminhando nas estradas em que as pessoas peregrinavam.

Jesus abriu mão de se parecer com as divindades veneradas. Ele optou por se fazer servo. Foi humilde, sem pretensão alguma de ganhar prestígio com sua atitude. Contudo, ao humilhar-se ensinou que a mansidão triunfa sobre a violência, o perdão destrói o ódio e a singeleza ganha da soberba.

Deus se mostrou em Jesus abrindo mão do aplauso das multidões, afastando-se da ostentação carismática e preferindo morrer na mais absoluta solidão. Entre o desterro e deixar-se cooptar pelos mecanismos do poder, ele preferiu a morte. A mensagem que perdura desde sua execução é que Deus jamais pactuará com os mecanismos que geram miséria.

Embora a religião que se constituiu em seu nome procure torná-lo majestoso, Jesus permanece o Cordeiro de Deus. Ele é a pérola de grande preço, o lírio dos vales, a estrela da manhã, o escolhido dos milhares para mim. O Deus que eu desejo.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

“Mesmo argumento usado contra gays já foi usado contra negros e mulheres”, diz membro de grupo de homossexuais católicos

Cristiana Serra explica ser possível que gays sejam cristãos, mas que é necessário escolher como vivenciar a própria fé

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Por Tuka Pereira no Virgula

Formado em 2007 no Rio de Janeiro, um grupo de jovens que atende pelo nome Diversidade Católica vive uma dualidade um tanto contraditória segundo os preceitos cristãos: são gays e católicos praticantes.

Entre seus integrantes está a psicóloga Cristiana Serra, 39 anos. Segundo ela, o grupo surgiu para refletir sobre a conciliação da fé cristã com a diversidade sexual.

Cristiana diz que para conseguir harmonizar religião e homossexualidade é preciso, antes de mais nada, escolher como vivenciar sua própria fé.

“Se você busca na religião um conjunto de prescrições que te dirão o que é certo e o que é errado, como você deve viver a sua vida, realmente fica impossível você se inserir em um corpo social que te condena e te exclui. Mas se você entende a sua identidade religiosa como uma parte indissociável de quem você é quanto à sua orientação sexual e se essa identidade religiosa é a forma como você vive a sua espiritualidade, aí a religião se torna veículo de amadurecimento e encontro consigo mesmo”, diz.

Cristina acredita que a igreja seja um espelho de uma sociedade heteronormativa e predominantemente homofóbica. Segundo ela, à medida que a homofobia na sociedade como um todo diminuir, a dificuldade de compreensão dos LGBTs nas igrejas também diminuirá. “A doutrina católica hoje diz que os homossexuais devem ser acolhidos com respeito nas comunidades, sem nenhum tipo de discriminação. Por outro lado, entende que a homossexualidade é um comportamento ‘desordenado’. Mas a religião institucionalizada, qualquer que seja ela, é um corpo social inserido num contexto sociocultural mais amplo”, diz.

Ela explica que os mesmo argumentos utilizados atualmente contra os gays foram utilizados em outros momentos da história contra os direitos das mulheres e dos negros.

“O tipo de discurso que ouvimos hoje contra os LGBTs é o mesmo de quando as mulheres conquistaram o direito ao voto e a trabalhar fora; de quando o divórcio foi legalizado; de quando os negros conquistaram a igualdade dos direitos civis; os argumentos de ordem moral eram os mesmos – ameaça à família, contra as ‘leis naturais’, uso de trechos da Bíblia para mostrar que eram contra a ‘lei de Deus’. Isso, na verdade, é reflexo de uma resistência do corpo social, num processo de negociação simbólica com as estruturas de poder, que acontece na sociedade como um todo e dentro de cada igreja”, conta.

Cristiana diz ainda que, ao contrário de Bento 16, que era um teólogo acadêmico, Francisco é um bispo de atuação e por isso consegue enxergar além das abstrações e das teorias da igreja, inclusive não se colocando contra a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

“Como papa, ele segue seus antecessores afirmando o valor fundamental da família formada pela união entre um homem e uma mulher. Mas, por ser um um bispo de atuação pastoral, consegue ver as pessoas com quem ele se encontra, para além das teorias, das abstrações. Por exemplo, ele se manifestou a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo, na qual se reconhecem direitos, mas não há equiparação à união heterossexual. Declarou também que um ministro religioso não tem o direito de forçar nada na vida privada de ninguém. Francisco critica uma Igreja ensimesmada, entrincheirada em estruturas caducas incapazes de acolhimento, e fechada aos novos caminhos que Deus apresenta”, diz.

Durante a Jornada Mundial da Juventude 2013 no Rio de Janeiro, o grupo Diversidade Católica fará um encontro abrindo espaço para histórias de jovens homossexuais dentro da Igreja.

Dia 25 de julho, de 14h às 16h, no Auditório Vera Janacópulos, na UNIRIO (Av Pasteur, 296, entre Botafogo e Urca, perto do Shopping Rio Sul). A entrada é franca e o evento será aberto ao público, sujeito apenas à lotação do auditório.

 

Fé ajuda a encarar desafios, mas deve ser coerente com a prática

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Publicado no UOL

Em um dos seus maiores sucessos, Gilberto Gil canta “andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar”. Nos anos 80, quando a música ganhou as rádios de todo o país, pouco se falava sobre a influência da religiosidade no bem-estar físico e mental. De lá para cá, muitos cientistas, em todo o mundo, já se dedicaram a estudar essa relação, com resultados surpreendentes até para quem não crê. “Diversas pesquisas já mostraram que pessoas mais espiritualizadas sofrem menos de ansiedade, depressão e estresse, estão menos vulneráveis a doenças cardíacas, vasculares, endócrinas e autoimunes; como consequência, vivem mais e melhor”, garante Ricardo Monezi, pesquisador do Centro de Estudos em Medicina Comportamental da UNIFESP.

Em geral, quem tem fé tende a ser mais otimista e persistente com os desafios do dia a dia. “A experiência religiosa, na maioria das vezes, pressupõe a concentração e a busca do equilíbrio a partir da conexão com alguma força maior em que se acredita, que pode ser feita, por exemplo, a partir da oração”, esclarece Jorge Claudio Ribeiro, filósofo e professor da PUC-SP. “Assim, a pessoa que crê conta com recursos para se refazer mais rapidamente, enquanto a que não acredita em nada tem mais chances de se desesperar diante de uma dificuldade”, justifica. O pesquisador concorda que a espiritualidade facilite a conexão com o divino ou sagrado que zela por nós, produzindo um sentimento de segurança e conforto e ajudando, ainda, a lidar com os grandes mistérios da vida num nível mais subjetivo.

Fé sem religião também vale

Os benefícios da fé, no entanto, não requerem que ela seja institucionalizada. Ou seja, não é preciso seguir os preceitos de determinada religião ou sequer frequentar qualquer tipo de templo. “Ter fé é assumir um compromisso pessoal com uma determinada visão de mundo, com ideias, ideologias e conceitos que podem ser retirados de uma única religião ou de várias”, afirma David Charles, teólogo e chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

De fato, muitas pessoas praticam uma fé própria e criam um mix de crenças de diferentes origens, sem se submeter a uma única vertente. “A religião e a religiosidade, que é a prática e a vivência da religião, são ferramentas que o ser humano pode usar para desenvolver a espiritualidade, mas não são as únicas”, pondera Monezi. Meditação, leituras diversas, orações e músicas também podem ser empregadas com o mesmo fim. “Até pelo diálogo com outra pessoa, porque um dos maiores exercícios de espiritualidade é a doação amorosa”, exemplifica.

Fé na prática

Numa perspectiva objetiva, a grande contribuição da fé é oferecer diretrizes para o comportamento, uma vez que ela geralmente está ligada a determinados valores. Por isso mesmo, o ideal é combinar razão e emoção na adoção de uma religiosidade. “Só tem sentido comprometer-se pessoalmente quando se consegue atribuir verdade e valor ao conjunto de princípios que ela expressa”, defende Charles. Quer dizer, não vale acreditar só por acreditar, por achar bonito. “É interessante que a experiência em que se está investindo apresente subsídios que poderão ser usados no dia a dia. Ou seja, o que se aprende no templo precisa fazer sentido no mundo lá fora”, reforça.

Em outras palavras, agir de acordo com o que se prega e vice-versa é o que fortalece a fé. “Quando há coerência entre o que se fala e o que se vive, a fé realmente passa a funcionar como um instrumento para o desenvolvimento pessoal, pautando a mudança real de atitudes”, acredita o teólogo. E ela só é prejudicial quando pressupõe intolerância. “Quando uma determinada fé desrespeita o conjunto de crenças dos outros, automaticamente implica no desrespeito ao ser humano, o que pode levar a sentimentos como raiva e desejo de vingança”, ressalva Monezi.

Cardiologistas estudam o efeito da espiritualidade sobre a saúde do coração

A espiritualidade pode melhorar a adesão do doente ao tratamento (Foto: Thiago Lontra / EXTRA)

A espiritualidade pode melhorar a adesão do doente ao tratamento (Foto: Thiago Lontra / EXTRA)

Roberta Hoertel, no Extra

“Sem fé, a vida se torna muito mais curta.” A teoria do aposentado tijucano João de Oliveira é antiga e inquestionável entre os religiosos. Mas agora a questão chegou à ciência, que, apesar do imenso abismo que sempre a separou da espiritualidade, começa a investigar a influência da fé em pacientes com doenças cardíacas. O assunto será destaque no 68º Congresso Brasileiro de Cardiologia, que acontecerá em setembro, no Riocentro.

- Baseado em alguns casos, resolvemos estudar se a religiosidade realmente faz com que os pacientes adoeçam menos e tenham menos problemas cardiovasculares – afirma o cardiologista Álvaro Avezum, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo.

João Oliveira enfrenta a doença cardíaca com sua fé em Nossa Senhora da Conceição (Foto: Freelancer / Arquivo pessoal)

João Oliveira enfrenta a doença cardíaca com sua fé em Nossa Senhora da Conceição (Foto: Freelancer / Arquivo pessoal)

Mas o fato é que, fora dos laboratórios e das universidades, muitos pacientes que se apegaram à fé para enfrentar grandes problemas de saúde já tiveram a comprovação de que precisavam. João recorre à Nossa Senhora da Conceição para enfrentar uma cardiomegalia (coração aumentado). Nicia Ribeiro, de 66 anos, tem o mesmo problema e se agarra ao Senhor do Bonfim para enfrentar a doença. Já o vendedor Hercílio da Silva, de 42, recorreu à São Jorge para domar seus dragões: além do problema de coração e de pressão alta, ainda venceu uma leucemia.

- Fiz o tratamento e sabia que ia ficar curado. Em três sessões de quimioterapia, todas as taxas já estavam voltando para o lugar – revela o devoto do Santo Guerreiro.

Nicia Ribeiro recorre ao Senhor do Bonfim para enfrentar os problemas de coração (Foto: Thiago Lontra / Extra)

Nicia Ribeiro recorre ao Senhor do Bonfim para enfrentar os problemas de coração (Foto: Thiago Lontra / Extra)

Avezum explica, no entanto, que há diferenças significativas entre espiritualidade e religiosidade, embora as duas situações sejam estudadas. A religiosidade é ligada a crenças e cultos. Já a espiritualidade está relacionada à forma como a pessoa encara os fatos cotidianos e os sentimentos no decorrer da vida.

- Pesquisamos se, antes de o problema celular se manifestar no corpo, o agir e o pensar podem antecipar essa desorganização celular – explica, lembrando que até mesmo um ateu pode se encaixar nesses casos.

Embora a maioria dos médicos ainda se atenha apenas aos hábitos de vida de seus pacientes, alguns especialistas já verificam que a crença em alguma vertente, qualquer que seja ela, colabora para o tratamento.

- Algumas escolas médicas afirmam que pessoas assíduas a um determinado culto religioso ou que se apegam à religião têm uma evolução melhor – diz o médico.

Com ou sem comprovação, são os próprios pacientes que dão a dica nesses casos: é melhor acreditar.

Nicia Ribeiro conta que, há muitos anos, esteve em Salvador e se emocionou muito quando entrou na Igreja de Nosso Senhor do Bonfim. Desde então, virou devota.

- Sinto uma fé, um amor muito grande quando vejo a imagem de Jesus na cruz, e choro desesperadamente. Não tenho explicação para essa fé. Meu Senhor do Bonfim sempre me ajuda, nunca me desampara. Vou direto ao todo poderoso, ao chefão. Quando fiz um cateterismo, entrei na sala de exames agarrada a uma imagem que trouxe da Bahia. Durante o exame, chamei tanto pelo Senhor do Bonfim que o médico me perguntou se eu era baiana. Correu tudo bem. Com muita fé, estou aqui.

João de Oliveira, de 78 anos, devoto de Nossa Senhora da Conceição, também conta com sua fé para enfrentar a doença cardíaca.

- Se eu não tivesse toda essa fé, acho que já tinha ido embora há muito tempo. Muita coisa já aconteceu comigo. Sem minha medalhinha, com certeza teria sido muito pior. Até em situações de rua. Já fui assaltado duas vezes e tenho certeza de que tudo teria sido diferente se não estivesse com a minha proteção.

O aposentado conta que sempre foi ligado à religião:

- Acredita que essa fé tenha me ajudado a enfrentar o problema do coração desde os 50 anos. É por isso que não deixo a medalhinha por nada. Independentemente de qualquer coisa, as pessoas têm que acreditar em algo, mesmo que tenham problemas na vida, que tenham que se curvar. Sem fé, a vida não faz nenhum sentido.