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A indústria da salvação

Show de Damares: estrela da música religiosa, ela vende dez vezes mais discos que as rainhas do axé Ivete Sangalo e Claudia Leitte

Show de Damares: estrela da música religiosa, ela vende dez vezes mais discos que as rainhas do axé Ivete Sangalo e Claudia Leitte

Paulo Vasconcellos, no Valor Econômico

A maior praça de Guapimirim, cidade de 50 mil habitantes na subida da serra do Rio, a 60 quilômetros da capital fluminense, ficou pequena numa noite de sexta-feira de novembro, para o show da cantora Damares em homenagem aos 22 anos do município. Nona colocada na lista dos dez artistas que mais venderam discos no ano passado, com 400 mil cópias do CD “Diamante”, ela costuma desfilar no palco um cardápio musical variado no ritmo, do pop ao forró, e trivial nas letras, recheadas de substantivos como fornalha, salvação e vitória. Entre uma canção e outra, faz orações com a voz carregada de dramaticidade. A plateia vibra. Alguns não escondem as lágrimas. O cachê, de R$ 25 mil a R$ 50 mil, ainda está longe dos R$ 250 mil cobrados por cantores sertanejos mais estelares, mas trata-se de um nicho novo que garante ao menos dois shows por semana, em geral pagos pelas prefeituras do interior. Neste mês, fez espetáculos em Rolim de Moura e Porto Velho, em Rondônia, e Chapadinha e Arame, no Maranhão.

A paranaense Damares de Alvez Bezerra de Oliveira, de 32 anos, 1,60 m de altura, cabelos pretos longos como convém a uma seguidora da Assembleia de Deus, é a encarnação de um novo gênero de “pop star” no Brasil: o astro da música religiosa. A lista é farta. Reúne tanto católicos quanto evangélicos. São artistas que só perdem na vendagem de CDs e DVDs para cantores e cantoras seculares, como Luan Santana ou Paula Fernandes, e deixam para trás nomes do porte de Marisa Monte e Caetano Veloso ou até mesmo estrelas internacionais, como Lady Gaga e Justin Bieber. Ivete Sangalo e Claudia Leitte, que nada. Damares vende muitas vezes mais discos que as rainhas do axé.

Quatro dos vinte escritores que mais vendem livros no país são religiosos – dois deles católicos: o padre Marcelo Rossi lidera a lista

O fenômeno se espalha da música para o cinema, da literatura para as mídias digitais. A venda apenas de discos e livros de conteúdo religioso movimenta mais de meio bilhão de reais por ano. A estatística está longe de refletir o tamanho exato do mercado não só por causa da pirataria, mas porque as gravadoras essencialmente religiosas, entre elas a MK Music, que domina 70% do segmento, não comunicam à Associação Brasileira dos Produtores de Disco (ABPD) quantos CDs e DVDs vendem nas igrejas ou nos portais de comércio que mantêm na internet. A estimativa de especialistas é que pelo menos metade do mercado musical religioso brasileiro esteja à margem dos números oficiais. Ainda assim, a produção de artistas católicos e evangélicos, que representa uma fatia de aproximadamente 20% do faturamento anual de R$ 373 milhões da indústria fonográfica nacional, rende cerca de R$ 75 milhões.

Já a literatura religiosa girou sozinha, no ano passado, R$ 483,7 milhões. É exatamente 10% de todo o mercado editorial brasileiro, que atingiu um faturamento de R$ 4,8 bilhões, de acordo com uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe/USP) e da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Embora tenha registrado queda de 5,99% no faturamento em 2011, na comparação com 2010, o segmento de livros religiosos acumulou um aumento de 18,9% nas vendas entre um ano e outro, atrás apenas da vendagem dos livros científicos, técnicos e profissionais, que cresceu 33,9%.

Não há milagre. Os evangélicos, que se multiplicam a uma taxa de mais de 6% a cada censo do IBGE, somam 42 milhões de consumidores potenciais e fiéis a tudo o que a igreja produz. É o que explica parte do desempenho de “Nada a Perder”. Primeiro dos três volumes da biografia do bispo Edir Macedo, o livro publicado pela editora secular Planeta vendeu 500 mil exemplares do lançamento, em agosto, ao Natal. Pela velocidade com que sai das estantes das livrarias deve fechar o ano atrás apenas do best-seller internacional “Cinquenta Tons de Cinza”. Cristiane Cardoso, filha do líder da Igreja Universal do Reino de Deus, é a única que pode ameaçar o reinado literário do empresário religioso. “Casamento Blindado”, que ela escreveu a quatro mãos com o marido e foi publicado pela Thomas Nelson Brasil, já vendeu meio milhão de exemplares.

Padre Marcelo Rossi (à esq.), autor de "Ágape", e o bispo da Diocese de Santo Amaro, d. Fernando Figueiredo: livro já teve 8,4 milhões de exemplares vendidos desde 2010 até o Natal

Padre Marcelo Rossi (à esq.), autor de “Ágape”, e o bispo da Diocese de Santo Amaro, d. Fernando Figueiredo: livro já teve 8,4 milhões de exemplares vendidos desde 2010 até o Natal

Os católicos, que crescem menos a cada censo, mas ainda são mais de 130 milhões de brasileiros, reagem com estrelas da Renovação Carismática. De acordo com o acompanhamento do portal Publishnews sobre o mercado editorial, 4 dos 20 escritores que mais vendem livros no país são religiosos – 2 deles católicos. O padre Marcelo Rossi lidera a lista, com 8,4 milhões de exemplares de “Ágape” vendidos até o Natal desde que foi publicado, em 2010, pela também secular Globo Livros. “Agapinho”, versão infantil das reflexões do autor sobre passagens bíblicas, atingiu em um ano a marca de 800 mil exemplares vendidos. O padre Fábio de Mello, com 380 mil exemplares de “Tempo de Esperas” (Planeta), é o 18º do ranking. E, seguindo a máxima de que a união faz a força, o disco e o DVD “Ágape Amor Divino”, de Rossi, Mello e convidados, venderam juntos, até a semana passada, 700 mil exemplares, em apenas seis meses desde o seu lançamento. Continue lendo

Site dos EUA diz que Brasil “não tem estrelas de cinema” e compara Manaus ao Alasca

Cena da comédia nacional "Até que a Sorte nos Separe", com Danielle Winits (foto) e Leandro Hassum
Cena da comédia nacional “Até que a Sorte nos Separe”, com Danielle Winits (foto) e Leandro Hassum

Rodrigo Salem, na Folha de S.Paulo

O site americano “Movieline”, especializado em cinema, publicou na sexta (7) uma crítica de duas páginas sobre o Festival de Cinema do Amazonas, realizado no início de novembro, em Manaus, com uma série de absurdos no texto.

O artigo assinado pela crítica e dramaturga Amy Nicholson, nesta última sexta-feira (7), é intitulado “Mímicas, Maçados e o Fantasma de ‘Fitzcarraldo’”. Ele já começa com a frase “Não há estrelas de cinema no Brasil” e usa uma apresentação de comédia para dizer que os brasileiros mais famosos são “Gisele Bündchen, Pelé e Blanka”, referência a um personagem obscuro do game “Street Fighter”.

“Mas o Brasil tem estrelas de telenovelas. E dúzias e dúzias delas, todas bonitas e alegres e embasbacadas pela própria fama, eram o evento principal [do Festival do Amazonas]“, resume Amy, que descreve Manaus quase como uma cidade inalcançável (compara até com o Alasca).

“A maioria das celebridades que vêm do Rio e de São Paulo nunca estiveram aqui. A distância cultural é tão grande que os atores de TV insistem para nós, gringos, que Manaus não era realmente o Brasil.”

A brincadeira fica mais séria quando a escritora diz que “nenhum filme brasileiro está entre as maiores bilheterias do ano no país”. “Para achar um sucesso local, é preciso ir até a comédia romântica ‘E Aí… Comeu?”, que fez metade de ‘Alvin e Os Esquilos 3′”, relata a jornalista, não apurando que o longa “Até Que a Sorte Nos Separe” é o oitavo filme mais visto no Brasil, possivelmente superando “Alvin” nesta semana.

Claro que a autora lembra de filmes realizados em Manaus de grande importância para o cinema mundial, caso de “Anaconda”, sobre uma cobra gigante que mata um grupo de americanos na floresta. Em seguida, cita o obrigatório “Fitzcarraldo”, de Werner Herzog, mas já emenda com um “a maioria dos brasileiros nunca ouviu falar do filme.”

Em um tom mais bem-humorado, Amy Nicholson descreve a cerimônia de abertura do festival.

“Nós, jornalistas americanos, recebemos fones de ouvido que traduziriam os discursos de apresentação de português para o inglês, não que isso tenha ajudado a dar algum sentido quando um ator de novela chamado Igor, um clone de Benicio del Toro, subiu repentina e inesperadamente no palco e gritou para o ministro da Cultura algo como ‘Obrigado por me deixar fazer sexo embaixo de uma cachoeira”, relata.

Na verdade, o ator Igor Cotrim, ator do premiado longa “Elvis e Madona” –vencedor de roteiro no Fest Rio 2011, do júri popular de 2º Festival de Cinema Brasileiro em Paris e melhor filme no Festival de Cinema Gay e Lésbico de Oslo–, subiu ao palco para recitar um poema de sua autoria para o homenageado da noite, o cineasta Zelito Viana. E não havia nenhum ministro da Cultura, já que o Brasil tem uma ministra –quem estava no palco era o secretário estadual de Cultura, Robério Braga.

A repórter conta que a cerimônia de abertura teve “até um funcionário alimentando macacos como se fossem pombos” e errou na geografia ao dizer que a festa de encerramento seria uma “amostra do maior festival de Manaus: Parintins.” Parintins, na verdade, fica a mais de 300 quilômetros de Manaus.

Festival Promessas reúne estrelas da música gospel brasileira em SP

O anfitrião do evento, Serginho Groisman, abre o Festival Promessas. (Foto: Flavio Moraes/G1)
O anfitrião do evento, Serginho Groisman, abre o Festival Promessas. (Foto: Flavio Moraes/G1)

Rodrigo Ortega, no G1

A segunda edição do Festival Promessas de música gospel reuniu neste sábado (8) em São Paulo (SP) um público de 100 mil pessoas para assistir a shows de alguns dos principais artistas do gênero. A anúncio foi feito pelo próprio apresentador do evento, que começou às 17h30 e se encerrou às 23h. Segundo Serginho Groisman, a estimativa foi feita pela administração do Campo de Marte, na Zona Norte da capital, que recebeu seis atrações.

Apresentaram-se André Valadão, Cassiane, Aline Barros, Fernandinho, Thalles e Diante do Trono. Cada show teve duração de cerca de 45 minutos, com intervalos de 10 minutos.

André Valladão foi o primeiro a entrar em cena. O mineiro de 34 anos também é pastor e é irmão de Ana Paula, líder do Diante do Trono, outra atração do evento

De óculos escuros sob sol ainda quente, que não diminuiu a animação do cantor nem do público, André Valadão, emocionado, chamou a ocasião de “dia profético”. Alternou entre pulos e giros que lembraram os de Chris Martin, cantor inglês do Coldplay, e músicas sentado ao piano, acompanhadas de guitarras distorcidas também ao clima da banda britânica e do U2 , vide “Pela fé” e “Abraça-me”, maiores hits do mineiro.

O pastor André comandou várias orações e pedidos ao público para fazer “barulho santo”. “É tempo de o Brasil voltar os olhos para o Senhor”, falou o artista ao final da apresentação, que durou pontuais 45 minutos, com intervalo de 10 minutos.

A cantora Cassiane, segunda atração, subiu ao palco às 18h25.

André Valladão foi a primeira das seis atrações a subir ao palco. (Foto: Flavio Moraes/G1)
André Valadão foi a primeira das seis atrações a subir ao palco. (Foto: Flavio Moraes/G1)

Com voz poderosa de artista soul e trejeitos fortes de cantora de rock, a cantora e pastora evangélica Cassiane não poupou floreios vocais para impressionar o público. A artista fluminense de Nova Iguaçu, que gravou o primeiro disco aos oito anos como promessa mirim do mercado gospel, já soma 17 álbuns aos 39 anos.

“Vai um glória a Deus aí?” era sua pergunta mais comum ao público entre as músicas. Com arranjos mais comuns ao estilo, os presentes cantaram bastante, especialmente “Com muito louvor”, de braços esticados para o alto – gesto mais comum do Promessas -, mas com menos pulos do que o pulsante show anterior. Ela tirou os sapatos e terminou a tarde descalça cantando a apoteótica “Uma chuva diferente”.

A cantora Cassiane se apresenta na segunda edição do Festival Promessas, no Campo de Marte, em São Paulo (Foto: Flavio Moraes/G1)
A cantora Cassiane se apresenta na segunda edição do Festival Promessas, no Campo de Marte, em São Paulo (Foto: Flavio Moraes/G1)

Acompanhada de uma competente banda de pop-rock, a carioca Aline Barros voltou a fazer o publico se mexer usando recados diretos como “pulo, pulo, pulo na presença do rei”, de “Vitória no deserto”. A pastora de 36 anos venceu recentemente o do Grammy Latino 2012 de música cristã, com o disco infantil “Aline Barros & Cia. Vol 3″.

Aline chamou ao palco para um dueto Fernandinho, que apresentou como “grande amigo e homem de Deus”. Eles cantaram juntos a faixa já gravada pela dupla “Rendido estou”. A animada Aline pediu aos fãs para que se abrissem ao “vento de Deus para trazer refrigério”, antes de “Vento do espírito”. Ela desejou um antecipado “feliz 2013″ para a plateia ao encerrar o show com ” Vou te alegrar”.

Aline Barros se apresenta no Campo de Marte, em São Paulo, no Festival Promessas (Foto: Flavio Moraes/G1)
Aline Barros se apresenta no Campo de Marte, em São Paulo, no Festival Promessas (Foto: Flavio Moraes/G1)

Fernandinho começou seu show com efeitos eletrônicos, guitarras pesadas e vocal agudo em “Dançando na chuva”. Apesar do tempo quente com nuvens, a chuva citada na letra não tinha aparecido, mas a dança do público foi intensa, no momento mais enérgico do evento até então. “A Bíblia diz que os justos saltam de alegria”, disse o alagoano aos gritos, sob base rítmica que usava veloz bumbo duplo e riff de punk rock.

Em “Eu fui comprado”, com interlúdio de um rapper, o público fez trenzinhos, coreografias e até círculos de dança caótica que lembram rodas de pogo de shows de rock. A seqüência de power ballads “Nada além do sangue”, “Uma nova história” e “Teus sonhos” fez alguns presentes se sentarem e revelou o bom vocal de Fernandinho. A segunda metade mais lenta do show só voltou a se animar quando ele chamou os fãs para “pular até bater a cabeça no céu” na penúltima “O hino” e na final “Vai chover”.

Fernandinho toca percussão durante seu show no Festival Promessas 2012 (Foto: Flavio Moraes/G1)
Fernandinho toca percussão durante seu show no Festival Promessas 2012 (Foto: Flavio Moraes/G1)

Quem sucedeu Fernandinho foi Thalles, o artista mais premiado do último Troféu Promessas e penúltima atração da noite. O mineiro Thalles confirmou a boa fase, com um som que mistura funk, soul e rock, com groove que faz jus ao cabelo black power do cantor. O público vibra bastante ao reconhecer cada início de música.

Intercalar músicas com mais “pressão”, como ele diz aos fãs, com baladas ao violão cantadas com voz rouca, como “Eu escolho Deus”, é estratégia semelhante à do Jota Quest, banda do qual ele já foi backing vocal. Thalles também já cantou com Jammil e uma Noites e compôs para Luciana Melo e Seu Jorge. Tem traquejo de palco que não fica a dever para os artistas seculares com quem colaborou.

Thalles, que era backing vocal do Jota Quest, dança durante seu show no Festival Promessas 2012, em São Paulo (Foto: Flavio Moraes/G1)
Thalles, que era backing vocal do Jota Quest, dança durante seu show no Festival Promessas 2012, em São Paulo (Foto: Flavio Moraes/G1)Depois de Thalles, foi a vez da atração que encerrou o Festival Promessas 2012, a banda Diante do Trono. O grupo terminou seu show por volta das 23h. As notas agudas e seguras da voz da líder Ana Paula Valadão se alternam na maioria das faixas com as dos outros músicos de grupo, dando um pouco mais de dinâmica às músicas, mais lentas do que a média das outras atrações.A banda tem origem na Igreja Batista da Lagoinha, de Belo Horizonte, assim como André Valadão e Thalles. Assim como no show de Cassiane, houve mais coros do que pulos do público, inclusive na faixa eleita a melhor do ano no Troféu Promessas, “Me ama”. A trilha dos mineiros deu final tranquilo para o festival.Ana Paula Valadão acena durante o show do grupo Diante do Trono no Festival Promessas 2012 (Foto: Flavio Moraes/G1)
Ana Paula Valadão acena durante o show do grupo Diante do Trono no Festival Promessas 2012 (Foto: Flavio Moraes/G1)

Policiais Militares confirmam ao G1 que o público presente no Campo de Marte é de 100 mil pessoas. Esta é a primeira edição do festival feita em São Paulo. O festival  terá exibição nacional pela TV Globo no próximo dia 15.

A primeira edição do evento aconteceu em dezembro de 2011, no Aterro do Flamengo, no Rio. Diante do Trono, Regis Danese, Damares, Fernanda Brum, Ludmila Ferber, Eyshila, Davi Sacer, Pregador Luo e Fernandinho apresentaram-se por quase 8 horas para um público estimado em 20 mil pessoas. Neste ano, o Festival Promessas também contou com edições regionais em Brasília, Recife e Belo Horizonte.

Para a edição de São Paulo, foram montadas estruturas de caixas de som e telões de led para que aqueles que não conseguirem ficar perto do placo pudessem aproveitar as apresentações. O palco tinha 17 torres de iluminação de led que funcionaram como vitrais durante os shows.

Santa Ceia segundo gamers

Título original: Ceia dos Jogos

Publicado no Retina Desgastada

Segundo coluna publicada na Revista Época, a campanha de marketing da grife Cavalera está enfrentando resistência por fazer uma citação ao quadro A Santa Ceia:

A ideia era reunir os doze personagens que o diretor criativo Alberto Hiar elencou como inspirações para o Verão 2013 da Cavalera. Nomes como Fernanda Young, Emicida, Regina Guerreiro e Pitty posaram em um cenário semelhante a famosa Santa Ceia e estamparam diversos veículos. Mas a iniciativa acabou provocando alguns católicos mais fervorosos, como Paul Medeiros Krause, procurador do Banco Central em Belo Horizonte. Ele enviou um e-mail para a marca indignado e solicitando o cancelamento imediato da campanha. A história foi parar no CONAR, Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, que declarou a imagem sem nenhuma apelação provocativa. “Tenho muito medo desse radicalismo religioso. Namastê para todos vocês”, disse Alberto ao saber da decisão da entidade.

A Cavalera não está fazendo nada que já não tenha sido feito antes na cultura pop: Lost, Battlestar Galactica, Os Mercenários, House, Os Sopranos, Guerra nas Estrelas… e, por favor, não me façam apontar para a versão zumbi! O mundo dos jogos naturalmente não poderia ficar de fora da citação:

 autor desconhecido (via Reddit)

 por J4N3M3 (via DeviantArt)

 autor desconhecido (certamente usando o Garry’s Mod)

 autor desconhecido

 por EvGen1us

 por enixtm

 autor desconhecido (indicação do @gamesfoda)

 por dnobody (via DeviantArt)

E agora, senhor Krause?

Perdeu, Gaga…

Luís Antônio Giron, na Época

Nada como um escândalo para deixar as coisas às claras. O preço dos ingressos de shows no Brasil é um tumor que precisa ser extirpado imediatamente. Quantas vezes não me embrulhou o estômago ver que 50 mil ingressos do show de um xis qualquer do pop se esgotava em segundos. Eu só podia atribuir o fenômeno à fome ancestral de espetáculos que os brasileiros sentiam – e sentem. E o desejo de alguns de rebolarem nas abomináveis áreas vips. Que nojo: é uma miséria cheia da grana. No entanto, ultimamente ficou mais difícil abusar da ingenuidade do público nacional. A prova recente é a seguinte: os ingressos dos shows de Madonna e Lady Gaga encalharam. E agora vão ter de baratear.

As produções das duas estrelas rivais do pop andam desesperadas. A de Lady Gaga ainda mais: fazendo promoções como compre um ingresso e leve dois, e até distribuindo sanduíches e refrigerantes de brinde. O que mais Lady Gaga vai prometer para atrair as multidões sonhadas aos estádios? Ela perdeu o viço juvenil, engordou e até seu traje de carne sangrenta agora é sintético. Não sei se alguém ainda se interessa em vê-la de topless. Já mostrou tudo em outros shows e dezenas de videoclipes. Madonna é mais discreta e encobre suas deficiências com arranjos e visuais superproduzidos.

Os shows no Brasil põem à prova as duas reputações. Há um título de rainha do pop em jogo, e as arenas brasileiras podem ser decisivas. O Brasil costuma ser um túmulo de talentos. No início do século passado, a atriz francesa Sarah Bernhardt (1833-1923) caiu no palco do teatro Municipal do Rio de Janeiro e se despediu melancolicamente da carreira. Nos anos 50, a rivalidade entre as sopranos Maria Callas e Renata Tebaldi foi quase fatal à última. Para não mencionar Emilinha versus Marlene. O público brasileiro adora desde o século XVIII os chamados “partidos teatrais”, ou seja, facções que defendem uma vedete em detrimento de outra. Qual cantora italiana você prefere, a soprano Madonna Luisa Ciccone, de 54 anos e 31 de carreira, ou a mezzo-soprano Stefani Joane Angelina Germanotta, 26 anos, sete de carreira? La Ciccone ou La Germanotta?

Nessa briga de plumas, paetês e curvas à mostra, Gaga leva pior. Ela está vendendo menos ingressos que Madonna, até porque o público que paga caro é levado a escolher entre uma e outra. E o melhor é apostar no certo. Madonna parece ser a preferida.

O motivo da vantagem da Ciccone, além de ser uma artista consagrada, é que ela tem uma estrela maior que a Germanotta. Está há três décadas na ativa, emplacando um sucesso atrás do outro. Imaginar Lady Gaga daqui a 30 anos é absurdo. E isso não tem a ver com a estratégia de vendas, e sim com o coeficiente de talento, ou da falta de talento, de cada uma.

Entre uma e outra, Gaga é pior que Madonna em pelo menos cinco quesitos. Em primeiro lugar, o espetáculo. Madonna apresenta um show musical e visualmente impecável, com variedade e até um certo charme. Há bailarinos, cenários e roupas de alta qualidade. Lady Gaga tenta imitar Madonna em todos os detalhes. Mas o resultado beira o canhestro. Os bailarinos são em geral ruins, os cenários de mau gosto e as roupas parecem itens de brechó extravagante.

O gosto musical das duas não é lá essas coisas. Mas Madonna tem estrada e sabe distinguir o péssimo do simplesmente ruim. Caiu a qualidade de seu repertório recente. As letras perderam o sentido. As melodias e as batidas se repetem assustadoramente. Mas, mesmo assim, conta com arranjadores e produtores de primeiro time. Madonna disfarça a vozinha fraca em filtros bem calibrados. Lady Gaga possui um vozeirão, mas grita demais e não consegue modular nem timbrar a voz. Canta mal e compõe canções que não passam de cópias de sucessos antigos de Abba e Elton John. Os músicos de Gaga são medíocres e excessivamente ofuscados pela musa berrante. As canções dela abordam temas como a mídia e as desilusões amorosa, além de homenagens à comunidade GLBT – por motivos óbvios. São eles os “monstrinhos” que a mantêm.

A beleza e a presença em palco são a terceira e quarta razões para premiar Madonna. Vou falar claro: Madonna é bonita, cuida da aparência e cultiva a elegância. Lady Gaga é medonha. Parece uma bruxa que se perdeu do Mágico de Oz. Veste-se mal e não sabe requebrar nem dançar. Disfarça todas essas características grosseiras em uma atitude “cool”, bacana. Mas não passa de uma desajeitada filhinha de papai de Uptown.

Por fim, a prova mais cabal da supremacia de Madonna sobre Gaga é a ousadia. Madonna tem uma história nesse tipo de apelação ao público. No fim dos anos 80, ela fazia amor com Jesus Cristo e promovia orgias em seus videoclipes e shows. Foi a primeira diva de primeira grandeza a assumir o erotismo explícito. Lady Gaga a se porta como uma caricatura de atrevimento. Ela aparece nua, mancando, morta e ressuscitada em suas aparições ao vivo e clipes. Mas, no fundo, possui a audácia de uma enfermeira. Gaga, enfim, é grotesca e apela para o gosto duvidoso, a paródia, a crítica barata aos meios de comunicação. Madonna mantém, até certo ponto, a dignidade de alguém que quer se manter no pódio das divas.

Se fosse para escolher entre uma e outra, eu optaria por Gwen Steffani, a terceira italianinha pop de Nova York. Mas o pop não me excita. É coisa de crianças, inclusive as crescidas. A música pop consiste em uma sopa rala, porém cheia de Ajinomoto sonoro. Odeio. Para mim, vivo repetindo, só existem dois gêneros musicais: o bom e o ruim. A música pop figura quase toda no gênero ruim. A erudita, no bom. Infelizmente é assim. E não estou sendo “elitista”, como gostam de dizer os recalcados que não entendem e não querem entender a música erudita. É apenas uma constatação.

Para mim, tanto Madonna como Lady Gaga estão grudadas nos fundilhos da cultura pop mais pedestre. Mesmo assim, odeio menos a Madonna que a Gaga. Madonna mostrou sua personalidade e o seu talento ao público. Pode não ser a melhor cantora do mundo (de fato é uma das piores), mas é o que é, gostemos ou não. Madonna impôs uma nova sexualidade. O que fez Lady Gaga? Repetiu os chavões criados por Madonna sob a espécie da farsa. Lady Gaga afirmou que não passa de uma projeção de seu público, a que ela chama de “meus monstrinhos”. Não passam de cordeirinhos. E, como tal, sentem a necessidade atávica de adotar uma diva que os conduza ao abismo da arte duvidosa. Lady Gaga é o vazio que o público completa. Mas, pelo jeito, a ausência de boa parte do público brasileiro não vai preencher a lacuna que é Lady Gaga.