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‘Não sou eu. É Deus que opera através de mim’, diz menina chamada de milagreira em São Gonçalo (RJ)

Alani dos Santos, de 10 anos, é a esperança para fiéis em São Gonçalo (foto: Paulo Mumia)

Alani dos Santos, de 10 anos, é a esperança para fiéis em São Gonçalo (foto: Paulo Mumia)

Nathália Marsal, no Extra

Toda segunda-feira, Alani dos Santos, de 10 anos, deixa as brincadeiras com os amigos de lado e chega à igreja evangélica Missão Internacional de Milagres, em São Gonçalo, com uma responsabilidade que muito adulto não aguentaria. Ela ora, se junta aos colegas. E assim que sobe ao palco, a menina conhecida por fazer milagres se dirige a uma multidão devota, que vê nela sua chance de salvação.

Depois que Alani canta e prega como se fosse gente grande, os fiéis se aproximam com os seus problemas. Passaram por ali pessoas com HIV, hérnia, câncer, dores de cabeça, na coluna. E muitos deles se dizem curados.

Rosenilda Maria Klem, de 46 anos, hoje obreira da igreja, foi no culto da menina pela primeira vez há cinco anos após ouvir falar que ela fazia milagres. Moradora do bairro de Santa Isabel, em São Gonçalo, contou que a filha sofria de alergia e não conseguia dormir:

— Um dia ela (a filha) foi à igreja e, de repente, percebemos que melhorou. Não reclamava mais. Nunca tinha visto isso, mas agora pra mim se tornou normal.

O pai de Alani e pastor da igreja onde a menina ficou famosa por realizar curas, Adauto, de 47 anos, conta que o primeiro ‘milagre’ aconteceu quando ela tinha 51 dias de vida. Uma senhora que sofria com um mioma há 9 anos tocou as mãos do bebê e foi jogada para trás. “Assim que se levantou, sua barriga começou a desinchar”, descreveu.

— Até então nunca tinha ouvido falar que uma criança da idade dela tinha feito isso. Fiquei espantado. Minha filha é usada por Deus para curar as pessoas — define Adauto.

A notícia da menina “milagreira” rapidamente se espalhou. A igreja hoje recebe fiéis de todo mundo em busca da missionarinha, como Alani é chamada. No último culto, foram evangélicos de vários bairros do Rio de Janeiro, de São Paulo e até dos Estados Unidos.

— Sempre falo para procurar um médico. Não tenho nada contra a medicina. Pelo contrário. Minha filha será médica — defendeu o pai, que jura que nunca foi chamado de mentiroso, mesmo quando alguém deixou a igreja sem estar curado.

Com boas notas na escola (a mais baixa do último bimestre foi 9.1) e cursando o 5º ano, Alani confirma que quer estudar medicina para curar também aqueles que não acreditam no poder de Deus. Além de estudar, a menina adora dançar, cantar hip hop e comandar sua rádio on line Pérola kids, que traz temas evangélicos.

— Eu fico triste quando alguém não é curado, mas acredito que atingirá a graça um dia.

Desde o momento que Sandra, de 36, ficou grávida, acreditou que Alani seria um milagre. Isso porque ela teria sido avisada por médicos que seria muito difícil ter filhos.

— Passei a orar e pedir. Pouco tempo depois, pastores começaram a falar que eu ia ter uma pérola e fiquei sabendo que estava grávida. Sempre quis que essa criança fosse usada pelas mãos de Deus, mas pensei em uma pregadora, cantora… Não que ela teria esse dom. Sou abençoada por ter uma filha assim — elogiou a mãe de Alani.

Ela explica que mesmo sendo tão nova, a menina sabe que não é ela que cura as pessoas, e sim “que é instrumento de Deus”.

Apesar de a “milagreira” ter sido criada no meio evangélico, seus pais nem sempre foram da religião. Sandra passou a frequentar a igreja quando conheceu seu marido, aos 17 anos. Já Adauto começou a ir aos cultos aos 27 anos, quando estava preso no Carandiru, em São Paulo, condenado por roubo, por influência do seu irmão, o Pastor Adão. Há 10 anos o casal saiu de lá e foi para Maricá. A igreja em São Gonçalo foi montada há um ano e meio. Toda segunda-feira, Alani dos Santos, de 10 anos, deixa as brincadeiras com os amigos de lado e chega à igreja evangélica Missão Internacional de Milagres, em São Gonçalo, com uma responsabilidade que muito adulto não aguentaria. Ela ora, se junta aos colegas. E assim que sobe ao palco, a menina conhecida por fazer milagres se dirige a uma multidão devota, que vê nela sua chance de salvação.

Vereadora evangélica de Boa Vista diz que projeto ‘Parada Gay’ vai proliferar doenças

Mirian Reis é contra projeto que inclui a Parada Gay no calendário oficial.
Presidente do Grupo Diversidade registra Boletim de Ocorrência.

Vereadora Mirian Reis acredita que projeto será arquivado (foto: Reprodução/TVRR)

Vereadora Mirian Reis acredita que projeto será
arquivado (foto: Reprodução/TVRR)

Emily Costa, no G1

Durante a sessão desta terça-feira (27) na Câmara de Boa Vista que discutiu a inclusão da Parada do Orgulho Gay e da Consciência Homossexual no calendário oficial do município, a vereadora Mirian Reis (PHS), que é contra a aprovação da matéria, afirmou que o evento vai proliferar o homossexualismo e as doenças em Boa Vista.

O projeto que inclui a Parada Gay no calendário é de autoria do vereador Júlio Cézar (PRP) e já foi aprovado em primeira votação com dez votos a favor e dois contra. A sessão desta terça-feira seria para a segunda votação, mas não houve sessão por falta de quórum, porque apenas dez dos 21 vereadores compareceram à Casa.

“Eu acredito que o projeto vai ser arquivado, porque o nosso Deus vai nos dar autonomia, vai nos dar autoridade, capacidade e sabedoria para mostrar a eles que esse dia só vai fazer proliferar o homossexualismo na face da terra e em Boa Vista. Não é isso que nós queremos, porque o homossexualismo vai trazer doenças, infelicidade para as famílias, dores, tristeza, angústia”, disse.

Ainda segundo Mirian, os homossexuais necessitam de amor, carinho e precisam retornar à ordem natural da família. “Nós jamais poderemos aceitar filhos sendo criados por dois homens ou por duas mulheres. Isso é contra a palavra de Deus”, completou Mirian, que entregou um abaixo-assinado com mais de 600 assinaturas à Câmara. O documento pede por uma audiência pública para a discussão da matéria.

Para o presidente da Associação Roraimense pela Diversidade Sexual, Sebastião Diniz, as afirmações da vereadora são ofensivas e incitam a violência contra os homossexuais.

“Registrei um Boletim de Ocorrência contra Mirian Reis e mais dois vereadores que nos ofenderam durante a sessão. Também procurarei a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Roraima, porque eu acredito que esses políticos não estão defendendo os interesses do povo, mas apenas os ideais dos evangélicos”, alegou.

Projeto
De acordo com o vereador Júlio Cézar, a inclusão da data no calendário é um movimento social que merece a consideração da sociedade. “Esse projeto nada mais é do que passar a Parada que já existe desde 2003 para o calendário do município. Já me perguntaram se vai ter dinheiro público para o evento, mas isso não existe. É só questão de reconhecimento de que existe uma classe de pessoas que faz brilhar essa sociedade. É um movimento social”, acrescentou o vereador.

O projeto deverá entrar novamente em segunda votação nesta quarta-feira (28). Se aprovado, será encaminhado ao Executivo Municipal, que poderá sancionar ou vetar a proposta.

Xuxa comenta polêmica em Brasília: ‘Nem Jesus Cristo agradou todo mundo’

Após receber críticas do deputado Pastor Eurico, a apresentadora Xuxa Meneghel pede ajuda dos fãs e diz: ‘Ele já teve o seu momento de fama, não vamos dar mais força a ele’

Xuxa Meneghel (Blad Meneghel)

Xuxa Meneghel (Blad Meneghel)

Publicado na Caras

Xuxa Meneghel fez um desabafo no Facebook, nesta sexta-feira, 23, sobre a polêmica com o deputado Pastor Eurico, que a criticou durante a última sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. A apresentadora pediu para que os fãs não culpassem os evangélicos pelo episódio.

“Gente, estava lendo o desabafo e a opinião de vocês sobre o acontecido no Congresso. Por favor, não culpem os evangélicos. Minha mãe é evangélica e me ensinou que nem Jesus Cristo agradou todo mundo, por que eu iria? Sei que minha mãe ficou muito triste com esse senhor. Mas ele já teve o seu momento de fama, não vamos dar mais força a ele”, disse Xuxa. “Mais uma vez obrigada pelas lindas palavras de carinho e respeito com meu trabalho, vou precisar de vocês e muito, e sei que vou poder contar sempre. Vejo isso lendo cada palavra de amor de vocês por mim, obrigada, obrigada, obrigada, obrigada”, publicou.

O ator e cantor Junno Andrade, namorado de Xuxa, já tinha se manifestado sobre a polêmica. Em seu texto publicado também na rede social, ele defendeu sua amada, que recebeu críticas do deputado durante a votação da lei que tem o objetivo de coibir a violência contra a criança, agora chamada de Lei Menino Bernardo. Além disso, Junno festejou o sucesso da votação, que levará a lei para ser aprovada pelo senado. “Falta muito pouco… Tem pessoas que vieram pra esse mundo a passeio, outras, nem deveriam ter vindo, pois usam essa passagem apenas para benefício próprio, e pior, na maioria das vezes tirando de quem não tem, se aproveitando da carência, esperança e inocência dos menos favorecidos, alguns hipócritas tem o desplante e a coragem de agir “EM NOME DE DEUS” e ainda se sentem à vontade e no direito de apontar seus dedos sujos, cheios de culpa e preconceito para julgar alguém!!! Por outro lado, tem “GENTE” que veio nesse planeta pra fazer a diferença, pra realizar, pra nos encher de admiração e nos dar exemplo! Hoje creio eu, podemos marcar um “X” nessa data, pois se deu um passo de imensurável tamanho, onde as crianças e adolecentes terão os mesmos direitos de um Ser Humano. Parabéns à todos os envolvidos nesse caminho pra aprovar a “Lei da Palmada”, hoje Lei Bernardo, principalmente pra uma pessoa que poderia estar tirando onda numa praia qualquer, e no entando passa a vida se preocupando com razões sociais! Parabéns Xuxa (Xuxuca), hoje você demonstrou um pouco mais da sua linda missão nesse planeta! Posso imaginar o tamanho do seu sorriso nesse momento! Que HONRA poder caminhar ao seu lado!!!”, falou.

A emenda pretende alterar a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, para estabelecer o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos corporais ou de tratamento cruel ou degradante.

Xuxa, sobre Pastor Eurico: “Minha mãe é evangélica. Eu sei que isso não é uma coisa dos evangélicos”

Publicado na Veja Título original: Desculpas e choro

Xuxa experimentou hoje a face mais bizarra da bancada conservadora da Câmara. O deputado evangélico Pastor Eurico, do PSB de Pernambuco, acusou Xuxa de provocar a “maior violência contra crianças em um filme pornô”. Xuxa saiu por cima, fazendo um coração com as mãos para o deputado.

Mas pegou mal, muito mal, lógico.

O episódio, na sessão em que a CCJ discutia a chamada Lei da Palmada, causou um alvoroço no PSB – o Pastor é correligionário e conterrâneo de Eduardo Campos, ressalte-se.

A turma de Campos entrou em ação para apagar o incêndio. Júlio Delgado se superou e saiu correndo para abordar Xuxa quando ela caminhava rumo ao elevador para ir embora.

Delgado pôs para fora a persuasão de político, usando toda sua capacidade de interpretação: olhando fixamente nos olhos e segurando as mãos de Xuxa, mandou:

- Eu quero me desculpar muito. Em meu nome, do meu partido e em nome do Eduardo Campos. O deputado não será mais titular da comissão e o que ele diz de jeito nenhum representa o que pensa a bancada. Desculpe, me desculpe, de coração.

Xuxa caiu. Não se conteve, encheu os olhos e começou a chorar, antes de responder, elegantemente:

xuxa-chorando

- Olha, a minha mãe é evangélica, outras pessoas na minhas família são evangélicas. Eu sei que isso não é uma coisa dos evangélicos, mas, individual, só daquela pessoa.

Delgado só não ganhou uma eleitora porque Xuxa não conhece o jogo político nem vota em Minas.

Por Lauro Jardim

Deputado evangélico hostiliza Xuxa em votação da Lei da Palmada

A apresentadora de TV Xuxa Meneghel acompanha nesta quarta-feira (21) a sessão da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania) da Câmara que vota um projeto de lei que protege crianças e adolescentes de castigos físicos, conhecido como "Lei da Palmada". (foto:  Pedro Ladeira/Folhapress)

A apresentadora de TV Xuxa Meneghel acompanha nesta quarta-feira (21) a sessão da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania) da Câmara que vota um projeto de lei que protege crianças e adolescentes de castigos físicos, conhecido como “Lei da Palmada”. (foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Publicado por Estadão Conteúdo [via UOL]

A sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara foi marcada na manhã desta quarta-feira, 21, por bate-boca entre parlamentares, sendo que o deputado Pastor Eurico (PSB-PE) chegou a hostilizar e constranger a apresentadora Xuxa Meneghel, que realizava agenda na Casa.

A reunião foi tumultuada do início ao fim porque os deputados discutiam a redação final da chamada “Lei da Palmada”, que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e proíbe a aplicação de castigos físicos a crianças e adolescentes. A bancada evangélica é ferrenha opositora da matéria – que aguarda votação no colegiado há dois anos – e tentava evitar que ela fosse concluída.

Quando Xuxa chegou para acompanhar a sessão, ao lado da ministra dos Diretos Humanos, Ideli Salvatti, o clima tenso na reunião já havia provocado interrupção dos trabalhos. Quando evangélicos cobravam o presidente em exercício, Luiz Couto (PT-PE), a encerrar a sessão, o deputado Pastor Eurico hostilizou a apresentadora e disse que sua presença era “um desrespeito às famílias do Brasil”. “A conhecida Rainha dos Baixinhos, que no ano de 82 provocou a maior violência contra as crianças”, disse, referindo-se ao filme “Amor Estranho Amor”, daquele ano, em que Xuxa aparece numa cena de sexo com um adolescente de 12 anos.

A declaração do Pastor Eurico gerou repúdio da maior parte dos deputados presentes, inclusive de parlamentares que questionavam o projeto, que classificaram a fala de “violência inaceitável”. A apresentadora não se manifestou e, depois de encerrada a sessão, deixou a comissão sem comentar o assunto.

A fala, no entanto, ajudou a conturbar ainda mais a sessão, que acabou sem que o projeto fosse votado. Avisado da situação, o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), foi ao colegiado e tentou intermediar um acordo: a CCJ deverá se reunir novamente nesta tarde para tentar aprovar o projeto. Como tramita em caráter conclusivo e já foi aprovada por uma Comissão Especial, a chamada “Lei da Palmada” seguirá diretamente para o Senado quando aprovada pela CCJ.

Lei da Palmada

O projeto em discussão veda o “uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto”. O texto também diz que o Conselho Tutelar, “sem prejuízo de outras providências legais”, deverá aplicar as seguintes medidas aos pais ou responsáveis que aplicarem castigos físicos a menores: “encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família, encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico, encaminhamento a cursos ou programas de orientação, advertência ou obrigação de encaminhar a criança a tratamento especializado”. Também diz que profissionais da saúde e da assistência social ou outra função pública devem informar casos de suspeita de castigo físico à autoridade competente.

A medida sofre forte resistência sobretudo da bancada evangélica, que tentou obstruir a votação nesta manhã e que queria trocar expressões utilizadas na redação. Durante boa parte do ano passado, parlamentares que se opõem à matéria conseguiram retirar o projeto da pauta do colegiado por sucessivas vezes. “As denúncias que se trazem para convencer são de crime com tipificação no Código Penal. O Estado não consegue aplicar a política de combate ao crime e querem impor o rótulo (de violência) na família”, disse o deputado Marcos Rogério (PDT-RO).

Por outro lado, o relator da proposta, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), afirmou que o objetivo é proteger as crianças e adolescentes contra graves tipos de violência. “O que quer se combater é o espancamento e a humilhação de crianças e adolescentes”, declarou. “Não posso acreditar que algum parlamentar acredite que a tortura é educativa.”