Vereadores evangélicos rompem com Haddad e agora querem CPI

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Publicado originalmente no Estadão

Após o prefeito Fernando Haddad (PT) vetar hoje a brecha aprovada pela Câmara Municipal que reduzia regras e a exigência de documentação para a construção de novos templos religiosos, a bancada evangélica ajuda a oposição neste momento a aprovar a CPI dos Transportes, em sessão tensa realizada no Palácio Anchieta. Os vereadores Souza Santos (PSD) e Jean Madeira (PRB), pastores da Igreja Universal, se rebelaram contra os governistas em plenário. Estudantes e líderes do Movimento Passe Livre acompanham os trabalhos e pedem a instalação da investigação.

“Tem de ter palavra. Eu tenho palavra com o governo e com a população”, disparou Madeira, visivelmente exaltado. Segundo os evangélicos, havia acordo com o governo para a sanção do artigo do Projeto Simplificado que estendia para igrejas o fim de regras criadas para desburocratizar a construção de imóveis comerciais e residenciais para até 600 pessoas. Mas Haddad sancionou a lei, publicada hoje no Diário Oficial da Cidade, e vetou o artigo que favorecia as igrejas.

Santos é o mais nervoso no plenário e já chegou a discutir com os colegas governistas Arselino Tatto (PT) e Police Neto (PSD). Eduardo Tuma (PSDB), líder da Frente Parlamentar Cristã, que conta com 17 dos 55 vereadores, conseguiu a adesão de outros evangélicos governistas para a CPI, como o de Sandra Tadeu (DEM) e de Edir Sales (PSD). Líder do PHS, Laércio Benko também se rebelou da base governista após o veto do prefeito.

O governo e a bancada do PT, com 11 vereadores, tenta a todo custo barrar a criação da comissão. “Não existem argumentos sólidos e nem denúncia nova para que seja criada uma comissão”, argumenta Arselino Tatto (PT), líder da gestão Haddad. A ordem no governo é tentar antecipar a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e fechar o Legislativo para recesso até agosto. Líderes de perueiros, Senival Moura (PT) e Milton Leite (DEM) tentam ajudar o governo a barrar a comissão.

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Souza Santos (PSD), da Igreja Universal: bancada evangélica ajuda aprovar CPI após Haddad vetar benefício para templos

Na reunião do colégio de líderes, Tatto foi vaiado pelos estudantes após defender o voto contra a CPI. “É difícil ver que o Partido dos Trabalhadores, ao invés de ficar do lado do povo, prefere ficar do lado dos empresários, protegendo eles”, disparou. “Já vamos avisando que protesto para nós não tem recesso.”

As chances de a CPI ser aprovada hoje, porém, são remotas. O Passe Livre, com cerca de 20 representantes nas galerias da Câmara, grita que “amanhã vai ser maior” a presença do grupo.

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As raposas têm covis…

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Publicado por Eliel Batista

Raposas têm covis, se escondem, se protegem, se garantem, mas o Filho do Homem, disse Jesus, o humano não tem um lugar assim.

Não ter covil significa não procurar um lugar de conforto e comodismo imobilizador e de nenhuma transformação da realidade. Correr os riscos pelo de fato de estar de olhos bem abertos e denunciar tudo o que é contra a vida.

Enquanto vejo jovens e adolescentes empunhando cartazes para que o Brasil mude sua estrutura política, econômico-financeira e social, vejo líderes religiosos convocando suas igrejas para manifestarem-se simplesmente fechando os olhos, em outras palavras orando. Que isto sim seria o verdadeiro manifesto. Fecharem-se dentro de seus templos (mais uma vez) e clamarem a Deus que segundo eles, é o único que pode resolver. Clamar a Deus e não aos “homens”, alegam eles.

Há lugar para oração, mas jamais a oração deve ser um ato que fecha os olhos para a realidade. A oração deve nos engajar na realidade da vida.

Volto meu olhar para apenas o período de minha idade. Apenas os últimos cinquenta anos.

Em 64 veio a ditadura militar.

Enquanto os filhos dessa nação apanhavam, eram torturados e mortos, líderes convocaram suas igrejas para fechar os seus olhos e orarem pela nação, invocando Crônicas 7.

Enquanto a igreja mantinha seus olhos fechados muitos desses líderes, tal qual uma raposa de mansinho se aproximaram da ditadura envergando a bandeira bíblica de que “toda autoridade é constituída por Deus.” Só pediram para os fiéis abrirem os olhos para que vissem eles se banqueteando na mesa do poder como prova de resposta da oração. Enquanto isso os fiéis continuavam com o mesmo pão e água de sempre, domesticados pelo autoritarismo.

Com o fim do AI-5 e a queda do militarismo, morrendo de medo, novamente parte expressiva da liderança evangélica correu para mais uma vez fechar os olhos do povo para orar e não ouvir o clamor de seus jovens, a dor de seu povo enquanto preparavam mais um lugar confortável para repousarem, pois associados à ditadura, com o fim da mesma, temiam por seus destinos. Olhos dos fiéis novamente abertos somente para que as ovelhas vissem seus pastores abocanhando a oportunidade dada pelo Collor a quem apoiaram. Aliás, quem não apoiasse era tido como “contra Deus”. Ser pró PT era ter aliança com o diabo.

O PT reverteu o jogo político e preparou um lugar “confortável” E agora?

Mais uma vez, esses líderes pediram para a igreja fechar os olhos e orar, clamar até que a resposta viesse.
Adivinha qual foi a “resposta” divina?
O sucesso deles como prova de que a “igreja” estava sendo beneficiada.
Só se para eles igreja for o caixa que administram, porque se for as pessoas que a ela pertencem, essa continuou na mesma, levantando cedo e dormindo tarde para ganhar o pão suado e enfrentando filas de madrugada para marcar uma consulta médica.

Costuraram acordos para se locupletarem e deixar o covil cada vez mais confortável.

A Frente Parlamentar Evangélica, formada no mesmo ano da eleição do Lula, tomou conta do noticiário nacional no seu primeiro mandato, ao ter quase metade de seus componentes envolvidos no desvio de verba parlamentar.

Enquanto a igreja fecha os olhos para orar, deve-se perguntar sobre o que de concreto pelo bem de nossos jovens, pelo bem da saúde e educação do povo a Bancada Evangélica com cerca de 80 deputados e 4 senadores fazem?

Arrumam confusão pois praticamente todos têm algum processo correndo contra eles. Como todo réu político nesse país, alegam inocência escondendo-se atrás da falácia de se tratar de um perseguição política ou religiosa.

Apesar de desfrutarem de excelentes benesses parlamentares nenhum deles se manifestou contra as excessivas verbas parlamentares, empunhou uma bandeira da saúde ou educação, simplesmente pedem que a igreja feche os olhos e orem e certamente continue trazendo todos os dízimos para que Deus repreenda o devorador do pouco que ganham e não deixem de comprar as bugigangas gospel para ser abençoada.

Quando jovens e adolescentes saem às ruas para lutarem contra a injustiça e os desmandos desse país e contra as falcatruas políticas que inclui esses evangélicos, novamente querem que o povo entre em seus templos e fechem os olhos? Não querem que o povo abra os olhos e vejam a realidade? Justiça não se faz com oração, se faz com postura, com ação.

Jesus nunca trabalhou para montar um covil e muito menos às custas da inocência do povo que ele amava. Quando Jesus orava era para ter forças para enfrentar os hipócritas farisaicos que se oporiam a ele na sua luta contra o banditismo em nome de Deus que extorquia os pobres.

Sabe o que esses políticos evangélicos fizeram de relevante?

Apoderaram-se de coisas que não lhes pertencem. Defendem temas que lhes dão notoriedade e garantem seus covis sempre abastecidos.

Se tornaram conhecidos não pela seriedade com que tratam a vida humana, o respeito pelo bem e a defesa da justiça. São conhecidos pelos seus aviões, templos suntuosos, absurdas fortunas pessoais. Também são conhecidos por escândalos financeiros, morais e éticos. São confundidos com empresários e não com Cristo.

Há alguns que querem ser o pai das manifestações para continuar garantindo o seu quinhão, mas falácia o povo não engole mais, #oGIGANTEacordou.

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Kennedy Alencar: Polícia Federal suspeita que pastores começaram os boatos de suspensão do Bolsa Família

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Transmitido diariamente às 8h55, “A política como ela é” traz os comentários de Kennedy Alencar no Jornal da CBN. Na edição de hoje, o jornalista falou sobre a investigação da origem dos boatos de suspensão do Bolsa Família, fato que provocou tumulto em vários Estados do país.

Segundo Alencar, a Caixa contribuiu muito para a confusão ao antecipar pagamentos sem aviso. A Polícia Federal acredita que há algo de doloso nos fatos e investiga uma empresa de telemarketing no RJ.

O comentarista informou também que há a suspeita de que pastores podem ter começado os boatos que provocaram a corrida aos saques, salientando a relação atual problemática entre o PT e as igrejas evangélicas.

Ouça abaixo o programa na íntegra.

dica da Andreia Barros

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